Platitudes da obsessão: mais uma vez a questão dos seminaristas rígidos.

Por FratresInUnum.com, 26 de maio de 2021 – Há quase duas semanas, uma notícia ganhava os jornais italianos: o pároco e o vigário de uma paróquia na Perugia abandonaram juntos o sacerdócio “por amor”. A manchete assustava, pois deixava em mistério se os dois tinham abandonado a batina para viverem juntos… Mas, logo o conteúdo da notícia dizia que cada um se apaixonou por uma paroquiana.

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Imagem: Papa Francisco e seminaristas. Créditos: ACI Digital

O fato não é uma raridade na Igreja nesse início de milênio. O número de sacerdotes que anualmente pede dispensa das obrigações sacerdotais ou que é demitido por questões de grave desvio de conduta é imenso. O pontificado de Francisco, nesse sentido, não viu senão o agravar-se do fenômeno, que cresce na medida em que passam os anos desse marasmo eclesiástico inaugurado em março de 2013.

Contudo, apesar dos escândalos sexuais, apesar da difusão do homossexualismo clerical, apesar dos sacerdotes que prevaricam com mulheres ou por razões financeiras, apesar do inverno de uma geração de padres sem Fé e sem devoção, apesar de uma Igreja que ameaça desaparecer em algumas partes do mundo, apesar do esquecimento de Deus em todo o ocidente, qual é a preocupação de Francisco?

Anteontem, na abertura da Assembleia da Conferência Episcopal Italiana, ele disse: “neste momento, existe um grande perigo: errar na formação e também errar na prudência na admissão dos seminaristas. Temos visto com frequência seminaristas que pareciam ser bons, mas que eram rígidos. A rigidez não é do bom Espírito”.

Não, não é uma piada. Diante de uma Igreja em franca decadência, o Papa se dignou a dizer tal banalidade; a qual, porém, revela muito de quem ele é.

A total boçalidade do atual pontificado em qualquer matéria intelectual é arquiconhecida. Sobressai a incapacidade articular duas ideias com coerência e, ao mesmo tempo, de dizer insolências indizíveis, passando por cima não apenas das doutrinas milenares da Igreja, mas até sobre convenções sociais básicas em uma civilização.

É muito próprio de pessoas ineptas a incapacidade de enxergar a riqueza da realidade ao seu entorno. Reduzem tudo a meras impressões vagas, rotulam pessoas de acordo com aparências superficiais, movem-se apenas por instinto animal, dizendo aquilo que farejam. 

Francamente, que quer dizer “ser rígido”? 

Será que os seminaristas que vão aos assentamentos dos Sem Terra ou os padres que declaram publicamente o seu voto em políticos LGBTs não são rígidos? Será que aqueles que repetem há décadas a mesma cantilena da Teologia da Libertação não são rígidos? Será que esses que afastam o povo porque insistem em metodologias pastorais contraproducentes, mesmo diante da evasão massiva de fieis, não são rígidos?

Será que a obsessão por tratar repetidamente desse tema, fechando os olhos a todos os outros problemas, não torna Francisco, ele mesmo, um rígido?

Rígido é apenas quem obedece às normas litúrgicas e segue a moral católica, que usa vestes clericais e ensina o catecismo, que se esforça por cumprir as leis da Igreja e procura ensinar os outros a fazê-lo? Seriam esses os rígidos? Os que têm uma vida espiritual e um compromisso sério com Nosso Senhor ao invés de se entregarem a excessos e ostentações impróprias do estado sacerdotal?

A tolice das observações de Francisco chega a ser burlesca, envergonha os fieis. Seguem-na todos esses negligentes que se encostaram na Igreja e que nunca tiveram mérito algum para chegar às suas posições, não fossem favorecidos por apadrinhamentos espúrios ou pela politicagem tosca que predomina nas sacristias e nunciaturas. 

Enquanto se preocupam em entabular pessoas em seus verbetes ideológicos, a Igreja padece com gente imoral que, em todas as tendências, de progressistas a conservadores, enxovalham impiedosamente a sua santidade. 

Pecado não tem benefício ideológico nem anistia eclesiológica. Pecado é pecado, imoralidade é imoralidade!

Mas, para Francisco, a misericórdia é seletiva e este é o único critério que ele pretende impor a todas as futuras gerações sacerdotais: agir conforme a cartilha do seu partido, subscrevendo todos os itens da sua agenda revolucionária.

Antigamente, um padre queria salvar a sua alma e a de todos os fieis, livrando-se do inferno e alcançando o paraíso. Hoje, quer apenas livrar-se do inferno que é cair sob a impiedosa inquisição bergogliana e, dessa, não há misericórdia que possa livrar, pois é fruto da paranóia, da obsessão compulsiva e da perseguição.  

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12 Comentários to “Platitudes da obsessão: mais uma vez a questão dos seminaristas rígidos.”

  1. E o Summorum Pontificum com os dias contados, segundo vem dizendo blogs estrangeiros, como o Messa in latino.

  2. Ai daquele que não proceder da forma ideológica que mostrarei por um vídeo ou até mesmo o comentário por ser eu rígido demais – não à la papa Francisco com as esquerdas – seja deletado, ou quem sabe, apenas o *vídeo postado por esse “perseguidor e divisor” da Igreja, embora acreditem: eu estou atacando é a igreja católica II!
    Há dias ganhei de um certo sacerdote bem idoso, apesar de ser muito admirador do papa Francisco, que sou rígido demais, não aberto a mudanças – as quais traduzirei “por não me sentir atraído por alienação ou mesmo pelo relativismo de nosso século mundanista”!
    Idem, por um outro sacerdote dessa mesma paróquia que recentemente se tornou bispo e, com esse numa discussão sobre alguns procedimentos do papa Francisco, espumou nos dois cantos da boca muito visivelmente, além de ostensivamente bastante irritado!
    Dessa forma, enquanto ele mais subia agastadamente o tom de voz, mais eu abaixava, mas com intrepidez, sem vacilos, não deixava de lhe contar o que se vê dele, fala por si mesmo e se escreve de incoerências e possíveis heresias do papa Francisco e, da boca dele, repito, saía algo muito perceptível – como uma espuma esbranquiçada, sempre aumentando e me deixou por ter outros compromissos para realizar e não poderia se prolongar!…
    Seria um expressão externa de ódio de eu abrir-lhe os olhos e tentar ele deixar de defender o indefensável concernente às mefistofélicas ideologias das esquerdas-maçonaria-Nova Ordem Mundial e o mix de religiões preparados para o vindouro Great Reset e a entrega total desse mundo amaldiçoado, imerso nos pecados, impenitente e amante do paganismo do anticristo por vir?
    * https://www.facebook.com/watch/?v=1262475620483915

  3. “Contudo, apesar dos escândalos sexuais, apesar da difusão do homossexualismo clerical, apesar dos sacerdotes que prevaricam com mulheres ou por razões financeiras, apesar do inverno de uma geração de padres sem Fé e sem devoção, apesar de uma Igreja que ameaça desaparecer em algumas partes do mundo, apesar do esquecimento de Deus em todo o ocidente, qual é a preocupação de Francisco?”

    Com o clero ‘não-rígido’ da Alemanha e de terras tupinambás não há preocupação.

    O ‘papa herético’ não é mais apenas uma hipótese teológica.

  4. Recentemente, estava conversando com um padre com décadas de ordenação, que afirmava que Lutero era santo (com base em Anselm Grün), pois denunciou as verbas de indulgências, que há muitos protestantes santos, que a doutrina católica em tempos de crise deve ser adaptada, que o importante é a pessoa buscar a verdade (em Cristo e na palavra, lembrando-se quase que no susto que para os católicos há também os sacramentos), não devendo dar grande valor aos dogmas e a infalibilidade papal (quando questionado sobre a excomunhão dos comunistas, como os teólogos da libertação), dentre outras frases heréticas, como “havendo desejo do homem e da mulher em ter um relacionando centrado em Jesus, já existe matrimônio, não ofendendo a vontade e Deus.

    Padre de uma diocese onde impera a TL e o Lulismo.

  5. Também li sobre esse tempo final do “summorum Pontificum”, pelo que se sabe, seria um retorno ao indulto – com autorização prévia do bispo [como no motu proprio Ecclesia Dei], ou do Vaticano – com tudo o que isso implica, ou seja, uma reintrodução do a proibição da celebração segundo o Missal de João XXIII, tantas recusas de autorizações e a guetização, na prática, dos sacerdotes e fiéis apegados ao rito antigo.

    Essa obstinação do clero desde João XXIII de modificar tudo e só dar corda ao progressismo é chocante. Parece uma cegueira espiritual. Agora, eu, um simples leigo, falar assim, soa até mesmo arrogante. Uma coisa é certa: Deus é o senhor do tempo, da história, da Igreja. Nada foge do seu controle e autorização, um dia essa farsa acaba.

    • “Um dos mais terríveis sinais da cólera divina dá-se quando, em punição de nossos pecados precedentes, ela nos entrega a nosso sentido reprovado, de modo que ficamos surdos a todas as sábias advertências, cegos às visões de salvação que nos são mostradas, prontos a crer em tudo o que nos perde, desde que isso nos afague” (Card. Billot, “La Parousie”, p. 50-51).

  6. Celibato é uma escolha, e não uma imposição. A partir do momento que um sacerdote opta pelo não-celibato e/ou pelo não-voto de castidade, nada mais prudente que tornar-se um bom leigo católico, agindo honestamente consigo mesmo, com a Igreja e com o povo de Deus.

  7. Como seminarista, eu fico pensando por quanto tempo poderei permanecer no seminário. Quem sabe, colocarão à prova a “rigidez” dos seminaristas e, então, cairá minha máscara de “bom”. Temo que minha rigidez não me permita dobrar (mais do que me tenho dobrado) a ponto de alcançar o chão sujo em que muitos clérigos e seminaristas estão deitados. Vou quebrar no procedimento. Mas, pode ser que tal coisa não aconteça. Afinal, nem todas as dioceses podem abrir mão das poucas vocações que ainda existem…

    Em todo caso, seria mais fácil se eu fosse como outros seminaristas que conheço: que chamam a si mesmos de “viado”, sem qualquer pudor, e não pensam em nada mais do que a doce vida da casa paroquial…

  8. Salve Maria!

    Infelizmente estamos vivendo e vendo o fim da Igreja Católica Apostólica Romana, tudo que foi construído a dois mil anos esta sendo jogado no lixo, e o que se faz? Nada! Sacerdotes conservadores, tradicionalistas, ou mesmo fieis a crença do celibato e na espiritualização de Nosso Senhor Jesus Cristo, estão, como se diz no modernismo, fora de moda. O Papa Francisco e seus seguidores do mal não querem salvar as almas do inferno, mas leva-las para la, pois são cria do anti-cristo, da besta.

    A questão é saber até onde se vai com essa destruição, será que haverá tempo para salvar a Igreja e os poucos fieis que ainda lutam por ela, confesso que não acredito mais nisso. Hoje, católicos verdadeiros sofrem a procura de igrejas e missas onde o sacerdote é verdadeiramente homem de Deus, esposo fiel da Igreja, onde o Santo Sacrifício da Missa é celebrada de forma piedosa, e não importa que seja no Rito Extraordinário ou no Rito Ordinário, mas piedosa, com zelo, respeito ao sagrado, sem ofensa e humilhações a Nosso Senhor Jesus Cristo.

    Santidade não se improvisa, o tempo de crer é agora. Chegara um tempo, que acredito ser agora, que não teremos mais missa, pois o que vemos em grande parte das Igreja, não é missa, é profanação, é show, é ritual pagão. Nestes fim de tempo, a eucaristia passou a ser perseguida, logo, logo teremos que agir como antigamente, quando era preciso celebrar o Corpo de Cristo clandestinamente nas catacumbas. Só esta faltando nos proibir de celebrar a verdadeira Santa Missa.

    Estamos muito próximos do fim dos tempos, padres verdadeiros e o povo de Deus, que ainda acreditam na Igreja Católica estão sendo acuados e impedidos de falar a verdade sobre a Palavra de Deus. É chegado a hora de lutarmos, de ajoelharmos, rezar, alimentarmos com a verdadeira Palavra e da Santa Eucaristia.

    SI VIS PACEM PARA BELLUM!

    Louvado seja Nosso Senho Jesus Cristo,
    para sempre seja louvado
    e sua mãe Maria Santíssima.
    Salve!

    • “A questão é saber até onde se vai com essa destruição, …”
      Não vão a lugar algum. Estão fora da Igreja, porém intramuros Vaticano.
      A verdadeira Igreja de Cristo permanece em seus fiéis embora acéfala, quase presbiteriana, aguardando a ação de Cristo, seu verdadeiro chefe.
      Rezamos, pois.

  9. Bergoglio faz parte da trupe comunista “alla Dilma”.
    Não é capaz de articular uma frase com clareza ou, quando o faz, demonstra o seu completo desconhecimento do assunto.