Bento XVI protestou contra a inclusão de um heterodoxo entre os autores do trabalho sobre o papa Francisco.

O Escritório de Comunicação do Vaticano escondeu até hoje um parágrafo da carta que Bento XVI enviou a Mons. Vigano para a publicação de onze volumes sobre a filosofia e teologia do Papa Francisco. Neste parágrafo, o papa emérito expressou seu pesar porque um dos autores não era ortodoxo.

Por InfoCatólica, 17 de março de 2018 | Tradução: Marcos Fleurer – FratresInUnum.comQuatro horas depois que o vaticanista Sandro Magister denunciou que o Vaticano não havia publicado a carta inteira de Bento XVI, a Santa Sé decidiu informar o seu conteúdo completo.

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Ao contrário dos parágrafos que foram excluídos ao enviar uma foto da carta à mídia e que foram lidos por Dom Dario Vigano,  Prefeito da Secretaria para as Comunicações, em uma coletiva de imprensa, havia outro parágrafo que Dom Vigano não leu e que é altamente significativo, porque Bento XVI expressa sua queixa sobre a inclusão, entre os onze volumes, de um escrito pelo teólogo Peter Hünermann, oponente dos pontificados de São João Paulo II e do próprio Bento XVI.

Este é o parágrafo que a Santa Sé escondeu até hoje:

Somente de passagem, quero expressar minha surpresa pelo fato de que, entre os autores, figure também o professor Hünermann, que durante o meu pontificado se destacou por liderar iniciativas anti-papais. Participou de forma relevante no lançamento do “Kölner Erklärung” [Declaração de Colônia], que em relação à encíclica “Veritatis splendor”, atacou de forma virulenta a autoridade magisterial do Papa, especialmente em questões de teologia moral. Também a “Europäische Theologengesellschaft” [Sociedade Alemã de Teólogos] que ele fundou, foi inicialmente pensada por ele como uma organização em oposição ao magistério papal. Posteriormente, o sentimento eclesial de muitos teólogos impediu essa orientação, tornando essa organização um instrumento normal de encontro entre os teólogos.

Estou certo de que entenderá a minha recusa e eu o saúdo cordialmente.

Vosso:

Bento XVI

Manipulação contínua e grosseira

Este novo episódio mostra que, de fato, houve uma manipulação clara da carta de Bento XVI pelo Escritório de Comunicação do Vaticano, que tentou hoje justificar a foto que enviou da carta, em que outros parágrafos foram cobertos e distorciam algumas linhas, sob a desculpa de que era uma foto artística.

Somente quando Sandro Magister denunciou que se estava ocultando outro parágrafo daqueles escritos pelo papa emérito, a Santa Sé reagiu publicando toda a carta.

Código de Direito Canônico

1391 Pode ser punido com uma penalidade justa, dependendo da gravidade do crime:

quem falsifica um documento público eclesiástico, ou altera, destrói ou oculta um verdadeiro, ou usa um falso ou alterado; 2 quem, em uma matéria eclesiástica, usa outro documento falso ou alterado; 3 quem afirma algo falso em um documento público eclesiástico.

 

15 Comentários to “Bento XVI protestou contra a inclusão de um heterodoxo entre os autores do trabalho sobre o papa Francisco.”

  1. E quando a fama e o ibope estão em baixa, corre novamente a usar Padre Pio, o campeão dos ” inflexíveis custódios das tradições humanas”

  2. Mais um fato que serviu para ver o tipo de gente desonesta que está na cúpula da Igreja…

  3. Hoje dia do nosso Glorioso São José.
    Protetor da Santa Igreja.
    Rezemos pela Santa Igreja e nossos Padres e Bispos.
    Para que tenham forças para guardar a Sagrada Tradição.
    Que muitos estão deixando acabar e que custou até vidas de santos sacerdotes e leigos também. Precisamos se Santos Sacerdotes, muitos Santos Sacerdotes.
    São José, rogai por nós e pela Santa Madre Igreja.

  4. O vaticanista Sandro Magister fez muito bem em denunciar essa manipulação. Todavia, não é a primeira fraude, nem a mais importante, nem a mais grave. Pois o século em que vivemos foi aberto com a gravíssima manipulação do Terceiro Segredo de Fátima divulgado no ano 2000.
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    Com efeito, em 1957, o Santo Ofício, do Vaticano, determinou que o texto do Segredo lhe fosse encaminhado. “Para se tutelar melhor o Segredo” – foi a justificativa dada por Roma, embora estivesse muito bem guardado e conservado em Portugal o Segredo que, por ordem de Nossa Senhora, devia ser aberto e divulgado em 1960, ou antes disso, no caso de falecimento da Irmã Lúcia. Antes de fazer o envio, o bispo Dom Venâncio, então era o bispo auxiliar de dom José Alves Correia da Silva (1872-1957), pediu-lhe que abrisse o envelope que continha o Segredo, e o lesse e divulgasse de uma vez por todas. Mas Dom José da Silva, muito idoso, recusou-se a fazê-lo. Então Dom Venâncio, antes de remeter o envelope ao Vaticano, sem abri-lo, observou-o contra um foco de luz, e notou que dentro dele havia uma única folha, com cerca de vinte a vinte e cinco linhas. No dia 16 de abril de 1957 o Terceiro Segredo chegou em Roma e foi entregue ao Arquivo Secreto do Santo Ofício.
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    Em 26 de Junho de 2000 o Vaticano divulgou oficialmente o texto do Terceiro Segredo. Apresentou não uma, mas quatro folhas manuscritas! Por todo o mundo espocaram manifestações de desconfiança e descrédito. Para remediar a situação, surgiu depois outra explicação, que não veio diretamente do Vaticano. Haveria um segundo envelope… no qual estaria contido um texto que daria sentido à visão estampada nas quatro folhas divulgadas…
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    Já se passaram dezoito anos e não há nenhum sinal de que venha a ser revelado pelo Vaticano o conteúdo da folha única na qual está contida a integralidade do Terceiro Segredo. Mas Nossa Senhora prometeu que viria sete vezes àquele lugar. Aos três videntes só apareceu seis vezes. Resta aguardar.

    • Caro André F. Falleiro Garcia … já houve a sétima vez … http://www.fatima.pt/pt/pages/narrativa-das-aparicoes … Sétima aparição de Nossa Senhora

      Local: Cova da Iria

      Data: 15 de junho de 1921

      Contexto: Véspera da partida de Lúcia para o asilo do Vilar

      D. José encontrou-se pela primeira vez com Lúcia por volta de 1920-1921 e interrogou-a acerca dos acontecimentos. Propôs-lhe deixar Fátima para ir para o Porto, porque lá ainda não era conhecida.
      Do diário da Irmã Lúcia:

      «De novo, em Fátima, guardei inviolável o meu segredo. Mas a alegria que senti ao despedir-me do Senhor Bispo, durou pouco tempo. Lembrava-me dos meus familiares, da casa paterna, da Cova da Iria, Cabeço, Valinhos, do poço… e agora deixar tudo, assim, de uma vez para sempre? Para ir não sei bem para onde…? Disse ao Sr. Bispo que sim, mas agora vou dizer-lhe que me arrependi e que para aí não quero ir.»

      Estava nesta luta, quando foi à Cova da Iria:

      «Assim solícita, mais uma vez desceste à terra, e foi então que senti a Tua mão amiga e maternal tocar-me no ombro; levantei o olhar e vi-Te, eras Tu, a Mãe bendita a dar-me a mão e a indicar-me o caminho; os Teus lábios descerraram-se e o doce timbre da tua voz restituiu a luz e a paz à minha alma: “Aqui estou pela sétima vez, vai, segue o caminho por onde o Senhor Bispo te quiser levar, essa é a vontade de Deus.”
      Repeti então o meu “sim”, agora bem mais consciente do que, o do dia 13 de Maio de 1917 e enquanto que de novo Te elevavas ao Céu, como num relance, passou-me pelo espírito toda a série de maravilhas que naquele mesmo lugar, havia apenas quatro anos, ali me tinha sido dado contemplar.»

      Boletim Bem-aventurados Francisco e Jacinta. Fátima: Postulação de Francisco e Jacinta Marto, janeiro-março 2006.

    • André Falleiro, saberia dizer se é verídico aquele fato no qual Pio XII teria lido o segredo e desmaiado? E que na mesma ocasião ele teria dito ‘feliz do Brasil’?
      Me lembro que escutei essa versão nada menos que em uma reportagem da Globo…

  5. Ter-se-ia impressão de o Vaticano com essa manobras nada meritorias a respeito do conteúdo da carta que poderiam ser até mesmo propositais, muito ao inverso, quando descobertas as manipulações deterioram-lhe em mais a reputação de imparcialidade e de seriedade, como de desejasse se apropriar da imagem do papa emérito Bento XVI e o igualar ao papa Francisco, do qual uma delas seria a de escamotear seus diversos desvios doutrinarios, depois a de propagandear que ele segue os mesmos passos do antecessor e que praticamente em nada se diferenciam um do outro!
    Assim, colocá-lo no mesmo desnível em que se encontra o papa Francisco no tocante à credibilidade em franca ascensão, bastando ver o número cada vez mais diminuto de comparecentes à Praça de S Pedro em Roma!
    Eis pois aí o típico comportamento das esquerdas em todo o mundo, como daqui no Brasil dos dirigentes da mafia PT argumentando que não foi ele que inventou a corrupção, mas levou adiante o mesmo que os antecedentes do governo anterior, método de jamais assumir os proprios erros e os repassar a outrem – tentando sair com boa imagem!…

  6. Como cardeal, à frente da Congregação para a Doutrina da Fé, Ratzinger publicou uma obra em comum com notórios hereges, sobre exegese bíblica. Ninguém se lembra mais?

    • R M A…não conheço a “obra” de que fala! Peço perdão da minha ignorância! Será que poderia indicar o título e os autores conjuntos referidos?! Acredite na minha sinceridade e inocência! Não conheço mesmo! Obrigada!

  7. Bento XVI não está sofrendo nada mais, nada menos, do que os frutos da sua omissão. Por que não calou o teólogo herege quando era Papa? A omissão traz consequências.

    • “Por que não calou o teólogo herege quando era Papa?” O senhor esperava que o Soberano Pontífice mandasse erguer um patíbulo em plena praça de São Pedro para executar numa fogueira, junto de seus escritos, o dito “teólogo”?! Quanta leviandade!! O que poderia ter feito Bento XVI, se Francisco reabilita até Lutero?!!

  8. Caro Lionço: esse texto (excerto) da narrativa da visão particular que seria a sétima aparição, eu já o conhecia, publicado num boletim português de janeiro-março de 2006. Li-o, na sua íntegra, no site das Carmelitas de Coimbra em julho de 2006. Veio também – em sintonia com o Terceiro Segredo divulgado no ano 2000 – esvaziar a Mensagem de Fátima, por produzir o efeito de sepultar as esperanças de uma sétima e grandiosa aparição marial. Mas não lhe dei crédito, assim como não acreditei no texto publicado pelo Vaticano em junho de 2000.
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    Com efeito, não me pareceu, a meu ver, autêntico, por não estar dentro do amplo quadro da revelação profética sobre o futuro da Igreja e do mundo. Nossa Senhora, num extraordinário contexto profético, falou que viria ainda uma sétima vez. E na sexta aparição, em 13 de outubro de 1917, estavam presentes cerca de setenta mil pessoas e houve o portentoso milagre do sol que bailou no céu. Mas esse texto, que foi divulgado depois do ano 2000, mais exatamente em 2006, é a narrativa de uma suposta aparição marial destinada a resolver um problema particular da Irmã Lúcia, aflita pela perspectiva de sair do aconchego familiar e ingressar numa congregação religiosa.
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    Essa situação particular da vidente Lúcia não tem proporção com as gravíssimas revelações proféticas da mensagem de Fátima dirigidas ao mundo. Nem a própria vidente parece ter dado a devida importância a essa aparição particular. Pois, mesmo tendo dito que sentiu então o atrativo do Carmelo, em seguida entrou num convento das Irmãs Doroteias!!!
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    Por isso tudo, não creio que seja a sétima aparição anunciada por Nossa Senhora. Em suma, é mais uma perplexidade que se soma ao Terceiro Segredo revelado no ano 2000 e à manipulação da carta de Bento XVI que é objeto da polêmica atual.

  9. Pura manipulação e adulteração na matéria original do “Vatican News” e no pronunciamento de Viganò no evento de lançamento da coleção bibliográfica sobre o “magistério” de Bergoglio. Sábado eu comentava a Tosatti: o prefeito da Secretaria para a Comunicação, além de omitir um parágrafo inteiro enquanto informava estar lendo a missiva na íntegra (e era uma carta “privada”, diga-se de passagem), manipulou também o parágrafo final, quando omitiu o “per il mio diniego” (“pela minha recusa”) que vem logo após o “Sono certo che avrà comprensione” (“Estou certo de que [V. Excia.] terá compreensão [pela minha recusa] / de que [V. Excia.] compreenderá a minha recusa]”). A veia irônica de Sua Santidade se fez presente no texto, na sua primeira parte, e é merecedora de nossos aplausos. À luz da leitura do penúltimo parágrafo, até há pouco velado, fica bastante aclarado o que ele diplomaticamente procurou dizer nas linhas precedentes. A corte de Francisco mais uma vez marcou um vergonhoso gol contra. Contra a ética, a verdade, o profissionalismo jornalístico, o direito canônico e a própria pessoa do Santo Padre (isto é, contra a pessoa de Bento XVI). Lastimável.

  10. Mea culpa de Viganó… bispo expiatorio

  11. Há algo de podre no reino da Dinamarca, ou melhor, do Vaticano.