Viganò foragido diz: “Eu não sou o corvo”. Eu quero apenas a verdade.

Nota do editor de 1Peter5: A entrevista a seguir é entre o arcebispo Carlo Maria Viganò, agora mundialmente famoso por seu testemunho explosivo, e Aldo Maria Valli, o repórter com quem Viganò originalmente planejou a publicação de suas alegações contra o Papa Francisco e vários cardeais do Vaticano. Para os detalhes da aventura de como o relatório do arcebispo Viganò veio a se concretizar, clique aqui. [No FratresInUnum.com, aqui

Por OnePeterFive | Tradução: Paulo Frade – FratresInUnum.com

Monsenhor, como está o senhor?

Graças a Deus, eu estou indo muito bem, com grande serenidade e paz em minha consciência – esta é a recompensa da verdade. A luz sempre conquista a escuridão. Não pode ser suprimida, especialmente para quem tem fé. Portanto, tenho muita fé e esperança pela Igreja.

Como o senhor julga as várias reações à publicação do seu testemunho?

Como você sabe, as reações são contraditórias. Há aqueles que não conseguem parar de procurar lugares para extrair veneno para destruir minha credibilidade. Alguém até escreveu que eu fui hospitalizado duas vezes com tratamento compulsório (TSO) por uso de drogas. Existem aqueles que acreditam em conspirações, enredos políticos, tramas de todo tipo, etc., mas há também muitos artigos de apreciação, e eu tive a chance de ver mensagens de padres e pessoas fiéis que estão me agradecendo, porque meu testemunho tem sido para eles, um vislumbre de nova esperança para a Igreja.

Qual é a sua resposta àqueles que nessas horas estão objetando que você deve ter motivos de rancor pessoal contra o papa, e que é por essa razão que o senhor decidiu escrever e circular seu testemunho? 

Talvez porque eu seja ingênuo e acostumado a sempre pensar bem das pessoas – mas acima de tudo eu reconheço que este é de fato um presente que o Senhor me deu – eu nunca tive sentimentos de vingança ou rancor em todos esses anos quando fui colocado à prova por tantas calúnias e falsidades faladas contra mim. Como escrevi no início do meu testemunho, sempre acreditei que a hierarquia da Igreja deveria ter encontrado em si os recursos necessários para sanar toda a corrupção. Também escrevi isso em minha carta aos três cardeais designados pelo papa Bento XVI para investigar o caso do Vatileaks, uma carta que acompanhava o relatório que os dei. “Muitos de vocês” – escrevi – “sabiam, mas vocês permaneceram em silêncio. Ao menos agora que vocês receberam essa designação de Bento XVI, tenham a coragem de relatar com exatidão o que foi revelado a vocês sobre tantas situações de corrupção ”.

Por que o senhor decidiu publicar e divulgar seu testemunho? 

Falei porque agora, mais do que nunca, a corrupção se espalhou para os níveis mais altos da hierarquia da Igreja. Pergunto aos jornalistas: por que eles não estão perguntando o que aconteceu com o acervo de documentos que, como vimos, foram entregues em Castel Gandolfo ao papa Francisco do Papa Bento XVI? Isso foi tudo inútil? Teria sido suficiente ler o meu relatório e a transcrição que foi feita do meu depoimento perante os três cardeais encarregados da investigação do caso Vatileaks (Julian Herranz, Jozef Tomko e Salvatore De Giorgi), a fim de começar a fazer uma limpeza na Cúria. Mas você sabe o que o Cardeal Herranz me disse quando o chamei de Washington, preocupado que tanto tempo havia passado desde que a comissão de investigação foi nomeada pelo papa Bento XVI e ainda ninguém havia me contatado? Nós estávamos conversando juntos, e eu disse a ele: “Você não acha que talvez eu também tenha algo a dizer sobre minhas cartas, que foram publicadas sem o meu conhecimento?” Ele respondeu para mim: “Ah, se você realmente quer.”

Como o senhor responderia àqueles que estão dizendo que você é um “corvo” ou um dos “corvos” na origem do caso do Vatileaks?

Eu sou um corvo? Como você viu com meu testemunho, costumo fazer coisas à luz do dia! Na época, eu estava em Washington e definitivamente tinha outras coisas para me ocupar. Por outro lado, sempre foi meu hábito mergulhar completamente em minha nova missão. Foi o que fiz quando fui enviado para a Nigéria: não lia mais as notícias italianas – tanto é que, depois de seis anos, quando fui chamado para trabalhar na Secretaria de Estado por São João Paulo II, levei vários meses para me reorientar, apesar de já ter trabalhado na Secretaria de Estado por onze anos, de 1978 a 1989.

Como responderia àqueles que afirmam que o senhor foi expulso da Governadoria e que, por causa disso, você teria sentimentos de rancor e vingança?

Como já disse, o rancor e a vingança não são sentimentos que eu tenho. Minha oposição em deixar meu posto na Governadoria foi motivada por um profundo sentimento de injustiça de uma decisão que eu sabia não corresponder à vontade do Papa Bento XVI, da qual ele próprio me havia dito. Para me expulsar, o cardeal Bertone havia cometido uma série de graves abusos de sua autoridade: dissolvera a primeira comissão de três cardeais nomeada pelo papa Bento XVI para investigar as graves acusações feitas por mim como secretário-geral e pelo vice-secretário-geral, monsenhor Giorgio Corbellini, sobre os abusos cometidos pelo monsenhor Paolo Nicolini; em lugar desta comissão de cardeais, ele criou uma comissão disciplinar, alterando em sua constituição a comissão institucional da Governadoria; Ainda antes de criar essa comissão, ele havia me chamado para me dizer que o Santo Padre havia me nomeado núncio de Washington. Não obstante o fato de a comissão disciplinar ter decidido, em 16 de julho de 2011, demitir o monsenhor Paolo Nicolini, ele anulou de maneira abusiva essa decisão e impediu que ela fosse publicada. Ao fazer isso, ele me impediu de continuar o trabalho de sanar a corrupção presente na administração da Governadoria.

Como responderia àqueles que falam de sua “fixação” em se tornar um cardeal e que afirmam que você está atacando o papa porque não recebeu essa honra?

Posso afirmar com toda a sinceridade perante Deus que rejeitei a oportunidade de me tornar cardeal. Depois da minha primeira carta ao Cardeal Bertone, que enviei ao Papa Bento XVI para que ele pudesse fazer o que bem entendesse, o Papa Bento XVI me convocou e me recebeu em uma audiência em 4 de abril de 2011 e imediatamente me disse estas palavras: “Acredito que a tarefa em que você pode servir melhor a Santa Sé é como presidente da Prefeitura de Assuntos Econômicos, em lugar do cardeal Velasio De Paolis. Agradeci ao papa pela confiança que ele me mostrara, e acrescentei: Santo Padre, por que você não espera seis meses ou um ano? Porque, se você me promover agora, a equipe que teve fé em mim e trabalhou para remediar a situação na Governadoria será imediatamente dispersa e perseguida (como de fato aconteceu). Eu também adicionei outro argumento. Dado que o cardeal De Paolis havia sido nomeado apenas recentemente para lidar com a situação delicada dos Legionários de Cristo (o cardeal De Paolis havia me consultado antes de aceitar essa designação), eu disse ao papa que seria melhor se ele continuasse a ter uma posição institucional que lhe daria maior autoridade como pessoa como também com o seu trabalho com os Legionários. No final da audiência, o Papa Bento XVI disse-me mais uma vez: “No entanto, continuo achando que a posição em que melhor pode servir a Santa Sé é como presidente da Prefeitura de Assuntos Econômicos”. O Cardeal Re pode confirmar esta história. Assim, renunciei a ser cardeal para o bem da Igreja.

E àqueles que envolvem sua família nesse assunto falando da “saga” sob a bandeira de ter grandes interesses econômicos?

Em 20 de março de 2013, meus irmãos haviam preparado uma declaração para a imprensa, cuja publicação eu me opunha para evitar envolver toda a família. Como a acusação do meu irmão Lorenzo agora está sendo repetida – isto é, que menti ao Papa Bento XVI escrevendo-lhe pedindo licença para cuidar do meu irmão doente – decidi tornar público este comunicado. Ao lê-lo, fica evidente que senti uma séria responsabilidade moral de cuidar e proteger meu irmão. (Quem estiver interessado em se aprofundar neste último ponto pode ler aqui o texto do comunicado, que foi redigido em março de 2013 por vários dos irmãos de Viganò em sua defesa.) Esta entrevista foi traduzida por Giuseppe Pellegrino. O italiano original pode ser encontrado no site do Aldo Maria Valli.

3 Comentários to “Viganò foragido diz: “Eu não sou o corvo”. Eu quero apenas a verdade.”

  1. Viganò, um homem de grande virtude. Evidentemente que faria, como evidentemente fez, parte do “pequeno grupo de soldados” escolhidos por Bento XVI para iniciar o plano de contingência. Só que os revolucionários do bem não foram felizes em sua empreitada no seio do “território ocupado” pelos obstinados inovadores…Apenas inovadores? Não! Aí de mim! Vou dizer! Obstinados e inovadores apóstatas! Meus Deus, quão insondáveis são vossos juízos!

    Contudo, sendo objetivo, a tática de destruição de reputações está em marcha tendo como alvo Viganò. Lógico, como defender o indefensável? Mudando o foco, desviando, inoculando a dúvida, a confusão. E o pior é que tal estratégia pode dar certo. A historia de Babilônia o demonstra com robustez de exemplos.

    Porém, o que me inquieta de verdade, a tragédia real consiste no fato de que a maioria absoluta dos batizados católicos segue enredada numa teia de mentiras e falsidades, incapazes de, por força e vontade próprias, motivarem-se (e movimentarem-se) na busca da verdade.

  2. VIGANÒ DECLAROU SEU AMOR POR McCARRICK EM DISCURSO

    Durante o período em que McCarrick supostamente estava sancionado, o arcebispo Viganò foi visto várias vezes a seu lado, simpático e sorridente. Celebrou missa com ele (em maio de 2013) e – pasmem! – fez até um discurso lhe fazendo elogios.

    Sim! Viganò, que se mostra tão indignado com os abusos de McCarrick, fez praticamente uma declaração pública de amor a ele, em maio de 2012 – seis meses após Viganò ter recebido de Bento XVI o suposto aviso sobre a sanção ao cardeal.

    A declaração fofa de Viganò a McCarrick aconteceu em uma festa de gala em homenagem ao cardeal, em um hotel de Manhattan. Confiram no vídeo abaixo: Viganò diz em alto e bom som a McCarrick: “Você é muito amado por todos nós!”. Ah… Que meigo!

    *Vejam só: http://ocatequista.com.br/saiu-na-imprensa/item/18215-os-furos-nas-acusacoes-de-vigano-contra-o-papa-francisco

    Como Viganò teve estômago para fingir afeto e admiração por um abusador de jovens? Especialmente um abusador supostamente sancionado pelo Papa… Como Viganò pôde MENTIR – fazer teatro, fingir – para o público daquela maneira?

    Por que Viganò não inventou uma dor de barriga, por que não alegou um compromisso imprevisto para evitar estar presente no evento em homenagem ao cardeal McCarrick?

    Isso não faz sentido! Ou Viganò não estava dando importância para o desrespeito às supostas sanções de Bento XVI, ou essas sanções nunca existiram de fato.