Coluna do Padre Élcio: O Comunismo é intrinsecamente mau.

CARTA PASTORAL prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista. Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória (continuação).

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 27 de abril de 2019

O comunismo, inimigo de morte da Religião

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Dom Antonio de Castro Mayer.

Os comunistas exploram uma realidade social: as injustiças, as misérias, os sofrimentos que acompanham a humanidade e a dividem hoje em dia em dois campos opostos, o dos infelizes e desgraçados, e os dos ricos e gozadores. com isso o marxismo adquire visos de verdade aos olhos dos que consideram as coisas superficialmente.

O plano do Criador e a Redenção

Essa realidade, diz-nos a Revelação, é consequência do pecado original, triste herança de nossos primeiros pais. A existência, portanto, desses males não é intrínseca à natureza humana, e sim algo de acidental que lhe sobreveio devido ao abuso do livre arbítrio com
que o Criador a dotou. Não foi o homem criado assim. Deus no começo o fez reto, isto é, com domínio das paixões que, subordinadas, deveriam servir à ordem racional, e dar amenidade e doçura ao convívio social, pois “no plano do Criador, a sociedade seria o meio natural de que o homem deveria utilizar-se para alcançar os seus fins, e isso não no
sentido individualista do liberalismo, mas mediante a união orgânica de todos na sociedade, por mútua estima e colaboração, a fim de nela se aperfeiçoarem as qualidades individuais e sociais que pairam acima do interesse imediato, e na sociedade reproduzem a imagem da divina perfeição”. Teria assim o homem, na sociedade, “o reflexo da perfeição divina que o levaria ao louvor e adoração do Criador” (Enc. cit., ibid., p. 79).

Esta ordem admirável que estava nos desígnios divinos foi perturbada pelo orgulho humano, que sobrepôs o homem ao seu Senhor. Jesus Cristo, porém, na sua inefável misericórdia, reparou-a com sua obediência até à morte, destruindo na cruz o quirógrafo de nossa condenação (cf. 1 Cor. 2, 14). De sorte que, embora na peregrinação por este mundo carregue consigo as consequências do pecado original, tem o homem sempre a possibilidade de vencer as desordens oriundas da primeira culpa, pela graça de Jesus Cristo, que o leva a imitar a vida de amor e penitência de seu Divino Mestre.

O comunismo acena com outra redenção

A essa luminosa e apaziguadora doutrina, a seita marxista opõe um plano diametralmente contrário. Enquanto o cristão se esforça por destruir a obra do tentador, ela [=a seita comunista] propugna a concepção falsa proposta pelo demônio a nossos primeiros pais no Paraíso. O comunismo, além de negar a existência de Deus e do espírito, par só aceitar a matéria, afirma que a desarmonia é intrínseca à natureza do homem e do universo. A luta interna das coisas, e por conseguinte também da sociedade, é mesmo a causa de sua evolução e progresso.

De onde, em vez de buscar a solução para o conflito social na ordem moral, pelo mútuo amor que aplaina as discórdias e as resolve na harmonia das classes, o comunismo acena com outro redenção do gênero humano, que se obteria exacerbando as desarmonias, fomentando as discórdias entre as classes da sociedade, até a destruição destas e o nivelamento total. Enquanto, pois, a Igreja busca a conciliação, a organicidade de partes desiguais num todo harmônico que espelhe a perfeição divina, o comunismo estimula precisamente o contrário, a oposição e a desagregação, a subversão enfim do plano de Deus a respeito do homem e da sociedade. A Igreja, fiel a Jesus Cristo, tem como base de ação o amor, reflexo daquela caridade que levou o Divino Redentor a derramar seu sangue pelo mundo, a dar a vida pelos homens. O comunismo age em função do ódio que destrói e elimina as classes em que ordenadamente Deus dividiu a sociedade. à beleza do plano divino, de subordinação e coordenação dos diversos elementos no todo, opõe o comunismo a recusa terminante de reconhecer a ordenação da obra de Deus. É ele a renovação na terra do “non serviam” que precipitou do Céu os anjos maus e criou o inferno. Não é possível conceber-se oposição mais radical, carência mais absoluta de condições para qualquer coexistência. Por isso mesmo, os comunistas jamais cessarão a luta enquanto não tiverem escravizado a humanidade inteira. Planos de paz, propostas de coexistência pacífica com o mundo ocidental   –  no qual ainda palpita algo da antiga Cristandade  –  só visam a obter armistícios em que a seita cinicamente se prepare para novas e vitoriosas arrancadas.

Não há seita mais radicalmente anti-religiosa

Não há apenas uma divergência ideológica entre Cristianismo e comunismo. Há um antagonismo de morte. Proclamou-o Lenine: “O marxismo não é um materialismo que se limita ao ABC. O marxismo vai mais longe. Ele diz que é preciso saber lutar contra a religião […], que é preciso fazer desaparecer as raízes sociais da religião” (“De la Religion”, 1933, p. 15 – apud “Itinéraires”, de paris, nº 52, p. 99).

De fato, não é só no conceito que tem da natureza humana, na explicação que dá para os egoísmos antagônicos em conflito na sociedade, na falsa redenção do gênero humano que apresenta, que o comunismo contradiz fundamentalmente as verdades reveladas. O mundo ainda não viu, e talvez jamais veja, seita mais radicalmente anti-religiosa que o comunismo. Ele nega até os fundamentos da religião natural. “Pela primeira vez na História assistimos a uma luta friamente voluntária e cuidadosamente preparada pelo homem contra TUDO O QUE É DIVINO (2 Tes., II, 4)” (Enc. cit. ibid., p. 76).

Comunismo, a pior das barbáries

Por  esse motivo, o comunismo conduz a humanidade à pior das barbáries (cf. idem, ibid.). De fato, fora da Revelação puderam certos povos observar no convívio social os princípios que a luz natural lhesevidenciava, e assim lograram chegar a alguma grandeza, que ainda hoje deslumbra a certos estudiosos superficiais da história humana (cf. idem, ibid.). Mas, sem aceitar os princípios da lei natural, não há freio para as paixões, toda crueldade é admissível, é o reino da barbárie propriamente dita. Acreditamos, à vista desses fatos, que o comunismo, afastando o mundo do reconhecimento das normas jurídica da ordem natural, prepara a vinda do Anticristo de acordo com a profecia de São Paulo (cf. 2 Tes., II, 6).