Cardeal Müller: “Em vez de apreciar o cheiro de ovelha, o pastor aqui as golpeia duramente com seu cajado”.

Ninguém pode fechar os olhos para o fato de que até aqueles padres e leigos que celebram a Missa segundo o Missal de São Paulo VI estão sendo agora amplamente condenados como tradicionalistas. Os ensinamentos do Vaticano II sobre a unicidade da redenção de Cristo, a plena realização da Igreja de Cristo na Igreja Católica, a essência da liturgia Católica enquanto adoração a Deus e mediação da graça, a Revelação e sua presença na Escritura e Tradição Apostólica, a infabilidade do magistério, o primado do papa, a sacramentalidade da Igreja, a dignidade do sacerdócio, a santidade e indissolubilidade do matrimônio — tudo isso está sendo hereticamente negado em franca contradição ao Vaticano II pela maioria dos bispos e leigos alemães (mesmo que disfarçadamente sob expressões pastorais).

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Cardeal Gerhard Müller

Apesar de todo o aparente entusiasmo que eles expressam pelo papa Francisco, eles negam categoricamente a autoridade conferida a ele por Cristo como sucessor de Pedro. O documento da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a impossibilidade de se legitimar atos sexuais do mesmo sexo ou extra-conjugais por meio de uma benção é ridicularizado pelos bispos, padres e teólogos alemães (e não só alemães), como uma mera opinião de sub-qualificados oficiais da cúria. Aqui nós temos uma ameaça à unidade da Igreja na Fé revelada, que evoca a dimensão da separação protestante de Roma no século dezesseis. Dada a desproporção entre a relativamente modesta resposta aos ataques massivos à unidade da Igreja pelo “Caminho Sinodal” alemão (assim como em outras pseudo reformas) e a severa disciplina sobre a minoria do rito antigo, a imagem de um caminhão de bombeiros desorientado vem à mente — ao invés de salvar a casa em chamas, primeiro ele salva o pequeno paiol próximo a ela. 

Sem a menor empatia, ignora-se os sentimentos religiosos dos (frequentemente jovens) participantes das Missas segundo o missal de João XXIII (1962). Em vez de apreciar o cheiro de ovelha, o pastor aqui as golpeia duramente com seu cajado. Também parece injusto abolir as celebrações no rito “antigo” simplesmente porque elas atraem gente problemática: abusus non tollit usum.  

Palavras do Cardeal Gerhard Müller ao site The Catholic Thing sobre o motu proprio Traditionis Custodes.

17 Comentários to “Cardeal Müller: “Em vez de apreciar o cheiro de ovelha, o pastor aqui as golpeia duramente com seu cajado”.”

  1. Eu vou dizer aquilo que muita gente aqui não vai gostar de ouvir: uma parcela da culpa deve cair sobre Bento XVI. Me explico. Custava esperar mais três anos para renunciar? Ele sabia muito bem o jogo de poder dentro do conclave que o elegeu e quem tinha ficado como opção/oposição. Bento XVI, ao escolher não macular sua consciência, nos legou um lobo como pastor. Aconteceu a mesma coisa com Pio XII. A pessoa quer ter todo o poder e toda a pureza acaba sem conseguir proteger aquilo que é importante. Uma cotovelada ou outra faz parte do jogo. Assim como no futebol, a política eclesiástica é um “esporte” no qual, às vezes, se perde um dente. Pessoas muito polidas, muito educadas, muito diplomáticas, muito zelosas da elegância e do refinamento não servem pra mandar num tempo como o nosso. Tô rezando para que venha um casca grossa conservador que ame Jesus, a Igreja e a Missa de sempre e que dê uma meia-dúzia de cotoveladas naquele pessoal de Roma.

    • Padre João Crisóstomo. É claro que Bento XVI também é culpado, afinal, ele foi um dos revolucionários e promotores do CVII. Como ele mesmo declarou, nunca renunciou a sua posição.
      A tal hermenêutica da continuidade foi outro fracasso em promover este malfadado concílio!

    • Eu “culpei” Bento XVI no exato momento em que anunciaram Bergoglio como papa, porque sabia da campanha imunda que ele fazia contra D. Rogelio Llivieres, quando ainda era arcebispo de Buenos Aires.
      Foi algo tão nocivo e tão incisivo, que percebi exatamente o que viria depois.
      O grande mal de Bento XVI – politicamente falando – foi o de não ter feito valer sua autoridade Pontifícia, e recheado o Sacro Colégio de cardeais do nível de Burke.
      Muito pelo contrário: até para nomear bispos Bento XVI titubeava: ora um conservador, ora um progressista.
      Como eu presumi, Bergoglio não errou neste aspecto: encheu o Sacro Colégio com gente do mesmo nível que o dele, de forma que os seus sucessores irão manter ou aprofundar sua revolução.
      Humanamente, o jogo está perdido. Não vejo como – HUMANAMENTE FALANDO – um católico- eu disse um CÁ-TÓ-LI-CO, não um modernista de matiz moderado ou conservador vá se sentar a curto e médio prazo no Trono de São Pedro, porque Francisco não é homem de deixar as coisas pela metade. Ele vai catar bispo atrás de bispo, obrigar a todos que entreguem os nomes dos padres e seminaristas com simpatias tradicionalistas, e vai guardar esses nomes para assegurar que não se ordenem ou jamais subam na hierarquia.
      Há anos vemos derrubar de um a um cada bispo ou ordem religiosa. D. Rogério, D. Llivieres, Ordem de Malta, Franciscanos da Imaculada… Até os Arautos estão na mira.
      O IBP que se segure, porque agora responde a D. João Brás de Aviz, o flagelo das ordens religiosas. Ele vai reduzir os estatutos de exclusividade da Missa Tridentina do IBP a pó. E não vai tolerar menos do que a adesão do Instituto ao Concílio em sua totalidade.
      O mesmo para todo o resto.
      Rezemos todos, porque não digo isso com alegria, mesmo me sentindo vinculado aos padres da Resistência, que não serão perturbados neste sentido (assim como a FSSPX). Mas a menos que alguma reviravolta aconteça e a Providência tenha outros planos, o tabuleiro está posto, e as peças correm para essa direção.
      Mas no final – e falando de um panorama superior – sabemos que Francisco, Bento, João Paulo II etc são apenas a cereja do bolo. São o ápice de um motim que tomou de assalto a Igreja, que nunca será destruída, mas está gravemente devastada.

    • Em inglês está “Missal of Paul VI”, nessa tradução está São Paulo VI.

  2. Esse é o Cardeal Miller, que teve um passado progressista em alguns pontos…
    E a crise só vai agravar

  3. Padre João, por favor, esqueça que ainda existe solução humana para a Igreja. Não há. Bento XVI era conservador e deu no que deu: um engodo e uma renúncia porque não aguentou o tranco. Se vier um novo papa de linha conservadora, não vai resolver. Precisa vir um Papa com uma fé católica heróica! Que não ame a si mesmo e esteja disposto a morrer no alta se for possível, renunciando o humanismo do CV II e tantas inovações e reafirmar a fé de sempre. Para isso, NECESSARIAMENTE, terá que condenar os erros do mundo civil e eclesiástico.
    Eu não acho que algum clérico formado nessa mentalidade anos 60/70/80 e 90 consigam isso, de verdade. Precisa ser uma pessoa formada em outros moldes, mais ligado à tradição, sem esse ranço burocrático e vícios. Vai levar um tempo.

    • heitorcarvalho. Bento XVI nunca foi conservador, e foi ele mesmo quem declarou que apenas parecia conservador porque os outros se radicalizaram.
      Ele foi e continua sendo um revolucionário, se não o fosse poderia por tudo isso abaixo apenas se pronunciando.
      Ele conhece o Segredo de Fátima e aparentemente quer levá-lo para o túmulo!

  4. Depois do ocorrido da Pachamama, nada depois disto me surpreenderia.

  5. Precisamos também falar das nomeações de JP II e Bento XVI. No que se refere exclusivamente às nomeações de Bispos eles erraram demais.

  6. Desde sempre o amálgama dos católicos foi o zelo pela doutrina. Depois do Vaticano Dois, esse amálgama foi se desfazendo gradualmente. Não tanto pelo dito sínodo, mas pelos “gestos” aberrantes à ortodoxia católica que Paulo VI e depois João Paulo II conferiram às ambiguidades contidas nos textos daquela infausta e manipulada assembléia.

    O longo e enfadonho pontificado de João Paulo II (que Deus tenha tido piedade de sua alma), centrou-se na defesa da moral. Esta defesa servia de catalisador para o pensamento, para a ação e a pastoral: Uma vez desprestigiada e espezinhada a tradição dogmática, restava ao menos o front da moral para aglutinar e como que dar sentido à vida “eclesial” (palavrinha aliás ridícula).
    Com o advento do prelado jesuíta argentino, atual ocupante da santa Sé, a moral enquanto elemento catalisador da “vida eclesial” foi desprestigiada e rapidamente corroída mercê do
    reconhecimento e aplauso da poligamia serial, do esvaziamento das ações pró-vida e reconhecimento de demais velhidades clero-viscerais.

    O mal estar generalizado na Igreja advém, ao que tudo indica, deste efeito dominó: aparentemente, tudo ruiu e a Igreja conciliabular não tem mais o que fazer da vida. Pois, para os seus burlescos mandatários, tiranetes e hipopótamos translumbrantes que chafurdam nas arêas da contradição oportunista e circense, cada um, no fim das contas, se salva sem ela (pois ninguém se perde): tanto faz a doutrina, tanto faz a moral. Importa é vestir a fantasia.

    A missa tradicional era mais uma bandeira, ainda que minoritária, a
    a ser abatida. Foi o que o diabo pretendeu agora.

    Para os bispos serem custódios da tradição, é preciso que sejam católicos. Na crise ariana a maioria do episcopado não custodiou nada, exceto a própria pança. Nem o episcopado inglês ou alemão custodiou a tradição quando a pseudoreforma do século XVI eclodiu como rio fétido e crocodilesco.

    Eles gostam de dizer que “sacramento não é magia”. Nao é mesmo. Episcopado não é magia. É preciso ter fé.

  7. Se encontro de Assis, promovido por João Paulo II (1986), a entronização da Pachalama e a declaração de Abu Dahbi são autorizados pela doutrina do Vaticano II, e é difícil negá-lo pois não há dúvida de que João Paulo II e Francisco são legítimos e autorizados intérpretes da dita assembléia, então resta a qualquer fiel de Jesus Cristo recusar esse ensinamento. Nem é preciso recorrer ao magistério da Igreja, pois basta o decálogo e o reverente acatamento da Palavra de Deus.

    Os modernistas soem dizer que “sacramento não é magia”. Realmente não é. Então, não basta alguém receber o episcopado para ser investido magicamente das prerrogativas do magistério eclesiástico: é preciso a profissão de fé católica (e outros elementos de natureza canônica).
    De fato, à época da crise ariana, o episcopado não se mostrou custódio da tradição e não salvaguardou a fé. O mesmo se deu com o episcopado inglês e alemão à época da pseudo
    -reforma protestante. O episcopado dessas regiões não foi custódio de nada, exceto da própria pança. Os bispos aderiram à heresia e se fizeram inclusive perseguidores dos que custodiavam a fé…

    Entao, devagar com o andor do clericalismo bursco que a Pachalama é de barro.

  8. O cardeal Müller, sendo considerado tradicional, não estimou em nada o papa Francisco ir a Lund comemorar junto aos heréticos protestantes os 500 anos de Lutero, merecedor de repúdio e jamais apoio, ao cúmulo de aquele até instalar uma imagem sua dentro do Vaticano.
    Apesar do acima, o cardeal Müller amava ou continuaria com a TL e amigo do Pe Gutérrez, automaticamente dos Boffs & Cia TLs-PCs, soando-nos bastante estranho ser conservador e apoiar o progressismo de esquerda de alguma forma; repassaria-nos a impressão do hegelianismo tese-antítese e gerar síntese, ao acaso pode suceder isso de alguma forma? Evidente que não! Se persiste dessa forma, torna-se uma incógnita.
    Assim, por não apoiar como desejaria o papa Francisco, por esse motivo teria sido despedido de suas funções na CDF por não compatibilizar-se adequadamente como pretenderia, pois, doravante, quem se opuser a ele, para esse e quem mais lhe passar ousadamente pela frente, extinguiu-se, quem sabe, em definitivo, o tempo da misericórdia, tolerância, compreensão e similares, sendo no presente termos algo ausentes ou extintos de sua comunicação, como outrora primando nessa retórica.

  9. Francisco é fruto da DESOBEDIÊNCIA dos Papas à Nossa Senhora de Fátima.

    Se os Papas tivessem obedecido Nossa Senhora e revelado o segredo de Fátima desde 1960, o Concílio “Ecumênico” Vaticano II” não teria espalhado a fumaça de satanás e a Consagração da Rússia teria trazido um mundo de paz muito diferente do atual caos comuno-globalista que nos mata e escraviza.

    Diante desta DESOBEDIÊNCIA que está eclipsando a verdadeira Igreja Católica Apostólica Romana:

    Que os Padres, Filhos Prediletos de Nossa Senhora, resistam até o martírio para nos dar Jesus Eucaristico na verdadeira Santa Missa que celebra PIEDOSAMENTE o Santo Misterio, mesmo que nas catacumbas.

    E que nós LEIGOS OBEDEÇAMOS a Mãe de Deus REZANDO o Santo Terço com PENITÊNCIA pelos Filhos Prediletos e pela Purificação, Santificação e OBEDIÊNCIA dos Apóstolos(Papa, Cardeais e Bispos) à Nossa Senhora. Somente assim contemplaremos a profecia do TRIUNFO DO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA.

    • Exatamente. Disse tudo, meu caro.
      Todos os papas disseram claramente que acreditavam na aparição e nenhum deles foi capaz de cumprir ordens, pois.
      Coloco muito em dúvida a fé destes papas, mas é o caso.
      O que João Paulo II fez depois foi o que popularmente poderíamos chamar de meia-sola numa demonstração clara que a política mundana é mais importante que os Céus.
      Lamentável, mas as consequências virão, obviamente.
      Rezem e muito.

  10. O “lado bom” do pontificado de Francisco é o despertar das gentes. O cardeal Müller foi o exemplo mais célebre, que saltou do mais doido progressismo ao enfrentamento aberto de um pontificado suicida. Müller tornou-se um orfão de Bento XVI, rezemos para que o insigne purpurado abandone também a morta e apodrecida hermenêutica da continuidade.

  11. Está suficientente documentado em fontes oficiais que uma das intenções do missal deformado de Paulo 6 era o ecumenismo. Por este preciso motivo, meia dúzia de “pastores” protestantes participaram da deformação litúrgica assim intencionada. Há até mesmo uma miserável foto de Paulo 6 com essa meia dúzia de salteadores protestantes que interferiram na pretendida deformação. Consta que Bugnini, o grande arquiteto da Santa Ceia montiniesca, era maçom; Bugnini já participava da “oficina” litúrgica vaticana desde os tempos da reforma da Semana Santa empreendida por Pio XII em 1949.
    De todo modo, há uma grosseira ilusão nesse processo todo. Para aquém da mania e miragens ecumenófilas de Paulo 6, havia também a justa preocupação de tornar aos fiéis mais acessível a compreensao da liturgia. Na tenebrosa e fracassada mente dos fautores da Santa Ceia de Paulo 6, bastava franquear o vernáculo na liturgia para que MAGICAMENTE o povo passasse a compreender tudo…
    Na realidade, a compreensão da liturgia depende do nível de catequese de quem dela participa; não é questão de vernáculo ou não vernáculo. Com o fragoroso e gritante fracasso da catequese pós-conciliabular, a compreensão da liturgia foi ainda mais para o ralo. A imensa maioria dos fiéis continua a não conhecer a história da salvação. Por isso mesmo, quando os ídolos mudos e surdos, búdicos ou o pachamânicos, são entronizados nos templos do Deus vivo, único e verdadeiro, o povo, prostituído espiritualmente por aqueles que lhes deviam pregar o Evangelho, aplaude sôfrego e tresloucado o pedaço de pau que a clerazia rebolativa lhes apresenta para a respectiva e babosa lambeção e culto.
    Por outro lado, e como castigo póstero e/ou confusão espiritual dos que (hoje no purgatório ou no inferno) lançaram a Igreja nesse caos, a qualidade da catequese dos aderentes ao rito tradicional é desproporcionalmente superior à dos fieis iludidos com a Santa Ceia de Paulo 6 e a lambeção da pachamana. Até nisso o fracasso conciliabular é evidente. Só vê quem não quer.