Vox Populi = Vox Dei? (A voz do Povo é a voz de Deus?)

“A escuta na 1° Assembleia Eclesial para a América Latina”, um resumo.

Por Que no te la cuenten, 19 de outubro de 2021 | Tradução: FratresInUnum.com – No último 21 de setembro, publicou-se a “Síntese narrativa: a escuta na 1° Assembleia eclesial para a América Latina e o Caribe – CELAM” (224 páginas que lemos antecipando seu advento), conclusão “NÃO OFICIAL” segundo seus apresentadores (p. 2) de cinco meses de “escuta ao povo de Deus” através de respostas e contribuições por meio da página da “Assembleia sinodal” do CELAM.

Como habitualmente sucede nestes casos, as “propostas” não somente parecem ter sido elaboradas por certos grupos ideológicos minoritários, encravados nas estruturas de poder eclesial, como também selecionadas com uma finalidade muito precisa: “o processo de conversão da Igreja” (p. 1).

A técnica não é nova (algo parecido já ocorreu no Congresso Americano Missionário na Bolívia e no Sínodo dos Jovens de 2018): trata-se da repetição constante com a finalidade de tentar impor “desde baixo” os novos “paradigmas eclesiais” como o das diaconisas, o “sacerdócio feminino”, a “abertura à homossexualidade na Igreja” e a teologia do povo e da libertação, entre outras coisas.

Com o objetivo de expor que “o povo levantou” é que oferecemos, aqui, algumas pérolas extraídas deste documento que, mais do que uma síntese, acaba por ser um “copia-e-cola” de propostas individuais, teologicamente desordenadas, sem muito método nem lógica que, apesar disto, “conecta-se com o Sínodo da Igreja Universal sobe Sinodalidade, no qual estaremos compartilhando os diversos frutos desta experiência como Assembleia Eclesial que segue o seu caminho” (p. 2)

Vejamos alguns dos textos propostos como parte do “povo santo de Deus”, “que é infalível in credendo” (Mensagem de abertura da 1° Assembleia Eclesial da ALyC do CELAM (p. 1), vários deles intitulados (sic) como “pérolas” das “vozes do povo de Deus”.

As seguintes são algumas citações textuais (o documento completo pode ser consultado aqui):

Teologia da Libertação

“Promover uma teologia da libertação, libertadora, que nos permita conectar-nos efetivamente ao projeto libertador de Jesus, que nos permita reconhecer as estruturas de poder e opressão, que facilite o encontro, o diálogo e que promova os gestos e atitudes de esperança para viver um ministério eclesial vivo. Voltar às fontes, como nos convida o Papa Francisco, e retomar seu compromisso inicial de deixar tudo para servir e fazer Jesus conhecido. Que tenha preferência pelos pobres e vulneráveis de nosso continente. Voltar à mensagem de Aparecida e retomar a Teologia da Libertação sem medo de censuras, mas com a certeza de ir pelo caminho correto” (p. 25). “Hoje contamos com a imagem de uma Igreja sem voz, cinza, que não atualiza a mensagem do Concílio Vaticano II, que não projeta a mensagem libertadora de Aparecida, nem as exigências da Teologia da Libertação” (p. 26)

Educação global e marxista

“Vozes do povo de Deus. Pérolas (sic): sigamos sonhando com o pacto global pela educação porque a educação é a porta de entrada a dias melhores na sociedade. Cremos firmemente que o acesso à educação é um direito, por isso a necessidade de um “Pacto Global pela Educação… liberar a educação, como defende Paulo Freire (e outros) é o caminho para uma sociedade em que cada cidadão está sujeito (cidadania ativa)” (p. 48)

O mundo protestante

“Vozes do povo de Deus. Pérolas (sic): “A Igreja Católica não considera as igrejas PROTESTANTES como perigo para a fé, ao contrário, são formas distintas de crer em Deus (…). “Os pastores e fiéis PROTESTANTES são mais entusiastas, ativos e ‘em saída’” (p. 86)

“O crescimento constante das IGREJAS EVANGÉLICAS e pentecostais em nossa comunidade em troca de receber bens materiais para melhorar sua qualidade de vida” (idem)

Sacerdócio e diaconato feminino

Presença e participação sem voz da mulher na Igreja: Reconhece-se sua presença e a participação… mas, muitas vezes, de forma passiva, submissa e sem voz nas instâncias de decisão eclesial. Ministerialidade da mulher: é necessário a formação e o reconhecimento da Ministerialidade da mulher em uma Igreja em saída, incluindo o diaconato feminino (…). Respeito e igualdade de opões que os sacerdotes e bispos têm dentro das comunidades eclesiais (p. 95)… “Pedir mudanças no direito canônico e na estrutura eclesial para que as mulheres assumam ministérios eclesiais / refletir seriamente e abrir-se à possibilidade de ministérios ordenados (Diaconato, ministério presbiteral)” (p. 97)

“A Igreja não pode permanecer estagnada, mas se requer uma adoção de medidas transformadores, reconhecer que se cometeram e se cometem injustiças especialmente com a mulher dentro da Igreja. Desmistificar o templo, tirar a Eucaristia dos templos e trazê-la à vida comum. Combater o clericalismo e optar por uma igreja sinodal (caminhando com todos/todas sem exclusão de ninguém), com a construção de estruturas fraternas” (p. 100)

“(Vozes do povo de Deus. Pérolas). Falta valorizar o trabalho pastoral e a missão de evangelização da mulher. Criar o diaconato da mulher” (p. 188).

“Não há somente a necessidade de mulheres diaconisas, mas são uma realidade. Uma igreja sinodal merece mulheres diaconisas” (p. 189)

Sacerdotes casados e celibato opcional

“Que se promova um departamento de ação pastoral nas conferências episcopais e no CELAM para o acompanhamento, atenção e diálogo constante com os sacerdotes casados”.

“Que se promova, a nível profissional, desde a dimensão humana, psicológica, filosófica e teológica uma comissão de estudo que forneça luzes sobre o celibato opcional, que apresente uma nova dimensão do ministério sacerdotal condizente à realidade atual”.

“Analisar a necessidade do celibato opcional como uma resposta às problemáticas que se apresentam na vida sacerdotal”.
“Que se considere a experiência dos sacerdotes casados na vida cristã como igreja doméstica, pastoral, sacerdotal, profissional, empresarial, laboral, educativa para que contribua com o crescimento da vida diocesana e paroquial” (p. 123)

Aceitação da homossexualidade

“A homossexualidade no clero tem silenciosamente disfarçado o cumprimento do celibato… a Igreja já não representa uma espiritualidade viva. A redução do cristianismo a alguns eventos sacramentais administrados pela casta clerical condenou a imensa maioria de fiéis a um papel passivo… por exemplo, os discursos de moral sexual da parte da Igreja já não têm nenhuma relação com a vida dos fiéis” (p. 124)

O que dói: “Dor pela indiferença da Igreja frente ao tema da Diversidade Sexual. É a dor das pessoas LGBTIQ+ ao sentirem-se rechaçadas pela Igreja, frente a sua orientação sexual… constatar que em alguns púlpitos há presbíteros que repetem e reiteram o rechaço à diversidade sexual. Dor e decepção daqueles colégios católicos que não acolhem com respeito, tolerância ativa e inclusão a orientação sexual de filhos e filhas. Preocupação que depois de cinco anos de Amoris Laetitia não avançou em praticamente nada, especialmente no que se refere à educação do clero e da hierarquia face à diversidade sexual.

“Algumas novas instâncias eclesiais que apareceram estes últimos anos que promovem a participação laical e o respeito à diversidade sexual. Da esperança à participação cidadã e movimentos sociais (incluindo o LGBTQI+) que propiciam novas possibilidades de diálogo, mais centradas na pessoa e no bem comum, questionando o modelo atual” (p. 198).

Evangelização a partir da base

(Vozes do povo de Deus. Pérolas): “DEIXAR-SE EVANGELIZAR PELOS POVOS onde se encontram as sementes o Reino que se constrói na terra, em um tempo e espaço determinados” (p. 118)… “A Igreja precisa escutar à sabedoria ancestral, reconhecer os valores presentes no estilo de vida das Comunidades Originárias” (p. 119)

* * *

Estas e muitas outras coisas são as que alguns, abrogando-se da representação do “Santo Povo de Deus” (assim, com maiúscula), desejam impor com certa pressa, como se lhes faltasse pouco tempo.

Que no te la cuenten…

Pe. Javier Olivera Ravasi, SE

12 Comentários to “Vox Populi = Vox Dei? (A voz do Povo é a voz de Deus?)”

  1. Não existe Teologia da Libertação.
    Jesus não veio ao mundo num projeto de libertação.
    Isto é mentira.
    Ele veio ao mundo num projeto de salvação, salvação da alma e não do corpo.
    Isto está perfeitamente claro nos Evangelhos e não dá para mudar.
    Teologia da Libertação é fraude no objetivo e no nome, pois não passa de Teologia da Libertinagem, em última análise.

  2. Apostasia. Simples, curto, direto e franco assim. Apostasia.

    Esses senhores assumidamente não crêem mais na Igreja e na fé Católica. Não acreditam na moral Católica, na doutrina social da igreja, em pontos fundamentais da fé, nos sacramentos e nos dogmas.

    Mas calma, dirão os espertos que esses debates não servem pra nada pois afinal de contas, o que importa é se ao final desse blá, blá, blá, o Papa dará o aval ou não, igual o sínodo da amazônia. Se ele der o aval – tudo está perdido! Se ele não der o aval, ufa, está tudo tranquilo.

    Essa turma vive no reino de nárnia, só pode.

  3. Gostaria de saber se alguem que lera este meu comentário foi ouvido…. Eu não fui …. É só puxa saco de padre e bispo comunista que pode falar ?? Isso tudo e uma grande piada. A vontade de desistir só aumenta

  4. Eu estava lendo sobre esse processo sinodal a ser concluído em 2023 , e me surpreendeu a proposta do cardeal Mario Grech ( secretário geral do sínodo dos bispos ) de enviar o documento final às dioceses do mundo todo, em vez de imediatamente ao Papa, se isso ocorrer, me parece que as Igrejas locais terão alguma autonomia para interpretar as conclusões finais, o que parece favorecer divisões na Igreja.
    https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-fala-dos-3-possiveis-riscos-do-sinodo-sobre-a-sinodalidade-2023-43627

  5. Nem sempre podemos considerar VOX POPULI = VOX DEI – A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS, ainda mais se lhe mesclam teses e comportamentos da falsária e bem conhecidas idéias e comportamentos da suposta e sedizente Teologia da Libertação-TL-PT-PCs, hoje transmutada para Teologia da Libertação-eco-feminista-“humanista cristã” da Mãe Terra, Xamã, além doutros atributos que nos remetem automaticamente às propostas das ideologias marxistas tão em voga!
    Os supostos movimentos sociais tão enaltecidos na mídia globalista, caso da auto intitulada Teologia da Libertação – melhor seria da alienação e da Libertinagem, de suborno da doutrina católica – é um movimento socialista intra eclesial que surgiu dentro da Igreja católica na década de 60 e que, por meio de uma análise crítica da realidade social, por primeiro, procurou auxiliar a população pobre e oprimida na luta por seus direitos – embora, nunca também mencionando seus deveres, assim como a quaisquer outros apenas direitos, os quais são pertencentes às infernais Lutas de Classes pelas quais apenas se reivindicam direitos – jamais nada para com o deveres!
    No entanto, ao agir dessa forma, seus adeptos enfrentam o Estado de tendências que consideraríamos de direita, interesses econômicos e até mesmo a hierarquia da Igreja quando se propunha ser severa em relação aos novidadeiros, supostamente religiosos católicos, tentando forjar um catolicismo fraternalista – numa espécie de “humanismo cristão” e fazer da Igreja católica uma simples ONG assistencialista a serviço de mefistofélico comunismo!
    Porém, com o decorrer dos tempos, mudanças importantes ocorreram em virtude do fim da suposta Ditadura Militar – embora esses grupos acima interessassem-se, à realidade, é instalar a verdadeira DITADURA COMUNISTA, sob os princípios ferrenhos da famélica e misérrima Cuba, hoje da idem Venezuela, essa com muitas centenas de milhares de cidadãos em êxodo do país em ruínas!
    Aliás, essas novidades fortaleciam também outras crenças religiosas pagãs num ecumenismo de uma nova filosofia dentro desse neo catolicismo, enquanto o tradicional de 2 000 anos relegava-o como obsoleto, antiquado, medieval!
    Essa nova e infausta realidade constituiu-se em grandes desafios para a esquerdista Teologia da Libertação, hoje pessimamente vista, contestada e questionada pelo povo, cujas homilias de seus comunistas sacerdotes nada doutrinam sobre a Igreja, seu Magistério infalível, sobre a patrística etc., no entanto, num outro cristianismo imanente, modernizado, mutável, modernista, conduzente ao inferno, todo divergente do que Nosso Senhor por primeiro nos legou e queria, de fato e verdade, era o estabelecimento do Reinado Social de Nosso senhor Jesus Cristo – fora do qual tudo é insensatez, soberba e vaidade!
    * “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. Jo 15,5.
    *claret.org.br/biblia

  6. O Olavo de Carvalho tem um artigo interessante chamado “Pensando como os revolucionários”, que nos dá uma boa chave de leitura para compreender o mecanismo por trás dessas propostas revolucionárias, inclusive citando alguns exemplos de sua aplicação.

    “A lógica revolucionária opera sempre com dois objetivos simultâneos e antagônicos, um declarado e provisório, o outro implícito e constante. O primeiro é a solução de algum problema social ou de alguma crise. O segundo é a desorganização sistemática da sociedade e o aumento do poder do grupo revolucionário”.

    https://olavodecarvalho.org/pensando-como-os-revolucionarios-2/

  7. Parece que não temos um dia de paz. Vejam isto, um padre dizendo que não vai dar a extrema unção para quem estiver morrendo e não tiver tomado a vacina.

    • Não se trata de um padre, mas de um excomungado.
      Não faz parte da Igreja embora vista paramentos e o bispo o autorize rezar a missa. Por conseguinte, se efetivamente isto ocorre o bispo também é um excomungado.

  8. Sinceramente não sabemos onde isso tudo vai dar. Sempre ouço de uma padre amigo meu, que preciso rezar, fazer penitência e jejuar, mas sinto que quando ele me diz isso, me pede quase que pra fazer silêncio.
    Reze, fique indignado, mas fique quieto! Mas eu sempre digo a ele, não dá! Devemos sim expor o erro, deunciar essa obra maligna que se intitula Teologia da libertação. Se não falarmos, eles crescem, se nos calarmos, eles entram em nossas casas. Lutarei até onde puder!!!

    • Você tem toda razão.
      Imagine se os santos da igreja, aqueles que combateram as apostasias e as heresias, muitos deles inclusive leigos, tivessem permanecido calados somente rezando.
      Devemos rezar, sem dúvida, mas rezar somente não basta, já dizia São Bento: Ora et Labora.
      Este “labora” não se refere somente ao trabalho braçal ou o que nos serve de troca para o nosso sustento. Refere-se também ao trabalho intelectual, ao estudo e ao combate às indignações da vida e de tudo que nos cerca de modo errado e apóstata.

  9. Sinto muito, eu não leio nada que saiu das mãos desse sujeito, não depois das asneiras jesuíticas que ele repetiu, maldosamente, contra Geraldo de Groote em sua grande obra de vida. Não vou unir-me com cobras para atacar serpentes, nem com antigo perigo para fugir do novo.

  10. Se jogar isso na privada e der descarga, mata a privada! Deve voltar, urgentemente, para a Loja maçônica de onde nunca deveria ter saído. A podridão desse troço é um perigo para toda a humanidade!

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