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3 dezembro, 2018

“Francisco está errado”, afirma Mons. Nicola Bux.

Por Gloria.tv, 16 de novembro de 2018 – Papa Francisco está gerando “heresias, cismas e  controvérsias”, disse o prelado italiano Nicola Bux, amigo de Bento XVI e conselheiro da Congregação para as Causas dos Santos, ao jornalista italiano Aldo Maria Valli em 13 de outubro.

D. Nicola Bux.Bux mencionou as “declarações heréticas” de Francisco sobre o casamento, a vida moral e a recepção dos sacramentos, e que ele vê a Igreja como uma federação de comunidades eclesiais” – “um pouco como as comunidades protestantes”.

Segundo Bux, a origem da confusão doutrinária causada por Francisco é Amoris Laetitia(2016), mas desde então a situação tornou-se “consideravelmente pior” e “mais complicada”.

Bux refere-se à tentativa de Francisco de mudar a doutrina sobre a pena de morte. Se Francisco está certo sobre isso – ressalta Bux – então devemos concluir que a Igreja contradiz o Evangelho há dois mil anos ou tem que admitir que o Papa Bergoglio está se equivocando.

* * *

A matéria original a respeito das declarações de Mons. Nicola Bux ainda afirma::

Para abordar a atual crise, ele sugeriu que é necessário examinar a “validez jurídica” da renúncia do Papa Bento XVI para “superar problemas que hoje nos parecem insolúveis”. O teólogo, consultor da Congregação para a Causa dos Santos, implicou que o futuro estudo dessa situação poderia revelar que Francisco não foi eleito como um papa válido, mas seria, de fato, um anti-papa que poderia ser deposto do papado, anulando, assim, seus erros “insolúveis”.

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20 julho, 2012

Pe. Gaudron responde Mons. Bux sobre Arcebispo Mueller.

Por Blog do Angueth

Padre Mathias Gaudron, da FSSPX, em entrevista ao Gloria TV.

Padre Mathias Gaudron, da FSSPX, em entrevista ao Gloria TV.

O site do distrito alemão da FSSPX, pius.org, fez uma entrevista com Pe. Mathias Gaudron, um padre da Fraternidade de São Pio X que ensina teologia dogmática.

A discussão sobre as controvertidas afirmações do bispo (agora arcebispo) Gerhard Ludwig Mueller relativas à Virgindade de Nossa Senhora está atraindo atenção crescente. Uma gama enorme de portais na Internet apresentam contribuições que são a favor ou contra tais afirmações.

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9 junho, 2012

Encontros Summorum Pontificum – Dom Athanasius Schneider em Belém, Padre Nicola Bux em Salvador.

Programação completa aqui.

27 abril, 2012

Padre Nicola Bux e o perigo do Vaticano II como “super-dogma”. “Com a hermenêutica da reforma na continuidade, o Papa ofereceu um critério para afrontar a questão e não para fechá-la. Não se pode ser mais papista que o Papa”.

Teólogo, liturgista, consultor do Gabinete para as Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice e das Congregações para a Doutrina da Fé e para as Causas dos Santos, monsenhor Nicola Bux, nascido em 1947, é conhecido como “muito próximo do Papa Bento XVI”. E precisamente ele, pouco mais de um mês atrás, deu o que falar no ambiente eclesial com uma carta aberta ao superior geral e aos sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada por Mons. Lefebvre, convidando-os a aceitar a mão estendida de Bento XVI.

Os observadores chegaram todos à conclusão mais lógica: o Papa quer fortemente a reconciliação.

Padre Nicola Bux.

Padre Nicola Bux.

Esta conclusão – explica monsenhor Bux ao Foglio – é ao mesmo tempo exata e imprecisa. É exata, porque Bento XVI quer esta reconciliação e pensa que não pode haver outra solução imaginável para o assunto da Fraternidade fundada por monsenhor Lefebvre. É imprecisa, se lhe atribuem um caráter político. Não há nada mais distante da mente deste Papa. Ratzinger é uma pessoa que não pensa e não atua em função da política eclesial. Por isso, muito frequentemente, é mal compreendido. E tanto mais vale isso para a questão da Fraternidade São Pio X: para ele, trata-se apenas do retorno definitivo e pleno à casa de muitos de seus filhos, que poderão fazer bem à Igreja.

Portanto, leituras de direita ou de esquerda seriam parciais, porém, não será fácil tirá-las do interior da própria Igreja. Como deveria se posicionar um católico em face a um acontecimento como a reconciliação entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X?

É necessário reler com atenção o que Bento XVI escrevia em 10 de março de 2009 na “Carta aos bispos” para explicar as razões da remissão da excomunhão dos quatro bispos ordenados por monsenhor Lefebvre: “Podemos ficar totalmente indiferentes diante de uma comunidade com 491 sacerdotes, 215 seminaristas, 6 seminários, 88 escolas, 2 institutos universitários, 117 religiosos, 164 religiosas e milhares de fiéis? Devemos realmente deixá-los tranquilamente ir à deriva longe da Igreja? (…) Logo, o que será deles?”.

Aqui está o coração de Bento XVI. Penso que se muitos homens da Igreja atuassem segundo este coração, não poderiam mais que alegrar-se pela conclusão positiva desta questão.

Talvez a oposição à vontade de Bento XVI nasça do fato de que muitos fazem a equivalência: reconciliação com os lefebvristas é igual a desautorização do Vaticano II.

Veja, o primeiro “acordo”, se quisermos chamá-lo assim, ocorreu no Concilio de Jerusalém entre são Pedro e são Paulo. Portanto, o debate, ainda que seja feito pelo bem da Igreja, não é tão escandaloso.

Outra constatação: os que isolaram o Concilio Vaticano II da historia da Igreja e o supervalorizaram com relação às suas mesmas intenções, não duvidam em criticar, por exemplo, o Concilio Vaticano I ou o Concilio de Trento. Há quem afirme que a Constituição dogmática Dei Filius do Vaticano I foi suplantada pela Dei Verbum do Vaticano II: isso é teologia fantasiosa.

Por outro lado, parece-me boa teologia aquela que expõe o problema do valor dos documentos, de seu magistério, de seu significado. No Concilio Vaticano II existem documentos de valor diverso e, portanto, de força vinculante diversa, que admitem diversos graus de discussão. O Papa, quando ainda era o cardeal Ratzinger, em 1988, falou do risco de transformar o Vaticano II em um “super-dogma”. Agora, com a hermenêutica da reforma na continuidade, ofereceu um critério para afrontar a questão e não para fechá-la. Não se pode ser mais papista que o Papa. Os Concílios, todos os Concílios e não apenas o Vaticano II, devem ser acolhidos com obediência, porém, pode-se avaliar de maneira inteligente o que pertence à doutrina e o que deve ser criticado. Não por acaso, Bento XVI convocou o Ano da Fé, porque a fé é o critério para compreender a vida da Igreja.

Como católicos, se deixamos bater docilmente nosso coração com o de Bento XVI, que devemos esperar da reconciliação definitiva entre Roma e a Fraternidade São Pio X?

Certamente não a vingança de uma facção sobre a outra, mas sim um progresso na fé e na unidade que são o único testemunho para que o mundo creia. Que sentido há na retórica do diálogo com o ateu, com o agnóstico, com o suposto “crente de outra maneira”, se não há alegria pela reconciliação com os irmãos na fé? Nosso Senhor nos ensinou: não é o diálogo com o mundo o que converterá o mundo, mas sim a nossa capacidade de estarmos unidos. Nesse período, recorro frequentemente a uma oração composta pelo cardeal Newman: “Senhor Jesus Cristo, que quando estavas sofrendo orou por teus discípulos para que fossem um até o final, como és Tu com o Padre e o Padre contigo, derrubai os muros de separação que dividem os cristãos de diversas denominações. Ensina a todos que a Sé de Pedro, a Santa Igreja de Roma, é o fundamento, o centro e o instrumento desta unidade. Abri seus corações à Verdade, por tanto tempo esquecida, de que nosso Santo Padre, o Papa, é Teu Vigário e Representante. E assim como no Céu existe uma só companhia santa, assim sobre esta terra haja uma só comunhão que professe e glorifique o Teu Santo Nome”.

Tradução de Fratres in Unum.com a partir do texto em espanhol publicado em: La Buhardilla de Jerónimo

Fonte original: Messainlatino

22 março, 2012

Dom Williamson responde a Monsenhor Nicola Bux: que o Papa consagre a Rússia ao Imaculado Coração de Maria!

Fonte: Eleison Comments CCXLV | Tradução: Fratres in Unum.com

Monsenhor,

Em uma carta aberta de 19 de março endereçada a Dom Fellay e a todos os padres da FSSPX, o senhor apelou a nós para que aceitássemos a sincera e afetuosa oferta de reconciliação que o Papa Bento XVI está fazendo à FSSPX para a cura da longa fratura entre Roma e a FSSPX. Permita que um dos bispos da FSSPX tome para si a responsabilidade de lhe expressar o que pensa poder ser a resposta daquele “grande homem da Igreja”, Dom Lefebvre.

A sua carta começa com um apelo para “todo sacrifício em nome da unidade”. Mas não pode haver unidade Católica senão fundada na verdadeira Fé Católica. O grande Arcebispo fez todo sacrifício pela unidade na verdadeira doutrina da Fé. Infelizmente, as discussões doutrinais de 2009-2011 provaram que a fratura doutrinal entre a Roma do Vaticano II e a FSSPX continua tão grande como sempre. Mas a Fé sacrificada pela unidade seria uma unidade infiel.

É claro que a Igreja é uma instituição tanto humana como divina. É claro que o elemento divino não pode falhar, então é claro que a Igreja ao fim não pode falhar, e o sol nascerá de novo. Mas se poderia divergir quando o senhor diz que o amanhecer está perto, pois a verdadeira Fé que a FSSPX defendeu nas discussões não está brilhando desde a Roma do Vaticano II, do que decorre que nela a FSSPX não poderia estar em segurança. Nem poderia trazer luz se ela mesma adotasse a escuridão Conciliar.

A sinceridade do desejo do Papa em acolher de volta a FSSPX na “plena comunhão eclesial”, como demonstrada em uma série de gestos de verdadeira boa vontade, não está em dúvida, mas “uma profissão de fé comum” entre a FSSPX e aqueles que crêem no Vaticano II não é possível, ao menos que a FSSPX abandonasse aquela Fé que defendeu nas discussões. E quando a FSSPX grita “Deus não permita!” para essa deserção, longe de sua voz ser sufocada, ela é ouvida em todo o mundo.

Certamente, “esta é a hora apropriada”, certamente “chegou o momento favorável” para aquela solução aos cruéis problemas da Igreja e do mundo a que a Mãe do Céu há muito chama, e que depende apenas do Santo Padre. Esta solução clara há muito é conhecida.

Como os Céus poderiam ter deixado o mundo em tal agonia como a dos últimos 100 anos sem dar uma solução como aquela dada pelo Profeta Elias para a lepra do general sírio Namaã? Humanamente falando, a solução parecia ridícula, mas ninguém diria que era impossível. Ela pedia meramente alguma fé e humildade. O general pagão uniu suficiente fé e confiança no homem de Deus para fazer o que os Céus pediam, e, é claro, ele foi curado instantaneamente.

Que o Santo Padre reúna fé e confiança o suficiente na promessa da Mãe do Céu! Que ele agarre este “momento oportuno” antes que homens totalmente loucos tenham sucesso em lançar uma Terceira Guerra Mundial no Oriente Médio! Que ele, imploramos, suplicamos, salve a Igreja e o mundo ao fazer meramente o que a Mãe do Céu pediu. Não é impossível. Ela superaria todos os obstáculos em seu caminho. Certamente, apenas ele pode agora nos salvar de sofrimentos inimagináveis e desnecessários.

E se ele desejar qualquer apoio, na oração ou na ação, da humilde FSSPX para ajudá-lo a consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração, em união com todos os bispos do mundo, que a Mãe do Céu reuniria, ele sabe que poderia contar primeiro e antes de tudo com o de Dom Fellay e dos outros três bispos da FSSPX, o menor dos quais é

Seu devoto servo em Cristo,

+ Richard Williamson.

[Atualização – 26 de março de 2012, às 08:07 – Um dia após a publicação de nossa tradução da coluna de Dom Williamson, recebemos uma versão corrigida, com alguns acréscimos (em negrito) e exclusões (grifadas) cuja tradução apresentamos abaixo].

RESPOSTA ABERTA À CARTA ABERTA DE MONSENHOR NICOLA BUX (Versão Corrigida)

(antecipando 24 de março de 2012, com permissão para cópia) Londres, 24 de março de 2012.

Monsenhor,

Em uma carta aberta de 19 de março endereçada a Dom Fellay e a todos os padres da FSSPX, o senhor apelou a nós para que aceitássemos a sincera e afetuosa oferta de reconciliação que o Papa Bento XVI está fazendo à FSSPX para a cura da longa fratura entre Roma e a FSSPX. Permita que eu, como um dos padres da FSSPX a quem o senhor se dirigiu, tome para mim o encargo de lhe dar a minha opinião quanto ao que poderia ter sido a resposta daquele “grande homem da Igreja”, Dom Lefebvre.

A sua carta começa com um apelo para “todo sacrifício em nome da unidade”. Mas não pode haver unidade Católica senão fundada na verdadeira Fé Católica. O grande Arcebispo fez todo sacrifício pela unidade na verdadeira doutrina da Fé. Infelizmente, as discussões doutrinais de 2009-2011 provaram que a fratura doutrinal entre a Roma do Vaticano II e a FSSPX continua tão grande como sempre. Mas a Fé sacrificada pela unidade seria uma unidade infiel.

Quanto a essa fratura mencionada em 19 de março como nada mais que “perplexidades remanescentes, pontos a serem aprofundados ou detalhados”, porém, em 16 de março, o Cardeal Levada foi categórico no sentido de que a posição tomada por Dom Fellay em 12 de janeiro é “insuficiente para superar os problemas doutrinais”. Dom Fellay certa vez observou como os clérigos de Roma podem divergir entre si, mas seja lá o que for a sua unidade, de qualquer maneira a Fé sacrificada pela unidade seria uma unidade infiel.

É claro que, como o senhor nos lembra, a Igreja é uma instituição tanto divina como humana. É claro que o elemento divino não pode falhar, então, é claro que a Igreja ao fim não pode falhar, e o sol nascerá de novo. Mas se poderia divergir quando o senhor diz que o amanhecer está perto, pois a verdadeira Fé que a FSSPX defendeu nas Discussões não está brilhando desde a Roma do Vaticano II, onde, de acordo com a FSSPX, não poderia estar em segurança. Nem poderia trazer luz se ela mesma adotasse a escuridão Conciliar.

A sinceridade do desejo do Papa em acolher de volta a FSSPX na “plena comunhão eclesial”, como demonstrada em uma série de gestos de verdadeira boa vontade, não está em dúvida, mas “uma profissão de fé comum” entre a FSSPX e aqueles que crêem no Vaticano II não é possível, ao menos que a FSSPX abandonasse aquela Fé que defendeu nas Discussões. E quando a FSSPX grita “Deus não permita!” para essa deserção, longe de sua voz ser sufocada, ela é ouvida em todo o mundo, e ela produz frutos católicos para  a Igreja, que, hoje em dia são a expectativa mais que a regra.

Certamente, “esta é a hora apropriada”, certamente “chegou o momento favorável” para uma solução aos cruéis problemas da Igreja e do mundo. Entretanto, é essa solução pela qual a Mãe do Céu há muito clama, e que depende apenas do Santo Padre. De fato, quando Nosso Senhor a colocou nas mãos de Sua Mãe, ela disse que nenhuma outra solução funcionaria, a fim de que Ele não pudesse deixar qualquer outra solução funcionar sem fazer a sua Mãe de mentirosa! Inconcebível.

A solução é conhecida há muito tempo, porque como os Céus poderiam ter deixado o mundo em tal agonia como a dos últimos 100 anos sem dar uma solução como aquela dada pelo Profeta Elias para a lepra do general sírio Namaã? Humanamente falando, banhar-se no Rio Jordão parecia ridículo, mas ninguém diria que era impossível. Era preciso somente alguma fé e humildade. O general pagão reuniu bastante fé e confiança no homem de Deus para fazer o que os Céus pediam, e, é claro, ele foi curado instantaneamente.

Que o Santo Padre reúna fé e confiança o suficiente na promessa da Mãe do Céu! Que ele agarre este “momento oportuno” antes que a economia global se desmorone, e antes que homens loucos tenham sucesso em lançar uma Terceira Guerra Mundial no Oriente Médio! Que ele, imploramos, suplicamos, salve a Igreja e o mundo ao fazer meramente o que a Mãe do Céu pediu. Não é impossível. Ela superaria todos os obstáculos em seu caminho. Ao fazer o que ela lhe pede, apenas ele pode agora nos salvar de sofrimentos inimagináveis e desnecessários.

E se ele desejar qualquer apoio, na oração ou na ação, com o qual a humilde FSSPX possa ajudá-lo a consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração, em união com todos os bispos do mundo, que a Mãe do Céu reuniria, ele sabe que poderia contar primeiro e antes de tudo com o de Dom Fellay e dos outros três bispos da FSSPX, o menor dos quais é

Seu devoto servo em Cristo,

+ Richard Williamson.

20 março, 2012

Carta do Pe. Nicola Bux a Dom Fellay e aos Padres da Fraternidade Sacerdotal São Pio X: “Vinde a Roma com toda segurança”.

Fonte: Tradinews | Tradução: Fratres in Unum.com

Excelência Reverendíssima,
Caríssimos Irmãos,

Padre Nicola Bux é também consultor para as Congregações para a Doutrina da Fé, Causa dos Santos e Culto Divino, assim como do Ofício para as Celebrações Litúrgicas Pontifícias. Foto: Rinascimento Sacro.

Padre Nicola Bux é também consultor para as Congregações para a Doutrina da Fé, Causa dos Santos e Culto Divino, assim como do Ofício para as Celebrações Litúrgicas Pontifícias. Foto: Rinascimento Sacro.

A fraternidade cristã é mais forte que a carne e o sangue, pois nos oferece, graças à Divina Eucaristia, um antegozo do paraíso.

Cristo nos convida a fazer a experiência da comunhão, é nisto que consiste o nosso “eu”. A comunhão é estimar a priori o seu próximo, pois temos em comum o único Salvador. Consequentemente, a comunhão está pronta a todo sacrifício em nome da unidade; e esta unidade deve ser visível, como nos ensina a última invocação da oração dirigida por Nosso Senhor a seu Pai – “ut unum sint, ut credat mundus” –, porque ela é o testemunho decisivo dos amigos de Cristo.

É inegável que numerosos fatos do Concílio Vaticano II e do período que o seguiu, vinculados à dimensão humana deste acontecimento, representaram verdadeiras calamidades e causaram profundas dores a grandes homens de Igreja. Mas Deus não permite que a Sua Santa Igreja possa chegar à auto-destruição.

Não podemos considerar a dureza do fator humano sem ter confiança no fator divino, ou seja, na Providência que, ao mesmo tempo em que respeita a liberdade humana, guia a história, e em especial a história da Igreja.

A Igreja é, ao mesmo tempo, instituição divina, divinamente garantida, e produto humano. O aspecto divino não prejudica o humano — personalidade e liberdade — e nem necessariamente o inibe; o aspecto humano, permanecendo íntegro, e mesmo comprometendo, não prejudica nunca o divino.

Por razões de Fé, mas também devido a confirmações, mesmo lentas, que observamos no âmbito histórico, cremos que Deus preparou e continua a preparar, ao longo destes anos, homens dignos de remediar os erros e quedas que todos nós lamentamos. Já aparecem, e aparecerão sempre mais, santas obras isoladas umas das outras, mas ligadas à distância por uma estratégia divina cuja ação constitui um plano ordenado, como aquele ocorrido miraculosamente na época da dolorosa revolta de Lutero.

Essas intervenções divinas parecem se multiplicar na medida em que os fatos se complicam. O futuro o demonstrará, como já estamos convencidos, e já parece romper a aurora.

Durante alguns momentos, a incerta aurora luta contra as trevas, lentas em se retirar, mas quando ela aponta, sabemos que o sol está lá e segue inevitavelmente o seu curso no céu.

Com Santa Catarina de Sena, queremos vos dizer: “Vinde a Roma com toda segurança”, junto à casa do Pai comum que nos foi dado como princípio e fundamento visíveis e perpétuos da unidade católica.

Vinde tomar parte neste futuro abençoado cuja aurora já se entrevê, apesar das trevas persistentes.

A vossa recusa aumentaria as trevas, e não a luz. Muitos são os raios de luz que já admiramos, a começar pelos da grande restauração litúrgica operada pelo Motu Proprio “Summorum Pontificum”, que suscita no mundo inteiro um grande movimento de adesão por parte todos aqueles, em particular os jovens, que desejam glorificar o culto do Senhor.

Como não considerar, além disso, os outros gestos concretos e cheios de significado do Santo Padre, como o levantamento das excomunhões dos bispos ordenados por Dom Lefebvre, a abertura de um debate público sobre a interpretação do Concílio Vaticano II à luz Tradição e, para isso, a renovação da Comissão Ecclesia Dei?

Restam, certamente, perplexidades, pontos a aprofundar ou esclarecer, como o ecumenismo e o diálogo interreligioso (que, aliás, já foi objeto importante de um esclarecimento trazido pela declaração Dominus Jesus da Congregação para a Doutrina da Fé, de 6 de agosto de 2000) ou a maneira como é compreendida a liberdade religiosa.

Também sobre estes temas, a vossa presença canonicamente garantida na Igreja trará mais luz.

Como não pensar na contribuição que poderíeis trazer, graças aos vossos recursos pastorais e doutrinais, à vossa capacidade e à vossa sensibilidade, ao bem de toda a Igreja?

Eis o momento oportuno, a hora favorável para retornar. Timete Dominum transeuntem: não deixeis passar o momento da graça que o Senhor vos oferece, não deixeis com que passe ao vosso lado sem reconhecê-lo.

O Senhor concederá outro?

Não deveremos comparecer todos um dia diante ao Seu Tribunal e responder não somente pelo mal cometido, mas sobretudo por todo bem que poderíamos fazer e que não realizamos?

O coração do Santo Padre treme: ele vos espera com ansiedade porque vos ama, porque a Igreja necessita de vós para uma profissão de fé comum frente a um mundo sempre mais secularizado e que parece voltar irremediavelmente as costas ao seu Criador e Salvador.

Na plena comunhão eclesial, com a grande família que constitui a Igreja Católica, a vossa voz não será asfixiada, o vosso comprometimento não será negligenciável nem negligenciado, mas poderá dar, com o de tanto outros, frutos abundantes que de outra forma permaneceriam desperdiçados.

A Imaculada nos ensina que muitas das graças acabam perdidas porque não são pedidas: estamos convencidos que, respondendo favoravelmente à oferta do Santo Padre, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X se tornará um instrumento para acender novos raios das mãos de nossa Mãe celestial.

Que São José, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria, Patrono da Igreja universal, neste dia que lhe é dedicado, queira inspirar e apoiar as vossas resoluções: “Vinde a Roma com toda segurança”.

Roma, 19 de Março de 2012
Festa de São José.

Pe. Nicola Bux

11 agosto, 2011

Missa Antiga: Missa de Jovens. Entrevista com o Padre Nicola Bux.

Papalepapale via Messa in Latino | Tradução: Fratres in Unum.com

Os bispos que desobedecem ao Papa não esperem então ser obedecidos por seu clero e fiéis. Nos episcopados: um galicanismo sorrateiro que se crê auto-suficiente. A reforma litúrgica: não era uma das urgências pretendidas pelo concílio. O exclusivismo dos que se professam ecumênicos.

por Francesco Mastromatteo

Padre Nicola Bux é também consultor para as Congregações para a Doutrina da Fé, Causa dos Santos e Culto Divino, assim como do Ofício para as Celebrações Litúrgicas Pontifícias.

Padre Nicola Bux é também consultor para as Congregações para a Doutrina da Fé, Causa dos Santos e Culto Divino, assim como do Ofício para as Celebrações Litúrgicas Pontifícias.

Um irreversível crescimento de consenso, especialmente entre os jovens. Padre Nicola Bux não tem dúvidas sobre o avanço da Tradição Católica, sobretudo entre as gerações mais jovens, após o Motu Proprio com o qual Bento XVI “liberalizou” o rito antigo já há quatro anos. Pedimos ao Pe. Nicola Bux,  professor da Universidade Lateranense, eminente teólogo e estudioso litúrgico muito próximo ao Papa Ratzinger, um balanço da situação, do ponto de vista privilegiado de um dos maiores especialistas em matéria litúrgica. Nós o encontramos durante um debate político, ao fim do qual não polpou críticas apertis verbis a um sub-secretário do atual governo, cuja declarada fé católica e proximidade com os movimentos pró-vida não impediram de votar um financiamento à Rádio Radicale [ndr: rádio oficial do partido esquerdista italiano Partito Radicale], como, no fim da contas, fizeram outros parlamentares católicos.

Padre Bux, até mesmo o suplemento de um jornal em nada filo-católico como o La Repubblica teve de reservar uma edição à difusão da missa em latim segundo o Missal de 1962. Algo está mudando?

O balanço é certamente positivo: há um crescimento desta oportunidade dada pelo Papa para toda a Igreja. Ela se difundiu sem imposições, depois que o Motu Proprio de 2007 abriu uma brecha. Agora já se passou a idéia de que o rito antigo nunca foi abolido e que a reforma litúrgica não era uma das necessidades prementes pretendidas pelo Concílio. A hostilidade para com a missa em latim foi sustentada por teses infundadas, como a de que nos primeiros séculos o sacerdote celebrava voltado para o povo, enquanto posteriormente teria lhe dado as costas: afirmação falsa, dado que o sacerdote estava voltado para o Senhor.

Uma missa antiga, mas amada pelos jovens: não é um paradoxo?

Basta dar uma volta, como eu faço, por celebrações e conferências: não só na Itália, mas no exterior, o rito antigo se difunde mais e mais precisamente entre os jovens. Na minha visão, isso se deveu ao fato de que os jovens se aproximam da fé buscando o sentido do Mistério, e o encontram de forma clara na Missa celebrada na forma extraordinária. O retorno ao rito tradicional não é secundário para a fé: ele favorece, em uma dimensão vertical, o encontro com Deus em um mundo contemporâneo no qual o olhar do homem está voltado para si mesmo e para a dimensão material da existência. Nesse sentido, favoreceu uma espécie de “contágio” espiritual benéfico.

Há alguns meses, a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei lançou um documento, a instrução sobre a aplicação do Motu Proprio. Há quem tenha falado de uma espécie de apelo aos bispos para atender às demandas dos fiéis…

É uma tradução do Motu Proprio em indicações concretas. A média dos bispos, que a princípio ficou perplexa, já pode começar a se mover na direção certa. Esta instrução encoraja os bispos a atender os pedidos dos fiéis sensíveis à missa antiga, que deve ser considerada por todos uma riqueza da liturgia romana.

Não é nenhum segredo que alguns episcopados não apreciaram esta escolha e procuram de todas as maneiras obstruí-la, comportando-se como verdadeiros e próprios rebeldes para com o Papa…

Há realmente uma espécie de neogalicanismo sorrateiro, em que alguns setores da Igreja pensam ser auto-suficientes de Roma. Mas quem pensa nestes termos não é católico. Os bispos que desobedecem ao Papa se colocam na posição de não serem eles mesmos obedecidos por párocos e fiéis.

A Igreja sempre disse: lex orandi, lex credendi. A liturgia é estreitamente ligada à teologia. O Papa Bento XVI estabeleceu como bússola do seu Magistério a continuidade com a Tradição e um gesto forte foi remover a excomunhão dos lefebvrianos. O que o senhor acha?

Penso que foi um gesto de grande caridade. Romper a comunhão é fácil, o difícil é restabelecer, mas Cristo quis que todos nós fôssemos um e isso deve ser um imperativo para nós. A obra meritória do Papa evidencia a sua grande paciência, mas, por outro lado, como se não fosse assim, assistimos a um paradoxo: enquanto se exige tanto o diálogo com os não-católicos e até mesmo com os não-cristãos, como se pode ser preconceituosamente hostil à idéia de se reunir com aqueles que têm a mesma fé? O próprio Bento XVI naquela ocasião citou a carta de São Paulo aos Gálatas: “Se vós, porém, vos mordeis e devorais mutuamente, tomai cuidado em não vos destruirdes uns aos outros”. O drama atual da Igreja é o exclusivismo da parte daqueles que se professam ecumênicos.

Nesta ocasião se falava sobre política e valores. Muitos líderes de partidos enchem a boca com a expressão “questão moral”…

Ouço falar muito sobre a necessidade de “códigos de ética” para os partidos, mas de uma ética não muito especificada. A fonte do que é bem ou mal pode derivar do homem? Devemos nos voltar para os Dez Mandamentos, as únicas verdadeiras tábuas éticas que vêm de Deus.

27 abril, 2010

Don Nicola Bux, a propagação da Missa Tradicional e a centralidade do Sacrário.

Publicamos abaixo um excerto da entrevista concedida pelo Padre Nicola Bux, consultor para as Cerimônias Pontifícias e das congregações para a Doutrina da Fé e para a Causa dos Santos, ao Padre Stefano Carusi, redator do blog Disputationes Theologicae, do Instituto do Bom Pastor.

Pe. Nicola Bux discursa em congresso sobre o motu proprio Summorum Pontificum em Roma.

Pe. Nicola Bux (à esquerda) discursa em congresso sobre o motu proprio Summorum Pontificum em Roma.

É importante que a Missa antiga — chamada também de tridentina, mas que é mais apropriado chamar “de São Gregório Magno”, como disse recentemente Martin Mosebach — seja conhecida. Ela tomou forma já sob o Papa Dâmaso e depois exatamente Gregório, e não São Pio V, que procurou reordenar e codificar, reconhecendo os enriquecimentos dos séculos precedentes e retirando o que havia de obsoleto. Esta missa, da qual o ofertório é parte integrante, é conhecida antes de tudo com esta premissa. Foram publicadas muitas obras de grandes estudiosos neste sentido e muitos se questionaram sobre a pertinência de reintroduzir o antigo ofertório, para o qual o senhor acena. No entanto, apenas a Sé Apostólica tem a autoridade para agir em tal sentido. É verdade que a lógica que se seguiu ao reordenamento da liturgia após o Concílio Vaticano II levou a simplificar o ofertório, pois se acreditava que ali devesse haver mais fórmulas de orações ofertoriais; agindo assim introduziram as duas fórmulas de benção de sabor judaico e foram mantidas a secreta transformada em oração “sobre as ofertas” e o orate fratres, e pensaram ser mais do que suficiente. Para dizer a verdade, esta simplicidade vista como um retorno à pureza antiga entraria em conflito com a tradição litúrgica romana, com a bizantina e com outras liturgias orientais e ocidentais. A estrutura do ofertório era vista por grandes comentaristas e teólogos da Idade Média como a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, que vai se imolar em oferta sacrifical. Por isso as ofertas já eram chamadas de “santas” e o ofertório tinha uma grande importância. A simplificação posterior da qual falei fez com que muitos hoje procurem o retorno das ricas e belas orações “suscipe sancte Pater” e “suscipe Sancta Trinitas”, só para citar algumas. Mas será através de uma maior difusão da Missa antiga que este “contágio” do antigo sobre o novo será possível. Portanto, a reintrodução da Missa “clássica”, se é que posso usar a expressão, pode constituir um fator de grande enriquecimento. É necessário facilitar a celebração regular em dias de festa da missa tradicional ao menos em cada catedral do mundo, mas também em cada paróquia: isso ajudará os fiéis a conhecer o latim e a se sentir parte da Igreja Católica, e praticamente os ajudará a participar da missa nos encontros em santuários internacionais. […]

[…]  [O homem] deve, antes de tudo, poder encontrar na Igreja aquilo que é a definição por excelência do sagrado: Jesus Eucarístico. O tabernáculo deve voltar ao centro. É verdade, historicamente, nas grandes basílicas ou nas catedrais o tabernáculo era em capelas laterais. Sabemos bem que, com a reforma tridentina, preferiu-se recolocar o tabernáculo no centro, também para combater os erros protestantes sobre a presença verdadeira, real e substancial do Senhor. Mas também é verdade que hoje a mentalidade que nos circunda não só contesta a presença real, mas contesta a presença do divino. Na religião, naturalmente, o homem procura o encontro com o divino, mas esta presença do divino não pode ser reduzida a algo puramente espiritual. Esta presença é “palpável” e isso não se faz com um livro, não se pode falar de presença do divino apenas nos termos relativos às Sagradas Escrituras. Certamente, quando a Palavra de Deus é proclamada, é justo falar da presença divina, mas é uma presença espiritual, não a presença verdadeira, real e substancial da Eucaristia. Daí a importância do retorno à centralidade do tabernáculo e, com isso, à centralidade do Corpo de Cristo presente. O lugar central não pode ser a cadeira do celebrante, não é um homem que está no centro da nossa fé, mas é Jesus na Eucaristia. Caso contrário, termina-se por comparar a igreja a um auditório, a um tribunal deste mundo, no centro do qual se senta um homem. O sacerdote é ministro, não pode ser o centro, o centro é Cristo Eucaristia, é o tabernáculo, é a cruz.

24 julho, 2009

D. Nicola Bux e a Comunhão na mão: “Lamento, mas não existe nenhum texto da Tradição que a sustente”.

Entrevista de D. Nicola Bux concedida a Bruno Volpe:

Don Bux, qual é a maneira mais correta de comungar?

Diria que são duas. Há a posição de pé, recebendo a partícula na boca, ou de joelhos. Não vejo uma terceira via.

Falemos da posição vertical…

Está bem, não tenho nada contra ela. O importante é que o fiel esteja intimamente consciente do que vai receber, isto é, que não se aproxime da Comunhão com uma despreocupação que demonstra imaturidade e absoluta distância de Deus.

Comunhão de pé… mas o que é melhor?

Veja, até a Comunhão de pé, se feita com devoção, compunção e sentido do sagrado, não está mal. Seria belo e conveniente, sem dúvida, que a Comunhão (inclusive quando de pé) seja precedida por um sinal formal de reverência, ou seja, a cabeça coberta para as mulheres, o sinal da cruz ou uma inclinação de amor.

Mas, por que freqüentemente as pessoas se aproximam da Comunhão como se fosse um buffet?

Gosto desta expressão e em parte é também correta. Muitos se levantam mecanicamente e não sabe, e nem sequer imaginam, o que recebem. Pensa-se que a participação na Missa inclui automaticamente a Comunhão, à qual devem se aproximar somente aqueles que estão realmente na graça de Deus.

Nos últimos meses, o Papa Bento XVI tem administrado a Comunhão de joelhos…

Tem feito muito bem. Considero que o ajoelhar-se para receber a Comunhão ajuda a recolher o espírito e a compreender mais o mistério. Ajoelhar-se diante do Corpo de Cristo é um ato de amor e de humildade agradável a Deus, que nos faz reavaliar este sentido do sagrado atualmente à deriva e perdido, ou, ao menos, diminuído.

Em resumo, a Comunhão de joelhos ajuda o espírito…

Certamente, favorece o recolhimento e a espiritualidade. Considero que a posição de joelhos para receber a Comunhão é a que mais responde ao sentido do mistério e do sagrado.

E a comunhão na mão?

Lamento, mas não existe nenhum texto da Tradição que a sustente. Nem sequer o tomai e comei todos: não há nenhuma menção da mão e, se quisermos, os apóstolos eram sacerdotes e tinham o direito à Comunhão na mão. Os orientais não a permitem.

Numa igreja de Roma, a da Caravita, geralmente muito concorrida especialmente pela comunidade católica mexicana, um sacerdote jesuíta […] faz os fiéis tomarem pessoalmente a partícula e molhá-la no cálice. É correto?

Trata-se de um abuso gravíssimo e intolerável, do qual faz bem em me avisar e do qual o bispo deve tomar consciência e conhecimento. Os parágrafos 88 e 94 [da Redemptionis Sacramentum] afirmam que não é permitido aos fiéis tomar por si mesmos a hóstia ou passar o cálice de mão em mão. Creio que a Comunhão não é válida. Analisarei o problema, mas estamos diante de um abuso inadmissível que deve ser reprimido o quanto antes.

Fonte: La Buhardilla de Jeronimo

Original: Pontifex

3 julho, 2009

D. Nicola Bux: “Por que o Santo Padre não age? Não pode impor a esses prelados a obediência?”.

VATICANO – AS PALAVRAS DA DOUTRINA por padre Nicola Bux e padre Salvador Vitiello – A necessária obra de Pedro
 
Link para o original.Cidade do Vaticano (Agência Fides) – Clemente Romano, ao falar das mortes dos apóstolos Pedro e Paulo, observa que a inveja de alguns na própria comunidade cristã facilitou-as. Após dois mil anos, o pecado está sempre presente nos homens. Há os que se alegram com o Magistério pontifício, mesmo porque colocou um freio na interpretação “descontínua” do Concilio Vaticano II, explicando que os conflitos disseminados na área da doutrina, da educação e da liturgia são o resultado de um mal-entendido e que o Concilio foi claro.
 
O Papa é “Pedro”, o chefe dos apóstolos. Os seus irmãos Bispos pastoreiam legitimamente o rebanho de Cristo somente em união efetiva e afetiva com a Cátedra de Pedro. Caso contrário, retorna-se à experiência do século IV, quando quase todos os Bispos do mundo se dobraram à vontade de um imperador ariano. Somente o Papa, e um punhado de Bispos fiéis a ele, preservaram a fé católica. O Papa está ali para recordar que a Igreja não é uma estrutura humana. Esse também é o motivo pelo qual muitas culturas e muitos povos diferentes encontram nela a sua identidade.
 
Como muitas vezes lembrou o Servo de Deus João Paulo II, estamos no meio de uma “silenciosa apostasia”, que está se tornando cada vez menos silenciosa e cada vez mais evidente. Na história da Igreja nunca houve uma falta de fé assim tão disseminada. O adversário é sutil e insere flechas no fundo do coração dos homens, tão profundamente que são quase invisíveis. Basta pensar no profeta Daniel, que alertava que o adversário tomaria o poder em todas as nações de modo pacífico e com promessas.
 
O Cardeal J.H.Newman supunha que a apostasia do povo de Deus, em diversas épocas e lugares, tivesse sempre precedido os “anticristos”, tiranos como Antioco e Nero, Juliano o Apostata, os líderes ateus da Revolução francesa, cada “tipo” ou “presságio” do anticristo, que viria no fim da história, quando o mistério de iniquidade manifestaria a sua insensatez final e terrível. A incapacidade dos fiéis de viver a própria fé, alertava Newman, como nas épocas precedentes, teria levado “ao reino do homem do pecado, que teria negado a divindade de Cristo e colocado a si próprio em seu lugar” (M.D.O’Brien, O Inimigo, Cinisello Balsamo 2006, pp. 175-176).
 
Há a tentativa de reduzir a Igreja a uma agência mundial humanitária e a utopia que a unidade das nações possa ser realizada pelos organismos internacionais e não por Cristo. Mas o Senhor, mesmo se dorme no barco em meio à tempestade, no momento final despertará e aplacará as ondas. Depois voltará e nos perguntará por que tivemos tão pouca fé. Enquanto isso, carregamos a cruz. Observamos a traição. Sofremos.
 
Escreve ainda Newman: “O objetivo do diabo, quando semeia a revolução na Igreja é levá-la à confusão, para que a sua atenção se distraia e as suas energias se dispersem. Desse modo, enfraqueceremos justamente no momento da história em que precisamos ser mais fortes”. “Por que o Santo Padre não age? Não pode impor a esses prelados a obediência?”. “Ele fez isso repetidamente e do modo mais cristão. Mas não comanda uma polícia, ou um exército. Recentemente foi mais firme com os dissidentes […] A solução, porém, não é o autoritarismo, porque este somente jogaria gasolina no fogo da revolta. O Santo Padre age para que haja luz. Lembra a todos nós Aquele que levou a cruz e que nela morreu. Em suas mãos leva somente isso, uma cruz; fala sempre do triunfo da Cruz. Aqueles que não querem escutar responderão a Deus” (Ivi,p 402-403).
 
(Agência Fides 2/7/2009)