Francisco e as eleições americanas.

Por FratresInUnum.com, 16 de outubro de 2020 – Faltam algumas semanas para as eleições americanas, programadas para ocorrer em 3 de novembro. O quadro é objetivamente incerto: embora John Biden apareça como favorito nas intenções de voto (segundo pesquisas que sempre erram), o sistema eleitoral americano é tão complexo que não se pode prever com exatidão o seu resultado. O que realmente é seguro neste cenário é que a mídia mente compulsivamente, os americanos não gostam de revelar seu voto (o “trumpismo”, aliás, é um fenômeno quase invisível), Biden é um senil e sua vice é uma comunista descontrolada. Contudo, cabe-nos perguntar se existe algum cenário realmente favorável para o pontificado de Francisco…

trump

Uma eventual vitória de Donald Trump, com absoluta certeza, significaria o completo sepultamento, no cenário internacional, do definhante pontificado de Francisco, o qual é um fenômeno para além de anacrônico, fruto ainda dos tempos progressistas da presidência de Barack Obama. Um papa greenpeace, ecofeminista, que silencia os conteúdos da fé e da moral católicas para anistiar todo o pensamento de esquerda, estaria totalmente isolado com uma reeleição conservadora na América.

Entretanto, o cenário de vitória de Biden também não é tão favorável quanto possa parecer à primeira vista.

De fato, o problema de Francisco não é somente geopolítico. Obviamente, este contexto pode favorecer os interesses que o movem, a sua ideologia, o lado para o qual ele trabalha, mas não significa que tal cenário irá favorecê-lo ou reforçá-lo enquanto pontífice da Igreja Católica.

O problema de Francisco é eclesial, e o é em sentido profundo. O seu esquerdismo é tão escandaloso que provocou o descolamento do corpo dos fieis, que se afastaram dele como ovelhas que correm de um lobo… No pós-concílio, as distâncias em relação a um papa eram prerrogativas exclusivas de grupos tradicionalistas minoritários; hoje, Francisco conseguiu provocar uma rejeição massiva, que nenhum dos papas anteriores obteve, rejeição que ultrapassa em muito àquela que sofreu Paulo VI. A resistência a Francisco tornou-se um fenômeno popular, é socialmente compartilhada.

Francisco é um papa que não governa a partir da Igreja (ex Ecclesia), mas a partir dos poderes vigentes no mundo (ex mundo) e, portanto, o estranhamento é inevitável. Os fieis não se reconhecem nele, mas reconhecem nele a voz dos marxistas, dos ecologistas, das feministas, dos multiculturalistas, dos esquerdistas em geral.

O fenômeno da rejeição a Francisco, inclusive, não se sabe até que ponto não seja propositalmente provocado, visto que a finalidade última dos revolucionários sempre foi destruir a Igreja e, para isso, o papado. De um lado, os católicos não se sentem identificados com Francisco e perderam o pudor de manifestar sua oposição; coisa que obviamente será utilizada pelos próprios progressistas caso venha um pontificado conservador proximamente. De outro lado, o perigo de exacerbações neste campo é enorme e, lamentavelmente, já se levantam vozes que, ao invés de perceberem a cisão existente entre Francisco e o papado, voltam os seus ataques contra o papado em si, contra aquilo que os progressistas sempre combateram: o ultramontanismo.

Como estas questões se resolverão, apenas a história poderá responder. No entanto, o fato é que este pontificado já perdeu completamente a benevolência dos verdadeiros fieis e, portanto, daqui para frente sofrerá um desprestígio irreversível, ainda mais reforçado por todos os escândalos recentes e dos que serão deles decorrentes nos próximos meses e até anos, escândalos protagonizados por homens de confiança de Francisco.

Ora, neste quadro de crise interna, uma eleição de esquerda nos Estados Unidos assanharia tremendamente a esquerda católica, que excitaria ainda mais Francisco para a esquerda, provocando, assim, um descolamento ainda mais grave em relação aos fieis, que se manifestariam ainda mais descontentes do que já se manifestaram até agora. Se, por um lado, isso seria péssimo, por outro, teria sua vantagem, pois agravaria ainda mais a crise de representatividade na esquerda eclesiástica, que ficaria transfigurada diante dos poderes do mundo, enquanto é desmascarada diante da opinião pública dos fieis, esvaziando-se mesmo até das aparências de catolicidade, aparências que usurparam, usurpando a oficialidade da hierarquia.

A solução mais inteligente para todo esse dilema, do ponto de vista dos revolucionários, seria mesmo a renúncia de Francisco e a eleição de um papa menos progressista, que ao menos conservasse nos fieis a suspeita de catolicidade que o papa atual jogou pela janela. Mas, ao mesmo tempo, maquiaria, e muito, a situação real, que é catastrófica, crônica e humanamente incontornável.

Como o que Deus almeja é a salvação das almas e não a incolumidade de uma estrutura corrompida e corruptora, qualquer dos cenários não deve inquietar o fiel católico. Não temos esperanças em homens, nem em eclesiásticos nem muito menos em políticos. A crise da Igreja só pode ser resolvida por uma intervenção direta de Deus, mediante o triunfo do Coração de Imaculado de Maria. A nossa parte consiste em, como Ela, permanecer em pé, junto à Cruz, resistindo e sofrendo esta dolorosa Paixão da Igreja, à espera do triunfo que, certamente, virá.

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9 Comentários to “Francisco e as eleições americanas.”

  1. Antigamente tínhamos um papa que se colocava do lado da direitas e contra o comunismo: João Paulo II. Hoje temos um papa amigo das esquerdas. Não seria isso um sinal de que a Consagração que João Paulo II fez do mundo ao Imaculado Coração de Maria não foi válido?
    Penso que ainda hoje seria importante consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, porém esperar isso de Francisco e da Cúria romana é desanimador.
    No mais, pode Deus com a vitória de Trump dar mais um tempo aos cristãos para se prepararem para um futuro sombrio com a 3ª Guerra Mundial.

    P.S.: Na guerra Nagorgo-Karaba,uma região separatista, as igrejas estão sendo alvos de mísseis. Crime de guerra! Que Deus tenha misericórdia desses cristãos perseguidos.

  2. A quantidade de considerados escandalosos e maus elementos Altos Hierárquicos hoje ao lado dos globalistas é realidade incontestável, inclusive dentro do Vaticano, favoráveis ao comunista Joe Biden, travestido de católico!
    Para piorar, o papa Francisco tolera as péssimas presenças de D Vincenzo Paglia – o do mural homossexualista na Catedral de Terni, D Luigi Capozzi, que teria sido encontrado nu em uma orgia, teria sido até preso dentro do próprio Vaticano e outro homossexulista, o Pe James Martin, querendo enfiar na doutrina da Igreja a aprovação da sodomia!
    Que fez o papa Francisco que deveria expurgá-los da Igreja? Nada; cada qual num elevado cargo, em terna amizade com eles, comportando-se como os esquerdistas: falam umas, fazem outras inversas.
    Dessa forma, como apoiador dos progressistas e anti conservadores, tem insistido no projeto de uma Igreja mais flex, adaptada aos tempos e não avançou mais ainda porque a pressão das redes católicas o pressionam como sucedeu no caso do “Sínodooco da Amazônia” que não rendeu os frutos que ele e as esquerdas -“Democratas” dos EUA também esperavam colhêr!
    Profecia de São Francisco sobre um futuro falso papa que tentará destruir a Igreja – seria o atual?
    … “E a fim de serem como o seu Mestre, estes, os eleitos, atuarão com confiança e, com a sua morte, obterão a vida eterna. Escolhendo obedecer a Deus em vez de obedecer aos homens, eles não terão medo de nada e preferirão morrer do que aprovar a falsidade e a traição.
    Alguns pregadores manterão silêncio sobre a verdade, enquanto outros irão pisoteá-la e negá-la. A santidade de vida será desprezada até pelos que exteriormente a professam, pois, nesses dias, Nosso Senhor Jesus Cristo enviar-lhes-á não um pastor verdadeiro mas um destruidor”.
    (Works of the Seraphic Father St. Francis Of Assisi, Washbourne, London, 1882, pp. 248-250, Imprimatur of the Bishop of Birmingham, William Bernard – tradução livre)

    • Por falar no Sínodo, o Vaticano lançou ontem uma moeda comemorativa, com pachamama representada por uma indígena grávida com o planeta terra no ventre. Paganismo incontestável.

  3. Tal como na eleição anterior nos EUA a vitória praticamente certa de Trump é escondida pela mídia de esquerda (quase toda).
    Nos EUA as eleições não se decidem pela totalidade dos votos mas pela totalidade dos colégios eleitos. Para muitos isto não parece muito democrático mas, como se trata de uma federação onde os estados e seus eleitores têm o direito de não serem comandados por outros estados com número de eleitores maior, estabelece-se o equilíbrio democrático em toda a nação, pois todos os estados passam a ter o mesmo peso eleitoral. Sempre foi assim e sempre o será, não se tratando portanto de algo desta época e sob o comando de Trump, como muitos ignorantes pensam.
    Em resumo: Trump deverá ser reeleito para desespero da esquerda local e mundial e talvez para desespero do próprio papa que, mais uma vez, não encontrará neste país o eco de seu cristianismo comunista, algo incoerente em si próprio.
    É a vida que segue.

  4. Lindo artigo 😍
    Nsa Senhora é o nosso refúgio…
    Vamos continuar mesmo.orando e permanecendo firmes no coração Imaculado da Virgem Maria..
    Rezando diariamente santo Terço…para vitória ..
    🙌🙌🙌🙌🙏💞

  5. Eu estava lendo um texto sobre exorcismo. É uma apresentação de um novo livro sobre exorcismo. E, por incrível que pareça, o texto narra algumas situações políticas, nas quais se poderia entrever a ação do mal.
    Gostaria de partilhar a tradução da parte do texto que fala sobre isso.

    Tradução/Excerto

    Você cita dois exorcismos que ocorreram durante o pontificado de Pio XII – você poderia relatar brevemente a gravidade desses casos e o que aconteceu depois?

    Encontrei documentos de arquivo com depoimentos juramentados das pessoas mais próximas de Pio XII. No livro recordo a Irmã Pascalina Lehnert, ex-governanta do Papa, que revelou o quanto o Papa Pacelli estava fazendo tudo o que podia para deter a loucura de Hitler e por isso, além de rezar, disse a freira, o Santo Padre também realizou exorcismos sobre o Führer em sua capela particular, na presença das freiras. Alguns cardeais e bispos alemães estavam de fato convencidos de que Hitler estava possuído, e depois há o testemunho do sobrinho de Pio XII que revelou que em 1958, na véspera das importantíssimas eleições políticas italianas, o Papa realizou exorcismos para evitar que a ação demoníaca afetasse o resultado da votação. Pacelli estava obviamente apoiando espiritualmente os democratas cristãos e havia o “perigo” de uma vitória comunista. Sabemos que já em 1949, Pio XII aprovou um decreto do então Santo Ofício [agora conhecido como a Congregação para a Doutrina da Fé] que declarou que o registro de qualquer forma de apoio ao Partido Comunista era inadmissível, e que aqueles que professavam acreditar que a doutrina comunista seria excomungada. No final, os democratas cristãos ganharam e Pio XII ficou claramente aliviado. Quanto a Hitler, infelizmente, sabemos como as coisas correram.

    Fonte:

    https://www.ncregister.com/interview/author-of-new-book-on-exorcism-the-devil-is-not-an-invention

    —————————————————————————————————————————

    Seria aconselhável que os padres americanos que são conservadores rezassem também exorcismos, não contra o adversário de Trump, mas contra as forças do mal que pretendem estabelecer valores anticristãos nos EUA.

    Partindo do exemplo, acima seria bom que o exorcismo como arma de guerra espiritual vale para qualquer país onde esteja havendo uma disputa entre as forças do mal e do bem.

  6. Sem dúvida. O Cristianismo, hoje, tem, entre seus defensores de peso, o Trump e o Monsenhor Viganò. Na foto da matéria só aparece um dos defensores: o Trump.

  7. Caros Fratres;

    Artigo muito bem elaborado e comtendi uma sóbria analisa do problema deste pontificado.
    Por ser um homem idoso, tenho 80 anos, passei por vários Pontífices: o grande Pio XII, o risonho João XXIII, Paulo VI – Papa Hamlet (estes dois de lamentável memória: o Concílio Vaticano II), por João Paulo I – o breve, João Paulo II – o pastor das multidões, por Bento XVI – o papa da Hermenêutica da continuidade e, ufa!, finalmente, Francisco, “o que foi sem nunca ter sido”.
    A brilhante análise perscruta a ênfase esquerdista desse melancólico pontificado. Porém, não nos esqueçamos: tudo isso é fruto do nefasto Concílio!
    Rezemos para que o Bom Deus nos conceda um Pontífice que condene todo o Concílio, recusando-o como a raiz de todos os males destes últimos tempos!
    Há que deixar de falar em “falsa interpretação” ou em seguir a tal “Hermenêutica da continuidade”! Chamar o mal pelo seu nome: ruptura e heresia!
    Só assim que teremos como sair dessa crise!
    Que o Bom Deus tenha misericórdia de nós!
    Imaculado e Doloroso Coração de Maria, rogai por nós!

  8. Sem intervenção divina, a única solução para purificar o Magistério desse mundanismo seria a Igreja se reunir, num improvável futuro, e declarar nulos o conclave e esse papado (como já fez com outros ao longo da história).
    Que a linhagem papal fique entre Bento e o próximo que vier.
    Mas somente a Igreja tem poder de declarar isso, e a nós resta sofrer e rezar.

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