O grito de quem perdeu.

Por FratresInUnum.com, 1 de agosto de 2021 – A carta que acompanha o Motu Proprio de Francisco, direcionada aos bispos de todo o mundo, é bastante melhor escrita que o próprio documento. Ali, o pontífice mostra as suas razões, os seus medos: no fundo, o grande problema é que os fieis que aderem à liturgia antiga questionam o Concílio Vaticano II, coisa para ele inadmissível, pois “duvidar do Concílio significa duvidar das intenções mesmas dos Padres, os quais exerceram a sua potestade colegial de modo solene cum Petro et sub Petro no Concílio Ecumênico, e, em última análise, duvidar do próprio Espírito Santo que guia a Igreja”.

papa3O problema é espinhoso e realmente muito delicado, especialmente porque agravado não pela parte conservadora da Igreja, mas por aquela parte que Francisco oportunisticamente invisibiliza: os hermeneutas da ruptura e da descontinuidade.

Bergoglio lança sobre os ombros dos fieis tradicionalistas o peso de questionarem um Concílio que desde o primeiro instante foi instrumentalizado e profanado pelos teólogos ativistas da Nouvelle Théologie, os quais se serviram dele como desculpa para todas as suas aberrações, não apenas em âmbito litúrgico, mas sobretudo dogmático e moral. Agora, com a sua decisão, ao invés de atenuar a divisão, ele a aumenta.

Aumenta-a porque ele mesmo apresenta o Novus Ordo como única lex orandi, coisa em si mesmo absurda, como demonstramos em artigo anterior, mas que é suficiente para documentar aquela ruptura que Bento XVI tentou sanar com a sua hermenêutica da reforma na continuidade, hermenêutica não apenas doutrinal, mas também pastoral e litúrgica, selada pela paix liturgique que agora Francisco não hesita nem um segundo romper.

Em outras palavras, se a lex orandi precedente (mais uma vez, os termos são absurdos, mas damos-lhe a licença retórica de dizê-lo apenas para extrair daí as conclusões lógicas) já não vale mais, é porque o Concílio a alterou, ou seja, está criada e institucionalizada a ruptura oficial, a qual Bergoglio pretende enfiar nos fieis goela abaixo, apelando apenas para o argumento de autoridade (a autoridade do Concílio). De fato, ele o diz expressamente quando afirma que a escolha de Bento XVI estava baseada na ideia de que “tal providência não teria posto em dúvida uma das decisões essenciais do Concílio Vaticano II, danificando, deste modo, a sua autoridade”.

Ora, é justamente a autoridade do Concílio e a sua credibilidade que Bergoglio está justamente atacando quando admite que as duas formas do rito romano não podem coexistir em razão de incompatíveis “leis da oração”. Em outros termos, ele está endossando a tese de que o Concílio não suporta uma interpretação em harmonia com o magistério anterior e, assim, reforça os protestos contra o mesmo.

Ele reclama daqueles que aderem ao usus antiquor dizendo que a opção por este está ligada “à rejeição da Igreja e das suas instituições em nome daquela que eles julgam a ‘verdadeira Igreja’”. E, em seguida, não apresenta um argumento teológico, mas apenas faz um apelo à comunhão, ou seja, à uniformidade com os reformadores: “trata-se de um comportamento que contradiz a comunhão, alimentando aquele impulso à divisão”.

Ora, aqueles que pretendem perseverar na mesma tradição de séculos são acusados de divisão enquanto os inovadores são anistiados com uma infalibilidade acima das Escrituras, da Tradição e do próprio Magistério. A unidade pretendida por Francisco não é orgânica, é despótica, ditatorial, forçada e, por isso, não vai dar certo!

Ele não pode governar a Igreja como se ela fosse um corpo militar, em que todos os membros se comportam de maneira uniforme. A Igreja não é assim. Bem como não é possível pretender a solução de um problema pelo seu agravamento. Isto é contraditório. Nas idas e vindas de proibições e permissões da Missa tradicional, esta só cresceu, enquanto o Novus Ordo só perdeu autoridade… Como dissemos anteriormente, o caos introduzido pela reforma criou tal desorientação que não se pode mais falar com precisão de um rito romano a não ser nos marcos da forma extraordinária; fora isso, só existe a desorientação e o desencontro.

O nível do contrassenso da carta de Francisco chega ao absurdo de ele afirmar: “conforta-me nessa decisão (de ab-rogar todas as normas, as instruções, as concessões e os costumes precedentes ao presente Motu Proprio) o fato de que, depois do Concílio de Trento, também São Pio V ab-rogou todos os ritos que não pudessem apresentar uma comprovada antiguidade, estabelecendo para toda a Igreja latina um único Missal Romano”. Ora, mas ele está ab-rogando justamente um rito de comprovada antiguidade em favor de um ritual escrito numa salinha há cinquenta anos, fazendo o exato contrário do papa dominicano, e ainda se diz confortado por ele?… Será que ninguém percebe que estamos diante de um homem inconsequente, que não sabe o que faz nem o que escreve?

Esta carta é a documentação de que Bergoglio simplesmente perdeu os rumos e se guia tão somente pelo desespero. O desespero do progressismo que não consegue mais puxar a sua revolução suficientemente, diante do corpo mole dos católicos; que já perdeu toda a sua autoridade e precisa, por isso, apelar para o autoritarismo; que não consegue mais adeptos, mas está sabotado de todos os lados, pelo aparecimento de jovens tradicionais que desenterram aquelas relíquias que eles viveram por décadas a sepultar; que já está desmascarado pela verdade da fé, exposta com clareza e sem tergiversações pelas vozes mais alternativas. O teatro acabou e agora só lhes resta um grito: o grito de quem perdeu.

9 Comentários to “O grito de quem perdeu.”

  1. É a mesma coisa com os governos tirânicos cujos aparatos repressor e de propaganda nem criam novos adeptos para defendê-lo, nem infudem medo na maioria do povo que reage contra o autoritarismo. Podem e irão reagir, se apegando à todo resquício de poder, mas é um caminho sem volta. Agora, é só uma questão de tempo. A gravidade vai fazer o resto. Basta esperar. Um dia, apenas Deus sabe quando, os altares serão reconstruídos, a liturgia será reestabelecida, os mercenários vaidosos e arrogantes deixarão de existir nas sacristias e cúrias e os aspirantes impedidos de frequentar os seminários, que serão lugares de formação dos pastores verdadeiros, dispostos a dar a vida pela salvação das ovelhas e para a maior glória de Deus e não por ideologias estúpidas cujas tentativas anteriores só resultaram em pobreza, destruição, caos e morte. Um dia!

  2. “Chame os outros do que v é e acuse os outros do que v faz”, essa é a frase do terrível genocida Lênin e de todos os comunistas, os quais jamais assumem erros como de si, mas sempre fabricando culpados fora do âmbito deles – mentecaptos considerando-se inerrantes – e o comportamento do papa Francisco se pareceria sobremodo com eles que, ao acusar os conservadores de serem os responsáveis pelos transtornos sob a forma de veementes críticas anti Traditionis Custodes, e dá-se mal!
    Aliás, diversos os bispos, D Viganò, D Athanasius Schneider, D Rob Mutsaerts(afastado do cargo) etc., e até cardeais – como D Burke – já começam a se manifestarem publicamente como adversários dele, em escala ascendente, e correndo boatos que nem mais papa diante de Deus seria, pois preferiria adotar a politicagem a ministrar aos povos a Palavra de Deus para convertê-los à fé católica e ele, como sabemos, repudia audazmente a prática do proselitismo – mais que sabido!
    Dessa forma, na situação caótica em que se encontra, acuado, indicaria então apontar na direção que o papa Francisco seria simpatizante dos mafiosos e vândalos progressistas-esquerdas, as quais compartilham com o papa em praticamente tudo, sem restrições quaisquer, mesmo com os muçulmanos da seita sunita, da qual foi intitulado como protetor mundial, incluindo-se nesse nefasto pacote os globalistas-NOM a quem pertencem os comunistas, que jamais o contradizem ou o censuram na grande mídia – existem histórias mal contadas nesses sinistros e infortunados episódios que, urgentemente, necessitam serem devidamente bem esclarecidas!
    Afinal, de que lado está ele, a partir de posicionar-se por si mesmo – se tiver coragem – declare-no-lo!

  3. “Ele não pode governar a Igreja como se ela fosse um corpo militar, em que todos os membros se comportam de maneira uniforme. A Igreja não é assim. ”
    Perdoem-me se erro, e desde já agradeço correções, mas não é esse o pensamento comum dos jesuítas: obediência cega e irrestrita? Se obedecemos à vontade de Deus dessa forma, creio que estamos no caminho certo. Agora, se as ordens não levam à Deus, é como estar na beira do precipício, olhando para o o abismo e seguir em frente…

  4. O mal é planejado, e penso que Bergoglio e sua turma sabem muitíssimo bem o que estão fazendo para conseguir realizar seu objetivo, de grão em grão. Bergoglio e sua turma se riem de quem pensa que eles não sabem o que fazem. Pio X nunca se enganou com essa gente e nós também não nos enganemos. Fazem de propósito usando a estratégia descrita por Pio X e Leão XIII…

  5. “1.“Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no apris­co das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. 2.Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3.A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem. 4.Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai adiante delas; e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhe­cem a voz. 5.Mas não seguem o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.””
    (São João X, 1-5)
    É inegável a diferença entre o grito de quem não pastoreia e a voz do Bom Pastor: https://translate.google.com/translate?sl=en&tl=pt&u=https://catholicfamilynews.com/blog/2021/07/31/archbishop-vigano-responds-to-the-theft-of-the-mass-of-all-ages-by-pope-francis/

  6. A Igreja Católica Apostólica Romana é uma só.
    Reza o Credo: una e santa.
    Vem desde Cristo pois a Ele coube estabelecer a universalidade e o apostolado. Coube a Pedro estabelecer o centro em Roma.
    A partir daí temos então dois mil anos.
    São dois mil anos de Evangelhos, Tradição e Magistério.
    Nestes dois mil anos foram afastadas as heresias e as intromissões maléficas.
    Nunca houve cismas.
    Houve afastamentos e excomunhões mesmo as não declaradas.
    A Igreja permanece e permanecerá sempre enquanto Cristo assim desejar e Sua manifestação se fará quanto ao seu destino de forma clara e indubitável e não através de imposições humanas muitas vezes escabrosas e confusas executadas por prelados humanos corrompidos.
    A permanência da Igreja a mantem una, santa, católica, apostólica e romana.
    Não existe e não existirá uma Nova Igreja Católica Apostólica Romana.
    A partir daí não faz sentido qualquer fiel preocupar-se com cismas e divisões. Elas não existem e são impossíveis de ocorrer.
    Claro que as heresias e disposições em contrário devem ser combatidas mas ninguém está obrigado a ser católico ou seguir a Igreja de dois mil anos.
    Os que não concordam com isto serão naturalmente afastados como foram e assim estão sendo, por exemplo, os protestantes ou quaisquer outros demais hereges que tentaram e continuarão tentando Nela se estabelecer.
    Posto isto fica, mais uma vez, absolutamente claro que não existe católico tradicional ou progressista ou libertador ou qualquer outro adjetivo qualificativo que possam inventar.
    Somos católicos de dois mil anos e quem assim não se classificar deverá se afastar porque se encontra na religião errada.

  7. Tenho uma pesquisa muito interessante minha, faço com diversas pessoas do povo e um único vizinho católico, pois o resto daqui são tudo “irmãos” protestantes – e pergunto: v é católico, se responde sim, o que você acha do papa Francisco? Todos, sem exceção: muito bom, generoso, gosta do pobres,, desamparados… Coitados: não sabem de nada!
    Seria igual a Lula-Dilma e o comunista Sánchez na Argentina, com o povo de lá querendo sair do país e vir para o Brasil, mas as fronteiras estão fechadas pelo vermelho martelo e foice Sánchez para evitar evasão, mesmo assim, os argentinos estão caindo fora para o Brasil mato adentro; já vi várias pessoas vindo de lá na Web falando como a coisa está preta lá, os caras passando fome e partindo aos lixões para catarem restos de comida, embora usando as camisas de Messi – que é quaquilionário como o tio Patinhas e tá nem aí!
    O ex presidente Macri era ruim? Sim! Mas Sánchez,, futuro ditador comunista é muito pior, é o que o excomungado PT queria fazer do Brasil, mas quebrou o focinho!
    O Senhor Deus em primeiro, Bolsonaro e os militares protegerão o Brasil contra esses diabos vermelhos – assim espero!

  8. Francisco perdeu-se numa trama que ele mesmo criou, se afogou no seu próprio ego inflado por loucos que gritavam por seu nome em 2013, mas que logo perceberam a trajedia que foi sua eleição. Caminhamos no vale da sombra da morte como diz o Salmo, mas não será Francisco a nos guiar até o final, tenho fé de que ainda teremos um Papa perseguido pela grande mídia, perseguido pela nova ordem mundial, ultrajado pelos “donos” desse mundo, mas que não abandonará seu povo e nem sua Fé Católica.

  9. A ditadura bergogliana dá mostras de que está no fim através do desespero, mas DESESPERADOS mesmos estão aqueles “conservadores” que fazem requebros olímpicos para justificar o ocupante do Trono Petrino. Senti uma grande vergonha alheia com o comentário abaixo, de um ilustre professor do Facebook:

    “É o pacote que se vem vendendo desde o antimilagre demoníaco de Lefebvre, que conseguiu associar cisma & apego à tradição litúrgica e à beleza, atrasando a normalização da celebração ortodoxa da liturgia paulina em coisa de cem anos, no barato. Ao tratar a beleza do que é da Igreja como sendo deles, os cismáticos conseguiram criar medo da beleza dentro da Igreja para melhor vender a substituição da Fé pela beleza fora dela. Satânico!” – prof. CARLOS RAMALHETE.

    Piu non dico.