A dialética de Francisco (II). A destruição da Igreja pela divisão.

Por FratresInUnum.com, 27 de setembro de 2018 — Apresentamos na semana passada um editorial sobre a “Dialética de Francisco”, mostrando o abismo que existe entre a mente de um homem comum e a de um revolucionário, na qual a contradição forma parte da estrutura mesma de sua psicologia. Nada de coerência, nada de ação linear… A unidade do processo, em si, determina o significado das ações pontuais que, via de regra, se contradizem, garantindo a vitória do movimento.

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Nossa abordagem estaria incompleta sem entendermos que, a esta psicologia nefasta, Hegel introduziu outro elemento que lhe é absolutamente essencial: aquilo que ele chamava de “trabalho do negativo”. Em poucas palavras, o processo, em sua dinâmica de autoafirmação subjetiva, destrói toda a objetividade. Obviamente, essa mesma estrutura lógica foi assumida e desenvolvida por Marx e, sobretudo, pelos filósofos da Escola de Frankfurt, que entendiam ser sua missão não apenas incutir a subjetiva psicologia dialética, mas também destruir toda a ordem objetiva.

Os frakfurtianos inventaram, para isso, duas táticas simples: primeiro, convencer a todos de que toda a sabedoria humana existente não passava de vigarice e trapaça, ou seja, de proceder a uma impiedosa desmoralização intelectual de toda a história do pensamento; para, depois, substituir tudo o que é bom por tudo que há de pior, na estética, na ética e em todos os âmbitos da cultura humana. No fundo, este último passo consistia também numa deformação sociológica: o homem honesto tem de ser considerado uma fraude, e os únicos realmente bons são os bandidos, os depravados etc.

Ora, compreendendo essas coisas fica muito fácil entender o modus procedendi do papa argentino. Não basta pensar de modo dialético e manipular as contradições sobredeterminando-as em vista de um fim, que é o advento do socialismo, do qual a Igreja está sendo feita escrava; é necessário desmontar a estrutura mesma da Igreja em todos os âmbitos, desmoralizando suas doutrinas como vigarices farisaicas e impondo de todos os lados a imoralidade como imperativo moral, anistiando o adultério, a fornicação, o homossexualismo e promovendo ao mais alto escalão da hierarquia eclesiástica os mais escandalosos dentre os efeminados e prevaricadores.

Agora, Francisco acaba de transferir ao Sínodo dos Bispos faculdades do poder papal, permitindo que, após ampla consulta popular, os representantes das conferências episcopais escrevam um documento que será submetido apenas à formal aprovação do Bispo de Roma, sendo considerado ipso facto magistério ordinário do Romano Pontífice. É a substituição da monarquia papal pelo sindicalismo eclesiástico, é a adulteração da Igreja como sempre a conhecemos feita propositalmente para a inserção de uma arquitetura que permitirá simultaneamente eximir o papa de sua responsabilidade, de um lado, deixando-o completamente amarrado, de outro, caso queira cumprir o seu encargo de defensor da fé a despeito de qualquer desvio entre a maioria do episcopado. Com este sistema em vigor, Santo Atanásio ou Santo Agostinho de nada teriam valido, e a Igreja seria hoje ariana ou pelagiana.

Com vistas à aprovação da ordenação sacerdotal dos homens casados na Amazônia (que será apenas o pontapé inicial para todo o resto do mundo), essa estrutura é adequada para preservar o Papa Francisco de críticas e, ao mesmo tempo, fazer avançar a sua agenda revolucionária, pois ele mesmo pode conferir às assembleias sinodais poder deliberativo (Cf. Constituição Episcopalis Communio, art. 18 § 2). A questão transcende, contudo, a ordenação dos viri bropati. É uma verdadeira mudança na arquitetura da Igreja, que permitirá a introdução de todas as mudanças revolucionárias controladas nas últimas décadas, a despeito do papa ou, caso ele as queira promover, sem lhe produzir algum deficit junto à opinião pública. Um golpe de mestre!

Obviamente, Papa Bergoglio é muito consciente do mal-estar que está produzindo por todos os lados. Mas este não é um efeito colateral indesejado, ao contrário, faz parte de todo o seu modo de atuar.

Os pontificados anteriores se notabilizaram por uma espécie de “governo de equilíbrio de forças e coalização”, harmonizando progressistas e conservadores através de uma constelação de centristas insípidos e apáticos. Isto é muito diferente do que fizeram os melhores e mais santos Papas, que não equilibravam forças, mas defendiam a verdade mesmo às custas de toda e qualquer intranquilidade.

Francisco radicaliza e encarna na Igreja o imperativo de Maquiavel, sistematizado por Marx et caterva: dividir para conquistar! Ele está acirrando a divisão na Igreja. Com efeito, segundo o jornal Der Spiegel, ele mesmo teria confessado a um círculo muito íntimo de amigos: “passarei para a história como o papa que dividiu a Igreja Católica”.

De fato, a dialética de Jorge Bergoglio não é apenas psicológica, é uma forma de governo e uma estratégia desconstrutivista. Ele é a versão eclesial do “trabalho do negativo” de Hegel e está muito imbuído dessa consciência.

Quem quiser permanecer fiel terá de ser muito, realmente muito, virtuoso. Caso contrário, sucumbirá ao caos. Como dizia Nosso Senhor: “de todos sereis odiados por causa do meu nome, mas não perecerá um único cabelo da vossa cabeça. É pela perseverança que salvareis as vossas almas” (Luc. XXI,17-19).

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6 Comentários to “A dialética de Francisco (II). A destruição da Igreja pela divisão.”

  1. “O Resto que voltará”. Is 10,22; Is 28,5; II Reis, 19,4; II Reis, 19,30; Gen. 45,7; livro do Eclesiástico (48, 16-17); etc.

  2. Ele não disse “brincando” que é o diabo???
    Logo, um divisor insano e repugnante no sólio pontifício…
    Qualquer ato que Bergóglio faça não merece a mínima consideração…
    A que tem o mínimo do mínimo de senso CATÓLICO ele nunca enganou nem enganará!!!!
    Até quando???
    A Deus cabe a resposta…
    Senhora de Fátima, rogai por nós!

  3. Só concluindo…
    Nem no século de Papas tipo Alexandre VI a Igreja sofreu tanta humilhação, pois, esses Papas não favoreciam a heresia, se diz que Alexandre VI tinha pavor de celebrar a Missa, hoje, a situação é pior, pois a sanha satânica de parte da hierarquia liderada por Bergóglio faz da DOUTRINA um coxo para porcos se alimentarem.
    Permaneçamos firmes na DOUTRINA de sempre e esperemos por dias menos nefastos por parte da hierarquia, não cedamos em nada a essas nojeiras de Bergóglio e companhia…

  4. Pretenderia agir o papa Francisco planejando tornar a Igreja católica como no sistema cismático ortodoxo: o patriarca, ele, por ex., nada mais ou menos como um “unus inter pares”, com as dioceses independentes entre si, como no alienante e relativista protestantismo, de seitas e inúmera subdivisões degladiando-se entre si!…
    Dividir para dominar: todo os grupos reivindicando direitos e nenhum deles apontando os deveres, pois sem anarquia e divisão em castas da sociedade o comunismo não se assenta, esse pareceria ser o sistema hoje dos politicamente corretos dentro da Igreja; pregam lindas teorias como defensores dos pobres – mais pobristas que tudo – embora aliando-se às miserabilizantes esquerdas!
    Toleram tudo o mais que descristianiza o povo e o aliena, submetendo-o às ideologias e perversões sob o escravista dominio estatal, embora seja um sistema pior ainda, burguês e déspotico, apesar de disso acusarem seus opositores – a velha tática das esquerdas – “chamar os opositores do que são e os acusar dos erros em que incorrem!
    Dessa contradição nasce a luta de classes, conceito caro ao pensamento esquerdista: ou se é o dono dos meios de produção (burguesia) ou se vende a força de trabalho (proletariado). Essa relação explorador versus explorado, dos ricos x pobres e o inverso e outros preconceitos inventados são para se desentendimentos dentro da sociedade, elaborado por mentes inescrupulosas e deturpadas, visando submetê-las!
    No sistema capitalista julgam tratar de explorados, mas as esquerdas são ainda piores, pois além de oprimirem, ainda dopam a sociedade toda a seguir seus ditames provindos de mentes anti cristãs, portanto, caóticas, facilitando a permanencia no poder, pois é a fonte da riqueza da nova burguesia e capitalismo, dessa vez do deus-Estado e de uma “religião” a seu serviço e cúmplice; eis pois aí a neo burguesia com seu capitalismo!
    É nisso que a realidade resulta das escolhas humanas erroneas – crer e votar em comunistas – portanto, termina dominado por um mal maior, pelo ultra ditatorial material-ateísta Estado-deus, dono da vida e morte do povo, agora encarnado nos parias, como em Cuba, Venezuela- etc. – projetos da NOM!

  5. Não sei dizer se o prelado argentino é capaz de abstrações como as sugeridas no artigo. Ele mesmo já confessou sua aversão aos modelos abstratos. Não resta dúvida, porém, que ele as implementa na prática segundo a sua tática de “quanto pior, melhor”. Por exemplo, escolhendo os grandes suínos para atuarem nas funções de maior visibilidade, e tudo isso com o suporte de muitas fotos com caras meigas e bem ensaiadas. Depois, vem a imprensa e abre a pocilga cuja portinhola estava adrede destrancada (ouvem-se os guinchos rebentarem).

    “- Mas o dito cujo usurpador-sem-vocação foi pego fazendo sexo transviado dentro do elevador da nunciatura…!”, diz o lacaio obediencialista versão Lumen Gentium 12.

    “- É este mesmo que eu quero”… responde aquele-que-divide em grego.

    Por outro lado, Bento XVI parece bastante sensível ao esquema triádico da “tese-antítese-síntese”. Por exemplo, ao augurar que o uso simultâneo das duas liturgias antípodas, a Tradicional (católica) e a de Montini-Bugnini (protestantoide), iluminassem uma à outra no caminho de uma nova síntese. Foi bom que Bento XVI não tenha tido tempo de fazer a “reforma da reforma”. Se o fizesse, o autêntico e imemorial rito latino talvez viesse a ficar em situação ainda mais desconfortável que a atual.

  6. Estamos vivendo o calvário da Santa Igreja Romana, assim como seu Divino Esposo e fundador. Enquanto ela parece morta e desfigurada, prepara-se para sua gloriosa Ressurreição. Penso que estamos vivendo a flagelação.