Non poteritis dissolvere!

Continuamos nossas análises ao motu proprio Traditionis Custodes.

Por FratresInUnum.com, 27 de julho de 2021 – A este ponto da leitura de “Traditionis Custodes”, o leitor terá percebido a total incoerência das palavras de Francisco. Se, de um lado, ele aclama os bispos como única autoridade para a permissão da celebração segundo o Usus Antiquor em suas dioceses, de outro, amarra-lhes as mãos com exigências impossíveis de serem cumpridas, além de descabidas e abusivas.

FB_IMG_1627399618886Uma primeira peregrinação reuniu mais de 600 jovens ligados à Missa Tridentina ocorreu na Espanha poucos dias após o documento, solenemente ignorado, do Papa Francisco.

O apogeu deste autoritarismo está no art. 4 do Motu Proprio: “os presbíteros ordenados depois da publicação do presente Motu Proprio, que pretendem celebrar com o Missale Romanum de 1962, devem apresentar uma requisição formal ao bispo diocesano, o qual, antes de conceder a autorização, consultará a Sé Apostólica”.

O jogo de palavras chega a ser alucinante. Ele diz que os bispos devem “consultar a Sé Apostólica” antes de “conceder a autorização”. Por que, se ele disse anteriormente que os bispos são a única autoridade a permitir que o Missal de João XXIII seja usado em suas Dioceses? Mais uma vez, um artigo anula o outro.

Contudo, esta contradição mostra a intenção que ele tem de que o Vaticano exerça uma fiscalização sobre as Dioceses e sobre os padres que celebram segundo a outrora “forma extraordinária”, de modo a ter o controle total sobre quem celebra, onde celebra, quando celebra, a fim de impedir a “proliferação” do catolicismo tradicional.

Nem as piores máfias, os mais controladores ditadores, as mais execráveis sociedades secretas exerceram tal poder policial. Bergoglio não tem pudor quando o assunto é reafirmar o seu despotismo. Ele não se importa nem em maquiá-lo sob aparências de liberdade. Ele impõe a mordaça e ainda se orgulha disso.

Entretanto, essa posição ditatorial demonstra muito bem que, no fundo, a apelação para tal autoridade controladora é sinal de que os progressistas sabem que estão perdendo. Eles são vítimas da dialética que eles tantos defendem: o rito novo é coisa de padre velho e os padres novos preferem a missa antiga. É simples assim!

Para a surpresa de ninguém, a liturgia reformada é um repelente de qualquer um que queira algo solene e sério. O espetáculo de grosserias e cafonices, de abusos e de invencionismos é tão constrangedor quanto uma vovó de minissaia. E o fingimento de que a reforma litúrgica funcionou, de que estamos numa primavera eclesial, de que é tudo lindo e maravilhoso depois do Vaticano II já não engana mais ninguém. Os jovens não querem fazer parte desta impostura, eles têm saudades daquilo que eles nunca viram.

Em certo sentido, a proibição de Francisco fará com que a liturgia antiga seja ainda muito mais atrativa. Os padres que se ordenarem já sabem do que se trata: as múmias conciliares tentaram sepultar milênios de tradição e, agora, para o seu completo desespero, tudo voltou, aquilo que parecia ter morrido ressuscitou dos mortos. E eles não estavam preparados para isso, assim como os sumos sacerdotes dos judeus não estavam.

Ressuscitou. Não dá pra matar a liturgia tradicional rediviva. Não há decreto que a controle. A proibição apenas aumentará o heroísmo e o desejo de voltar à “paz litúrgica”.

A própria proibição de que os neo-sacerdotes celebrem a Missa Tradicional mostra que a missa nova não tem futuro e que a tentativa de garantir-lhe uma sobrevida mediante a imposição é somente um paliativo num processo em si mesmo irreversível. A medida de Francisco é, em si mesma, uma confissão de morte e decrepitude.

Mas a situação para eles é ainda pior, pois, mesmo controlado todos os seminários, todas as faculdades de teologia, todas as conferências de congregações religiosas, todas as conferências episcopais, todos os organismos da Igreja e até o papado, mesmo assim, os jovens preferem a missa tradicional do que garantir uma carreira bajulando-os. De onde vem isso? Os seminaristas, de fato, não são formados segundo a mentalidade antiga. O natural, seria que preferissem a missa nova…

Isso vem, portanto, da graça divina. E não adianta tentar proibir Deus. É isso que Bergoglio não entende. Ele não tem a sabedoria de Gamaliel, que disse ao Sinédrio: “eu vos aconselho: não vos metais com estes homens. Deixai-os! Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá; mas, se provier de Deus, não podereis desfazê-la – non poteritis dissolvere. Vós vos arriscaríeis a entrar em luta contra o próprio Deus” (At 5,38-39).

Francisco prefere pagar pra ver, mas não vai adiantar. Ninguém entra para um seminário e se priva dos regalos da vida para se entregar a um teatro; os jovens querem ser católicos de verdade. Assim como uma massa cresce mais quando é bem sovada, os golpes deferidos contra a Missa Tradicional só a farão crescer, inclusive entre os padres novos, ainda que de maneira escondida, ainda que na clandestinidade. Se a geração anterior nunca tinha visto uma missa tradicional e conseguiu resgatá-la, quanto mais agora… Ninguém detém o braço de Deus!

2 Comentários to “Non poteritis dissolvere!”

  1. Na realidade a ambiguidade está se tornando a regra legislativa de alguns estados autoritários e socialistas, justamente nesta forma que Bergoglio redige.
    A rigor, fazem questão de tornar ilógico tudo o que for possível de tal modo que permita se aplicar qualquer interpretação da lei, válida para todos pois é lei, porém livrando ou condenando determinado indivíduo, situação ou caso ao bel prazer do ditador, pois é a ele que a ambiguidade irá servir em última análise.
    Ao mesmo tempo em que cria a aparência – falsa, é claro – de algo atrativo e deveras conveniente ou vice-versa, logo adiante suprime a ação ou a qualificação.
    A grande surpresa, todavia, é vermos um alto manadatário da Igreja como um dos primeiros a executar tal prática.
    A prática da nova ditadura.

  2. Sabe quando o soldado está desesperado num renhido combate por a munição do fuzil estar acabando, enquanto isso, o violento e feroz desafeto persiste atirando ininterruptamente e ele sabe que, inapelavelmente, perecerá sob as balas adversárias, sendo o caso atual do Traditionis Custodes, ao qual jamais o papa Francisco imaginaria uma repulsa total, à exceção dos bergoglianistóides, os quais o acompanham, como o gado levado às pastagens, sem aversão? Possuiriam inteligências obtusas e/ou seriam uns mentecaptos?
    Será que ele nunca ouvir falar nas sanções canônicas em que incorre por causa de supressão por decisão monocrática, seria o presente caso de ostensivo, patente despotismo a toda prova a injusta supressão da Santa Missa Tridentina, recordando aqui o anterior mencionado por mim, logo abaixo, de S Pio V – ou ele não tem temor algum a Deus? Seria que está é com a NOM?
    *14 – “Assim, portanto, que a ninguém absolutamente seja permitido infringir ou, por temerária audácia, se opor à presente disposição de nossa permissão, estatuto, ordenação, mandato, preceito, concessão, indulto, declaração, vontade, decreto e proibição” – BULA “QUO PRIMUM TEMPORE”.
    Acredito que, com as perseverantes preces dos assumidos católicos – preferencialmente o santo Rosário ou mesmo o terço, além doutras orações – sejam armas imbatíveis para persuadi-lo a recuar desse maléfico intento dessa impostura!
    Vamos nós nessa corrente de orações nesse intento – todos estamos justa e compulsoriamente convidados por dever de justiça de denunciar, promoverem passeatas e o que se possam executar para reversão desse documento supra citado – fora com ele!
    * Apenas o nº 14 da “Bula Quo Primum Tempore”
    MONTFORT Associação Culturalhttp://www.montfort.org.br/bra/documentos/decretos/quoprimum/

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