“Preso ou morto”. A renúncia frustrada do Cardeal Marx.

Ao analisar situações político-eclesiásticas, precisamos considerar todos os pontos de vista em questão e ponderar o que possa haver de verdade neles. No artigo abaixo, que traduzimos na íntegra, o autor analisa a situação da renúncia do cardeal Marx e deixa entrever a malícia do Papa Francisco na manobra de toda a situação.

Por Caminante | Tradução: FratresInUnum.com, 15 de junho de 2021 – Já antes da publicação da carta-resposta de Francisco confirmando-o em sua arquidiocese, muitos diziam que a renúncia não passava de uma mise-em-scène, destinada unicamente a provocar a renúncia do arcebispo conservador de Colônia.

Porém, as coisas não se contradizem. Pelo contrário, o maquiavelismo de Bergoglio fica ainda mais evidente quando se colocam em perspectiva todas essas eventualidades que, ao fim e ao cabo, apenas solidificam o seu poder, em detrimento de tudo que ele diga ou faça.

Realmente, quanto mais passa o tempo, mais fica evidente que os europeus não estão preparados para lidar com este nível de maquinação, com um papa jesuíta, argentino, peronista e progressista até o último nível.

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Contam que quando o arrecadador de rendas do presidente Néstor Krichner, prevendo futuras complicações, apresentou à viúva Kirchner a sua renúncia, recebeu como resposta a seguinte advertência: “Não se renuncia a mim. Daqui você sai preso ou morto”. Muito antes, quando um atribulado ministro de Perón fez o mesmo por causa de uma queima de Igrejas, o general mandou dizer-lhe, através do seu assistente: “Renuncia-se ao general apenas quando ele o pedir”. Os césares mandavam aqueles que caiam em sua desgraça que se suicidassem, os peronistas lhes proíbem de renunciar e lhes obrigam a suicidarem-se lentamente. A perversidade do poder tem múltiplas formas.

Bergoglio seguiu a tradição peronista, uma vez mais, rechaçando a renúncia do cardeal Marx. A jogada, na verdade, é uma contra-jogada maquiavélica, muito mais maquiavélica que a do inocente alemão. Com efeito, Marx, com sua renúncia, buscava candidamente duas coisas: escapar do rol necessariamente disciplinador do Sínodo que o seu cargo lhe impunha; e ficar livre como um civil a mais para poder agir em favor da rebeldia sinodal, e livre como um cardeal (ele não renunciou a isso) para armar o seu jogo de poder em Roma. Um príncipe do povo por direito próprio nessa grande queda-de-braço entre Alemanha e Roma, entre a máfia teutônica e o portenho e seus laterais. Com este simples golpe, Bergoglio desarma Marx, tira-lhe a sua principal arma (já não poderá ameaçar com a renúncia) e força-o a alinhar-se com Roma ante ao Sínodo. Marx ficou neutralizado, debilitado, esvaziado. Com que cara poderá representar os revolucionários, ele, que foi ratificado pelo próprio papa? Com um só golpe certeiro, Bergoglio matou Marx e deixou um zumbi em seu lugar. E não vejo o alemão insistindo com a sua renúncia, não ficou nenhuma margem para isso, ainda que seria interessante ver como lhe responderiam e como isso iria terminar. Preso ou morto. Porque, além disso, as denúncias que seriam o presumido motivo da sua resignação, continuam vigentes e em curso.

Que não nos engane o tom aparentemente melífluo e confiante da carta. É tal a humildade e mansidão que transmite, que o seu autor se compara com Jesus Cristo ao mesmo tempo em que crava a espada da missão suicida no pobre Marx: “E esta é a minha resposta, caro irmão. Continua como propões, mas como Arcebispo de Munchen e Freising. E se tiveres a tentação de pensar que, ao confirmar a tua missão e ao não aceitar a tua demissão, este Bispo de Roma (teu irmão que te ama) não te compreende, pensa no que sentiu Pedro diante do Senhor quando, do seu modo, apresentou-lhe a renúncia: ‘Afasta-te de mim, que sou um pecador’, e escuta a resposta: ‘Apascenta as minhas ovelhas’”.

Deve-se reconhecer em Bergoglio, vazio de pensamento como é, profissional frívolo, um mestre dessas “pequenas astúcias”, como dizia Kafka, muito bem meditadas e preparadas. Como uma aranha pensativa, tecerá todas as intrigas possíveis para confundir os filhos de Armínio e evitar que se discuta o seu poder. Podemos antecipar uma guerra realmente espetacular, cheia de trapaças, chicanas e jogos sujos, e, se a biologia o acompanha, uma vitória de Francisco sobre o ingênuo episcopado progressista alemão, que terminará desaguado em um recôncavo de lugares comuns e platitudes que escamoteiam, temas que se não poderão impor, modulados por Marx e outros zumbis. Em politicagem não vão ganhar dele. E o cisma é filho da malícia, não da heterodoxia. Não são inimigos para o compadre de Flores, êmulo de Juan Perón e de Néstor Kirchner.

8 Comentários to ““Preso ou morto”. A renúncia frustrada do Cardeal Marx.”

  1. Q plano horroroso !
    Deveria aceitar a renuncia a Igreja está uma esculhambação!
    Volta Jesus !!

  2. Sabe com quem está lidando, não? Então aguente o tranco, Cardeal Marx!
    O que acontece em muitas ocasiões é que boa parte do clero alemão foi para o brejo, e os exemplos de apoios à causa LGBT do papa Francisco seriam patentes – como aos homossexualistas Pes James Martin, Rosica etc. e a parelhas laicas a rodo, posando ao lado delas; no “quem sou eu para julgar”, até aí correto, porém, sem a imprescindível menção que “os comportamentos sodômicos são gravemente pecaminosos” e dirimiam-se, por tal restrição, todas as dúvidas!
    Evidente que parte do clero alemão apoiado no cardeal Marx e idem, levam atrás de si diversos adeptos de heterodoxias contidas no anti natural, diabólico e heterodoxo GLBTismo, cujos procedimentos sodômicos até o diabo detesta – outrora, antes da expulsão dele e de suas falanges comparsas do Paraíso Celeste foi bom – poderiam ser hoje até um de nossos anjos custódios, quem sabe?
    Portanto, nitidamente reconhece o demonismo contido nesse tipo de procedimento recém lançado no mercado pelo clero germânico associado aos insensatos planos dos mefistofélicos globalistas apoiando “abençoar” as endiabradas uniões ilícitas sodomitas, acrescentando mais heterodoxias e polêmicas ao que já era em matéria de confusão, dúvidas e repleto de intenções anti católicas, às tradicionais, conforme os incontestáveis ensinamentos de N Senhor Jesus Cristo, desde os primórdios do vétero cristianismo tradicional, enquanto esses visam sabotar a doutrina da Igreja por esses péssimos exemplos de rebeldia à fé católica por bandos de paranóicos, sob a batuta do acuado por ora Cardeal Marx!
    Se refizermos a sombria e nefasta trajetória anterior da Alemanha, aí eclodindo o pró globalista protestantismo, causador do maior racha existente na Igreja, talvez pior que Ário; seus rastros estão nas quase 30 000 heréticas, relativistas e alienantes seitas protestantes-maçonaria – fora as de fundo de quintal indenomináveis – nas quais, em todas elas, cada um é seus pastor e guia espirituais!
    Em S Paulo, fundam 5 novas seitas ao mês – mais nas periferias – cada qual mais verdadeira que a outra!

  3. Por maquiavélica que pareça a manobra do Papa Francisco, mas a manobra sobre o Cardeal Reinhard Marx funcionou, segundo o que eu entendi do artigo, para esvaziar o ímpeto cismático da seita localizada na Alemanha com o seu caminho sinodal. Fratres in Unum gosta muito de se opor ao Papa Francisco e assim traduz e publica aqui em seu site artigos desrespeitosos ao Papa Francisco ao chamá-lo de “Bergoglio”.

    • Desrespeitoso pq? O nome dele não é Jorge Bergoglio? Muito mais desrespeitoso (e doentio) é o conjunto da obra bergogliana que segue à risca a de seus predecessores na pertinácia em promover a demolição da Fé Católica.

    • Caro João Emiliano, o Papa Francisco não é nem de longe o bom papa que você crê. Visitei seu blog e vi rapidamente o amor que você sente pela Igreja e sua identificação pleníssima com ela, o que é de louvar.
      No entanto, Francisco Bergóglio não ama a Igreja, mas sim trabalha para demolí-la, dar-lhe outro caráter, outra essência, diferente de sua própria essência, idêntica a si mesma por 20 séculos. Por isso não granjeia simpatia e nem obediência por parte de quem o reconhece como um demolidor, um mau papa, apesar de reconhecer seu múnus e sua autoridade— autoridade da qual abusa abertamente para a consecução dos seus fins anticatólicos.

      Quanto ao “quem sou eu para julgar…”, ele não estava se referindo ao homem de tendência torpe que busca a graça para fugir do pecado; antes, ele deixou isso em aberto, não terminou a sentença. Para o mundo que jaz no pecado foi um prato cheio, e para bom entendedor “meia frase basta”. De resto, ele tem implementado políticas, feito gestos, nomeado pessoas abertamente pró-sodomia para cargos importantíssimos, isto é: Francisco não está a favor do homem que tem atração pelo mesmo sexo que leva vida reta, ele está a favor daquele cujo pecado brada aos céus por vingança. Logo, caro moço, ele está jogando contra. Contra Deus e contra os homens em geral, e contra os homossexuais em particular, o que não é pouco.
      Desejo-lhe tudo de bom em sua vida. Que o Bom Deus o abençoe com todas as graças, pois você mostra ser um amante da Verdade, que é Cristo mesmo: caminho, verdade e vida.
      SM.

  4. O Elmo fez um comentário que é uma mixórdia das críticas da direita ao mundo em que vivemos e ainda mostrou que até hoje não entendeu o que o Papa quis dizer quando disse que quem seria ele paga julgar um homossexual de boa vontade que busca o Senhor. Ora, um tal homossexual é uma pessoa justa e que recuperou a própria inocência, como ensinava Santo Antônio de Lisboa e de Pádua quando alguém vai ao confessionário para buscar o sacramento da penitência. Sendo assim, quem é qualquer um de nós, até mesmo o Santo Padre, para julgar uma pessoa penitente e arrependida, que reconhece a malícia e fealdade do pecado, no caso, o pecado homossexual? Para tal pessoa não há lei, diz a Bíblia Sagrada, porque em tal pessoa habita o Espírito Santo no qual há a liberdade, a lei é para os contumazes no mal.

    • Não sou político, J Emiliano, nem partidário e, às eleições escolho os menos ruins – jamais os partidos comunistas e seus aliados como o PT de Dõ Ratão Lula, PDT Ciro, PSDB-FHC, PSB etc., pois elegê-los e seus candidatos incorre em pena de excomunhão latae sententiae – além de os martelo e foice serem serviçais, capachos da oculta Alta Maçonaria, mas, apenas sou anti relativista, como contra os partidos social-comunistas-maçonaria, assim como aos travestidos de Altos Hierárquicos, tipo cardeais Marx, Schenberg etc., que primam por infiltrar a Igreja, cometerem crimes contra a fé a suposto mando da maçonaria para confundir os desavisados católicos, confundindo-os mais!
      Assim agindo, arrefecem-nos, dispersam-nos, caem no deísmo, na apostasia ou bandeiam para as multiformes heréticas seitas protestantes – como tanto sucede – ou às religiões orientais, como à Yoga, Reiki, Seicho-no iê, ou ao totalitarista Islã aliado dos comunistas etc., menos o Islã da deusa lua Alah do céu Nirvana e todas demais são gnósticas, panteístas e reencarnacionistas e de fundamentações humanas e conhecemos seus humanos fundadores, como Buda, Maomé e outros.
      “Os deuses dos gentios são demônios”. Sal 90,5
      “Alguns papas Deus manda, outros Ele tolera e outros nos inflige por castigo” – S Vicente de Lérins. Discerna isso e verifique também se o fratres está destratando o papa Francisco por discordar deles por certas ações, como anteriormente no apoio aos pagãos do PC chinês de “sagrar” bispos; pode um disparate desse e a permissão na obscuridade do tratado entre as partes? – Mau sinal – e dessa forma, porque ocultar o conteúdo aos católicos?
      O contestado por vários, Olavo de Carvalho, disse que o papa Francisco seria “o homem da Nova Ordem Mundial” após os famosos episódios da “Pátria Grande” dos esquerdas e do “crucifixo” de Evo Morales!
      V tem lido os comentários de D Viganò a respeito do papa Francisco? Até hoje esse não respondeu a seus diversos interlocutores sobre as dubia, a outros casos e cair em supostas heresias – despreza-os por não poder contra argumentar – o que pareceria!

  5. Teotônio de Tal, não é Francisco (Jorge Mário Bergoglio) considerado um legítimo sucessor de São Pedro? Então, a ele é devida a vênia, conforme diz o cânon de número 212, § 1º, onde está escrito que os fiéis devem o devido respeito aos sagrados pastores, muito mais ao Santo Padre, o Papa. Agora, se é para ser contra o que os papas dos últimos 59 anos desde o início do Concílio Vaticano II, é melhor romper de uma vez com a Igreja pós-conciliar que é evidentemente muito errada e ser logo sedevacante.

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