Francisco: “Penso no momento em que terei que me despedir…”

IHU – O Papa Francisco pensa no momento da sua despedida. Mas sem alarmes, não há renúncia à vista, mas simplesmente a projeção desse momento em que, “como bispo”, o Pontífice poderá dizer, seguindo os passos de São Paulo: “Eu percorri este caminho. Continuem vocês”. Partindo justamente do exemplo do apóstolo, que na leitura dos Atos de hoje se despede dos anciãos da Igreja de Éfeso para dirigir-se a Jerusalém, o Papa desenvolveu sua homilia matutina de hoje, 15 de maio, na missa na capela da Casa Santa Marta.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 15-05-2018. A tradução é de André Langer.

“O testamento de Paulo é um testemunho. É também um anúncio. É também um desafio”, observou Bergoglio, segundo indicou o Vatican News. “Quão distante está este testamento – observou o Papa – dos testamentos mundanos: ‘Isso deixo para ele; isso para aquele ou para aquele outro…’, tantos bens. Paulo não tinha nada. Somente a graça de Deus, a coragem apostólica, a revelação de Jesus Cristo e a salvação que o Senhor lhe tinha dado”.

“Quando eu leio isso, penso em mim”, revelou Francisco, “porque sou bispo e devo me despedir. Peço ao Senhor a graça de poder me despedir assim. E no exame de consciência, não sairei vencedor como Paulo… Mas o Senhor é bom, é misericordioso”

Papa também dirigiu um pensamento a “todos os bispos”, a quem, mais uma vez, recordou a prioridade do seu ministério: “Vigiar o rebanho”. “Vigiem o rebanho; vocês são bispos para o rebanho, para guardar o rebanho, não para escalar uma carreira eclesiástica, não”, exortou Francisco. E pediu para todos os pastores “a graça” de poderem se despedir como São Paulo, quando convocou os presbíteros anciãos da Igreja de Éfeso “com este espírito, com esta força”.

Paulo, comentou o Papa, “acima de tudo, faz uma espécie de exame de consciência. Ele diz o que fez pela comunidade e o submete ao seu julgamento”. Parece “um pouco orgulhoso”, disse Francisco, mas, na realidade, “é objetivo”. Vangloria-se apenas de duas coisas: “de seus próprios pecados e da cruz de Jesus Cristo que o salvou”.

“Obrigado pelo Espírito”, Paulo deve ir a Jerusalém. “Esta é experiência do bispo, o bispo que sabe discernir o Espírito, que sabe discernir quando é o Espírito de Deus que fala e que sabe defender-se quando fala o espírito do mundo”, insistiu Bergoglio.

O apóstolo está consciente, de alguma forma, de estar indo “ao encontro de tribulações, rumo à cruz, e isso nos faz pensar sobre a entrada de Jesus em Jerusalém, não? Ele entra para sofrer e Paulo vai ao encontro da paixão”. “O apóstolo – continuou o pontífice – oferece-se ao Senhor, sendo obediente. Esse sentir-se ‘advertido’ pelo Espírito. O bispo que segue em frente sempre, mas segundo o Espírito Santo. Este é Paulo”. “É uma passagem forte, uma passagem que chega ao coração; é também uma passagem que nos mostra o caminho de cada bispo no momento da despedida”, sublinhou Francisco.

Nesta despedida não há testemunhos mundanos: “Ele não aconselha: ‘Isso deixo para ele; isso para aquele ou para aquele outro…’”. Não. Paulo afirma que não desejou para si “nem prata nem ouro, nem as vestes de ninguém”; para ele, a única coisa que conta é encomendar a Deus os presbíteros, com a certeza de que o Senhor os protegerá e ajudará. “Seu grande amor é Jesus Cristo. Seu segundo amor, o rebanho. ‘Vigiem por vocês mesmos e por todo o rebanho’. Vigiem o rebanho; vocês são bispos para o rebanho, para guardar o rebanho, não para escalar uma carreira eclesiástica, não”, insistiu Francisco.

E conclui pedindo a graça, para “todos nós” para “podermos nos despedir assim, com este espírito, com esta força, com este amor de Jesus Cristo, com esta confiança no Espírito Santo”.

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10 Comentários to “Francisco: “Penso no momento em que terei que me despedir…””

  1. Admitamos que o papa Francisco não pretenda por ora renunciar ou o que for, porém não deixou de ser um sinal, e pareceria estar mais retraído de uns tempos para cá, de relatar que há uma pequena oposição a ele, embora bastante organizada e ferrea, como admitiu, além dos desgastes oriundos após os episodios sucedidos com as presumiveis vítimas de abuso sexual do Chile, situações essas recentes que lhe trouxeram e seguem causando-lhe mais desgastes.
    Tudo indica que a oposição a seu pontificado é ascendente, cada vez mais os seus oponentes, desde varios altos hierárquicos se manifestando claramente sobre seus supostos erros, embora aparentaria que após um ano os cardeais já deveriam ter iniciado solicitações de esclarecimentos pois haveria farto material para tais e, se sucedesse, como no presente, esquivando-se sem se justificar, quem sabe, eventual renuncia estaria num estagio mais avançado ou conclusivo?
    O dilema acima é se conseguiria sair-se com o sentimento de uma vida unicamente dedicada a serviço da fé, sem concessões quaisquer ao relativismo, como S Paulo, apóstolo, fator de crescimento e união entre os cristãos, destemido proclamador dos erros e dos implicados neles à sua época, embora muitos desses continuam até hoje devido à fragilidade de nosso dualismo, bem e mal e, a esse sermos mais propensos, devido a S Paulo ter no presente muito poucos seus imitadores!
    Esse recriminava os desafetos da fé com seus erros, publicamente, e deteve o crescimento do paganismo à sua época com incontáveis conversões – seguem-se até hoje, sua obra – assim como fundou as primeiras comunidades cristãs e esse, será que poderia se comparar a ele, como não fator *desagregante da cristandade e causador de confusões?
    https://fratresinunum.com/2016/12/28/francisco-segundo-der-spiegel-nao-exclui-a-hipotese-de-que-eu-seja-lembrado-como-o-papa-que-na-historia-da-igreja-catolica-a-dividiu/

  2. Que interpretação inquietante ele deu dos escritos de São Paulo.
    Não senti paz nessa reflexão.
    Inclusive, nessa frase ele resumiu muita coisa: “No exame de consciência, não sairei vencedor como Paulo”

    • Tive um orientador de doutorado em matemática q td ano dizia ser o último dele na presidência d uma organização internacional d matemática e q deveria ser bom, q outros pesquisadores a presidissem….lá se vão mais de 20 anos e ele continua lá na presidência
      …o Papa Francisco me lembra ele…espero estar enganado.

  3. Ele deve estar preocupado, a batata dele tá assando! Deus é misericordioso, mas somente para aqueles que o buscam acima de todas as coisas…

    “Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento.” (São Mateus, 22)

  4. “Não sairei vencedor como o apostolo Paulo”

    Claro… existe uma diferença entre São Paulo e ele… São Paulo não compactuava com o mundo,nem com o mal.

    São Paulo sabia que neste mundo tudo é perecível e passa. Que nada adianta receber aplausos de todos do que receber a vaia dos anjos.

    São Paulo amava mais Jesus Cristo do que o mal e o mundo.

    Deus tenha realmemte misericórdia da sua Santa Igreja e da cabeça visível dela, faquele que recebeu o poder das chaves para velar por ela e nao deixar a porta aberTa para que entrem os lobos…

  5. Que reportagem bizarra! Não digo pela reportagem em si, mas pelas palavras do Bergoglio.
    Especialmente este trecho:

    Paulo, comentou o Papa, “acima de tudo, faz uma espécie de exame de consciência. Ele diz o que fez pela comunidade e o submete ao seu julgamento”. Parece “um pouco orgulhoso”, disse Francisco, mas, na realidade, “é objetivo”. Vangloria-se apenas de duas coisas: “de seus próprios pecados e da cruz de Jesus Cristo que o salvou”.

  6. “Francisco” certamente será canonizado pela igreja conciliar: ele, o mártir da incompreensão e do farisaísmo.

    Montini, que foi muitíssimo mais pernicioso e nefasto que Bergoglio – pois foi Montini que abriu a porteira – já está quase lá. Roncalli, mesmo embalsamado e completamente fora de forma, já chegou.

    Uma explosão de canalhice.

    • De 2013 até o início deste ano julgava todas as palavras do Bergoglio com o máximo de caridade possível. Do início de 2018 para cá já chutei o pau da barraca e não consigo mais. Não é possível ler o que ele disse e não fazer a correlação.