Saia justa.

Por FratresInUnum.com, 9 de setembro de 2019 – Foi transmitido na noite de sábado passado, 7 de setembro, o programa “Globo News Painel”, com a participação de Dom Claudio Hummes, relator do Sínodo da Amazônia, Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega, diplomata representante do Brasil nas negociações acerca do Sínodo, e Alberto Pfeifer Filho, especialista em assuntos internacionais.

Com “cara de vinagre”, para utilizar uma dessas expressões tão profundas e delicadas do magistério bergogliano, Dom Cláudio não conseguiu disfarçar o seu constrangimento, muito diferentemente da tranquilidade que desfruta em encontros de esquerdistas ou junto de seu amigo desde os tempos do ABC Paulista, o ex-presidente e atual presidiário Lula.

Kenneth Nóbrega, com aquela délicatesse diplomatique, começou cutucando, ao mencionar o estimadíssimo, mas completamente ineficaz,  Acordo Brasil-Santa Sé como elemento importante de mediação. Explicou que esteve três vezes no Vaticano e, cara-a-cara, confrontou os representantes pontifícios acerca de quatro imprecisões dos Lineamenta do Sínodo: o papel transnacional da Guiana, que poderia dar pé ao estabelecimento de um território internacional na Amazônia; a omissão da menção aos instrumentos internacionais de que participa o Brasil, como limite das requisições do Sínodo; a ausência do reconhecimento do papel social das forças armadas na Amazônia, lembrando que a FAB transporta até alimentos em parceria com a Igreja; e a desarticulação entre o conceito de ecologia integral e de desenvolvimento sustentável, que impede o enclausuramento numa política meramente preservacionista, fechada ao progresso.

Na sequência, o representante do governo disse que, sim, os serviços de inteligência brasileiros estão monitorando a atividade pré-sinodal, como qualquer outra atividade que diga respeito à segurança do território nacional, dentro dos limites da lei e segundo a sua prerrogativa constitucional.

Em seguida, quando perguntado o porquê da preocupação do governo com a unidade territorial na questão Amazônica, Kenneth Nóbrega salientou que a menção à Guiana como localização transnacional nos Lineamenta, juntamente com a histórica cobiça internacional do espaço amazônico e as últimas declarações do presidente francês em fórum internacional são motivos mais do que suficientes para justificar a preocupação.

Dom Cláudio obviamente, permanecia o tempo todo com atitude apreensiva, olhos arregalados, aspecto ameaçado, sério, como alguém que está sendo emparedado e “quanto menos falar, melhor”.

Na sequência, Alfredo Pfeifer, perguntado sobre as declarações de que os bispos dispõem de dados distorcidos para o Sínodo, explicou dizendo que a Amazônia é um território imenso e os dados são sempre parciais e, mesmo quando verídicos, podem ser apresentados com metodologias diferentes, as quais podem favorecer o interesse deste ou daquele grupo. Justificou, ainda, dizendo que a má gestão amazônica tem impactos globais e que o Brasil e as Forças Armadas a têm feito com competência técnica e científica, responsabilidade social e ambiental.

Dom Cláudio concordou com o fato de que o Exército está muito presente na Amazônia e que há uma verdadeira colaboração com a Igreja. Também reconheceu que a Igreja não tem todos os dados, como tampouco o Exército. Ele disse que o documento preparatório do Sínodo só não falou do Estado brasileiro e do Exército porque a Igreja estava apenas falando de si mesma. Disse que os bispos ficaram perplexos com a reação do Brasil e estão preocupados com “até onde isso vai”.

Kenneth Nóbrega mostrou como a divulgação de dados errados nas últimas semanas erodiu o relacionamento de confiança, que é absolutamente imprescindível para qualquer diálogo bilateral. Ele mostrou como, de um lado, a eventual não preocupação em que se respeitem as questões de direito internacional no documento final do Sínodo pode oferecer sustentação aos ambientalistas que defendem o protecionismo agrícola europeu, que destrói a imagem do nosso agronegócio, sem discernir se é sustentável ou não, se favorece a agricultura familiar com selo orgânico ou não.

Alfredo Pfeifer disse que as duas instituições que garantem a presença brasileira na Amazônia são a Igreja e as Forças Armadas, sendo que o Exército está preocupado com a ocupação nacional e a defesa das fronteiras, mas a Igreja tem uma vocação missionária e está preocupada com a Evangelização. Ele disse que é nesta diferença que pode se dar um descompasso de interesse e de agenda, mas se espera que o Sínodo seja uma ocasião para se resolver este descompasso, ao invés de aumentá-lo.

Sobre a questão indígena, Dom Cláudio disse que, em Porto Maldonado, os índios disseram ao Papa Francisco que nunca se sentiram tão ameaçados como agora, que suas terras estão sendo invadidas por companhias de mineração, pelo desmatamento. Dom Cláudio disse que os índios são um patrimônio humano de todos nós, porque eles têm uma cultura própria, uma espiritualidade própria, milenar, uma riqueza muito grande que a humanidade não se pode dar o luxo de perder. Segundo Dom Cláudio, a Igreja pensa que isto é uma questão de direitos humanos e que na história da colonização houve um massacre dos índios, mas com a proteção que receberam nas últimas décadas, a população indígena está crescendo e há aproximadamente um milhão de índios. — Neste trecho, Dom Cláudio falou demasiadamente, monopolizando a palavra, inclusive não deixando tempo para que os interlocutores continuassem com a pauta.

Alberto Pfeifer disse que a defesa dos índios demanda o combate aos ilícitos (como a garimpagem, por exemplo), requer a presença do Estado, e que não adianta apenas alegar o direito dos índios, pois eles são desprovidos de instrumentos para se defender, mas o Brasil está utilizando as ferramentas adequadas e cumprindo o seu papel.

Kenneth Nóbrega afirmou que o Brasil tem uma legislação ambiental evoluída, mas que o Estado tem uma dupla responsabilidade: a primária, com a sua sociedade; a secundária, internacional. No que diz respeito ao debate internacional, há de haver um verdadeiro debate, onde todos falem de suas responsabilidades em campo ambiental, ou seja, não pode ser um debate em que todos apontem para o Brasil como aquele que não está cumprindo com as suas responsabilidades. Este desequilíbrio no debate criou, por parte do governo, uma percepção de injustiça.

Dom Cláudio concluiu dizendo que a Igreja está em defesa do protagonismo dos índios em seu próprio progresso, embora haja ainda um espírito colonialista, que pretende impôr a eles um tipo de progresso.

Enfim, Hummes e toda a corte bergogliana têm toda ciência de que seu tempo é curto, que não possuem apoio popular nem sucessores e que, por isso, é necessário acelerar e intensificar as “reformas”. O temor por “retrocessos” é claramente demonstrado na nova leva de cardeais criados por Francisco. Esquecem-se esses senhores, infiéis e incrédulos que são, que a Igreja é do Senhor. “Exsurge Domine”.

11 Comentários to “Saia justa.”

  1. Dom Cláudio, ao dizer que a Igreja está preocupada com os direito humanos, massacre de índios do passado bem como o progresso dos índios (ou queria dizer o progressismo?) e com o espírito de colonialismo (de quem? dos portugueses?), contradisse-se com o que afirmou antes, ou seja, que no documento preparatório do Sínodo a Igreja só falava de si mesma.
    Cada vez mais, infelizmente, ficam claras as intenções da Igreja de Bergoglio de abandonar definitivamente o seu papel estabelecido por Cristo e implantar em seu seio os princípios comunistas ao impor, através do disfarce de “assuntos internos”, o apoio à agenda da ONU de internacionalização da Amazônia, principalmente a brasileira, coisa que desfigura totalmente a estrutura fundamental do cristianismo.

  2. “Dom Cláudio disse que os índios são um patrimônio humano de todos nós, porque eles têm uma cultura própria, uma espiritualidade própria, milenar, uma riqueza muito grande que a humanidade não se pode dar o luxo de perder.”

    Ora, então cultuar Tupã é uma riqueza que a humanidade não pode perder? Ora, então o que nós, católicos, fizemos com a espiritualidade dos gregos, dos romanos, dos povos do norte da Europa, dos gauleses, entre outros, ao evangelizá-los, foi dar perda a uma riqueza muito grande e milenar da humanidade? Se for isso, então a Igreja precisa urgentemente promover que se resgate todo esse patrimônio, não apenas proteger o indígena.

    • Parabéns.
      Vamos perguntar a D. Hummes se ele gostaria de ver no México de hoje a barbárie dos cultos astecas, no alto daquelas pirâmides, onde sacerdotes arrancavam os corações dos cidadãos para “aplacar a ira” dos vulcões para obter melhores colheitas nos próximos anos.
      Parece que ele desconhece a história pré-colombiana quando Hernan Cortez acabou com esta farra.

  3. D.Hummes, vcs falam para um público e fazem para um outro. A honestidade de seu grupo não sobrevive à mínima prova.
    Infelizmente, a mentira ou a “verdade” prenhe de ambiguidade são a marca bergogliana do discurso atual do sínodo. O povo cristão católico, excetuado àqueles que se beneficiam materialmente, desconfia de vcs! Não lhes incomoda estarem nesta posição! O nominalismo de vcs já incomoda a fé do mais simples dos fiéis. E sua ligação, e aqui incluo o Papa, com a esquerda nacional e internacional é para nós um ponto de vergonha e mais desconfiança. Vcs plantaram a erva daninha em nossos campos e parecem gostar de vê-la crescer abundantemente.
    Que Deus nos conceda bispos e cardeais suficientemente cristãos e fortes de opinião que consigam tomar o leme da Igreja neste sínodo carregado de heresias e com odor de cisma!!

  4. As FFAA brasileiras estão também de olho nas ONG’s de seitas protestantes americanas que estão na Amazônia há décadas?!

    Só vejo as FFAA mencionarem grupos ligados a CNBB e a alguns setores da Igreja Católica, mas estranhamente não vejo esse pessoal mencionarem uma única virgula sobre a invasão americana, através de ONG’s de seitas do país do Norte que vem acontecendo, como mencionei, há décadas.

    Se não acreditam em mim, que tal ouvirem de um representante do próprio meio das seitas protestantes.

    Olha esse vídeo dito por um PASTOR que mostra como isso vem acontecendo HÁ DÉCADAS.

    PS: Só peço para vocês ignorarem os blá blá blás teológicos desse pastor e toda a pataquada da torre de babel teológica protestante ditas por ele: O que interessa aqui são a partir do minuto 20:09, vão direito para lá:

    • Esta estória do “assassinato” do Getúlio, me faz lembrar uma entrevista da Virgínia Lane, vedete que dizia ter sido amante do presidente, e que pouco antes de morrer, já com mais de 80 anos, foi entrevistada na rádio contando que ela estava no quarto com o Getúlio quando ele foi morto por Gregório Fortunato que entrou no quarto, deu um tiro nele e depois pulou pela janela do Palácio do Catete.
      Dizia-se testemunha de um fato esquecendo que Gregório Fortunato, no dia 24/8/1954 estava preso na Aeronáutica como mandante do assassinato do major Vaz.
      Fortunato é o grande responsável pelo suicídio de Vargas que, surpreso com os fatos reais apurados da rua Toneleros, exclamou: “…então corre um mar de lama debaixo deste palácio.”

      Existe realmente um interesse profundo na Amazônia por ONGs e empresas estrangeiras, mas vamos nos ater a fatos reais e não começar com teorias da conspiração infundadas e fictícias.
      Existe, não a teoria, mas a prática da conspiração, isto sim, e ela vem sendo praticada pela Igreja Bergogliana, por Macron, Merkel e outros mais.

  5. Igreja Católica na Amazônia??? Onde??? Só tem protestantes!

    • Sim meu xará, inclusive cortaram a grana de todas as ONGs, independente de serem Católicas ou não. Até onde eu sei esse governo não faz distinção, condena todas as ONGs até q se prove q não estão roubando o Brasil e manipulando os nativos.

  6. Eis aí a BANDA PODRE DA iGREJA “CATÓLICA”, achando-nos com caras de otarios, subestimando-nos de julgarem crermos nós nesse troço, querendo esse cambalacho se impor, embora disfarçado de religiosos, apesar de, sob apresentação de SÍNODO DA AMAZONIA, porém, serviçais, lacaios das esquerdas-globalistas, ONU-NOM e a mais chantagistas, patifes e e mafiosos!
    Alias, se essa porcaria foi convocada pelo papa Francisco, como ele se comportaria como alguém imerecedor da mínima confiabilidade por dar suporte a esses vermes virulentos das esquerdas, mais se pareceria como conspiradores anti democráticos, senão adeptos amestrados das “democracias populares”, como as da China, Cuba, Coreia do Norte etc. e doutras nações comunonazifascistas, inclusive a Venezuefavela, hoje apêndice de Cuba!
    O mega fariseu Dom Claudio Hummes tem cara de ser um dos infiltrados maçonistas dentro da Igreja católica querendo com denodo implodi-la, associado a uns uns fanáticos e frenéticos, da laia de D Pedro Casaldáliiga, D Waerlang e Lulas da vida, nada mais, amantes e propagandistas do sanguinario Che Guevara, empunhantes do báculo dos lobos martelo e foice, sob a égide da bandeira vermelha representando o sangue dos adversarios e escudados e iluminados sob a estrela de 5 pontas, a qual é o pentagrama satânico!
    Dessa forma, o papa Francisco apregoa uma nova concepção de Igreja na Amazônia, a relativista e alienante, mais ligada a falsarios anseios dos povos tradicionais; nesse tempo, o pres. Bolsonaro monitora o movimento por ser francamente apoiado pelas sórdidas e usurpadoras de poder, as oportunistas e extremistas esquerdas!
    Na semana pp, mais de 60 bispos pan-amazônicos estiveram reunidos em Belém do Pará para discutirem os tópicos que guiarão as discussões do evento com o papa Francisco, no entanto, em carta aberta escrita ao final do encontro, lamentaram bastante de serem tratados como “inimigos da pátria”, como fato merecem ser comparados a tais corsarios, os ditoscujos apoiadores da farisaíca Teologia da Libertaçãp dos Boffs & Cia!

  7. Pois é. Com essas dondocas da clerasia há 50 anos falando de pobre e comendo caviar e lagosta não podia ter outro resultado.
    Essa gente odeia os pobres. E tanto os odeiam que os abandonaram à própria sorte para serem tosquiados pelas seitas protestantes que só sabem falar de dinheiro o tempo todo.
    De ambos os lados, a contrafação dos Dom Vigaristo e dos Mummes (que ha décadas mamam, e afoitamente, o rico dinheirinho vindo da Alemanha) e as seitas protestantes, ambas essas falsificações, digo, que só se ocupam das coisas deste mundo, formarão o “povo do anticristo”, como diz Agostingo, no De civitate Dei, acerca dos “fingidos e maus” que o receberão felizes e agradecidos.

    É esperar pra ver. O Anti-Joao Batista falastrão já chegou. Falta resto do tíaso infernal.

  8. Uma vergonha o que se tornou a Igreja. Vamos precisar de muita oração e muito trabalho para reverter a destruição deliberadamente causada nos últimos 57 anos.

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