Uma carta para um seminarista que pensa em deixar o seminário, de seu Pároco.

por Pe. Richard G. Cipolla – Rorate Caeli | Tradução: FratresInUnum.com

Caro James:

Recebi sua carta, e devo admitir que ela me entristeceu. Tenha certeza de que rezarei por você quando celebrar minhas Missas. Estou feliz por você não ter ainda tomado uma decisão definitiva sobre se deve sair do seminário. Quando tomou a decisão, de nossa paróquia, de entrar no seminário eu fiquei – como bem se lembra -, profundamente feliz. Eu li sua carta várias vezes com muito cuidado. Alguns de seus problemas são normais e fazem parte do ajuste à vida do seminário. Mas um trecho da sua carta me atingiu profundamente, e cito-a para você:

Não posso ser eu mesmo aqui no seminário. Estou sempre fingindo ser outra pessoa. Eu sinto estar jogando um jogo com o reitor e com os outros sacerdotes daqui, colocando uma máscara para agradá-los, de forma a não enfrentar ‘problemas’. Isso me esgota, especialmente no sentido espiritual, mas também fisicamente. Eu vim para o seminário, como o senhor sabe, porque não consigo conceber para mim nada mais que eu queira fazer, exceto ser um sacerdote para o resto da minha vida. E, como o senhor também sabe, no centro desse desejo está o meu amor pela Missa Tradicional. Foi na sua paróquia que descobri esse tesouro e foi por servir a essa Missa por dois anos que se aprofundou minha compreensão do sacerdócio e do que a Missa verdadeiramente é. É esse amor que não posso mostrar aqui. Tenho que reprimir meu amor pela Missa Tradicional e nunca mostrá-lo, pois na faculdade, isso seria visto de forma negativa e afetaria meu futuro na diocese, podendo mesmo impedir que eu seja ordenado. Os outros rapazes aqui que nutrem o mesmo amor pela Missa Tradicional têm a mesma atitude: seguir a corrente atual, manter a cabeça baixa, sorrir, nunca deixá-los saber no que se está pensando até ser ordenado. Então, será seguro sair do armário litúrgico por assim dizer. Só escrever essa última frase faz-me sentir me desanimado por ter que dizer uma coisa dessas. Então, eu me pergunto: quero mesmo passar mais três anos sem ser honesto sobre quem eu sou e sobre o que me conduz? Isso não terá um efeito negativo sobre mim e, se eu for ordenado, será que esse modo de viver, essa ‘negação de mim mesmo’ no seu sentido profundo, não continuará dentro de mim e fará do meu sacerdócio uma farsa?

James, essa atitude de fingir quem alguém é para “passar” pelo seminário é um fenômeno recente, recente no sentido de ser depois do Concílio Vaticano II. Ou, devo dizer, recente no sentido de ser posterior à invenção do Novus Ordo e especialmente após o Summorum Pontificum, a carta magna da Liturgia. Eu uso esse termo “invenção” certamente não no sentido relativamente arcaico, como na frase “Invenção da Santa Cruz”, que é o título mais antigo da festa do “Encontro da Santa Cruz” por Santa Helena. O verbo “invenio” significa “encontrar”, “abordar” algo que já existe. O verbo inglês “invent” significa o oposto: trazer à tona algo completamente novo. Não vou aborrecê-lo com a história dos significados de palavras como “revolução”, cujo significado tem pouca ligação com o original. Vivemos em uma época em que significados claros de palavras não fazem parte do tecido do mundo em que estamos. Você precisa ir a Arezzo para ver os afrescos pintados por Piero della Francesca, que retratam de forma surpreendente o milagre da descoberta da Verdadeira Cruz. Somente a arte baseada na fé pode representar a verdade da Tradição. A arte e a música católicas foram uma das maneiras mais poderosas para se transmitir a Tradição. Muitos jovens, em Nova York, participam dos concertos ao vivo de obras como as Vésperas de Monteverdi ou o Réquiem de Mozart devido à alta qualidade estética e espiritual destas composições. Mas aqueles que estão “no comando” da Igreja não fazem a mais vaga idéia do poder de tais músicas para abrir corações secularizados à beleza da fé católica. Em vez disso, temos canções sentimentais pseudo-protestantes – e não hinos – cantadas na maioria das paróquias durante missa. Mas nem sempre as coisas foram assim.

Os que são responsáveis ​​pelo seu seminário e os que lá lecionam, em sua maior parte, são positivistas. Eles acreditam ou afirmam acreditar – e esta é uma novidade no pensamento católico – que o que quer que aconteça na história da Igreja Católica é a obra do Espírito Santo. Para eles, admitir que a experiência litúrgica após o Concílio Vaticano II falhou seria estremecer tanto o modo pelo qual eles pensam a Igreja quanto a sua relação com a fé. Quando se combinam, de um lado, a cegueira voluntária do positivista com uma compreensão do papado que está às beiras daquilo que eu chamo de papolotria – que muito se afasta da tímida definição de infalibilidade constante do Vaticano I – e, de outro, o atual “pastoralismo” (equivocadamente direcionado e que confunde o mandato evangélico de Jesus com meramente acariciar as pessoas e fazê-las felizes), você tem, em poucas palavras, a descrição da situação atual. O atual episcopado e os atuais professores do seminário não reconhecerão jamais que o Rito Romano foi destruído e o Novus Ordo, que o substituiu por fiat – um poder que Paulo VI não possuía (Bento XVI) – é algo diferente do Rito Tradicional da Missa Romana. Se fossem mais corajosos, leriam a descrição incrivelmente franca de Bugnini de como o Novus Ordo surgiu, o que ele chama de “reforma” do Rito Romano. Se eles estivessem realmente interessados, também leriam peritos litúrgicos como Jungmann, cujo ódio ao Rito Romano se baseava em sua própria visão sobre o que a Eucaristia deveria ser, e não naquilo que ela efetivamente é.

O Rito Romano não é um documento que pode ser alterado com base nos resultados de “estudos”, cujas conclusões mudam a cada geração. O Rito Romano é um organismo vivo e é de origem Divina. Não é por acaso que os ortodoxos chamam seu rito da Missa de “A Divina Liturgia”. A Liturgia é algo que existe e que é dado. Cada um de nós deve entrar no que nos foi dado pela Igreja desde a era apostólica ao longo dos séculos. O propósito original do Movimento Litúrgico era educar os católicos em sua compreensão da Missa e na apreciação dela como parte do dom daquilo que significa ser católico. Isso mudou quando aqueles que encabeçavam esse movimento decidiram que iriam refazer a liturgia à sua própria imagem.

Tenho um amigo que não gosta da expressão “desenvolvimento orgânico” do Rito Romano porque ela não significa nada concretamente. Eu costumo concordar com ele sob um certo aspecto. A expressão é usada para contrastar o desenvolvimento da Missa através dos séculos com a (literalmente) fabricação do Novus Ordo. Na história da Igreja, antes do Concílio Vaticano II, nunca o Rito Romano havia sido alterado por um comitê de liturgistas em um dado momento particular da Igreja, uma época marcada por um falso otimismo e sentimentalismo. Então, quando Bento XVI falou sobre o “desenvolvimento orgânico” do Rito Romano em contraste com as reformas inventadas após o Vaticano II, ele estava procurando por uma frase que transmitiria a “imagem” de um desenvolvimento que ocorreu ao longo dos séculos e que, em grande parte, passou desapercebido, vindo de muitas fontes. A analogia com o desenvolvimento biológico não é boa e não pode ser forçada. Para mim, é o fato de que o desenvolvimento se deu de forma oculta – apesar do trabalho acadêmico nos textos litúrgicos do passado – que a palavra “orgânica” está tentando transmitir. Se alguma coisa entrou no Rito seja no século IV, seja no século VIII ou no século XIII, isso não é relevante para a integridade do próprio Rito. O próprio Papa Pio XII advertiu contra o arqueologismo em questões litúrgicas em sua encíclica Mediador Dei. A ironia é que foi ele quem permitiu a Bugnini et al. começar a sua destruição do Rito Romano com base no arqueologismo, no preconceito e no desprezo pelo Rito Romano típicos de estudiosos, tudo sob o guarda-chuva do pastoralismo.

Desculpe-me por ter me alongado nessas coisas, mas parte do problema é que a sua geração não sabe nada sobre o que aconteceu. De uma certa forma, isso é bom, pois quando você conheceu pela primeira vez a Missa romana tradicional, não trazia consigo a bagagem dos anos 60, 70 e 80, que minha geração e a que veio depois da minha carregam. Você viu a Missa pelo que é: a beleza do culto a Deus na re-apresentação do Sacrifício de Cristo ao Pai no qual o Santo Silêncio – a única resposta possível ao Inefável – ocupa o próprio centro. A sua descoberta da Missa é a mesma que a de muitos jovens sacerdotes de hoje. É a mesma que a dos servidores da minha paróquia. É a mesma que a de muitos casais jovens com crianças que vêm à Missa Solene. Eles descobriram a pérola de excelente preço e isso os enche de alegria e esperança.

Então o que você deveria fazer? Espero que você persevere no seminário. Aquilo pelo que você passa é uma forma de sofrimento, e eu diria que é um sofrimento para a Igreja. Mas há de chegar o tempo num futuro próximo, quando jovens seminaristas e sacerdotes nas paróquias terão que falar e desafiar o establishment que está mantendo a raquítica estrutura do Novus Ordo em pé. Os dados objetivos, como o declínio acentuado na assistência regular às Missas após o Concílio Vaticano II, até o presente momento, parecem não surtir efeito sobre os positivistas. A falta de vocações para o sacerdócio e a vida religiosa (exceto nas ordens tradicionais) parece igualmente não os incomodar. Mas a afirmação gentil e educada por parte de um bom número de seminaristas de que eles têm o direito como católicos de ter a celebração da Forma Extraordinária do Rito Romano regularmente no seminário terá um efeito concreto para o bem. E, o mais importante, os jovens sacerdotes que encontraram a pérola de grande preço devem informar polida e educadamente a seus pastores que eles têm o direito de celebrar a Missa ad orientem, como as rubricas do Novus Ordo visam claramente. Não há nada na IGRM nem nas rubricas do Novus Ordo que exija a celebração da Missa de frente para as pessoas. A Missa de frente para os fiéis é uma inovação que minou a própria compreensão do que realmente é a Missa. Esse desafio deve ser feito, em caridade, sim, mas também com firmeza masculina.

Para finalizar, tudo o que posso dizer é isso: eu sou o mais improvável dos homens para ser um sacerdote, por muitos motivos. E, mesmo assim, eu o sou. E por isso sou muitíssimo grato a Deus. E isso me dá uma felicidade em meu coração e alma que, apesar do estado em que a Igreja hoje se encontra, está no cerne do meu sacerdócio. O sacerdócio é o maior chamado para um homem. O casamento e a família são maravilhosos e “normais” e são o fundamento da realidade da Igreja. Mas a imitação mais profunda de Cristo é ser um sacerdote que oferece o Sacrifício e a si mesmo todos os dias no altar para o seu povo. Essa é a minha oração por você. Mas se você decidir de outra forma, meu amor por você não diminuirá de forma alguma.

Oremus pro invicem.

Seu pastor e amigo espiritual em Cristo.

 

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19 Comentários to “Uma carta para um seminarista que pensa em deixar o seminário, de seu Pároco.”

  1. Uau! Que carta, hein?

  2. Carta lindissíma

  3. Conheço um rapaz que passou exatamente por isso e mais. Foi recusado no seminário diocesano por ser católico “demais”!

  4. A carta acima é do padre que, apesar de em meio confuso atual da guerra cultural, sabe discernir o que o melhor dentre os varios bons e ruins e optar pelo melhor ou ótimo; pouco importa estar ele em meio à crise que tenta o envolver a todo custo, não se submete a ela, pois muitos de nós poderíamos estar nela sem deixarmos nos envolver por ela, como tem sido no presente o eficiente processo de massificação e assim sermos subjugados – com as graças de Deus, evidente, safamos-nos.
    Como anotou, muitos termos lingüísticos de hoje graças à engenharia socialista de seus ultra sofisticados esquemas de Lavagem Cerebral foram transmutados nas mensagens cristãs – o capcioso O DOMINGO da Edit esquerdista Paulus é um desses bastante recheados! Assim, o esquema subversivo funciona muito melhor se iniciado desde a infancia, como aplicam os socialistas – idem, como o Hipnótico Mental ministrado personalizadamente ou em multidões, que vem subvertendo dezenas de milhões com uma terminologia melíflua, de termos adocicados que bajulam os sentidos convergindo as mentes para o material-ateísmo!
    Assim, quem não possuir um excelente espírito de discernimento, distinguindo o que é do que se parece, poderá cair nas redes da sedução com facilidade, tendo a camaleônica TL o comprovado ao ajudar instalar no poder em varios países os socialistas, como diversos deles serem tidos como de primeiro mundo e bastante argutos, como EUA, França, Italia, Alemanha etc., apesar disso, ainda no presente, os treis últimos continuam reféns, além doutros.
    Alguns exemplos de futuros sacerdotes é o despreparo desde varios seminarios, adesão à TL – há seminaristas até usando anel de tucum, mirando-se em centenas de sacerdotes e até bispos – e o recente congresso em Londrina das CEBs, vitrine de maus comportamentos de parte do episcopado que se envolveu com ideologistas do comunismo internacional globalistas-ONU-NOM e falcatruas outras, como as financeiras – nesse caso das CEBs, presenças de mais de 60 deles!
    Além disso, os sacerdotes desde bispos não diversos ou a maior grande parte não mais atacarem os vicios com homilias contundentes, excluirem praticamente ao todo por omitirem a justiça do Senhor Deus, quase versando apenas numa incerta e indeterminada misericordia equivalendo a complacencia com o erro, vida pecaminosa “sem culpa”, agora ensinada desde o atual Vaticano…
    Dessa forma, pós Vaticano II, com afrouxamento doutrinario pró antropocentrismo em certos seminarios, os neo sacerdotes não advertem contra a imoralidade geral, indecencia essa até às celebrações, ameaças aos impenitentes e até mesmo condenação ao inferno, assim como as duríssimas penas eternas nele, aos indescritíveis sofrimentos num fogo abrasador num corpo incandescente, como bola de fogo indestrutível aos que se condenam a ele, os legítimos *excluídos!
    E mais anexos ao acima, a profanada concelebração da S Missa permitindo hereges, logo mulheres protestantes compartilharem dela como se validassem “ordenação” protestante, porém, umas relativistas asseclas do heresiarca Lutero, inclusas na Bula Excomunicatoria Exsurge Domine, dentre tantos mais ostensivos péssimos exemplos ao povo!
    Aliás, os promotores dessas abominações bem que pareceriam infiltrados da judaico-maçonaria na Igreja, ao menos os comportamentos externos os comprometem como tais, além de estarem promovendo os material-ateístas e terroristas enfiados nesses “movimentos sociais”, equivalendo às milicias comunistas que usam as CEBs de fachada católica para promoverem o social-marxismo!
    *Esse termo é um das dezenas fora de contexto, hoje deturpado, indicando sob o socialismo os pobres e marginalizados, contrastando por os fariseus das esquerdas serem os maiores contribuintes para assim se tornarem para os escravizar!

  5. Os seminários atraem os santos. Atraem também, e sobretudo, os piores psicopatas. Dizer que isso ocorre em todas as partes é simples, mas não explica a alta concentração de sociopatas perigosos que procuram a vida consagrada. E são estes que instauram, dentro dos seminários, o seu clima de terror e opressão psicológica que leva tantas vocações autênticas ao desânimo e ao desespero. Por sua vez, o lobby transviado (em cujo intra muros os “seminaristas” chamam-se mutuamente de “senhora’, beijam-se no rosto, dão saltinhos e gritinhos, e chamam-se mutuamente por nomes femíneos) consegue ruborizar até os diabos mais assanhados e lascivos.
    O pior de tudo é que tais psicopatas acabam conseguindo sobreviver na Instituição, muitas vezes ludibriando alguns bispos de boa vontade, fazendo dos ambientes católicos o infindável palco das suas abjeções doutrinais e morais. Ao receberem, enfim, uma paróquia, os psicopadres instauram o mesmo clima de terror, intrigas, calúnia e política suja que viram e aprenderam nos seminários. É o “tudo por dinheiro”.
    Todas essas calamidades se instalaram na Igreja por conta do relaxamento da disciplina promovida pelos papas e bispos depois do funesto, fúnebre e funéreo “Vaticano II”, o qual, segundo seus mal-aventurados promotores, queria fazer as pazes da Igreja com o “mundo (moderno)”, uma “primavera” que deu em pântano. De fato, “adúlteros, não sabeis que a amizade deste mundo é inimiga de Deus? Logo, todo aquele que quiser ser amigo deste século se constitui inimigo de Deus”. (Tiago 4, 4).
    O mais curioso é ver os sambistas a pagodeiros da escola de samba “Pergunte e Deformaremos” ostentarem a maior cara de pau ante a ruína e degradação final da Igreja. Continuam checando a conta bancária como se não tivessem de prestar contas até o último centavo.

  6. Muito linda a carta.
    Somente uma curiosidade, “‘twas” era muito usado no inglês antigo, significa o mesmo que “it was”.

  7. É difícil, porém tem q agir como em uma guerra, não se pode sair gritando: “atire em mim! Olha eu aqui!”. Tem q ter paciência, esperar pra poder fazer um estrago nas linhas “inimigas”, paciência, prudência e por que não, inteligência.

  8. A Mesa da Missa Nova já passa a ideia de Ceia.
    O Altar Túmulo (onde a Eucaristia é Sacrifício) fora suprimido e substituído pela Mesa da Comunhão (onde a Eucaristia é Sacramento).
    O problema é que: sem Sacrifício não há Presença Real e, sem esta, não há Sacramento.
    Se não houver Intenção, Teologia e Oração claras em celebrar o Sacrifício do Calvário, será uma simples Ceia Protestante.
    Por exemplo, a insegurança ou imprecisão teológica (que definem as circunstâncias) e a Oração (que é o ato propriamente), evidenciam muito mais a noção de ceia, louvor e alegria que a noção de sacrifício, resignação e dor.

  9. Penso que, quando se compreender que toda a derrocada da Sagrada Liturgia se deu não só após o Concílio Vaticano II, mas por causa dele, muitos deixarão o Novus Ordo e se voltarão para a Missa de Sempre. Sendo divina, a Santa Igreja sairá vitoriosa, malgrado, atualmente estar nas mãos de autoridades eclesiásticas modernistas dos quatro costados. Mas o dono da Igreja é Jesus Cristo: Tenhamos confiança Ele vencerá os modernistas…
    Quem tem a graça de aceitar, assistir e/ou celebrar UNICAMENTE a Santa Missa de Sempre, que o procure fazer o melhor possível. E sejamos sempre gratos a Deus por esta tão grande graça!
    “Senhor, aumentai a nossa fé no Santo Sacrifício da Missa”.
    Que reine um grande silêncio durante a Santa Missa, pois, é a Renovação do Sacrifício do Calvário!
    Quem sai da missa nova, sai, às vezes sem o perceber, com menos fé. Com a participação frequente da missa nova, vai-se perdendo o significado, a essência do Santo Sacrifício da Missa.
    Quem assiste com todo fervor a Santa Missa de Sempre, sairá sempre com mais fé.

    • Nem fala, padre. O que muitas vezes ajuda quando vou às Missas Novas muito bagunçadas é a meditação de Santo Afonso de como assistir a Missa: ajuda e mais tristeza causa, já que se nos abre, mais claramente, o que é a Missa. O que é esse Mistério tremendo. Peço a sua benção, padre.

      Quanto à carta, ela é belíssima. Faço uma complementação: nós leigos devemos ser a retaguarda dos seminaristas e padres tradicionais. Devemos dar-lhes apoio e, nas questões mais espinhosas, onde eles não podem falar, gritemos nós! Afinal, em muitas crises, os leigos que ajudaram os bispos a manterem a fé. Obviamente, tudo deve ser feito com caridade e respeito.

  10. Em outros tempos eu morreria de pena, mas hoje não me comove.
    O que falta a esse seminarista é coragem.
    Artigo em extinção entre os varões dos nossos tempos.
    Aliás, não à toa surgiu até a (infelicíssima) comparação com uma moda moderna, um tal de sair de armário. Que pieguice.

  11. Por mais padres como o reverendíssimo Padre Elcio Murucci!

  12. Perfeito. Só uma correção: onde se lê “…em grande parte, passou desapercebido, vindo de muitas fontes…” creio que deveria ser “…em grande parte, passou despercebido, vindo de muitas fontes…”
    Apesar da similaridade entre as palavras desapercebido e despercebido elas possuem significados diferentes.

    • Sr. Maxwell,

      Fraternos cumprimentos. Originalmente, de fato, havia uma distinção regular entre um e outro vocábulo: enquanto “despercebido” (com primeiro registro no séc. XIV) significava ‘não observado, não sentido, não percebido’, a forma “desapercebido” (datada do séc. seguinte) indicava, exclusivamente, ‘desaparelhado, desmunido, despreparado’ e, por extensão, ‘desacautelado, descuidado, desprevenido’. No entanto, a grande proximidade entre os dois adjetivos/particípios, quanto à realização fonética (a única distinção, como vemos, é o simples morfema protético, “a-”, em um deles), levou, entre os falantes, nos últimos séculos, a uma vacilação ou indistinção de uso, no que diz respeito à acepção de ‘não notado, não observado’; e essa evolução oral-léxica encontrou abonação em respeitados escritores, desde o séc. XIX.

      Por esse motivo, abalizados lexicógrafos e outros teóricos já admitem, para a variante padrão da língua, o emprego de ambas as palavras como sinônimas, na acepção mencionada. Cf., p.ex., o “Grande dicionário Houaiss da língua portuguesa” (o mais completo da lusofonia), que, inclusive, assinala: “os parônimos ‘desapercebido’ e ‘despercebido’ foram objeto de censura purista, acoimados de falsa sinonímia (na acp. 3 [‘não percebido, não observado; despercebido’. Ex.: evolução d. aos cientistas]), mas o emprego desses vocábulos como sinônimos por autores de grande expressão tornou a rejeição inaceitável”. Portanto, tem respaldo em diretrizes da norma-padrão da língua o uso vocabular que fez o Fratres em sua tradução.

      Aproveito para endereçar ao senhor, bem como ao Ferretti e a todos os colaboradores e leitores do blog meus votos de frutuoso Tríduo Santo e boa Páscoa.

      André Sampaio

    • Sr. Maxwell,

      Fraternos cumprimentos. Originalmente, de fato, havia uma distinção regular entre um e outro vocábulo: enquanto “despercebido” (com primeiro registro no séc. XIV) significava ‘não observado, não sentido, não percebido’, a forma “desapercebido” (datada do séc. seguinte) indicava, exclusivamente, ‘desaparelhado, desmunido, despreparado’ e, por extensão, ‘desacautelado, descuidado, desprevenido’. No entanto, a grande proximidade entre os dois adjetivos/particípios, quanto à realização fonética (a única distinção, como vemos, é o simples morfema protético, “a-”, em um deles), levou, entre os falantes, nos últimos séculos, a uma vacilação ou indistinção de uso, no que diz respeito à acepção de ‘não notado, não observado’; e essa evolução oral-léxica encontrou abonação em respeitados escritores, desde o séc. XIX.

      Por esse motivo, abalizados lexicógrafos e outros teóricos já admitem, para a variante padrão da língua, o emprego de ambas as palavras como sinônimas, na acepção mencionada. Cf., p.ex., o “Grande dicionário Houaiss da língua portuguesa” (o mais completo da lusofonia), que, inclusive, assinala: “os parônimos ‘desapercebido’ e ‘despercebido’ foram objeto de censura purista, acoimados de falsa sinonímia (na acp. 3 [‘não percebido, não observado; despercebido’. Ex.: evolução d. aos cientistas]), mas o emprego desses vocábulos como sinônimos por autores de grande expressão tornou a rejeição inaceitável”. Portanto, tem respaldo em diretrizes da norma-padrão da língua o uso vocabular que fez o Fratres em sua tradução.

      Aproveito para endereçar ao senhor, bem como ao Ferretti e a todos os colaboradores e leitores do blog, meus votos de frutuoso Tríduo Santo e boa Páscoa.

      André Sampaio

  13. EIS uma bela questão nos intricados históricos da ‘evolução’ eclesiológica da liturgia (da Missa e dos Sacramentos também)… Alguém disse: é preciso paciência infinita/divina para as coisas se ajustarem serenamente aos tempos, sem retroceder em saudades aos séculos anteriores:o tempo vai para frente, nunca para trás, creio! Há razões porém a quem se queixa. Ajudei muito, como acólito (coroinha) em missas nos anos 59/63. Respondia-se em latim, etc. Conheci Pio XII, Paulo VI, e João XXIII, em 1960, em Roma. Vi-os e ouvi-os, literalmente. Papa João fotografei, tinha 12anos. o mais expressivo, no meu caso,pelo que hoje vejo e ouço nas liturgias é o disparate e insensibilidade dos cantos novos a cada semana; ninguém consegue aprendê-los, exceto o pequenino coral da missa: são 60 a 80 decibéis, altíssimo som dos alto-falantes internos, ritmos extravagantes, falta de silêncio. Enfim, uma construção sonora digna dos mestres da ‘reputadíssima’ CNBB, insana, que faz as editoras editarem livretos a cada mês para vender suas musiquinhas em ritmos de baião, valsa, chachado,etc. – com raras exceções…
    A beleza litúrgica, realmente, decaiu- o que não retira os méritos do sto Sacrifício, claro! Sacerdote se chama “presidente’ e Missa viraria ‘assembleia”, desvarios de algumas autoridades litúrgicas,não sei se relacionadas ao pensamento da “libertação’… talvez! São desenhos da ‘aculturação’: levar o povo à igreja, tentativas de resultado duvidoso, nos últimos 50 anos, pois decresce o n° de católicos na popul. total do mundo: 17%. Na época de Pio XII, em 2 bilhões de ha., 600 milhões eram católicos.
    Haveria outros comentários/análises a fazer… mas o espaço,ora, não é próprio. AVE CRUX, SPES UNICA! OMRegispani, ocds-Varginha MG

  14. Não só em questões litúrgicas,como apresentadas na carta,mas certamente há dificuldades de natureza teológicas e filosóficas por parte dos seminaristas.Ora,quantos não são aqueles que esperam uma formação aristotélico-tomista e encontram apenas barbaridades dos formadores que são adeptos da Teologia da Libertação?
    Ouso dizer,infelizmente,que muitos sacerdotes saem do período instrutivo no seminário sem conhecerem a verdadeira Igreja Católica.

  15. Entre o Altar e o Calvário existe um nexo essencial. O sacrifício que se realiza na Missa e o que foi oferecido na Cruz, não são nem podem ser mais que um só e idêntico sacrifício, ainda que de modo diferente que na Missa, Jesus Cristo no Calvário tenha se sacrificado com real efusão de sangue. E se queremos chegar às fontes da graça devemos participar da Santa Missa, com a qual nos é dado oferecer a Deus uma homenagem de valor infinito, uma adoração perfeita, um hino de agradecimento digno d’Ele, uma reparação adequada à nossas culpas e uma súplica de imensa eficácia.
    Hoje, quando reina tanto conhecimento em outros campos, em se tratando destas verdades tão elementares do Catecismo, devemos lembrá-las, não venham cair totalmente no olvido.
    Desde o Vaticano II, não há mais aquele empenho em conservar os dogmas, mas o que predomina é o afã maligno de levar as almas a acharem que todas as religiões são boas. Maligno ecumenismo!
    Quer agrade, quer desagrade, a única verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo é a Católica, Apostólica e Romana. E como é divina, um dia, os modernistas intrusos, dela serão expulsos. Amém!

  16. Vai pro seminário da fraternidade