Geopolítica do Coronavírus: entrevista com Valérie Bugault.

Em meio às crises por que passamos (humana, religiosa, sanitária, política e econômica) Fratres In Unum propõe como auxílio à reflexão alguns esclarecimentos de especialistas em áreas diversas e pensadores renomados em sua especialidade. Esta entrevista foi traduzida a partir do site Strategika e procura abordar os diferentes aspectos dessa crise de civilização, bem como seus desdobramentos geopolíticos e sociais. Ela traz elementos próprios do país da entrevistada (França), mas que não interferem na organização geral dos esclarecimentos propostos e no proveito que se pode tirar deles.

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A entrevistada é Valérie Bugault (foto):

Valérie Bugault é advogada e doutora em direito privado pela Universidade de Paris (Panthéon-Sorbonne). Desde 2009, ela interrompeu suas atividades de advocacia para se consagrar à difusão junto ao grande público do resultado de seus numerosos trabalhos de pesquisa. Atualmente, ela é analista de geopolítica (econômica, jurídica e monetária) e conferencista. Seus objetos de pesquisa são as instituições – nacionais e internacionais – a moeda, a empresa, o direito e o funcionamento da economia global. Autora de quatro livros recentemente publicados pela editora Sigest:

  1. Du Nouvel Esprit des Lois et de la Monnaie (Sobre o Novo Espírito das leis e da Moeda), em colaboração com Jean Rémy, publicado em junho de 2017.
  2. La Nouvelle Entreprise (A Nova Empresa), publicado em julho de 2018.
  3. Les Raisons Cachées du Désordre Mondial (A Razões Secretas da Desordem Mundial), compilação de artigos, publicada em 30 de março de 2019.
  4. Demain dès l’Aube… le Renouveau (Amanhã desde a Aurora… a Renovação), publicado em setembro de 2019.

Podemos ler muitos elementos contraditórios segundo cada uma das diferentes fontes de informação disponíveis ou segundo as opiniões dos profissionais de saúde. De acordo com o seu entendimento, qual é a realidade mais profunda dessa pandemia?

VB: Como muito bem disse nosso amigo Lucien Cerise, cumpre distinguir entre a realidade perceptível no mundo e a narração de fatos que é difundida. Eis o que ele diz textualmente:

“Na França, e mais amplamente em todo o Ocidente, a crise sanitária do coronavírus apresenta um caso prático de engenharia social e de governo pelo caos. Nós encontramos a mesma estrutura apenas com a “ameaça terrorista”: uma mistura de realidade e ficção, combinada a dois estratagemas bem conhecidos que são: 1) o bombeiro-incendiário e 2) o triângulo de Karpman. Sobre a mistura realidade/ficção, sublinhada em seu último livro pelo Professor Didier Raoult – que é discípulo ocasional de Jean Baudrillard(1): os adeptos do “tudo realidade” erram, os adeptos do “tudo ficção” erram igualmente. Por exemplo, não é porque a “versão oficial” da crise do coronavírus é falseada que não haja epidemia; do mesmo modo, não é porque a versão oficial dos atentados terroristas é falseada que não houve atentado. Os acontecimentos se passam, porém é a narração explicativa que é falsa, não os acontecimentos em si. A análise da crise atual revela também a aplicação de técnicas do bombeiro-incendiário e do triângulo de Karpman, isto é, a alternação dos papéis de carrasco/vítima/salvador. O poder deixa a situação de crise se instalar, chega até mesmo a ajudá-la a se instalar voluntária ou involuntariamente: é na verdade quando o poder age no papel de incendiário, logo do carrasco. Em seguida, uma vez que a crise se tenha instalado e avança, o poder aparece como o salvador, que irá, pois, salvar da crise que no fundo ele mesmo impulsionou furtivamente, tal qual um bombeiro que apagasse o incêndio depois de haver ele mesmo acendido o fogo discretamente”.

Estamos diante de uma dissonância cognitiva global, porque os fenômenos com os quais nós nos deparamos recebem uma ou várias explicações oficiais parciais (no melhor dos casos), contraditórias e/ou errôneas, que não permitem um acesso intelectual ao conjunto do fenômeno. Na realidade, a metodologia seguida na cobertura da crise do coronavírus é semelhante àquela que nos é imposta de modo geral para orientar os processos intelectuais: um sequenciamento (já que a palavra está na moda) ou um esmigalhamento de conhecimentos: de certo modo, uma espécie de fordismo aplicado a toda a escala dos conhecimentos. Acrescenta-se a tudo isso outro fenômeno de dispersão e isolamento das populações: os meios envolvidos na medicina frequentam pouco ou nada outros meios, cada um permanecendo em seu quadrado pela própria organização da sociedade. Assim, as constatações e a vida levada por uns são quase herméticas às constatações e à vida que outros levam, o único ponto de contato acaba sendo seu modo (direto ou indireto) de consumo.

Desse modo, acabamos recebendo retornos do corpo médico, outros provenientes de organizações internacionais, outros ainda advindos de diferentes países. Outras fontes de informação são inerentes à estruturação de nosso próprio governo (decretos, leis…), há ainda outras informações oriundas de mídias independentes, e que contradizem parcial ou totalmente as fontes precedentes…

Finalmente, para ver um pouco mais claro nisso tudo, é necessário e basta colocar ordem, quer dizer, é preciso hierarquizar e contextualizar os fenômenos; cumpre ainda que tal hierarquização seja pertinente.

Segundo a ordem, temos: a aparição pouco preparada do vírus na China, país que conhece historicamente essa cepa viral. Em seguida, uma série de notícias alarmistas em forma de hecatombe. E logo depois, é claro, o vírus se espalha pela superfície do globo, enquanto somos informados de que o Banco Mundial (que eu não apresento mais) havia previsto, desde 2017, “títulos bancários específicos para as pandemias”. Na sequência, uma ladainha de países atingidos e inumeráveis populações confinadas pelo motivo de, pretensamente, lutar contra a propagação do dito vírus. Ao mesmo tempo, os “mortos” se multiplicam e os serviços hospitalares sufocam literalmente sob essa afluência de pessoas a detectar ou tratar.

Tudo isso se produzindo em um contexto geopolítico bem particular, onde a potência econômica chinesa, tendo chegado à sua maturidade, aliou-se à potência militar russa como contrapeso à hegemonia dos EUA e companhia.

O que não é dito nesse quadro é, no entanto, essencial: os Estados Unidos e seus aliados não são desde o começo do século XX (no mínimo) governados pelo que eu chamo de fenômeno político que representa o interesse comum, mas por um cartel de empresas dirigidas pelos principais bancos globais de investimento que têm seu quartel general, desde Oliver Cromwell, na City of London(2). Na realidade, os Estados ocidentais não existem mais, visto que foram privatizados quando o controle de suas moedas caiu nas mãos de bancos privados, o que explica na Europa o surgimento de instituições europeias, que não são nada mais que a formalização política desse sequestro de regras de organização dos povos pelo interesse privado.

Se se levar em conta o conjunto destes elementos, um quadro bastante claro se desenha.

Nesse quadro, de um lado aparece um vírus muito contagioso que se torna perigoso quando se fixa nos pulmões e nas vias respiratórias. Os pacientes neste estágio quase não tem mais vírus no restante do corpo, o que torna inútil a aplicação do tratamento preconizado pelo Professor Didier Raoult, como ele mesmo afirma bem claramente. Fora os casos de complicação, que aparentemente não são tão raros quanto se pensa, o dito vírus é relativamente pouco nocivo, causando sintomas mais ou menos incômodos, que não coloca, porém, em risco o prognóstico vital dos pacientes infectados. Didier Raoult, professor francês mundialmente reputado em virologia e infectologia, lançou hipóteses de trabalho que foram confirmadas por especialistas chineses que tratam pessoas com o vírus e por um professor senegalês (Professor Seydi), que enfrentou o vírus Ebola e que é, por isso mesmo, reconhecido como uma sumidade em seu domínio. O tratamento preconizado não custa caro (visto que as patentes mais antigas caíram em domínio público); ele não é eficaz em 100% em função do momento tardio ou não em que ele é administrado. O essencial a reter até aqui é isso.

Do outro lado do quadro, temos os médicos esponsorizados (a que está mais em voga atualmente é a sulfurosa Karine Lacombe, muito difundida na internet e multi-esponsorizada pelos lobbies farmacêuticos), assim como todo o aparelho de Estado e as corporações constituídas (Iserm…), todos atrelados, de perto ou de longe, aos lobbies farmacêuticos que subiram nas ameias para desqualificar os trabalhos de eminentes especialistas supracitados. Sem esquecer o fato de que a campanha presidencial de Macron foi parcialmente financiada pelo que se convencionou chamar Big Pharma.

Ademais, e eu apenas menciono rapidamente, já que enumerá-las seria de fato muito longo, todas as decisões políticas atuais tomadas em oposição aberta ao objetivo oficial de erradicação da epidemia, que passam pela classificação, já no início de 2020, de um medicamento vendido sem receita há décadas como substância venenosa, pela recusa em outorgar autorizações administrativas a pesquisadores propondo testes para detectar a infecção por coronavírus, pela recusa à ajuda proposta por setores da indústria na fabricação de respiradores… Acrescentemos a tudo isso, para completar o quadro, a desconstrução metódica do serviço de saúde pública, indo da liquidação de estoques de material à restrição de leitos e pessoal hospitalar, agravada desde a presidência de Sarkozy.

Esta crise sanitária acaba por deixar aparecer os verdadeiros atores políticos por detrás do espalhafato do Estado! Percebe-se, hoje melhor que ontem, que o Estado é gerido por interesses privados que propõem soluções de alto custo, até mesmo pouco eficientes, aguardando a futura vacina obrigatória. Já na linha de chegada para ganhar um amplo pacote de contratos públicos e privados de encomendas massivas de vacinas: Johnson & Johnson, que anunciou em 31 de março último estar pronta para testar sua primeira vacina a partir de setembro de 2020! Outros laboratórios permanecem atentos, preparando-se para a disputa de licitações da futura vacina…

Todavia é necessário que nos lembremos de duas coisas: Primeiramente, todas as vacinas rapidamente fabricadas mostraram-se historicamente de pouco efeito e até mesmo perigosas para a saúde humana. Em segundo lugar, uma vacina contra um vírus que por hipótese é mutante, tem muito pouca chance de ser eficaz. Tal problema se agrava pelo fato de que a doença COVID-19 põe em causa várias cepas diferentes de vírus, dentre as quais uma delas se subdivide ainda em muitas variantes.

Em conclusão, se os poderes públicos quisessem de fato erradicar a epidemia, eles optariam por tratar, sobretudo com o menor custo, o máximo de pessoas por vez, como preconiza o Dr. Didier Raoult e outros grandes especialistas de várias partes do mundo. Essa imprecisão no tratamento médico preventivo massivo é a medida exata da honestidade do Estado.

Em outros termos, se o governo fosse honesto, ele não tomaria a opção ditatorial atual consistindo em colocar todos os obstáculos para que as pessoas não sejam tratadas segundo o protocolo preconizado pelo Professor Raoult; enquanto que as medidas de isolamento social impostas a populações locais, que já vivem sob normas, tornam-se cada vez mais rigorosas, temos por outro lado populações rebeldes, situadas em zonas de conflito e campos de migrantes, onde nada é feito para conter a epidemia.

Aliás, notemos que recentemente o governo que, sob orientação da ONU, libertou massiva e prematuramente presidiários de toda espécie (o que motivou um comunicado de vários magistrados), punirá com prisão os infratores inveterados que terão ultrapassado sua hora quotidiana de caminhada autorizada, ou que terão ultrapassado seu perímetro de caminhada autorizado, ou ainda que houverem esquecido seu documento com autorização para caminhar…

Até aqui podemos dar-nos conta de duas coisas: Primeiro, a intenção declarada de proteger as populações esconde uma vontade sorrateira de colocá-las em estado de choque de vigiá-las massivamente; segundo, que a anarquia social, em curso de desenvolvimento, é conscienciosamente organizada pelos próprios poderes públicos, sob o falso pretexto de erradicar a doença.

Esta pandemia precede um desmoronamento econômico e sistêmico? Mais de três bilhões de pessoas mundo a fora foram chamadas a se confinar. Pela primeira vez na história, a humanidade parece conseguir se coordenar de modo unitário diante de um inimigo global comum. Essa situação inspira algo a você? Outra questão, essa pandemia forçará a humanidade a dotar-se de um governo mundial como insistia Jacques Attali(3) quando da epidemia de gripe A em 2009?  Em 2009 ainda, o mesmo Jacques Attali explicava que “a historia nos ensina que a humanidade só evolui significativamente quando ela tem um medo real”. Qual sua opinião sobre essa afirmação?     

VB : Na verdade, várias informações nos mostram que uma pandemia estava prevista, para não dizer esperada, por certo número de instituições e personagens, em cujo primeiro escalão podemos citar, por alto, a Fundação Bill e Melinda Gates, o Centro John Hopkins para segurança sanitária, o Fórum Econômico Mundial, a OMS, o Banco Mundial, Jacques Attali, a revista “The Economist” (ano 2019 e 2020)… Com o britânico Gordon Brown que convoca abertamente a constituição de uma governança mundial para confrontar essa pandemia de coronavírus.

Globalmente, ou mundialmente, se você preferir, estamos diante de uma situação inédita na história, um grupo reduzido de pessoas, escondidas atrás do anonimato dos capitais e das instituições internacionais e conduzidas por alguns banqueiros privados, organizam choques ou tiram partido de choques para provocar o avanço de sua agenda global de tomada do controle político do mundo, instituindo uma “governança mundial”.

Para chegar a realizar tal governo mundial, é necessário haver previamente desenvolvido, nos indivíduos de modo geral e nos dirigentes políticos de modo particular, o sentimento da necessidade de uma regulação dos acontecimentos em escala global. Com efeito, uma pandemia é o fenômeno que melhor responde a esse tipo de necessidade. Logo, desde o início podemos e devemos suspeitar de uma manipulação.

Entretanto, começa a tornar-se de fato cada vez mais evidente que esse coronavírus surgiu da combinação, auxiliada, de dois outros vírus naturais, combinação que teria infelizmente vazado de um ou vários laboratórios. Nós nunca saberemos provavelmente o verdadeiro desenrolar dos fatos no que concerne a disseminação desse tipo de vírus.

Em seguida, em razão da homogeneização da resposta política dada a essa crise sanitária por diversos países, faz-se de fato necessário que os cidadãos, vítimas, agucem sua vigilância e se mantenham em estado de alerta, já que a manipulação se torna evidente no contexto da privatização generalizada dos Estados.

Todavia nunca é demais insistir na necessidade imperiosa de distinguir as informações recebidas. Assim, pessoalmente, eu não creio que se possa por em um mesmo plano a resposta política chinesa e a resposta política dos países ocidentais.

De um lado, é preciso não esquecer que a China, atual opositor vitorioso à hegemonia econômica do bloco ocidental sob a égide da OTAN, foi o primeiro país atacado por esse vírus. E de outro lado, os dirigentes chineses incriminaram publicamente as Forças Armadas dos EUA pela propagação do vírus em seu território.

Enfim, lembremo-nos de que nos EUA, em 2019, produziram-se dois acontecimentos extremamente importantes e que podem facilmente ser correlatos: Primeiro, uma epidemia pulmonar grave foi posta na conta dos fabricantes de cigarros eletrônicos; segundo, um laboratório (Fort Detrick) precisou ser fechado durante o verão de 2019 por causa de vazamentos de material laboratorial (aliás, Trump ordenou sua reabertura para lutar contra o coronavírus!)

Portanto, é permitido imaginar que as consequências desse vazamento de material bacteriológico, voluntário ou não (nós nunca o saberemos), foi artificialmente endossado pelo poderoso lobby do tabaco – o que lhe permitiu eliminar um concorrente inofensivo, nascente, mas ameaçador (a indústria de cigarros eletrônicos) – com o assentimento de instâncias governamentais que evitaram assim o dever de fazer uma prestação de contas sobre os vazamentos laboratoriais.

Aliás, é mister ter sempre em mente que os governos oficiais são privatizados, mas que mesmo diante de caso semelhante, há grande quantidade de pessoas que trabalham quotidianamente nessas estruturas e que não são corruptas. Desse modo, mesmo em caso de vazamento bacteriológico de um laboratório secreto, não se pode ter certeza que esse mesmo vazamento foi voluntário; indivíduos infiltrados e às ordens de poderes financeiros podem muito bem ter organizado o vazamento sem que seus colegas o soubessem.

Eu gostaria de voltar ao fato da existência de laboratórios secretos de pesquisa bacteriológica. É preciso compreender que o problema se impõe dentro dos mesmos termos em que já se havia imposto em matéria de armas nucleares: muitos países dispõem legitimamente desse tipo de laboratório sem que seja questão de usá-los com fins ofensivos. Assim sendo, muitos países possuíam ou possuem armas nucleares, porém pouquíssimos entre eles as usaram com fins ofensivos. É sabida, aliás, a propensão de potências anglo-saxônicas e de seus afiliados em mirar populações civis, que a seus olhos não têm a mínima importância e seriam considerados como uma excrescência numérica (vide Georgia Guidestones, os trabalhos do “Clube de Roma”, bem como os trabalhos dos “descendentes” destes).

Até onde eu saiba, a potência chinesa nunca usou de modo ofensivo a bomba atômica, nem qualquer outra arma de destruição em massa. Ao contrário, os EUA e seus afiliados deram provas suficientes no que tange a sua capacidade de usar esse tipo de arma – e isso tornou-se sua especialidade – em particular contra populações civis.

Tendo explicitado essas premissas e restabelecido o contexto, agora é possível responder a sua primeira questão.

De fato, o isolamento de pessoas sem o menor problema de saúde impõem freios brutais à economia dos países. Em função da duração do isolamento, com muita dificuldade, os países, sobretudo os endividados, conseguirão recuperar sua economia. Tal restabelecimento deverá evidentemente vir acompanhado de um questionamento do próprio funcionamento interno do país. Sob outro prisma, os benefícios abundantemente propagandeados da globalização econômica, que tornou cada país dependente de outros, serão fragorosamente desmentidos por esta crise sanitária, que torna visível o extremo depauperamento industrial dos países ditos desenvolvidos, os quais não são mais autossuficientes no que quer que seja. Pode-se, então, deduzir que haverá um “antes da crise do coronavírus” e um “depois da crise do coronavírus”.

Nós marchamos coletivamente por um caminho incerto, as coisas podem mudar em função da capacidade de reação dos cidadãos, seja em direção a um globalismo integral com governança mundial, seja no sentido de uma retomada da política dos países por seus habitantes.

Como você vislumbra a evolução da pandemia e suas consequências políticas e sociais nas próximas semanas e meses?

VB: Ou os cidadãos cederão ao medo, ou eles refletirão e compreenderão que o medo é cultivado de modo controlado por seus dirigentes, que tomam todas as decisões no sentido de permitir que coronavírus se dissemine em toda tranquilidade, ou melhor, em toda facilidade. É assim que eles recusam às suas populações o acesso aos cuidados e medicamentos úteis à contenção do processo de contaminação, ao passo que eles obrigam ao isolamento as pessoas tempo suficiente para poder lhes impor – trata-se aqui de por em ação a “servidão voluntária” – uma futura vacina-milagre. Tal vacina, além de seu custo alto, será sem dúvida composta de sais de alumínio (que se tornou componente obrigatório), de RNAs mensageiros (que permitirão fazer, in vivo e em grande escala, experiências genéticas sobre o genoma humano), e sobretudo o chip RFID, que permitirá a todos e cada um receber sua remuneração e ter acesso à sua conta bancária.

Esta etapa da vacinação obrigatória será absolutamente decisiva para assegurar aos globalistas (banqueiros, Big Pharma e companhia) o controle direto sobre as populações. Cada pessoa se verá obrigada a obedecer sob pena de ser impedida de ter acesso aos seus meios de subsistência. Cumpre aqui deixar claro que, em virtude do desmoronamento econômico, é de se temer que, no final das contas, os meios de subsistência não estejam de modo algum ligados a um trabalho individual produtivo, mas a um subsídio universal, recebido de um Estado fantoche inteiramente às ordens dos poderes financeiros.

Existiria uma saída política para a situação que você acaba de descrever e segundo sua análise que forma ela poderia tomar?

VB: É preciso partir do princípio natural segundo o qual para cada problema há uma solução, cumpre no entanto que ela seja adequadamente elaborada. No presente caso, é claro que há saídas políticas para esse problema, eu diria aliás que as únicas soluções favoráveis são de natureza política no sentido próprio do termo. Quer dizer, somente uma retomada em mãos da política de organização dos Estados por seus habitantes poderá resultar em uma saída favorável para as populações. Do contrário, assistiremos a uma reviravolta geral, desejada pela oligarquia supranacional, no sentido de uma governança mundial dominada pelos poderes financeiros: as populações estarão fadadas a serem fortemente reduzidas e em seguida escravizadas, isso para a parte que logrará sobreviver.

Em meus trabalhos, eu expliquei como a sociedade poderá se reorganizar para se tornar realmente política, isto é, para que os habitantes de cada país possam se erigir em atores completos dos destinos políticos de seu país. Basta consultar a parte “Le renouveau institutionnel” [A renovação institucional], situada na página 278 e seguintes do livro “Les Raisons Cachées du Désordre Mondial” [As Razões Secretas da Desordem Mundial], publicado em março de 2019 pela editora Sigest. Porém aqui eu não irei retomar este assunto que requer um desenvolvimento demasiado longo. Poderíamos talvez deixá-lo para uma nova entrevista?

Como você relaciona a crise atual à sua especialidade profissional e ao seu campo de pesquisa?

VB: Na verdade, essa crise está ligada aos meus trabalhos em vários aspectos. Eu mencionei anteriormente a questão institucional da organização dos Estados, mas este não é o único ponto de ligação. Outro aspecto em que essa crise concerne meus trabalhos é aquele em que ela toca as evoluções em curso da moeda mundial.

Repetidas vezes eu expliquei que o Brexit, de que podemos nos alegrar aparentemente, fora iniciado pelos banqueiros da City of London, com o fito de obter plena liberdade de ação, após serem liberados dos pesados encargos institucionais da UE, e assim pilotarem a mudança de moeda mundial.

Como fora previsto por Keynes(4) no século passado, o dólar, sob a vestimenta dupla de moeda nacional e moeda mundial, não era desde o início economicamente viável. Assim, seu fim previsto podia ser programado. Tal fim teve por primeira etapa seu desligamento em relação ao ouro, enquanto que sua segunda etapa, que nós testemunhamos agora, é o seu desligamento em relação ao petróleo, que sucedera ao ouro.

Atualmente, a maioria dos países está convencida da inviabilidade de manter o dólar como moeda de reserva internacional. O próprio Trump começa a agir, visto que ele tomou medidas para fusionar a Federal Reserve e o Departamento do Tesouro, com o objetivo de criar, de acordo com o modelo do Yuan e do Renmimbi, dois tipos de dólar: um dólar-interno e um dólar-divisa que circulará nos mercados internacionais. O reset monetário se aproxima, pois, a passos rápidos. Desse modo, uma moeda mundial viável, controlada pelos banqueiros obviamente, poderá aparecer em breve, talvez sob a forma de um aglutinador de divisas, que circulará de modo completamente desmaterializado.

Ultrapassaria os limites desta entrevista detalhar aqui que a grande manobra bancária original consistiu em identificar a moeda com um bem material no comércio – um metal precioso no início. Toda uma história que eu narro em meu livro em coautoria com o banqueiro Jean Rémy, intitulado “Du Nouvel Esprit des Lois et de la Monnaie” [Sobre o Novo Espírito das Leis e da Moeda], publicado em junho de 2017 pela editora Sigest.

Eu acrescentaria ainda que o fim do dólar enquanto moeda internacional é a condição sine qua non para o advento de uma moeda mundial viável, ao menos segundo os critérios de funcionamento econômico e monetário impostos pelos banqueiros internacionais. Ora, o fim do dólar como moeda mundial pressupõe o fim da hegemonia dos EUA. A partir de então, fica fácil compreender que certos membros com poder de decisão dentro do império estadunidense se tenham oposto veementemente, e ainda se opõem, a este projeto que resultará na dissolução de sua situação dominante. Esta parte dos dirigentes americanos que se rebela pode ser qualificada de patriota, trata-se de pessoas que estavam abertamente implicadas no domínio estadunidense do mundo. Do lado oposto, esses americanos patriotas tem como piores inimigos internos os globalistas apátridas, cujo centro nervoso é a City of London, que trabalha discretamente para o advento de uma governança mundial, o que pressupõe desbancar o império dos EUA.

Essa distinção, essencial à boa compreensão dos fatos, entre dirigentes patriotas e dirigentes apátridas existe igualmente na China e na Rússia, onde o governo civil parece ser dirigido pelos apátridas, enquanto que as Forças Armadas parece estar nas mãos dos patriotas, Putin faz a junção entre as duas facções opostas. No tocante à China, precisamos ter em mente a considerável faxina ocorrida há vários anos, inclusive nas mais altas instâncias dirigentes, para purgar o aparelho do Estado das elites de negociantes apátridas, os quais podem ser facilmente relacionados àqueles da City of London. A oposição entre dirigentes patriotas e dirigentes apátridas existe também em países como o Irã.

Assim, nessa luta de natureza geopolítica, estruturada ao redor de questões jurídicas da organização do circuito do mando, nada me parece ganho para um campo ou outro. Contudo nos seria talvez permitido fazer a previsão de que a vitória seria esmagadora para os patriotas, com a condição de que estes se aliem com sua população e não procurem dominá-la, como seus antigos aliados apátridas tentaram inculcar-lhes.

Nada resistiria à aliança entre dirigentes patriotas e populações locais. Tal aliança é precisamente o temor maior dos poderes globalistas. Quanto a isso, notemos que as medidas restritivas de liberdade, ordenadas por diferentes governos para lutar contra a propagação do coronavírus, buscam justamente impedir a aliança natural entre dirigentes patriotas e população. Note que as coisas não são simples… e que, decididamente, essa “pandemia de coronavírus” chega numa hora bem pontuada para dar suporte à estratégia dos globalistas, ao passo que estes se encontravam numa situação desfavorável…

Por outro lado, essa pandemia permite aberturas inesperadas quando se trata de questionar a estratégia globalista, porém é preciso ter a coragem de aproveitar essa ocasião. Eu concluirei minha explanação dizendo que as cartas estão atualmente nas mãos das populações civis: estas têm, enfim – fenômeno único na história – a possibilidade de retomar seus destinos em mão; o que significa, bem precisamente, que elas têm a possibilidade de reinstaurar governos verdadeiramente políticos no lugar das imposturas atuais que estão inteiramente nas mãos dos poderes financeiros. Os povos terão o que merecem: receberão como recompensa por um pouco de coragem – caso aceitem retomar seus destinos em mãos – frutos extremamente benéficos… mas será que eles aceitarão? Aí está a questão… Eu aproveito esse texto para prestar homenagem ao trabalho de estruturação política, na França, feito pelos Coletes Amarelos, que compreenderam plenamente e se anteciparam a esse problema de fundo.

Finalmente, as leis naturais, publicamente tão espezinhadas pelos globalistas, dão todos os indícios de virarem o jogo, colocando as coisas em ordem: ou se luta coletivamente para sobreviver coletivamente, ou não se luta coletivamente e será o fim da civilização e da liberdade, inclusive da liberdade de viver e de morrer.

Notas:

  • Jean Baudrillard foi um célebre sociólogo francês falecido em 2007.
  • City of London é o nome pelo qual é conhecido um dos principais centros financeiros do mundo e o maior da Europa, localizado em Londres.
  • Jacques Attali é um economista francês de origem judia, conselheiro de Estado da França desde a presidência de François Mitterrand a partir de 1981.
  • John Maynard Keynes foi um economista britânico, fundador da macroeconomia moderna; faleceu em 1946.

4 Comentários to “Geopolítica do Coronavírus: entrevista com Valérie Bugault.”

  1. A Bíblia descreve o fato da torre de Babel, criada para ir até o céu usando a tecnologia disponível na época (praticamente nenhuma) e sua razão para a queda devida à confusão de línguas de seus operários e construtores.
    Repete-se agora, no mundo moderno, exatamente o mesmo acontecimento.
    A humanidade hoje constrói uma imensa torre de Babel, porém não no meio de uma confusão linguística (coisa até superada) e, muito menos, com pedra e cimento, mas entremeada com a desordem da informação por todo o planeta.
    Esta torre, tal como a do passado, irá desabar, mais cedo ou mais tarde, mesmo com a tentativa de controle populacional mundial ou de governo mundial, pelos megacapitalistas e sponsors da ONU.
    Quem viver, verá.

  2. Em uma passagem a doutora diz: “Tal vacina, além de seu custo alto, será sem dúvida composta de sais de alumínio (que se tornou componente obrigatório), de RNAs mensageiros (que permitirão fazer, in vivo e em grande escala, experiências genéticas sobre o genoma humano), e sobretudo o chip RFID, que permitirá a todos e cada um receber sua remuneração e ter acesso à sua conta bancária.”

    Fiz uma brevíssima pesquisa não encontrei nenhum precedente de vacina com rfid. E agrava ainda mais quando a doutora alude que o chip será também para transação bancária de uma futura moeda global.

    Isso seria a exatidão da profecia da escritura: “Conseguiu que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, tivessem um sinal na mão direita e na fronte, e que ninguém pudesse comprar ou vender, se não fosse marcado com o nome da Fera, ou o número do seu nome.”

    Deus nos abençoe pelas mãos de São Padre Pio de Pietrelcina e Santa Teresinha de Lisieux. Salve Maria Santíssima!

    • O chip na verdade é algo talvez ultrapassado, já que seria facilmente removível com bisturi ou até gilete – como aliás muitos se dizem prontos a fazê-lo caso a vacina tal qual é descrita ocorra. Entretanto o chip poderia ser substituído por nanorrobôs. Com o avanço na nanotecnologia seria possível injetar partículas invisíveis a olho-nu e portanto impossíveis de serem removidas com bisturi. Curiosamente quem mais tem defendido a vacinação universal é o Bill Gates, que é persona non grata em vários países da África e Índia depois de causar mortes de crianças com seus programas de vacinação. Bill Gates também é sócio de grandes indústrias farmacêuticas. Coincidência?

  3. A notícia abaixo publicada em 2017, explica muito bem o alarmismo imposto por João Dória, sua insistência em derrubar o governo de Bolsonaro (com visão patriota), e até mesmo o início do “romance” com o PTismo. Mas não nos esqueçamos de que para onde Lula for, a esquerda vai atrás.

    Quem diria! João Dória e Jacques Attali (origem judaica): juntos no governo mundial.

    http://www.rfi.fr/br/brasil/20170902-crise-nao-tira-protagonismo-do-brasil-pensa-economista-frances-jacques-attali

    PS.: a implantação do governo mundial caminha a passos largos, e como ressaltado acima pela escritora, nós somos os protagonistas.