“Se os bispos pedissem padres casados, o Papa aceitaria”, afirma cardeal Kasper.

IHU – O cardeal Walter Kasper dá uma no cravo e outra na ferradura. O presidente emérito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos descartou por completo a ordenação de mulheres, já que ao adotá-la a Igreja se situaria fora de uma tradição milenar que reserva o sacerdócio apenas para os homens, ao mesmo tempo que abriu a porta para a ordenação de homens casados.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 04-06-2019. A tradução é de André Langer.

“Com base no Novo Testamento, há uma tradição ininterrupta não só na Igreja Católica, mas em todas as Igrejas do primeiro milênio, segundo a qual a ordenação e a consagração são reservadas apenas aos homens”, disse Kasper ao jornal FrankfurterRundschau, de acordo com o sítio da internet dos bispos alemães, katholisch.de.

Mas, embora haja “pouco movimento atualmente” em relação inclusive ao diaconato feminino – depois que o Papa Francisco colocara um freio na ideia no voo de volta de sua recente viagem à Bulgária e à Macedônia –, ainda há coisas que a Igreja pode fazer e deve fazer para reconhecer a contribuição das mulheres, sem a qual qualquer diocese ou paróquia “entraria em colapso amanhã”, destacou Kasper.

“Parece-me mais importante que hoje – agentes de pastoral e ministras, assistentes da comunhão e professoras, na Caritas e na catequese, na teologia e na administração – façam dez vezes mais do que faziam as diaconisas”, observou o cardeal alemão, que considerou “importante” que se torne este serviço mais visível e que seja reconhecido publicamente.

A Igreja deve responder às legítimas demandas das mulheres por mais protagonismo e “dar os passos possíveis o mais rápido possível” às suas demandas, defendeu, enfatizando, por outro lado, que a solução não passa por greves eucarísticas como a da Campanha “Maria 2.0”, as organizadoras que o cardeal criticou por “instrumentalizar a Santíssima Virgem Maria”.

“O celibato não é um dogma”

Embora Kasper, desse modo, tenha jogado água fria sobre a possibilidade de a Igreja ordenar mulheres, não fez o mesmo com relação à ordenação de homens casados. Precisamente porque o celibato obrigatório, ao contrário do sacerdócio masculino, é uma mera disciplina que a Igreja adotou, razão pela qual pode ser alterada pelo Papa, e isso talvez já no próximo Sínodo para a Amazônia, em outubro deste ano.

“Se os bispos concordassem por consentimento mútuo ordenar homens casados – os chamados viri probati –, na minha opinião, o Papa aceitaria”, explicou Kasper, já que “o celibato… não é um dogma, não é uma prática inalterável”. “Sou, pessoalmente, muito favorável a manter o celibato como modo de vida obrigatório com um compromisso indiviso à causa de Jesus Cristo, mas isso não exclui que um homem casado possa realizar um serviço sacerdotal em situações especiais”, concluiu o cardeal.

19 Comentários to ““Se os bispos pedissem padres casados, o Papa aceitaria”, afirma cardeal Kasper.”

  1. Por trás da ordenação de padres casados exite uma armadilha diabólica, caso seja aceita, a Igreja de acordo com a lei não poderá discriminar casais homossexuais. Será mais uma pedra de tropeço colocada no caminho por satanás…

  2. A campanha denominada de “Maria 2.0” é uma demonstração de total desrespeito à Mãe de Cristo, Nossa Senhora, denominação esta absolutamente vulgar, tratamento materialista, como se N. S. fosse uma ativista descabelada, com óculos de aro grosso, gritando nas ruas palavras de ordem e impondo posições ao papa e à Igreja.
    Este tipo de atitude deveria ser combatido por todos os fiéis e pelo clero e não admitido em hipótese alguma.
    Esperamos que as coisas mudem, daqui em diante e rezemos, não somente em desagravo mas para que isto venha a acontecer.

  3. Gostaria de saber sobre o diaconato permanente para homens casados. O diaconato permanente para homens casados já existia antes do Concílio Vaticano II ou foi uma inovação do Concílio?

    O diaconato permante para homens casados não poderia ser uma opção no lugar do “diaconato feminino”? Por que as dioceses não incentivam o diaconato permanente? Há algum problema teológico nisso? Me desculpe as várias perguntas, mas realmente são questões que me levantam dúvida.

    • Prezado Alex A.,

      Salve Maria!

      Toda essa coisa de diaconato permanente e ministro extraordinário da comunhão é bobagem e desnecessário.

      Sou natural da União Sacerdotal São João Maria Vianney (atual Administração Apostólica) sediada em Campos-RJ. Esta Igreja desde o início da década de 1980 sempre foi constituída por Paróquias numerosas e não-menores que as Paróquias progressistas da Diocese de Campos. Poderia te dar o exemplo de algumas Paróquias tradicionais que são mais do que o triplo, em número de fiéis, que as Paróquias progressistas de um mesmo Município.

      O testemunho pessoal meu que posso te dar é que em 31 anos, de 1988 para cá, em nenhum local do território eclesiástico de Campos foi necessária essa palhaçada de diaconato permanente ou ministros extraordinários da eucaristia. Dois Padres (mas Padres de verdade, e não palhações) dão conta de uma Paróquia. Um para a matriz e a cidade, e outro para as capelas e zonas rurais, em cada Município.

      Sobre o Concílio Vaticano II, no mesmo relativismo que ele nos deu de beber, devemos retribuir-lhe na aceitação de seus preceitos.

      Lamento não ter no momento condições de te dar uma resposta teologicamente à altura da questão. Tô meio apertado de coisas por aqui. Talvez outrem aqui no Fratres possa te esclarecer melhor. Ofereço meu testemunho.

      Um grande abraço!

      Att,

    • Prezado Vitor José,
      Salve Maria!
      Obrigado pela resposta!
      Pelo que eu entendi, a questão do modo como as paróquias são administradas é crucial. Achei interessante o fato que você comentou que um padre fica na matriz, na cidade, e outro nas igrejas rurais. É uma divisão inteligente!
      Quanto à minha diocese, infelizmente é uma diocese modernista com algumas peculiaridades de se lamentar.
      Um grande abraço!

    • Vitor, diaconato permanente existe também nas igrejas sui juris, que estão em plena comunhão com a Igreja Católica. Mais respeito com este tipo de ministério ordenado! Dom Rifan, responsável pela administração apostólica, jamais utilizaria essas palavras tão depreciativas e viperinas que você usou.

  4. O Cardeal D Muller de quando em tempo possuiria algumas estranhas, como outrora recordo que teria dito que, depois da reunião entre o Papa Francisco e o Pe G Gutiérrez que ocorreu a seu pedido, Dom Müller disse que “o Padre Gutiérrez nunca foi criticado pela Congregação, por ser ele o pai da teologia da libertação, não tem nada a ver com o marxismo”.
    A teologia do Pe. Gutiérrez, disse o cardeal, “não é uma mescla de teologia com marxismo, tem a ver com a salvação, a teologia da libertação é uma teologia católica, não é uma ideologia, é uma teologia para falar do amor de Deus a todos já que tanta gente está vivendo abaixo do nível de dignidade humana. Isso não pode ser, Deus nos deu a todas as pessoas a necessidade do pão diário, sendo isto é para todas as pessoas”. concluiu, mas nós sabemos que a TL foi denunciada té por dissidentes do comunismo como obra prima do Serviço Secreto russo para para pregar marxismo disfarçado de catolicismo!.
    Posteriormente, agora vem com essa de que “Se os bispos concordassem por consentimento mútuo ordenar homens casados – os chamados viri probati –, na minha opinião, o Papa aceitaria”, explicou Kasper, já que “o celibato… não é um dogma, não é uma prática inalterável”. “Sou, pessoalmente, muito favorável a manter o celibato como modo de vida obrigatório com um compromisso indiviso à causa de Jesus Cristo, mas isso não exclui que um homem casado possa realizar um serviço sacerdotal em situações especiais”, concluiu o cardeal e mesmo noutros países possuem infiltração maçônica. como na Italia, Alemanha, França…
    Passaria impressão de não retrucar e ainda convidaria indiretamente, já que varias iguais à CNBB de outros países têm, como aqui, socialistas.

  5. Abriu a porteira, já sabe…

    Paulo VI, abriu o poço do abismo.

    Guenta firme, peão!

    (Sem mimimi, por favor).

    Povoe o mundo de cristãos com sua esposa (ou seja ordenado).

    “Gemebundo arrulhar” é para as lambisgoias e conservadoras putrefactas.

    Baratas gosmentas e escorpiões furibundos não prevalecerão.

    Essa gentalha não deixa traço. Quem se lembra do nome de um único bispo ariano?

    Non praevalebunt!

    Serão lançadas na latrina eterna.

    E-TER-NA…!

  6. Olha, na atual conjuntura, seria muito bom. Talvez isso diminuísse a quantidade de gays que se escondem sob o manto do ministério presbiteral.

  7. Particularmente não vejo problema na ordenação ao sacerdócio de homens casados. Isso ocorre nas igrejas ortodoxas e nas igrejas católicas orientais. Acredito até que seria benéfico para a Igreja e a sociedade. Creio que o grande problema seja a teologia, ou seja, se se se formam padres casados ortodoxos e no caminho da santidade, ok mas se forem liberais e modernistas aí a coisa só vai piorar.
    Sei lá, minha opinião, mas sei que posso estar errado.

    • Augusto Primo: o Sínodo do Amazonia é um esquema revolucionario bem montado pelas esquerdas “católicas” e os novos lançamentos de invencionices proliferarem ainda mais as confusões – D Hummes será o relator, basta – e na Igreja católica doses cada vez mais letais de revolucionarismo, embora a nova igreja do papa Francisco atole-se na lama do anti evangelismo, apesar de que seguidores dele, parece-me a CNBB com os anteriores e mesmo sob D Walmor já diferenciem e distanciem bastante dos da Igreja católica tradicional de 2000 anos, pois essa é a do Senhor Deus Pai, pregada por Cristo Jesus e inspirada pelo Espírito Santo.
      A nova é aquela mundanista, acolhedora de todos no estado em que se encontrem, multiculturalista etc., da qual S Pio X e mais de seu tempo já alertavam bastante e hoje cada vez mais sedimentada, a macaqueada, a outra nova versão TL, como as e nas seitas dos filhotes de Lutero.

  8. Quem sustentatá a família do padre? O dízimo, que a maioria dos católicos não quer pagar? Ou ele será sacerdote nas horas vagas de um emprego remunerado? Se tiver que cuidar de uma família, esse tempo será tirado do cuidado pastoral.

    • Concordo, Maria. E acho também que se liberar que os padres se casem não quer dizer que vai resolver a questão da homossexualidade. Se não houver um acompanhamento correto, vai ter padre casado e homossexual, vai ter padre casado com amante mulher, padre que vai beber no bar, fumar, falar palavrão, ou seja, vão ser homens comuns.

  9. O que é inusitado e raro é ver um cardeal defender o mais simples e mais fácil: a perene e contínua tradição e magistério da Igreja. Pelo contrário, é comum a defesa de opiniões da moda, do presente e do moderno. Parece que esquecem que a nossa fé vem de um fato antigo, ocorrido há 2000 anos. Está ficando cada vez mais claro que devemos manter, com a graça de Deus, a nossa fé apesar desses homens e não por sua confirmação.

  10. “Se os bispos pedissem padres casados…” não sei por quê, quando li isso isso tive a impressão que esse ‘se … pedissem’ significa ‘já há uma concertação prévia para que peçam’.

  11. Não vai ter padre casado nenhum, pelo simples fato de que a máfia gay já entendeu há tempos que isso destruitiria o monopólio deles. Não se preocupem.

  12. Imagino a situação de igrejas particulares pobres (em sua grande parte prelazias), como as que existem na região amazônica, tendo que se virar para sustentar um padre casado com mulher e filhos (casa, comida, plano de saúde, educação das crianças…). E esse é o menor dos problemas. O que vão dizer quando começarem a aparecer padres divorciados?