Com o “Caso Viganò” explodiu definitivamente o “Caso Bergoglio”

Pannella Bergoglio Scalfari

Antonio Socci – 22 de março de 2018 – Tradução: FratresInUnum – A desastrada e fracassada tentativa de instrumentalização de Bento XVI – pela qual nem Bergoglio, nem Viganò se desculparam – pôs em luz a radical ruptura entre o argentino e o magistério anterior. E trouxe à tona a gravíssima crise de legitimidade deste desconexo pontificado sul-americano. O qual – tendo perdido os referenciais imperiais (Obama/Clinton) – está hoje em debandada e em fuga. A própria Cúria começa a preocupar-se dramaticamente pelos ulteriores danos que a Igreja poderá sofrer, já prostrada por cinco anos de bombardeamento anticatólico. No comentário abaixo, reconstruo o sentido dos eventos destas horas.

***

Mons. Dario Viganò, responsável pela comunicação, demitiu-se pelas omissões relativas à carta de Bento XVI. Problema resolvido? Ao contrário. Porque, desde o início do acontecimento, é evidente que não havia (apenas) um “caso Viganò”, mas (sobretudo) um “caso Bergoglio”.

O “caso Viganò” está no diletantismo com o qual foi gerida a operação, com saídas pueris e parágrafos de Ratzinger silenciados (justo naquele Vaticano que pontifica contra as fake news e as informações parciais).

O “caso Bergoglio”, muito mais grave, consiste na tentativa de Bergoglio, através de Viganò (que é um dos seus executores fidelíssimos), de obter de Bento XVI um clamoroso endosso. Na prática, queria que Papa Ratzinger aprovasse publicamente a sua “revolução”.

Quando o papa emérito respondeu a Viganò que não estava disposto a fazer o endosso e que não tinha nenhuma intenção de ler os livretos apologéticos sobre Bergoglio, antes, que estava indignado porque tinham chamado para elogiar o papa argentino alguém que nos anos anteriores “atacou de modo virulento” o seu pontificado e o de João Paulo II, tiveram de engolir seco em Santa Marta.

É bastante conhecido que, pouco antes, Bento XVI tinha escrito um belíssimo e denso prefácio a um livro do Card. Sarah. Naquele caso, o endosso foi dado, e entusiasticamente.

Ao contrário, Bento XVI respondeu aos emissários de Bergoglio um seco “não”, formalizado em duas frases de cortesia. Bergoglio deveria ter recebido o “não” e guardar a carta de Bento XVI, que era “reservada e pessoal”, na gaveta.

Porém, decidiram usá-la, de qualquer forma, para os objetivos iniciais. Assim, contaram ao mundo que Bento XVI fizera um clamoroso endosso ao Papa Francisco, atacando os seus críticos e exaltando a sabedoria teológica deste último (todos sabem que ele não conseguiu nem ao menos obter o doutorado em teologia).

Uma operação assim, tão arriscada (transformar um não ao endosso num sim), não foi decidida, certamente, por Mons. Viganò.

Apenas o seu chefe poderia fazê-lo, tanto é verdade que Bergoglio sempre o defendeu e, nas cartas que os dois se trocaram ontem, não há crítica ou admissão de culpa.

Mons. Viganò diz que se demite porque “foram levantadas muitas polêmicas” e ele não quer prejudicar as reformas bergoglianas.

Na prática, queriam evitar uma verdadeira “operação transparência”, que exigiria agora que se publicasse a carta de 12 de janeiro, na qual Viganò pediu a Bento XVI aquele endosso. Daí se entenderia muita coisa: seja sobre o envolvimento de Bergoglio, seja sobre a resposta de Bento XVI.

As demissões de Viganò, portanto, não servem para esclarecer este episódio desconcertante, mas somente para colocar tudo em silêncio.

Porque o diretor de toda a operação foi Bergoglio. De fato, na carta de demissão, Viganò não admite nenhum erro pessoal e diz que pode contar com a estima de Bergoglio, manifestada-lhe “também em nosso último encontro”.

E Bergoglio, em substância, lhe responde: acolho de mau-grado as tuas demissões, mas só porque nos pegaram com a mão na massa. Todavia, recompensa-o dizendo-lhe “para prosseguir permanecendo junto ao Dicastério” e inventando para ele o cargo de “Assessor… para poder dar o seu contributo humano e profissional ao novo Prefeito” (ndt.: que diferença de tratamento com o Cardeal Müller, impiedosamente defenestrado da Congregação para a Doutrina da Fé!).

Enfim, Bergoglio confirma o “projeto de reforma” dos meios de comunicação levado adiante por Viganò, cujos trabalhos elogia, bem como o seu “profundo sensus ecclesiae”,

Evidentemente, considera louvável o fato de que se tenha feito passar uma resposta negativa de Bento XVI como um endosso em seu favor.

E também julga louváveis aqueles livretos sobre os quais até mesmo um bergogliano como Luis Badilla, do site para-vaticano “Il Sismografo”, tinha levantado sérios questionamentos.

Segundo Badilla, Mons. Viganò e o responsável pela Libreria Editrice Vaticana (LEV), “em vista da imensa confusão da carta do Papa emérito, lida e difundida com omissões e cortes não aceitáveis em geral segundo a ética jornalística, e, com maior razão, mais insuportáveis quando se trata de um documento de um ex bispo de Roma, são chamados também a explicar – além da manipulação da carta – uma outra questão igualmente delicada”.

Badilla questiona “como é possível que a LEV” tenha incluído entre os teólogos, chamados a elogiar o pontificado de Bergoglio, nomes acerca dos quais Bento XVI se exprime tão severamente.

Como foi possível”, pergunta Badilla, “dar palanque a um teólogo fundador de uma organização contrária abertamente ao magistério pontifício? As palavras de J. Ratzinger a este respeito são como uma tacada de pedra e devem-se-lhe tirar as consequências”.

Ao contrário, Bergoglio não tira nenhuma consequência negativa e sepulta esses duros questionamentos de Badilla.

Antes, Bergoglio tem só palavras de aprovação e elogio a Viganò e ao seu “sensus ecclesiae” e, portanto, a toda a operação.

A qual, porém, fracassou. Um golpe duríssimo para o papa argentino. Não devido, certamente, ao espírito crítico dos maiores jornalistas italianos, mas apenas à constrangedora procura pela verdade levada à cabo por sites e blogs.

Antonio Socci

20 Comentários to “Com o “Caso Viganò” explodiu definitivamente o “Caso Bergoglio””

  1. Quem ensina mentiras e emprega mentiras para endossar as mentiras: de quem será filho?… Do vil enganador!

  2. Quanto odeio por nosso querido e amado Papa, sucessor de pedro, Cristo na terra.

    • Seu comentário é a famosa estratégia dos esquerdistas:
      1) Dar dois passos.
      2) Ser pego com “a mão na massa”.
      3) Recuar um passo enquanto se vitimiza.

      Eu acho que existe uma coisa que vocês não entenderam. Vocês já avançaram demais e daqui para frente existe uma linha que vocês não vão cruzar, existe um ponto em que vocês não vão avançar. Conforme-se quanto a isto. Vitmize-se o quanto quiser, esta chantagem emocional não funciona mais. Estamos vacinados.

    • Não estou nem um pouco preocupado com as suas diatribes, “seu” Jesus.
      Felizmente Jesus não se chamava Jesus, trata-se apenas de uma tradução latina ou portuguesa, no caso. Mas,lembre-se: esperam por você e tipos iguais, as profecias de Fátima.

    • Os comunistas, com os seus relativismos, se infiltrando nos comentários no Frates In Unum.

  3. ” …pontificado sul-americano”.

    Socci é um jornalista, isto é, um especialista em nada, alguém muito semelhante aos sofistas combatidos por Platão. A foto com cabelo de Cleópatra, que Socci usa na “página oficial” do FB, já diz muita coisa de suas ideias.

    Ele usa o mote “sul-americano” para desqualificar o antipapa argentino, como se na América Latina não houvesse vida inteligente e fôssemos todos uns estúpidos (esperando a próxima quartelada como a de 15 de novembro de 1889).

    No entanto, o nível intelectual médio de um Europeu médio é de fazer vexame em qualquer favela sul-americana. Mesmo com o excesso de recursos de que dispõem, não sabem nada de si mesmos. Tanto é assim que ora cospem no prato que comeram, ora se esforçam em importar as cimitarras que os hão de degolar. É preciso sempre lhes ensinar a própria história.

    Além disso, a eleição simoníaca do antipapa argentino foi tramada e financiada pelos ricaços “cardeais” alemães, sob a égide sinistra do obscuro jesuíta “cardeal” Martini.

    Então, quem pariu Mateus que o embale. Fique o cabelinho de Cleópatra achando que a culpa é latino-americana, sendo que foram eles, os europeus, que apostataram e exportaram sua doença doutrinal para os quatro cantos da terra. Marx não nasceu no Tatuapé.

  4. jesus manuel antonio monroy lopez
    23 março, 2018 às 4:04 pm
    Quanto odeio por nosso querido e amado Papa, sucessor de pedro, Cristo na terra.

    R- Está chegando a hora, “padre” Monroy Lopes, de gritar “Barrabás!”, “Barrabás!”. Encha o peito de ar.

  5. a estretegia de voces chegou a ser diabolica: enfrenar o papa emerito com o papa reinante. Sabem qual é o resultado? a detruiçao da igreja catolica. O obetivo de santanas. Nem Bento nem francisco vao ceder a tentacao de voces. Alias, eu nao sou “padre”, sou padre mesmo, sacerdote da Igreja catolica, ame e amo todos os papas e procuro ser obediente a todos, sem carater ideologico. Sao pedro e pronto. Padre Manuel Monrou Lopez

    • Não é necessário saber ler e escrever antes de ingressar no seminário?
      Como conseguiu ser ordenado com um português tão sofrível?
      Ah, já sei! Basta ser adepto de ideologias da esquerda.

      Você quer que eu faça uma lista de heresias que o papa (supondo que ele seja porque eu tenho duvidas quanto a validade da eleição dele) Francisco disse e que nega tudo o que os outros papas que vieram antes dele falaram?

      Só para começar, eu gostaria que o senhor me explicasse a frase do “papa” Francisco de que todas as religiões são caminhos para a salvação.
      Eu gostaria que o senhor fizesse isso sem negar o sacrifício salvífico.

      Quer saber… deixa pra lá. Acho que o senhor não tem nem ideia do que eu estou falando.

    • Título: El Dios Cristiano em Walter Kasper.

  6. Alias, eu nao sou “padre”, sou padre mesmo, sacerdote da Igreja catolica, ame e amo todos os papas e procuro ser obediente a todos, sem carater ideologico. Sao pedro e pronto. Padre Manuel Monrou Lopez

    R- “Não a este mas a Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! ”

    a estretegia de voces chegou a ser diabolica: enfrenar o papa emerito com o papa reinante. Sabem qual é o resultado? a detruiçao da igreja catolica. O obetivo de santanas. Nem Bento nem francisco vao ceder a tentacao de voces.

    “Acuse-os do que você faz” – “são” lenin, padroeiro dos modernistas

    • essas respostas são fáceis ironias que não dão conta da missão seria que os católicos temos na terra. Sejam mas responsáveis por favor.

  7. Devido haverem varios esquerdistas no Vaticano e em Conferencias Episcopais mundo afora em postos-chaves, propagadores do Marxismo Cultural por seus procedimentos politicamente corretos, quase em regra geral serem culpados pela mediocridade e auto destruição e dos outros, sendo o momento atual desfavorável, retrocederiam um pouco pelos fatos narrados acima, adequados a “todos os meios justificam os fins” do marxismo, oportunistas e utilitaristas por tentarem salvar o Vaticano aproveitando-se do prestigio do papa Bento XVI nessa empreitada em que se deram mal!
    Doravante, seria de darem tempo ao tempo com ajuda silente da midia globalista até que os efeitos do acima passem e possam voltar de novo à carga, tática usual das esquerdas em todo o mundo, inclusive na política, muitos sabem dessa do acordeon com o vai-e-volta.
    Nessa tática, quem sabe na Semana Santas lindas mensagens e ações bastante cristãs que a muitos desavisados poderiam soar como “parece estarem mudando”, apenas mais um embuste ao apreciarem confundir as pessoas, deixando sempre naquela situação de sempre neles notarem qualidades em determinados momentos?
    Nunca nos esquecermos também que são excelentes e experientes atores de novelas, dramaturgistas, palco, circo e picadeiro, sabendo com perícia manipular e explorar a emotividade do povo visando se aproveitarem e se impor visando a dissolução da fé.

  8. O fato inegável é que Ratzinger escreveu na carta, objeto de uma controvérsia inútil alimentada por ratzingerianos, que há uma continuidade entre os dois pontificados, e que é um preconceito querer desqualificar intelectualmente Francisco, bem como considerá-lo a ele, Ratzinger, como um acadêmico alheio às realidades concretas.

    • Não dê uma de sapo cururu, RAM, afundando na lagoa carnavalesca.

      É óbvio que Ratzinger foi irônico ao falar de continuidade (não sendo de todo improvável que tenha escrito com uma alabarda mafiosa alisando o seu pescoço bávaro).

    • Não se iluda, PW. Ratzinger está tão contente com a próxima canonização do seu queridinho Paulo VI por Francisco, que mais evidente não pode ser a afinidade entre ambos.

    • Deus que me defenda de Paulo Sexto e da sua paixão de cinéfilo…

  9. O que no começo chocava a todos, agora é encarado por indiferença, por muitos bons católicos. O fato é que depois desse episódio, o naufrágio parece iminente. A desmoralização é total.

  10. jesus manuel antonio monroy lopez
    24 março, 2018 às 1:24 pm
    essas respostas são fáceis ironias que não dão conta da missão seria que os católicos temos na terra. Sejam mas responsáveis por favor.

    R- Está chegando a hora, padre! Infle o peito, junte-se á turba ensandecida e grite:

    Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás!

    Acusando este blog de estratégia diabólica, de jogar um papa contra o outro, de ódio. Vejam só: pede responsabilidade e se vitimiza.

    Faça como o sinédrio, junte a sua turba e grite: Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás! Barrabás!

  11. Ao contrário de São Francisco (que reconstruiu a Igreja), o papa Francisco é verdadeiro DEMOLIDOR da iGREJA. A exemplo de Lutero, há um “sinédrio oculto” que irá reduzir os 7 sacramentos a apenas um (batismo), relativizar os dogmas católicos (matrimônio…) e em breve causará mais terremotos no Vaticano: casamento de padres (sinódo da AmazÔnia). Uma dúvida: e as freiras, também poderão casar?), Fim da EUCARISTIA…
    Moral: Francisco é um antipapa, um usurpador da cadeira de São Pedro (a exemplo dos demais 37 falsos papas que a história da igreja registra: Hipólito…).
    Quem viver, verá!

    Em tempo: alguém tem notícia da Gercione, como ela tem feito falta.