Coluna do Padre Élcio: “Tornar certa a inclusão no número dos eleitos por meio das boas obras”.

Evangelho do 19º Domingo depois de Pentecostes –  S. Mateus IX, 1-8

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 29 de setembro de 2018

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

A parábola de hoje compreende duas partes bem distintas: A primeira dirige-se aos Judeus que, tendo sido os primeiros convidados e chamados várias vezes a reconhecer o Messias, Deus feito homem, recusaram vir e chegaram mesmo a matar alguns dos enviados do Senhor e que, por causa da sua obstinação, foram excluídos do reino de Deus. A sua reprovação e a ruína de Jerusalém são claramente anunciados.

FB_IMG_1537716160586A segunda parte refere-se aos Gentios, convidados em massa para o lugar dos Judeus. Entretanto, Nosso Senhor quer também instruí-los e mostrar-lhes, com o que aconteceu àquele que não tinha a veste nupcial, que não basta, para ser recebido no festim das núpcias divinas, ser batizado e ter fé, mas que é preciso ainda estar revestido da graça santificante.

O rei que faz as bodas de seu filho é o Pai celeste. Estas núpcias do Filho de Deus realizam-se de várias maneiras:  Antes de tudo pela Encarnação, ou seja, o Filho de Deus, une-se hipostaticamente à natureza humana no seio da Bem-aventurada Virgem Maria. Há, portanto, a união da natureza divina com a natureza humana na pessoa divina do Verbo, ou seja, do Filho de Deus.

Núpcias também no sentido de que o Filho de Deus feito Homem fez uma aliança mística com a sua Igreja. Neste sentido diz São Paulo que o matrimônio é grande em Jesus Cristo e na sua Igreja (Ef. V, 32).

Em terceiro lugar, podemos dizer que o Filho de Deus feito homem como que desposa a alma fiel pela graça, consoante a fórmula do profeta Oséas: “Eu vos desposarei em fidelidade”. (Oséas, II, 20).

Estas três núpcias santas, têm por único fim preparar as núpcias eternas no Céu.

Assim, ser convidado para as núpcias do Filho de Deus, é ser chamado ao conhecimento e ao amor de Jesus, a entrar no grêmio da Igreja, a unir-se a Nosso Senhor pela Sagrada Comunhão, para um dia, enfim, entrar no reino dos Céus e lá gozar a eterna felicidade. Diz o Apocalipse XIX, 9: “Bem-aventurados os que foram chamados à ceia das bodas do Cordeiro!”

E enviou seus servos a chamar os convidados para as bodas: Os judeus, os primeiros convidados, sempre se mostraram de cerviz dura, e rebeldes ao convite divino. Eis a terrível censura do Diácono Estevão aos judeus: “Homens de cerviz dura e incircuncisos de coração e ouvidos, vós resistis sempre ao Espírito Santo; assim como foram vossos pais, assim sois vós também. A qual dos profetas não perseguiram os vossos pais? Mataram até os que prediziam a vinda do Justo, do qual vós agora fostes traidores e homicidas; vós que recebestes a lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes” (Atos VII, 51-53).  Os judeus rejeitaram este primeiro convite que foi feito desde Abraão até Moisés e os Profetas.

Novamente enviou outros servos: Este novo chamamento, mais iminente, representa a missão de João Batista e dos Apóstolos.

O festim da Igreja de Jesus Cristo está pronto: eis que o Verbo se fez carne; eis também a doutrina de vida; eis os sacramentos, sobretudo a Eucaristia, para alimentar, para regozijar e fortificar as almas. Jesus morrendo na Cruz exclamou: “Tudo está consumado”. Sim, tudo está pronto! o mistério da reparação está satisfeito eficazmente; a entrada do reino dos Céus, até então fechada pelo pecado, está aberta; a salvação é oferecida a todos: Vinde às núpcias!

Os Judeus recusaram o convite. Uns ocupados unicamente com os seus interesses materiais, ou com os prazeres, negligenciaram tão instantes convites. Outros, mais perversos, prenderam os servos enviados pelo rei. Estes homens ingratos e malvados, depois de terem ultrajado os servos do rei, mataram-nos. Na parábola dos vinhateiros,  Nosso Senhor Jesus Cristo disse que eles mataram o próprio Filho do Rei, ou seja, o próprio Jesus Cristo.

O rei encolerizou-se, mandou seus exércitos e exterminou aqueles homicidas, pondo fogo à sua cidade: Isto se cumpriu à letra quando as legiões romanas, guiadas por Tito e Vespasiano, investiram contra Jerusalém e, depois do memorável cerco, a destruíram juntamente com o Templo e dispersaram por toda a terra os habitantes que sobreviveram.

Agora a segunda parte da parábola: Diz respeito especialmente a todos os cristãos. O rei diz aos seus servos, isto é, aos Apóstolos e a seus sucessores no decorrer dos séculos: O festim das núpcias está pronto, isto é, os mistérios da Encarnação e da Redenção estão consumados. Os judeus, pela sua incredulidade e obstinação, tornaram-se indignos dele. Diz São Paulo: “Pelo seu (dos judeus) delito, veio a salvação aos gentios” (Rom. XI, 12). Deus sabe tirar o bem do mal. Portanto, ide por toda a terra, ao meio dos povos mais remotos e mais bárbaros, e todos aqueles que encontrardes, sem distinção de idade e de sexo, de condição ou de dignidade, sem acepção de pessoas. E o Apóstolo S. Paulo e Barnabé  diziam aos Judeus: “Vós éreis os primeiros a quem se devia anunciar a palavra de Deus, mas porque a rejeitais e vos julgais indignos da vida eterna, eis que nós nos voltaremos para os gentios; porque assim nos ordenou o Senhor…” (Atos XIII,  46 e 47).. Efetivamente, os Apóstolos dispersaram-se e foram pregar por todo o mundo. A sua obra foi continuada através dos séculos. Por isso a Igreja militante está cheia duma multidão inumerável de todas as regiões e de todos os povos.

Mas nela os justos e os pecadores, estão ainda confundidos: trigo e cizânia, bons e maus, porque, na verdade, todos foram chamados, mas nem todos se converteram sinceramente e são fiéis às obrigações contraídas no Batismo.

O rei entrou na sala do festim para ver os que estavam à mesa: Esta visita súbita simboliza a que Deus fará a cada um de nós na hora do juízo que se seguirá logo após a morte.   E o rei viu um homem sem a veste nupcial. Todos recebiam esta veste na entrada da sala do banquete. Todos os cristãos recebem a veste cândida da graça na entrada da Igreja pelo santo Batismo. Não basta, porém, vir assentar-se à mesa do banquete, participar dos sacramentos, praticar os atos exteriores da fé: é preciso ter ainda a veste da graça. É preciso tê-la conservado sempre ou, ao menos, tê-la recuperado pela penitência para participar do banquete da graça e depois do da glória.

Disse o rei aos servidores: Atai este homem que não traz a veste nupcial. Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes. Tudo isto é imagem dos castigos que Deus infligirá ao pecador encontrado sem a veste nupcial da graça na hora do juízo. De pés e mãos ligadas porque sua pena será eterna. As trevas exteriores são a figura das horríveis trevas da privação da visão beatífica de Deus. Choro e ranger de dentes, imagem da aflição indizível, dos remorsos pungentes e do desespero que causarão ao pecador, a lembrança das suas infidelidades e a eternidade do inferno, onde caiu por sua culpa, porque dependia dele só, fazer-se receber no Céu.

Caríssimos, seremos nós do pequeno número dos eleitos? É segredo de Deus, mas isso depende de nós. São Pedro faz-nos esta recomendação que é, ao mesmo tempo, uma verdade dogmática e um preceito moral para assegurar a nossa salvação: “Portanto, irmãos, ponde cada vez maior cuidado em tornardes certa a vossa vocação e eleição por meio das boas obras, porque, fazendo isto, não pecareis jamais. Desde modo vos será dada largamente a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” ( 2 S. Ped., I, 10 e 11). Amém!

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5 Comentários to “Coluna do Padre Élcio: “Tornar certa a inclusão no número dos eleitos por meio das boas obras”.”

  1. Há, da parte de Deus, um convite à ceia das Bodas do Cordeiro, não dirigido a todos mas somente a alguns, segundo os desígnios insondáveis e misericordiosos de Nosso Senhor Jesus Cristo: é a vocação à vida religiosa. É o que a foto postada pelo Fratres em meu artigo quer significar, embora eu não tenha me referido a este detalhe, por ser particular e na parábola o convite para as núpcias é geral, primeiro aos judeus e depois a todos os demais povos da terra. Digo isto, apenas para se evitar qualquer equívoco.

  2. Há uma semana das eleições com o risco do pt e toda a fúria infernal vencer, seria bom que houvesse divulgação de campanhas de reza do rosário pelo Brasil.

  3. Caríssimo Carlos BH, hoje na Santa Missa alertei os meus fiéis sobre isto, e, ao apresentar o programa das solenidades do mês do Rosário, avisei que a intenção nestas solenidades seria pedir a Deus através de Sua Mãe Santíssima a graça de livrar o Brasil do Comunismo. Tenho também escrito alguns artigos na minha conta ZELO ZELATUS SUM sobre a maldade da seita comunista e sobre os seus ardis.
    Realmente precisamos rezar mais e fazer mais penitência.

    • Obrigado pelo comentário, Padre Elcio.. Algumas pessoas não percebem que o risco agora é muito maior do que há alguns anos, pois o Estado está todo aparelhado, além do clima de revanchismo pelo impeachment da ex e a prisão do infeliz. Acho que o momento atual mereceria mais seriedade, como em 1964, na organizada “Marcha da família com Deus”. Peço sua bênção.

  4. Sua Bênção oh sacerdote de DEUS Vivo;… no Poder, no Controle de Tudo e Todos nós; seja feita a Soberana Vontade e Maravilhosos Desígnios de nosso Pai Adorado do céu, infinito universo!
    Como é bom estar com Santo Espírito em nós….seu Amor Doação e Carinho de DEUS TRINO e UNO, Misericórdia e Piedade intensa de Luz a partilhar, sal a dar ‘tempero’ no Agir de nosso Amado Mestre JESUS CRISTO…todo instante feito Sagrado então…
    Abraços cordiais amigo e irmão em JESUS CRISTO. ALELUIA.