Search Results for “chaput”

19 julho, 2011

Dom Charles J. Chaput é nomeado Arcebispo de Philadelphia. Novo Cardeal à vista.

O combativo arcebispo de Denver, Dom Charles J. Chaput, OFM Cap., foi nomeado novo arcebispo de Philadelphia (EUA). Ele substitui o Cardeal Justin F. Rigali, cuja renúncia foi aceita pelo Papa Bento XVI por atingir a idade limite de 75 anos.

Chaput foi um dos visitadores apostólicos enviados pelo Papa aos Legionários de Cristo e à diocese australiana de Toowoomba, que culminou com a destituição de seu bispo diocesano. Também se destacou por sua oposição aberta à eleição de Obama, por sua defesa veemente da identidade das instituições de caridade católicas e por seu combate ao aborto. Veja mais aqui.

7 dezembro, 2016

O Papa se cala, mas seus amigos cardeais falam. E acusam.

O prefeito do novo dicastério para a família ataca o Arcebispo de Filadélfia, Charles J. Chaput, pelo modo como ele implementa a  “Amoris Laetitia” em sua diocese. Eis as diretrizes que acabaram sob julgamento.

Por Sandro Magister, Roma, 23 de novembro de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Nenhuma palavra saiu da boca do Papa Francisco depois que quatro cardeais pediram-lhe publicamente para desmantelar cinco grandes “dúvidas” suscitadas pelas passagens mais controversas da “Amoris laetitia”:

> “Fazer clareza”. O apelo dos quatro cardeais ao Papa

jpg_1351420Ou melhor, uma não-resposta foi o que o papa deu, quando em uma entrevista a Stefania Falasca para o jornal da Conferência Episcopal Italiana “Avvenire”, em 18 de novembro, a um certo ponto ele disse, falando com intimidade à sua amiga de longa data:

Alguns – pense em certas réplicas à ‘Amoris laetitia’ – ainda não compreendem, ou é branco ou preto, mesmo que seja no fluxo de vida que se tem de discernir.”

E uma outra não-resposta foi dada na audiência geral da quarta-feira, 23 de novembro, dedicada exatamente à obra de misericórdia: “aconselhar os duvidosos”:

“Não façamos da fé uma teoria abstrata, onde as dúvidas se multiplicam”

Em compensação, meteram-se a falar no lugar do papa não poucos eclesiásticos de seu círculo, que competem entre si para dizer que a exortação pós-sinodal “Amoris laetitia” é por si só claríssima e não pode dar lugar a dúvidas e, portanto, quem levanta tais dúvidas, na realidade, ataca o papa e desobedece ao seu magistério.

E entre esses loquazes enviados, particularmente, tem se destacado o cardeal Christoph Schönborn, o qual já foi várias vezes citado publicamente pelo Papa Francisco como seu intérprete autorizado e primeiro guardião da doutrina da Igreja, ignorando o Cardeal Gerhard L. Müller, cujo papel como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé foi agora reduzido a um mero título honorário.

Mas, o mais incontinente foi outro cardeal, fresquinho no cardinalato, o americano Kevin J. Farrell, que disse em uma entrevista ao “National Catholic Reporter”:

“Em ‘Amoris laetitia’, é o Espírito Santo que fala. E ela deve ser tomada como ela é. É o documento guia para os próximos anos. Eu, honestamente, não vejo por que alguns bispos acham que devem intrepretá-la”.

Portanto, engana-se quem acha que Francisco irá ainda intervir. “Eu acho que o papa já falou o suficiente” – acrescentou Farrell – quando, em 5 de setembro, deu a sua aprovação para a exegese de “Amoris laetitia” feita pelos bispos Argentinos da região de Buenos Aires, segundo a qual é possível aos divorciados novamente casados no civil receberem a comunhão, ainda que continuem a viver “more uxório”, ou seja, “como marido e mulher”.

Farrell foi feito cardeal pelo Papa Jorge Mario Bergoglio no consistório de 19 de novembro passado. E desde agosto do ano passado é prefeito do novo dicastério Vaticano para os leigos, família e vida.

É, portanto, um dos novos rostos da nova Cúria de papa Francisco. Uma cúria que – é repetido várias vezes – não deve atropelar, mas promover a multiforme “criatividade” de cada Bispo na respectiva diocese.

Mas, na verdade, está acontecendo o oposto. Em outra entrevista – desta vez ao “Catholic News Service”, a agência da Conferência Episcopal dos Estados Unidos – Farrell não pensou duas vezes para atacar “ad personam” um bispo ilustre e seu compatriota, cuja “culpa” teria sido apenas aquela de oferecer à sua diocese as diretrizes para a implementação de “Amoris Laetitia”, as quais, obviamente, não agradaram ao próprio Farrell.

O agredido não é um desconhecido. Trata-se de Charles J. Chaput, Arcebispo de Filadélfia, a cidade que em 2015 sediou o Encontro Mundial das Famílias em que o Papa Francisco fez visita (ver foto).

Chaput é um franciscano e o primeiro bispo dos Estados Unidos oriundo de uma tribo nativa americana. A pastoral da família é uma de suas competências mais reconhecida. Ele participou no Sínodo sobre a família e no final de sua segunda e última sessão foi eleito por um grande número de votos entre os doze membros do conselho de cardeais e bispos que fazem ponte entre um Sínodo e o outro.

De acordo com Farrell, no entanto, ele cometeu o delito de ter ditado aos seus sacerdotes e fiéis diretrizes “fechadas”, ao invés de “abertas”, como Papa Francisco quer.

“Eu não compartilho do sentido que o Arcebispo Chaput deu”, disse o novo prefeito da pastoral do Vaticano para a família. “A Igreja não pode reagir, fechando as portas antes mesmo de ouvir as circunstâncias e as pessoas. Não é assim que se faz.”

Chaput reagiu ao incrível ataque com uma contra-entrevista ao “Catholic News Service”, reproduzida na íntegra no Italiano e Inglês neste post de “Setimo Cielo”:

> O Papa se cala, mas o neo-cardeal, seu amigo, fala e acusa. Não há paz sobre “Amoris Laetitia“.

Mas o que interessa agora é verificar de perto o assunto do litígio, ou seja, as orientações oferecidas por Chaput à sua Arquidiocese de Filadélfia.

Elas são reproduzidas no link abaixo. Estas sim, bem claras e sem sombra de dúvida.

Diretrizes pastorais para implementação de Amoris Laetitia – Arquidiocese de Filadélfia

É fácil notar que as orientações da Arquidiocese de Filadélfia são semelhantes àquelas ditadas pelo Cardeal Ennio Antonelli aos sacerdotes da Arquidiocese de Florença, divulgadas em outubro passado em http://www.chiesa:

> Em Roma, sim, em Florença não. Eis como “Amoris laetitia” divide a Igreja.

O Cardeal Antonelli foi arcebispo de Florença entre 2001-2008 e depois, por quatro anos, prefeito do Pontifício Conselho para a Família, quando foi substituído em 2012 por Dom Vincenzo Paglia e este ano pelo novo cardeal Farrell, no novo ministério expandido.

Também a ele é reconhecida uma competência indiscutível no assunto. Mas, não obstante tudo isso, o Papa Francisco não o chamou para participar do duplo Sínodo sobre a família.

Três meses após a publicação de “Amoris laetitia”, até mesmo Antonelli disse que estava “à espera de orientação com autoridade desejável” do papa, que esclarecesse os pontos obscuros da Exortação. Portanto, bem antes que viessem à tona os quatro cardeais com suas cinco “dubia”.

Mas, também a expectativa de Antonelli foi respondida pelo Papa Francisco apenas com o silêncio. Bem como às expectativas de muitos outros cardeais e bispos, que de modo reservado lhe dirigiram e continuam a dirigir apelos semelhantes, movidos por uma crescente preocupação com a confusão prevalecente em toda a Igreja, tanto na fé como nas obras.

Tags:
22 julho, 2016

Grupo de intelectuais católicos apelam ao Papa para repudiar ‘erros’ em Amoris Laetitia.

Por Edward Pentin – National Catholic Register, 11 de julho de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Um grupo de estudiosos católicos, prelados e clérigos enviou um apelo ao Colégio dos Cardeais pedindo que eles solicitem do Papa Francisco um “repúdio” ao que eles vêem como “proposições errôneas” contidas na Amoris Laetitia.

Em um comunicado divulgado hoje, os 45 signatários do apelo dizem que Amoris Laetitia – o documento pós-sinodal do Papa (documento de síntese) sobre o recente Sínodo sobre a Família, que foi publicado em abril – contém “uma série de declarações que podem ser entendidas num sentido contrário à fé católica e à moral”.

O documento de 13 páginas, traduzido em seis idiomas e enviado ao cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio dos Cardeais, bem como 218 cardeais e patriarcas individuais, cita 19 passagens na exortação que “parecem entrar em conflito com doutrinas católicas”.

Os signatários – descritos como prelados católicos, estudiosos, professores, autores e clérigos de várias universidades pontifícias, seminários, faculdades, institutos teológicos, ordens religiosas e dioceses de todo o mundo – então prosseguem com uma lista de “censuras teológicas aplicáveis especificando a natureza e grau dos erros” contidos na Amoris Laetitia.

Uma censura teológica é um juízo sobre uma proposição concernente à fé católica ou a moral como contrária à fé ou no mínimo duvidosa.

A declaração diz que aqueles que assinaram o apelo fizeram a solicitação ao Colégio dos Cardeais, na sua qualidade de conselheiros oficiais do Papa,  para que “se aproximem do Santo Padre com um pedido: que ele repudie os erros listados no documento de forma definitiva e final, e afirme com autoridade que Amoris Laetitia não requer que se creia em qualquer um desses itens, ou que sejam considerados como possivelmente verdadeiros”.

“Nós não estamos acusando o Papa de heresia”, disse Joseph Shaw, um dos signatários do apelo e que também está atuando como porta-voz para os demais autores, “mas consideramos que numerosas proposições da Amoris Laetitia podem ser interpretadas como heréticas se fazemos uma leitura natural do texto. Declarações adicionais cairiam no campo de outras censuras teológicas estabelecidas, como escandalosas, errôneas em matéria de fé e ambíguas, entre outras”.

Tal é o clima em grande parte da Igreja de hoje, que um dos principais organizadores do apelo disse ao Register que a maioria dos signatários prefere permanecer anônimos porque “temem represálias, ou estão preocupados com repercussões em sua comunidade religiosa, ou têm uma carreira acadêmica e uma família e temem que possam perder os seus empregos”.

Entre os problemas citados na exortação, os signatários acreditam que Amoris Laetitia “mina” o ensinamento da Igreja sobre a admissão dos católicos divorciados e recasados civilmente aos sacramentos. Eles também acreditam que ela contradiz o ensinamento da Igreja de que todos os mandamentos podem ser obedecidos, com a graça de Deus, e que certos atos são sempre errados.

Shaw, um acadêmico da Universidade de Oxford, disse que os signatários esperam que, “ao buscar do nosso Santo Padre um repúdio definitivo desses erros, nós podemos ajudar a dissipar a confusão já provocada pela Amoris Laetitia entre os pastores e os fiéis leigos”.

Essa confusão, ele acrescentou, “pode ser dissipada eficazmente apenas por uma afirmação inequívoca do autêntico ensinamento católico pelo Sucessor de Pedro”.

Várias interpretações e críticas a Amoris Laetitia se seguiram à sua publicação. Em particular, cardeais têm debatido se o documento é magistério ou não.

O Cardeal Christoph Schönborn, que apresentou o documento em abril, acredita firmemente que é, ao dizer à Civilta Cattolica na semana passada que “não faltam passagens na Exortação que afirmam fortemente o seu valor doutrinário e de forma decisiva.”

O Cardeal Raymond Burke, no entanto, acredita que o documento contém passagens que não estão em conformidade com os ensinamentos da Igreja e é, portanto, não magisterial, algo que o Papa Francisco “deixa claro” no texto.

Na semana passada, o arcebispo Charles Chaput, da Filadélfia emitiu orientações pastorais para a implementação da Amoris Laetitia em que ele esclareceu passagens na exortação que parecem ambíguas no cuidado pelas almas dos católicos que vivem em situações difíceis ou objetivamente pecaminosas. Dom Chaput fez parte da delegação americana de padres sinodais no Sínodo sobre a Família em outubro passado.

14 outubro, 2015

Abade em Conferência de Imprensa do Sínodo: a maioria apoia a ideia de permitir que as igrejas locais decidam como devem lidar com a homossexualidade.

Por Life Site News | Tradução: Teresa Maria Freixinho – FratresinUnum.com: ROMA, 13 de outubro de 2015 – Hoje a conferência de imprensa do Sínodo no Vaticano apresentou o Abade alemão Jeremias Schroder, Arquiabade Presidente da Congregação de Santa Otília. O Abade Schroder disse que a maioria dos Padres Sinodais apoia a ideia de permitir que as diversas regiões estabeleçam seus próprios caminhos para lidar com questões de consciência, como, por exemplo, a homossexualidade e o divórcio.

Respondendo a uma indagação sobre a unidade na diversidade, o Abade mencionou tanto “a aceitação do homossexualismo” e o atendimento a “pessoas divorciadas e recasadas” como exemplos “em que as conferências episcopais deveriam ter permissão para  formular respostas pastorais que estejam em sintonia com aquilo que pode ser pregado, anunciado e vivido em um contexto diferente.”

O Abade deu a entender que essa abordagem regional é apoiada pela maioria dos Padres Sinodais. “Isso já aconteceu muitas vezes, muitas intervenções na aula defenderam a ideia de que deveria haver uma delegação e autorização para lidar, ao menos pastoralmente, com questões de diversas maneiras, de acordo com as culturas”, ele disse. “Creio ter ouvido algo assim pelo menos umas trinta vezes nas intervenções, ao passo que somente cerca de duas ou três pessoas falaram contra essa proposta, afirmando que a unidade da Igreja precisa ser mantida também em todos esses aspectos e que seria doloroso recorrer a uma delegação de autoridade desse tipo.”

O Arcebispo da Filadélfia, Charles Chaput, que é um dos Padres Sinodais representando a América, abordou o tópico em suas observações na conferência de imprensa do Sínodo na última quarta-feira. Algumas práticas eclesiásticas podem ser adaptadas em níveis locais, “em diálogo entre a Santa Sé e a Igreja local,” disse. “Ao mesmo tempo, a diversidade está sempre a serviço da unidade na Igreja Católica.”

Assim, ele continuou, não seria “apropriado que as conferências episcopais individualmente decidam questões doutrinais. Temos que ser muitos cautelosos com essa questão, assim como também somos cuidadosos no respeito ao caráter individual da Igreja local.”

17 setembro, 2015

Duplo padrão na seleção dos membros do Sínodo? Os casos curiosos do Cardeal Tong Hon e do Arcebispo Cordileone.

Por Rorate Caeli | Tradução: Teresa Maria Freixinho – FratresInUnum.com

1 – Será que o Vaticano mentiu ao excluir o Cardeal Tong Hon?

A lista final dos membros do Sínodo dos Bispos de 2015 inclui um bom número de prelados que já passaram da “idade da renúncia” (75), incluindo um punhado de cardeais octogenários: Tettamanzi (81), Kasper (82), Danneels (82), Sgreccia (87) e Sodano (88 em novembro deste ano). Muitos outros estão na faixa de 75 a 80, como, por exemplo, o Cardeal Damasceno Assis (um dos quatro Delegados-Presidentes do Sínodo, que está com 77 anos), os chefes de dicastério da Cúria, Cardeais Coccopalmerio (77), Amato (77) e Veglio (77), bem como muitos outros. Sem cair na fé cega em uma “solução biológica” contra o liberalismo — pois, afinal de contas, há um bom número de teólogos liberais e prelados em seus 40, 50 e início dos 60 anos – devemos observar que o “campo Kasperiano” tem, dentre seus líderes e promotores mais proeminentes, cardeais com mais de 70 e 80 anos de idade, incluindo a maioria dos prelados mencionados acima. (Sgreccia e Amato são conservadores convictos em questões morais, assim como o  Cardeal Carlo Caffarra de Bologna, que tem 77 anos de idade.)

Então, por que o Cardeal John Tong Hon, Arcebispo de Hong Kong, com 76 anos, um dos três Delegados-Presidentes do Sínodo sobre a Nova Evangelização de 2012 e delegado nomeado pelo papa para o Sínodo de 2014, ouviu do Vaticano que ele não poderia participar do Sínodo deste ano porque era velho demais? A agência asiática de notícias católicas UCANews divulgou em primeira mão, no dia 31 de agosto, a seguinte notícia:

O Cardeal Tong, de Hong Kong, diz que não foi convidado para o Sínodo sobre a Família.

A maior diocese chinesa não poderá ser representada no encontro do Vaticano

O chefe da maior diocese católica chinesa do mundo estará ausente do Sínodo Mundial dos Bispos em outubro porque foi considerado muito idoso.

O Cardeal John Tong Hon, de Hong Kong, não foi convidado para participar do sínodo deste ano, que tratará da família, porque ele tem mais de 75 anos.

“Agora sei que não vou ao sínodo,” disse o cardeal de 76 anos à ucanews.com em uma entrevista no final de agosto.

O cardeal contou ter sido informado por um representante do Vaticano que o Vaticano “não quer fazer quaisquer exceções” com relação à idade.

O Cardeal Tong disse que não sabia se outro representante de Hong Kong havia sido escolhido em seu lugar. Ele só sabia que havia sido “desqualificado por causa da idade,” disse, rindo.

“Eles encontrarão alguém… se precisarem de alguém,” disse o cardeal.

Em geral, os participantes do Sínodo são eleitos por conferências de bispos locais. Por razões históricas, Hong Kong, uma antiga colônia britânica e a maior diocese chinesa do mundo, com população católica de 560.000 pessoas, continua sendo área de missão e não tem sua própria conferência episcopal.

Alguns católicos de Hong Kong expressaram seu descontentamento porque a diocese não poderá ser representada no sínodo.

“É uma pena que ninguém de Hong Kong vá”, disse Francis Law, membro de uma página chinesa do Facebook chamada “Catholic Parents”, à ucanews.com.

Law disse que os católicos de Hong Kong poderiam contribuir com as discussões no sínodo, expressando preocupações sobre os acontecimentos recentes no mundo todo a respeito das uniões de pessoas do mesmo sexo, particularmente, nos Estados Unidos, que legalizou o casamento de pessoas do mesmo sexo em junho.

“Esses tipos de relatos precisam ser levadas ao Sínodo,” disse Law, que é membro da Comissão da Juventude Diocesana.

(…)

Obviamente, alguém mentiu para o bom cardeal! O Papa tem a prerrogativa de nomear quem ele desejar, e se o cardeal tivesse simplesmente sido ignorado para o Sínodo deste ano não haveria problema. Infelizmente, ele, um Cardeal da Igreja Romana, ouviu uma mentira deslavada quanto ao motivo pelo qual ele não podia comparecer – o que isso diz a respeito do Vaticano atualmente? Ou alguém do Vaticano mentiu para ele, ou um padrão duplo escandaloso foi utilizado: prelados com mais de 75 anos são inaceitáveis como delegados do Sínodo, salvo se forem “progressistas” da Europa?

Ao que parece, o Cardeal Tong Hon é um homem profundamente interessado em promover a vida familiar cristã, como se depreende de sua carta pastoral por ocasião do Natal de 2012 (afirmando que o matrimônio deveria ser entre um homem e uma mulher) e sua Carta Pastoral de novembro de 2014 sobre o “Evangelho da Família”. Ele afirma de maneira gentil, porém inconfundível, em resposta ao Cardeal Baldisseri, a necessidade de evitar confusão com relação à doutrina da Igreja  sobre a família, especialmente, nesta mensagem (grifos nossos):

Da maneira como eu vejo essa questão, além de dar mais importância ao bem-estar de crianças inocentes, o Cardeal Baldisseri tocou em, pelo menos, dois princípios importantes da ação pastoral: o primeiro, “acompanhamento compassivo” e o segundo, “compatibilidade com a doutrina da Igreja.”

Gosto de pensar no primeiro princípio no sentido de exortar a Igreja e seus pastores a terem um “coração ouvinte” (1 Reis 3: 9) e a se aproximarem com solicitude, amor e compaixão da pessoa como sujeito e não mero objeto de zelo e preocupação pastoral, não para julgar ou condenar, mas para respeitar a liberdade e dignidade da pessoa e acompanhá-la ao longo do difícil caminho rumo à totalidade e plenitude da vida.

 A Igreja deve desenvolver uma sensibilidade que lhe permita ser capaz de perceber e responder até mesmo ao grito silencioso do coração humano.

O segundo exige fidelidade à doutrina da Igreja, compreendida da maneira apropriada. Assim, a adoção de uma “atitude não julgadora” não significa que o pastor não esteja preocupado com o que é bom ou mau, certo ou errado, virtude ou pecado.

O pastor precisará do dom do discernimento e conhecer os parâmetros do que está ou não de acordo com a mentalidade da Igreja ao buscar soluções práticas, mas baseadas em princípios.

Isso me leva a um terceiro princípio, em outras palavras: “uma dimensão essencial do cuidado pastoral autêntico é a identificação das causas da confusão com relação à doutrina da Igreja.”

Com frequência é preciso, não somente do ponto de vista doutrinal, mas também pastoral, afirmar e elucidar a doutrina da Igreja, de modo a antecipar ou dissipar mal-entendidos ou confusões. A maneira e a linguagem como a mensagem é redigida e transmitida importam enormemente. 

Não se trata de “equilibrar a verdade com a misericórdia”, mas sim de falar a verdade com amor e sensibilidade, agindo de maneira coerente, com a coragem e esperança que vêm da fé em Deus, que é “rico em misericórdia”.

De modo algum de maneira dura, mas definitivamente não da maneira “Kasperiana” quanto ao tom.

Além disso, o Cardeal presidiu o crescimento rápido de conversões em sua Arquidiocese (ele acolheu 3.600 novos católicos na Páscoa de 2015!) Em tempos normais ele teria sido quase uma “presença confirmada” como membro do Sínodo. Sua posição clara em face à perseguição dos cristãos em Pequim é extremamente exemplar para os clérigos de hoje.

2- Arcebispo Cordileone – escolhido para ser excluído?

O Arcebispo Salvatore Cordileone, de San Francisco, não é apenas um conhecido “guerreiro da cultura”, mas também o Presidente do Sub-comitê para a Promoção e Defesa do Matrimônio da Conferência dos Bispos dos EUA. Não surpreende que ele tenha sido eleito por seus irmãos bispos americanos em novembro de 2014, como uma das duas “alternativas” [suplentes] de delegados para o Sínodo da conferência dos bispos americanos. O outro suplente era Blase Cupich, então época Arcebispo eleito de Chicago.

A lista final dos membros do Sínodo atualmente inclui 8 americanos: os quatro delegados eleitos pelos bispos dos EUA (Arcebispos Joseph Kurtz, Charles Chaput, Jose Gomez e o Cardeal Daniel DiNardo) e quatro nomeados pontifícios: Cardeais Timothy Dolan, Donald Wuerl, Arcebispo Blase Cupich e o Bispo George Murry SJ.

Não é interessante que dos seis bispos originalmente eleitos no ano passado pelos Bispos dos EUA para representá-los no Sínodo deste ano, seja como delegados seja como suplentes, o ÚNICO que não poderá comparecer é Salvatore Cordileone, que, na verdade, é o homem certo do episcopado americano no que tange à “promoção e defesa do matrimônio”?

Sua não nomeação fica mais acentuada pelo fato do Papa Francisco ter nomeado quatro prelados americanos, três dos quais haviam até mesmo sido eleitos por seus pares para representá-los no Sínodo deste ano. Não, ele não foi excluído porque não havia mais espaço para ele, nem poderia ter sido excluído por ser “desconhecido” – a posição dele como suplente, se não por outro motivo, certamente o teria colocado no escopo das atenções do Papa quando este (ou seus consultores mais próximos) estudasse quem mais deveria nomear para o Sínodo.

* * *

A exclusão desses dois prelados cheira a intriga indigna e a um jogo de poder no período de preparação para o Sínodo. Isso não nos surpreende mais, porém, é doloroso ver novas provas dessas coisas quase todo santo dia à medida que nos aproximamos de outubro.

* * *

Nota do Fratres – não surpreende, mas apenas registramos: Cardeal Burke não foi convocado para o Sínodo de 2015.

23 março, 2015

Ações do Sínodo. Cai Kasper, sobe Caffarra.

Também o Papa Francisco se distancia do primeiro e se aproxima do segundo. E mantém-se próximo ao Cardeal Muller. E promove o africano Sarah. Todos eles intransigentes defensores da doutrina católica sobre o matrimônio. 

Por Sandro Magister, 20 de março de 2015 | Tradução: Fratres in Unum.com – “Com isso não se soluciona nada”, disse o Papa Francisco sobre a idéia de administrar a Comunhão aos divorciados que voltaram a se casar [civilmente]. E muito menos se eles a “querem”, reivindicam-na. Pois a comunhão não é “uma insígnia, uma honraria. Não”.

Em sua última grande entrevista, Jorge Mario Bergoglio esfriou as expectativas de mudança substancial na doutrina e na praxe do matrimônio católico que ele mesmo havia, indiretamente, alimentado:

> Los primeros dos años de la “Era Francisco” en entrevista a Televisa

Francisco e Caffarra.

“Expectativas descomedidas”, definiu ele. E já não mencionou as teses inovadoras do Cardeal Walter Kasper, que ele havia engrandecido em várias ocasiões, mas das quais parece ter se distanciado.

Vice-versa, já há algum tempo o Papa Francisco olha com crescente atenção e estima a outro cardeal teólogo, que sobre o “Evangelho do matrimônio” sustenta teses perfeitamente alinhadas à tradição: o italiano Carlo Caffarra, arcebispo de Bolonha.

Como professor de teologia moral, Caffarra era especialista em matrimônio, família e procriação. E, por esta razão, João Paulo II o quis como presidente do Pontifício Instituto para Estudos sobre o Matrimônio e a Família criado por ele em 1981, na Universidade Lateranense, após o sínodo de 1980 dedicado precisamente a esses temas.

Portanto, causou impressão a exclusão, em outubro passado, de todo expoente de tal instituto — que neste ínterim se estendeu por todo o mundo — na primeira sessão do sínodo sobre a família.

Porém, agora este vazio foi preenchido: em 14 de março último, o Papa Francisco nomeou o professor José Granados, vice-presidente exatamente do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Matrimônio e a Família, como um dos consultores da secretaria geral da segunda e última sessão do sínodo, programada para outubro deste ano.

Quanto a Caffarra, se no próximo mês de maio não for eleito pela conferência episcopal como um de seus quatro delegados para o sínodo, seguramente será o Papa quem lhe incluirá entre os padres sinodais, como fez na sessão precedente.

O arcebispo de Bolonha é um dos cinco cardeais anti-Kasper que reuniram suas teses no livro “Permanecendo na verdade de Cristo”, publicado na Itália pela editora Cantagalli às vésperas do sínodo passado e traduzido atualmente em dez idiomas.

E foi, em seguida, um dos críticos mais decididos e melhor articulados do informe bomba lido por Kasper no consistório de fevereiro de 2014:

> El cardenal Caffarra: ningún Papa puede romper el vínculo matrimonial

Nesta ampla entrevista a “Il Folgio, de 15 de março de 2014, Caffarra disse, entre outras coisas, o que segue sobre a comunhão aos divorciados recasados:

“Quem admite esta hipótese não respondeu a uma pergunta muito simple: o que ocorre com o primeiro matrimônio rato e consumado? A solução apresentada leva a pensar que permanece o primeiro matrimônio, mas que também há uma segunda forma de convivência que a Igreja legitima. Por conseguinte, há um exercício da sexualidade humana extra-conjugal que a Igreja consideraria legítimo. Porém, com isso se nega o pilar da doutrina da Igreja sobre a sexualidade. Então, alguém poderia se perguntar: e por que não se aprovam as livres convivências? E por que não as relações entre homossexuais? Não é só questão de praxis, isso diz respeito à doutrina. Inevitavelmente. Também é possível dizer que não se faz, mas que se faz. E não só. Introduz-se um costume que a longo prazo determina esta idéia no povo, não só cristão: não existe nenhum matrimônio absolutamente indissolúvel. E isso, certamente, é contrário à vontade do Senhor”.

Abaixo, segue o texto integral do último posicionamento de Caffarra sobre o matrimônio e a família: uma conferência que proferiu no último 12 março na Pontifícia Universidade da Santa Cruz [ndr: o Fratres não teve condições de traduzir o texto; se algum leitor puder fazê-lo, publicaremos de bom grado].

Mas, antes, é útil recordar outros fatos que evidenciam a crescente aproximação do Papa Francisco do grupo dos críticos de Kasper.

O Papa continua mantendo à cabeça da congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal Gerhard L. Müller, o mais prestigioso dos cinco purpurados do livro anti-Kasper, muito firme em advertir sobre essa “sutil heresia cristológica” que consiste em separar a doutrina da praxis pastoral, na ilusão de que se possa mudar a segunda sem minar a primeira e, portanto, abençoar as segundas núpcias mantendo firme a indissolubilidade do matrimônio:

> Introduzione ai lavori della commissione teologica internazionale, 1 dicembre 2014

Em segundo lugar, o Papa Francisco, em uma das poucas nomeações importantes que fez recentemente na cúria, colocou na chefia da Congregação para o Culto Divino o Cardeal guineano Robert Sarah, autor de um livro entrevista  “Dieu ou rien. Entretien sur la foi”, publicado na França pela editora Fayard, no qual rejeita na raiz a idéia de dar a Comunhão aos divorciados recasados, que a seu juízo é “a obsessão de certas igrejas ocidentais que querem impor soluções que qualificam de ‘teologicamente responsáveis e pastoralmente apropriadas’ e que contradizem radicalmente o ensinamento de Jesus e do magistério da Igreja”.

Dando plena razão a Müller, o Cardeal Sarah diz ainda:

“A idéia que consistiria em pôr o magistério dentro de um belo cofre, separando-o da prática pastoral, que poderia evoluir segundo as circunstâncias, modas e paixões, é uma forma de heresia, uma perigosa patologia esquizofrênica”.

E depois de ter constatado que a questão dos divorciados recasados “não é um desafio urgente para as Igrejas da África e Ásia”, declara:

“Portanto, afirmo solenemente que a Igreja da África se oporá firmemente a toda rebelião contra o ensinamento de Jesus e do magistério”.

Efetivamente, os cardeais e bispos africanos eleitos até agora como representantes no próximo sínodo pelas respectivas igrejas nacionais, situam-se todos na posição intransigente de Sarah, com única exceção para o arcebispo de Accra, Charles Palmer-Buckle, que não só declarou ser favorável à comunhão aos divorciados recasados, mas também — em hipótese — ao divórcio, graças aos poderes do Papa de “unir e dissolver” qualquer coisa sobre a terra.

> African Archbishop Lays Down “Daring” Challenge for Synod on the Family

Há de se acrescentar que nesta posição intransigente também se alinharam os bispos da Europa Oriental, com os poloneses à frente:

> Konferencji Episkopatu Polski. Komunikat

> In English

E os quatro padres sinodais eleitos pela conferência episcopal dos Estados Unidos: Joseph Kurtz, Charles Chaput, Daniel DiNardo, José H. Gómez.

O mais “moderado” dos quatro, Kurtz, tampouco deixou de enfatizar — seguindo os passos do cardeal Müller — que “é muito importante que não haja nenhuma fissura entre o modo com que rezamos e cremos e o modo como exercemos a atenção pastoral. Há uma justa preocupação de permanecermos fiéis ao verdadeiro magistério da Igreja e esta é a atitude que adotarei no sínodo”:

> On Synod, Archbishop Kurtz Calls for Unity Between Catholic Beliefs and Pastoral Practice

 

18 novembro, 2014

O Papa confunde muitos Bispos.

Porque joga em muitos níveis e muitas vezes também se contradiz. É a conclusão de Sandro Magister, que há 40 anos segue de perto os acontecimentos do Vaticano.

magisterSandro Magister, entrevistado por Goffredo Pistelli – Italia Oggi, 13 de Novembro de 2014 | Tradução: Fabiano Rollim – Fratres in Unum.comEste ano Sandro Magister celebra 40 anos como jornalista no Vaticano. Seus primeiros artigos na L’Espresso datam de 1974. E atualmente, nas colunas e também no site daquela revista semanal, continua a reportar notícias do Vaticano e da Igreja, com tudo muito bem documentado e sem se curvar a ninguém.

Nascido em 1943, natural de Busto Arsizio, graduado em filosofia e teologia pela “Cattolica”, Magister acompanhou muitos pontífices romanos. Em relação ao último, o papa Francisco, seus artigos distinguem-no da maioria dos jornalistas vaticanos por observar sem hesitações as contradições existentes.

* * *

Pistelli: Magister, o Papa Bergoglio nos últimos meses vem gozando de sucesso mundial, mas algumas de suas decisões têm dado o que pensar. Por exemplo, ele que costuma apresentar-se apenas como Bispo de Roma, no Sínodo sobre a Família evocou cânones do Código de Direito Canônico que reivindicam o poder petrino. 

Magister: É verdade, em seu discurso de encerramento. 

read more »

4 novembro, 2014

Igreja sem rumo, diz Burke. Não a cambalhotas doutrinárias, diz Pell .

Por Chiesa et Post Concilio | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: A mídia nacional e internacional continua recorrendo às muitas declarações oficiais sobre as disputas que permaneceram em aberto no âmbito da assembléia sinodal.

O artigo publicado pelo Il Foglio ontem [aqui], fornece uma síntese que deveríamos ter em mente enquanto aguardamos os novos movimentos e desenvolvimentos subsequentes da situação.

O articulista reconhece no Cardeal Raymond Leo Burke, um dos cardeais “que apoiam e celebram” a missa no rito antiquior”, que o Papa Emérito Bento XVI, “monge em clausura”, definiu como “grande” em uma recente mensagem enviada ao delegado geral do Coetus Summorum Pontificum [aqui].

O que me dá a oportunidade para reafirmar a nossa perplexidade sobre a figura do “papa emérito” e sobre algumas de suas expressões naquela mensagem que, se formos verificar novamente, talvez poderia parecer irônica, quando fala sobre a  “paz litúrgica”, a qual infelizmente hoje corre mais risco (não podemos ignorar a história dos Franciscanos da Imaculada e o agravamento de muitas restrições, removidas algumas exceções) devido à aversão que suscitou na época em que Summorum Pontificum foi aprovado como uma exortação cheia de esperança para os mais jovens e talvez com uma autoridade significativa ao indicar nos “grandes” cardeais que apoiam e celebram o rito antigo, o katechon da situação, não só no que diz respeito à liturgia, mas também sobre alguns argumentos de peso, por ele citados no contexto dos dois documentos divulgados ao mesmo tempo: a mensagem lida na Universidade Urbaniana [aqui] e a saudação à conferência internacional “o respeito pela vida, o caminho para a paz”, promovido pela Fundação Ratzinger na Universidade Pontifícia Bolivariana de Medellín.

Perplexidade até agora não resolvida, exceto para aqueles que não percebem nenhum problema, como se estivéssemos vivendo uma situação “normal”. Na verdade, o inédito e anômalo que nos impõem provoca reações diferenciadas entre os católicos: Além da indiferença dos tíbios, há aqueles que pertencem à “torcida papista” e que não vão além da superfície; há quem sobe em palhas para defender o indefensável; quem se fecha como uma ostra para não ver; há aqueles que tomados pelo desânimo param de remar contra a corrente, há quem se cale e prefere ficar em silêncio por opção intensificando a oração e o oferecimento; e há aqueles que têm a coragem de se levantar e fazer perguntas, mesmo quando eles são incômodas e a audácia de expressá-las na esperança de que cheguem até alguém que não está irremediavelmente massificado e assim contribuir para defender a fé verdadeira.

O articulista fornece uma ampla citação das declarações do Cardeal Burke, em entrevista publicada no site Vida Nova:

“Desde que Kasper começou a divulgar sua opinião, uma parte da imprensa espalhou a idéia de que a Igreja tem intenção de mudar a sua disciplina. E isto criou sérias dificuldades pastorais. A pedra fundamental da Igreja é o matrimônio. Se não ensinamos e vivemos bem essa realidade, estamos perdidos. Deixamos de ser Igreja”. Não tem nada a ver com o Papa, assegura Burke, o qual todavia observa que “há pessoas que sofrem um pouco” de enjôo, porque lhes parece que a nave da igreja perdeu a bússola”.

Note-se que se trata da confusão “diabólica”, da qual falava o Bispo nativo da Filadélfia, Charles Chaput da Filadélfia, após a disputa teológica áspera e cerrada na sala do sínodo.

E, quanto ao Cardeal Pell, nota-se que ele escolheu voltar aos temas do Sínodo, durante a peregrinação anual que a cada mês de outubro celebra o Motu Proprio promulgado em 2007 por Joseph Ratzinger, o qual liberou o Rito Romano antiquior, instando os católicos a se organizar na batalha nas dioceses entre aqueles que querem tornar definitivas as aberturas dos inovadores e aqueles que querem bloqueá-las levados pela consciência de que o mistério divino não pertence somente à misericórdia, mas também à santidade e justiça. Algo que também foi mencionado pelo Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Gerhard Ludwig Müller.

Estas são as palavras do Cardeal Pell:

“Antes do próximo outubro, os católicos devem trabalhar para construir um consenso que supere as atuais divisões… Claro que a doutrina se desenvolve, no sentido que entendemos a verdade de modo mais profundo, mas, na história católica, não existem cambalhotas doutrinárias”. Isto porque “a tradição apostólica anunciada primeiramente por Cristo e fundamentada nas Escrituras é a pedra angular da verdade e da genuína prática pastoral.”

E o Papa, em tudo isso, tem um papel fundamental. Na verdade, nos deixa perplexos o “ter que construir consenso”, porque a verdade não depende do consenso e na Igreja ela é afirmada e confirmada com autoridade. E, depois das observações descritas, aqui residem todas as incógnitas:

“O papel do sucessor de São Pedro sempre foi vital para a vida cristã e católica, principalmente porque é a pedra angular da fidelidade doutrinária e a resolução de todos os conflitos, tantos doutrinais como pastorais. A Igreja não foi fundada sobre a rocha da fé de Pedro. Mas sobre o próprio Pedro. “[Mas primeiramente sobre Cristo].

O fato de que cardeais alguns e bispos falem de modo claro é já um indício de que não estamos sozinhos na sã reafirmação dos princípios perenes. Vamos aguardar pelos próximos movimentos dos que agora parecem se engajar como lados contrapostos.

30 setembro, 2014

Os bastidores da nomeação de Chicago.

Como sucessor do Cardeal George, grande inspirador da atual orientação da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, o Papa Francisco nomeou um bispo de orientação oposta. Eis aqui como e por quê. 

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com – Cidade do Vaticano, 30 de setembro de 2014 – Enquanto ainda atordoado pela notícia da iminente remoção do Cardeal Raymond Leo Burke, o catolicismo mais conservador e tradicionalista dos Estados Unidos — e historicamente mais “papista” — sofreu um posterior golpe com a nomeação do novo arcebispo de Chicago.

A decisão de Francisco de eleger a Blase Joseph Cupich (na foto, à direita) como novo pastor da terceira diocese dos Estados Unidos submergiu em profunda depressão a este componente particularmente dinâmico do catolicismo norte-americano, quase à beira de um ataque de nervos. Basta percorrer as reações das páginas na internet e dos blogueiros daquela região do mundo para registrar o ofuscamento e a contrariedade pela nomeação.

Pelo contrário, a parte mais progressista do catolicismo americano, historicamente super crítica aos últimos pontificados, celebrou com entusiasmo a chegada de Cupich, definido pela imprensa laica como um “moderado”, qualificação recorrente nos Estados Unidos para assinalar um “liberal” não radical, mas ainda assim um “liberal”.

read more »

20 julho, 2011

Os novos bispos dos EUA e a remodelação do catolicismo mundial.

IHU – Depois de Scola em Milão, Chaput (foto) assume a Filadélfia. Passo a passo, as nomeações de Bento XVI remodelam a liderança dos principais países do catolicismo mundial.

A reportagem é de Sandro Magister, publicada em seu sítio, Chiesa, 19-07-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A nomeação, tornada pública hoje, de Charles J. Chaput como novo arcebispo da Filadélfia é mais um passo à frente no caminho percorrido por Bento XVI para remodelar à sua medida a liderança da Igreja Católica nos Estados Unidos, assim como em outros países.

-CONTINUE LENDO…>