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Vaticano, 05 Ago. 19 / 11:00 am (ACI).- O Papa Emérito Bento XVI recebeu em audiência privada e concedeu sua bênção a Mons. Livio Melina, reconhecido professor recentemente tirado do Pontifício Instituto João Paulo II, em uma decisão que gerou polêmica no mundo acadêmico.

Segundo informações concedidas ao Grupo ACI, Bento XVI recebeu Mons. Melina no dia 1º de agosto em audiência privada, durante a qual discutiram os recentes acontecimentos do Pontifício Instituto João Paulo II. Depois, concedeu a sua bênção, expressou sua solidariedade pessoal e assegurou-lhe sua proximidade na oração.

Fundado em 1981, por São João Paulo II, o instituto surgiu como espaço de formação científica em família, matrimônio e vida.

Mons. Melina foi o primeiro a obter um doutorado no Pontifício Instituto João Paulo II, em 1985, e chegou a presidi-lo por vários anos.

Em setembro de 2017, o Papa Francisco refundou o Pontifício Instituto João Paulo II, com base na necessidade de “uma renovada consciência do evangelho da família e dos novos desafios pastorais aos quais a comunidade cristã está chamada a responder”.

“A mudança antropológico-cultural, que hoje influencia todos os aspetos da vida e exige uma abordagem analítica e diversificada, não permite que nos limitemos a práticas da pastoral e da missão que refletem formas e modelos do passado”, disse o Santo Padre naquela ocasião.

Atualmente, o Grão-Chanceler do Pontifício Instituto João Paulo II é o Arcebispo Vincenzo Paglia, também presidente da Pontifícia Academia para a Vida.

Recentemente, um grupo de mais de 150 alunos do instituto publicou uma carta criticando as várias mudanças realizadas, entre as quais os novos estatutos, a retirada de Mons. Melina e a supressão da cátedra de Teologia Moral Fundamental.

Além disso, os estudantes criticaram o que consideram uma concentração excessiva de poder nas mãos de Dom Paglia.

Mons. Melina e Pe. José Noriega não voltarão a ensinar no Instituto João Paulo II no próximo ano. Tecnicamente, e porque todos os professores receberão novos contratos sob os novos estatutos do Instituto, ambos não serão demitidos, mas simplesmente não terão seus contratos renovados. É possível que possam continuar trabalhando com os alunos completando dissertações sob sua direção.

Em 29 de julho, o Pontifício Instituto João Paulo II publicou uma resposta às críticas dos estudantes, assegurando que a informação sobre “uma centralização de poder” nas mãos de Dom Paglia é “falsa”.

No entanto, um professor do instituto, consultado pelo Grupo ACI, disse que o Grão-Chanceler faz uso de um sistema complexo de normas para controlar todas as nomeações de professores sem nenhum contrapeso acadêmico.

Por sua parte, o vice-presidente do Pontifício Instituto João Paulo II, Pe. José Granados, advertiu recentemente que seus os estatutos da instituição e a mudança de professores e demissões são “um perigo para manter a herança de São João Paulo II”.

Bento XVI, o Pontifício Instituto João Paulo II e Mons. Livio Melina

Em comunicação com o Grupo ACI, o diretor da área de pesquisa do Pontifício Instituto João Paulo II, Pe. Juan José Pérez-Soba, destacou a profunda relação entre Bento XVI e a fundação de seu antecessor no pontificado, assim como com Mons. Livio Melina.

Joseph Ratzinger sempre acompanhou de perto o trabalho de Mons. Melina na cátedra de Teologia Moral Fundamental”, disse. “Em uma carta datada de 30 de junho de 1998, o então Cardeal Ratzinger se alegrava por causa da constituição, junto a esta cátedra, da ‘Área de pesquisa sobre teologia moral fundamental’”.

“Ratzinger valorizou o programa da Área de forma muito positiva”, recordou.

Pe. Pérez-Soba indicou que anos depois, em janeiro de 2003, “Ratzinger escreveu a Dom Rino Fisichella, então presidente do Instituto João Paulo II, concordando em participar de um congresso para o décimo aniversário da Veritatis Splendor, organizado pela própria área de pesquisa em teologia moral fundamental”.

Nesta missiva, o hoje Papa Emérito Bento XVI manifestou sua gratidão pelo trabalho da Área de Pesquisa em Teologia Moral Fundamental e destacou que é uma área “decisiva para a vida da Igreja“.

Para Pe. Pérez-Soba, “à luz dessa importância que Ratzinger dava à moral fundamental no Instituto, recebe nova luz a supressão da cátedra de Moral Fundamental e a retirada de Livio Melina”.

“Este movimento aparece agora como uma busca para mudar o paradigma da moral. Querem descartar a moral objetiva, que afirma a verdade sobre o bem ao qual o homem é chamado, seguindo a Veritatis Splendor. Pretende-se abrir um processo de revisão de toda a moral sexual desde o subjetivismo, começando pela Humanae Vitae”, advertiu.

“Já como Papa Bento XVI, Ratzinger enviou uma carta a Mons. Melina precisamente nos 40 anos da Humanae Vitae, para reafirmar a doutrina da Encíclica. Ali, relaciona o ensinamento de Paulo VI com o dom total de si que os esposos fazem entre si. Somente um amor fecundo e aberto à transmissão da vida é um amor total, onde os esposos se fazem mutuamente o dom de poder ser pais ou mães”.

O professor do Pontifício Instituto João Paulo II recordou depois que “enquanto Mons. Melina era presidente, Bento recebeu o Instituto várias vezes em audiência. A primeira delas, no XXV aniversário da fundação”.

“Em seu discurso, o Papa assinala dois elementos fundamentais da missão do instituto: primeiro, ensinar como o matrimônio e a família estão arraigados no âmago mais íntimo da verdade sobre o homem e sobre o seu destino. E, segundo, mostrar que a revelação de Cristo assume e ilumina a profundidade da experiência humana. O grande número de famílias que, tendo estudado no instituto, participou desta audiência, era mostra de uma grande fecundidade pastoral no ensinamento de João Paulo II.

Outra audiência importante de Bento XVI ao Pontifício Instituto João Paulo II, assinalou, foi a de 5 de abril de 2008, por ocasião de um congresso intitulado “O óleo sobre as feridas”, sobre as pessoas afetadas pela experiência do divórcio e do aborto.

“Mostra-se assim que a ideia de um Instituto João Paulo II preocupado apenas por uma doutrina rígida e insensível aos problemas concretos das famílias é falsa. O Papa elogia a imagem do Bom Samaritano usada no congresso para iluminar a dor de muitos homens que hoje estão feridos e nus à beira do caminho. Bento XVI convida o Instituto a continuar a aprofundar sua missão de levar a misericórdia de Jesus aos homens, ensinando-lhes os caminhos para o amor verdadeiro”, disse.

Por fim, Pe. Pérez-Soba recordou o discurso por ocasião do XXX aniversário do Pontifício Instituto João Paulo II, realizado em 13 de maio de 2011. “Bento XVI o dedicou à teologia do corpo, que o Instituto recebeu de João Paulo II como herança viva para proteger e promover. Bento XVI falou da família como o lugar onde a teologia do corpo e a teologia do amor se encontram”, assinalou.

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6 Comentários to “Foto da semana.”

  1. Esta oficiosidade obsessiva em querer legitimar todo e qualquer desvio moral-doutrinário em nada muda o estatuto perene das verdades inegociáveis. Contudo, mentes claudicantes sofrem uma negativa influência desta atmosfera de tudo parecer movediço, sem contar os pusilânimes, que se acovardam ante a perspectiva de perderem cargos e privilégios, diante deste aparato “leviatânico” que se tornou a estrutura vaticana. Mas não interessa. A fé é inegociável ! Salve Maria Imaculada ! Viva Cristo Rei !

  2. Dois conservadores defenestrados. Apenas isso. Os outros estão na moita ou fantasiados de Robin.

  3. Há em andamento um processo de secularização da catequese, tendo tudo a ver com os paradigmas catequéticos que se firmaram ao longo dos séculos e que, ainda hoje, vigoram na catequese católica tadicional, abrangendo sua universalidade, tratando de mudança de um outro paradigma catequético que é bem mais que um modelo didático-pedagógico escolar, sucedendo desde o século XVI, após a Rebeldia de Lutero, criador do protestantismo!
    Os paradigmas são linhas que delineiam um modo de pensar e agir, um caminho pelo qual a catequese acontece, ou seja, um norte que define a catequese em todos os sentidos, tanto sua pedagogia, quanto sua teologia, sua eclesiologia etc., isto equivale a uma mudança do sistema católico vigente até então, sendo que, dessa vez, para um modelo esquerdizado, mais se parecendo com um simples fraternalismo e outros objetivos nada cristãos católicos, bem à la insensata TL.
    Assim sendo, o paradigma pós-modernidade se encontra ainda em adiantado estado, embora já é possível demonstrá-lo a partir da observação de práticas catequéticas que, pouco a pouco, se implantam nas comunidades eclesiais de orientações das esquerdas “católicas”, escudados nela para se esconderem e seus verdadeiros propósitos, contando com sofisticados métodos de engenharia social, visando à simpatia os coetaneos incautos.
    Note-se que existe a rejeição de diversos que têm dificuldades para lidar com a mudança de época, contraria à acima do post, da legítima doutrina rígida da Igreja católica para outra bem mais adaptada ao modernismo niilista atual, como os desinformados das modalidades das lavagens cerebrais promovidas pelas esquerdas sedizentes “católicas”, rechaçadas pelos dois acima, para Bento XVI e Mons Livio Melina divergentes do papa Francisco, esse cada vez mais criticado e tido como de varios comportamentos e ações das esquerdas anticatólicas.

  4. “a supressão da cátedra de Teologia Moral Fundamental”

    E vão estudar o quê?

  5. valei.me São Bento!!! Projeta nosso Bento XVI