Visita do papa à Argentina? Só quando o presidente for seu amigo Alberto Fernández, vencedor das primárias de domingo.

IHU – Sabe-se que, nas singulares – seria melhor dizer “únicas no mundo” – eleições primárias presidenciais de domingo passado na Argentina (chamadas PASO) [1], quem venceu com ampla margem foi o advogado criminalista Alberto Fernández, expoente do peronismo (Partido Justicialista), político especialista e hábil, 62 desde 2 de abril passado.

A reportagem é de Il Sismógrafo, 15-08-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Fernández é defensor e animador de uma grande coalizão chamada “Frente de Todos” [2], na qual confluíram quatro importantes famílias políticas (partidos, movimentos e agrupamentos) e diversos grupos menores. A chapa proposta pela Frente para as primárias de alguns dias atrás – Alberto Fernández, candidato à presidência, e Cristina Fernández Kirchner [3], candidata à vice-presidência – teve o relevante apoio eleitoral e político da poderosa Confederação Geral do Trabalho e de dois ramos da Central dos Trabalhadores da Argentina.

Os dois candidatos da Frente em nível nacional receberam mais de 11.600.000 votos populares (o equivalente a 49,2%). O adversário, o atual presidente Mauricio Macri, do agrupamento “Juntos pela Mudança”, parou em pouco mais de 7.800.000 votos (33,1%) [4].

Segundo a Constituição argentina, para ganhar, é preciso que os candidatos da fórmula recebam pelo menos 45% dos votos no primeiro turno (27 de outubro) ou bastam apenas 40%, mas com uma diferença de pelo menos 10 pontos percentuais em relação ao segundo. Se essas condições não forem cumpridas, haverá segundo turno entre as duas primeiras maiorias no dia 24 de novembro.

Pode-se dizer, neste ponto, que os futuros governantes da Argentina, depois das próximas eleições presidenciais, serão quase certamente Alberto Fernández e Cristina Fernández Kirchner, que tomarão posse nos seus altos cargos no dia 10 de dezembro.

Esses dois políticos são pessoas muito próximas do Santo Padre, mesmo que, nos últimos anos, quando o pontífice era arcebispo de Buenos Aires, em mais de uma circunstância houve polêmicas, controvérsias e atritos entre eles.

Depois, com o passar dos anos, e em particular com a eleição do cardeal Bergoglio para a Sé de Pedro, tudo mudou, a ponto de Cristina Fernández Kirchner visitar o Vaticano em várias ocasiões em pouco tempo.

No momento em que Cristina Fernández Kirchner deixou a presidência, a aproximação entre ela e o pontífice estava mais do que completa. Até mesmo o futuro presidente Alberto Fernández foi protagonista nestes anos de uma aproximação e de um fortalecimento da amizade recíproca com o papa. Entre ele e J. M. Bergoglio, assim como no caso de Cristina, existe uma relação constante, embora a distância ou indireto.

Dos dois, o último a se encontrar com o Santo Padre foi justamente Alberto Fernández, recebido em Santa Marta há um ano, junto com o ex-ministro das Relações Exteriores do presidente Lula (Brasil), Celso Amorim, e o ex-ministro chileno, Carlos Ominami, no dia 2 de agosto de 2018 (foto abaixo)

Amorin, Francisco, Ominami e Fernández no Vaticano (Foto: L’Osservatore Romano)

Sabe-se que o papa já decidiu, como todos os setores argentinos muitas vezes lhe pediram, que vai visitar o seu país natal e também se sabe que essa visita deve ser em 2020. O anúncio oficial e talvez uma listagem genérica do programa devem ser oferecidos depois que se conhecer definitivamente o nome do novo presidente, ou seja, até o fim do ano.

Trabalha-se há muito tempo na preparação da peregrinação do Papa Francisco à Argentina, em particular no âmbito da catequese que normalmente precede essas visitas do pontífice. Agora, tais exigências se tornam mais prementes, porque, na realidade, já existem aquelas condições mínimas necessárias para organizar uma visita de Francisco, em particular as garantias que são oferecidas amplamente pelas futuras autoridades máximas da Argentina, especificamente que a presença do pontífice seja um sinal sólido e um símbolo de unidade nacional, de colaboração recíproca e de compromissos solidário de todos para enfrentar os desafios da nação.

Essa visita tão aguardada há vários anos deverá durar alguns dias e, portanto, não será uma viagem-relâmpago [5]. Provavelmente o papa visitará o país de uma ponta à outra e terá encontros com todos os setores sociais e as categorias da população. É bem sabido que o papa está ansioso por essa visita à Argentina, e, portanto, sua disponibilidade será mais do que generosa.

Notas:

[1] PASO.

[2] Frente para todos.

[3] Ex-presidente da Argentina, viúva do presidente Néstor Kirchner. Governou o país de 2007 a 2015.

[4] Resultados das primárias PASO – 11 de agosto de 2019.

[5] Com toda a probabilidade, a viagem papal incluirá uma parada no Uruguai(Montevidéu). João Paulo II visitou a Argentina duas vezes: em 1982 e depois em 1987. Durante essa última viagem, ele também visitou o Uruguai.

Tags:

8 Comentários to “Visita do papa à Argentina? Só quando o presidente for seu amigo Alberto Fernández, vencedor das primárias de domingo.”

  1. Não mais podem persistir dúvidas acerca da afiliação de Francisco com o peronismo, movimento social-populista de esquerda. De outra forma, o Vaticano se ajoelha aos pés de Peron/Evita.

  2. Aliás, só falta a canonização de Eva Perón…

  3. A 11/11/2016 o papa Francisco teria afirmado que “são os comunistas os que pensam como os cristãos”, ao responder sobre se gostaria de uma sociedade de inspiração marxista, em entrevista publicada nesta sexta-feira no jornal italiano “La Repubblica”e, se a Argentina preferir um governo de esquerda, será a Venezuela II, podendo o papa Francisco visitá-la uma ou mais vezesI
    “São os comunistas os que pensam como os cristãos e Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos sejam os que decidam, não os demagogos, mas o povo, os pobres, os que têm fé em Deus ou não, mas são eles a quem temos que ajudar a obter a igualdade e a liberdade”, embora os países subjugados pelos social-comunistas sejam miseraveis, opressores, fortemente estatizantes e inimigos radicais dos cristãos; seria um contra-senso o acima concernente à Igreja católica de 2000 anos, não a outra, a atual quase ou já criada “igreja católica”, que apoiaria, bem sedimentada, que acolhe qualquer um sem restrições.
    Eis aí o caso da agora material-ateísta Venezuela após substituir a democracia, ex pais rico e até candidato a líder da América Latina que, após provar do veneno social-marxista, doravante transformou-se em como num campo de refugiados de famélicos e fugitivos dessa ditadura marxista, liderada pelo sanguinario Maduro, bem recebido no Vaticano.
    Daí pode se dizer que o papa Francisco que também avalizaria os Movimentos Populares – embora sejam bandos de anarquistas, baderneiros e vândalos – ele aguarda que essas milicias martelo e foice entrem na política, “mas não no político, nas lutas de poder, no egoísmo, na demagogia, no dinheiro, mas na política criativa e de grandes visões”…
    De como essas hordas de ignorantes entrarem na política se são fantoches de comunistas, tidos mesmo pelos vermelhos como simples idiotas-úteis, tropas de choque? Ele teria assegurado que dos políticos só lhe interessa “os sofrimentos que sua maneira de proceder podem causar aos pobres e aos excluídos”, caso hoje da falida e fracassada Venezuela após trocar a democracia por socialismo, ex pais rico e até candidato a líder da A Latina!

  4. “Dont cry for me Francisco”, choreis pelas futuras gerações que atravessarão a Grande Tribulação que se aproxima…

    Senão, vejamos:

    O papa Francisco foi eleito pela Máfia de St. Gallen (Suíça).

    O conclave foi fraudado e, portanto, inválido, nos termos da Constituição de João Paulo II UNIVERSI DOMINICI GREGIS acerca da eleição do Romano Pontífice:

    http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_constitutions/documents/hf_jp-ii_apc_22021996_universi-dominici-gregis.html

    81. Os Cardeais eleitores abstenham-se, além disso, de todas as formas de pactuação, convenção, promessa, ou outros compromissos de qualquer género, que os possam obrigar a dar ou a negar o voto a um ou a alguns. Se isto, realmente, se tivesse verificado, mesmo que fosse sob juramento, decreto que tal compromisso é nulo e inválido e que ninguém está obrigado a observá-lo; e, desde já, comino a pena de excomunhão latae sententiae para os transgressores desta proibição. Todavia, não é meu intento proibir que, durante o período de Sé vacante, possa haver troca de ideias acerca da eleição.

    82. De igual modo, proíbo aos Cardeais fazerem, antes da eleição, capitulações, ou seja, tomarem compromissos de comum acordo, obrigando-se a pô-los em prática no caso de um deles vir a ser elevado ao Pontificado. Também estas promessas, se porventura fossem realmente feitas, mesmo sob juramento, declaro-as nulas e inválidas.

    83. Com a mesma insistência dos meus Predecessores, exorto vivamente os Cardeais eleitores a que, ao elegerem o Pontífice, não se deixem guiar por simpatia ou aversão, nem influenciar por favores ou pessoal amizade de alguém, nem impelir pela ingerência de autoridades ou de grupos de pressão, nem pela sugestão dos meios de comunicação social, por violência, por medo ou pela busca de popularidade. Mas, tendo em vista unicamente a glória de Deus e o bem da Igreja, depois de terem implorado o auxílio divino, dêem o seu voto àquele, mesmo de fora do Colégio Cardinalício, que retiverem idóneo, mais do que os outros, para reger, com fruto e utilidade, a Igreja universal.

    Pessoal,

    Preparemo-nos para os Tempos de Prova…

    Em breve, encerrará o Tempo da Misericórdia que dará o seu lugar para o Tempo da Justiça Divina.

    Deus está no comando!

    • Antes da Eleição de Bergóglio, a informação de que o Papa eleito seria Argentino e que provavelmente seria ele foi postado num grande fórum de conspirações por alguém que dizia ter ligações dentro do vaticano.
      Diante disso, e de mais detalhes sobre a eleição papal em outras postagens, ficou claro que tudo estava previamente combinado desde antes da renuncia de Bento XVI.
      Como era um assunto de extrema gravidade, guardei o link da discussão principal, que ainda hoje pode ser conferido aqui:
      https://www.godlikeproductions.com/forum1/message2143087/pg1

  5. Talvez o Papa Francisco seja peronista, mas kirchnerista ele não era, inclusive quando ele era cardeal ele foi crítico do governo socialista dos Kirchner’s, tanto que a Cristina Kirchner recusou algumas vezes receber o Papa e já o criticou:

    Papa Francisco também já recebeu um líder indígena que era contra a Cristina Kirchner:

  6. Sobre as preferências políticas de Francisco, nunca tive dúvidas. O meu receio é aconteça no Brasil o que vemos hoje na Argentina : o abortista Macri, adorador de “pachamama” ( nem sei se é assim que se escreve ) juntamente com o cocaleiro comunista boliviano, conseguiu desagradar boa parte do eleitor católico. Se esta laia voltar ao poder no Brasil, devido às tolices liberalóides do Bolsonaro, mudo-me para a Ilha Bouvet.

  7. Acredito que o nome da coalizão seja “Frente Amplio”, esquerdistas que existem em praticamente todos os países de fala espanhola, inclusive na Espanha! Espero que Deus opere um milagre, como no Brasil, salvo no último instante…. afinal quem imaginaria o tal Bolsonaro vencendo as eleições??? Amém e Aleluia… rezemos!