Querida Amazonia: um vislumbre de esperança em meio à confusão em curso.

Por Dom Athanasius Schneider, Corrispondenza Romana | Tradução: Hélio Dias Viana, FratresInUnum.com – A maioria dos observadores concorda que a publicação da Exortação Apostólica Querida Amazonia [Nota do tradutor: Amazônia vai sem o acento circunflexo para manter o título original do documento, em espanhol] causou um terremoto espiritual. Nela o Papa Francisco não abriu a porta para a ordenação de homens casados, os chamados viri probati, e também rejeitou a proposta – aprovada com maioria de votos no Sínodo Pan-Amazônico – de ordenação sacramental de mulheres ao diaconato permanente. Tanto a grande mídia anticristã quanto a poderosa rede de cardeais, bispos, teólogos e burocratas leigos bem pagos, cujas mentes foram moldadas segundo o espírito agnóstico e relativista do mundo, ficaram inicialmente chocadas e boquiabertas. Mas depois manifestaram uma frustração declarada ou reprimida.

Em seu programa de notícias diárias Tagesthemen, de 13 de fevereiro de 2020, a emissora alemã do serviço público ARD permitiu que seu apresentador oficial criticasse o Papa Francisco com estas palavras: “O Papa Francisco nos surpreendeu com sua decisão de interpretar o celibato num sentido estrito. O mundo estava aparentemente preparado e ao seu lado. Não é mais segredo que o argentino defende pessoalmente o relaxamento da lei católica de continência para o clero. Para muitos fiéis, teria sido um passo lógico relaxar cautelosamente a lei do celibato como um primeiro passo, como foi proposto pelo Sínodo da Amazônia. Pior ainda do que o seu ‘não’ ao relaxamento do celibato é a decisão do Chefe da Igreja a respeito do papel das mulheres. Às mulheres continua a ser amplamente negada a possibilidade de fazer carreira na Igreja.”

Por sua vez, o Presidente do Comitê Central de Católicos Alemães (Zentralkommittee der Deutschen Katholiken) declarou: “Infelizmente, o Papa Francisco não teve coragem de implementar reformas reais nas questões da ordenação de homens casados ​​e do ministério litúrgico das mulheres, que têm sido discutidas por 50 anos.” Uma reação assaz veemente contra o Papa Francisco veio também do Pe. Paulo Suess, teólogo alemão residente no Brasil e destacado participante do Sínodo sobre a Amazônia. Ele disse que, em algumas passagens da exortação, a visão do Papa Francisco sobre a Igreja na Amazônia representa um pesadelo.

A partir dessas reações, torna-se evidente que todos esses grupos e pessoas estavam certos da vitória e esperavam com confiança a realização de seu objetivo há muito desejado, ou seja, a abolição do celibato sacerdotal e a aprovação da ordenação feminina.

Em editorial de 13 de fevereiro, intitulado “Habemus Coelibatum !!!”, o blog alemão Im Beiboot Petri fez este comentário perspicaz: “Que dia! Jornalistas no mundo ocidental estavam sitiando o Vaticano desde as primeiras horas da manhã para serem os primeiros a dar o furo jornalístico: ‘Finalmente, o último bastião foi arrasado’. Era o resultado lógico, porque a ‘maioria’ em outubro decidiu isso. Agora, nada pode dar errado, porque se a maioria decide, nem Deus nem o Papa podem opor-se. A imprensa militante de esquerda, também conhecida sob o pseudônimo de MainStreamMedia, já havia terminado os artigos em seus computadores, para que, uma vez feito o anúncio oficial, pudesse simplesmente pressionar o botão ‘enviar’ e ser a primeira em levar a notícia sensacional ao mundo inteiro. Mas saiu algo muito distinto.”

A norma apostólica do celibato sacerdotal e a verdade divinamente revelada da ordenação sacramental reservada ao sexo masculino constituem o último bastião do Catolicismo, que as redes mundanizadas e protestantes dentro da Igreja ainda não conseguiram destruir. No entanto, pela inserção universal de elementos protestantes na forma e no conteúdo das celebrações litúrgicas, elas conseguiram prejudicar seriamente o bastião da lei perene da oração – a lex orandi –, e na prática, através da aprovação papal de normas locais admitindo o acesso à Sagrada Comunhão de católicos que vivem em uniões adúlteras, conseguiram introduzir também o divórcio.

Tais redes conseguiram ainda legitimar o ativismo homossexual dentro da Igreja pela impunidade de que gozam cardeais e bispos após apoiarem abertamente eventos do “Orgulho Gay” e ativistas dos chamados grupos “LGBT”.

 Elas conseguiram também desviar a liderança da Igreja Católica – mais concretamente o Papa – da preocupação prioritária pelo sobrenatural e eterno na missão da Igreja, para passar a dar igual importância à missão de cuidar de realidades materiais e temporais como o clima, o ambiente ou o bioma amazônico, equiparando assim o natural com o sobrenatural, o Reino dos Céus com o reino da terra, o profano com o sagrado e, desse modo, sacralizando o natural e dessacralizando o sobrenatural.

Eles conseguiram – através de uma teoria e de uma prática relativistas do ecumenismo e do diálogo interreligioso – relativizar a verdade de que a fé católica é a única religião verdadeira desejada por Deus.

Elas conseguiram abolir o Primeiro Mandamento do Decálogo através do ato historicamente sem precedentes da veneração idolátrica no Vaticano (coração do Catolicismo) de uma estátua da Pachamama, uma das principais figuras da religião pagã indígena em alguns povos nativos da América do Sul.

À luz de tais ataques direcionados e bem orquestrados ao Depósito da Fé e a tudo o que é genuinamente católico, a recusa do Papa Francisco de enfraquecer ou mudar a lei do celibato sacerdotal e de aprovar uma ordenação sacramental diaconal feminina têm uma dimensão histórica e merece o reconhecimento e a gratidão de todos os verdadeiros filhos e filhas da Igreja. A atitude do Papa frustrou muitos participantes influentes do Sínodo Pan-Amazônico, cujo descontentamento revela que eles não tinham nenhuma preocupação séria pelas realidades do povo amazônico e por sua autêntica evangelização, mas usavam o povo amazônico como instrumento para alcançar inescrupulosamente seus objetivos políticos dentro da Igreja. Com seu comportamento, eles deram um espetáculo de clericalismo cínico. O teólogo vienense Jan-Heiner Tück chamou a posição do Papa Francisco de “recusa provocativa”. Dando livre curso à sua frustração, Tück deixou o gato sair da bolsa, ao declarar: “Para que todo aquele esforço considerável de um sínodo de quatro semanas em Roma, se no final tudo fica na mesma?”

Após a divulgação de Querida Amazonia, o Papa Francisco compartilhou com um grupo de bispos dos EUA sua frustração diante da reação à sua Exortação Apostólica. O bispo William A. Wack, de Pensacola-Tallahassee, desvelou detalhes da conversa com as seguintes palavras: “Ele afirmou que algumas pessoas dizem que não é corajoso, porque não ouviu o Espírito. ‘Mas eles não estão bravos com o Espírito. Eles estão com raiva de mim aqui embaixo!’, disse [o Papa Francisco]. ‘Para algumas pessoas, tratava-se só do celibato e não da Amazônia’, disse ele.” O bispo Wack acrescentou: “Sua consternação [do Papa Francisco] era visível”.

Em sua frustração, aqueles clérigos e leigos que devem seus cargos graças à influência de uma Nomenklatura eclesiástica de espírito mundano estão agora desesperadamente envolvidos num esforço de controle de avarias. Em suas ilusões, eles repetem como um mantra frases como: “A última palavra ainda não foi dita”; “Este debate continuará”; e “De maneira alguma isso está fora da mesa de discussão”. Semeando mais confusão, o cardeal Christoph Schönborn, Arcebispo de Viena, declarou: “As decisões do Sínodo da Amazônia podem amadurecer ainda mais; as portas que lá foram abertas não foram fechadas de volta”.

Outros se consolam com a ideia de que o Documento Final do Sínodo Pan-Amazônico faz parte do magistério papal ordinário. No entanto, representantes da Santa Sé rejeitaram essa opinião. Na conferência de imprensa em que Querida Amazonia foi apresentada, o cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do Sínodo dos Bispos, deixou claro que o Papa Francisco, na exortação apostólica, fala de “apresentação”, mas não de “aprovação” do documento final do Sínodo. O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, declarou: “A exortação apostólica [Querida Amazonia] é magistério. O documento final não é magistério”.

Com a publicação de Querida Amazonia testemunhamos um evento similar, pelas circunstâncias e reações, ao que sucedeu à publicação da encíclica Humanae Vitae do Papa Paulo VI em 1968. A posição do Papa Francisco em relação à lei do celibato sacerdotal e à ordenação feminina é um alívio para todos os verdadeiros católicos, tanto clérigos como fiéis leigos. A rocha de Pedro, que ao longo do atual pontificado esteve quase continuamente envolta em névoa, tornou-se, pelo menos por um tempo, um rochedo no mar, resistindo ao assalto das ondas, e foi iluminada por um raio da promessa divina de Cristo.

Ao agradecer sinceramente ao Papa Francisco por ter resistido à pressão para relaxar a lei do celibato sacerdotal e aprovar a ordenação sacramental feminina, cumpre destacar com justiça o fato de que o texto de Querida Amazonia representa em seu conjunto uma melhoria em comparação com o Documento Final do Sínodo para a Amazônia. Para citar apenas alguns exemplos: Querida Amazonia fala de “conversão interior” (nº. 56), enquanto o Documento Final possui capítulos inteiros agrupados sob o título “conversão integral” e “conversão ecológica”, que falam até mesmo da “conversão ecológica da Igreja e do planeta” (nº. 61). O tema “casa comum” é amplamente discutido no Documento Final, enquanto na Querida Amazonia ele é mencionado apenas uma vez, dentro de uma citação. As palavras “mudança climática” e “climática” não constam na Querida Amazonia, enquanto o Documento Final as utiliza duas vezes e até fala da “emissão de dióxido de carbono (CO2)” (nº. 77). A palavra “ecologia” é usada 27 vezes no Documento Final e quase sempre na expressão “ecologia integral”, enquanto a expressão “ecologia humana” está ausente no Documento Final. Querida Amazonia, no entanto, usa apenas uma vez a expressão “ecologia integral” e fala três vezes sobre “ecologia humana” (nº. 41) no sentido proposto pelo Papa Bento XVI.

O Documento Final não fala sobre as insuficiências da cultura e o modo de vida dos nativos, ao passo que Querida Amazonia fala duas vezes sobre essas limitações, em um sentido moral (ver nº. 22 e nº. 36). A Querida Amazonia alerta contra um “indigenismo” fechado em si próprio, enquanto o Documento Final não fala sobre esse assunto.

Vale a pena citar a seguinte afirmação de Querida Amazonia: “Não é minha intenção propor um indigenismo completamente fechado, a-histórico, estático, que se negue a toda e qualquer forma de mestiçagem. Uma cultura pode tornar-se estéril quando ‘se fecha em si própria e procura perpetuar formas antiquadas de vida, recusando qualquer mudança e confronto com a verdade do homem’” (nº. 37).

O Documento Final fala apenas de “transformação social”, enquanto Querida Amazonia fala mais de transformação espiritual e, particularmente, sobre a necessidade de que a cultura seja transformada pela obra do Espírito Santo: “O Espírito Santo fecunda a sua cultura com a força transformadora do Evangelho” (nº. 68).

O Documento Final evita de falar sobre a necessidade de uma atitude crítica em relação às diversas culturas, enquanto Querida Amazonia faz a seguinte afirmação: “Os desafios das culturas convidam a Igreja a uma ‘atitude de prudente sentido crítico, mas também de atenção e confiança’” (nº. 67).

No Documento Final faltam as palavras “imanência” e “vazio” moral em relação ao mundo, enquanto Querida Amazonia emite este alerta realista: “Isto que nos une é o que nos permite estar no mundo sem sermos devorados pela imanência terrena, o vazio espiritual, o cómodo egocentrismo, o individualismo consumista e autodestrutivo” (nº. 108).

As palavras “direito” e “direitos” são usadas no Documento Final em um sentido predominantemente humanístico. O documento fala com insistência e com um intuito obviamente ideológico sobre o “direito fundamental” à celebração e acesso à Eucaristia (nº. 109). Querida Amazonia não fala de “direito à Eucaristia”; em vez disso, fala do direito do povo nativo de ouvir o Evangelho (cf. nº. 64), um tema sobre o qual o Documento Final é silencioso.

O Documento Final evita falar sobre o perigo de uma comunidade eclesiástica se tornar uma ONG. Querida Amazonia, pelo contrário, faz a seguinte afirmação ousada: “Sem este anúncio apaixonado, cada estrutura eclesial transformar-se-á em mais uma ONG e, assim, não responderemos ao pedido de Jesus Cristo: ‘Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura’ (Mc 16, 15)” (nº. 64).

A palavra “adoração” está ausente no Documento Final, mas é mencionada na Querida Amazonia. Em vez de falar em “teologia inculturada” (Documento Final), Querida Amazonia fala sobre “espiritualidade inculturada”.

O Documento Final usa apenas duas vezes e de maneira antropocêntrica a palavra “graça”, enquanto Querida Amazonia fala dez vezes de graça em um sentido mais teológico, como se pode ver, por exemplo, nas seguintes formulações: “Cristo constitui a fonte da graça” (nº. 87); nos sacramentos, “a natureza é assumida por Deus e transformada em mediação da vida sobrenatural” (nº. 81); Deus está presente “pela graça nos seus santos” (nota de rodapé nº. 105).

A citação bíblica indispensável de 1 Cor 9,16, sobre a tarefa missionária da Igreja, está ausente no Documento Final, enquanto Querida Amazonia fala em termos claros sobre essa tarefa com a citação completa dessa passagem: “Como cristãos, não renunciamos à proposta de fé que recebemos do Evangelho. Embora queiramos empenhar-nos lado a lado com todos, não nos envergonhamos de Jesus Cristo. Para quantos O encontraram, vivem na sua amizade e se identificam com a sua mensagem, é inevitável falar d’Ele e levar aos outros a sua proposta de vida nova: ‘Ai de mim, se eu não evangelizar!’ (1 Cor 9, 16)” (nº. 62).

O Documento Final não fala sobre o sentido autêntico da Tradição da Igreja, enquanto Querida Amazonia fala da Tradição como a raiz de uma árvore em constante crescimento. Citando a famosa formulação de São Vicente de Lérins, afirma que a doutrina cristã “fortalece-se com o decorrer dos anos, desenvolve-se com o andar dos tempos, cresce através das idades” (Commonitorium, 23, citado na nota 86).

Uma vez constatadas as melhorias feitas na Querida Amazonia, não se pode, entretanto, calar as lamentáveis ​​ambiguidades doutrinárias e os erros que ela contém, bem como suas perigosas tendências ideológicas. Altamente problemático, por exemplo, é o endosso implícito de Querida Amazonia a uma espiritualidade panteísta e pagã, quando fala da terra material como um “mistério sagrado” (nº. 5); de entrar em comunhão com a natureza: “entrarmos em comunhão com a floresta” (nº. 56); do bioma amazônico como um “lugar teológico” (nº. 57). As afirmações de que o rio Amazonas é “a eternidade secreta” (nº. 44) e que “a esse mundo, só a poesia poderá salvar” (nº. 46) aproximam-se do panteísmo e do paganismo. Um cristão não pode subscrever tais ideias e expressões.

Judeus e cristãos nunca foram autorizados a “receber de alguma forma” (nº. 79) símbolos religiosos indígenas pagãos. Deus proibiu Seu povo eleito de receber os símbolos nativos do bezerro de ouro e de Baal. Quando atearam fogo no porto de Jâmnia (ver 2 Mac 12,7-8), os soldados de Judas Macabeu consideraram possível “receber” símbolos indígenas “de alguma maneira”, sem que isso fosse considerado necessariamente uma idolatria, pois eram somente ofertas votivas aos templos (cf. 2 Mac 12,40). No entanto, Deus condenou essa “recepção, de alguma maneira, de símbolos indígenas” e por essa causa esses soldados foram mortos, como todos comprovaram claramente. Toda a comunidade fez expiação por esse pecado: “Puseram-se em oração, para implorar [ao Senhor] o perdão completo do pecado cometido. […] Em seguida, organizou uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados” (2 Mac 12,42-43).

Os Apóstolos nunca permitiriam a recepção “de alguma forma” dos símbolos indígenas da sociedade greco-romana, como a estátua de Ártemis ou Diana em Éfeso (ver Atos 19, 23 e seguintes).

São Paulo “tem persuadido e desencaminhado muita gente, dizendo que não são deuses os ídolos que são feitos por mãos de homens” (Atos 19,26). O povo nativo de Éfeso protestou pela posição intransigente de São Paulo contra a recepção de símbolos indígenas e disse: “Há perigo de que o templo da grande Ártemis seja desconsiderado, e até mesmo seja despojada de sua majestade aquela que toda a Ásia e o mundo inteiro adoram” (Atos 19,27).

Com São Paulo, devemos dizer: “Como conciliar o Templo de Deus e os ídolos”, símbolos religiosos indígenas? (cf. 2 Cor 6, 16). São Vladimir não adotou os símbolos indígenas usados ​​em sua religião pagã, nem São Bonifácio na Alemanha. Eles seguiram o mandamento de Deus nas Sagradas Escrituras e no ensino dos Apóstolos. Certamente, nenhum dos Apóstolos ou santos missionários poderia ficar quieto e aceitar de boa vontade esta afirmação da Querida Amazonia: “É possível receber, de alguma forma, um símbolo indígena sem o qualificar necessariamente como idolátrico” (nº. 79).

A designação “mãe de todas as criaturas”, atribuída por Querida Amazônia (nº. 111) à Bem-aventurada Virgem Maria, também é altamente problemática do ponto de vista teológico. A Bendita e Imaculada Mãe de Deus não é a mãe de todas as criaturas, mas apenas de Jesus Cristo, o Redentor da humanidade, e, enquanto tal, também a mãe espiritual de todos os homens redimidos pelo seu divino Filho.

É nas religiões pagãs que se encontram o conceito e a expressão “mãe da criação ou das criaturas”. Por exemplo, no culto à Pachamama e no movimento New Age, como se pode verificar na seguinte resenha: “Nas antigas e modernas religiões não letradas, a Mãe Terra é uma fonte eternamente fecunda de tudo. Ela é simplesmente a mãe; não há nada separado dela. Todas as coisas vêm dela, voltam para ela e são ela. A forma mais arcaica da ‘Mãe Terra’ é uma Mãe Terra que produz tudo, inesgotavelmente, de dentro de si mesma”(Encyclopaedia Britannica).

Os hinos védicos referem-se a “Aditi” –  a deusa primordial do panteão hindu – como a “mãe de todas as criaturas”. Santo Anselmo dá a correta concepção e terminologia, dizendo: “Deus é o Pai do mundo criado e Maria a mãe do mundo recriado. Deus é o Pai, pelo qual todas as coisas receberam vida, e Maria, Sua mãe, pela qual todas as coisas receberam nova vida. Pois Deus gerou o Filho, por meio do qual todas as coisas foram feitas, e Maria deu Ele à luz como o Salvador do mundo. Sem o Filho de Deus, nada poderia existir; sem o Filho de Maria, nada poderia ser redimido” (Oratio 52). Maria é a “Rainha do Céu, a Regina coeli” e a “Rainha da criação”, mas Ela não é a “mãe de todas as criaturas”.

Uma das principais tendências errôneas da Querida Amazonia é a promoção do naturalismo, com alguns ecos de panteísmo e de um pelagianismo oculto. Tais tendências podem ser detectadas na excessiva ênfase e valor atribuídos ao cuidado das realidades naturais, terrestres e temporais. Esse reducionismo confina a existência das criaturas e dos seres humanos predominantemente à esfera da ordem natural. Essa tendência naturalista e neopelagiana é, de fato, a doença espiritual mais característica e prejudicial à vida da Igreja desde o Concílio Vaticano II. Querida Amazonia é uma prova a mais dessa tendência, embora de forma um tanto atenuada em comparação com o Documento Final do Sínodo da Amazônia.

A tendência excessiva a exaltar e promover as realidades temporais e naturais enfraquece consideravelmente o mandato conferido à Igreja pelo seu divino Redentor, nos seguintes ensinamentos claros das Sagradas Escrituras: “Por onde andardes, anunciai que o Reino dos Céus está próximo” (Mt 10,7); “que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações” (Lc 24:47); “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6,33); “Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo” (João 8:23); “Não é razoável que abandonemos a Palavra de Deus, para administrar (…) Nós atenderemos sem cessar à oração e ao ministério da palavra” (Atos 6: 2.4); “Se é só para esta vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima” (1 Cor. 15,19); e “a figura deste mundo passa” (1 Cor. 7,31).

O significado e a pregação primordiais e autênticos do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo estão sendo distorcidos e mudados com vista a um objetivo intramundano. A principal missão de Jesus Cristo, o Redentor da humanidade, não era cuidar do bem-estar material do planeta ou do bioma amazônico, mas salvar almas imortais para a vida eterna no Céu: “De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3,16). Jesus Cristo não disse: “Deus deu seu único Filho para que este planeta e seus muitos componentes, como o bioma amazônico, não pereçam, mas tenham uma vida natural abundante”. Jesus também não disse: “Vá e proclame que o reino da Mãe Terra está próximo”.

A criação material sofre precisamente por causa da falta da vida sobrenatural da graça de Cristo nas almas dos homens. A Palavra de Deus nos ensina o seguinte: “Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou), todavia, com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia. Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo. Porque pela esperança é que fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança; porque o que alguém vê, como é que ainda o espera?” (Rom. 8, 19-24). Quanto mais a Igreja enfraquece em nossos dias sua missão sobrenatural primordial, mais ela prejudica, aos olhos de Deus e da eternidade, a redenção e santificação da criação natural.

A atual mudança na vida da Igreja (e lamentavelmente até pela Santa Sé e pelo Papa) em direção à promoção do natural e do temporal, em detrimento do sobrenatural e do eterno, pode ser resumida adequadamente nas palavras de um dos maiores Papas, São Gregório Magno, que disse que o pó das atividades terrenas cega os olhos da Igreja (terrena studia Ecclesiae oculos pulvis caecat): “Enquanto as atividades terrenas ocupam a mente do pastor, a poeira cega os olhos da Igreja” (Regula pastoralis II, 7).

Por sua focalização e ocupação excessivas com as realidades terrenas – a ponto de interferir em questões científicas, técnicas e econômicas fora de sua competência, como questões relacionadas ao clima ou à flora e fauna de um bioma específico –, a Igreja está ultrapassando em nossos dias os limites de seu próprio poder e, assim, cometendo o erro de um novo tipo de clericalismo. A este respeito, é útil o seguinte ensinamento do Papa Leão XIII: “Deus dividiu, pois, o governo do gênero humano entre dois poderes: o poder eclesiástico e o poder civil; aquele preposto às coisas divinas, este às coisas humanas. Cada uma delas no seu gênero é soberana; cada uma está encerrada em limites perfeitamente determinados, e traçados em conformidade com a sua natureza e com o seu fim especial. Há, pois, como que uma esfera circunscrita em que cada uma exerce a sua ação ‘iure próprio’(Encíclica Immortale Dei, 19).

A atual mudança da Igreja em direção a um pelagianismo oculto e ao naturalismo causa danos consideráveis ​​ao bem e à salvação das almas. Mais uma vez, quão oportunas são as seguintes palavras de São Gregório Magno: “Os súditos são incapazes de apreender a luz da verdade, porque, enquanto as atividades terrenas ocupam a mente do pastor, o pó, impulsionado pelo vento da tentação, cega os olhos da Igreja. […] Nenhum incômodo de poeira pode escurecer o olho, que é colocado no alto para antecipar os passos seguintes. (…) O ornamento da Igreja, ou seja, os pastores, deveriam ter estado livres para penetrar nos mistérios interiores, por assim dizer nos lugares secretos do tabernáculo, mas eles buscam fora as vias largas das causas mundanas”(Regula pastoralis II, 7).

Santo Irineu disse que a glória de Deus é o homem totalmente vivo. No entanto, a verdadeira vida do homem não é natural, mas sobrenatural e consiste na visão de Deus. O homem mais verdadeiro é Jesus Cristo, o Filho de Deus Encarnado: “Gloria enim Dei vivens homo, vita autem hominis visio Dei” (Adversus haereses IV, 20). A afirmação a seguir de Querida Amazônia, pelo contrário, enfatiza excessivamente o valor das criaturas materiais: “Por nossa causa, milhares de espécies já não darão glória a Deus com a sua existência, nem poderão comunicar-nos a sua própria mensagem. Não temos direito de o fazer”(nº. 54). Essa afirmação parece ignorar a dura realidade da morte espiritual de tantas almas humanas, criadas à imagem e semelhança de Deus (veja-se Gênesis 1,27), que pela sua vida pecaminosa e ignorância não dão glória a Deus, mas em vez O ofendem. Muitos seres humanos ofendem a Deus e não O glorificam por causa do pecado de omissão cometido pelos pastores da Igreja de nossos dias, que relaxam a proclamação da Revelação divina, tolerando ambiguidades e heresias doutrinárias. Como consequência, muitas pessoas não conhecem a unicidade de Jesus Cristo e de Sua obra redentora; também não conhecem a santa vontade de Deus e, portanto, não mais dão glória a Ele. A situação em que a Igreja deixou presentemente a humanidade e o mundo pode ser resumida nas palavras de São Paulo: “correm sem rumo certo e dão golpes, mas no ar” (1 Cor. 9,26).

Intercaladas entre suas múltiplas expressões teológicas problemáticas, duvidosas e ambíguas, Querida Amazonia também contém afirmações valiosas, como as seguintes a respeito dos sacerdotes: “Este é o seu grande poder, que só pode ser recebido no sacramento da Ordem. Por isso, apenas ele pode dizer: ‘Isto é o meu corpo’. Há outras palavras que só ele pode pronunciar: ‘Eu te absolvo dos teus pecados’; pois o perdão sacramental está ao serviço duma celebração eucarística digna. Nestes dois sacramentos, está o coração da sua identidade exclusiva”(nº. 88); “Porque o Senhor quis manifestar o seu poder e o seu amor através de dois rostos humanos: o de seu divino Filho feito homem e o de uma criatura que é mulher, Maria” (nº. 101); “Acreditamos firmemente em Jesus como único Redentor do mundo, cultivamos uma profunda devoção à sua Mãe” (nº 107); “Une-nos a convicção de que nem tudo acaba nesta vida, mas estamos chamados para a festa celeste, onde Deus enxugará as nossas lágrimas e recolherá o que tivermos feito pelos que sofrem” (nº. 109). O Papa Francisco oferece uma visão sobrenatural e piedosamente católica no final de Querida Amazonia, ao orar: “Mãe, fazei nascer vosso Filho nos seus corações […] Reinai Vós na Amazónia juntamente com vosso Filho” (nº. 111).

O que a Igreja e as autoridades da Santa Sé em Roma necessitam em nossos dias não é uma conversão para as realidades intramundanas, mas para as realidades sobrenaturais da graça de Cristo e de Sua obra redentora. Ao afirmar que “tal conversão interior é que nos permitirá chorar pela Amazónia e gritar com ela diante do Senhor” (nº. 56), Querida Amazonia parece desconsiderar e subestimar a necessidade urgente de uma verdadeira conversão a Deus. Toda a Igreja, e principalmente o Papa, não deve chorar pela região amazônica, mas pela morte espiritual de tantas almas imortais que rejeitam a Revelação divina e a vontade divina manifestada em Seus mandamentos e na lei natural. O Papa, os bispos e toda a Igreja devem chorar por causa dos horríveis pecados de apostasia, traição a Cristo, blasfêmias e sacrilégios perpetrados por não poucos católicos e membros do Clero, até mesmo do alto Clero. De uma maneira especial, o Papa, os bispos e toda a Igreja devem também chorar pelo indescritível e horrendo genocídio de nascituros inocentes decorrente do aborto.

A conversão mais urgente não é uma conversão ecológica, nem uma conversão para chorar pelo bioma amazônico. A conversão mais urgente é a conversão a Deus, ao Seu reinado, à Sua graça. O Papa e os bispos são os primeiros que devem orar com lágrimas: “Reconduzi-nos a vós, Senhor, e voltaremos. Fazei-nos reviver os dias de outrora” (Lam. 5,22). O Senhor também diz: “Voltai a Mim e eu voltarei a vós” (convertimini ad Me, et convertar ad vos)” (Zc 1, 3). Quão belas e consoladoras são as palavras do Salmo 84, que na forma tradicional do rito latino – o uso mais antigo do Ritual Romano (usus antiquior) –, o sacerdote e os fiéis rezam no início de toda Santa Missa: “Deus Tu conversus vivificabis nos, et plebs Tua laetabitur in Te” (Restitui-nos, ó Deus, a vida e vosso povo rejubilará em vós).

Em vista dos dramáticos ataques espirituais contra a rocha de Pedro, a publicação de Querida Amazonia – com a posição do Papa Francisco de manter a norma apostólica do celibato sacerdotal e a verdade divina da ordenação sacramental reservada ao sexo masculino – é, apesar de suas limitações e erros teológicos, um lampejo de esperança em meio à confusão em curso.

Que todos os pequenos da Igreja – que foram colocados na periferia pelo establishment eclesiástico do mundo – rezem agora para que esse vislumbre se torne uma luz radiante, e que o Papa Francisco, com a plenitude de sua autoridade de ensino, ou seja, ex cathedra, proclame a verdade divinamente revelada, sempre ensinada e praticada pelo Magistério universal da Igreja, a saber: que o sacramento da Ordem sacra, em seus três graus de diaconato, presbiterado e episcopado, é, por instituição divina, reservado ao sexo masculino.

O fulgor dessa luz brilhando da rocha de Pedro aumentaria ainda mais se o Papa Francisco publicasse uma declaração sobre a norma apostólica do celibato sacerdotal que correspondesse à posição adotada por todos os Pontífices Romanos. Apesar das pressões para relaxar a lei do celibato, todos os Romanos Pontífices sempre resistiram e permaneceram firmes. Essa declaração poderia ser semelhante àquela feita pelo Papa Bento XV, na qual ele afirmou: “Sendo um dos principais ornamentos do Clero católico e a fonte das mais altas virtudes, a lei do celibato deve ser mantida inviolada em sua pureza; e a Santa Sé nunca a abolirá ou mitigará” (Alocução Consistorial, 16 de dezembro de 1920).

Que todos nós possamos ouvir as oportunas palavras de Nosso Senhor a Santa Brígida: “Ó Roma, se conhecesses teus dias, certamente tu chorarias e não te alegrarias. Roma era antigamente como uma tapeçaria tingida com cores bonitas e tecida com fios nobres. Seu solo era tingido de vermelho, isto é, pelo sangue de mártires, e tecido, isto é, misturado com os ossos dos santos. Agora seus portões estão abandonados, pois seus defensores e guardiões se tornaram avaros. Suas paredes foram derrubadas e deixadas desprotegidas, pois ninguém se importa que as almas se percam. Antes, o Clero e o povo, que são os muros de Deus, se dispersaram para trabalhar em proveito carnal. Os vasos sagrados são vendidos com desprezo, já que os sacramentos de Deus são administrados em troca dos favores do mundo” (Livro das Revelações, 3, 27).

E estas são as palavras dirigidas por Cristo ao Papa, seu Vigário na terra: “Começai a reformar a Igreja que comprei com Meu próprio Sangue, para que possa ser reformada e levada espiritualmente de volta ao seu estado primitivo de santidade” (Livro das Revelações, 4, 142).

Historicamente, a causa das crises particularmente desastrosas na Igreja Romana foi sempre o afastamento do Papa e da Cúria Romana do primado das tarefas sobrenaturais e espirituais em favor das realidades temporais e terrenas. A atual Cúria Romana está passando por uma grande crise por causa de um novo envolvimento excessivo nos assuntos terrestres e temporais, a tal ponto que a Santa Sé se tornou – segundo alguns comentaristas – uma espécie de sucursal das Nações Unidas. De fato, a Santa Sé está sendo utilizada como ferramenta eficaz para a implementação de um pensamento único naturalista e globalista, por meio do “Pacto Educativo Global” e da equiparação de todas as religiões através do conceito talismânico de “Fraternidade Humana”. O Senhor certamente intervirá e purificará Roma e o Papado, como já o fez tantas vezes no passado.

Podemos ter a esperança de que as orações, os sacrifícios e a fidelidade à fé católica dos pequenos na Igreja obterão para o Papa Francisco a graça necessária para realizar pelo menos os dois atos indispensáveis ​​de seu ministério petrino, acima mencionados, para maior honra do sacerdócio de Cristo e santificação da Hierarquia sagrada, uma vez que toda reforma verdadeira da Igreja deve começar pela cabeça e, em seguida, permear todo o corpo.

“Que o Senhor preserve o Romano Pontífice e não o entregue à vontade de seus inimigos” (Dominus conservet eum et non tradat eum in animam inimicorum eius).

18 de fevereiro de 2020

+ Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar de Santa Maria em Astana

9 Comentários to “Querida Amazonia: um vislumbre de esperança em meio à confusão em curso.”

  1. Se alguém pensa que Satanás, depois que enfiou sua fumacinha no VaticONU, vai desistir da empreitada, está redondamente enganado.
    Na verdade, a fumacinha já é propriamente um incêndio.
    Com a legitimação do ativismo homossexual dentro da Igreja, orgulho gay e grupos LGBT, ou seja a Teologia da Libertinagem em ação com pachamamas e comunhão dos adúlteros, os viri probati e as sacerdotisas são até café pequeno neste lauto banquete satânico.
    Por outro lado, não restam dúvidas que o Querida Amazônia aparentemente coloca uma pedra em cima da cambada comunista assanhada com alguns padres sob o comando da CNBB. Pode-se dizer inclusive que, com o Querida Amazônia, Roma se retira do assunto. Há quem diga e veja o dedo de Bento XVI, via o livro de Sarah. É possível.
    Devemos rezar e repetir todos os dias a todos os cantos do mundo: – Quem tem que mudar são os Homens e não a Igreja, caso contrário estaremos cumprindo os desígnios do Mal.

  2. O reportório de abusos, devaneios e heresias nos ambientes católicos pode fácil e honestamente ser atribuído ao abusos, devaneios e heresias oriundas direta ou indiretamente do conciliábulo da dupla modernista Roncalli e Montini, assim como de todos os malfeitores que, no conciliábulo, atuaram em favor desses descalabros, em espécie os quadro cardeiais moderadores que presidiram o conciliábulo enquanto Paulo VI folheava algum catálogo de arte pop ou recebia em audiência privada algum ator de cinema.

    Os abusos, devaneios e heresias devem-se também às nomeações episcopais esquerdopáticas de Paulo VI bem como ao correlato golpe da aposentadoria canônica de bispos aos 75 anos e de cardeais votantes aos 80. Numa só tacada, ele alijou do combate muitos bons prelados que fizessem frente ao seu delírio megalomaníaco de ser melhor e mais sábio que Jesus Cristo e o Espírito Santo Paráclito que, pela boca dos papas e dos doutores, disseram que caminhos levam a Igreja à paz. Esse caminho certamente nao passa pelo fétido e infecto bordel chamado “ecumenismo” cujo dono é satanás, Lutero o recepcionista e Calvino a cafetina.

    Os mesmos abusos decorrem, ainda, do obscuro e miserável pontificado de JoãoPaulo II em que as verdadeiras e prementes questões da Igreja foram preteridas em favor da sua obsessão pela geopolítica mundial na qual o dito pontífice polaco servia de dócil coroinha ao cowboy Ronald Reagan; enquanto isso, João Oaulo II fez vistas mui grossas para a praga da efebofilia endêmica que grassava no seu quintal e vasta sesmaria, e os hereges continuavam, em boa e imensa medida, a ensinar tranquilamente nos seminários e universidades católicas. A tática wojtilianesca de fundar instituições paralelas de ensino para veicular seu “magistério” duraram pouco, haja vista o tal Instituto de moral familiar por ele fundado e ora morto por Bergoglio, o qual, aliás, fez questão de jogar a pá de cal em cima.

    Enquanto, pois, os hereges públicos e inimigos da Igreja não forem desmascarados, seremos obrigados a ver estarrecidos esse vestíbulo do inferno que aí está. O Bispo Atanásio faria melhor serviço a Jesus Cristo e à Igreja se nao estivesse a fazer um elogio tácito à “ortodoxia” que Bergoglio por palavras, escritos e fatos exibe não ter.

    Ademais, e sobretudo, FALTOU ao arremedo de documento pontifício da exortação pós-convescotal a clara e inequívoca CONDENAÇÃO dos erros daquela bagunça asquerosa e aviltante.

    Os conservadores fariam melhor “papel eclesial” se tomassem o mesmo barco que os modernistas e sumissem para bem longe, rumo a Passárgada, a Shangrilá ou a Terra do Nunca. Pois graças a eles, e à defesa ideológica e desonesta do Vaticano dois, é que chegamos ao demolidor de muros argentino.

    E boa viagem, pois vcs se merecem. Plena comunhão!

    • E agora?!
      Nós sabemos que não podemos tirar a sua razão PW, porque de facto a tem, em vários aspectos. É tudo muito confuso, realmente…e muito doloroso de constatar.
      Apenas poderei dizer: Não percamos a Esperança, em Jesus Cristo que nunca abandonará a Sua Igreja que LHE custou o Seu Preciosíssimo Sangue.
      Olhe, talvez D. Schneider veja mesmo nesta Exortação um pequeno vislumbre de luz ao fundo do túnel…o que quer dizer que ainda não estamos perdidos.
      De momento são os pensamentos que vêm à memória…

    • PW afirma:

      -Enquanto, pois, os hereges públicos e inimigos da Igreja não forem desmascarados, seremos obrigados a ver estarrecidos esse vestíbulo do inferno que aí está. O Bispo Atanásio faria melhor serviço a Jesus Cristo e à Igreja se nao estivesse a fazer um elogio tácito à “ortodoxia” que Bergoglio por palavras, escritos e fatos exibe não ter.

      Creio que o bispo buscou simplesmente tomar uma postura respeitosa ao pontífice, não encontrei o tal “elogio tácito à ortodoxia”. No máximo, um esforço de dissociar a figura do papa do progressismo estimulado pelo próprio Francisco. Na verdade, o bispo não se omite em criticar as falhas da exortação. É só prestar atenção no texto, eis dois trechos para exemplificar:

      “Uma vez constatadas as melhorias feitas na Querida Amazonia, não se pode, entretanto, calar as lamentáveis ​​ambiguidades doutrinárias e os erros que ela contém, bem como suas perigosas tendências ideológicas. Altamente problemático, por exemplo, é o endosso implícito de Querida Amazonia a uma espiritualidade panteísta e pagã, quando fala da terra material como um “mistério sagrado” (nº. 5); de entrar em comunhão com a natureza: “entrarmos em comunhão com a floresta” (nº. 56); do bioma amazônico como um “lugar teológico” (nº. 57)”.

      “Uma das principais tendências errôneas da Querida Amazonia é a promoção do naturalismo, com alguns ecos de panteísmo e de um pelagianismo oculto. Tais tendências podem ser detectadas na excessiva ênfase e valor atribuídos ao cuidado das realidades naturais, terrestres e temporais. Esse reducionismo confina a existência das criaturas e dos seres humanos predominantemente à esfera da ordem natural. Essa tendência naturalista e neopelagiana é, de fato, a doença espiritual mais característica e prejudicial à vida da Igreja desde o Concílio Vaticano II”.

      PW afirma:

      – Os conservadores fariam melhor “papel eclesial” se tomassem o mesmo barco que os modernistas e sumissem para bem longe, rumo a Passárgada, a Shangrilá ou a Terra do Nunca. Pois graças a eles, e à defesa ideológica e desonesta do Vaticano dois, é que chegamos ao demolidor de muros argentino.

      Exagero tal afirmação. Dom Athanasius Schneider não faz uma “defesa ideológica e desonesta do Vaticano dois”.É só pesquisar, como podes ver aqui:

      http://centrodombosco.org/2019/10/02/christus-vincit-novo-livro-dom-athanasius-crise-igreja/

      No mais, concordo com Maria Ribeiro:

      – Não percamos a Esperança, em Jesus Cristo que nunca abandonará a Sua Igreja que LHE custou o Seu Preciosíssimo Sangue.
      Olhe, talvez D. Schneider veja mesmo nesta Exortação um pequeno vislumbre de luz ao fundo do túnel…o que quer dizer que ainda não estamos perdidos.

    • PW, pseudônimo do eloquente mas que se esconde tão pedante. Apesar de muitas vezes dar notas verídicas do clero atual, vacila como agora entre o prego e a ferradura. Não sobrou nem o Bispo auxiliar que, diferente do que lhe parece, diz que há Pedro em Roma.
      Prefiro ficar com o Atanásio, que mesmo exilado 5x não desistiu de permanecer sub Petrum. Deus guarda os seus.
      De sede-vacantistas já estamos plenos. Desistir eh o caminho mais fácil. Sofrer intra ecclesia exige brios. Não sei como será, mas não acredito na desistência da assistência do santo paráclito, haja visto o que este artigo apresentou.
      De outra forma, ficarão só gritos de quem está na ilha e já deixou o continente no momento do embate…deserção.
      Kyrie Eleison.

  3. Fato. Enquanto a Igreja mantiver esse discurso inaugurado por João XXIII de não mais condenar os erros e os seus propagadores, denunciando os lobos, estaremos nessa situação triste de enxugar gelo e nos alegrarmos com lampejos, luzes no fim do túnel de autoridade. Enquanto houver aggiornamento com o mundo pagão, estamos perdidos. É guerra assimétrica.

    Lógico que devemos comemorar o bom e sempre torcer pelo melhor, claro.Mas se o magistério não mais ensina com autoridade porque não quer, só podemos pedir a Deus a graça da esperança e da perseverança, pois somos leigos.

  4. Se eu posso dar um conselho, não se iludam, os tais modernistas vão buscar os planos B,C, D,….. Z para conseguir uma brecha para minar a lei do Celibato. Aumentem as orações, sacrifícios e mortificações pela fidelidade do Papa Francisco.

  5. Pois é. Quem achava que somente ONGs progressistas estavam querendo dominar a Amazônia, deem uma olhada no perigo disso aqui:

    O governo Bolsonaro é uma mãe para esses “missionários” que agora tomará de assalto o território brasileiro.

  6. Doutrina é como a comida.

    Se o pacote de pão de forma tem uma única fatia embolorada, vai inteiro para o lixo.

    Não há algum mistério nisso.

    Nao pode ter pena nem enrolar: lixo.

    Quer que eu desenhe?