A dialética de Francisco: o caso americano e o ataque ao celibato.

Por FratresInUnum.com, 17 de setembro de 2018 — Um dos problemas dos analistas católicos é a sua incapacidade de assimilar o modo dialético de pensar, sempre subestimando-o como uma incoerência entre doutrina e prática, sem perceber que a contradição é como que a gramática do movimento revolucionário e que aproveitar as contradições sistematizando-as numa unidade de ação é a sua psicologia essencial.

francisco fidelPara um revolucionário, por exemplo, não existe a verdade factual, mas apenas a verdade do processo revolucionário como um todo, que ressignifica os fatos de acordo com a sua conveniência. Há apenas uma coerência para eles, a coerência do processo, não dos dados pontuais que o compõem.

As teologias revolucionárias, como a teologia da libertação ou a teologia do povo (da qual é signatário Jorge Mário Bergoglio), partem do mesmo paradigma: o “Reino de Deus”, vale dizer, a sociedade organizada segundo os moldes socialistas, é a direção para a qual caminha a história da humanidade (direção um tanto difusa, para não dizer confusa, cujos contornos concretos nunca ninguém absolutamente descreveu) e ao seu serviço está a Igreja, a qual deve moldar segundo a unidade deste processo a sua liturgia, os seus dogmas, a sua moral etc.

Ora, quando é conveniente com o processo assumir ares de moralidade sexual, o movimento revolucionário nunca hesitou em condenar, por exemplo, a prática da homossexualidade (W. Reich), quando, por outro lado, nunca deixou de fomentar a anarquia sexual generalizada. A mudança é de ênfase, mais do que de conduta, sempre obedecendo à coerência do “partido”.

Esta é exatamente a movimentação que observamos no cenário eclesiástico atual. Enquanto os católicos americanos dão a vida para denunciar a máfia gay cujos tentáculos chegaram ao Vaticano com escandalosos acobertamentos de abusos sexuais, psicológicos e de autoridade impetrados por bispos e cardeais, os revolucionários já sabem exatamente como usar isso em seu favor: atacando o celibato sacerdotal.

À beira do Sínodo da Amazônia, nunca um escândalo sexual de proporções internacionais poderia ser tão conveniente. O silêncio do papa argentino é apenas sinal da artimanha que está sendo orquestrada. Ele não se defende porque quer ser acusado para dar justamente a resposta que toda a mídia está esperando, a ordenação dos homens casados.

A ingenuidade dos analistas europeus e anglo-saxões está a anos-luz de saber lidar com a malandragem latino-americana de um revolucionário que está obstinadamente submetendo a Igreja às finalidades do movimento socialista. Inclusive, enquanto for útil para o processo continuar no pontificado, ele continuará e não cederá a nenhuma pressão, prosseguindo no aparelhamento esquerdista de toda a máquina eclesial. Quando for útil, ele renunciará, para sair do trono mais forte e tornar a sua revolução mais inexpugnável.

Existe uma saída humana para este nível de tirania? Não o sabemos. A estabilidade do papado é politicamente muito grande e, por isso, a desgraça de um revolucionário tão empoderado da psicologia socialista no sólio de Pedro está longe de ser entendida em sua totalidade por quem não compreenda a estrutura lógica do problema.

Contudo, sabemos que a Igreja é divina e que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Como se dará este desfecho? Só a Divina Providência o sabe. De nossa parte, cabe-nos apenas a fidelidade à doutrina católica, a oração e a resistência aberta e decidida. E deste dever ninguém poderá nos demover!

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7 Comentários to “A dialética de Francisco: o caso americano e o ataque ao celibato.”

  1. Texto muito esclarecedor…
    Q tenhamos atenção… estar com os joelhos no chão para q essa desgraça nao aconteça na Igreja !
    Eles querem a tdo custo tirar o celibato ..sacerdotal

    oremos…

  2. O Bispo aqui da minha Diocese, Santo André, ABC paulista que já teve como Bispo o Cardeal Dom Cláudio Hummes, quando ainda era coroinha há uns 40 anos e poucos mais anos e meu pai e avô malufistas…nunca fui malufista mas criado na doutrina liberal de Reagen e Thatcher…Qual país queremos pro futuro? Ainda sobre meu Bispo, tem seus méritos, mas uma carta pro Papa Francisco em destaque no site da Diocese denuncia um conluio. Acessem o site e leiam a carta…meu Deus… consagrei meu primogênito varão pra servir a Igreja diante de Nossa Senhora no seu Batismo. Não estamos no Nordeste, que eu conheço mais ou menos bem, nada de madrinha de consagração…minha família é caótica…resolvi eu mesmo apadrinhar meu filho. Como isto? Namorar? Se depender da minha família “católica”, vai namorar e se satisfazer da carne…Mas o pai está aqui…quer algo mais elevado? Celibato é uma riqueza na Igreja…a força sexual é linda no combate da carne contra o espírito…que vença o melhor…torço pro Nosso Senhor Jesus Cristo.

  3. Agindo desde há muito tempo como se posicionou a materia do post correlacionado às movimentações das trapaceiras esquerdas, já estamos até reconhecidos pelo proprio papa Francisco de nossa existencia, apesar de um grupo muito minoritario, obstinado de nos deixarmos dobrar pelo socialismo da “Lavagem Cerebral”, o qual faz das mentes seus fantoches para uso da ideologia – aqui não teve, tem ou terá vez e voz – vão baixar noutro centro!
    Até ao contrario, vivemos censurando e as denunciando, como editoras “católicas, caso da Paulus, com o O DOMINGO, mensagens socialistas a rodo; entao certos dias das preces comuniStarias, de ponta a ponta, de como dar veneno ao povo em cápsulas adocicadas e sabor de quero-mais!
    Os esquerdistas sacerdotes da TL nas paroquias, para ela, “agentes de transformação”, em décadas foram à Gramsci mudando o pensamento do povo para o socialismo e, sob esse conceito imanentista por mentes vazias de fé cristã transcendental, baseia-se o socialismo mundanista de cabeças ocas de fé, embora repletas de esterco marxista, pouco se diferindo de animais irracionais e seus comportamentos da mínima sobrevivencia – e nada mais.
    Evidente que todo esse processo de degradação da doutrina da Igreja católica se deu via centenas de agentes retrocitados infiltrados na Igreja, das esquerdas-maçonaria – os mesmos que hoje estão dentro do Vaticano, os que conspiram contra a Igreja e que serão varridos quando assim o Cristo Jesus o achar na hora exata – tem a eternidade para os castigar – por ora num calvario previsto desde há tempos mais para os tempos do fim, do falso reino dos pró mundanismo, modernismo, gayzismo, socialismo, anticelebatarios e muitos mais “anti” eclesiais! Que depois esses bandos de relativistas, perversores, falsos profetas e todos os sectarios paralelos à Igreja se exceções se expliquem no Juízo Final – se o conseguirem!
    “Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos. Vivemos em completa penúria, mas não desesperamos. Somos perseguidos, mas não ficamos desamparados. Somos abatidos, mas não somos destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo”. 2 Cor 4 8-10.

  4. Adendo: “Que depois esses bandos de relativistas, perversores, falsos profetas e todos os sectarios paralelos à Igreja seM exceções se expliquem no Juízo Final – se o conseguirem!

  5. S e o que foi escrito nesse artigo realmente for o que papa está pensado, essa logica do papa francisco
    me perdoa a palavra é diabólica, é usar um mal para obter um mal maior.

  6. O que é mais lamentável nisso tudo, e comprometedor, é o fato de a maioria do clero não se empenha em esclarecer os fieis. Estão sufocados pela superstição obediencialista e pela desinformação (os mais burros) ou pela má fé e covardia (os mais instruídos). No conjunto, virtualmente, não fazem nada. Muitos, talvez, há muito já não creem em mais nada.

    Assim, toda aquela patuscada retórica de uma Igreja “colegial” – a decantada “solicitude pastoral [dos bispos] por todas as igrejas” – escorre ridiculamente para o ralo de onde nunca deveria ter saído. Resta o império despótico do prelado argentino, representante caricatural de uma Congregação religiosa moribunda que, não obstante seu narcismo corporativo, prestou, outrora numerosos serviços ao Papado e à Igreja católica até a noite em que se pôs a fornicar com o baal do hegelianismo, isto é, com aquela modalidade de teologia – posto que Hegel nunca deixou de ser teólogo – a qual, desde pelo menos mestre Eckhart, vinha flertando com o imanentismo neoplatônico, com o pietismo-deus-umbigo-chucrute-luterano e outras modalidades de solipsismo que desaguaram no Idealismo Alemão: como faz falta às inteligências o sol do Mediterrâneo!

    O incubus esquerdista que as endemoniadas da T.L. esposaram é apenas a versão caminhoneira, manca caolha e pedestre de outros demônios. E esses demônios não querem apenas acabar com a sociedade burguesa ou de classes. Eles querem ser Deus. Jamais desistiram. Por isso inventaram uma “sociologia” cujo fundamento é teológico. Puramente teológico.

  7. Fratres: é verdade. Porém, nada disto seria possível sem a contribuição mais sutil de João Paulo II, conforme se pode ver no resumo que David Palm fez em 2004: http://www.seattlecatholic.com/article_20040406.html