Sim, o hábito faz o monge, mostra pequisa.

Matéria de 2012, enviada por um leitor, mas que mantém sua atualidade.

Extra – RIO – O antigo ditado que nos orienta sobre não julgar as pessoas pela aparência acaba de ser contrariado por um estudo americano, pelo menos no que diz repeito às roupas. Cientistas descobriram que a forma como interpretamos o valor simbólico da vestimenta pode afetar nossos processos cognitivos. E o estudo, realizado por pesquisadores da Northwestern University, em Illinois, mostra que não basta olhar uma peça para que esta influência ocorra, é preciso vesti-la.

Os pesquisadores, liderados por Adam Galinsky, realizaram três experiências usando jalecos brancos idênticos de médicos e pintores. Em todos os casos, as pessoas que vestiram as peças que seriam dos profissionais de saúde — a quem costuma ser atribuído um comportamento cuidadoso, rigoroso e atento — apresentaram melhores resultados em testes de atenção e percepção visual de erros. Houve quem apenas olhasse a roupa, mas quem a vestiu se saiu melhor.

A descoberta, que foi relatada em reportagem do jornal “New York Times”, é significativa para uma área de estudos em crescimento, chamada de cognição incorporada.

— Pensamos não apenas com nossos cérebros, mas com nossos corpos, e nossos processos de pensamento estão baseados em experiências físicas que provocam conceitos associados abstratos. Agora, parece que estas experiências incluem as roupas que vestimos — explicou Galinsky ao NYT. — A experiência de lavar as mãos, por exemplo, está associada à pureza moral e a julgamento éticos.

Para os cientistas, um dos pontos mais interessante do estudo é a possibilidade de compreender se o significado da roupa que vestimos afeta nossos processos psicológicos: ele altera a forma como nos aproximamos e interagimos com o mundo? Na opinião do psicólogo e autor do livro “Homens invisíveis” (Editora Globo), Fernando Braga da Costa, a resposta é sim:

— Tudo o que é intelectual é guiado também pelo nosso equilíbrio emocional. Além disso, o que controla nossas vias neurológicas está relacionado com nossas emoções, cuja construção passa pelos relacionamentos e a concepção de valores sociais.

Os pesquisadores americanos agora querem entender o que acontece quando alguém veste uma batina de padre ou um uniforme de policial todos os dias, por exemplo. A ideia é desvendar se os indivíduos se acostumam e as alterações cognitivas não ocorrem, fazendo os efeitos desaparecerem. Para isso, no entanto, mais estudos ainda serão conduzidos.

4 Comentários to “Sim, o hábito faz o monge, mostra pequisa.”

  1. Alguns anos atrás teve um artigo aqui no fratres que falava de uma pesquisa que apontava o valor dos símbolos religiosos, batina, procissões e afins. Não consigo encontrar mais esse artigo. Alguém pode ajudar?

  2. Sempre usei o hábito religioso, um dos motivos para que fosse considerado retrógrado. Quando recebi a batina, ao tornar-me clérigo (nas Ordens Menores), há mais de 58 anos, marcou-me como pertencente a uma estrutura espiritual. Aprendi que a batina mostra que devo estar distante das coisas mundanas, pois, onde o hábito não é bem-vindo, não devo estar.
    Das tristes novidades advindas do Concílio Vaticano II, o desprezo do traje eclesiástico parece-me a mais clara definição da opção preferencial pela secularização, ou seja, por abraçar-se às coisas mundanas.
    Que o Bom Deus tenha misericórdia de nós!

  3. Por isso eu penso que o Papa deveria EXIGIR que os Padres e seminaristas e os Bispos também voltassem a usar a Santa Batina. Penso que com isso as pessoas voltariam a confiar nos Padres e mais pessoas voltariam a frequentar a Igreja e a Santa Missa.
    No Brasil quando o bondoso Papa João Paulo II pediu aos Bispos – a CNBB – Dom Ivo Loscheider para que os Padres voltassem a usar a Santa Batina, os Bispos alegaram que o problema no Brasil era o calor, somos um país tropical e o calor é forte. Imagine no Nordeste um Padre visitar as comunidades de Batina com aquele calor? E eu pergunto, e o sacrifício?
    Os Bispos disseram ao Papa que os Padres suavam muito e era impossível o usao da Santa batina. Por isso o Papa aprovou o desuso. Deu no que deu.
    CAMPANHA – VOLTEM O USO DA BATINA.

LEIA ANTES: os comentários devem ser respeitosos e relacionados estritamente ao assunto do post. Toda polêmica desnecessária será prontamente banida. Todos os comentários são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam, de maneira alguma, a posição de Fratres in Unum.com. Não serão aprovados os comentários escritos integralmente em letras maiúsculas. A edição deste blog se reserva o direito de excluir qualquer comentário que julgar oportuno, sem demais explicações. O espaço para comentários é encerrado automaticamente após quinze dias de publicação do post.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s