Aos passadores de pano, com amor.

Por FratresInUnum.com, 22 de outubro de 2020 – As declarações de Francisco causaram um imenso reboliço em todo o mundo, obviamente com dois cenários bem contrastantes: os prevaricadores de todas as tonalidades regozijaram-se pela ruptura do papa argentino com toda a tradição católica, enquanto os católicos procuravam meios para expressar a sua sã indignação contra mais essa traição escandalosa.

No meio dos dois pólos, os conciliadores saracutiaram, parafraseando a ex-presidente Dilma, “daqui pra lá, de lá pra cá”, tentando encontrar meios de atribuir a confusão à malícia da mídia – como se Francisco não tivesse, mais uma vez, dito o que disse; como se Francisco não repetisse declarações ambíguas — para sermos muito benevolentes — sem se preocupar com repercussão (até a Sala de Imprensa desistiu de publicar esclarecimentos, como fazia no começo do pontificado); como se não tivesse Scalfari como jornalista predileto para ouvir suas confidências; como se sua corte — de Spadaro a Tucho não testemunhassem que Bergoglio adota, sim, a posição de ruptura com o magistério católico,  etc, etc, etc… 

Enfim, o zelo da defesa da honra pontifícia dos papistas dos últimos dias é tão, tão exclusivo, que não é compartilhado sequer pelo próprio Francisco.

Ora, em nenhum momento os órgãos de imprensa aliados de Bergolio tentaram desmentir que ele se tenha posicionado em favor da união civil de homossexuais em si mesma e dentro de parâmetros legais. O Padre Antonio Spadaro, jesuíta e diretor de Civiltà Cattolica, deu uma entrevista à TV2000, da Conferência Episcopal Italiana, em que confirma que “Papa Francisco fala de um direito à tutela legal de casais homossexuais”, ainda que diga, apenas em termos retóricos, que “sem de nenhum modo danificar a doutrina da Igreja”. Já Tucho Fernandez atesta: para o papa Francisco, união ou convivência civil dão na mesma. 

Mas, a verdadeira interpretação do “magistério” bergogliano seria aquela dada pelos malabaristas do Brasil?

Já um seu outro confrade jesuíta, o conhecidíssimo Padre James Martin, que não pode ser considerado propriamente suspeito de ortodoxia sexual , celebrava o acontecimento em seu twitter com palavras bastante coloridas: “o que torna os comentários do Papa Francisco em apoio às uniões civis do mesmo sexo hoje tão importantes? Primeiro, ele os diz como Papa, não como arcebispo de Buenos Aires. Em segundo lugar, ele está claramente apoiando, não simplesmente tolerando, as uniões civis. Terceiro, ele está dizendo isso para a câmera, não em particular. Histórico”.

Portanto, simplesmente não tem sentido interpretar restritivíssimamente as palavras de Francisco e afirmar que foram apenas em defesa de “pessoas homossexuais abandonadas pela família” e que não fazem nenhuma alusão à união civil de homossexuais, ou inclusive apelar para uma interpretação igualmente restritiva do termo espanhol “convivencia”, como se este não pudesse ser interpretado como sinônimo exatamente de “união civil”. Estas tentativas, se não confirmadas diretamente por Francisco, num esclarecimento definitivo e cabal, com a reafirmação da doutrina católica, são histéricas, flagrantemente mentirosas. Tertium non datur!

Contudo, gostaríamos de refutar uma ideia com força: a de que estas declarações de Francisco sejam parte do magistério pontifício. Infelizmente, a papolatria reinante, como toda ideologia, é cheia de aporias, de contradições internas, e, se não for devidamente desmentida, pode dar lugar a uma série de dissensões que seriam altamente maléficas para a sobrevivência da doutrina católica.

Qual a diferença entre este pronunciamento espúrio de Francisco e o Documento da Congregação para a Doutrina da Fé, “Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais”? A declaração vergonhosa deste papa equivale em autoridade ao texto daquele documento ou, inclusive, a sobrepuja?

Precisamos ademais nos lembrar que o Documento da Congregação para a Doutrina da Fé que mencionamos foi aprovado Ex audientia Sanctissimi, ou seja, o Papa João Paulo II assumiu-o em seu magistério papal e, por isso, goza de autoridade pontifícia.

Entretanto, a fonte primária de sua autoridade não reside apenas no fato de que tenha sido emanado por um dicastério e aprovado pelo papa de então, mas, sobretudo, porque tanto o dicastério quanto o papa reafirmaram coerentemente a mesma doutrina sustentada pelas Sagradas Escrituras, pelos Santos Padres, pelos Doutores da Igreja e pelo Magistério ininterrupto, bem como pela reta razão (o que vale dizer, pela Lei Natural), de modo que a sua conclusão pela ilicitude da cooperação com projetos de lei que visam a aprovação da união civil de pessoas homossexuais é de uma lógica irretorquível, é simplesmente a verdade sobre a questão.

Em outras palavras, a condenação da união ou convivência civilmente reconhecida de pessoas homossexuais é doutrina definitive tenenda (que se deve tomar como definitiva, irreformável), e isto não porque um papa a disse, mas porque é intrinsecamente a verdade sobre o assunto, em absoluta consonância com a fé e a razão, tal como foi sempre entendida pela Igreja e pelos papas.

O próprio Padre Spadaro tentou não desautorizar Francisco e, ao mesmo tempo, tirar importância doutrinal do assunto. Ele disse, na mesma entrevista, que “há também um outro testemunho dentro do filme no qual se diz explicitamente que o Papa Francisco não pretende mudar a Doutrina, mas, ao mesmo tempo, o Papa Francisco é muito aberto às exigências reais da vida concreta das pessoas”, dizendo-o doutro modo, um é o plano doutrinal e outro é o plano prático (dialética muito usada pelos adeptos da ideologia rhaneriana).

É preciso que o digamos explicitamente, pois a maior desgraça a que nós, fieis, somos submetidos dia após dia desde que foi eleito o papa atual é essa instabilidade doutrinal absurda. A fé católica não pode depender de declarações irresponsáveis e impensadas de um pontífice.

Para os anestesiadores de plantão, fica a observação de que a sua colaboração formal com toda essa delinquência está sendo muito bem observada pelos fieis. As palavras de Francisco não são uma brincadeirinha… Elas respaldam toda a luta pela destruição da família natural e pela imposição do gayzismo e deslegitimam os fieis católicos que dão a sua vida pela defesa dos valores mais fundamentais da civilização cristã. Doravente, irão esfregar na cara dos fieis que o seu papa está contra eles e a favor do Movimento LGBT.

“Ah, mas foi a imprensa!” Em boca fechada não entra mosquito.

12 Comentários to “Aos passadores de pano, com amor.”

  1. O que vejo eh que incentivar os homosexuais a serem ativos e legitimados tira deles o direito a salvaçao eterna, salvaçao que o Pontifice e todo clero sao responsaveis e obrigados irrevogavelmente por mandado divino a alcançar a todas almas em toda terra mediante a pregaçao do Evangelho de Jesus Cristo e Sua Igreja.

  2. Usou o termo “opção sexual” já sei que segue o concílio de apostasia, Vaticano II. Não existe “opção sexual”, pois há apenas dois sexos. O que existe é a escolha por uma vida de pecado mortal, “abominação aos olhos do Senhor”, diz a Escritura. Homossexualismo é mais grave que o adultério (Santo Tomás de Aquino). Isso porque é um ato contra a natureza, e não apenas contra a reta razão, como é o adultério. No adultério temos uma relação natural entre um homem e uma mulher. O pecado é mortal, mas por ser contra a reta razão (razão ordenada segundo Deus e a verdade). Já o homossexualismo é um pecado contra a natureza. Logo, mais grave que adultério. Santo Tomás explica com maestria isso na Suma Teológica.

    O que mais tem na internet é passador de pano. Felipe Aquino e outros covardes. Sim, covardia intelectual. Ou são cegos mesmo? Uma cegueira desculpável? Não creio.

  3. Os famosos professores, catequistas, pensadores faceboquianos católicos, etc da internet, em suas próprias páginas do instagram, face, twitter e youtube, estão sendo colocados contra a parede e cobrado coerência e pensamento católico. Curioso, logo eles que se consideram formadores de opinião Católica!

    O tempo e a realidade estão filtrando essa moçada passadora de pano e em cima do muro, muito piedosos e acima dessas discursões tolas, pois afinal, “eles estão fechados com o Papa e preferem errar com a Igreja!”

    Nossa, quanto zelo!rsrsrsrs

  4. Não temos mais um papa apenas herético ou comunista ou liberalista ou ONUista.
    Temos agora também um papa amoral.

  5. É da natureza do processo revolucionário que a próxima fase seja mais radical que a anterior. Ocorre que por um fenômeno qualquer não se está conseguindo ultrapassar para a fase posterior. É como se existisse entre os homens um comodismo revolucionário gerando uma estagnação. As tentativas de impulsos revolucionários não estão gerando adesão e entusiasmo como outrora. A maioria dos homens abraçaram facilmente e com otimismo as transformações como o ideário da Revolução da Sorboune, com o seu amor livre, o divórcio, a exposição sexual na mídia, a primazia da vanguarda em detrimento dos valores do passado, a absolvição do modo hippie, mesmo que parcial, entre outros impulsos. As tentativas atuais, como o caso Floyd, que se pretendeu gerar uma falsa defesa de valores antiracistas, quando na verdade se quis produzir uma sensibilidade revolucionária para impulsionar uma comoção social com a mídia incentivando as passeatas, a ponto de um repórter da Globo relatar ao vivo que uma nova primavera de Paris estava nascendo, intenção feita em meio às apreensões da pandemia, resultou em uma baixa aceitação na opinião pública, o que não sucederia se tal ocorresse no embalo dos anos 60.
    Francisco pretende chacoalhar a opinião pública desta relativa inércia. Para que os homens desçam mais um degrau revolucionário ele lança esse radical absurdo, pois sempre a próxima fase tem que ser mais radical que a anterior. O que antes no meio religioso era apresentado com disfarces e dualidades agora é apresentado escancaradamente mesmo que se indague porque um papa dá pitaco na vida civil se sua função é guiar os católicos na vida espiritual. Que outros dêem esses pitacos, não um papa.
    Vê-se por aí porque Bento XVI foi impelido a renunciar. Talvez não tanto porque desejasse levar a Igreja para a época pré-conciliar, mas porque não teria desejos de tirar os homens da relativa inércia revolucionária.
    A próxima fase é inevitável, e assistiremos ainda muitos absurdos como esse de Francisco.

  6. Agradeço ao fratres não ter publicado meu comentário no outro post. Eu estava preocupado por ter sido apressado neste assunto específico de ter cometido alguma injustiça tal como juízo temerário. Mas de fato, observando e procurando detalhes na entrevista eu também descobri que a parte de união civil havia sido cortada pela Televisa, mas que o vídeo completo sem cortes estava de posse do Vaticano e foi disponibilizado ao jornalista que fez o documentário. Infelizmente foi sim dito da maneira e no entendimento que foi divulgado este assunto da união civil. Uma das fontes que comenta sobre o video completo está aqui. https://www.kctv5.com/mexico-broadcaster-popes-civil-union-quote-not-broadcast/article_83036be8-57db-5f0c-9a38-66cb0bfe4de5.html. Mas deve ter vários outros que mostram o mesmo. Que tristeza ter que passar por isso. Quanta maldade no clero que a todo custo quer destruir a Igreja…

  7. A cada dia que passa o papa Francisco vai mostrando sua face oculta, escondida por bastante tempo, até à hora oportuna de a desvelar aos católicos que se mantinham no modelo tradicional, aguardando a hora oportuna para falar também ao mundo suas ideias que seria ideológicas, quiçá revolucionárias, sem nenhuma resistência da diabólica maçonaria – significando que a agrada, que lhe é servil!
    Onde está aquela tal misericórdia que citava diuturnamente? Pareceria que foi remodelada para: doravante será assim, e pronto, bem ao estilo imperial e mandatório, e pareceria que a maçonaria seria a que comandaria nos bastidores!
    Bem teria dito o papa Francisco que ele seria recordado na história como sendo o papa que dividiu a Igreja – afinal, esse seria o racha II, sendo o primeiro do heresiarca Lutero – tão admirado por ele, a ponto de colocar dentro do Vaticano a imagem desse dissoluto!

  8. Todo “passapanista” é aquela esposa adúltera pega em flagrante dizendo ao marido: “Calma meu amor, não é o que você está pensando…”

  9. Vamos analisar com mais profundidade das declarações de Bergoglio:
    “Pessoas homossexuais têm o direito de estar em uma família. Elas são filhas de Deus e têm direitos a uma família. Ninguém deveria ser descartado ou transformado em miserável por conta disso. (…) O que nós temos de criar é uma lei de união civil. Dessa forma, eles ficam legalmente protegidos. Eu me posiciono por isso”.

    1. “Pessoas homossexuais têm o direito de estar em uma família.” – Depende: Têm o direito de estar na sua família original, qual seja, a de seus pais, irmãos e demais parentes. Quanto a isto não se discute por tão óbvio que é.
    Não têm o direito, como homossexuais todavia, de constituir uma família, seja ela em que eles inclusive participem na imagem de heterossexuais, pois não seria válido um casamento de um homem com uma mulher em que ambos ou um deles seja homossexual declaradamente ou não ou então atuem ativamente como tal, embora secretamente.
    Um sacerdote, um bispo, um cardeal ou um papa deveriam, à luz das Sagradas Escrituras e do Magistério da Igreja fazer estas distinções ao declarar que pessoas homossexuais têm o direito de estar em uma família.

    2. “Ninguém deveria ser descartado ou transformado em miserável por conta disso.” – Por conta disso entende-se o fato de ser homossexual apenas e mais nada. Se assim for, está dito o óbvio, pois condena-se o pecado e não o pecador. Continua válido, portanto, o que está estabelecido no item 1 anterior.

    3. “O que nós temos de criar é uma lei de união civil. Dessa forma, eles ficam legalmente protegidos. Eu me posiciono por isso” – Espantoso o fato aqui de um papa, o chefe da igreja Católica Apostólica Romana arvorar-se em legislador civil. Desde quando teremos um papa deputado ou senador na Itália? (ou na Argentina, sua origem).
    Trata-se de uma declaração irresponsável e leviana, mesmo levando-se em consideração a sua posição de Chefe do Estado Vaticano, pois tal cargo não lhe dá o direito de se posicionar como civil, nem na Itália, nem na Argentina e tampouco em qualquer outro país do mundo.

  10. Felipe Aquino é “passador de pano” também para os símbolos maçônicos nas igrejas, sempre insistindo no seu significado católico. Se anteriormente os símbolos pagãos foram apropriados pela Igreja para sobrepor a orientação católica sobre os ídolos e práticas pagãos (Jesus Cristo como o deus-Sol, o olho dentro do triângulo simbolizando a onisciência de Deus), para as novas gerações há muito esses símbolos refluem para os cultos esotéricos satânicos pela propaganda incessante desses significados nas manifestações artísticas. Nesse período, novos templos foram construídos com os mesmos símbolos, mas curiosamente a estética da tradicional sensibilidade católica desaparece da nova arquitetura, de suas pinturas e objetos de culto (até o desenho das estrelas agora reproduz o pentagrama).