Dom João Wilk, bispo de Anápolis, divulga Nota de Repúdio a ADPF 442 em juízo no STF.

A Diocese de Anápolis (GO), por seu Bispo Diocesano abaixo assinado, Dom João Wilk, OFMConv., vem fazer eco à “Nota da CNBB pela vida, contra o aborto”, de 11 de abril de 2017, para manifestar sua apreensão diante da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 442, proposta pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), solicitando que os artigos 124 e 126 do Código Penal, que incriminam o aborto, sejam “interpretados” de modo que se exclua “do seu âmbito de incidência a interrupção da gestação induzida e voluntária realizada nas primeiras 12 semanas”. O que esse minúsculo partido, autor da ADPF 442, pretende é obter o que jamais obteve no Congresso Nacional através do processo legislativo: a legalização do aborto até três meses de vida intrauterina.

Cite-se a referida nota da CNBB: essa é uma atitude que, “atropelando o Congresso Nacional, exige do Supremo Tribunal Federal-STF uma função que não lhe cabe, que é legislar”. Além de ser condenável pelo seu conteúdo – a pretensão de legitimar um “crime abominável, vergonha para a humanidade” (São João Paulo II) – a ADPF 442 é particularmente repugnante por causa do meio que pretende usar para a obtenção de seu fim. De fato, nenhum dos onze Ministros da Suprema Corte foi eleito por voto popular. Todos têm mandato vitalício e não dependem dos eleitores para se manterem no poder. Daí resulta que, se o Tribunal atribuir a si a tarefa de “reinterpretar” a Constituição de modo a decidir arbitrariamente que ela não protege a vida do nascituro concebido até três meses, a população brasileira sofrerá um golpe. Onze juízes terão decidido, por sua própria conta, algo frontalmente contrário ao desejo da grande maioria do povo: que o aborto deve ser legal no primeiro trimestre. Isso será um golpe no Estado de Direito, na separação e harmonia dos Poderes da União e no exercício da cidadania.

Diz-se que o Supremo Tribunal Federal se vê “obrigado” a suprir uma “omissão” do Congresso Nacional sobre o aborto. Não é verdade. Pois o Congresso não tem sido omisso quanto a esse tema. Ao longo dos anos, sua decisão tem sido constante: uma resposta negativa à proposta de legalizar tal crime. Se os representantes do povo disseram “não” ao aborto, que direito têm os juízes da Suprema Corte de dizerem “sim” a essa nefanda prática?

É repudiável não apenas um absurdo possível julgamento favorável à ADPF 54. É vergonhoso o próprio fato de o Tribunal não ter indeferido liminarmente o pedido, mas ter-se considerado competente para decidir sobre a questão!

A invasão crescente da competência dos outros Poderes, em especial o Legislativo, pela Suprema Corte tem contribuído para aumentar a desconfiança popular nas autoridades constituídas. A sensação de caos e insegurança jurídica não cessará enquanto o STF persistir em reformar a Constituição a seu bel-prazer em vez de exercer sua função de guardião da Carta Magna (cf. art. 102, caput, CF).

Esta Diocese, cuja padroeira é Santa Ana, mãe da Virgem Maria, a Mãe do Salvador, conclama seus diocesanos a unirem-se em oração e a se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humana. Esta é literalmente uma questão de vida ou morte.

Anápolis, 09 de julho de 2018.

Dom João Wilk
Bispo Diocesano

7 Comentários to “Dom João Wilk, bispo de Anápolis, divulga Nota de Repúdio a ADPF 442 em juízo no STF.”

  1. Triste de ver.
    A Igreja mandava, agora pede.

    Tanto fez a hierarquia para despojá-la de seu poder, que agora um bispo está a brandir o infame argumento da democracia para ver se consegue alguma coisa, e é óbvio que não conseguirá nada, pois as piores concessões já foram feitas; passar o aborto é apenas um efeito. Antes já passou o divórcio, o estado laico, a liberdade religiosa, o casamento de pessoas do mesmo sexo, etc etc.
    Não coloco minha esperança em STF, em estado democrático e nem nessa hierarquia católica de joelhos para os sequazes do demônio. Espero em Deus, somente em Deus, e na promessa de Nossa Senhora de Fátima. Espero que a Igreja volte a ser o luzeiro de sempre.

  2. Esse mesmo clero que instigou os fiéis, via Teologia da Libertação, a votar nesses candidatos socialistas, que por sua vez aparelhou o Judiciário e o Ministério Público brasileiro; agora vem a público repudiar o que eles mesmos provocaram.

  3. É bom notar que os conspiradores e revolucionarios do PT quando no poder, amparados por omissão e/ou conivencia da direção da CNBB, sem que nos conste reação de grupos de bispos organizados se opondo a ela, apenas casos pontuais, jamais advertiu o povo católico de refletir antes de eleger partidos socialistas citando-lhe os nomes, como PT-PSDB, PC do B, PDT, PSOL, PSTU, PSB, Rede, PV etc. – e especialmente os comunistas pois são material-ateístas, abortistas, caso do monstruoso PT – a repulsiva ‘ndranghetta possuidora do aborto como programa oficial de governo.
    Igualmente, mesmo sabendo que Lula era comunista, abortista e material-ateísta, bem mais de 500 pastores protestantes das mais importantes seitas aderiram à causa dos filhos do Dragão cor de fogo e ainda varios teriam agradecido a ele por até os dízimos terem aumentado com o Bolsa-Familia aliás, quanto “desapego” pelo $enhor deu$ dinheiro!
    Quando em sua gestão, o PT aparelhou diversos segmentos do judiciario de petistas disfarçados de juízes e outros para defender a causa da facção, caso Tóffoli, o qual foi alçado ao cargo por forte adesão à ideologia – era advogado da quadrilha – não por méritos pessoais por não levarem em conta, hoje fazendo diabruras para a gang PT, embora sob fortíssima pressão nas redes, havendo abaixo-assinados, como o jurista Modesto Carvalhaes para o retirarem, extirparem certos ditadorezinhos do STF e ainda acabarem com a vitaliciedade do cargo, alijando os vocacionados a déspotas, querendo colocar leis anti povo atendendo os globalistas-comunismo-internacional-maçonaria-NOM!
    Sabemos que os comunistas são como possessos e não desistem nunca, são diabólicos no continuo empenho para instaurarem o reino de Satã-NOM nesse mundo, portanto, além de ações, necessitam-se orações para dispersarem essas falanges.
    Como conseguiram todos os acima estarem por quase 14 anos sob as patas dos filhotes de Satã sem rebeldia, muito restrita a alguns, especialmente os nossos, pois os das seitas são relativistas – muito estranho! Hoje, aumentando o caos, não é que até o papa Francisco lhe daria alento, recebendo-os no Vaticano como se fossem irmãos na fé?

  4. Corre o risco de receber uma “correção fraterna” de Francisco…

  5. Quando a Igreja diz para os cristãos se envolverem com a política não é para os clérigos se tornarem candidatos, cabos eleitorais, “puxa saco” de entes políticos para angariar favores para a paróquia ou obras sociais, isso não. O cristão se envolver em política é defender piamente, sem respeito humano o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Hoje com o mundo virtual, é fácil ter acesso a cenas constrangedoras de membros da Igreja, leigos e clérigos, se amasiando ao mau. Bem sabemos que o mundo jaz no maligno, os sistemas governamentais e estatais não são diferentes, esses são compostos por ateus, maçons, hereges, inimigos ferrenhos de Deus Nosso Senhor. Cabe a nós cristãos marcar território, ou melhor fazer com que o reinado Nosso Senhor seja defendido e imposto na sua própria criação. Sem dúvida alguma notas, manifestações de membros da Igreja devem ser feitas, mas é preciso atos pois sem obras, as boas intenções são mortas. O Judiciário, como poder moderador, poder de garantir a perfeita interpretação das leis, pelo menos isso ensina o Direito, não tem o poder de mudar regras, que no campo legislativo foram aprovadas. Assim como o executivo por mais boa intenção que tenha, é refém das normas já estabelecidas. Aí entra o papel do cristão, diz o texto constitucional que o poder emana do povo, e em nome do povo é exercido, ora sabemos que todo o poder emana de Deus, é Ele Senhor e Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, logo, nós cristãos devemos fazer com que o nosso Deus seja respeitado. As devemos fazer representar no parlamento por membros que lutem pelo restabelecimento da vontade de Deus Nosso Senhor. Estamos em ano de eleições gerais, infelizmente não temos cristãos verdadeiros ( entenda-se cristão verdadeiros e católicos são sinônimos, embora haja essa ideologia de protestantes serem cristãos, isso é só para livros de história, de estudos de religiões) para serem eleitos e lutarem pelo reinando de Nosso Senhor no campo do inimigo. É impossível que pelo número de Católicos, segundo o IBGE e até mesmo os dados da própria CNBB, não se consiga ao menos um deputado federa em cada estado, um senador, afinal são eles que apresentam as leis, votam, e caso o presidente seja do contra, eles por meio do Congresso podem aprovar. Ao Judiciário caberá apenas obedecer as regras e caso seja inconstitucional, poderá ser votado uma emenda a CRFB. Enfim, temos que nós concentrar no legislativo, claro que o executivo é importante, mas sem o apoio do legislativo, nada poderá ser feito. Embora haja consenso entre católicos e protestantes contra o aborto, a ideologia de gêneros e outras pontos fundamentais, não se pode confiar tanto assim nessa sorte, infelizmente até entre os cristão surge grupos que usam esse nome para ser revoltar contra Deus. Temos aí igrejas que celebram casamentos de pessoas do mesmo sexo, outras que lutam pelo direito de decidir, no caso ao aborto, a legalização de drogas, etc. Coloquemos nossos joelhos no chão, e rezemos para Deus Nosso Senhor suscitar políticos, servidores públicos, empresários, enfim suscitar pessoas verdadeiramente cristãs para defender seus direitos na política, seja no legislativo (principalmente), executivo, judiciário, no campo acadêmico, etc. E principalmente também dentro da sua Igreja, pois infelizmente a quantidade de maus cristãos fazem um estrago tremendo para as almas. Que Nossa Senhora do Carmo interceda a Deus por nós.