Cardeal Burke e Dom Athanasius: Um esclarecimento sobre o significado da fidelidade ao Sumo Pontífice.

Agradecemos aos reverendíssimos Cardeal Burke e Dom Athanasius a honra da publicação em FratresInUnum.com, com exclusividade em língua portuguesa.

Por Cardeal Raymond Leo Burke e Dom Athanasius Schneider

FratresInUnum.com, 24 de setembro de 2019 – Nenhuma pessoa honesta pode mais negar a confusão doutrinária quase geral que reina hoje em dia na vida da Igreja em nossos dias. Isto deve-se, em particular, às ambiguidades acerca da indissolubilidade do matrimónio, que tem vindo a ser  relativizada pela prática da admissão à Santa Comunhão de pessoas que coabitam em uniões irregulares, deve-se à crescente aprovação de atos homossexuais, intrinsecamente contrários à natureza e à vontade revelada de Deus, deve-se a erros a respeito do caráter único de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Sua obra redentora, que vem sendo relativizado através de afirmações errôneas sobre a diversidade das religiões, e, em especial,  deve-se ao reconhecimento de diversas formas de paganismo e das respetivas práticas rituais em virtude do Instrumentum Laboris para a próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazônica.

Cardinal Raymond Burke and Bishop Athanasius Schneider.

Tendo em conta esta realidade, a nossa consciência não nos permite ficarmos em silêncio. Nós, como irmãos no Colégio dos Bispos, falamos com respeito e amor, a fim de que o Santo Padre possa rejeitar inequivocamente os evidentes erros doutrinários do Instrumentum Laboris para a próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazônica e não consinta a abolição na prática do celibato sacerdotal na Igreja Latina, mediante a aprovação da ordenação dos assim chamados “viri probati”.

Com nossa intervenção, nós, como pastores do rebanho, expressamos nosso grande amor pelas almas, pela pessoa do próprio Papa Francisco e pelo dom divino do Ofício Petrino. Se não o fizéssemos, cometeríamos um grande pecado de omissão e de egoísmo. Pois que, se ficássemos calados, teríamos uma vida mais tranquila e, quiçá, receberíamos até honras e reconhecimentos. No entanto, se ficássemos calados, violaríamos a nossa consciência. Neste contexto, vêm-nos à mente as palavras sobejamente conhecidas do futuro santo, o Cardeal John Henry Newman (que será canonizado em 13 de outubro de 2019): «Brindarei – ao Papa, com a sua licença –, mas, ainda assim, brindarei primeiro à Consciência, e só depois ao Papa» (Uma carta endereçada ao duque de Norfolk por ocasião da recente repreensão do Sr. Gladstone). Vêm-nos outrossim à mente estas outras palavras memoráveis e pertinentes de Melchior Cano, um dos bispos mais doutos do Concílio de Trento: “Pedro não precisa da nossa adulação. Aqueles que defendem cega e indiscriminadamente cada decisão do Sumo Pontífice são os que mais prejudicam a autoridade da Santa Sé: em vez de fortalecerem, eles destroem os seus fundamentos”.

Nos últimos tempos, criou-se uma atmosfera de quase total infalibilização das declarações do Romano Pontífice, ou seja, de cada uma das palavras do Papa, de cada um dos seus pronunciamentos e de documentos meramente pastorais da Santa Sé. Na prática, já não se observa a regra tradicional de distinguir os diferentes níveis dos pronunciamentos do Papa e dos seus serviços com as respetivas notas teológicas e o correspondente grau da obrigação de adesão por parte dos fiéis.

Apesar do diálogo e dos debates teológicos terem sido incentivados e promovidos na vida da Igreja nas últimas décadas após o Concílio Vaticano II, em nossos dias, parece não haver mais qualquer possibilidade de um debate intelectual e teológico honesto ou da expressão de dúvidas sobre afirmações e práticas que ofuscam e prejudicam seriamente a integridade do Depósito da Fé e da Tradição Apostólica. Uma tal situação conduz à desconsideração da razão e, portanto, da própria verdade.

Aqueles que criticam nossas expressões de preocupação recorrem apenas, na substância, a argumentos sentimentais ou de poder. Tudo indica que eles não querem entrar em uma discussão teológica séria sobre o assunto. A respeito disto, parece que, muitas vezes, a razão é simplesmente ignorada e o raciocínio suprimido.

Uma expressão sincera e respeitosa de preocupação em relação a assuntos de grande importância teológica e pastoral na vida atual da Igreja, dirigida também ao Sumo Pontífice, é imediatamente esmagada e vista sob uma luz negativa com reprovações difamatórias dizendo que “semeia dúvidas”, que é “contra o Papa”, ou até que é “cismática”.

A Palavra de Deus nos ensina, por meio dos Apóstolos, a mantermos a certeza, a sermos firmes e inabaláveis acerca das verdades universais e imutáveis da nossa Fé e a guardarmos e protegermos a Fé diante dos erros, na senda do que escreveu São Pedro, o primeiro Papa: «Tomai cuidado para que não caiais da vossa firmeza, levados pelo erro de homens ímpios» (2 Pd. 3, 17). São Paulo, por seu lado, também escreveu: «Não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores. Mas, pela prática sincera da caridade, cresçamos em todos os sentidos, naquele que é a Cabeça, Cristo» (Ef. 4, 14-15).

É preciso ter em mente o fato de que o apóstolo Paulo reprovou publicamente o primeiro Papa em Antioquia em uma questão de menor gravidade, se comparamos com os erros que em nossos dias se espalham na vida da Igreja. São Paulo advertiu publicamente o primeiro Papa por causa de seu comportamento hipócrita e do consequente perigo de questionar a verdade que diz que as prescrições da lei mosaica não são mais obrigatórias para os cristãos. Como reagiria hoje o apóstolo Paulo se lesse a frase do documento de Abu Dhabi que diz que Deus, na sua sabedoria, quer igualmente a diversidade de sexos, nações e religiões (entre as quais existem religiões que praticam a idolatria e blasfemam Jesus Cristo)! Tal afirmação afeta, de fato, uma relativização do caráter único de Jesus Cristo e da sua obra redentora! O que diriam São Paulo, Santo Atanásio e as outras grandes figuras do cristianismo ao ler essa frase e os erros expressos no Instrumentum laboris para a próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazônia? É impossível pensar que essas figuras permaneceriam em silêncio ou se deixariam intimidar com censuras e acusações de falar “contra o Papa”.

Quando, no século VII, o Papa Honório I mostrou uma atitude ambígua e perigosa em relação à propagação da heresia do monotelismo – que negava que Cristo tivesse uma vontade humana –, Santo Sofrônio, Patriarca de Jerusalém, enviou um bispo da Palestina a Roma, pedindo-lhe que falasse, rezasse e não ficasse em silêncio até que o Papa condenasse a heresia. Se Santo Sofrônio vivesse hoje, ele certamente seria acusado de falar “contra o Papa”.

A afirmação sobre a diversidade de religiões no documento de Abu Dhabi e, especialmente, os erros no Instrumentum Laboris para a próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazônia contribuem para uma traição da singularidade incomparável da Pessoa de Jesus Cristo e da integridade da Fé Católica. E isto acontece diante dos olhos de toda a Igreja e do mundo. Situação semelhante existia no século IV, quando, com o silêncio de quase todo o episcopado, a consubstancialidade do Filho de Deus foi traída em favor de afirmações doutrinárias ambíguas de semi-arianismo, uma traição na qual até o Papa Libério participou durante um breve tempo. Santo Atanásio nunca se cansou de denunciar publicamente tal ambiguidade. O papa Libério o excomungou no ano 357 “pro bono pacis”, isto é, “para o bem da paz”, para ter paz com o imperador Constâncio e os bispos semi-arianos do Oriente. Santo Hilário de Poitiers relatou esse fato e repreendeu o Papa Libério por sua atitude ambígua. É significativo que o Papa Libério, ao contrário de todos os seus antecessores, tenha sido o primeiro papa cujo nome não foi incluído no Martirológio Romano.

A nossa declaração pública segue estas palavras do Santo Padre, o Papa Francisco: «Uma condição geral de base é a seguinte: falar claro. Que ninguém diga: “Isto não se pode dizer; pensará de mim assim ou assim…”. É necessário dizer tudo o que se sente com parrésia. Depois do ultimo Consistório (Fevereiro de 2014), no qual se falou sobre a família, um Cardeal escreveu-me dizendo: é uma lástima que alguns Purpurados não tenham tido a coragem de dizer certas coisas por respeito ao Papa, julgando talvez que o Papa pensasse de outra maneira. Isto não está bem, isto não é sinodalidade, porque é necessário dizer tudo aquilo que, no Senhor, sentimos que devemos dizer: sem hesitações, sem medo» (Saudação aos Padres do Sínodo durante a Primeira Congregação Geral da Terceira Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, 6 de outubro de 2014).

Afirmamos na presença de Deus que nos julgará: somos amigos verdadeiros do Papa Francisco. Temos uma estima sobrenatural por sua pessoa e pelo supremo múnus pastoral do Sucessor de Pedro. Rezamos muito pelo Papa Francisco e incentivamos os fiéis a fazer o mesmo. Com a graça de Deus, estamos prontos para dar a vida pela verdade da fé católica sobre o primado de São Pedro e dos seus sucessores, se os perseguidores da Igreja nos pedirem para negar essa verdade. Temos os olhos postos nos grandes exemplos de fidelidade à verdade católica do primado Petrino, como o foram São João Fisher, bispo e cardeal da Igreja, e São Tomás More, leigo, e muitos outros santos e confessores, e invocamos a sua intercessão.

Quanto mais os fiéis leigos, os sacerdotes e os bispos mantêm e defendem a integridade do depósito da fé, mais eles, de fato, apoiam o Papa em seu ministério Petrino. Pois, na Igreja, o Papa é o primeiro a quem se aplica esta advertência da Sagrada Escritura: «Mantém a forma das sãs palavras que recebeste de mim, na fé e no amor a Jesus Cristo. Guarda o bom depósito que te foi confiado, pela virtude do Espírito Santo que habita em nós» (2 Tim. 1, 13-14).

24 de setembro de 2019.

Festa de Nossa Senhora das Mercês.

Raymond Leo Cardeal Burke

Dom Athanasius Schneider

20 Responses to “Cardeal Burke e Dom Athanasius: Um esclarecimento sobre o significado da fidelidade ao Sumo Pontífice.”

  1. “A respeito disto, parece que, muitas vezes, a razão é simplesmente ignorada e o raciocínio suprimido.”

    Esse é o reflexo do que acontece quando se leva a filosofia da obediência jesuíta por um caminho longe da verdade.

  2. As proprias esquerdas se interessam em infalibilizar o atual Sumo Pontífice que atenderia às regras dos ideologistas delas e, como o papa Francisco estaria aderido à TL-PCs-esquerdas, nada melhor delas direcionadas aos incautos católicos da segurança doutrinaria dele, atendente de suas necessidades de subverterem as mentes dos católicos, e esses sem os mínimo e básicos conhecimentos doutrinarios, os quais pouco ou nada distinguem o que é do que se parece – às exceções de alguns raros que não são afinados com esses escusos empreendimentos esquerdalucinados!
    Confiram em O DOMINGO da quase totalidade de seus comentarios e preces comuniStarias e socialiStarias, proferidas a cada semana e há poucos bispos corretos que atribuem ao papa Francisco de se proferirem seus ensinamentos, de propósito ou a mando doutros, embora mais se pareceria se passarem recados!
    Um exemplo ao vivo é da cooperante da subversiva e caótica situação é a TeeLista Editora Paulus e varias paroquias que o utilizam, como se os vigarios nada disso, entenderem ou seriam associados a elas – conhecemos varias dioceses compartilhando das esquerdasendiabradas, devassas, inescrupulosas, além de impostoras!
    Um exemplo a mais? Em 1983, o padre nicaraguense Ernesto Cardenal levou uma bronca pessoal e pública de João Paulo II, por apoiar os sandinistas, repreendendo-o ostensivamente quando desembarcou para visitar a Nicarágua e esse, tido como padre-poeta, como é conhecido, foi proibido de administrar sacramentos, no entanto, em 1984, o papa Francisco anulou a decisão de João Paulo II, pode uma desfeita dessas pró esquerdas? Evidente que não, protegendo os martelo e foice!
    Bem disse todo retumbante o mega comunista L Boff: *”ele é um dos nossos”!
    http://www.ihu.unisinos.br/186-noticias/noticias-2017/563682-leonardo-boff-em-entrevista-o-papa-francisco-e-um-dos-nossos

  3. Faltou à Editora Paulus atribuir seu folheto “O DOMINGO”, prestigiante do marxista social-fraternalismo anti católico!

  4. Sempre teremos religiosos fiéis a Palavra, memos que eles sejam minorias. Está contido na promessa: “O mal não prevalecerá contra Ela”!

  5. Chegou tarde demais, desde o Concílio Vaticano II tem havido motivos para reagir. Belo discurso, tarde demais. E mais me indigna que deixaram Deus Altíssimo, e continuam deixando, na Diviníssima Eucaristia ser submetido a toda classe de abuso, tortura, profanação sacrilégio e blasfêmia e nada fazem para impedir isso terminantemente!! E se trata da PRESENÇA REAL DE DEUS !! Mas como pode ser isso??? Deixam Jesus Eucarístico indefeso? E agora vem com essa declaração achando fazer grande coisa?? Mas que barbaridade. Livrem primeiro Deus dos abusos para começar. Não sabem que submeter Jesus Cristo a abuso e não impedir está conduzindo a todos implicados à condenação eterna??? A vossa indiferença e negligência com a defesa de Jesus Cristo Eucarístico vos condena antes de qualquer coisa. Covardia maior não há.

  6. “Pedro não precisa da nossa adulação. Aqueles que defendem cega e indiscriminadamente cada decisão do Sumo Pontífice são os que mais prejudicam a autoridade da Santa Sé: em vez de fortalecerem, eles destroem os seus fundamentos”. Melchior Cano, bispo do Concílio de Trento

    Acho que só essa frase já vale pelo texto inteiro. Sábio esse bispo!

  7. Só faltou citarem Dom Lefebvre entre os confessores. Até qd o modernismo reinante destruirá a Igreja?

  8. Ainda há santos pastores na minha Igreja!
    Deus seja louvado nas pessoas de: Burke, Muller, Athanasius Schneider, Brandmüller, Keller, Azcona que não cansam de Anunciar a Boa Nova do Evangelho e Denunciar os Sinais de morte na sociedade e, principalmente, na Igreja.
    Os fins-dos-tempos chegaram.
    Mas Bento XVI ainda está vivo!

  9. Essas reações do Cardeal Burke de Dom Athanasius apesar de serem uma luz contra a catástrofe pela qual esta caminhando a Igreja , além de mostrar que a voz que propaga estes erros não é de Cristo, nem a do Magistério da Igreja, apesar de serem muito encorajadoras, sabemos que o efeito será como bater num “Muro de Borracha “. Se não for corrigido a origem do problema, as premissas que forma estabelecidas no Concílio Vaticano II, especialmente os erros Eclesiológicos, ou seja os erros de definição da Igreja, de si própria, acontecerá novamente como explica o Davide Pagliaran da FSSPX:

    ” Antes de tudo, deve-se ter em mente que essas reações são sistematicamente confrontadas com um “muro de borracha”, e é preciso ousar imaginar o porquê. Para dar um exemplo, quatro cardeais expressaram suas dúvidas sobre Amoris laetitia . Muitos haviam notado essa ação e a saudaram como o início de uma reação que produziria resultados duradouros. Mas, na realidade, o silêncio do Vaticano deixou essa crítica sem resposta. Enquanto isso, dois desses cardeais morreram, e o Papa Francisco passou para outros projetos de reforma, dos quais acabamos de falar, de modo que a atenção mudou para novas questões, deixando, por força das circunstâncias, a batalha pela Amoris lætitiano ar, esquecido, e o conteúdo dessa exortação parece de fato dado como certo.

    Para entender esse silêncio do Papa, não devemos esquecer que a Igreja que vem do Concílio é pluralista. É uma igreja que não se baseia mais em uma verdade eterna e revelada, ensinada do alto, pela autoridade. Temos diante de nós uma Igreja que está ouvindo e, portanto, necessariamente ouve vozes que podem diferir umas das outras. Fazendo uma comparação, em um regime democrático, por exemplo, sempre há um lugar, pelo menos aparente, para as oposições, que de alguma forma fazem parte do sistema, porque mostram que você pode discutir e ter uma opinião diferente, e que existe espaço para todos Isso, é claro, pode promover o diálogo democrático, mas não a restauração de uma Verdade absoluta e universal, e de uma lei moral eterna. Dessa maneira, o erro pode ser ensinado livremente, junto com uma oposição real, mas estruturalmente ineficaz e incapaz de colocar as verdades em seu lugar. Portanto, é preciso deixar o próprio sistema pluralista; e esse sistema tem uma causa: o Concílio Vaticano II. “

  10. Os argumentos ora apresentados foram depostos miríades de vezes aos pesinhos mimosos de Paulo Sexto, de fúnerea memória, sem que obtivessem nada além do seu desdém molenga e, por vezes, fricoteiro
    Devemos, entretanto, agradecer aos conservadores desesperados, Burke e Atanásio, pela preciosa compilação de argumentos mais que cinqüentenários. Tiveram ao menos o mérito de ler Castro Meyer e Lefebvre (dentre outros) e copiá-los fielmente. Agora, é preciso ir além.
    Paulo VI..”Semper sub Sextis perdita Roma fuit”.

  11. O cardeal Sarah também fez várias denúncias contra o Sínodo da Amazônia. Confira: https://benedettoxviblog.wordpress.com/2019/09/25/il-tuono-del-cardinale-robert-sarah-sul-sinodo-panamazzonico/

  12. Para os que ainda tem estômago para ler as grosserias de Francisco I de Roma: https://secretummeummihi.blogspot.com/2019/09/estos-son-los-rigidos-que-francisco.html?m=1

  13. Parabéns aos Cardeal Burke e Dom Schneider pela coragem que tiveram em defender a Verdade e assim, confirmarem a Fé nos fiéis. A coragem de vocês faz com que os fiéis levem mais a sério a Doutrina Católica. Que Deus vos pague por tudo.

  14. Lavando minha boca, e pedindo licença para fazer um breve comentário…

    Dom Antônio de Castro Mayer e Dom Marcel Lefebvre foram Padres Conciliares no Concílio Vaticano II, ao contrário do Cardeal Burke e de Dom Athanasius.

    Como Padres Conciliares, Dom Antônio e Dom Lefebvre não tinham apenas o direito mas também o dever de manifestarem suas reservas, preocupações e contrariedades em relação à assembléia conciliar e tudo a ela relacionado. Isto é típico dos participantes de um concílio.

    1) Se o Concílio Vaticano II é de caráter pastoral – conforme está declarado nos próprios documentos -, então não pode ser imposto como dogmático ou definitivo ou irreformável ou infalível.

    2) Se ninguém está obrigado a celebrar a Missa de maneira diferente daquela que foi promulgada por Pio V na Bula Quo Primum Tempore, e isto PARA SEMPRE, conforme consta na própria Bula – em razão de um Indulto propositalmente inserido -, então a Missa de Paulo VI ou Missa Nova também não pode ser imposta, nem sua balizadora Sacrosanctum Concilium.

    OBSERVAÇÃO: Destaca-se que nem Dom Antônio nem Dom Lefebvre foram excomungados – nem por causa justa nem sem justa causa – devido aos seus posicionamentos relacionados ao Concílio Vaticano II e à Missa Nova, pois, conforme Motu Proprio Ecclesia Dei, a referida excomunhão teria sido causada apenas em 1988 em decorrência das sagrações episcopais em Ecône sem mandato pontifício.

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    “1) O Santo Padre nomeará o mais breve possível um Visitador Apostólico para a Fraternidade São Pio X, se o sr. aceita assinar uma declaração na forma seguinte:

    1. Eu, Marcel Lefebvre, declaro minha adesão com religiosa submissão de espírito à integridade da doutrina do Concílio Vaticano II, ou seja, doutrina « enquanto se entende a luz da santa Tradição e enquanto se refere ao perene magistério da propria Igreja (cf. Joao Paulo II, Alocução ao Sacro Colégio, 5 nov. 1979, AAS LXXI (1979/15) p. 1452). Esta religiosa submissão leva em conta a qualificação teológica de cada documento, como foi estatuída pelo próprio Concílio (Notificação dada na 123a Congr. Geral, 16
    nov. 1964).

    2. Eu, Marcel Lefebvre, reconheço que o Missal Romano, estabelecido pelo Sumo Pontífice Paulo VI para a Igreja universal, foi promulgado pela legítima suma autoridade da Santa Sé, a quem compete na Igreja o direito da legislação litúrgica, e por isso mesmo e em si mesmo legítimo e católico. Por isso, não neguei nem negarei que as missas fielmente celebradas segundo o novo rito sejam válidas e também de nenhum modo desejaria insinuar que elas sejam heréticas ou blasfemas nem pretendo afirmar que devam ser evitadas pelos católicos.” (Carta da Congregação para a Doutrina da Fé a Dom Lefebvre – enviada pelo Cardeal Ratzinger a mando de João Paulo II -, 23 de dezembro de 1982).

    Portanto, João Paulo II e o Cardeal Ratzinger condicionaram a sucessão apostólica de Dom Lefebvre à aceitação dos dois pontos acima, considerados essenciais. Com a negativa de Dom Lefebvre, Roma recusou fornecer o Bispo para os fiéis dele.

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    Em Campos:

    “1) A todos e a cada um dos sacerdotes incardinados ou com uso de ordens nesta Diocese de Campos se preceitua:

    a) responder-nos, por escrito, individualmente, até 25 de setembro, se aceita, como esperamos, a decisão do Santo Padre;

    b) a partir do dia 25 de outubro de 1982, o uso EXCLUSIVO dos Livros Litúrgicos aprovados pela Sé Apostólica, e em vigor na Igreja Latina, fazendo-se especial menção da Constituição Apostólica do Santo Padre Paulo VI, de três de abril de 1969, que promulga o Missal Romano restaurado, com a cláusula: “Tudo o que aqui estabelecemos e ordenamos, queremos que seja válido e eficaz agora e no futuro, não obstante qualquer coisa em contrário nas Constituições e Ordenações Apostólicas de Nossos Predecessores e outros estatutos, embora dignos de menção e derrogação especiais”;

    c) Se algum presbítero ousar desobedecer a quanto se prescreve neste Decreto, o que esperamos não aconteça, fica desde já canonicamente advertido de que seremos obrigados a dar cumprimento aos Sagrados Cânones, com especial menção dos cc. 2331 §§ 1 e 2 e/ou 2337 §§ 1 e 2, dentro das normas do direito em vigor.

    Este Decreto entra em vigor a partir da data de sua comunicação ao Clero, inclusive para aqueles que se recusarem a recebê-lo, do que o Revmo Chanceler fará fé pública.

    Dado e passado nesta Episcopal cidade de Campos, sob nosso selo e armas, no dia 25 de agosto de 1982, memória de São Luís de França.” (Decreto de Dom Carlos Alberto Navarro)

    Os Padres tradicionalistas de Campos não aceitaram a imposição da Missa Nova, e então iniciaram-se as expulsões dos Padres, que foram gradativas, devido a processos que tramitaram na justiça civil, e se estenderam até 1986, quando a última Paróquia foi tomada dos tradicionalistas. Grande parte dos fiéis também não aceitou a imposição do Bispo, e acompanharam os Padres.

    —————————————————-

    “Em virtude de Nossa Autoridade Apostólica… concedemos e damos o Indulto seguinte: Doravante… em qualquer igreja, se possa sem restrição seguir este “Missal” com permissão de usá-lo livre e licitamente, sem nenhum escrúpulo de consciência e sem que se possa incorrer em nenhuma pena, sentença e censura, e isto para sempre… Não sejam obrigados (Bispos ou Padres) a celebrar a Missa de outro modo… A presente Bula não poderá jamais, em tempo algum, ser revogada nem modificada, mas permanecerá sempre firme e válida…

    Se alguém contudo, tiver a audácia de atentar contra estas disposições, saiba que incorrerá na indignação de Deus Todo-Poderoso e de seus bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo” (Pio V, Bula Quo Primum Tempore: União Sacerdotal São João Batista Maria Vianney, Missal Dominical Popular, p. 16)

    “Por isso é lícito celebrar o Sacrifício da Missa segundo a edição típica do Missal Romano, promulgada pelo Beato João XXIII em 1962 e nunca ab-rogada, como forma extraordinária da Liturgia da Igreja.” (Bento XVI, Motu Proprio Summorum Pontificum, 07 de julho de 2007, art. 1º)

    “Quanto ao uso do Missal de 1962, como Forma extraordinária da Liturgia da Missa, quero chamar a atenção para o facto de que este Missal nunca foi juridicamente ab-rogado e, consequentemente, em princípio sempre continuou permitido. Na altura da introdução do novo Missal, não pareceu necessário emanar normas próprias para um possível uso do Missal anterior. Supôs-se, provavelmente, que se trataria de poucos casos individuais que seriam resolvidos um a um na sua situação concreta. Bem depressa, porém, se constatou que não poucos continuavam fortemente ligados a este uso do Rito Romano que, desde a infância, se lhes tornara familiar.” (Bento XVI, Carta aos Bispos que acompanha o Motu Proprio Summorum Pontificum, 07 de julho de 2007)

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    De maneira sintética, está exposta a causa do “Cisma Tradicionalista” e das “excomunhões”.

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    Bem, cada um tem a sua versão, gostaria de deixar para reflexão:

    1) O que a Igreja Católica pré-Vaticano II tem de herético, ou condenável ou prejudicial à salvação das almas, em sua Doutrina, Disciplinas, Liturgia e Missa, para que deva ser proibido, evitado, criticado ou condenado?

    2) Qual é o Dogma promulgado pelo Concílio Vaticano II que anatematiza seus críticos ou não-aceitadores?

    3) Por fim, quem é que foi radical ou exigiu demais?

  15. Nota extemporânea e contemporânea.

    Sempre que posso, nos dias feriais, vou comungar na minha paróquia. Sem o benefício de uma nave lateral onde possa ocultar-me do esquálido “rito” Paulo 6, alheio-me da “celebração” no último banco de Igreja. Na comunhão, sou obrigado a receber a Sagrada Espécie de umas velhotas fantasiadas de mini-morcegão, unhas e bocas pintadas de vermelho-pomba-gira e cheiro de alho de cozinha. Enquanto isso, o “presidente da assembleia” está sentado contando os minutos para o fim do seu duro “trabalho”.

    Certa vez uma das velhotas negou-me a comunhão por eu me negar a dizer “Amém”.
    (“Corpo de Cristo”. “Amém”).

    Se eu tenho um chaveiro na mão e pergunto: “velhota metida a dona da Igreja isto é um chaveiro”? Espero que ela responda: “É”. O que eu deveria pensar se ela respondesse “assim seja” (amém)?

    Que ela está zombando de mim.

    Paulo 6, que traiu a Igreja de inumeras formas, conseguiu se salvar?

    Nossa caridosa obrigação é esperar que sim…

  16. Sabemos que diversos sites já o tratam de anti papa Francisco, mas aqui comentarei o que relatou aos sacerdotes e bispos jesuítas de Moçambique, sem que conste nenhum deles ter reagido à sua agenda ultra relativista a ser ratificada em 2022 nos Emirados, ei-la:
    Quem é o Papa Francisco? Bom, está muito claro, em suas próprias palavras, em diversos livros e em depoimentos, especialmente de argentinos. e muitos desses envergonhados comhseus desprocedimentos, arrazoados!
    Sobre suas próprias palavras, hoje foi divulgado o que ele disse para um grupo de jesuítas de Moçambique sendo o Papa falando sem script, sem ler nada, e entre os seus companheiros jesuítas.
    O que sai das palavrorio dele de sua futura igreja cristiislã? O que nós aqui tudo já sabemos de cor e salteado e suas barbaries!
    *Condenação a padres que se vestem, se comportam e falam como padres, no respeito à Doutrina Católica;
    Aceitação da pauta esquerdista global;
    Exaltação de livros com viés progressista para a Igreja, que defendem a paranoia esquerdista;
    Ataque contra os conservadores ou tradicionalistas, palavras contra todos que respeitam com ardor a fé católica;
    Condenação de missionários e qualquer um que ensine e defenda o catolicismo frente a outras religiões;
    Perversão das palavras de santos: ele usou as palavras de São Francisco que disse: “vá e evangelize, se preciso use palavras”, nas quais São Francisco diz que se deve evangelizar de todo jeito, com atos e palavras, mas defender que a “evangelização é livre”, isto é, o missionário não deve fazer nada, deve deixar a pessoa sozinha para decidir se quer ir para a Igreja. Um bispo que trabalhou para o sínodo na Amazônia disse que se orgulha de nunca ter batizado um índio. Isso é puro Papa Francisco.
    Uso de termos mal definidos, como “clericalismo” para atacar conservadores e padres tradicionalistas, ou de “populismo”, para atacar políticos conservadores;
    Falta de preocupação com libertinagem sexual (acha que que os pecados que envolvem moralidade sexual não são relevantes);
    Preconceito e ignorância em relação aos Estados Unidos”.
    É o Papa sem script e falando o que todos já sabem, apesar de muitos ainda não admitirem ou estão tão alienados à Igreja católica e à sua doutrina que suas mentes anuviadas, obscurecidas e corações endurecidos, não mais distinguem o bem do mal e nem se interessam pela verdade!
    *”O Papa às Claras em Suas Próprias Palavras” – do thyselfolord.
    UAE to open synagogue, part of interfaith compound, in 2022 –
    By TOI ASTAFF, to open synagogue, part of interfaith compound, in 2022
    ABU DHABI COMPLEX WILL INCLUDE CHURCH AND MOSQUE; FOLLOWS POPE’S VISIT TO COUNTRY EARLIER THIS YEAR THAT RESULTED IN RELIGIOUS TOLERANCE PACT ABU DHABI COMPLEX WILL INCLUDE CHURCH AND MOSQUE; FOLLOWS POPE’S VISIT TO COUNTRY EARLIER THIS YEAR THAT RESULTED IN RELIGIOUS TOLERANCE PACT!

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