Foto da semana.

PEQUIM, 15 Jun. 19 / 06:00 am (ACI).- As autoridades da China proibiram o funeral público e o enterro em um cemitério católico do Bispo de Tianjin, Dom Stefano Li Side, que morreu em 8 de junho, aos 92 anos, em prisão domiciliar.

Dom Li Side sempre foi fiel à Santa Sé e, por isso, foi preso várias vezes, 17 anos em campos de trabalhos forçados e exilado em um povoado em prisão domiciliar desde 1992.

Segundo informa ‘Asia News’, a Associação Patriótica Católica, o organismo do governo chinês para o controle da Igreja no país, e à qual Dom Li “sempre se recusou a pertencer, proíbe enterrar seus restos mortais em um cemitério católico”.

Um católico local disse a ‘AsiaNews’ que “o governo local é muito mais civilizado do que a Associação Patriótica”, que ordenou que o bispo não tivesse o seu funeral na Catedral de São José (Xikai), em Tianjin. Os sacerdotes que quiseram se despedir, tiveram apenas dez minutos para rezar diante de seus restos e não puderam estar na Missa de exéquias.

Sua vida

Dom Esteban Li Side nasceu em 3 de outubro de 1927, em Zunhua (Tangshan, Hebei), em uma família católica com uma longa tradição. Passou nove anos em seminários menores, estudou no Seminário Maior de Wen Sheng, em Pequim, e foi ordenado sacerdote em 10 de julho de 1955.

Assim que se instituiu a Associação Patriótica para controlar a Igreja, Pe. Li foi preso em 1958. Foi libertado em 16 de fevereiro de 1962 e retomou o seu serviço na Catedral de São José, em Tianjin. Foi preso novamente em 1963 e, até 1980, cumpriu uma sentença em campos de trabalhos forçados.

Em 15 de junho de 1982, foi ordenado em segredo como Bispo de Tianjin, mas não foi reconhecido pelo governo comunista. Em 1989, foi preso pela terceira vez depois de participar da Assembleia da Conferência Episcopal Chinesa que reivindicou ao regime maior liberdade religiosa.

Em 1991, foi libertado e retornou à Catedral de São José em Tianjin. Em 1992, as autoridades o forçaram a ir para o povoado de Liang Zhuang Zi, em meio às montanhas, onde permaneceu em prisão domiciliar até sua morte.

Desde 1992, o governo chinês tentou instituir como bispo oficial de Tianjin Dom José Shi Hongchen, que vinha da Igreja subterrânea ou clandestina e foi ordenado Bispo Auxiliar por Dom Li em 1982; entretanto, Dom Shi Hongchen morreu em 2006.

Desde 2007, a maioria dos sacerdotes da Igreja oficial expressou sua obediência a Dom Li Side. A Igreja de Tianjin tem um Bispo Coadjutor (subterrâneo), Dom Melchor Shi Hongzhen, de 92 anos, que também está em prisão domiciliar em uma cidade montanhosa na região.

A Diocese de Tianjin tem cerca de 100 mil fiéis que são atendidos por 40 sacerdotes oficiais e 20 não oficiais ou subterrâneos.

A situação dos católicos na China

Em abril de 2019, Pe. Bernardo Cervellera, especialista em Igreja Católica na China e editor da agência de notícias ‘Asia News’ informou que, “em muitas dioceses, a Associação Patriótica e o Departamento de Assuntos Religiosos continuam exigindo que todos os sacerdotes se inscrevam na associação e mantenham a ‘Igreja independente’. A este respeito, o Vaticano manifestou uma tímida reserva em uma entrevista do Cardeal Fernando Filoni concedida ao (jornal do Vaticano) L’Osservatore Romano, destacando que a pertença à Associação segundo lei chinesa deveria ser facultativa”.

Na China existe a Associação Católica Patriótica Chinesa, controlada pelo governo, e a Igreja clandestina ou subterrânea, que sempre permaneceu fiel à Santa Sé.

Na prática, afirma Pe. Cervellera, ao invés de “reconciliação” entre a Associação Patriótica e a Igreja clandestina ou subterrânea, com o acordo entre a China e o Vaticano, “há uma grande pressão sobre a comunidade subterrânea com forte interferência na vida da Igreja”.

O Acordo Provisório

Em 22 de setembro de 2018, o Vaticano anunciou a assinatura do Acordo Provisório com a China para a nomeação de bispos.

Alguns manifestaram oposição ao acordo, como o Bispo Emérito de Hong Kong, Cardeal Joseph Zen Ze Kiun, que em um artigo publicado em ‘The New York Times’, em 24 de outubro, escreveu: “Aos Bispos e sacerdotes clandestinos (fiéis) da China, só posso dizer-lhes isto: por favor, não comecem uma revolução. Eles (as autoridades) tomam suas igrejas? Já não podem mais celebrar? Vão para casa e rezem com suas famílias (…) Esperem por tempos melhores. Voltem para as catacumbas. O comunismo não é eterno”.

A bordo do avião no regresso de sua viagem à Letônia, Lituânia e Estônia no final de setembro do ano passado, o Papa Francisco disse aos jornalistas: “Eu sou responsável” pelo acordo.

Sobre os bispos que não estavam em comunhão com a Igreja até antes do acordo, como Dom Guo Jincai que participou do Sínodo dos jovens, Francisco disse que “foram estudados caso por caso. Para cada bispo fizeram um expediente e estes expedientes chegaram à minha escrivaninha. E eu fui o responsável por assinar cada caso dos bispos”.

Sobre o acordo, Francisco indicou que “a coisa é feita em diálogo, mas nomeia Roma, nomeia o Papa. Isso está claro. E rezamos pelos sofrimentos de alguns que não entendem ou que têm nas costas muitos anos de clandestinidade”.

Em 26 de setembro de 2018, o Pontífice dirigiu uma mensagem aos católicos da China e à Igreja universal, na qual solicitou “gestos concretos e visíveis” aos bispos que foram retirados da excomunhão.

6 Comentários to “Foto da semana.”

  1. O papa nomeia e a China Comunista, o Estado Chinês destitui e vice-versa.
    Acordo comunista é acordo com o diabo. Ele cede e depois leva a sua alma. Os comunistas porém são piores, não cedem e se insistir, matam.
    Parece que o papa não sabe disto…

  2. Rezemos pela alma deste Bispo e pela perseguida Igreja Católica na China e no mundo!
    Que o Bom Deus tenha Misericórdia e envie alento, perdão e paz !
    Que os Corações Sacratíssimos de Jesus e Maria concedam à Igreja um Digno e Santo Pastor, que afugente os lobos vorazes que atacam o Rebanho!
    Nossa Senhora de la Salette, rogai por nós!

  3. Esses testemunhos de vida nos fortalecem a fé que as vezes custa muito pouco para desaparecer. Que Deus o tenha em bom lugar!

  4. E nós fazemos comércio com esse governo? Quem apoia isso é um vendido!

  5. Eis aí um mártir, candidato até a uma canonização futura, autêntico testemunho vivo da Igreja!
    Jesus era quem mais censurou os religiosos de seu tempo sobre santidade, ¨”Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter”, Mt 23 25-29 e Jesus mostra aos homens que a pureza e determinação do homem em O seguir, sem condições ou apegos mundanos; outra história bíblica que se encaixa neste assunto é a escolha do rei Davi pelo profeta Samuel, dizendo: “Mas o Senhor disse-lhe: Não te deixes impressionar pelo seu belo aspecto, nem pela sua alta estatura, porque eu o rejeitei. O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração”. 1 Sam 16,7.
    A santificação é uma obra progressiva da parte de Deus e do homem que nos torna cada vez mais livres do pecado e semelhantes a Cristo em nossa vida presente e se dispõe a sofrer horrores nas mãos dos inimigos da fé, a traí-la, sendo D Stefan Li um exemplaríssimo modelo para nós, vivendo no meio do politicamente correto e, de nossa parte, jamais cedendo ao relativismo de nosso tempo além do ultra paganizado.
    ”Mas todos nós temos o rosto descoberto, refletimos como num espelho a glória do Senhor e nos vemos transformados nesta mesma imagem, sempre mais resplandecentes, pela ação do Espírito do Senhor. 2 Cor 3,18 . e, se às vezes vacilamos, também poderemos descobrir atitudes erradas, anteriormente não percebidas, mas que serão mudadas pelo poder das Deus a quem Lhas pede com confiança e incessantemente pelas preces!
    Assim, gradualmente, tornamo-nos cada vez mais semelhantes a Cristo, conforme avançamos na vida cristã, podendo sê-lo em todos os modelos de vida cristã laica ou na religiosa – nessa facilitando ainda mais por não nos dividirmos com outros afazeres desse mundo – foi o caso de D Stefano Li Side, preferindo ser apenas de Deus, conduzido ao martirio, jamais cedendo a perversos interesses de um governo maleficíssimo e cristianófobo, o chinês, comunista, com própria versão de igreja católica do modelo relativizada, como daqui a TL.

  6. A leitura do testemunho do Pe. Joaquim Guerra — “Condenado à morte” — é altamente recomendado para entendermos o que um padre, amante de Cristo e amigo de Pedro, passa na China comunista; infelizmente este livro é uma raridade e evaporou do mundo, e seu sumiço é uma das coisas mais “misteriosas” que já vi em toda minha vida; eu pretendo escaneá-lo assim que possível.
    As memórias de Sergei Iosifovich Fudel, leigo ortodoxo, é também um valiosíssimo sinal da vida de martírio na égide do comunismo, seu livro “Light in the Darkness” é uma pérola preciosa. E com toda certeza, o pior dos relatos são aqueles encontrados em Pitesti na Romênia, no maior e mais macabro centro de “reeducação” comunista, onde milhares de cristãos foram destruídos, onde padres foram estuprados e muitas outras coisas satânicas, Dumitru Bacu, também leigo ortodoxo, relata estes eventos em seu livro chamado “The Anti-Humans”.

    Chega ser algo nojento, simplesmente N-O-J-E-N-T-O ver qualquer demonstração de reconhecimento por parte do Vaticano para esse monstro vermelho, a máquina de fazer martírios! Essa coisa sequer deve ser considerado um governo mas sim um coliseu gigante feito apenas para assassinar os justos e bons, um matadouro nas formas de país.

    É impossível ignorar o cheiro de sangue que escorre nas terras do Rio Amarelo e eu simplesmente não entendo que o faz — até quando tu, que és a Igreja de Cristo, a Santa, a Única, ficarás sem fazer ouvir e sem chorar o sangue dos habitantes das terras chinesas?
    Tal dia, irmãos, certamente virá.