A quarentena da Igreja no estado de São Paulo.

Por FratresInUnum.com, 25 de maio de 2020 – Na tarde de ontem, o Regional Sul 1, que compreende as dioceses do estado de São Paulo, da CNBB publicou uma nota em que informa que, em sua última reunião representativa, “foi refletido acerca da necessidade de se buscar convergência nas orientações dos bispos, visando a uma eficiente cooperação no sentido de se evitar a aglomeração causadora do aumento do contágio”.

Em seguida, explicou que “há consenso entre os bispos (do Regional) sobre a necessidade de se ter como ponto de partida as orientações emanadas do Governo do Estado, passíveis de desdobramentos diferenciados nos mais diversos municípios”. E, portanto, “medidas particulares, destituídas de uma visão mais ampla do conjunto das situações, podem comprometer o combate à pandemia, além de gerar mais pressão sobre quem tem a incumbência de tomar decisões nas áreas de maior incidência”.

Isso significa que os católicos do Estado de São Paulo, diferentemente dos outros Estados, não terão tão cedo o retorno das celebrações públicas — ao menos enquanto César não o quiser e determinar, para obediente e reverente acatamento episcopal. O próprio Regional “recomenda” aos bispos que não tenham outros encaminhamentos em suas dioceses. Lindo, não?! É a colegialidade conciliar aplicada: conferências episcopais, em “comunhão”, aniquilando a autonomia de governo dos bispos em suas dioceses. Com excessiva polidez, é um “Ai de quem destoar”! Ferirá a “comunhão” e, agora, ademais, “o combate à pandemia”! De cismático, qualquer bispo divergente se torna automaticamente também genocida.

Ai de quem, como o bispo de Cajazeiras (sorte dele estar na Paraíba!), ousar defender os direitos da Igreja e dos fiéis! Além da tirania estatal, terá de lidar com a tirania da “misericórdia” da Conferência Episcopal!

Para além de todas as lamentações acerca dos problemas sociais, os bispos não dão nenhuma palavra de conforto, solidariedade e compreensão para com os católicos que não suportam mais a privação dos sacramentos. Aliás, a explicação que a nota dá às súplicas dos fieis é interpretada como “compreensível fator de pressão”, provocado pelo “cansaço do isolamento do social” e também pelo “descompasso entre as opiniões das autoridades responsáveis”. A essa altura, surge uma pergunta: onde está a fé no coração desses bispos?

A resposta é muito simples. Estamos lidando com duas visões completamente antagônicas da função da Igreja no mundo: para os católicos, a missão da Igreja é salvar as almas pelos meios sobrenaturais, os sacramentos e a pregação da doutrina cristã. Para os bispos, formados segundo a teologia moderna, a missão da Igreja é a transformação social rumo ao igualitarismo e, por isso, os sacramentos são secundários, o mais importante é prática da “justiça”. Como explicava Leonardo Boff, é a primazia da ortopraxis sobre a ortodoxia.

É compreensível que, dadas as circunstâncias pandêmicas, a Igreja tenha de tomar precauções sérias quanto à aglomeração dos fieis. Contudo, a quarentena paulista já dura mais que a da Itália e a da Espanha sem que se dê qualquer alternativa de sobrevivência espiritual aos fieis. Enquanto isso, estamos assistindo a infração tirânica de direitos básicos dos cidadãos, e os bispos se posicionam de maneira a respaldar tudo isso, sem nenhuma palavra em defesa da liberdade de seus fieis, nenhuma palavra de preocupação pelo modo ditatorial como estão sendo tratados…

O que mais assusta, porém, é a forma como eles o fazem. Se quisessem entalar a observância de uma quarentena interminável, mas tivessem ao menos empatia com a fé dos católicos, dizendo explicitamente que o fazem a contragosto, que a carência dos sacramentos é uma tremenda provação, que os fieis rezem para que esta situação seja abreviada… ainda aliviaria a sensação de completo desprezo que os fieis têm. Mas não, isso está completamente fora dos seus horizontes.

Ao fim, precisamos entender que estamos lidando com uma Igreja e uma anti-Igreja, que já tomou conta da hierarquia católica quase que completamente e que os fieis estão praticamente privados de meios de ação, e que só lhes resta gritar, gritar a Deus e aos homens, protestar fortemente, protestar firmemente, até que os seus rogos sejam escutados.

Os bispos, quando não se comportam como mocinhos obedientes de quem quer que seja o mandatário esquerdista, dão-se ao trabalho de justificar a sua subserviência até com argumentos teológicos postiços, construídos artificialmente para dar-lhes suporte, como já mostramos em artigos anteriores.

Entretanto, se eles quisessem realmente minorar os nossos sofrimentos espirituais e psíquicos nesta quarentena, poderiam fazer-nos um favor: entrar em completa quarentena, se possível perpétua. Poupem-nos de suas notas incolores, politiqueiras, vergonhosas, deem-se conta de que ninguém mais os leva a sério (uma live, na semana passada, com Dom Joel, secretário da CNBB, era assistida pela multidão de 30 heróicas pessoas). Percebam a mágoa profunda que estão causando na alma dos seus fieis. No mais, resta-nos viver estes tempos sombrios confiando apenas em Deus, pois os homens já o traíram há muito tempo e trocaram a fé pelas opiniões circulantes.

Tags:

20 Comentários to “A quarentena da Igreja no estado de São Paulo.”

  1. Excelente matéria!!!
    Onde os senhores bispos escrevem “buscar convergência nas orientações dos bispos”, leia-se: “buscar uniformidade nas orientações dos bispos”… O triste é que em matéria de doutrina e liturgia, pouquíssimos deles se importam com alguma “convergência”.
    Acham que se o ditador é amigo deles, então está tudo certo, dá-lhe chicote no povo! Esses purpurados não leram uma linha sequer sobre a trama geopolítica que envolve a farsa do vírus chinês… E ainda se acham com competência para impor uniformidade…
    “Consolatrix afflictorum, ora pro nobis”!!!

    • Não deve ser coincidência o fato que, em grego, a palavra déspota (δεσπότης) tenha dois significados: bispo e déspota.

  2. Os que se dizem bispos, na realidade trabalham por uma NOVA ORDEM MUDIAL – COMUNISTA.

  3. A causa é única e essa atitude testemunhará contra eles. Não crêem em Deus que É Pai Todo Poderoso, criador do Céu e da Terra, das coisas visíveis e invisíveis (os vírus entram aqui) .

  4. O Bispo de Ourinhos (SP) dom Salvador Paruzzo surpreendeu nossa Diocese esta semana com um decreto de reabertura das igrejas. Te Deum laudamus! Aí um promotor de justiça local falou grosso e o insigne prelado retirou rapidamente o decreto… Lembrei do bispo e do padre de Ariano Suassuna em O Auto Da Compadecida – capturados pelo cangaceiro, os dois clérigos choravam feito mocinhas e tremiam de medo da morte: “Eita que dá até desgosto matá uns hômi desse!”, zombou o cangaceiro.
    O decreto proibia a comunhão na boca e exigia máscaras no celebrante, nos ministros e nos fiéis. A “nova missa nova” mais pareceria uma sessão cirúrgica. Estou indeciso se seria uma boa liberar ou não.

  5. Sugerências anti-pombalinas:

    – templos abertos full time;
    – confissao comunitária e absolvição coletiva conforme prevê o Direito Canônico;
    – Nas missas feriais, pouquissimas pessoas comparecem em muitas paróquias das capitais. Por que vetá-las?
    – Terço das velhinhas. Sao poucas e ajudam muito.
    Tudo isso com o necessário, providente e deleitoso afastamento anti-social. Abolição de beijocas, tapinhas nas costas, abraços calientes e outras cousas supérfluas e pegajososas.

  6. Só gostaria de compartilhar uma informação. Não creio que todos os bispos do Estado compartilhem desse posicionamento. Há alguns dias atrás, o bispo de Catanduva foi pessoalmente ao Palácio dos Bandeirantes pedir ao governador a retomada das celebrações religiosas: https://www.diocesedecatanduva.org.br/comitiva-de-catanduva-vai-ao-governo-do-estado-pedir-por-celebracao-religiosas-presenciais/

    Fora essas iniciativas de lobos solitários, nós fiéis católicos estamos totalmente abandonados por aqueles que deveriam ser nossos pastores.

  7. Eu tenho esperança que esse período tenha sido suficiente para o povo leigo acordar. O clero já fez sua escolha, eles foram formados em uma mentalidade pós-conciliar, em uma nova eclesiologia, com todas as mudanças advindas dessa revolução. Para agirem diferente, terão que aceitar que ensinaram para eles meia-verdades, através de meias-verdades com práticas meia-verdadeiras e isso seria doloroso demais. Por isso nunca eles tem um ensino verdadeiro para dar, mas sim algo que sempre seja adequado, aggiornado, político.

    E concordo com o Pedro: liberar para haver profanação, humilhação e ir contra a linha teológica do próprio clero no Brasil daria ainda mais trabalho pra esses senhores. Alguém pediria explicação e eles teriam que ter coragem de fornecer.

    Vamos enxergar como uma peneira, um filtro espiritual esse período.

  8. Os bispos hoje em dia após o Vaticano II adiante não seriam todos escolhidos não pelo papa, porém por intermédio de forças ocultas adversas à Igreja, agindo dentro do Vaticano – embora o atual seja mais ideológico que tudo nas escolhas, mesmo de cardeais – parecendo dar preferencia àqueles que sejam de seu partido, mas anteriormente, muito ao contrario, elegiam bispos e cardeais os mais virtuosos e indômitos combatentes pela fé católica!
    Dessa forma, muitos desses bispos se tornam aliados às ideologias da NOM, como as Mães Terra, Mãe Natureza, Ecologia Integral, além de transliteração de textos para que sejam duvidosos, sempre propagandeando combatentes pelos “pobres”, como sucedia com o falsario e inimitável gatuno PT e mais PCs, incluindo-se toda a direção da CNBB desde décadas, aqueles bispos do Pacto das Catacumbas, sempre ao lado das esquerdas-maçonaria e os restantes deles praticamente omissos em a refutar; no entanto, os comunistas quando tomam o poder são ferozes inimigos da Igreja católica, ao invés de os privilegiar seus eleitores, escravizam-nos, como ex., Cuba, Coreia do Norte e a miserável Venezuela.

  9. Há consenso entre os bispos sobre a necessidade de se ter como ponto de partida as orientações emanadas do Governo do Estado, passíveis de desdobramentos diferenciados nos mais diversos municípios.”

    Ou seja a Nota também leva em consideração a realidade particular de cada município ou região do estado, mais ou menos afetadas pela pandemia. Assim sendo, a Nota pede que se sigam orientações comuns, respeitando no entanto às particularidades de cada diocese.

  10. Nosso Senhor Jesus Cristo denominaria esses “mercenários da fé” com os seguintes títulos:
    – “Hipócritas” (7 vezes),
    – “Filhos do inferno” (1),
    – “Guias cegos” (2),
    – “tolos e cegos” (3 vezes),
    – “sepulcros caiados” (1),
    – “serpentes” (1) e
    – “raça de víboras…
    Moral: O politicamente incorreto Jesus Cristo era isento de pecado, conclui-se que xingar como tal não é um pecado, mas uma virtude!
    Fonte: Evangelho de São Mateus (capítulo 23)

  11. Do Acordo Brasil – Santa Sé
    – Artigo 8º
    (A Igreja Católica, em vista do bem comum da sociedade brasileira, especialmente dos cidadãos mais necessitados, compromete-se, observadas as exigências da lei, a dar assistência espiritual aos fiéis internados em estabelecimentos de saúde, de assistência social, de educação ou similar, ou detidos em estabelecimento prisional ou similar, observadas as normas de cada estabelecimento, e que, por essa razão, estejam impedidos de exercer em condições normais a prática religiosa e a requeiram. A República Federativa do Brasil garante à Igreja Católica o direito de exercer este serviço, inerente à sua própria missão.)
    Explicação O presidente do Tribunal Eclesiástico de Aparecida (SP), cônego Carlos Antônio da Silva, explica:
    Esse artigo fala do direito que o cidadão brasileiro católico, que está doente ou preso, tem de receber assistência religiosa católica. O Estado não vai impedir que a Igreja preste assistência religiosa às pessoas que estão doentes, em hospitais, às pessoas que estão presas. Então, elas tem o direito de receber esta assistência religiosa e a Igreja tem o direito e o dever de prestar esta assistência. O Estado vai respeitar o direito do ministro religioso entrar, visitar, claro que, observadas as normas próprias da instituição. Para entrar em um hospital há normas específicas, como horários, roupas próprias etc. O mesmo acontece na prisão, onde há regras e medidas de segurança.

  12. Tenho, como opinião, que não devemos vincular qualquer iniciativa, ato, decisão, etc. da CNBB com a Igreja Católica. Abolir definitivamente a CNBB da Igreja. A Igreja Católica é a Igreja, CNBB é algum sindicato qualquer, de linha progressista-comunista.

    • A CNBB é um órgão do Partido Comunista dentro de uma associação privada de bispos no Brasil. Nada tem a ver com a Igreja Católica Apostólica Romana ou com a Santa Sé no Brasil. Absolutamente nada.
      Todavia, com um agravante: agora, mais do que nunca é também um órgão do Partido Comunista da China, algo inconcebível e ilegal à luz das leis brasileiras.

  13. Tudo quanto está dito sobre o caos na ordem natural e metafísica é perfeitamente verdadeiro, mas o mais grave não é isto. O mais grave é a inversão da ordem na Igreja, a qual é toda sobrenatural, e que produz um caos, e por assim dizer, uma inversão na ordem sobrenatural, difícil de avaliar, e de efeitos de uma nocividade muito maior do que qualquer inversão da ordem natural.
    E a situação da Igreja está de um tal jeito, de uma tal extensão, de uma gravidade, que não se tem palavras para qualificar. De tudo que existe na Terra, nada está tão mal quanto a Igreja. A tal ponto que só cremos que Ela não desapareceu, porque há a palavra de Nosso Senhor de que Ela não desapareceria.

  14. Vejam: dois sobrinhos adolescentes, que moram distante, viraram protestantes.
    Uma prima, que mora em outro Estado, médica, filha de médico e mãe de um médico recém-formado, virou protestante há anos. Nas bodas dos meus tios, um “pastor” engomadinho foi pregar a sua gosma gosmenta. Nao fui pra ficar nao ficar contrariado.
    Deixem as igrejas fechadas; continuem a nao dizer nada com nada; continuem de quatro pra pachatêta muda, surda e buchuda; continuem produzindo milhoes de “documentos” pastorais (que ninguém lê); continuem com seus “pronunciamentos” sobre isso e mais aquilo que é da competência alheia; continuem a pastoral do coice; continuem a esnobar os padres; continuem, senhores bispos da nesciência infusa e da desgraça de estado, continuem…
    Continuem. Deixem as igrejas fechadas: nem meia hora para as velhinhas se recolherem diante do sacrário.
    “deus nao é católico”
    “deus quer a diversidade de religiões”
    Vcs estão fazendo História. Serão lembrados para sempre…
    Caliente. Muy caliente. Tórrido.

  15. Pessoal,
    As seguintes palavras emocionantes de Deus são, sem dúvida, aplicáveis aos bispos que nesta tribulação, causada pela ditadura sanitária, negaram às ovelhas o alimento espiritual dos sacramentos, enquanto se alimentavam do alimento dos sacramentos (uma vez que celebravam a Santa Missa, tinham seu próprio confessor e podiam receber a unção dos enfermos):
    “Assim diz o Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel que estão se alimentando! Os pastores não deveriam alimentar as ovelhas? Você come a gordura, veste-se com a lã, mata os gordos, mas não alimenta as ovelhas. … Portanto, pastores, ouçam a palavra do Senhor: Porque minhas ovelhas se tornaram presas, e minhas ovelhas se tornaram alimento para todos os animais selvagens. Elas não tem pastor, porque meus pastores não procuraram minhas ovelhas, mas os pastores se alimentaram e não alimentaram minhas ovelhas, portanto, pastores, ouçam a palavra do Senhor: Assim diz o Senhor Deus: Vou me colocar contra os pastores. Vou pedir contas a eles sobre o meu rebanho e não deixarei mais que eles cuidem do meu rebanho. Eu arrancarei minhas ovelhas da boca deles, e elas não servirão mais de pasto para eles” (Ezequiel 34: 2-10).

    Quem viver, verá!

  16. Há tempos que os protestantes tomaram a frente na representação política da população cristã brasileira. A sensação que dá é que as lideranças católicas simplesmente não acreditam mais em Deus, na sacralidade dos sacramentos. O sentido de sagrado se perdeu entre os católicos. E, com isso, ficamos ao largo. Triste, muito triste. Que Deus tenha misericórdia de nós…