O Manifesto do Cardeal Müller. E a íntegra da entrevista.

Publicamos a seguir a íntegra da entrevista, já publicada anteriormente em versão reduzida, concedida pelo Cardeal Gerhard Ludwig Müller ao La Nuova Bussola Quotidiana, bem como a versão portuguesa de sua Declaração de Fé.

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Cardeal Gerhard Müller, prefeito emérito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Dom Gerhard Müller fala de maneira calma, buscando sempre as palavras corretas em italiano,mas seus juízos chegam claros e nítidos. Apesar de sua figura imponente, tem modos simples e malgrado tenha uma mais que sólida formação teológica (cuida, entre outras coisas, da opera omnia do cardeal Joseph Ratzinger-Bento XVI) tem a capacidade de ser muito claro.

Ele me acolhe cordialmente em seu apartamento, a dois passos da Basílica de São Pedro, que ele manteve apesar de ter sido demitido pelo Papa Francisco, o qual de uma forma um tanto brutal, em julho de 2017, não renovou seu mandato como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Mas este ano suas intervenções, fronte a confusão crescente que se verifica na Igreja, tiveram sempre o timbre do “guardião da ortodoxia”, uma espécie de Prefeito “sombra” do ex Santo Ofício.

Cardeal Müller, em vinte dias haverá um encontro no Vaticano sobre abusos sexuais, um escândalo que está obscurecendo a imagem da Igreja e que, ao mesmo tempo, causa muitas tensões … 

Creio que antes de mais nada este tema deve ser entendido em sua dimensão real. Embora seja um escândalo grave, é injusto generalizar, pois os abusos dizem respeito, de qualquer forma, a uma forma muito limitada de sacerdotes. E eu me sinto no dever de agradecer a todos os bispos, os sacerdotes e os diáconos e os outros colaboradores da Igreja Católica pelo modo com que se dedicam à missão confiada por Jesus e porque vivem conforme os critérios de nossa espiritualidade cristã. É justo que a opinião pública se dê conta deste bom trabalho e dos sacrifícios que fazem nossos bons pastores, tantos homens que buscam a verdade em suas vidas, que buscam a verdade de Deus em Jesus Cristo.

Em segundo lugar devemos reconhecer que este é um fenômeno que já teve o seu pico nos anos 70 e 80 do século passado, também por efeito da revolução sexual; desde então muito foi feito e hoje os casos diminuíram muito. Além disso é de perguntar-se do motivo pelo qual a opinião pública seja induzida a falar só disto e não de todos os abusos e crimes contra as crianças e os adolescentes que existem no mundo: não só os sexuais, que também na maior parte ocorrem fora da Igreja, mas também outros crimes como o aborto, ou então a possibilidade que a tantos é negada de viver com os próprios pais, mães, irmãos. E assim por diante.

É verdade. No entanto a Igreja se encontra no dever de confrontar-se com um fenômeno inquietante e, como o caso do ex cardeal McCarrick demonstra, ainda tem dificuldade em julgar também o passado.

Claramente é terrível para a Igreja que haja padres envolvidos, homens que em vez de terem vidas exemplares, abusam de sua missão. Representantes de Jesus Cristo, o Bom Pastor, agindo como lobos: é uma perversão de sua missão.

Mas quais são as causas dos abusos em relação aos menores?

Certamente quem abusa não reconhece a dignidade de um menor, que é um homem e como todos os homens tem sua dignidade. Mas é também uma sexualidade não dominada. O homem é chamado a usar sua sexualidade no sentido desejado pelo Criador, como está descrito no início do Gênesis.

A esmagadora maioria dos abusos sexuais cometidos por clérigos são, na verdade, atos homossexuais.

É um fato que mais de 80% das crianças vítimas de abuso são homens e adolescentes. Devemos encarar essa realidade, são estatísticas que não podem ser negadas. Os que  não querem ver esta realidade acusam os que dizem a verdade de aversão aos homossexuais em geral.  Mas os homossexuais enquanto categoria não existem, é uma invenção. É evidente que eles falam para encobrir os seus próprios interesses. Voltemos ao Gênesis: existe uma sexualidade feminina e uma masculina, nada mais. O homem foi criado para a mulher e a mulher foi criada para o homem, como diz São Paulo na Primeira Carta os Coríntios (capítulo ll). Na criação, o conceito de homossexualidade não existe, é uma invenção que não possui nenhum fundamento na natureza humana. As tendências homossexuais não são um fato ontológico, mas de ordem psicológica. Alguns querem tornar a homossexualidade  um dado ontológico.

No Código de Direito Canônico de 1983 desapareceu o cânone que anteriormente estabelecia para os clérigos responsáveis de atos sodomitas a remoção do ofício, a privação de qualquer privilégio e, nos casos mais graves, a redução ao estado laical. O que também hoje torna mais difícil intervir em casos como os do ex cardeal McCarrick. Quem quis cancelar este cânone e por qual motivo?

Não o sei, mas creio que seja fruto da atmosfera geral daquele período: não se quer punir as pessoas, mas apontar para o positivo. Seguramente a intenção é boa, mas não se pode negar a realidade da fraqueza humana. Se adverte as pessoas para ajuda-las a fazer o bem. E sobretudo a Igreja não pode aceitar entre os sacerdotes um mau comportamento contrário à vontade de Deus, assim destrói a própria credibilidade.

Existe infelizmente quem fez própria a ideologia homosexualista, mas se pode aceitar a falsidade do mundo e introduzi-la na Igreja? Devemos alimentar-nos da Palavra de Deus, da Escritura, da Tradição, do Magistério. Estes são os pontos de pensar como um católico. Devemos dar ao tempo moderno a boa resposta que vem de Deus. É o mundo que necessita de salvação, e não Deus que tem necessidade de salvação por parte do mundo.

Nos dias passados foi lançada uma petição justamente para pedir aos padres que participarão na reunião de cúpula no Vaticano em fevereiro de fechar a rede homossexual, e um dos pontos diz respeito justamente a reintrodução do cânone que pune os atos sodomitas.

Creio que a petição é legítima, há quem queira negar a verdade estatística pela qual a grande maioria dos abusos cometidos por sacerdotes sejam atos homossexuais. Não se pode fugir a esta realidade. Quem a nega não quer resolver o problema. Não se devem subvalorizar também os abusos cometidos com seminaristas: é um pecado enorme, um crime contra a dignidade destes homens, mas também no confronto com os genitores que confiam os próprios filhos aos sacerdotes, ao bispo, ao seminário. Um bispo que cai a este nível é um escândalo enorme. Imaginemos o que teria feito Jesus se um dos apóstolos tivesse feito isso com alguns outros discípulos? É um absurdo só em pensá-lo. Mas temo que também estas iniciativas de leigos sejam neutralizadas, acusando-as de uma rebelião contra o Papa.

É uma fixação, também o cardeal Kasper interveio várias vezes nestes dias denunciando um complô para fazer demitir o Papa Francisco.

Infelizmente no Vaticano existe quem explica tudo o que acontece na Igreja com o fato que seriam os inimigos do Papa que estão organizando um complô, através de sites da internet. Da Itália, Estados Unidos, Alemanha, França, todos juntos só para criar problemas ao Papa. É uma loucura. Não conheço todas as motivações dos outros, mas um católico está sempre ao lado do Papa, mesmo quando pode ter opiniões diversas sobre as quais é possível discutir. Os verdadeiros amigos do Papa são os que dizem a verdade, que o ajudam a encontrar o caminho certo, e não os que querem levá-lo na própria direção.

A propósito, o Papa e seus colaboradores mais estreitos quando falam de abusos apontam o dedo contra o clericalismo.

É um termo equívoco. O que é o clericalismo? Quem define este conceito? E quem é clerical? O termo nasceu na França e na Itália no século XIX e servia para atacar a Igreja como inimiga da sociedade moderna. Verdadeiramente querem entrar nesta polêmica contra nós próprios? Ou querem acusar Jesus que instituiu o clero? Clero é o termo grego que encontramos nos Atos dos Apóstolos quando os 11 Apóstolos tiram a sorte para a substituição de Judas e transferem a sua “parte” – cleros – a Matias.

Cleros então não é um grupo de pessoas, mas a participação na autoridade de Jesus Cristo que foi transferida aos Apóstolos e seus sucessores. Não é certamente este clericalismo que pode ser considerado culpado de pecado contra o VI mandamento. Os verdadeiros abusos de poder são a simonia, o carreirismo ou fazer-se cortesão na corte do Papa para receber a mitra, para ser premiado. Quando Maquiavel vale mais do que o evangelho no exercício da política eclesiástica, que é o abuso de poder. Falar de clericalismo ou por sob acusação o celibato é uma falsa estrada que desvia da verdadeira causa do problema.

Com efeito, não são poucos os que põem em discussão o celibato como resposta aos abusos.

Ao contrário, devemos levar a sério o VI mandamento, a castidade como atitude, como virtude. Não é fácil nesta cultura sexualizada, mas é necessário se queremos encontrar uma saída a este desastre, que interessa toda a sociedade. A Igreja indica um caminho, é necessário retomar nossa antropologia. A Igreja não deve ser vista como uma organização que distribui poder e prestígio, é família de Deus que comporta familiaridade entre todos nós, a responsabilidade de um pelo outro, o respeito para com as crianças e os jovens. Nunca ver a outra pessoa como objeto de cupidez. O outro é sempre sujeito, nunca objeto, merece respeito.

Em vista da reunião de cúpula no fim de fevereiro, há já aqueles que querem aproveitar para sustentar que a homossexualidade deve ser aceita: não importa se um padre tem tendências homossexuais, o importante é que ele viva castamente. Na Alemanha, há bispos que já deram declarações neste sentido.

Seria um crime contra a Igreja: instrumentalizar o pecado para estabelecer ou normalizar um pecado contra o VI mandamento, é um crime. Não há forma de legitimar atos homossexuais ou mesmo atos sexuais desordenados. Se cremos em Deus, cremos que os Dez mandamentos são a expressão direta da vontade salvífica de Deus para conosco. Não são mandamentos exteriores como as leis positivas que edita o Estado, são a substância da moralidade do homem e de sua felicidade, são a expressão da vida, da verdade de Deus.

Em suma, arrisca-se derrubar a antropologia cristã…

É o que alguns se predispõem, querem o homem que se define a si próprio. Deus para eles é só um ponto de referência para a própria auto justificação. Algumas pessoas me escreveram que na juventude tiveram certas experiências homossexuais, mas depois superaram tudo e vivem agora felizes num matrimônio. Não são ideias, são experiências verdadeiras de pessoas, que devemos escutar.

Quando se desperta a sexualidade, podem existir momentos de confusão, mas isto não quer dizer que sejam tendências enraizadas. Existem pessoas que querem fazer da homossexualidade um dado ontológico.

Isto nos remete aquele documento sobre a pastoral para com as pessoas com tendências homossexuais publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé em 1986, em que já se denunciava uma rede gay no interior e no exterior da Igreja que tem a finalidade de subverter a doutrina católica.

Sim, geralmente não se manifestam publicamente, mas se podem reconhecer por alguns comportamentos estranhos, pelo modo com que se apresentam, por certas opiniões. Se sustentam um ao outro e atacam pessoalmente os que são um obstáculo para a sua agenda, alteram a doutrina da Igreja para seus fins, fazem contínuas polêmicas contra os católicos ortodoxos. Isto os revela. Mas assim destroem não só a doutrina, mas também as pessoas que dizem desejar ajudar. Usam as pessoas que tem tendências homossexuais para fazer vencer sua ideologia: abusam ideologicamente destas pessoas.

Contudo, até o quotidiano dos bispos italianos, Avvenire, sustenta que na Igreja tenha havido uma mudança sobre a homossexualidade, que não há mais reprovação moral, e isto se deduziria da Exortação Apostólica Amoris Laetitia.

Isto não é verdade, mas mesmo se fosse verdade, um documento pontifício não pode mudar a antropologia radicada na criação de Deus. É possível que um documento pontifício ou o Magistério da Igreja não explique bem os dados da Revelação e da Criação, mas o Magistério não constitui a doutrina cristã.

Há um modo de compreender o Magistério que não tem nada que ver com a tradição católica, se trata o Papa como se fosse um oráculo, o que quer que diga torna-se verdade indiscutível. Mas não é assim: muitas coisas são opiniões privadas do Papa, coisas, então, que se podem discutir. Se o Papa hoje dissesse que as partes são mais do que o todo, teríamos mudado as estruturas da matemática, da geometria, um absurdo. Ou se o Papa dissesse hoje que não podemos mais comer a carne dos animais, para nenhum católico seria proibido comer carne.

O senhor quer dizer que se, por pura hipótese, o Papa escrevesse uma encíclica “vegetariana”, esta não vincularia os católicos? Como é isso?

Porque isto não faz parte da materia fidei. A autoridade do Papa é muito limitada. Alguns veem só a sua autoridade pública, o que é referido nos meios de comunicação social e o utilizam segundo os próprios pensamentos, mas na realidade não aceitam a autoridade do Papa assim como está fundamentada em nossa eclesiologia.

A propósito de eclesiologia, recentemente denunciamos na Nuova Bussola Quotidiana, o caso de uma missa ecumênica em Milão, na qual uma pastora batista proclamou o Evangelho, fez a homilia, distribuiu a Eucaristia após permanecer ao lado do padre durante a consagração.  E o pároco explicou que a transubstanciação é só uma forma de compreender a Eucaristia.  Infelizmente este tipo de ecumenismo não é um fato isolado. 

E um bispo deveria intervir, pois infelizmente existe uma crassa ignorância entre sacerdotes, bispos e mesmo cardeais: eles são servidores da Palavra de Deus, mas não a conhecem, bem como desconhecem a doutrina. Se falamos de transubstanciação, o Quarto Concílio de Latrão, o Concílio Tridentino e também o Vaticano II, assim como algumas encíclicas, como Mysterium Fidei (1965) explicaram que com essa expressão a Igreja constata a realidade da verdadeira conversão do pão e do vinho na substância do corpo e do sangue de Jesus Cristo.

Os luteranos creem na presença real, mas não no sentido católico, não creem na conversão do pão e do vinho. Não é pequena diferença. Na Inglaterra, no tempo de Eduardo VI e Elizabeth I (século XVI), havia a pena de morte para aqueles que acreditavam na transubstanciação. Muitos católicos foram martirizados e não é que sacrificaram suas vidas só por causa de uma das muitas maneiras de compreender a Eucaristia, mas era pela realidade do sacramento.

Santo Tomás dizia que é um pecado grave se os bispos e os sacerdotes não conhecem a doutrina da Igreja. É dever deles. Seguramente como o sacerdote de Milão terão lido algo em teólogos de terceira categoria, aqueles que escrevem sem conhecer a doutrina e dizem coisas estúpidas. Mas isto não pode justificar um ato quase blasfemo. Os protestantes não aceitam em sua fé o sacramento da ordem, assim não podem estar ao lado de um sacerdote católico. Se o pároco faz assim nega também o sacramento da ordem, se fez protestante. Também com os ortodoxos, de que, no entanto, reconhecemos o sacerdócio sacramental, não é possível concelebrar, pois falta a plena comunhão.

Mas o que um fiel pode fazer se se encontra numa missa dessas?

Deve protestar publicamente.  Têm o direito de sair ou, se é capaz, pode dizer algo: “Eu protesto contra esta dessacralização da Santa Missa”; “Vim aqui para celebrar a missa católica, não para participar de uma construção de um pároco que não conhece nada da fé católica”. O que aconteceu na paróquia de Milão não é um verdadeiro ecumenismo, ao contrário, é um golpe contra o verdadeiro ecumenismo.

Qual é o verdadeiro ecumenismo?

É o decreto do Concílio Vaticano II, Unitatis redintegratio, que nos capítulos 1 e 2 descreve os princípios de um ecumenismo católico. Não existe um ecumenismo em tese, mas o ecumenismo segundo os princípios da fé católica, e os outros tem um ecumenismo segundo seus princípios. Com as outras confissões cristãs não existe só uma diversidade nos conteúdos da fé, mas também na hermenêutica da fé.

Para os católicos os aniversários se tornaram perigosos. Após o Jubileu da Reforma Protestante, com todo o falso ecumenismo que impulsionou, agora temos os 800 anos do encontro entre São Francisco e o Sultão. Já estão acontecendo cursos de Islamismo nas paróquias e imãs estão sendo convidados para irem a igrejas explicar quem é Jesus para o Islã… 

Sim, mas aposto que o pároco não vai numa mesquita explicar o Concílio de Nicéia. Para nós, é uma ofensa dizer que Jesus foi só um homem, que não é o Filho de Deus. Como se pode convidar alguém para vir a uma igreja para fazer-se ofender? Mas hoje há uma má consciência presente no Catolicismo para com a própria fé e se ajoelham sempre diante dos outros. Primeiro o jubileu de Lutero, agora o de São Francisco:  se usam para protestantizar e para islamizar a Igreja. Isso não é verdadeiro diálogo, alguns de nós perdemos a fé e querem se tornar escravos de outros para serem amados.

Qual é o principal problema que a Igreja enfrenta hoje?

A relativização da fé. Parece complicado anunciar a fé católica em sua integridade e com uma consciência reta. Embora o mundo de hoje mereça a verdade e a verdade é a verdade de Deus Pai, é a verdade de Jesus Cristo, a verdade do Espírito Santo. Os falsos compromissos não servem ao homem de hoje. Em vez de propor a fé, educar o povo, ensinar às pessoas, tende-se sempre a relativizar, sempre se diz um pouco menos, menos, menos…

Um exemplo: em vez de tornar claro o sentido do matrimônio, a indissolubilidade, se buscam exceções, se recua; em vez de falar da dignidade do sacerdócio, sua glória, do esplendor da verdade dos sacramentos, se reduz tudo a uma ocasião de estar juntos. Há uma horizontalização do cristianismo, ele é reduzido de forma a agradar os homens de hoje, e assim se engana o povo.

Quando nos encontramos com pessoas de outras religiões, não podemos unir-nos numa fé vaga. Se reduz a fé a uma fé filosófica. Deus a um ser transcendente e depois dizemos que Alá ou Deus pai de Jesus Cristo são a mesma coisa. Assim como o Deus do deísmo não tem nada que ver com o Deus dos cristãos.

O Papa está insistindo muito no conceito de fraternidade universal. Como deve ser entendida, a fim de não confundir as pessoas?

Não me agradaram todos estes grandes louvores dos maçons ao Papa. A fraternidade deles não é a fraternidade dos cristãos em Jesus Cristo, é muito menos. Não podemos tomar como medida da fraternidade aquilo que vem da Revolução Francesa, que é ideologia, como o comunismo. Quem define quem é meu irmão? Somos irmãos entre nós porque somos filhos de Deus, porque aceitamos Cristo, que se fez homem. Este é o fundamento da fraternidade.

  Na base da criação somos todos filhos de Deus. Neste sentido falamos também de fraternidade universal: não se pode matar; também na guerra aquele que mato é meu irmão. Todos temos um Pai no céu, mas este Pai se revelou em Israel, a Moisés, aos profetas e no fim em Jesus Cristo. Se não elevamos a natural fraternidade do homem em direção à fraternidade em Jesus Cristo, jogamos fora a dimensão sobrenatural e naturalizamos a graça.

Uma religião universal não existe, existe uma religiosidade universal, uma dimensão religiosa que conduz todo homem em direção do mistério. Por vezes, circulam ideias absurdas, como a do Papa “chefe de uma religião universal”, mas isso é ridículo. Pedro é Papa por conta de sua confissão ou profissão de fé: “Vós sois o Cristo, o Filho de Deus vivo”. Este é o Papa, não o chefe da ONU.

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Declaração de fé

 “Não se perturbe o vosso coração!” (João 14,1)

Ante a crescente confusão no ensinamento da doutrina da fé, muitos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos da Igreja Católica me convidaram a dar testemunho público da verdade da Revelação. É tarefa dos pastores guiar pelo caminho da salvação os homens que lhes foram confiados, e isso só pode acontecer se esse caminho for conhecido e eles o tiverem percorrido primeiro. A tal respeito, admoestava o apóstolo: “Porque sobretudo vos entreguei o que eu também recebi” (1 Cor 15,3). Hoje muitos cristãos não conhecem sequer os ensinamentos básicos da fé, com um perigo crescente de não encontrarem mais o caminho que leva à vida eterna. Mas continua sendo tarefa própria da Igreja conduzir os homens a Jesus Cristo, luz das nações (cf. LG 1). Nesta situação, pergunta-se como encontrar a orientação correta. Segundo João Paulo II, o Catecismo da Igreja Católica representa uma “norma segura para o ensinamento da fé” (Fidei Depositum IV). Ele foi escrito com o objetivo de fortalecer os irmãos e irmãs na fé, uma fé colocada amplamente à prova pela “ditadura do relativismo”[1].

  1. O Deus Uno e Trino, revelado em Jesus Cristo

A personificação da fé de todos os cristãos se encontra na confissão da Santíssima Trindade. Convertemo-nos em discípulos de Jesus, filhos e amigos de Deus pelo batismo no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. A diferença das três pessoas na unidade divina (254) marca uma diferença fundamental em relação às outras religiões na crença em Deus e na imagem do homem. Na confissão de Jesus Cristo os espíritos se dividem. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, gerado segundo sua natureza humana pelo Espírito Santo e nascido da Virgem Maria. O Verbo feito carne, o Filho de Deus, é o único redentor do mundo (679) e o único mediador entre Deus e os homens (846). Em consequência, a Primeira Carta de São João descreve como Anticristo àquele que nega sua divindade (1 João 2,22), já que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é desde a eternidade um ser com Deus, seu Pai (663). A recaída em antigas heresias, que viam em Jesus Cristo só um bom homem, um irmão e amigo, um profeta e um moralista, deve ser combatida com clara determinação. Ele é, acima de tudo, o Verbo que estava com Deus e é Deus, o Filho do Pai, que assumiu nossa natureza humana para nos redimir e que deverá julgar os vivos e os mortos. Só ao Ele adoramos como o único e verdadeiro Deus na unidade com o Pai e o Espírito Santo (691).

  1. A Igreja

 

Jesus Cristo fundou a Igreja como sinal visível e instrumento de salvação, que subsiste na Igreja Católica (816). Deu uma constituição sacramental à sua Igreja, que surgiu “do lado de Cristo dormido na Cruz” (766), e que permanece até sua consumação (765). Cristo Cabeça e os fiéis como membros do Corpo são uma pessoa mística (795), por isso a Igreja é Santa, porque o único mediador a estabeleceu e mantém sua estrutura visível (771). Através deles, a obra da redenção de Cristo se faz presente no tempo e no espaço na celebração dos santos sacramentos, especialmente no sacrifício eucarístico, a Santa Missa (1330). A Igreja transmite em Cristo a revelação divina que se estende a todos os elementos da doutrina, “incluindo a doutrina moral, sem a qual as verdades da salvação da fé não podem ser salvaguardadas, expostas ou observadas” (2035).

  1. A ordem sacramental

 

A Igreja, em Jesus Cristo, é o sacramento universal de salvação (776). Ela não se reflete a si mesmo, senão a luz de Cristo que brilha em seu rosto. Isto acontece só quando, não a maioria nem o espírito dos tempos, senão a verdade revelada em Jesus Cristo se converte no ponto de referência, porque Cristo confiou à Igreja católica a plenitude da graça e da verdade (819): Ele mesmo está presente nos sacramentos da Igreja.

A Igreja não é uma associação fundada pelo homem cuja estrutura é votada por seus membros à vontade. É de origem divina. “O mesmo Cristo é a fonte do ministério na Igreja. Ele o instituiu, deu-lhe autoridade e missão, orientação e finalidade” (874). A admoestação do apóstolo segue sendo válida hoje em dia para que quem quer que pregue outro evangelho seja amaldiçoado, “embora sejamos nós mesmos ou um anjo do céu” (Gl 1,8). A mediação da fé está indissoluvelmente ligada à credibilidade humana de seus mensageiros, que em alguns casos abandonaram aos que lhes foram confiados, perturbaram-nos e danificaram gravemente sua fé. Aqui a palavra da Escritura vai dirigida àqueles que não escutam a verdade e seguem seus próprios desejos, que adulam os ouvidos porque não podem suportar o são ensinamento (cf. 2 Tm 4,3-4).

A tarefa do Magistério da Igreja é “proteger o povo dos desvios e das falhas e lhe garantir a possibilidade objetiva de professar sem erro a fé autêntica” (890). Isto é especialmente certo com relação aos sete sacramentos. A Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã” (1324). O sacrifício eucarístico, no qual Cristo nos implica em seu sacrifício da cruz, aponta à união mais íntima com Cristo (1382). Por isso, as Sagradas Escrituras, em relação à recepção da Sagrada Comunhão, advertem: “‘quem come do pão e bebe da taça do Senhor indignamente, é réu do Corpo e do Sangue do Senhor’ (1 Cor 11,27). Quem tem consciência de estar em pecado grave deve receber o sacramento da Reconciliação antes de aproximar-se a comungar” (1385). Da lógica interna do sacramento se desprende que os fiéis divorciados pelo civil, cujo matrimônio sacramental existe diante de Deus, os outros Cristãos, que não estão em plena comunhão com a fé católica, assim como todos aqueles que não estão propriamente dispostos, não recebem a Sagrada Eucaristia de maneira frutífera (1457) porque não lhes traz a salvação. Assinalar isto corresponde às obras espirituais de misericórdia.

A confissão dos pecados na confissão pelo menos uma vez ao ano pertence aos mandamentos da igreja (2042). Quando os fiéis já não confessam seus pecados nem recebem a absolvição, a redenção cai no vazio, já que, acima de tudo, Jesus Cristo se fez homem para nos redimir de nossos pecados. O poder do perdão que o Senhor Ressuscitado conferiu aos apóstolos e aos seus sucessores no ministério dos bispos e sacerdotes se aplica também aos pecados graves e veniais que cometemos depois do batismo. A prática atual da confissão deixa claro que a consciência dos fiéis não está suficientemente formada. A misericórdia de Deus nos é dada para cumprir seus mandamentos a fim de nos converter em um com sua santa vontade, não para evitar o chamado ao arrependimento (1458).

“O sacerdote continua a obra de redenção na terra” (1589). A ordenação sacerdotal “dá-lhe um poder sagrado” (1592), que é insubstituível porque, através dele, Jesus Cristo se faz sacramentalmente presente em sua ação salvífica. Portanto, os sacerdotes escolhem voluntariamente o celibato como “sinal de vida nova” (1579). Trata-se da entrega no serviço de Cristo e de seu reino vindouro. Enquanto à recepção da consagração nas três etapas deste ministério, a Igreja se reconhece a si mesma “vinculada por esta decisão do Senhor. Esta é a razão pela qual as mulheres não recebem a ordenação” (1577). Assumir isto como uma discriminação contra a mulher só mostra a falta de compreensão deste sacramento, que não se trata de um poder terreno, senão da representação de Cristo, o Esposo da Igreja.

 

  1. A lei moral

 

A fé e a vida estão inseparavelmente unidas, porque a fé sem obras está morta (1815). A lei moral é obra da sabedoria divina e conduz o homem à bem-aventurança prometida (1950). Em consequência, “o conhecimento da lei moral divina e natural é necessário para fazer o bem e alcançar seu fim” (1955). Sua observância é necessária para a salvação de todos os homens de boa vontade. Porque os que morrem em pecado mortal sem se haver arrependido serão separados de Deus para sempre (1033). Isto leva a conseqüências práticas na vida dos cristãos, entre as quais se deve mencionar as que hoje se obscurecem com freqüência (cf. 2270-2283; 2350-2381). A lei moral não é uma carga, senão parte dessa verdade liberadora (cf. Jo 8,32) pela qual o cristão percorre o caminho da salvação, que não deve ser relativizada.

 

  1. A vida eterna

 

Muitos se perguntam hoje por que a Igreja, todavia está ali, embora os bispos prefiram desempenhar o papel de políticos em lugar de proclamar o Evangelho como mestres da fé. A visão não deve ser diluída por trivialidades, mas o proprium da Igreja deve ser tematizado. Cada pessoa tem uma alma imortal, que é separada do corpo na morte, esperando a ressurreição dos mortos (366). A morte faz definitiva a decisão do homem a favor ou contra Deus. Todo o mundo deve comparecer ante o tribunal imediatamente depois de sua morte (1021). Ou é necessária uma purificação ou o homem chega diretamente à bem-aventurança celestial e pode ver deus cara a cara. Existe também a terrível possibilidade de que um ser humano permaneça em contradição com Deus até o fim e, ao rejeitar definitivamente o seu amor, “condenar-se imediatamente para sempre” (1022). “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (1847). O castigo da eternidade do inferno é uma realidade terrível, que -segundo o testemunho da Sagrada Escritura- atrai para si todos aqueles que “morrem em estado de pecado mortal” (1035). O cristão passa pela porta estreita, porque “larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela” (Mt 7,13).

Ocultar estas e outras verdades de fé e ensinar ao povo em consequência, é o pior engano do qual o Catecismo adverte enfaticamente. Representa a prova final da Igreja e leva o povo a um engano religioso de mentiras, ao “preço de sua apostasia da verdade” (675); é o engano do Anticristo. “Ele enganará os que se perdem por toda classe de injustiça, porque se fecharam ao amor da verdade, pela qual deviam ser salvos” (2 Tessalonicenses 2,10).

Invocação

Como operários da vinha do Senhor, temos todos a responsabilidade de recordar estas verdades fundamentais aderindo-nos ao que nós mesmos recebemos. Queremos animar o povo a caminhar pelo caminho de Jesus Cristo com decisão, para alcançar a vida eterna obedecendo seus mandamentos (2075).

Peçamos ao Senhor que nos faça saber quão grande é o dom da fé católica, que abre a porta para a vida eterna. “Porque quem se envergonhar de mim e de minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, também o Filho do homem se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos” (Mc 8, 38). Portanto, estamos comprometidos a fortalecer a fé, na qual confessamos a verdade, que é o mesmo Jesus Cristo.

Estas palavras também se dirigem em particular a nós, Bispos e sacerdotes quando Paulo, o apóstolo de Jesus Cristo, dá esta admoestação ao seu companheiro de armas e sucessor Timóteo: “Conjuro-te em presença de Deus e de Cristo Jesus que há de vir julgar os vivos e mortos, por sua Manifestação e por seu Reino: “Proclama a Palavra, insiste a tempo e a destempo, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e doutrina. Porque virá um tempo em que os homens não suportarão, a sã doutrina, mas sim, arrastados por suas próprias paixões, far-se-ão com um acervo de mestres pelo afã de ouvir novidades; apartarão seus ouvidos da verdade e se voltarão para as fábulas. Tu, pelo contrário, portas-te em tudo com prudência, suporta os sofrimentos, realiza a função de evangelizador, desempenha com perfeição teu ministério.” (2 Tm 4,1-5).

Que Maria, a Mãe de Deus, nos implore a graça de nos aferrar à verdade de Jesus Cristo sim vacilar.

Unido na fé e na oração

Roma, 10 de fevereiro de 2019

Gerhard Cardinal Müller

Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fe, desde 2012/2017

[1] Os números que aparecem no texto correspondem ao Catecismo da Igreja Católica.

10 Comentários to “O Manifesto do Cardeal Müller. E a íntegra da entrevista.”

  1. Atestar a verdade cristã católica é o múnus dos prelados de procederem com total destemor das eventuais consequencias negativas que adviriam sobre si, caso D Müller, num tempo atribulado em que o papa Francisco tende ao radical e cristianófobo esquerdismo – se não é que teria aderido a ele, como apoiador do carniceiro e despótico Maduro e a outros idem trastes ideológicos – e, recentemente o renomado católico *Joseph Seifert o acusou de disseminar todos os tipos de heresias, sintetizando todas elas em si, outrora que fora discípulo de von Hildebrand.
    Aliás, em recente viagem ao O Medio o papa Francisco teria dito que ““o pluralismo e a diversidade das religiões” são “desejados por Deus em Sua sabedoria, através da qual Ele criou os seres humanos” – uma dessas equivaleria a equalizar N Senhor Jesus Cristo a inúmeros deuses pagãos que são demonios e a fundadores humanos de idem religiões diabólicas, as preferidas pelos infernais globalistas-Illuminati, mesmo como Maomé, Buda etc, porque não?
    Bem que se trata de desconsiderar o preceito, exigencia divina, formal, de N Senhor Jesus Cristo, condição única para que alguém O ame e se salve e, de repente aparece alguém como um audaz para O contradizer? “E ordenou-lhes: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” Mc 16, 15.
    E S Paulo tem um rígido ensinamento a todos os que desejarem impor um Evangelho distorcido “Mas, ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do céu – vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema. Gl 1,8.
    E ele mesmo prossegue: “Rogo-vos, irmãos, que desconfieis daqueles que causam divisões e escândalos, apartando-se da doutrina que recebestes. Evitai-os”! Rm 16,17.
    Não nos levaria posteriormente a mais essa e ajuntadas a outras às dezenas de um quase “consummatum est”?
    Aliás, o apologeta bispo D A Schneider: O Papa não é o “dono” das verdades católicas … Os que têm medo de enfraquecer a unidade da Igreja criticando os ensinamentos do Papa Francisco devem lembrar que o Papa é servo da Igreja, disse D Schneider. “Ele é o primeiro que tem que obedecer de forma exemplar a todas as verdades do Mistério imutável e constante, porque ele é apenas um administrador e não um dono das verdades católicas”…
    … O Papa deve “se ligar constantemente e Igreja a obediência à palavra de Deus “, acrescentou.
    D Schneider disse também que quando um papa tolera erros e abusos generalizados, os bispos não devem se comportar como os “funcionários servos” do papa”, finalizou.
    Entrevista a Dorothy Cummings McLean. NEWSCATHOLIC CHURCH Ter Set 19, 2017 – 10:51 am!
    *http://www.hildebrandproject.org/about/josef-seifert

  2. Parabéns ao cardeal Muller.

  3. Parabéns ao Cardeal Miller, mas me pergunto porque quando o Papa era o conservador Bento XVI ele agia de modo liberal/progressista. Quando o papa reinante se torna liberal/progressista, ele se torna conservador.

  4. É nisso que eu acredito. Estou com o cardeal Muller. Tem muitos bispos que também defendem essas posições, mas não expressam tão claramente por medo de represália.

  5. Interessante essa disputa entre Ratzingerianos e Rahnerianos.

  6. Não confio neste cardeal. Absolutamente não confio!
    Diz que o decreto do pastoral Vaticano II, do abominável Vaticano II, Unitatis Redintegratio, é o documento que contém os princípios doutrinários do catolicismo sobre o ecumenismo.
    Ora, este decreto está em contradição com a encíclica Mortalium animos, de Pio XI, sobre o verdadeiro ecumenismo. Não fala em “reditus” dos dissidentes e defende uma verdadeira blasfêmia e heresia, porque diz que a unidade da Igreja precisa ser reconstruída.
    Na verdade, a Igreja jamais perdeu sua unidade essencial, porquanto uma das notas da Igreja é a sua unidade ou unicidade. É o que professamos no credo: credo in unam, sanctam, catholicam, et apostolicam Ecclesiam.
    Ademais, o ilustre cardeal alemão, ressentido por ter deixado o cargo de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, se portou como verdadeiro funâmbulo por ocasião de Amoris Laetitia e das dubia.
    Este alemão representa nenhuma esperança para a Santa Igreja.

  7. Amigos, salve Maria.

    O entrevistador pergunta: “O senhor quer dizer que se, por pura hipótese, o Papa escrevesse uma encíclica ‘vegetariana’, esta não vincularia os católicos? Como é isso?”.

    A isso Müller responde: “Porque isto não faz parte da materia fidei. A autoridade do Papa é muito limitada”.

    Porém, Pio XII ensinou: “(…) Nem se deve crer que os ensinamentos das Encíclicas não exijam per se o assentimento, sob o pretexto de que os Pontífices não exercem nelas o poder de seu Supremo Magistério. Tais ensinamentos fazem parte do Magistério Ordinário, para o qual também valem as palavras: ‘Quem vos ouve, a mim ouve’ (Lc 10,16)” – Papa Pio XII – Encíclica Humani Generis

    Meu Deus do céu, fica a pergunta: e agora, quem irá salvar os membros da igreja conciliar dos salvadores da igreja conciliar?

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