A hora da resistência chegou! Não retrocederemos jamais!

Por FratresInUnum.com, 16 de julho de 2021 – Hoje, festa de Nossa Senhora do Carmo, o papa argentino deu um golpe contra o tesouro mais precioso para os fiéis católicos de todo o mundo: a Santa Missa na até então chamada forma extraordinária do rito romano — para nós, a Missa de Sempre!

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Contudo, precisamos fazer uma análise mais profunda para entendermos que a situação não é tão favorável para a revolução como parece, a um primeiro olhar.

Antes de tudo, é necessário lembrarmos que a Missa de Sempre estava produzindo resultados pastorais impressionantes em diversas partes do mundo, especialmente notados nos Estados Unidos. As missas modernas estavam numa queda vertiginosa de frequência, enquanto as missas tradicionais não paravam de crescer. Em outras partes do mundo, fenômenos similares estavam bastante bem difundidos.

A medida extrema de Francisco, que vai na contramão de tudo que se pudesse esperar da sinodalidade que ele tanto apregoa, é um sinal desmedido de força, que não convinha para ele tomar de nenhuma maneira: seria muito melhor que as missas conciliares estivessem abarrotadas e que ninguém precisasse recorrer ao Summorum Pontificum; seria muito mais confortável que os padres jovens não quisessem celebrar e que os fieis não tivessem alternativa senão procurar os padres mais velhos. Entretanto, foi o cenário oposto que se impôs diante de todos: além de fecunda, a Missa tradicional é objeto de interesse do clero mais jovem, enquanto o clero progressista é praticamente um fenômeno de museu, reservado aos mais velhos dentre os velhos — ambos, portanto, com prazo de validade próximo de seu termo.

A atitude traiçoeira de Francisco provoca um enorme déficit em sua figura, pois, mesmo entre os tradicionalistas, ainda existia quem abraçava voluntariamente a mordaça que lhes impedia ver quem é realmente Jorge Mario Bergoglio. Agora, o papismo romântico acabou — salvo aos que sofrem de síndrome de Estocolmo e estarão sempre prontos a justificar seus algozes — e não haverá alternativa senão reconhecer que estamos diante de um verdadeiro inimigo da Igreja, de alguém cujo ódio a tudo aquilo que é sagrado é a alma mesma de todos os seus gestos e palavras.

Papa Bergoglio, com o seu gesto, não quer apenas provocar uma divisão, mas pretende sobretudo forçar os fieis católicos a um cisma, não se importando nem com as suas almas nem muito menos com a sangria que pode produzir no tecido eclesial. Ele quer empurrar os católicos tradicionais para o que qualificam de grupos dissidentes, a fim de manter a hegemonia sobre o corpo dos fieis e a hostilidade para com guetos. Inclusão? Só para o erro. Silenciando males como a adoração da Pachamama, a bênção de parceiros homossexuais ou a intercomunhão para luteranos, Francisco elege o tradicionalismo como pecado capital e atira os bons fieis a uma excomunhão prática; ou seja, ainda que não de direito, de fato, pois os obriga à clandestinidade.

Existem alguns sites e blogs situacionistas, cleaners, histéricos, movidos por pessoas que querem sempre defender Francisco até dele mesmo, que, no caso do presente Motu Proprio, estão dizendo que o Papa teve de fazer uma correção por causa dos erros dos tradicionalistas.

Ora, tais afirmações não passam de argumentos canalhas, são a inversão completa da relação agressor-vítima: as maiores vítimas, no caso, são os grupos tradicionalistas, são os fieis leigos que padecerão esta privação. Culpá-los por isso é apenas sintoma de cafajestagem. Francisco não se importa em ter de comportar-se como um ditador! Foi para o lixo a sua sinodalidade!

Foi para o lixo, também, a tal hermenêutica da continuidade, defendida tão vorazmente por conservadores e ratzingerianos em geral. Ele tacitamente confessa, em sua carta aos bispos, que as duas missas representam duas doutrinas diferentes, a doutrina do Concílio dogmático de Trento, infalível e perene, e a doutrina do Concílio pastoral Vaticano II, que, apesar de não ter proclamado dogmas ou anátemas, tornou-se um superdogma que produziu um super-anátema contra todo o povo verdadeiramente fiel.

Francisco, num clericalismo extremamente rígido, apoia-se nos bispos para impor seu restauracionismo da mais completa apostasia pós-conciliar. Acuse-os do que você faz!

Trata-se de ruptura, mesmo. Ruptura explícita e confessa. Trata-se de uma nova religião, que não deve e, sobretudo, não pode aceitar a doutrina antiga nem a missa que a encarna.

Mesmo tristes, precisamos encontrar motivos para a esperança no meio deste caos, pois a Providência Divina quer a salvação das almas e não pode permitir que a sacralidade da doutrina de sempre, dos sacramentos de sempre e, especialmente, da Missa de Sempre, seja emprestada para aqueles que vivem para destruir a Fé.

No entanto, mesmo para estes que estão no topo da hierarquia eclesiástica, a situação é muito pouco cômoda, por vários motivos, dos quais vale a pena salientar dois.

Em primeiro lugar, a Providência Divina permitiu que Bento XVI dissesse em Summorum Pontificum a mais importante de todas as verdades: a Missa de Sempre “nunca foi ab-rogada”. Mesmo como “forma extraordinária”, nunca foi, em si, ab-rogada. Em outras palavras, Deus sabia que chegaria o dia que alguém quereria fechar esta porta e encontrou um modo para deixá-la sempre aberta. Pois, “aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial”.

De fato, mesmo com Summorum Pontificum, a maior parte dos bispos não permitiu o reconhecimento de grupos para a celebração segundo a forma extraordinária nem autorizou a ereção canônica de paróquias pessoais. A situação, agora aparentemente legal, já era antes ilegalmente vivenciada pela maior parte dos fieis que solicitava a Missa tradicional.

Por que é que os bons padres, agora, irão se render a um abuso de autoridade como estes? Se os bispos não obedeciam Summorum Pontificum, por que os padres agora obedecerão Traditionis Custodes? Celebrem a Missa de Sempre! Ela nunca foi ab-rogada e não pode sê-lo!

Em segundo lugar, porém, há algo realmente muito mais importante. Na época em que se escreveu o Motu Proprio Ecclesia Dei afflicta, o fenômeno do tradicionalismo estava muito mais circunscrito aos grupos ligados à FSSPX ou dela dissidentes. Agora, especialmente após Summorum Pontificum, o tradicionalismo se tornou um fenômeno de massa e, por assim dizer, incontornável.

Não se pode enganar a todos, sobre todas as coisas e por todo o tempo. E, atualmente, os fieis estão mais do que nunca conscientes dos desvios conciliares e do fato de que a Missa de Paulo VI não é apenas endemicamente problemática do ponto de vista doutrinal, mas que é profanada pelos próprios progressistas o tempo todo. Quem jogou no lixo a liturgia reformada não foram os fieis tradicionalistas, mas foram os próprios reformadores. Este é um problema insolúvel.

Insolúvel também é o fato de que agora os fieis sabem muito bem o que se lhes está sonegando, não são mais aqueles católicos desinformados dos tempos do Vaticano II, inocentes e impotentes diante do clero revolucionário. A atitude autoritária de Francisco não pode falsificar a realidade por inteiro e mediante a imposição mudar aquilo que os olhos dos fieis estão enxergando claramente.

Agora, fica ainda mais claro que é preciso protestar, que é necessário erguer a voz, que precisamos nos organizar, que chegou a hora de dizermos “não” a esta revolução maldita cuja liderança foi assumida por este pontificado, que isso não é e nunca foi catolicismo, que queremos a nossa religião de volta, que não aceitamos nada disso e que não irão nos calar.

Esta é a hora da resistência! Não podemos retroceder. A Santa Igreja precisa de nós e, com ou sem o Motu Proprio Summorum Pontificum, iremos mostrar a todos que é chegada a hora de conservamos tudo aquilo que este clero podre e este papa péssimo se propuseram a destruir. Podemos falar isso sem escrúpulos e sem medo, pois quem tirou as nossas mordaças e as vendas de nossos olhos foi ninguém menos que o papa:

“Por muito tempo me calei; estive em silêncio, e me contive; mas agora darei gritos como a mulher que está em parto” (Isaías 42,14).

15 Comentários to “A hora da resistência chegou! Não retrocederemos jamais!”

  1. Não podemos nos calar …
    Os católicos de verdade precisam gritar ..
    Queremos a missa de volta …
    Aí os absurdo dos abusos litúrgicos pode… macumbas…ritos anti católico…missas afro …
    Oferendas, uma mistureba ..
    Aí os tradicionalistas e que estão errado ???

    Avante irmãos não nos calarão!
    Cisma puro na Igreja !

  2. Bom texto. Mas a hora já está presente a muito tempo. A mais de 50 anos, quando Mons. Lefebvre resistiu, essa necessidade se mostrou necessária. Mas como Tradicionalista paciente, darei boas vindas a todos os atrasados. Lutemos pela Fé!!!

  3. Em 1993, na sagração “ilícita” de dom Licínio Rangel, o padre Fernando Rifan faz menção a todos os grupos tradicionais presentes à cerimônia. O vídeo está no abençoado You Tube, meio que utilizo para me unir à verdadeira Missa e fazer minha comunhão espiritual aos domingos e dias santificados.

    Os 4 Bispos sagrados por dom Antônio e dom Lefebvre estavam lá juntos, criando o quinto Bispo. Então minha gente, não vejo hora melhor para a união dos defensores do Santíssimo Sacramento. A guerra começou! Não vejo melhor hora para dom Fellay, dom Galarreta, dom Mallerais pedirem perdão a dom Williamson, a dom Faure, a dom Tomás de Aquino e a dom Zendejas e travarem a aliança pela Hóstia e pela Virgem! E todos os sacerdotes que celebram a legítima Missa romana que um dia se iludiram com “acordos” e “indultos”. Se Bergoglio é papa ou não pouco importa, importa fazer-lhe frente, importa PARÁ-LO.

    “Traditiones Custodes” me animou a um propósito não tão difícil de cumprir: nunca mais pisar numa “missa” de Paulo VI.

  4. Eis a nossa luta, nossa entrega, nossa mortificação. Louvado seja o NSJC por nos permitir passar por tribulações. Serão difíceis, mas serão frutíferas em graça, perseverança, Fortaleza, confiança e mansidão.

    Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita, doutora da Igreja
    O Caminho da Perfeição, cap. 32

    Cumpra-se em mim, Senhor, a Vossa vontade de todos os modos e maneiras que Vós, Senhor meu, quiserdes. Se quereis com trabalhos, dai-me esforço e venham; se com perseguições e enfermidades e desonras e necessidade, aqui estou, não voltarei o rosto, Pai meu, nem é razão para voltar as costas. Seria indigno de mim recuar. Pois Vosso filho Vos deu esta minha vontade dando-Vos a vontade de todos, não é razoável que falhe por minha parte; mas sim me façais Vós mercê de me dar o Vosso Reino para que eu possa fazê-lo, pois Ele mo pediu, e disponde em mim como de coisa Vossa, conforme a Vossa vontade.

  5. “Muito tempo guardei o silêncio, permaneci mudo e me contive. Mas agora grito, como mulher nas dores do parto; minha respiração se precipita. Is 4214.
    Quanta diferença daquele papa Francisco de outrora, cujas palavras que soavam transcendiam misericórdia, tolerância e compreensão, até mesmo para com as diversidades, as quais saíam de seus lábios a todos os instantes inicialmente e, posteriormente passar para uma outra fase quase completamente destoada da atual, algo parecido com impostura de adesão a situações litúrgicas inimagináveis, como a insólita exaltação ao repugnante excomungado e arqui heresiarca “Lutero, testemunho do Evangelho”, entronizá-lo, postando sua imaginável e proibitiva presença de seu simulacro, além da terrífica e assombrosa entronização da pagã deusa índia-diaba Pachamamma, ainda seguindo seu séquito, ambos sucedidos em pleno Vaticano!
    Agora, vem com essa: praticamente obstruir a celebração da S Missa de S Pio V, a qual ratificou como vetável a qualquer tipo de mudança ou novidades acrescida ou lhe subtraída, exatamente na língua sagrada da Igreja, o latim, cuja recitação de preces nesse idioma o diabo detesta – acaso vamos conceder-lhe sem relutar a mais essa benesse?
    Não. A perseverante e recorrente resistência e pressão impulsiona que alguém mude forçosamente de posicionamentos inadequados!
    Vamos nessa? Claro que sim! Não adianta entrar a favor dele anuente a direção da CNBB-TL-PT!

  6. E agora o que será dos institutos tradicionais sob os “cuidados” do sanguinário Braz de Avis? Mudará algo no apostolado da Administração Apostólica? Algum deles já se pronunciou?
    Se o novo documento proíbe a celebração da missa tridentina nas igrejas paroquiais, como ficarão, por exemplo, as missas da paróquia São Filipe Neri dos Oratorianos?

  7. O diabo tira aquilo que promete, e Deus dá aquilo que te pede. Não usemos das coisas de Deus para feri-lo com nossa desobediência, mas conformemo-nos com a Sua vontade.

    Se ele fere, Ele cuida da ferida.

  8. A realidade, por conseguinte, mostra que não existe Igreja tradicionalista, católicos tradicionalistas ou coisa que o valha.
    O catolicismo é um só e vem desde Cristo. Cristo não pregou para uma região, mas para o mundo e fez dos seus apóstolos a sua continuidade universal. Cristo, mesmo sendo judeu, pregou para ser católico ou universal e não para dar continuidade ao judaísmo, ficar enclausurado na Palestina ou somente num povo.
    O catolicismo não foi uma diáspora mas a saída para o mundo e assim é. Cristo é imutável.
    O que vemos hoje, sob o comando de Bergoglio é apenas comunismo não somente na sua acepção original, de tornar tudo comum, mas também na sua concepção aceita mundialmente de ditadura, morte, destruição e mentiras.
    Ora, Bergoglio não irá a lugar algum como já não está indo mesmo.
    Seu papado títere da ONU é um fracasso visível a todos os católicos, mesmo para os seus excomungados de esquerda que, em desespero, tentam de todas as formas recuperar terreno.
    A missa tridentina continuará e chegará o dia em que o CV II não passará de uma sigla histórica porém esquecida dentro da própria Igreja.

  9. Estariam todos os grupos tradicionais dispostos a se unirem? Está claro que não poderão converter os apóstatas do CVII.

  10. Imagine que o papa de repente decidisse acabar de vez com a bíblia, declarando-a interessante, mas que fosse “uma coleção de lendas”, como dizia Monteiro Lobato em um de seus livros para crianças… Terrivel, sem duvida alguma! Pois não é nem um pouquinho diferente do que o Papa Francisco fez! Declarou que a oração OFICIAL da Igreja é o NOM e que a forma tridentina é só uma “licença para alguns saudosistas”. A missa de sempre, junto com a doutrina católica é o patrimônio espiritual da Igreja. Não pode jamais deixar de existir, da mesma forma que a própria Igreja Católica não pode socumbir na tempestade do mundo! Francisco é sem dúvida alguma um agente de satanás dentro da Igreja! Ele e todos os que estão de acordo com ele!

  11. Caros Fratres;

    Sinto como “voltando no tempo”, ao período após a promulgação da missa nova, de Bugnini, em que fomos “convidados a rezar APENAS a missa conciliar”…
    Em parte, fico a imaginar como se comportarão tantos jovens sacerdotes que serão privados de dar a Missa Católica e, muito pior, dos pobres fiéis que uma vez mais ficarão sem tê-la em suas paróquias…
    É neste momento que perceberemos aqueles que têm Fé e são realmente fortes, separando-os daqueles que buscavam apenas as “pomposas celebrações”. Dividiremos aqueles que por convicção continuarão a Celebrar o Santo Sacrifício da Cruz em capelas privadas, nas zonas rurais, ou até mesmo em capelas fúnebres, em cemitérios, como este velho Sacerdote teve que fazê-lo por alguns anos, até ser “aposentado” pelo bispo conciliar…
    Neste momento veremos aqueles que buscavam paramentod todos dourados e brocados, com bordados que celebram mais o gosto duvidoso que a sobriedade da Liturgia Romana, a voltar à casula gótica – mesmo assim, tão brilhante como um destaque de escola-de-samba, mas, celebrando a missa de Bugnini… Apenas para “servir o povo de Deus” (ou seria ao servilismo e carreirismo?)
    Veremos aqueles que têm a força da Graça Divina de perseverar na Verdade e a paz oferecida pela Oração, que saberão buscar forças para continuar a oferecer o Santo Sacrifício da Cruz, como há milhares de anos a verdadeira Igreja de Cristo o faz, mesmo que isso lhes custe perseguição e incompreensão.
    Chegou o momento dos fiéis exigirem uma revisão deste malfadado concílio e de suas nefastas consequências. Ou então, ficar choramingando às escondidas… que tomem a peito os destinos da Igreja, que novamente “dorme Católica e desperta ariana”, como dizia Santo Atanásio!
    É momento de Oração, força e coragem!
    Aqueles que passamos por isso há mais de 50 anos atrás e, sucumbimos em nome da obediência, esperamos a força das novas gerações!
    Que o Coração de Jesus nos conceda novos Mons. Lefebvre e Dom Antônio, com a força de leões e a docilidade de cordeiros que se apresentam ao matadouro!
    Chega de pusilanimidade.
    Que o Bom Deus tenha misericórdia de nós!
    Coração Imaculado e Doloroso de Maria, rogai pela Igreja!

  12. Todos os fiéis que queiram a Missa Tridentina receberão assistência dos padres tradicionalistas, de qualquer grupo verdadeiramente católico. É só combinarem os horários e os locais de Missa com os padres e os seus auxiliares. Ninguém ficará desassistido. Pelo menos uma Missa, digna desta palavra, qualquer fiel poderá participar pelo menos uma vez por ano, tal como ocorre em regiões afastadas onde os padres não conseguem se deslocar para celebrar toda semana. E cuidem de encaminhar seus filhos para os verdadeiros seminários!

  13. FiU:” a Missa de Sempre “nunca foi ab-rogada”. Mesmo como “forma extraordinária”, nunca foi, em si, ab-rogada. Em outras palavras, Deus sabia que chegaria o dia que alguém quereria fechar esta porta e encontrou um modo para deixá-la sempre aberta. Pois, ‘aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial’. (…) Por que é que os bons padres, agora, irão se render a um abuso de autoridade como estes? Se os bispos não obedeciam Summorum Pontificum, por que os padres agora obedecerão Traditionis Custodes? Celebrem a Missa de Sempre! Ela nunca foi ab-rogada e não pode sê-lo!.”

    Summorum Pontificum:</b:”Em algumas regiões, contudo, não poucos fiéis estavam apegados, e continuam a estar, com grande amor e afecto às formas litúrgicas anteriores, que tinham impregnado tão profundamente a sua cultura e o seu espírito que o Sumo Pontífice João Paulo II, movido pela solicitude pastoral para com estes fiéis, no ano de 1984, com o indulto especial «Quattuor abhinc annos» emitido pela Congregação para o Culto Divino, concedeu a faculdade de se usar o Missal Romano editado em 1962 pelo Beato João XXIII; mais tarde, no ano de 1988, ainda João Paulo II, com a Carta Apostólica «Ecclesia Dei», dada sob a forma de Motu proprio, exortou os Bispos a fazerem, ampla e generosamente, uso desta faculdade em favor de todos os fiéis que o solicitassem. (…) Art. 1. O Missal Romano promulgado por Paulo VI é a expressão ordinária da «lex orandi» («norma de oração») da Igreja Católica de rito latino. Contudo o Missal Romano promulgado por São Pio V e reeditado pelo Beato João XXIII deve ser considerado como expressão extraordinária da mesma «lex orandi» e deve gozar da devida honra pelo seu uso venerável e antigo. Estas duas expressões da «lex orandi» da Igreja não levarão de forma alguma a uma divisão na «lex credendi» («norma de fé») da Igreja; com efeito, são dois usos do único rito romano.

    Por isso é lícito celebrar o Sacrifício da Missa segundo a edição típica do Missal Romano, promulgada pelo Beato João XXIII em 1962 e nunca ab-rogada, como forma extraordinária da Liturgia da Igreja. As condições para o uso deste Missal, estabelecidas pelos documentos anteriores «Quattuor abhinc annos» e «Ecclesia Dei», são substituídas como segue:

    Carta de Bento: “Quanto ao uso do Missal de 1962, como Forma extraordinária da Liturgia da Missa, quero chamar a atenção para o facto de que este Missal nunca foi juridicamente ab-rogado e, consequentemente, em princípio sempre continuou permitido. Na altura da introdução do novo Missal, não pareceu necessário emanar normas próprias para um possível uso do Missal anterior. Supôs-se, provavelmente, que se trataria de poucos casos individuais que seriam resolvidos um a um na sua situação concreta. Bem depressa, porém, se constatou que não poucos continuavam fortemente ligados a este uso do Rito Romano que, desde a infância, se lhes tornara familiar. Isto aconteceu sobretudo em países onde o movimento litúrgico tinha dado a muitas pessoas uma formação litúrgica notável e uma profunda e íntima familiaridade com a Forma anterior da Celebração Litúrgica. Todos sabemos que, no movimento guiado pelo Arcebispo Lefebvre, a fidelidade ao Missal antigo apareceu como um sinal distintivo externo; mas as razões da divisão, que então nascia, encontravam-se a maior profundidade. Muitas pessoas, que aceitavam claramente o carácter vinculante do Concílio Vaticano II e que eram fiéis ao Papa e aos Bispos, desejavam contudo reaver também a forma, que lhes era cara, da sagrada Liturgia; isto sucedeu antes de mais porque, em muitos lugares, se celebrava não se atendo de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes consideravam-se como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável. Falo por experiência, porque também eu vivi aquele período com todas as suas expectativas e confusões. E vi como foram profundamente feridas, pelas deformações arbitrárias da Liturgia, pessoas que estavam totalmente radicadas na fé da Igreja. (…) Não existe qualquer contradição entre uma edição e outra do Missale Romanum. Na história da Liturgia, há crescimento e progresso, mas nenhuma ruptura. Aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial. Faz-nos bem a todos conservar as riquezas que foram crescendo na fé e na oração da Igreja, dando-lhes o justo lugar. Obviamente, para viver a plena comunhão, também os sacerdotes das Comunidades aderentes ao uso antigo não podem, em linha de princípio, excluir a celebração segundo os novos livros. De facto, não seria coerente com o reconhecimento do valor e da santidade do novo rito a exclusão total do mesmo.

    Universae Ecclesiae: “5. Diversos fiéis, tendo sido formados no espírito das formas litúrgicas precedentes ao Concílio Vaticano II, expressaram o ardente desejo de conservar a antiga tradição. Por isso o Papa João Paulo II, por meio de um Indulto especial, emanado pela Congregação para o Culto Divino, Quattuor abhinc annos, em 1984, concedeu a faculdade de retomar, sob certas condições, o uso do Missal Romano promulgado pelo beato Papa João XXIII. Além disso, o Papa João Paulo II, com o Motu Próprio Ecclesia Dei de 1988, exortou os bispos a que fossem generosos ao conceder a dita faculdade a favor de todos os fiéis que o pedissem. Na mesma linha se põe o Papa Bento XVI com o Motu Próprio Summorum Pontificum, no qual são indicados alguns critérios essenciais para o Usus Antiquior do Rito Romano, que oportunamente aqui se recordam. (…) 7. O Motu Proprio Summorum Pontificum é acompanhado de uma Carta do Santo Padre, com a mesma data do Motu Próprio (7 de julho de 2007). Nela se dão ulteriores elucidações acerca da oportunidade e da necessidade do supracitado documento; faltando uma legislação que regulasse o uso da Liturgia romana de 1962 era necessária uma nova e abrangente regulamentação. Esta regulamentação se fazia mister especialmente porque no momento da introdução do novo missal não parecia necessário emanar disposições que regulassem o uso da Liturgia vigente em 1962. Por causa do aumento de quantos solicitam o uso da forma extraordinária fez-se necessário dar algumas normas a respeito. Entre outras coisas o Papa Bento XVI afirma: “Não existe qualquer contradição entre uma edição e outra do Missale Romanum. Na história da Liturgia, há crescimento e progresso, mas nenhuma ruptura. Aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial.” (…) 19. Os fiéis que pedem a celebração da forma extraordinária não devem apoiar nem pertencer a grupos que se manifestam contrários à validade ou à legitimidade da Santa Missa ou dos Sacramentos celebrados na forma ordinária, nem ser contrários ao Romano Pontífice como Pastor Supremo da Igreja universal. (…) 25. No Missal de 1962 poderão e deverão inserir-se novos santos e alguns dos novos prefácios [9], segundo as diretrizes que ainda hão de ser indicadas. (…) 28. Outrossim, por força do seu caráter de lei especial, no seu próprio âmbito, o Motu Proprio Summorum Pontificum derroga os textos legislativos inerentes aos sagrados Ritos promulgados a partir de 1962 e incompatíveis com as rubricas dos livros litúrgicos em vigor em 1962.

    Pergunto: Francisco, então, não teria acabado de ab-rogar a Missa também enquanto extraordinária (justo por que, segundo ele, ao que parece, a Missa que per se má não é, é-o, sim, per accidens: anda a dar azo para que, instrumentalizada, usem-na como alavanca de uma rebeldia contra o Magistério; e, assim, nem de improviso essa extensão de derrogação para ab-rogação talvez possa ser aacusada…)? (“Art. 8. Le norme, istruzioni, concessioni e consuetudini [menção — quase — explícita ao indulto da Quo Primum?] precedenti, che risultino non conformi con quanto disposto dal presente Motu Proprio, sono abrogate…”)

    Concluo relembrando: Como para D. Mayer e D. Lefebvre o NOM nem da Igreja são (podendo, portanto, serem inválidos, heréticos, pecaminosos e toda aquela lista que D. Rifan recusa), os que com eles estão, tranqüilos permanecem.