Cardeal Burke: É ‘lícito’ pedir a renúncia do Papa Francisco.

Por Gerard O’Connel, America Magazine, 29 de agosto de 2018 | Tradução: FratresInUnum.com – Questionado se seria errado pedir a renúncia do Papa Francisco, como fez o antigo núncio nos Estados Unidos, Dom Carlo Maria Viganò, em sua carta de 11 páginas, o Cardeal Raymond L. Burke respondeu: “Eu não posso dizer que é errado”.

“Posso dizer apenas que, ao se chegar a este ponto, é necessário investigar e responder a respeito. O pedido de renúncia é, em todo caso, lícito; qualquer um pode fazê-lo diante de qualquer pastor que erra gravemente no cumprimento de seu ofício, mas os fatos precisam ser verificados”, afirmou ele em uma entrevista publicada nesta manhã no La Repubblica, o maior jornal diário da Itália.

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“Fiquei profundamente abalado, porque todo o documento é gravíssimo”, disse o Cardeal Burke. “Tive que lê-lo diversas vezes, porque a primeira leitura me deixou sem palavras. Creio que neste ponto é necessário um relatório objetivo e completo da parte do Papa e do Vaticano”.

Quando observado que, enquanto Viganò contestava a atuação do Papa Francisco no caso McCarrick, ele ignorava a forma com que João Paulo II e Bento XVI trataram as alegações contra o ex-cardeal durante os seus pontificados, o Cardeal Burke respondeu: “Não posso fazer um juízo sobre o mérito. Apenas posso dizer que, aqui também, é necessária clareza, ao se debruçar por todos os documentos a fim de chegar à verdade”.

Comentando o fato de que a carta de dom Viganò afirma que há cardeais e bispos que desejam mudar a doutrina da Igreja acerca do homossexualismo, o Cardeal Burke declarou: “Sim, há tentativas de relativizar o ensinamento da Igreja segundo o qual um ato homossexual é intrinsecamente mau”. Ele recordou a primeira sessão do Sínodo dos Bispos sobre a Família, “onde foi apresentada a ideia de que a Igreja deveriam reconhecer os elementos positivos em uma relação homossexual”. Mas, ele acrescentou”, tudo isso não pode ter aspectos positivos”. Ademais, ele descreveu como “um problema” o “apoio que homens da Igreja dão ao jesuíta James Martin, que tem uma posição ‘aberta’ e errada sobre a homossexualidade”.

Ele prosseguiu, observando que “os dados mostram que a maior parte de abusos sexuais cometidos por padres são, na realidade, atos homossexuais cometidos contra jovens”.

O Cardeal Burke declarou: “Creio que uma pessoa homossexual não pode ser ordenada padre, porque ela não está apta a exercer profundamente a paternidade que isso requer. Ele deve possuir todas as características para ser um pai”.

Ele insistiu na entrevista que não é “um antagonista” de Francisco e que “não tem nada pessoal contra o papa”. Ele explicou: “Eu tento simplesmente defender a verdade da fé e a clareza da apresentação da fé”.

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Ele reconheceu na entrevista que contesta o magistério do Papa Francisco, por exemplo, “no fato de que pessoas em pecado mortal se apresentem à Comunhão. Ou que não-católicos possam recebê-la em certas circunstâncias, além do que já é a disciplina da Igreja. Não é possível”.  […]

4 Comentários to “Cardeal Burke: É ‘lícito’ pedir a renúncia do Papa Francisco.”

  1. “Os fatos precisam ser verificados”. Endente-se perfeitamente esta observação do Cardeal Burke. Feita a verificação dos fatos com provas irrefutáveis (documentadas), só assim o papa ver-se-ia na obrigação de renunciar, mas obrigação vinda dele mesmo e não de fora. Antes, porém, apenas com pressão de muitos pedidos de renúncia o papa não renunciará, mesmo porque tal renúncia seria inválida e haveria no caso um perigo de cisma na Igreja. Assim sendo, uma das duas coisas deverá ser feita: ou o Papa Francisco, desminta com argumentos irrefutáveis as acusações gravíssimas que lhe são feitas, ou tais acusações deverão ser confirmadas com documentos apodíticos e testemunhas fidedignas. No primeiro caso, ele, caso seja inocente, tem obrigação de o fazer para evitar o escândalo das almas; no segundo caso, pela lei, ele pode renunciar ou não, mas diante de Deus sua consciência levá-lo-ia a se retirar para não prejudicar as almas pelas quais Jesus morreu na cruz.
    Aqui não entro na questão se a eleição de Francisco teria sido válida ou não. É outra questão, e, enquanto não se prove o contrário, ele é o Papa.

  2. ” Feita a verificação dos fatos com provas irrefutáveis (documentadas)…”, será que o padre pensa que o infrator documentou a sua infração?

  3. Enfim: Burke é um dos que tem medo.

  4. Realmente não penso que o infrator vá documentar a sua infração, mas devemos refletir que as infrações podem ser documentadas, mau grado do infrator. Daí a necessidade de se fazer a investigação. Há documentários fotográficos e, melhor ainda, de filmagens que os infratores ostentados nos mesmos nunca gostariam que existissem (para dar um exemplo: na queda da ponte de Gênova que vitimou dezenas de pessoas, todo mundo viu fotografias da ponte tiradas uma semana antes que provam suficientemente a grande culpa dos encarregados da ponte).
    “Quando observado que, enquanto Viganò contestava a atuação do Papa Francisco no caso McCarrick, ele ignorava a forma com que João Paulo II e Bento XVI trataram as alegações contra o ex-cardeal durante os seus pontificados, o Cardeal Burke respondeu: “Não posso fazer um juízo sobre o mérito. Apenas posso dizer que, aqui também, é necessária clareza, ao se debruçar por todos os documentos a fim de chegar à verdade”. Todas a pessoas de bom senso reconhecem a grande prudência do Cardeal Burke:”…aqui também, é necessária clareza, ao se debruçar por todos os documentos a fim de chegar à verdade”.
    Na verdade: “Quod gratis affirmatur, gratis negatur”. Quem se vê em consciência obrigado perante Deus a fazer denúncias de coisas graves contra a Autoridade máxima da Igreja, o Papa, é óbvio que tem que apresentar provas, enfim, todos os documentos que existem a respeito. Na míngua de documentos o Código de Direito Canônico ordena empregar em casos de grave necessidade (p. ex. para não colocar algum sacramento em risco de nulidade, quando a lei máxima da Igreja que é a salvação das almas entre em jogo) o juramento sacro invocando o nome de Deus. Por isso disse D. Schneider: “Ademais, Dom Viganò confirmou sua declaração por meio de um juramento sacro invocando o nome de Deus. Não há, portanto, motivo razoável e plausível para duvidar da veracidade do conteúdo do documento do Arcebispo Carlo Maria Viganò”. Aliás D. Viganò não fez o juramento, mas se disponibilizou a fazê-lo caso o Papa lho exigisse. Francisco, porém, não o exigiu. Por que será? O papa também não fez tal juramento, juramento este não só cabível, mas também necessário para o maior bem das almas. Acusações graves não podem ser tratados assim com leviandade! Nem se trata de defender a própria pessoa mas a Autoridade de que está revestida. Escândalos deste jaez, máxime, vindos de eclesiásticos, são os mais prejudiciais às almas.