Pela defesa do Celibato.

Por Frei Tiago de São José

A polêmica que se levanta nestes dias gira em torno da disciplina do celibato. O recente livro do Cardeal Sarah, com a colaboração do Papa Bento XVI sobre o tema, com o título Da profundeza do nosso coração, atiçou a imprensa e os teólogos liberais que logo saíram para a batalha a fim de defender o Papa Francisco que, por enquanto, nem sequer chegou a aprovar a proposta do Sínodo da Amazônia de permitir a ordenação de homens casados. Por tais manifestações fica claro que tudo está pronto para uma grande mudança na disciplina da Igreja…

O site Vatican News diz que o “celibato sacerdotal jamais foi um dogma. Se trata de uma disciplina eclesiástica da Igreja latina que representa um dom precioso, definido deste modo por todos os últimos Pontífices. A Igreja Católica de rito oriental prevê a possibilidade de ordenar sacerdotes a homens casados e também para a Igreja latina foram admitidas exceções precisamente por Bento XVI na Constituição apostólica Anglicanorum coetibus”.

A impressão é de que, em breve teremos as exceções ampliadas até chegarmos à abolição do celibato sacerdotal. Ou senão, será simplesmente assim: “o celibato continua como um dom precioso para aqueles que desejarem, mas não será mais obrigatório.” Assim como o latim: muito precioso, mas opcional. O que não é de se espantar, porque nesta “semana de oração pela unidade dos Cristãos”, o que mais se escuta dizer é que ser católico é um dom precioso, mas opcional.

Entretanto, cabe a nós, que desejamos manter a verdadeira e única Igreja de Cristo, defender a disciplina e a doutrina deste tema, que, não obstante, obviamente, não ser um dogma, é um pilar fundamental da nossa religião.

O livro do Cardeal Sarah

No seu polêmico livro, o piedoso Cardeal Africano afirma que “há um vínculo ontológico-sacramental entre o sacerdócio e o celibato.” E chega ao ponto de dizer: “Suplico ao Papa Francisco que nos proteja definitivamente de tal eventualidade, vetando qualquer enfraquecimento da lei do celibato sacerdotal, mesmo limitado a uma ou outra região”.

O escritor americano Enrico Soros, em um artigo raivoso publicado pelo próprio site Zenit, contesta essas reflexões afirmando que: “se bem que seus pensamentos e opiniões são respeitáveis, não se vê nem que Sarah tem uma visão ampla do tema, nem que seja objetivo, nem correto em suas apreciações.” De fato, está declarada a guerra!

Entretanto, o Cardeal Sarah prevê uma «catástrofe pastoral, uma confusão eclesiológica e um ofuscamento da compreensão do sacerdócio» com a eventual possibilidade de ordenar homens casados. Bento XVI, em sua contribuição ao livro, refletindo sobre o argumento, remonta às raízes hebraicas do cristianismo e afirma que o sacerdócio e o celibato são inseparáveis. “desde o início da «nova aliança» de Deus com a humanidade, estabelecida por Jesus”. E recorda que já «na Igreja antiga», isto é, no primeiro milênio, «os homens casados podiam receber o sacramento da ordem somente se estivessem comprometidos a respeitar a abstinência sexual».

O próprio Papa Francisco, no diálogo com os jornalistas no voo de regresso do Panamá, recordou que na Igreja católica oriental era possível a opção celibatária ou matrimonial antes do diaconato, mas acrescentou, a propósito da Igreja latina: «Vem-me à mente aquela frase de Paulo VI: ‘Prefiro dar a vida antes que mudar a lei do celibato’. Veio-me à mente e quero dizê-la, porque é uma frase corajosa, num momento mais difícil do que o atual (nos anos 70). Pessoalmente, penso que o celibato é uma dádiva para a Igreja. (…) Não estou de acordo com permitir o celibato opcional». Na sua resposta, falou também da discussão entre os teólogos acerca da possibilidade de conceder concessões para algumas regiões perdidas, como as ilhas do Pacífico, afirmando, porém, «que não há decisão minha. A minha decisão é: celibato opcional antes do diaconato, não. É uma coisa minha, pessoal… Eu não o farei: isto fique claro. Sou «fechado»? Talvez. Mas não me sinto, diante de Deus, de tomar tal decisão.». O perigo da sua afirmação está na maneira como deixa claro, que pessoalmente não concorda, mas, também não impede que o debate se desenvolva. Depois, talvez dirá: outros quiseram, não eu, então, tive que aceitar, pois não sou autoritário

Argumentos contrários ao celibato

Normalmente, os que defendem o fim do celibato, se apoiam nos seguintes argumentos:

  • o celibato é contrário à natureza;
  • faltam sacerdotes;
  • a relação sexual no casamento não é pecado, portanto não macula a celebração da missa;
  • essa disciplina não é essencial na igreja e não está na bíblia;
  • os padres de rito oriental são casados;
  • os escândalos na Igreja iriam diminuir.

Não temos aqui a intenção de expor toda a doutrina que a Igreja desenvolveu sobre isso desde a vinda do Filho de Deus na Terra, mas, simplesmente, de apresentar os principais fundamentos do celibato sacerdotal e demonstrar, porque, a mudança dessa disciplina está incluída num processo intencional de destruição da Igreja Católica Romana.

Contra a natureza

Segundo a opinião de muitos, não é possível a vida humana em castidade. Outros apresentam até a ideia de que a castidade seria prejudicial à saúde! Como se não houvesse na história tantos milhares de testemunhas dos benefícios da castidade para a saúde da alma e do corpo. O homem não é como os outros animais, simplesmente dotados de instinto, mas pode, com sua capacidade mental, agir de forma a fazer violência à sua própria natureza (Mt. 11,12), para atingir um objetivo. Sendo assim, a moral da Igreja ensina que não somente os padres, mas todos aqueles que não estão ligados a um matrimônio regular, são chamados a viver em castidade. E até mesmo no matrimônio, é recomendado, que haja períodos de abstinência, especialmente nos tempos de penitência, para se adquirir a virtude e a graça espiritual. Portanto, a castidade é muito mais vantagem que prejuízo e, deixar um prazer por algo mais sublime não é castração, mas oblação. Afirmou o Papa Bento: “Para compreender bem o que significa a castidade devemos partir do seu conteúdo positivo, explicando que a missão de Cristo o levava a uma dedicação pura e total para com os seres humanos. Nas Sagradas Escrituras não há nenhum momento de sua existência onde em seu comportamento com as pessoas se vislumbre sinais de interesse pessoal. (…) Os sacerdotes, religiosos e religiosas, (…) com o voto de castidade no celibato, não se consagram ao individualismo ou a uma vida isolada, mas sim prometem solenemente pôr totalmente e sem reservas ao serviço do Reino de Deus as relações intensas das quais são capazes”. (Da homilia na Basílica de Mariazell, Áustria, 8 de setembro de 2007).

Faltam padres

Se hoje faltam pastores para cuidar do rebanho, não podemos concluir que isso seja devido às exigências do celibato, mas a outras razões como: o desinteresse geral pela religião, a reforma da liturgia que praticamente reduziu o padre a um mero animador de uma assembleia, à limitada geração de filhos dos católicos atuais; ao fenômeno de secularização das escolas e das sociedades em geral. Acrescenta-se a isso a falta de oração, pois, o Senhor disse: rogai para que haja operários para a messe. Nos ambientes onde prolifera a Missa tradicional e a família numerosa, não temos falta de sacerdotes. Se esse argumento for realmente colocado em consideração, mais um pouco será preciso ordenar também mulheres, porque não haverá tantos homens casados dispostos a se dedicar a tal missão.

A relação no matrimônio não é pecado

Se a Igreja ensina que não há pecado na relação conjugal respeitosa e aberta à fecundidade, por que razão o homem casado não poderia receber as sagradas ordens? Desde os primeiros tempos a Igreja entendeu que o Sacrifício da Missa é muito mais sagrado que os sacrifícios da Antiga Lei. E se, naquele tempo, os sacerdotes não podiam se aproximar de suas esposas nos dias em que iam oficiar no templo, por maior razão, teriam que ser castos, ao serem ordenados sacerdotes segundo o Novo Testamento. O Concílio de Elvira, no século III, assim legislou: “Bispos, presbíteros, diáconos e outros que ocupem uma posição no ministério devem abster-se totalmente de relações sexuais com suas esposas e da procriação de filhos. Se alguém desobedecer, seja ele privado do estado clerical” (XXXIII cânon). Santo Ambrósio, o mais importante Pai da Igreja Latina, foi um homem profundamente apegado ao dom da castidade. Ele influenciou muito a Igreja no sentido de adotar com rigor a pena de exclusão do ministério para todos os sacerdotes casados que voltassem a ter relações com suas esposas, depois da ordenação. Isso para ele era tão sério que chegava a afirmar: “no antigo testamento lemos que o povo teve que lavar suas vestes para participar do sacrifício (Ex. 19, 10). Aprende ó Sacerdote e Levita a lavar sua vestimenta para que possas celebrar os sacramentos com o corpo purificado. Se o povo não podia participar dos sacrifícios sem lavar suas vestes, como tu ousas, impuro de mente e de corpo suplicar por outros, como ousas ministrar para os outros? Igualmente, o sacerdote que é casado, não frequente mais o leito conjugal, para que, integro no corpo, incorrupto no pudor pelo afastamento do consorcio conjugal, seja digno de exercer a graça do ministério.” S. AMBROSIUS, De officiis ministr., 1, 50

Não está na Bíblia

Aqueles que não encontraram o sentido do celibato na Bíblia comecem a perceber que esta foi, justamente, uma das grandes novidades do Evangelho: “Respondeu Jesus: Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado. Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.” (Mt. 19. 11-12) O celibato foi uma opção de Cristo que se fez tudo para todos. Foi uma sugestão de Cristo para aqueles que queriam segui-lo. Foi uma exigência de Cristo para os seus Apóstolos. É comum ouvir dizer: ‘Pedro foi casado, veja que o Senhor curou sua sogra!’ Sim. Porém escute o que o Senhor disse: “todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna”. (Mt. 19. 29). Portanto, todos eles deixaram suas famílias e seguiram o Senhor. Também eloquente é o exemplo de São Paulo que foi um celibatário convicto e que ensinava: “O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa”. (I Cor. 6, 32)

Os padres de rito oriental são casados

Nos primeiros séculos da Igreja, como demonstra a própria escritura pelas cartas de São Paulo a Tito e a Timóteo, era possível a ordenação de homens casados, mas sempre seguindo a regra apostólica da continência. A partir do século VIII, a disciplina foi se relaxando. Mais tarde, por não seguir a reforma de Gregório VII, a Igreja no Oriente permaneceu com este costume, adotando, porém, uma série de imposições e restrições que vigoram ainda hoje, rigorosamente, sobre os padres que são casados. Para começar, um padre já ordenado não pode se casar; e, se um padre casado fica viúvo, não pode se casar novamente. Além do mais, existe uma clara diferenciação de status entre um padre casado e um padre monge, como são chamados os celibatários. Um padre casado também não pode chegar a ser Bispo. Ao apresentar a questão, ninguém considera essas restrições nem, tampouco, apresenta os problemas graves de famílias de tais padres ou de pastores que são casados. Ora, se é tão difícil assim em ambientes que já estão acostumados com essa realidade, imaginemos as desordens que isso traria na nossa sociedade ocidental, sem nenhum critério ou respeito pelas tradições!

Os escândalos iriam diminuir

Não é possível ter uma certeza de que, com o fim do celibato, haveria de se diminuir o índice de escândalos sexuais na Igreja. Ao contrário, muito provavelmente, aumentariam, e teríamos mais um gênero de escândalo: os adultérios de padres ou de mulheres de padres. “É inevitável que haja escândalos, mas ai daquele que causa escândalos.” (Mt. 18,7) Sem dúvida, o problema dos escândalos está ligado, não somente à concepção hedonista da nossa sociedade, mas também à própria perda da noção do sacerdócio e da sua sacralidade. A respeito disso, diz o Cardeal Sarah: “Estou convencido de que a crise do sacerdócio é um elemento central da crise da Igreja: o inimigo do sacerdócio hoje é a eficácia, a produtividade, como se nós fossemos empregados de uma empresa… É uma concepção funcionalista do sacerdócio no sentido de separá-lo dos seus três múnus (santificandi, docendi et regendi). Um padre é fundamentalmente aquele que continua entre nós a presença de Cristo: ipse Cristus, o próprio Cristo. Durante a Santa Missa, o padre deve estar face a face com Cristo e a este momento preciso, se identificar com Cristo. Se o Padre é o próprio Cristo, como imaginar ordenar padres “idosos casados”? Este sacerdócio não será o sacerdócio de Cristo, mas uma fabricação humana sem valor crístico. Quantas vezes eu ouvi dizer: ‘se os padres pudessem se casar, não haveria problemas de pedofilia’. Como se nós não soubéssemos que esse problema, ou melhor, esse crime, concerne principalmente às famílias e dentro das famílias que mais acontece. Portanto o problema é bem mais profundo.”

Conclusões

A influência da vida monástica para a Igreja.

Ninguém contesta que, além da própria espiritualidade dos grandes Bispos dos primeiros séculos, foi, sem dúvida, a influência da vida monástica que fez prevalecer o celibato na Igreja. Há muitos relatos históricos que comprovam que, o povo preferia recorrer aos monges e eremitas, mesmo que não fossem padres, do que se dirigir aos sacerdotes casados de suas paróquias. Isso se intensificou tanto que São Leôncio, Bispo de Frejus no século V chegava a dizer que não compensava ordenar um homem casado porque o povo não aceitava se confessar com ele. De fato, o monge, ou religioso é um homem santo, ou seja, um consagrado, alguém que foi separado para Deus e não pertence à mulher nenhuma, mas só a Deus. A influência desta noção fez com que, seja no ocidente, ou no oriente fosse exigida essa mesma santidade monacal para quem administra os mistérios de Cristo, especialmente a Missa e a Confissão. Não se pode negar que a destruição do monaquismo no ocidente pelas revoluções, nos fez perder a referência de Igreja e de Santidade. Quando a Igreja é livre para se desenvolver e expressar a verdadeira Fé, ela é fecunda e gera as vocações sacerdotais na mesma proporção que o necessário, como um milagre que podemos comparar ao milagre da distribuição dos pães. (Jo. 6, 13)  Onde há uma verdadeira Igreja, haverá vocações, porque isso é Deus quem dá e não o homem…

A destruição do Sacerdócio é um trabalho da Revolução

Apesar das insistências dos últimos Papas pela manutenção da disciplina do celibato, como se nota na famosa encíclica sacerdotalis cælibatus de Paulo VI, podemos concluir que não será possível a preservação do sacerdócio, tal qual foi concebido pela Tradição e pela Doutrina da Igreja, sem que seja repensada toda a lógica da Reforma litúrgica e do próprio Concílio. Sem dúvida, é louvável o testemunho do Cardeal Sarah, um dos poucos que ainda dispõem de um cargo importante e que ousam levantar a voz contra a corrente, mas é evidente que não há argumento que possa conter o espírito de Revolução que devasta a Igreja desde o Protestantismo. Enquanto não houver uma coerência e uma clareza na exposição da Fé, denunciando claramente os erros e reafirmando o que sempre foi condenado pelo Magistério da Igreja, não se poderá conter essa devastação. O objetivo final da Revolução, promovida ocultamente pelas sociedades secretas, é fazer da Igreja Católica uma religião no mesmo nível das outras, uma simples religião humana, e não a Religião verdadeira e Divina. Para isso, é necessário acabar com o sacerdócio e com o sacrifício da Missa. Que sejam os padres, homens comuns, seja a missa uma simples celebração: plena de vida, de simbolismos, mas não seja o sacrifício. Esse é o objetivo final! É preciso que estejamos bem conscientes disso. Que a nossa perseverança na Verdade revelada por Deus possa nos sustentar nessa grande e tremenda tempestade. Salva nos Domine, perimus!

14 Comentários to “Pela defesa do Celibato.”

  1. O inexplicável: porque os pastores protestantes, apesar de ajuntados são mais reincidentes em “filiais” que os sacerdotes católicos e são fatos jamais denunciados, embora sabermos serem aliados dos globalistas, mas existe uma PERSEGUIÇÃO SELETIVA anticelibataria e tentativas de imposição de ideias confusas e capciosas nesse aspectos apenas aos clérigos católicos?
    Com toda a certeza vos asseguro que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado no céu” e nesse caso de veto ao casamento e a outras iniciativas a Igreja católica está amparada por Cristo Jesus N Senhor pelo Espírito Santo nesse e em mais itens decisorios e não deu esse poder às milhares de seitas heréticas protestantes sem fundação divina e nenhum magisterio definido! Mt 18 18.
    Eu te darei a chave do Reino dos Céus, tudo que ligares na terra haverá sido ligado nos céus, e o que desligares na terra, haverá sido desligado nos céus”. Jo 20,23.
    Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais mantiverdes ser-lhes-ão retidos.” Felizes os que não viram e creram. Mt 16,19.
    Aliás, o papa Francisco dos globalistas se desolou algo com a saída da Inglaterra da UE pois distou-se mais os projetos dos globalistas e novas adesões a ela; quem sabe a bem amada UE desse papa das esquerdas “Mãe Natureza, Mãe Terra e deusa ao nível de Alah, a Pachamamma, brevemente desmoronam-se? Que dessa forma se suceda!

  2. Artigo muito bem escrito e fundamentado. Simplesmente esclarecedor! Parabéns ao Frei.

  3. Esse isso for implantado ainda teremos consequências contrárias ao suposto benefício (que seria colocar padres em regiões distantes). Hoje, existe uma grande facilidade para se transferir um padre. E se ele tem mulher? E filhos? Vai colocar um padre em uma cidade se estrutura alguma, em pouco tempo ele vai querer sair de lá justamente porque não tem escola, hospital, trabalho para a mulher etc.
    E quanto aos padres casados na Igreja oriental, o falecido cardeal e patriarca maronita Nasrallah Pierre Sfeir em 2005, por ocasião do Sínodo dos bispos, defendeu o celibato e expressou que os padres casados traziam mais problemas do que soluções.

  4. Até os tempos de Pio XII, um inimigo externo da Igreja decerto ficava intrigado ao ver a aparência inexpugnável da fortaleza que devia assaltar.
    Eleito Roncalli, tudo ficou mais claro. O pró-núncio fracassado que Pacelli resolveu tirar da das trevas da irrelevância e do desvio morto da “carreira” diplomática, tinha agora a chance de fazer valer o programa devastador de Ernesto Buonaiuti, seu padrinho de ordenação, triplamente excomungado e falecido sem se reconciliar com a Igreja.
    A eventual extinção do celibato obrigatório nao será o pior capítulo dessa infâmia.

    • Você deveria lavar a boca para falar de Pio XII.

    • Sandro Pontifice da ignorância preguiçosa e ideológica: pula fora do igarapé da tosquice e vá estudar.

      Recomendo-lhe, ademais, um gargarejo de agua benta e a conteplacao da foto de papisa Pascoalina valsando ao lado do Bea, Montini, Bugnini e demais assíduos convivas de Eugenio, o encantador de serpentes.

    • Pontífero Sandro,

      – Pio XII sabia perfeitamente quem eram Roncalli e Montini. Ele os conhecia desde o pontificado de Bento XV nos corredores ds diplomacia Vaticana. Todos eles, inclusive o futuro Bento XV, dividiram espaços no ambiente sombrio criado pelo do Cardeal Rampolla, de péssima fama.

      Pio XII sabia que Roncalli fora destituído do magistério por ser MODERNISTA; defenestrado Roncalli ingressou na carreira diplomática e foi parar onde judas perdeu as botas para, depois, ser feito nuncio em Paris, por mandato de Pio XII, que desgraçadamente o fez cardeal.

      A cobra criada que destruiu a liturgia católica, A. BUGNINI, era outra do serpentário mantido por Pio XII. Bugnini já metera suas maos sujas na e calvinistas e coisa pior na liturgia da Semana Santa.

      Quanto a Montini, ela era uma espécie de Monsenhor Ricca, famoso e aclamado por suas andanças e preferências mui eletivas. Mas Pio XII o mimava.

      Então, antes de recomendar algo a quem não lhe dá liberdade alguma para tanto, instrua-se para nao fazer o papel de bocó do igarapé e adulador parvo da Autoridade mal usada e pior servida.

      Que dizer do cardeal Bea, confessor de Pacelli….? Sabe quem é? Sabe o que ele fex?

      Madre Pascoalina, Prefeita da Congregação dos Bispos, lhe envia uma Bula de pasta de dentes e um detefon contra dengue.

  5. “O que não é de se espantar, porque nesta “semana de oração pela unidade dos Cristãos”, o que mais se escuta dizer é que ser católico é um dom precioso, mas opcional.”
    Em resumo, como já foi dito aqui, onde passa um boi, passa uma boiada e teremos em seguida:
    – Sacerdote homem será um dom precioso, mas opcional.
    E pelo andar da carruagem, teremos em breve:
    – Não pecar será um dom precioso, mas opcional.

  6. O problema é que muitos padres e bispos ferem o celibato. Levam uma vida desregrada, tendo casos extra-conjugais. Alguns até com mulheres casadas. E pior, casos homoafetivos. Enfim, temos muitos casos de falsas vocações. Essas pessoas são geralmente as que pedem o fim do celibato. Porque não são capazes de vivê-lo. Faltam caráter e oração na vida dessas pessoas.

  7. Dois comentários adicionais a tudo explanado: 1) O celibato é imprescindível para que, dedicando-se às coisas de Deus, o sacerdote tenha condições de experimentar o caminho da santidade. As dificuldades e vitórias podem finalmente ser compartilhadas com os fiéis, assim como o testemunho verdadeiro de que tudo é possível com a graça Deus, obedecendo integralmente aos mandamentos e à oração. Isso confere autoridade ao sacerdote que pode testemunhar na prática esta possibilidade aos seus fiéis.
    2) Concordo parcialmente com o problema das vocações. De fato há desânimo geral pelo fato da Igreja ter abandonado o místico e ficar no que eu chamo de “fetiche social”, ou seja focar o material. Mas a falta de padres nas diversas regiões é fruto de pura má vontade também dos administradores. Temos, por exemplo, um Arautos do evangelho que ano passado ordenou mais de 20 padres. Temos paróquias com 3, 4 padres ou mais. Um pequeno e grifo pequeno sacrifício de deixar paróquias com 2 padres e destinar o excedente, mesmo em revezamento nas regiões distantes, resolve o problema da maneira que está hoje. Mas bem sabemos que o interesse dos padres casados é em prol da revolução e não uma sincera procura de solução.

  8. Não se iludam, eles não querem abolir o celibato para entrarem nas vias do sacramento do matrimônio – afinal, eles também estão destruindo o casamento indissolúvel.
    Na verdade querem é viver em mil uniões ilícitas, quiçá homossexuais.

  9. Tal é a crise que às vezes há de espetar o corpo moribundo, apesar das dores e mal odor. Seria bom se isentássemos Pio XII da dolorida crise católica, mas atribuo a ele, salvo engano, fomento da crise, assim como o maquinista joga carvão na fornalha para gerar força ao monstrengo ferroviário. Parece-me, e estou aberto a retirar este conceito, que Pio XII ajudou a destruir a saneadora ação de São Pio X, minando disfarçadamente a ação em prol da Tradição para os modernistas darem as caras. É como se tivesse deixado a porta destrancada da catedral de São Pedro para que se realizasse o delito modernista que culminou com o Concílio. Não defendeu o modernismo, mas não o enfrentou. Deixou correr… e promoveu egrégios modernistas.

    Pacelli foi um hierárquico até o acaso da Guerra, exercendo o pontificado aristocraticamente. Mudado o jogo político e de tendências, encarnou uma persona de figura midiática com gestos populares e demagógicos. Virou uma espécie de João Plenário com gestos espetaculares à moda Maluf. A sua presença na Praça de São Pedro prometendo que Roma não seria invadida pelos aliados dá uma boa amostra. Entregou-se à multidão abrindo exageradamente os braços, gesto que se repetirá. É uma papa que será capaz de realizar cerimônias com pompa e ao mesmo tempo realiza uma cerimônia para abençoar motoqueiros.

    Por vezes a cidadela é inexpugnável. A invasão se dá somente quando titubeiam na porta de entrada. Basta afrouxar os ferrolhos, não precisa proclamar os ideais dos invasores. Sucedida a invasão nada adiantam as muralhas. O estrago está feito, a cidadela é do inimigo. Mas parece que Pacelli mais se preocupou com seus males gástricos, e dos cuidados de sua Madre Paquoalina. Talvez tivesse razão porque no seu velório infortunadamente órgãos explodiram para náuseas e desmaios de alguns presentes.

    • “Pio XII não possui a masculinidade robusta, inimitável e inflexível de Pio XI.
      Ele é afável, simples, gentil e cortês: caloroso, caridoso e generoso; sua inegável santidade é atenuada por seu grande charme pessoal e senso de humor. Contra esse compêndio de virtudes, deve-se apontar certa vaidade bem humana, principalmente em relação a seus discursos, para cuja composição, refinamento e excessiva ornamentação ele dedica grande parte de seu tempo de trabalho … [ele tem] uma sensibilidade aguda à crítica, é susceptível à bajulação e tem uma meticulosa preocupação com a forma e os detalhes. Politicamente, ele parece ser avesso a decisões e ações irrevogáveis, mas não deixa de proclamar a hostilidade intransigente da Igreja ao comunismo. Ele tem uma inteligência ativa, flexível e receptiva, considerável erudição, ampla experiência política e senso moderno de valores publicitários.”

      (Marcus Cheke. Ministro de Sua Majestade (Britânica) junto à Santa Sé Relatório anual, 1957)

      “Toda a sua carreira foi caracterizada por um rígido senso de piedade ascética e moral exemplar. Uma bela figura sacerdotal, imbuída do senso da missão e da santidade de seu ofício, Eugenio Pacelli não pode deixar de despertar honesta e acolhedora admiração pela digna figura moral que apresenta e por sua altiva compostura como prelado.”

      (Ernesto Buonaiuti)

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      É claro que, sob todos os aspectos de suas virtudes e modos aristocráticos, Pio XII não teve nenhum sucessor à altura. Basta lembrar, dentre outros atentados à ortodoxia e à higiene, a repugnante lambida de dedo que “São” João Paulo 2 fazia ao virar as páginas de seus rocambolescos e chatíssimos discursos. Bento XVI foi o menos pior, embora tenha saído aos seus quando se pôs a correr com medo de não sei quê lobos e foi se esconder debaixo da cama.

      Pio XII talvez tenha ficado míope depois da Guerra, mas não creio que saísse correndo como Ratzinger, aluno pobre e esforçado elevado, em vão, a mais alta cátedra Pai dos Reis e Vigário de Jesus Cristo: tudo isso trocado por um pijama!

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      A Roma sepultada en sus ruinas

      (Francisco de Quevedo)

      Buscas en Roma a Roma, ¡oh, peregrino!,
      y en Roma misma a Roma no la hallas;
      cadáver son las que ostentó murallas,
      y tumba de sí proprio el Aventino.

      Yace donde reinaba el Palatino;
      y limadas del tiempo, las medallas
      más se muestran destrozo a las batallas
      de las edades que blasón latino.

      Sólo el Tibre quedó, cuya corriente,
      si ciudad la regó, ya, sepoltura,
      la llora con funesto son doliente.

      ¡Oh, Roma!, en tu grandeza, en tu hermosura,
      huyó lo que era firme, y solamente
      lo fugitivo permanece y dura.