Uma Conferência empedernida e irremediável.

Por FratresInUnum.com, 10 de maio de 2019 – Popular, sorridente, amigo de todos. Dando bom dia até para as paredes. Assim entrou Dom Jaime Spengler na Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que termina hoje, em Aparecida, SP. Mas, como diz o famoso ditado: “No conclave, quem entra papa, sai cardeal”. E assim se fez! A chamada “máfia franciscana”, capitaneada por Dom Cláudio Hummes e Dom Leonardo Steiner, perdeu a presidência da CNBB. Com a eleição de Dom Joel Portella Amado para o cargo de Secretário Geral  e de Dom Walmor de Oliveira Azevedo para a presidência, eles tiveram de se contentar com a modesta posição de vice.

Eleição na CNBB 2019 – Da esquerda para a direita: Dom Jaime Spengler, eleito vice-presidente. Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, eleito presidente. E Dom Mário Antonio Silva, bispo de Roraima, segundo vice-presidente.

A eleição de Dom Walmor, por sua vez, não foi fruto de uma decisão autônoma dos bispos brasileiros. Muito pelo contrário! Se até então eles sempre manifestaram reservas quanto às indicações romanas – a própria presença do núncio apostólico nas assembleias da conferência sempre foi encarada com antipatia –, agora, deram provas da mais absoluta submissão às indicações de Francisco. Como anunciamos meses atrás, a eleição de Walmor veio pronta da Cúria Romana e sua autoria, segundo fontes, é do brasileiro Ilson Montanari, Secretário da Congregação para os Bispos.

Porém, o surto de papismo do episcopado tupiniquim não se limitou ao chancelamento de uma decisão romana quanto à eleição do presidente da CNBB, mas também derramou-se em manifestações de uma devoção papal calorosa e entusiasmada. A autoridade de Francisco foi evocada como argumento inapelável e a sua vontade sondada como se fosse o querer do próprio Deus! Os bispos, tais como adolescentes histéricos diante de um popstar, não economizaram hosanas à autoridade de Bergoglio.

Falsidades à parte, é obvio que o teatro é fruto não de uma convicção teológica, mas do medo, do temor servil, do pânico de serem suspeitos de qualquer crítica ao bispo de Roma. Controlados por fiscais de todos os lados, mais temerosos de uma pena canônica seguida de remoção do episcopado que cobiçosos de uma ascensão na carreira eclesiástica, os bispos brasileiros se reduziram (ou foram reduzidos) abaixo do nível dos coroinhas de qualquer sacristia e, como noviças apavoradas, fazem as graças com um postiço sorriso amarelo.

Enquanto isso, Francisco alegremente celebra o poder, pois prefere ser temido que amado, assim como os ditadores, cuja mera lembrança provoca nos remotos súditos chiliques de uma obediência idolátrica e cega.

O desespero papista fez os bispos se rivalizarem no esquerdismo e, portanto, aclamarem euforicamente qualquer protesto contra o governo como se fosse a proclamação de um dogma. Todos comentam, nos corredores da CNBB, que há muito não se via um ambiente tão libertador quanto nesta assembleia.

Quando a esmola é demais, o santo desconfia. Embora todos soubéssemos que, tão cedo viesse um governo de direita, o “profetismo” adormecido nos tempos do PT acordaria com violência, todo esse papismo subserviente pouco ou nada combina com a rebeldia corajosa de quem se encoraja apenas quando protegido pelos muros da discrição e pela aprovação de seus pares.

A assembleia termina exatamente como começou: em um clima de medo e insegurança. Os bispos são cientes de que estão mais desprotegidos do que nunca, quer pela ameaça papal que paira sobre as suas cabeças, quer pela vulnerabilidade diante de um clero astuto e articulado, quer pela vigilância dos leigos, não mais passivos e silenciosos como nas décadas anteriores. De fato, “nós estamos no meio deles” e sabemos muito bem quem eles são.

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12 Comentários to “Uma Conferência empedernida e irremediável.”

  1. Excelente análise, parabéns ao Fratres.
    Após esse processo eletivo a CNBB só confirmou escancaradamente o que todos nós já estávamos cientes há muito tempo, que a grande maioria dos bispos do Brasil são frouxos, fracos, verdadeiras hienas a espera da queda de uma presa para que possam aproveitar os restos depois que a mesma já está morta.
    Quanto ao final da análise, gostaria de destacar que a atuação dos fiéis leigos tem surpreendido não só a CNBB, mas o clero de uma maneira geral. E neste ponto eles mesmos – os bispos – foram vítimas do que tanto insistiram e acabaram por abafar o quanto podiam e não podiam. Estou me referindo ao “famigerado” Ano Nacional do Laicato.
    O objetivo deste ano de vivência especial era que os leigos tivessem uma participação “ativa e frutuosa” dentro da Igreja e da sociedade, mas, é claro, ao seu modo pseudo-cristão de ser; eles queriam aquela mistura de ideólogo e ativista social atuando dentro do meio católico. Só que os tiros saíram pela culatra.
    Sim, eles realmente conseguiram uma participação ativa e frutuosa, só que totalmente diferente. Os ditos “leigos católicos” se mostraram “fiéis católicos” dispostos a cobrar e enfrentar os próprios pastores em nome da Igreja de Cristo e de Seu reinado social. Os leigos, que já vinham se destacando, realmente ganharam o protagonismo nesse último ano.
    Os bispos se sentiram encurralados, viram sua querida conferência se questionada publicamente e não somente em ações isoladas. E o que fizeram? Encerraram o Ano do Laicato timidamente e mantiveram seu silêncio sepulcral sobre os questionamentos, além de manterem os velhos ataques e críticas a rigidez, a onda conservadora, a falta de diálogo, blá blá blá.
    Em suma, a os bispos mostraram que não conhecem o seu rebanho, ou fingem descaradamente, e até os padres moderninhos estão com medo e bufando pelos cantos quando fazem alguma peripécia e vem alguém documentando a ação.
    Os tempos estão difíceis, mas cabe a nós leigos, ou melhor, “fiéis” Católicos, não perdermos este impulso do Espírito que fomos imbuídos.

  2. Numa alocução dirigida à Guarda Suíça, o antipapa pop voltou à carga e disse que a diversidade religiosa é uma “riqueza humana”. Como se vê, o dito cujo dá um troco ao bispo Schneider, insistindo em dar continuidade aos devaneios ecumenistas de João Paulo Segundo: nada de muito novo.
    Agora, eu me pergunto: pra quê Igreja?
    Não é mais consequente que certos bispos da seita bergogliana, aqui no Brasil, larguem tudo e vão viver as novas modalidades de família que tanto lhes apetece?
    Tenho duas certezas: a primeira, é que a maioria desses senhores tem uma ou várias pombas-gira no lombo; a segunda, é que devem buscar auxílio de um exorcista para se livrarem desse parasitismo psicológico e espiritual.
    Daí a beleza da obra divina, sua sabedoria impressa na natureza e na IGREJA, ficará manifesta.
    Heresia tem cura: obediência e humidade. Ninguém inventou a roda.

  3. Vocês estavam lá dentro da Assembleia? Deixem de ser egoístas, idiotas, retardados, imbecis e falsos cristãos. Não estão satisfeitos com a Igreja a qual fazem parte? Só lamento, não tem ninguém segurando vocês. Continuem seguindo um Youtuber que mal conhece a Igreja Católica, que passou a fazer parte dela há três anos, e não entendeu absolutamente nada. Vocês não querem construir, vocês querem destruir.

    • Quem é você para julgar?

    • Nossa pra um defensor da “caridade” e do “evangelho” voce veio aqui com pedras na mao ? Para condenar ? Para fazer-nos morrer sob a lei ? Cade a “misericórdia” ? O “amor e respeito as diversas opiniões” ? Olha o sr nao esta um bom bergoliano nao viu e nem um bom “cristão”

    • Ora bolas, aqui temos a ocinha que acha que Igreja é partido politico e tempo de casa faz posição e cadeira. Faz me rir, faz me rir! A demência é tanta que faz confundir Igreja com o partidão comunista, ou será que não é a demência? Talvez seja não confusão, mas firme convicção que o catolicismo serve apenas de braço para o Internacionalismo.

      Deixou escapulir, linda.
      Mais cuidado na próxima.

    • Eu não estive nem um momento dentro do governo Dilma e muito menos dentro do governo Lula para saber perfeitamente que, em nenhum momento, aquilo prestou…
      Não preciso, portanto, estar dentro de assembleias da CNBB e do Vaticano para saber que Satanás por lá passeia, lépido e garboso.

  4. Fratres in Unum é mais do que opinião, é verdadeiro jornalismo à serviço da Igreja. Crônica excepcionalmente aguda, talvez intragável para os espíritos mais hipócritas.

  5. Concordo com o Fernando. O Fratres In Unum é um serviço a todo católico que preza pela religião católica. O trabalho apresentado aqui apresenta um retrato de uma realidade cruel mas latejante dentro de nossa Igreja. Aliás, muito típico de um determinado grupo não ter argumentos técnicos para defender o indefensável partir para agressões pessoais.

  6. “Não fostes vós que me escolheste, mas Eu vos escolhi.” (Jo 15:!6)
    Desta forma nossa presença na Igreja de Cristo não é graça nossa, mas sim fruto de sua infinita misericórida. Logo, só podemos delixa-la, a Igreja, se assim Deus querer ou permitir. De fato Ele nunca ós jogaria ao mal, mas não não obriga a fazer o que Ele deseja. Logo, nossos pastores podem sim serrem maus. E hão de responder por esse mal que causam às almas que lhes foram confiados. Isso me faz lembra umas “barbaberagens” do Romano Pontífice sobre a “pluralidade religiosa” ser algo desejado por Deus. Deus permite mal, para que dele se possa retirar um bem.(S. Agostinho) Contudo, não podemos seguire a dois senhores, havemos de agradar a um, e desagradar o outro. A escolha é nossa. Sobre a disputa na CNBB, é público e notório, que lá não espaço para a Verdade. Recordo uma provérbio popular que fala mais ou menos assim: de onde menos se espera, é de lá que nada vem de bom. Há de se reconhecer que há bons bispos, mas esses estão “censurados” pelo politicamento correto e pela política da boa vizinhança. Daí que vem a força dos maus. O que torna o estrago ainda maior, pois se dilui o mal nas frases boazinhas e assim se contamina todo o rebanho. A Teoria do Fruto da Árvore Contaminada nunca foi tão bem retratada no cenário atual. Engana-se que o “Estado de Necessidade” evocado lá nos anos 80 pelos ditos “rebeldes” ainda não acabou. Pode-se crer que é bem pior agora do que antes, pois as heresias são gritantes. Assis foi apenas o começo, que sofreu reprovação por grande parte de fiéis e até os não católicos. Hoje, a “comunhão” entre os que se dizem cristãos e os inimigos de Cristo é aberta e “contagiante”. São João Apóstolo já orientava seus discípulos que se alguém viesse a eles mas sem trazer a verdadeira doutrina não o recebeis. Nem ao menos um bom dia. Pois que trata bem o mal, acabe-se tornando cúmplice de suas obras (2Jo1:10) . Bem, não há necessidade de narrar todo o mal público e escandaloso que autoridades eclesiásticas cometem a décadas com fadonho CVII. Sempre fiéis àquilo que nos foi transmitido desde Nosso Senhor, com a Verdadeira Caridade, que só existe na Verdade, rezemos por nós e por nossos pastores. Ainda que em erro, até que a quem compete destituí-los, devemos respeito e sobretudo Caridade em Cristo.

  7. Tomara que essas mudanças traga o conservadorismo de volta para a Igreja Católica. O caminho percorrido pelos Bispos da CNBB é muito perigoso e de difícil implementação. Estamos de olho.