Cinco anos de Francisco. Uma alternativa: Resistência!

Por FratresInUnum.com – 25 de junho de 2018: O problema deixou de ser intra-eclesial há muito tempo! Invasão de terras, multiculturalismo, ecologismo psicótico, globalismo, favorecimento do islã, abertura irresponsável às imigrações, apoio total às esquerdas, omissão em reprovar o aborto, feminismo dogmático, apoio tácito à revolução homossexual, desculpabilização do adultério…

Lançamento do livro do Sr. Ureta em Roma.

Há dez anos, se alguém cogitasse a ideia de que haveria um papa que apoiasse essas bandeiras, seria taxado como louco. No entanto, o “impossível” realizou-se: há cinco anos, os católicos fieis precisam suportar o martírio de um papa que promove tudo que a doutrina da Igreja sempre reprovou.

Não se trata de querelas internas do clero católico ou de bizantinismos absurdos. Estes conceitos são o instrumento com que o Papa Francisco está bagunçando todo o ocidente e, para dizê-lo de modo direto, com que ele está afetando a tua vida, caro leitor.

Diante disso, o que fazer?

No último sábado, em Roma, foi lançado um volume escrito pelo Sr. José Antônio Ureta, membro da TFP francesa, intitulado: “A ‘mudança de paradigma’ do Papa Francisco. Continuidade ou ruptura na missão da Igreja?. Balanço quinquenal do seu pontificado” [a edição eletrônica do livro pode ser gratuitamente baixada neste link], em que ele pacientemente analisa esta problemática.

Recolhendo uma vasta documentação, partindo das próprias palavras do Papa Francisco, o autor demonstra como ele está efetivamente realizando uma “mudança de paradigma”, uma “revolução cultural” mediante as “inovações” que está implementando na própria Igreja e, através dela, na sociedade.

Diante desse panorama desolador, o autor recorda a legitimidade do direito que assiste os fieis católicos de resistir! Assim como São Paulo declara ter resistido a São Pedro, o primeiro Papa, porque ele se tornara censurável (cf. Gal. II,11), é-nos consentido de resistir contra-revolucionariamente, pacífica e respeitosamente, sem cindir a unidade da Igreja, permanecendo em nossa posição de católicos e tomando as prudentes distâncias de quem quer que esteja a demolir o edifício da nossa fé.

No próprio sábado, dia 23 de junho, o Instituto Plínio Correia de Oliveira, em adesão e fidelidade aos ensinamentos do líder católico brasileiro cujo nome ostenta e como um eco daquele ato de resistência ante à política de distensão vaticana para com os governos socialistas que ele publicou em 1974, veio à público com uma declaração de apoio à publicação do Sr. Ureta e cerrando fileiras em torno desta mesma posição de decidida resistência [a declaração do IPCO pode ser lida neste link].

Diante da perplexidade que marca este período doloroso da história da Igreja, diante da pergunta que muitos nos fazem: “o que fazer?”, diante do sentimento de impotência que há no coração de tantos católicos inconformados, desejosos de não se omitir, de fazer algo pelo Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo, de manifestar-se dalguma maneira, cremos que a iniciativa vem em boa hora, quase como uma resposta à ingente necessidade de reagir diante da ameaça que nos aflige.

Sugerimos aos nossos leitores a leitura e difusão do presente material. Não podemos cruzar os braços! Deus, Nosso Senhor, espera de nós uma atitude. Nossa Senhora de Fátima quer servir-se de nossa fidelidade como instrumento para o triunfo do seu Coração Imaculado!

Ut adveniat Regnum Iesu, adveniat Regnum Mariae!

19 Comentários to “Cinco anos de Francisco. Uma alternativa: Resistência!”

  1. Prezados,
    Salve Maria!
    É estarrecedora a situação da Igreja Católica sob o Pontificado de Francisco I.
    Parece que a vocação desse jesuíta não é a de desejar converter o mundo ao Evangelho, mas, antes, converter a Igreja ao mundo, aos seus ditames, às suas loucuras, aos seus devaneios.
    Assisto estupefato, em minha cidade, Belo Horizonte, a um grupo gayzista “católico” que se reúne sob as bênçãos do nosso Arcebispo Dom Walmor. O padre que lidera essa aberração afirma que estamos vivendo um novo tempo na Igreja Católica com a liderança do Papa Francisco, um tempo para aceitar a diversidade sexual, aceitar o homossexualismo, aceitar, enfim, o pecado mortal como algo santo. Ou seja, o que antes era pecado, hoje é santificado. Tudo isso homologado e chancelado por Francisco I.
    Em meu país paterno, a Nicarágua, terra na qual vivi por dois anos, há uma ferrenha e brutal ditadura comunista liderada por Daniel Ortega, herói sandinista daquelas bandas. Nos últimos meses Daniel Ortega ordenou o assassinato de cerca de 200 nicaraguenses, que cometeram um único crime: saíram às ruas para se manifestarem contra a ditadura orteguista. Ao tomar ciência desse genocídio, o Papa Francisco pediu o fim da violência na Nicarágua. Uma bela atitude! Mas, ele se esqueceu — ou optou por esquecer — de condenar o comunismo que está por trás de vários crimes cometidos por Daniel Ortega, sua esposa e sua gangue que lideram a Nicarágua, um pobre país destruído por regimes ditatoriais, ora de direita, ora de esquerda. Mais uma vez o Papa Francisco bajulou — ainda que indiretamente — o comunismo na América Latina.
    Eu analiso o Pontificado desse jesuíta dos Pampas como um castigo de Deus para a Sua Igreja, para todos nós.
    Que saibamos ouvir a voz de Deus por trás dos acontecimentos que envolvem o Papa Francisco. Talvez o Senhor esteja a nos pedir mais conversão, mais santificação, mais militância pelo Seu Reino.
    Um abraço,
    Luiz Andrada
    BH – MG

    • Fazer o que…?

      O clero clerical clericalista clericalizante não é dono e senhor absoluto da Igreja e da Revelação divina? Pois essa é a única explicação de eles arrogarem para si o “direito” de alterar o decálogo e tudo o mais.

      E Jesus nem entra nessa estória clerical e clericalizante. Mais uma vez, Ele não foi convidado para mais esta “reforma” da sua Igreja. Os únicos convidados para mais este show clerical são os leigos clericais, clerófilos, clericalizantes e clericalizados, quer dizer, as baratas da sacristia clerical que encontraram na Igreja o palco em que desafogam suas frustrações circenses, profissionais, familiares e sentimentais. Uma espécie de Rotary Club domingueiro.

      Nem espanta que o arremedo de Igreja católica saído do chamado “concílio” Vaticano Dois seja carcomido justamente pelo mal que disse ter vindo combater – o clericalismo, clerical, clericalizante hiperbólico, delirante e furibundo.

      E no entanto, nem no Renascimento a safadeza embatinada esteve tão assanhada e sem limites…Nenhum limite. Até Baco se espanta.

      Só faltava mesmo um jesuíta troncho (e dúplice, como outros da estirpe ilegítima) para tocar adiante o espetáculo apocalíptico.

      O rebanho clerical, sempre mui atento a vencimentos, espórtulas, dízimos e plano de carreira, é seguido pela trupe de leigos imbecilizados, sentimentais e molengas.

      Raça de víboras (venenosíssimas).

  2. Que tempestade tenebrosa estamos enfrentando…mas essas ponderações de resistência vêm dar resposta aos nossos corações! Os tempos são mais duros e por isso os combatentes tem que ser mais fortes, não esmorecer ! Procuremos nos unir, não estamos vendo essas loucuras sozinhos..e lembrar que dentro da barca nosso Senhor Jesus Cristo está conosco.

  3. O último episodio em que se envolveu o papa Francisco, o caso das vítimas de abusos sexual sucedidos no Chile colocou-o numa situação muito difícil, bastante insustentável; pareceria ter tido necessidade de retroceder para não lhe piorar ainda mais a situação perante os católicos melhor informados do que ocorre na Igreja, desde o Vaticano, no entanto, é apenas uma delas, e o aval que sempre concedeu aos “movimentos sociais” – os milicianos comunistas – sempre foi ostensivo e lhes dizendo: “façam das suas as minhas palavras”.
    Na política, similarmente, por combater o liberalismo econômico, tachando-o de tantos desqualificativos, como exploradores dos pobres – em varias situações existem evidencias – porém, omite condenar as sanguinarias e ultra miserabilizantes ditaduras comunistas, infinitamente piores, ateístas-militantes do fariseu “Estado Laico” e sumamente cristianófobas e, com bastante veemencia, elas discriminam os oponentes e querem a todo custo se imporem à força sobre os que as contestarem!
    Além do acima, as esquerdas naturalmente subversivas pelas ideologias que adotam, pervertem as mentes para o diabolismo, escravagistas, fortemente opressoras e seletivas para com um tratamento diferenciado a seus associados e, ainda por cima, coligadas à ideologia islâmica nunca recriminada, ao contrario – Alcorão, livro de paz – jamais são atacados diretamente todos os burgueses e imperialistas de Estado, apoiadores e desgraças da nação onde metem suas patas que a tudo destroem!
    O despótico Maduro, por ora transformador da outrora opulenta Venezuela, hoje num campo de flagelados famélicos e misérrimos, é uma sombria constatação, portanto, um desses caóticos exemplares do esquerdismo!
    O papa Francisco com relação à A Latina, afirmaria na Evangelii Gaudium que ela sofre demasiado pelo liberalismo econômico “essa economia mata”, que mata de fome, mata de falta de cultura e pior ainda são os governos de esquerdas, repassadores do destruidor Marxismo Cultural, o qual é transformador de pessoas em zumbis, tendo nós de resistir ao esquerdismo, venha de onde vier!
    Também ele combate a repressão à imigração geral, como a de desde a fronteira de México com os EUA, porque os sistemas liberais não possibilitam trabalho – esquece-se da robotização geral da industria – e favorecem delinquencias gerais, como via tráfico de drogas, mas omitiria que as esquerdas sufocam os trabalhadores, como o martelo e foice Mujica sempre bem recebido no Vaticano é o implantador de liberação de uso da maconha no Uruguai e pró aborto, portanto uma escoria da humanidade, assim como mais PCs, apoiadores ostensivos de narcotraficantes, desde o plantio, refino, distribuição, visando destruir a familia e a sociedade e ficariam de fora da repressão dele!
    No tópico mais importante, o da salvação das almas pela pregação dos S Evangelhos, existem varios trechos de seus escritos que estão sendo objetos de questionamentos de dezenas de cardeais e bispos por conterem ambiguidades e/ou seriam erroneos!
    Assim, há o contratestemunho desde o Vaticano ao manter em cargos importantes varios péssimos exemplos, candidatos a infiltrados da maçonaria na Igreja bem juntos a si sem os demitir, assim como excelente aprovação de varios inimigos da Igreja, de governos ou de seitas etc., no entanto, por ora, bastante desacreditado pelos conservadores, os contra revolucionarios, tachados de rígidos, legalistas e não sei mais o quê!

  4. Comparar São Pedro, o Primeiro Papa, e Papa Santo, com Francisco, beira o delírio, a insanidade e até mesma a blasfêmia.

    Ainda que seja verdade que São Pedro teve um desvio de conduta (justificável sobre diversos aspectos), basta saber que tal feito foi apenas momentâneo e ele se emendou assim que percebeu o erro, que nada tem a ver com cisma, heresia ou qualquer outra coisa parecida (tanto que existem teólogos que dizem que São Paulo cometeu um grande excesso ao pretensamente corrigi-lo e que ele mesmo, São Paulo, posteriormente adotou a mesma atitude que tentara corrigir em Pedro, quando raspou a cabeça para agradar aos judeus). Ou seja, de acordo com estes teólogos São Paulo sofreu de excesso de zelo, e errou, mas Pedro aceitou a correção, ainda que atabalhoada, porque era humilde).

    Agora, voltando ao mundo real, este que vivemos em 2018, devemos realçar que a sã doutrina é esta: não se pode resistir ao Governo de um Papa, isso é pecado mortal, porque o Governo de um Papa é regido pelo Espírito Santo. E ponto final! Não se pode resistir a documentos magisteriais, não se pode resistir a disciplina apontada por um Papa para ser seguida por toda a Igreja, porque nestas coisas o Papa não pode se enganar, porque a Igreja não é um clube, é uma sociedade divina.

    O que será que é preciso para que as pessoas entendam esta verdade de fé, ensinada por inúmeros papas, santos doutores e teólogos da Igreja, em todos os tempos? Qual é o obstáculo que os impede de enxergar uma doutrina católica tão clara? São Pio X ensina claramente: “não existe santidade onde há desacordo com o Papa”. E Pio XI ensina que só se aceita um Papa quando se o obedece.

    Que Deus os julgue naquele diz, vós que pretensamente afirmam desejar o restabelecimento da doutrina, ao mesmo tempo em que destroem a doutrina relacionada a infalibilidade papal, contrariando o Vaticano I.

    • Antigamente, víamos a ignorância ser ajudada pelo simples bom senso.
      Hoje, vemos as pontes caídas, as igrejas derrubadas e os grandiosos monumentos à mais desbragada e gritante insensatez.

    • Caro Sandro, li seu comentário e me lembrei de Santo Atanásio… Além de discordar do Papa e dos cardeais de sua época, foi excomungado. Por amor à Igreja, ao papado e à Deus, preferiu obedecer a Deus, antes que aos homens. Resistiu sem abrir mão de seu vínculo com a Igreja e a história provou que era ele quem mais estava unido à Igreja. Santo Atanásio foi reconduzido à Igreja com o cancelamento de sua excomunhão e foi canonizado. Como católico, considero que devemos obedecer o Papa em tudo. Em tudo o que não estiver em desacordo com as leis imutáveis de Deus, da Santa Igreja. Julgo que seja isso que a TFP francesa esteja fazendo. Paradoxalmente, a resistência é necessária, por amor ao Papa, por amor ao Papado e por amor à Igreja.

  5. “o autor recorda a legitimidade do direito que assiste os fieis católicos de resistir! Assim como São Paulo declara ter resistido a São Pedro, o primeiro Papa, porque ele se tornara censurável”

    O argumento é válido, segundo ensinamento de S. Tomás, mas a citação é indevida, pois Paulo era Apóstolo, o que certamente o assistia no dever de aconselhar seu irmão primaz no Colégio. Diferente de leigos se arvorando o direito.

    • Caro Silvio, Permita-me que lhe faça algumas observações que considero de extrema importância!
      Se eu estiver enganada agradeço que também me corrijam como manda a Caridade Cristã!

      Quero dizer que o seu comentário tem algumas imprecisões ou lacunas básicas:
      Jesus nomeou 12 Apóstolos, e, Judas Iscariotes foi substituído por Matias, certo?! Jesus também havia escolhido Pedro como Chefe e “pedra” que iria sustentar a Sua Igreja, está lembrado?!
      S.Paulo, pela sua instrução e pelo seu zelo do cumprimento da Lei, (pois, havia pertencido à escola de Gamaliel), se opôs, firmemente ao Cristianismo, tendo-se convertido posteriormente!

      Com efeito, Foi ele o maior Missionário de todos os tempos, por isso, apelidado de “Apóstolo dos gentios”! De facto Paulo, ele próprio sempre se considerou, “o menos digno de todos”!
      Portanto, a rigor da verdade, ele não era dos 12 Apóstolos!
      Apesar do seu imenso valor e das Cartas que nos deixou, um grande Santo, nunca esteve em pé de igualdade com o Apóstolo e “papa” Pedro!

      Isto para dizer o que?!
      Que a legitimidade que Paulo teve de corrigir Pedro é a mesma que qualquer Bispo, de hoje tem! Ora, Pedro foi humilde e aceitou, também os papas actuais deveriam aceitar, não acha?!
      Por outro lado, que eu saiba, a infalibilidade, decidida no CVI, com a assistência do Espírito Santo, apenas acontece, num pronunciamento solene, dogmático EX-CATHEDRA! Noutras citações e pronunciamentos o Papa é falível como qualquer ser humano!
      Confunde-se muito infalibilidade com indefectibilidade!
      O Papa Francisco é, sem dúvida o nosso superior institucional. Por isso devemos-lhe todo o respeito e devoção e carinho filial, motivo, pelo qual é grande caridade dizer-lhe (os fiéis, também), que pode estar errado ao falar de forma ambígua, com enorme prejuízo para a fé dos católicos, em geral!

      Aceitarmos tudo o que este Papa diz e escreve é o mesmo que dizer que “todas as religiões” são boas e que fora da Igreja há salvação, até o Islão! “qualquer ateu vai para o Céu, desde que seja bom”, etc.

      No momento em que eu aceitar e concordar com o Papa Francisco vou admitir que “não preciso da Igreja para nada”, tal como falam os nossos irmãos Evangélicos! Desse modo também direi como eles que “placa de igreja não salva ninguém”!

      Falar com respeito ao Papa é uma coisa…,outra bem diferente é aceitar indiscriminadamente todo o comportamento e atitudes dele com os católicos! Às vezes sinto que O Papa ama a todos menos os católicos! Digo isto, não de ânimo leve, mas com muito pesar!!
      Veja a confusão que vai por todo o mundo, com um perigoso “cisma”, se não em teoria, na prática ele existe porque cada Diocese faz como entende. Isto não é Igreja! Há verdades inegociáveis que não ” vão a votos”, são eternas!

      Este “Modernismo” instalado” nos mais altos cargos da Igreja católica vai custar muito caro e, pior arrasta muitas almas para o abismo!

    • Esse “colégio”, senhor Sílvio, só existe na igreja montiniana. Nem espanta que tenha havido ENORME escândalo por partes dos bispos católicos assistentes ao “concílio” quando essa terminologia barata e deletéria ingressou, de salto, nos documentos ditos “conciliares”.
      Liberdade = de culto para os falso deuses = ecumenismo.
      Igualdade = esvaziamento gradual do ministério ordenado em favor do “sacerdócio comum dos leigos” = ecumenismo
      Fraternidade = governo democrático da “igreja” por um colégio de bispos
      “O concílio foi o 1789 na Igreja” (J. Ratzinger)
      E suma: implantação do devaneio cósmico, ecumênico, panteísta e sincrético do reino do anticristo.

  6. Vejam essa : Grande Mestre Maçônico: Francisco é o “Tirano Iluminado”
    22 de junho de 2018
    Giuliano Di Bernardo é um ex-Grão-Mestre do Grande Oriente Maçônico da Itália e do Grand Loggia regular d’Italia. Em abril, Di Bernardo declarou em uma entrevista de rádio com Border Nights que “a sociedade global não pode ser governada pela democracia, mas por uma” comunidade de sábios que reflete o Uno, o Tirano Iluminado “. Em uma entrevista em fevereiro 2016, o jornal Libero fez a pergunta de Di Bernardo: “qual é o seu protótipo Tirano iluminado?”, ao que Di Bernardo respondeu: “Se eu tenho que dar um nome, digamos, o Papa”. de Bernardo também elogia Cardeal Pietro Parolin, porque para os maçons e esoterismo “ele não tem uma atitude negativa e hostil” Fonte: https://religionlavozlibre.blogspot.com/2018/06/gran-maestro-masonico-francisco-es-el.html

  7. O livro de José Antonio Ureta em nenhum momento estabelece qualquer nexo entre a santidade de São Pedro e a do Papa Francisco. Limita-se de um lado a realçar o exemplo deixado pelo Príncipe dos Apóstolos ao aceitar ser corrigido por São Paulo, e de outro a concluir, com toda razão, que esse exemplo poderia se repetir legitimamente. Sobretudo nos dias de hoje, em face dos verdadeiros desatinos do Papa Francisco, devidamente citados e documentados no referido livro.

    Aliás, há 44 anos — precisamente no dia 8 de abril de 1974 –, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira dirigiu ao Papa Paulo VI um documento de resistência — respeitoso, mas incisivo — à sua Ostpolitik com os regimes comunistas. A resposta do Pontífice foi o mais pesado silêncio. Sobradas razões assistiam a Dr. Plinio em seu gesto — um verdadeiro poema de amor e fidelidade ao Papado.

    Quanto à assertiva segundo a qual “resistir ao Governo de um Papa é pecado mortal, porque o Governo de um Papa é regido pelo Espírito Santo”, ela significa de um lado insultar o próprio Espírito Santo, ao pretender que Ele nos induz a renunciar à razão iluminada pela Fé, quando essa razão nos mostra verdadeiros absurdos sendo perpetrados em todos os campos, no atual pontificado. De outro lado, denota um desconhecimento dos limites da infalibilidade, como se esta se aplicasse a todos os atos de um Papa, e não somente àqueles “ex cathedra”, em matéria de fé e moral. Parece também desconhecer que qualquer Papa que negue uma verdade ou uma doutrina ensinada por uma sucessão de Papas ao longo da História, está indo contra a infalibilidade, pois também a Tradição é fonte de infalibilidade.

  8. Não há obediência cega até mesmo dentro da Igreja Católica. A virtude da obediência tende a ser racional e correta. Embora escutamos relatos da vida de santos que foram obrigados, pela sua condição do voto de obediência a fazer coisas que humanamente e cientificamente eram reprovadas ( fato da vida de uma santa que entrando num convento recebeu a ordem de sua superiora para regar um tronco seco; e Deus para recompensar essa provação elevou sua serva com a graça daquele galho vir a reviver, para a vergonha da superiora), em se tratando de Fé, Moral, Mandamentos não se aplica obediência cega, ou obediência burra. Assim como um filho, menor de idade, não deve obedecer a seu pai,ou mãe, que lhe manda fazer algo contra as leis humanas( roubar, agredir, etc) muito menos um cristão, como o nome já diz que segue a Cristo, pode ou deve, em sã consciência fazer o que “qualquer pessoa”, seja um leigo, um clérigo, uma cristão ou ateu, que vá contra Deus. São Paulo é claro ao dizer que até um anjo do Céu, portanto não seria pouca coisa. Apesar de dizerem que não há mais o estado de necessidade, com o indulto do Rito Extraordinário, os erros continuam latentes: liberdade religiosa, o bem do homem em detrimento a vontade de Deus, o ecumenismo politeísta, a revolta da natureza contra o Criador, etc, etc, etc. A abertura, digamos assim, de tolerar o rito antigo, tolerar a modéstia de grupos atrelados ao passado, apenas é uma forma de adoçar o convívio. Reconhecemos o pontificado atual, reconhecemos sua autoridade, reconhecemos nele como se canta ” o doce redentor”, mas isso em tudo que não for contra aquilo que Nosso Senhor ensinou, aquilo que os Apóstolos pregaram, aquilo que incondicionavelmente foi, é e será ensinado pela Santa Igreja, Mãe e Mestra da Verdade, até o fim dos tempos. Diante desse artigo e das colocações acima, uma lição de obediência e de fidelidade é o Hino à Santa Igreja, que não deixa o menor espaço para os erros infames que se propagam seus “maus” filhos. Corrigir aos que erram é obra de caridade, pois todo erro, pecado, é ofensa a Deus, e é a Deus que devemos caridade. Não há verdadeira caridade em, não querer desagradar, deixar que se continue no erro, continue no caminho da condenação eterna. Cabe a Deus julgar, mas como disse o próprio Senhor, lá na terra eles tem as leis, os sacerdotes, se não dão ouvido a eles, ouvirão um morto? Isso é para demonstrar a responsabilidade de cada com a sua salvação pessoal e podendo, deve alertar ao outros também.
    1. Santa Igreja, Romana, Católica Una, excelsa, divina, imortal Que conservas a fé apostólica E as promessas da vida eternal!
    Refrão: Nós te amamos! Nós somos teus filhos! Em teu seio queremos viver, E, da luz que nos dás entre os brilhos, Nos teus braços maternos morrer!
    2. Sobre a rocha de Pedro invencível Tu abranges a terra e os céus; Na doutrina de Cristo infalível Tua força, é a força de Deus!
    3. No áureo trono dos séculos sentada, Resplandece com a mais viva luz, Sustentando na dextra sagrada
    4. Por ti desce a torrente divina Da verdade suprema e eternal, Essa forte e sublime doutrina, Tão perfeita, que não tem igual!
    5. Do martírio o almo sangue fecundo, Deu-te vida, expansão e vigor, São modelos teus santos pra o mundo Do heroísmo no bem e no amor.
    6. Ninguém pode impedir-te o caminho Pois que Deus te conduz pela mão Nem o mal, nem o ódio mesquinho Nem os erros da falsa razão
    7. És eterna, pois tens a promessa De Deus mesmo, que é teu fundador É debalde que o mundo arremessa Contra ti o seu dardo traidor
    8. Teus altares são novos cenários Privilégio na terra só os teus! Tens Jesus, vivo em tabernáculos E, por isso, na terra é o céu!
    (Wikipédia )

  9. Caro Amigo Sandro Fontes!
    Voltando ao mundo real, ….de seu comentário, cabe aqui uma observação muito importante.
    O Espirito Santo sempre inspirou ao mais de duzentos Papas, que, tais pessoas que cometem pecado mortal não herdaram o Reino de Deus! Tanto quem, pratica quanto aos que aplaudem, sofreram a mesma condenação, como nos ensina São Paulo aos Romanos. Deus Espírito Santo, não pode contradizer em suas inspirações: ontem dizer uma coisa, hoje outra e amanhã outra. Suas assistência é sempre a mesma,
    O que foi pecado mortal ontem, será hoje e será amanhã. Adultério sempre será adultério, fornicação sempre será fornicação, roubo sempre será roubo, o pecado cometido contra a natureza sempre será pecado, Deus nunca contradiz a se mesmo. Nosso Senhor Jesus Cristo que um só Deus com o Pai e o Espírito Santo, é claro em sua doutrina: “Que comete pecado, é escravo do pecado. E o escravo não permanecerá na casa de Deus, será lançado fora.”. As atitudes de Papa Francisco não estão, conivente com os ensinamentos de seus antecessores e muito menos com a Palavre de Nosso Senhor Jesus Cristo, do quem o Papa Francisco e servo, e não senhor. A obediência é só para com aqueles ensinam e levando os fiéis ao céu pelas vias da santidade, o caminho estreito: e não pela estrada larga dos prazeres do pecado, que conduz à perdição eterna, com quer Papa Francisco, o salário do pecado é morte.
    Quem pensa que vai alcançar o céu, seguindo estes ensinamentos do Papa Francisco, que estão em contradição a Sã Doutrina da Salvação, digo com todas as letras; serão precipitados ao Fogo do Inferno, quer creem ou não. O espírito que inspira tais doutrinas, com toda certeza, não é o Espírito Santo. Ou é humana ou diabólica, de Deus não vem estes erros. É o mesmo que ser obrigado a obedecer aos pais, quando estes manda os filhos pecarem, ambos serão condenados. E obedecer o Papa Francisco, pondo em prática seus ensinamento, é condenar a se mesmo. Neste caso, é a única restrição que faz o Código do Direito Canônico, quanto ao dever de obediência, seja para com o Papa, Bispo ou Padre que mandar os fiéis Católicos a pecar. É dever sim. dos fiéis opor e rezar pela conversão de todas autoridades sejam elas Eclesiásticas ou civil que se levantaram contra Deus e :Seus Cristo, não suportando a Sã Doutrina se deixaram levar pelo desejo de escutar novidades, apartaram os seus ouvidos da verdade e se atiraram a fábulas, com nos ensina o Apóstolo São Paulo.

  10. Aos amigos que me enviaram mensagens, salve Maria!

    A doutrina da Igreja Católica é simples de se entender: o Papa não tem como ensinar nada que seja contrário ao bem dos fiéis quando se dirige a estes fiéis por meio de seu Magistério, quando ele promulga documentos relacionados a Fé, aos Costumes e a Disciplina.

    Ou seja, não estamos falando de um Papa que, privadamente, em tese, poderia se desviar e, então, neste caso, veria-se o que poderia-se fazer. O que estamos falando é da impossibilidade total de um Papa promulgar, universalmente, uma lei má, uma má doutrina, uma má disciplina, um mau costume, etc…

    Este ensinamento é essencialmente católico, é inclusive o fundamento do próprio Papado. Ele está em todos os séculos, nas letras dos Papas e nas penas dos Santos Doutores e Teólogos da Igreja.

    “(…) o Pastor não pode conduzir ao erro seus filhos; portanto, os sucessores de São Pedro têm todos seus mesmos privilégios, que não são anexos à pessoa, mas à dignidade e ao cargo público” – São Francisco de Sales – Controvérsias, p. II, cap. VI, art. XIV

    “(…) o Papa não tem como ordenar nada que vá contra o bem definitivo daqueles a quem ele se dirige” – Rev. Pe. Thomas Pègues, O.P., L’Autorité des Encycliques pontificales, d’apres saint Thomas [A autoridade das Encíclicas pontifícias segundo Santo Tomás de Aquino], in: Revue Thomiste, XII, 1904, pp. 513-32, cit. à p. 520-1

    Esta é a doutrina católica, e ela é simples de ser entendida. Basta querer estudar. Rogo-lhes que se aprofundem naquilo que ensina São Francisco de Sales e todos os outros que repetidamente ensinaram o mesmo que está acima.

    Abraços a todos

    Sandro Pelegrineti de Pontes

    • Caro Sandro, NOVAMENTE, seu raciocínio está correto quando, e tão somente, num pronunciamento solene, dogmático EX-CATHEDRA! Noutras circunstâncias e pronunciamentos o Papa é falível como qualquer ser humano!

    • Prezado Sr. Sandro, Salve Maria!

      O que você está afirmando não é certo. Aliás, Santo Tomás comenta o episódio da resistência de S. Paulo a S. Pedro de maneira muito clara: “aos prelados (foi dado exemplo) de humildade, para que não se recusem a aceitar repreensões da parte de seus inferiores e súditos; e aos súditos (foi dado) exemplo de zelo e liberdade, para que não receiem corrigir seus prelados, sobretudo quando o crime for público e redundar em perigo para muitos (…). A repreensão foi justa e útil, e o seu motivo não foi leve: tratava-se de um perigo para a preservação da verdade evangélica (…). O modo como se deu a repreensão foi conveniente, pois foi público e manifesto. Por isso São Paulo escreve: “Falei a Cefas”, isto é, a Pedro, “diante de todos”, pois a simulação praticada por São Pedro acarretava perigo para todos” (S. Tomás de Aq., “Suma Theol.”, II-II, 33, 4, 2. / S. Tomás de Aq., ad Gal., 2, 11-14, lect. III. n ).

      Ainda Santo Tomás: “Além disso, Ecclus. 17, 12, diz que Deus ‘deu a cada um mandamento a respeito do seu próximo’. Ora, um Prelado é nosso próximo. Assim, devemos corrigi-lo quando peca… Alguns dizem que a correção fraterna não se estende aos Prelados, seja porque o homem não pode erguer a sua voz contra o Céu, seja porque os Prelados facilmente se escandalizam se corrigidos pelos seus súbditos. Contudo, tal não sucede, dado que, quando pecam, os Prelados não representam o Céu e, daí, devam ser corrigidos. E aqueles que os corrigem caridosamente não levantam a sua voz contra eles, mas em seu favor, dado que a admoestação é para seu próprio bem. (…) Por esta razão, de acordo com outros [autores], o preceito da correção fraterna também se estende aos Prelados, que podem ser corrigidos pelos seus súbditos”. (IV Sententiarum, d. 19, q. 2, a. 2)

      São Roberto Bellarmino, que, pessoalmente, é da tese de que o Papa não pode errar, entretanto reconhece que o Magistério não considera isso dessa forma: Para tanto, ele cita o caso do Papa Honório e de como o Magistério tratou do tema (S. Roberto Bellarmino, “De Rom. Pont.”, Lib. II, cap. 30, p. 418)..Sobre o direito de resistência, S. Roberto é claro: “(… ) assim como é lícito resistir ao Pontífice que agride o corpo, assim também é lícito resistir ao que agride as almas, ou que perturba a ordem civil, ou, sobretudo, àquele que tentasse destruir a Igreja. Digo que é licito resistir-lhe não fazendo o que ordena e impedindo a execução de sua vontade” (S. Roberto Bell., “De Rom. Pont.”, lib. II, c. 29.).

      Outras citações:

      D. GUÉRANGER, Abade de Solesmes: “Quando o pastor se transforma em lobo, é ao rebanho que, em primeiro lugar, cabo defender-se. (…) Há no tesouro da Revelação pontos essenciais, que todo cristão, em vista de seu próprio titulo de cristão, necessariamente conhece e obrigatoriamente há de defender” (L’année liturgique – Le temps de la septuagesime, Tours: Maison Mame, 1932, pp. 340-341).

      WERNZ-VIDAL: “Os meios justos a serem empregados contra um mau Papa são, segundo Suarez, (…) a advertência ou correção fraterna em segredo ou mesmo de publico, bem como a legitima defesa contra uma agressão quer física quer ‘moral” (Ius canonicum, Roma: Aedes Universitatis Gregorianae, 1927, vol. II. p. 436).

      PAPA ADRIANO II: “Honório foi anatematizado pelos Orientais; mas deve-se recordar que ele foi acusado de heresia, Único crime que torna legitima a resistência dos inferiores aos superiores, bem come a rejeição de suas doutrinas perniciosas” (Adriano II, alloc. III lecta in Conc. VIII, Act. 7 – citado por Billot, ‘Tract. De Eccl. Christi’, tom. I, p. 619 – Ver também Rafele-Leclercq, tome V, pp. 471-472).

      VI CONCÍLIO ECUMÊNICO (III Concílio de Constantinopla de 680 a 681): sobre cartas do Papa Honório e do Patriarca Sergio: “tendo verificado estarem elas em inteiro desacordo com os dogmas apostólicos e as definições dos santos Concílios e de todos os Padres dignos de aprovação, e pelo contrario seguirem as falsas doutrinas dos hereges, nós as rejeitamos de modo absoluto e as execramos como nocivas às almas” (Denzinger-H 550).

      Nosso Senhor poderia ter dito ao Primeiro Papa que ele não erraria jamais, mas disse: “eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça; e tu uma vez convertido, confirma teus irmãos” (Lc 22,32). Responde a isso São João Crisóstomo: “Ele não disse: Eu quis, mas: ‘Eu roguei’, linguagem cheia de humildade que tem que ver com as proximidades de sua paixão, para provar a verdade de sua natureza humana. Pois como supor que aquele que, sem recorrer a prece, dissera com tom de mandamento: ‘Sobre esta pedra eu edificarei minha Igreja, e eu te darei as chaves do reino dos céus’, tivesse necessidade de prece para confirmar na fé a alma vacilante de um homem?” (Hom. 83 sobre S. Matth.)

      Cardeal Charles Journet: “Quanto ao axioma “Onde está o Papa está a Igreja”, vale quando o Papa se comporta como Papa e chefe da Igreja; caso contrário, nem a Igreja está nele, nem ele está na Igreja (Caietano, II-II, 39,1)” (L’Elglise du verbe Incarné”, vol. II, pp. 839-840)

      Os teólogos mais recentes, em sua quase totalidade, reconhecem, explicita ou implicitamente, probabilidade à tese de que um Papa pode cair em heresia – não, evidentemente, quando fala “ex cathedra”, pois nesse caso é infalível. Assim se pronunciam, por exemplo: Billot, Card. L.; Bouix; Chelodi; Congar; Coronata; Dublanchy; Ferreres; Herve; Hurter; Iragui; Journet, .Card. C.; Kueng; Lercher; MazzeIla, H; Mors; Pesch; Pruemmer; RegatiIio; Salaverri; Straub; Van Laak; Wernz-Vidal; Wilmers; Zinelli etc.

      Do então Cardeal Ratzinger: “É possível e até necessário criticar os ensinamentos do Papa, se não estiverem suficientemente baseados na Escritura e no Credo, ou seja, na fé da Igreja Universal.” (Joseph Ratzinger, O Novo Povo de Deus, S. Paulo, Paulinas, 1974, pg. 140)

      Um amigo que não tenho visto ultimamente, Taiguara, costumava citar o caso de S. Bruno (pouco comentado). Dizia ele: “Quando o Papa Pascoal II assinou o escandaloso acordo de Ponte Mammolo com o Imperador Henrique V, humilhantemente abrindo mão em favor do Imperador do poder de investir os Bispos da Igreja, dando-lhe o direito de usar até mesmo um anel e um báculo – símbolo de um poder espiritual do Imperador – e prometendo-lhe, por absurdo, nunca excomungá-lo – sim, isso chegou a ser prometido por um Papa num acordo diplomático, o que mostra que a diplomacia não está acobertada pela infalibilidade –, foi São Bruno de Segni, Abade de Monte Cassino, quem mais resistiu ao Papa e chegou a acusar o ato de heresia (a palavra “heresia”, na época, se referia a qualquer ato contrário à Igreja). Escreveu ele ao Papa: “Os meus inimigos vos dizem que eu não vos amo e que falo de vós pelas costas, mas eles mentem. Eu de fato vos amo, como devo amar a um Pai e senhor. Enquanto estiverdes vivo, não quero ter outro pontífice, como vos prometi, junto a muitos outros. Escuto porém Nosso Salvador que me diz: ‘Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim’ (Mt. 10-37). (…) Devo portanto amar-vos, mas devo amar ainda mais Aquele que criou a vós e a mim”. (Carta Inimici mei, in PL, vol. 163, col. 463 A-D). Na mesma carta, convidou o Pontífice a condenar a heresia, afirmando que “aquele que defende a heresia é herético”. A resistência de São Bruno de Segni era correta, porque amparada na verdade do Evangelho; era pública, tanto que dera margem ao falatório de muitos Senhores Carolus daquela época; e era filial, pois feita com reverência e amor. O Abade de Monte Cassino foi canonizado, recebendo o atestado de suas virtudes cristãs.”

      E há muitos outros exemplos de resistência de santos a maus prelados.

      Cabe, aos católicos, fugir desses erros. Como declara Pio XII, “por vezes se ignora, como se não existisse, a obrigação que têm todos os fiéis de fugir mesmo daqueles erros que se aproximam mais ou menos da heresia” (Humani Generis, de 12-8-1950, nº 18).

      Veja que a sua opinião a respeito do tema é: uma opinião. Da mesma forma, é opinião o que esses santos e doutores da Igreja, citados nesta resposta, deram. A matéria não é “fechada” na Igreja, que nunca se pronunciou definitivamente sobre o tema.

      O fato é que o Magistério ordinário, historicamente, já cometeu erros (claro que vai depender da definição que se usar de “magistério”, já que alguns teólogos são muito restritivos a essa palavra, que também é nova na Igreja).

      Aconselho-o a ler o livro indicado, bem como o livro de Arnaldo Xavier da Silveira, na parte que trata sobre a possibilidade teológica de um Papa Herege.

      In Jesu et Maria

      Frederico

  11. Ricardo, boa tarde.

    A questão relacionada a uma promulgação ex-catedra é diferente daquilo que estou apontando aqui. Quando um papa fala ex-catedra, ele se pronuncia infalivelmente, e ele fecha a questão. Porém, quando ele não fala ex-catedra, não significa que ele possa promulgar blasfemias, heresias ou erros graves.

    Ou seja, trata somente da *impossibilidade total* da Igreja (e, portanto, do Papa), promulgar uma lei má, uma doutrina má, um costume mau ou uma má disciplina….e como eu falei antes, isso é algo simples de entender.

    Infelizmente, o que você repete é um erro crasso um milhão de vezes condenado e que foi tomado como doutrina católica pelo mundo tradicionalista pós-conciliar. Deixo a Igreja falar a você:

    “Com respeito à *infalibilidade das coisas que pertencem à disciplina*, deve-se brevemente notar que ela consiste inteiramente em que *a autoridade suprema da Igreja, em virtude da assistência do Espírito Santo, não pode jamais instituir leis que são de um modo ou de outro opostas aos preceitos revelados da fé e da moral*. Pio VI exprime-o em poucas palavras na bula Auctorem Fidei, contra a proposição 78 do Sínodo de Pistoia: ‘A prescrição do Sínodo que concerne à ordem das matérias a serem tratadas nas conferências: pela qual diz primeiro que em cada artigo se deve distinguir o que é necessário ou útil para manter os fiéis no espírito do que é inútil ou mais oneroso do que suporta a liberdade dos filhos da Nova Aliança, e mais ainda, do que é perigoso ou nocivo, porque induz à superstição ou ao materialismo; na medida que, pela generalidade das palavras, o sínodo compreende e submete ao exame prescrito até a disciplina constituída e aprovada pela Igreja – *como se a Igreja que é governada pelo Espírito de Deus pudesse constituir uma disciplina não só inútil e mais onerosa do que o suporta a liberdade cristã, mas também perigosa, nociva e que induza à superstição e ao materialismo* – é [condenada como] falsa, temerária, escandalosa, perniciosa, ofensiva aos ouvidos pios, injuriosa à Igreja e ao Espírito de Deus pelo qual ela é governada, e pelo menos errônea’” – (Cardeal Louis Billot, S.J. – Tractatus De Ecclesia Christi PP, T. I., Ed. 5a, Thesis XXII, Romae, 1927).

    “6 – (…) Nem podemos passar em silêncio a audácia de quem, não podendo tolerar os princípios da sã doutrina, pretendem “que aos juízos e decretos da Sé Apostólica, que têm por objeto o bem geral da Igreja, e seus direitos e sua disciplina, enquanto não toquem os dogmas da fé e dos costumes, se pode negar assentimento e obediência, sem pecado e sem nenhuma violação da fé católica”. Esta pretensão é tão *contrária ao dogma católico do pleno poder divinamente dado pelo próprio Cristo Nosso Senhor ao Romano Pontífice* para apascentar, reger e governar a Igreja, que não há quem não o veja e entenda clara e abertamente.

    7 – Em meio de esta tão grande perversidade de opiniões depravadas, Nós, com plena consciência de Nossa missão apostólica, e com grande solicitude pela religião, pela sã doutrina e pela saúde das almas a Nos divinamente confiadas, assim como até pelo próprio bem da sociedade humana, temos julgado necessário levantar de novo Nossa voz apostólica. Portanto, todas e cada uma das *perversas opiniões e doutrinas determinadamente especificadas nesta Carta*, com Nossa autoridade apostólica as reprovamos, proscrevemos e *condenamos*; e queremos e mandamos que todas elas sejam tidas pelos filhos da Igreja como reprovadas, proscritas e condenadas” – Papa Pio IX – Quanta Cura

    “Pois, mesmo que se tratasse daquela submissão que deve ser prestada com ato de fé divina, *não se poderia limitá-la*, porém, às verdades definidas por decretos expressos dos concílios ecumênicos ou dos Romanos Pontífices desta Sé Apostólica, *mas seria necessário estendê-la também* àquilo que é transmitido como divinamente revelado pelo Magistério Ordinário de toda a Igreja espalhada pela Terra” – Papa Pio IX – Carta Apostólica Tuas Libenter [ao Arcebispo de Munique – 1863 – conferir em Mansi LI, 224 C12 – 225 A5]

    “Mas, como se trata daquela sujeição à qual estão obrigados em consciência todos os católicos que se dedicam às ciências especulativas, para que possam trazer com seus escritos novos proveitos para a Igreja, por essa razão, os homens desse mesmo congresso devem reconhecer que *não basta aos sábios católicos aceitar e reverenciar os supracitados dogmas da Igreja*, mas é também *necessário a eles submeter-se às decisões que, pertencentes à doutrina, são emanadas das Congregações Pontifícias*, bem como àqueles capítulos de doutrina que, pelo comum e constante sentir dos católicos, são considerados como verdades e conclusões teológicas tão certas que as opiniões contrárias a esses capítulos de doutrina, ainda que não possam ser chamadas de heréticas, merecem, sem embargo, alguma censura teológica” – Papa IX, Carta Apostólica Tuas Libenter [ao Arcebispo de Munique – 1863 [Denzinger 1684]

    “Seguindo o exemplo de Santo Tomás de Aquino e dos membros eminentes da Ordem dominicana que brilharam pela piedade e santidade de vida, a partir do momento em que se faz ouvir a voz do Magistério da Igreja, *seja ordinário ou extraordinário*, recolhei esta voz com ouvido atento e espírito dócil, sobretudo vós, diletos filhos que, por singular benefício de Deus, dedicai-vos aos estudos sagrados nesta Cidade augusta, perto da ‘Cátedra de Pedro e igreja principal, donde a unidade sacerdotal tirou a sua origem’ (São Cipriano). E o vosso dever não é apenas dar vossa adesão exata e sem delongas às regras e decretos do Magistério sagrado referentes às verdades divinamente reveladas – pois a Igreja Católica e somente ela, Esposa de Cristo, é a guardiã fiel desse depósito sagrado e sua intérprete infalível; mas devem-se receber também, com humilde submissão do espírito, *os ensinamentos que tratam de questões da ordem natural e humana*; pois aí também há, para os que professam a fé católica, e – é evidente – sobretudo para os teólogos e os filósofos, verdades que eles devem estimar enormemente, no mínimo quando esses elementos de ordem inferior são propostos como conexos e unidos às verdades da fé cristã e ao fim sobrenatural do homem” – Papa Pio XII – Alocução aos professores e alunos do Angelicum – 14 de janeiro de 1958.

    “Não é de modo algum incomum encontrar a opinião, senão expressa ao menos cultivada, de que nenhuma doutrina deve ser considerada dogma de fé a não ser que tenha sido definida solenemente por um Concílio ecumênico ou pelo próprio Soberano Pontífice. *Isso não é necessário de maneira nenhuma*. É suficiente que a Igreja a ensine em seu Magistério Ordinário, exercido através dos Pastores dos fiéis, os Bispos, cujo ensinamento unânime por todo o orbe católico seja comunicado expressamente através de cartas pastorais, catecismos emitidos pela autoridade episcopal, sínodos provinciais, seja implicitamente através de orações e práticas religiosas permitidas ou encorajadas, ou através do ensinamento de teólogos aprovados, é *não menos infalível do que uma definição solene promulgada por um Papa* ou um Concílio geral” – Cônego Smith, “Must I Believe It?”, Clergy Review [“Tenho o Dever de Crer Nisso?”, Revista do Clero], anos 40

    “56. Como, em verdade, *nenhum católico fiel pode rejeitar as fórmulas da doutrina cristã compostas e decretadas com grande vantagem em época mais recente da Igreja*, inspirada e dirigida pelo Espírito Santo, para voltar às antigas fórmulas dos primeiros concílios ou *repudiar as leis vigentes para voltar às prescrições das antigas fontes do direito canônico*; assim, quando se trata da sagrada liturgia, não estaria animado de zelo reto e inteligente aquele que *quisesse voltar aos antigos ritos e usos recusando as recentes normas introduzidas por disposição da divina Providência* e por mudança de circunstâncias.

    58. Tudo, pois, *seja feito em indispensável união com a hierarquia eclesiástica*. Ninguém *se arrogue o direito de ser lei para si mesmo* e de impô-la aos outros por sua vontade. *Somente o Sumo Pontífice*, na qualidade de sucessor de Pedro, ao qual o divino Redentor confiou o rebanho universal, (54) e juntamente os bispos, que sob a dependência da Sé Apostólica “o Espírito Santo colocou para reger a Igreja de Deus”, (55) *têm o direito e o dever de governar o povo cristão*. Por isso, veneráveis irmãos, toda vez que defendeis a vossa autoridade oportunamente, ainda que com severidade salutar não somente cumpris o vosso dever, *mas defendeis a própria vontade do Fundador da Igreja* – Encíclica Mediator Dei – Papa Pio XII (20 de novembro do ano de 1947)

    “(…) Nem se deve crer que os ensinamentos das Encíclicas *não exijam per se o assentimento*, sob o pretexto de que os Pontífices não exercem nelas o poder de seu Supremo Magistério. Tais ensinamentos fazem parte do Magistério Ordinário, *para o qual também valem as palavras: “Quem vos ouve, a mim ouve*” (Lc 10,16), além do que, quanto vem proposto e inculcado nas Encíclicas pertence já, o mais das vezes, por outros títulos, ao patrimônio da doutrina católica – Papa Pio XII – Humani Generis
    “(…) Pío XII nos dice sin restricción alguna de las Encíclicas pontificias, que *son actos del Magisterio ordinario y que de suyo exigen el asentimiento de la mente*; legítimamente podemos concluir, pues, que en ellas deben ser tenidas como *enseñanzas infalibles del Magisterio ordinário* todas aquellas afirmaciones que imponen con obligación absoluta de fe católica. (…) Si pues la Iglesia *ejerce su infalibilidad de dos modos, uno extraordinario y el otro ordinário*; debemos admitir que también el Papa la puede ejercer de esos mismos dos modos. De lo contrario se seguiría que esa potestad del Papa era, al menos en el modo de su ejercicio, más restringida que la de la Iglesia; lo cual no se puede conciliar con el hecho de que el Papa es quien en la Iglesia tiene la plenitud de la suprema potestad en todos los órdenes” – Joaquín Salaverri, De Ecclesia, n. 645-649. Cf. E. Dublanchy, Dict. Théol. cath. 7, 1705; M. Labourdette, Rev. Thom. 50 (1950) 38. – Joaquín Salaverri de la Torre, S. J., Valor de las Enciclicas a la luz de la “Humani generis”, Miscelanea Comillas 17 (1952) 135-171, 513-532; cit. p. 156-157 e nn. 120-122

    “Dizem que alguns Papas caíram em erro? São *calúnias inventadas* ou que se referem a atos que não se relacionam com a Fé da Igreja. Todos os que *estudaram imparcialmente a história eclesiástica* concordam em que essas asserções são falsas” – Dom Bosco – O cristão bem formado

    “(…) *nenhum Papa deixou reviver uma heresia condenada por seus antecessores* e nem colocou em dúvida uma verdade proclamada antes dele” – Dom Bosco – O cristão bem formado

    “A Igreja Romana (…) foi sempre conhecida como sociedade visível dos fiéis reunidos na mesma fé, sob a direção de um mesmo Chefe, o Romano Pontífice, o qual, como pai de uma grande família, guiou no passado e *guiará para o
    futuro todos os fiéis sinceros pelo caminho da verdade, até o fim dos tempos* – Dom Bosco – O cristão bem formado

    “(…) Ao cometerem o mal, tornaram-se eles, quaisquer que sejam os pecadores, desobedientes a Deus e à Igreja, mas a ignomínia das suas ações, sendo pessoais, em nada afeta a *santidade da lei cristã*. Às épocas de corrupção, porém, sucederam-se rejuvenescimentos esplêndidos pela volta à prática sincera da religião, sempre santa e pura. Uma coisa, porém, muito digna de notar-se é que, fosse qual fosse a vida particular de qualquer Papa, *nenhum houve que publicasse algum decreto contrário a pureza da fé e dos costumes; nenhum ensinou nem instituiu coisa alguma, que tivesse em mira justificar as suas desordens*. Não se pode certamente afirmar a mesma coisa acerca dos cabeças dos protestantes” – Pe. Devivier, Curso de Apologética Cristã, 3.ª ed., precedido de Carta de Recomendação de São Pio X quando Patriarca de Veneza. São Paulo: Melhoramentos, 1925, pp. 444-445, § IX – Os Maus Papas

    Claríssimo, não?

    Abraços,

    Sandro Pelegrineti de Pontes

  12. Prezado Frederico, salve Maria.

    Você parece realmente não ter entendido o argumento que eu estou colocando, que é este: a Igreja ensina que o Papa, quando ensina magisterialmente, ou quando ele propõe uma lei para ser seguida relacionada a disciplina e aos costumes (portanto, documentos não magisteriais), não pode ensinar nada que vá contra o bem daqueles a quem ele se dirige (o que não significa que estes documentos sejam perfeitos). E isso é simples de entender e por isso eu lhe peço que você pare para refletir sobre as provas que justificam esta afirmação, que, aliás, é a base da doutrina relacionada ao Papado.

    Veja o que ensinou o Vaticano I:

    1827. Ensinamos, pois, e declaramos que a Igreja Romana, por disposição divina, tem o primado do poder ordinário sobre as outras Igrejas, e que este poder de jurisdição do Romano Pontífice, poder verdadeiramente episcopal, é imediato. E a ela [à Igreja Romana] devem-se sujeitar, por dever de subordinação hierárquica e verdadeira obediência, os pastores e os fiéis de qualquer rito e dignidade, tanto cada um em particular, como todos em conjunto, não só nas coisas referentes à fé e aos costumes, mas também nas que se referem à disciplina e ao regime da Igreja espalhada por todo o mundo, de tal forma que, guardada a unidade de comunhão e de fé com o Romano Pontífice, a Igreja de Cristo seja um só redil com um só pastor. Esta é a doutrina católica, da qual ninguém pode se desviar, sob pena de perder a fé e a salvação.

    Nos argumentos que você coloca estão somente hipóteses teológicas de papas desviando-se em suas condutas, ou então deles se desviando privadamente da fé, ou então até mesmo eles se desviando publicamente da fé e neste sentido concluindo que ou o Papa cai de seu cargo “ipso facto” (a esmagadora maioria conclui assim) ou ele não cai “ipso facto” porque o Espírito Santo garantiria que as heresias de um Papa desviado jamais atingiriam os documentos da Igreja e nem prejudicariam os fiéis (é o que ensina uma minoria, entre eles o teólogo Bouix que você cita abaixo).

    Porém, estes autores não ensinam de maneira nenhuma que um Papa possa, enquanto se dirige a toda a Igreja Universal por meio de seu magistério, de suas leis, de sua disciplina e de seus costumes, ensinar erros graves, heresias ou uma má doutrina que leve os fiéis para o abismo (como faz Francisco e como vem fazendo todos os papas conciliares deste o Vaticano II).

    Aliás, você diz que São Roberto Bellarmino, defendia que o Papa não pode errar. Portanto, ele defendia que a Igreja não pode errar, ou então ela não seria “coluna e sustentáculo da verdade”, como ensina São Paulo. Aliás, é por isso mesmo que Bellarmino, após profunda análise, ensinou que o Papa Honório jamais se desviou, e é por isso também que depois do Vaticano I, via de regra, os teólogos abandonaram a ideia de que Honório tenha se desviado. E ainda que admitindo que ele realmente tenha se desviado, ele o teria feito privadamente, e não enquanto Papa, legislando a toda a Igreja.

    Por isso acima coloquei o ensinamento de Dom Bosco, que diz que os papas, se é que algum deles se desviou algum dia, o fez em matérias não relacionadas a fé.

    Portanto, agora vamos estudar mais de perto o que ensinam muitos destes autores que você cita. Sobre São Roberto Bellarmino já está respondido, mas acrescento ainda as seguintes palavras dele:

    “(…) pois os de Bereia não eram ainda cristãos, nem tinham certeza de que São Paulo tivesse o Espírito Santo e não pudesse errar, e por isso faziam bem em estudar as Escrituras dos profetas que São Paulo citava, pois por esse meio Deus dispunha-os a receber a fé. Mas os cristãos, que já têm a luz da fé e têm a certeza de que o Papa e os Concílios legítimos são guiados pelo Espírito Santo não merecem louvor mas censura se, duvidando das suas decisões, quiserem esclarecer-se com o estudo da Escritura Santa” – São Roberto Bellarmino sobre a obediência cega e sem exame (Refutação à Proposição XII dos Sete teólogos de Veneza -1606)

    Finalizando sobre Bellarmino, nestas questões relacionadas a possibilidade de se resistir a um Papa desviado, ele e outros citam como exemplos de desvios um Papa, hipoteticamente, vendendo patrimônios da Igreja para fazer mau uso do dinheiro e ordenando ou permitindo que outros prelados façam o mesmo, entre outros exemplos parecidos (portanto, não tem relação nenhuma com um Papa legislando a toda a Igreja aprovando uma missa protestante ou então permitindo que recasados comunguem… ou seja, ela fala de “x” e você está associando ele falando de “y”).

    Vejamos, agora, o que ensinam alguns dos outros autores citados em sua missiva. Primeiro, o primeiro de todos, São Tomás de Aquino:

    “(…) A Igreja apostólica (de São Pedro), situada acima de todos os bispos, de todos os pastores, de todos os chefes da Igreja e dos fieis, permanece pura de todas as seduções e de todos os artifícios dos hereges EM SEUS PONTÍFICES, em sua fé sempre inteira e na autoridade de Pedro. Enquanto as outras igrejas são desonradas pelos erros de certos hereges, somente Ela reina, apoiada sobre fundamentos inabaláveis, impondo silêncio e fechando a boca de todos os hereges; e nós (…), confessamos e pregamos em união com Ela a regra da verdade e da santa tradição apostólica” – comentário de São Tomás de Aquino sobre o Evangelho de São Mateus, cap. 18, v. 18, em sua “Cátena Áurea”, onde ele cita o ensinamento de São Cirilo de Alexandria a respeito da Igreja de Roma estar fundamentada na fé do Papa).

    “Os apóstolos e seus sucessores são vigários de Deus no governo da Igreja, que é construída sobre a fé e os sacramentos da fé. Portanto, da mesma forma que ela não pode instituir uma outra Igreja, ela não pode oferecer uma outra fé, nem instituir outros sacramentos” – São Tomás de Aquino, Summa Theologica, III, q. 64, art. 2, ad. 3

    “Se se considera a Providência divina que dirige sua Igreja pelo Espírito Santo para que ela não erre, como Ele mesmo prometeu em João 14,26, que o Espírito quando viesse ensinaria toda a verdade, quer dizer, com relação às coisas necessárias à salvação, é certo ser impossível que o julgamento da Igreja universal erre sobre as coisas que dizem respeito a fé” – São Tomás de Aquino: 23. Quod. IX, q.8, a.1.

    “O costume da Igreja não pode errar, pois é dirigido pelo Espírito Santo” – São Tomás de Aquino – IIIa. q.83, art.5

    “Ademais a Igreja Universal não pode errar: porque aquele que em todas as coisas foi ouvido por sua reverência, disse a Pedro, sobre cuja confissão foi fundada a Igreja: Eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça” (Santo Tomás, In Sent. IV, D. 20, Q. 1. A.3)

    Estas palavras de São Tomás são tão importantes que fizeram com que Pio XII, ao ver o crescimento de pessoas defendendo na década de 1950 aquilo que os tradicionalistas defendem hoje, ensinou o seguinte:

    “Seguindo o exemplo de Santo Tomás de Aquino e dos membros eminentes da Ordem dominicana que brilharam pela piedade e santidade de vida, a partir do momento em que se faz ouvir a voz do Magistério da Igreja, seja ordinário ou extraordinário, recolhei esta voz com ouvido atento e espírito dócil, sobretudo vós, diletos filhos que, por singular benefício de Deus, dedicai-vos aos estudos sagrados nesta Cidade augusta, perto da ‘Cátedra de Pedro e igreja principal, donde a unidade sacerdotal tirou a sua origem’ (São Cipriano). E o vosso dever não é apenas dar vossa adesão exata e sem delongas às regras e decretos do Magistério sagrado referentes às verdades divinamente reveladas – pois a Igreja Católica e somente ela, Esposa de Cristo, é a guardiã fiel desse depósito sagrado e sua intérprete infalível; mas devem-se receber também, com humilde submissão do espírito, os ensinamentos que tratam de questões da ordem natural e humana; pois aí também há, para os que professam a fé católica, e – é evidente – sobretudo para os teólogos e os filósofos, verdades que eles devem estimar enormemente, no mínimo quando esses elementos de ordem inferior são propostos como conexos e unidos às verdades da fé cristã e ao fim sobrenatural do homem” – Papa Pio XII – Alocução aos professores e alunos do Angelicum – 14 de janeiro de 1958.

    Portanto, aí está uma autorizada interpretação do ensinamento de São Tomás de Aquino, feita pelo próprio Papa Pio XII. Continuando, você cita Dom Guéranger, que fala sobre a possiblidade do fiel se defender de prelados desviados. Porém, simultaneamente, sobre um Papa ensinar erros a toda a Igreja Universal ele ensina o seguinte:

    “O que torna sempre mais firme e mais serena a reflexão do historiador cristão é a certeza que lhe dá a Igreja, que marcha diante dele como uma coluna luminosa e alumia divinamente todos os seus juízos. Ele sabe que vínculo estreito une a Igreja ao Deus-Homem, como ela é assegurada por Sua promessa contra todo erro no ensinamento e na direção geral da sociedade cristã, como o Espírito Santo a anima e conduz; é, pois, nela que ele buscará o critério dos seus juízos” – Dom Guéranger, Le Sens Chrétien de l’Histoire [O Sentido Cristão da História], Paris, 1945, p. 21-22

    E neste sentido, referente a forma como deve-se comportar um católico, Dom Guéranger ensina ainda:

    “(…) ele sabe onde se manifesta a direção, o espírito da Igreja, seu instinto divino. Recebe-os, aceita-os, confessa-os corajosamente; aplica-os(…) Igualmente, nunca trai, nunca sacrifica; diz que é bom o que a Igreja julga bom, mau o que a Igreja julga mau. Que lhe importam os sarcasmos, as chacotas dos covardes medíocres? Ele sabe que está com a verdade, porque ele está com a Igreja e a Igreja está com Cristo” – Dom Guéranger, Le Sens Chrétien de l’Histoire [O Sentido Cristão da História], Paris, 1945, p. 21-22.

    Sobre Wernz e Vidal, ao mesmo tempo em que ensinam como o fiel deve se defender diante de um mau Papa, eles também ensinam o seguinte sobre o alcance da Infalibilidade Papal:

    “Os Romanos Pontífices são infalíveis ao fazer leis universais sobre a disciplina eclesiástica, de modo que jamais estabeleçam qualquer coisa contra a fé e os bons costumes, embora não atinjam o supremo grau de prudência” – Wernz e Vidal – Manual… t. I, p 2

    Portanto, prezado Frederico, se Francisco é Papa, ele jamais irá estabelecer qualquer coisa contra a fé e os costumes….continuando, você citou também o Cardeal Journet, que ensinou que quando o Papa se desvia pertinazmente ele não está na Igreja e nem a Igreja está nele. Ora, você percebe que isso vai contra aquilo que você está defendendo, pois ele está dizendo que um Papa desviado não é mais Papa?

    Sobre os outros autores citados por você Billot ensinou o seguinte:

    “Com respeito à infalibilidade das coisas que pertencem à disciplina, deve-se brevemente notar que ela consiste inteiramente em que a autoridade suprema da Igreja, em virtude da assistência do Espírito Santo, não pode jamais instituir leis que são de um modo ou de outro opostas aos preceitos revelados da fé e da moral – Cardeal Louis Billot, S.J. – Tractatus De Ecclesia Christi PP, T. I., Ed. 5a, Thesis XXII, Romae, 1927

    E depois Billot irá colocar o ensinamento do Papa Pio VI contido na Bula “Auctorem Fidei”, onde ele condena a Proposição 78 do Sínodo de Pistoia afirmando que a Igreja não pode de maneira nenhuma aprovar uma lei má.

    Você também citou Bouix. No livro de Arnaldo está demonstrado que entre 136 teólogos examinados apenas ele defendia que o Papa jamais perde seu pontificado, nem mesmo em razão de sua heresia.

    Porém, Bouix ensinava que ao falar de “heresia papal” deve-se compreender que se está falando dela sendo professada privadamente, e não enquanto Pastor do rebanho, propondo doutrina a toda a Igreja Católica:

    “(…) Trata-se, com efeito, de heresia exclusivamente privada, isto é, professada pelo Pontífice Pontífice não enquanto Pastor da Igreja e em seus decretos e atos papais, mas somente enquanto doutor privado e apenas em seus ditos e escritos particulares” – Bouix, ensinamento extraído do Capítulo IV, Terceira Sentença, do Livro de Arnaldo Xavier.

    Portanto, o ensinamento do teólogo acima não se aplica aquilo que vivemos nos dias atuais. Você citou Salaverri e Dublanchy. Ora, Joaquín Salaverri, em seu tratado sobre a Igreja, ensina exatamente isso o que eu lhe digo, apoiando-se em uma obra de Dublanchy:

    “Pío XII nos dice sin restricción alguna de las Encíclicas pontificias, que son actos del Magisterio ordinario y que de suyo exigen el asentimiento de la mente; legítimamente podemos concluir, pues, que en ellas deben ser tenidas como enseñanzas infalibles del Magisterio ordinário todas aquellas afirmaciones que imponen con obligación absoluta de fe católica. (…) Si pues la Iglesia ejerce su infalibilidad de dos modos, uno extraordinario y el otro ordinário; debemos admitir que también el Papa la puede ejercer de esos mismos dos modos. De lo contrario se seguiría que esa potestad del Papa era, al menos en el modo de su ejercicio, más restringida que la de la Iglesia; lo cual no se puede conciliar con el hecho de que el Papa es quien en la Iglesia tiene la plenitud de la suprema potestad en todos los órdenes” – Joaquín Salaverri, De Ecclesia, n. 645-649. Cf. E. Dublanchy, Dict. Théol. cath. 7, 1705; M. Labourdette, Rev. Thom. 50 (1950) 38. – Joaquín Salaverri de la Torre, S. J., Valor de las Enciclicas a la luz de la “Humani generis”, Miscelanea Comillas 17 (1952) 135-171, 513-532; cit. p. 156-157 e nn. 120-122

    E você citou Hervé, que nos ensina o seguinte:

    “A Igreja ‘deixaria de ser santa’, e, portanto, ‘deixaria de ser a verdadeira Igreja de Cristo’ caso ‘preceituasse a todos os fiéis, através da sua suprema autoridade, algo contra a fé e os bons costumes’ – Hervé – Man. Theol. Dogm., vol. I, p. 508 e 510.

    Sobre as palavras de Taiguara citadas por você, concordo com ele: realmente, a diplomacia não está acobertada pela infalibilidade.

    Finalizo com a sua afirmação onde é dito ser um “fato” que, historicamente, o Magistério Ordinário já cometeu erros. Gostaria que você citasse pelo menos um destes erros, para que possamos analisá-lo. Mas mesmo que isso seja verdadeiro, podemos ainda apresentar alguns teólogos ensinando que, se Deus permitisse um erro em um documento magisterial, este erro teria que ser pequeno, supérfluo, acidental, não vinculado a fé e nem a essência da doutrina apresentada no documento. Em outras palavras: eles ensinam que ainda que concedendo que possa acontecer um erro em um documento magisterial este erro teria que ser “bobo” e jamais desviaria os fiéis para o abismo.

    Além disso, eles ensinam que o tal erro necessariamente seria pontual, circunstancial, e se ele de fato ocorresse rapidamente seria corrigido, não comprometendo jamais a infalibilidade “global” do Sumo Pontífice.

    Viu como a fé católica está muito longe daquilo que vem sendo ensinado pelo tradicionalismo? Finalizo com o Papa Pio XII, também citado por você, que defendeu uma espécie de infalibilidade também para os documentos magisteriais propostos de maneira ordinária, não “ex-catedra” (depois podemos falar sobre isso, a diferença da infalibilidade positiva, nos documentos “ex-catedra”, da infalibilidade negativa, nestes documentos ordinários:

    “(…) Nem se deve crer que os ensinamentos das Encíclicas não exijam per se o assentimento, sob o pretexto de que os Pontífices não exercem nelas o poder de seu Supremo Magistério. Tais ensinamentos fazem parte do Magistério Ordinário, para o qual também valem as palavras: “Quem vos ouve, a mim ouve” (Lc 10,16) – Papa Pio XII – Humani Generis

    Abraços,

    Sandro Pelegrineti de Pontes