Search Results for “dollinger”

13 junho, 2017

Em memória de Padre Ingo Dollinger, por Dom Athanasius Schneider.

Padre Ingo Dollinger: um digníssimo formador de seminaristas e sacerdotes brasileiros em tempos obscuros e difíceis. Colaboração exclusiva de Dom Athanasius Schneider a FratresInUnum.com.

Na solenidade da Santíssima Trindade, em 11 de junho de 2017, o Reverendíssimo Padre Ingo Dollinger deixou esta terra após uma longa vida, da qual sessenta e três anos como sacerdote. Foi uma vida plena de abundantes frutos espirituais e de grandes méritos para a verdadeira renovação da vida da Igreja, dada a profunda e extraordinária crise pela qual ela está passando já há mais de cinquenta anos.

dollinger1

À direita na imagem, padre Dollinger em cerimônia de ordenação sacerdotal conferida por Dom Manoel Pestana Filho.

O reverendíssimo Padre Dollinger foi, sobretudo, um mestre e pai sacerdotal para numerosos seminaristas e jovens sacerdotes na Europa e, principalmente, no Brasil. A esse nobre sacerdote pertence o duradouro mérito de ter contribuído no modo decisivo junto com Dom Manoel Pestana, o então santo bispo de Anápolis, e a Ordem dos Cônegos Regulares da Santa Cruz, para que no Brasil fosse criado um centro de formação sacerdotal de segura doutrina filosófica e teológica e de uma espiritualidade sacerdotal autenticamente católica. Isso se realizou em Anápolis graças à existência do Seminário Diocesano do Imaculado Coração de Maria, fundado por Dom Manoel Pestana e dirigido muitos anos pelo Padre Dollinger, e também graças ao Institutum Sapientiae, pertencente à Ordem dos Cônegos Regulares da Santa Cruz, no qual Padre Dollinger desempenhou por longo tempo a função de professor e de Reitor. Eu tive o privilégio de ter tido por muitos anos Padre Dollinger como meu professor em Anápolis. Suas aulas teológicas e seus conselhos espirituais me marcaram profundamente, o que guardarei sempre com gratidão.

dollinger2

Ordenação sacerdotal no seminário de Anápolis, Goiás.

Na sua altamente meritória obra sacerdotal, o nosso saudoso Padre Dollinger se consumiu em favor da Igreja num dos tempos mais difíceis dos anos 80 do século passado, quando a vida da Igreja no Brasil era dominada pelo quase monopólio da assim chamada “teologia da libertação”.

Queira Deus que as sementes espirituais lançadas ao solo da Terra da Santa Cruz pelo grande labor apostólico do Padre Dollinger, tragam muitos frutos duradouros na vida e no apostolado daqueles seminaristas e sacerdotes que tiveram nele seu mestre e pai espiritual. Isso contribuiria para maior alegria à alma plenamente sacerdotal do nosso querido e saudoso Padre Ingo Dollinger, pelo qual nós rezamos com gratidão e ao qual pedimos que implore para os nossos dias muitos santos seminaristas, muitos santos sacerdotes e, sobretudo, muitos santos formadores sacerdotais com zelo ardente pela glória de Deus e de Sua casa, que é a Igreja.

13 de junho de 2017,

+ Dom Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da arquidiocese de Maria Santíssima em Astana, Cazaquistão

12 junho, 2017

Faleceu padre Ingo Dollinger.

dollinger

Faleceu ontem, Domingo da Santíssima Trindade, após receber os Sacramentos, na Alemanha, o padre Ingo Dollinger. Dollinger foi antigo reitor do seminário de Anápolis, Goiás, e atuou por diversos anos como oficial da Santa Sé. Imagem: Dollinger ao lado de Padre Pio, por quem foi dirigido espiritualmente.

Leia aqui as referências feitas a padre Dollinger em matérias do Fratres.

Tags:
23 maio, 2016

OnePeterFive responde ao desmentido da Sala de Imprensa da Santa Sé. Dollinger confirma diálogo.

O blog que divulgou o diálogo atribuído a Pe. Dollinger e o então Cardeal Ratzinger, comenta o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Por Steve Skojec, OnePeterFive, 21 de maio de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Hoje, 21 de maio de 2016, a  Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou, no seu boletim diário, uma declaração atribuída ao Papa Emérito Bento XVI. A declaração nega categoricamente a afirmação, aqui relatada, do Padre Ingo Dollinger, sobre uma conversa privada na qual o então cardeal Ratzinger falou com Dollinger, seu  amigo pessoal, sobre a existência de mais do que foi publicado pelo Vaticano em junho de 2000 a respeito do Terceiro Segredo de Fátima. Aqui está o texto integral do comunicado do Vaticano.

Como editor do blog OnePeterFive, desejo responder a essa declaração. Não podemos considerar de modo leviano a refutação por alguém da estatura do Papa Emérito Bento XVI. É interessante notar que – segundo nosso conhecimento – esta é a primeira vez desde sua renúncia em 2013 que o Papa Emérito emitiu uma declaração oficial através da Sala de Imprensa do Vaticano. Com tudo o que está atualmente sacudindo a Igreja, com toda a confusão que agora assalta os fiéis, essa é a história que levou Bento a quebrar o seu silêncio. Claramente, este é um assunto de importância incomum aos olhos da Santa Sé.

Essa declaração é recebida por nós com filial respeito e amor pelo Papa Emérito. E, no entanto, apresenta-se como um problema. Ele entra em conflito direto com as declarações que já foram relatadas e nos acusa de “falsa atribuição” e “invenção”.  Por outro lado, contradiz categoricamente a nossa fonte, o Padre Dollinger, nem mesmo oferecendo a possibilidade de que tenha havido um erro de interpretação, mas sim, uma acusação de que os eventos por ele descritos são completamente fabricados.

É, em si, um comunicado estranhamente superficial, e é apresentado de uma forma que levanta questões sobre a sua proveniência e integridade. Não se trata de uma declaração completa e integral do Papa Emérito Bento; nem traz a sua assinatura. Estamos, ao invés, diante de um documento apresentado com citações atribuídas a Bento XVI,  sem o contexto completo em que elas originariamente apareceram. Também não é dado a nós saber quem conduziu essa aparente entrevista com ele, ou como as perguntas foram formuladas.

Somos, em outras palavras, solicitados a tomar como digno de fé o conteúdo dessa declaração, como se fossem os sentimentos autênticos, completos e ratificados pelo Papa Emérito sobre o assunto.

Vale ainda ressaltar que, quando nós publicamos as palavras do Padre Dollinger, conforme relatado pela Dra. Hickson, fomos acusados de divulgar informações que são boatos não verificáveis. Mas agora nos são fornecidas declarações parciais atribuídas a Bento XVI por parte de um membro não identificado da equipe de comunicações do Vaticano – afirmações nas quais estamos diretamente envolvidos, bem como um velho amigo do Papa Bento XVI, o Pe. Dollinger, num engano proposital – e então nos pedem que acreditemos que a matéria está selada e resolvida?

Espero que vocês perdoem o meu ceticismo.

Eu tenho duas perguntas sobre a semântica dessa declaração cuidadosamente construída. Eu acredito que elas merecem consideração.

Em primeiro lugar, gostaria de chamar a atenção para a parte que afirma: as afirmações atribuídas ao professor Dollinger sobre o assunto são “puras invenções, absolutamente falsas”.

Dra. Maike Hickson, que telefonou pessoalmente ao Padre Dollinger, atesta a verdade do que ela contou da conversa. Na medida em que o comunicado do Vaticano a acusa de “atribuir” ao Padre Dollinger declarações que são “invenções”, podemos dizer que isso sim é falsidade. Ela não imaginou ter tido uma conversa com o Padre Dollinger, ela relatou isso, e eu prefiro acreditar em seu testemunho com plena confiança em sua integridade, tanto como jornalista, como uma filha fiel da Igreja.

Além disso, nesta manhã, Dra. Hickson telefonou novamente ao Padre Dollinger com a notícia da declaração do Vaticano, e nessa conversa ele confirmou novamente e enfaticamente as suas observações anteriores. Em outras palavras, ele sustentou a sua história.

Também devemos reiterar que a conversa original da Dra. Hickson com o Pe Dollinger não poderia ter sido vista como uma “invenção”, uma vez que não era algo original em seu conteúdo. Não foi uma tentativa de fazer um furo de reportagem, mas sim de buscar a confirmação direta de uma história que já havia sido atribuída a Padre Dollinger anos atrás, tal como foi referido no artigo original da Dra. Hickson: “Esta informação sensível pertinente ao Terceiro Segredo, que circulou entre certos grupos católicos por alguns anos, agora foi pessoalmente confirmada a mim pelo próprio Padre Dollinger …”

O primeiro relato publicado do testemunho do Padre Dollinger (dos quais estamos cientes) apareceu em uma entrevista com o Padre Paul Kramer no Fátima Crusader, em maio de 2009. Desde então, foi citado em várias publicações católicas e locais. Curiosamente, um dos nossos comentadores sobre a história recordou que como brasileiro, ele mesmo tinha ouvido a mesma história de um padre que foi aluno do Pe. Dollinger em 2003 ou 2004. (Pe. Dollinger foi o reitor da Institutum sapientiae no Brasil, onde ensinou teologia moral.) A única coisa nova sobre o nosso relatório é a confirmação direta feita por Padre Dollinger (em alemão, sua língua nativa) para a Dra. Hickson, que o procurou, numa tentativa de obter mais esclarecimento sobre o assunto.

Em segundo lugar, o comunicado cita o Papa Bento XVI como dizendo que “a publicação do Terceiro Segredo de Fátima está concluída”. Esta é uma linguagem muito cautelosa, no sentido legal. Se o Vaticano já publicou tudo o que  tinha a intenção de publicar sobre o Terceiro Segredo de Fátima – mesmo se há mais que eles não pretendem publicar – o que seria tecnicamente correto era dizer que “a publicação está completa.” Mas de modo algum isso dissiparia a idéia de que um texto escrito pela Irmã Lúcia, a pedido de Nossa Senhora, como um meio de interpretar a importância simbólica do Terceiro Segredo ainda possa existir.

Como afirmei em meu adendo ao nosso artigo original, não é preciso assumir que os papas que omitiram informações potencialmente complementares sobre o Terceiro Segredo tenham mentido para nós; se eles temiam que a informação nele contida poderia causar graves danos à Igreja, de alguma forma, eles poderiam estar usando ampla restrição mental em sua ocultação da parte do texto em questão. Há também a questão, levantada por Marco Tosatti, sobre o questionamento interno dentro do aparelho do Vaticano sobre porções de um texto explicativo adicional, que se existir, pode ser atribuída tanto a Nossa Senhora como à  Irmã Lúcia. Se houvesse dúvida suficiente, poderiam omitir tal texto enquanto permaneceriam tecnicamente corretos ao afirmar que o segredo completo (ou seja, a parte que eles estavam confiantes que vieram de Nossa Senhora) tinha sido revelado. O sentido legalista, portanto, é digno de nota a esse respeito.

Eu acredito que, além das questões levantadas pelo texto do comunicado, há outros fatos conhecidos que simplesmente não se somam nessa declaração como sendo atribuída ao Papa Bento XVI. A linguagem é forte, mesmo dura, e parece muito atípico a esse respeito. Bento XVI tem uma reputação de bondade e gentileza, e a fonte das informações que ele está refutando vem de um amigo de longa data – uma amizade que a sua declaração não nega.

A declaração também parece fechar a porta enfaticamente sobre quaisquer outras questões levantadas sobre a parte não revelada no Terceiro Segredo. E, no entanto a própria posição de Bento XVI sobre essa questão parece ter evoluído tanto, ao longo dos últimos 16 anos, que seria difícil caracterizá-la como uma questão resolvida. Em 26 de Junho de 2000, quando o Vaticano anunciou a publicação do texto do Terceiro Segredo de Fátima, que foi acompanhada por uma explicação teológica pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé disse:

Chegamos assim a uma última pergunta: O que é que significa no seu conjunto (nas suas três partes) o « segredo » de Fátima? O que é nos diz a nós? Em primeiro lugar, devemos supor, como afirma o Cardeal Sodano, que « os acontecimentos a que faz referência a terceira parte do “segredo” de Fátima parecem pertencer já ao passado ». Os diversos acontecimentos, na medida em que lá são representados, pertencem já ao passado. Quem estava à espera de impressionantes revelações apocalípticas sobre o fim do mundo ou sobre o futuro desenrolar da história, deve ficar desiludido. Fátima não oferece tais satisfações à nossa curiosidade, como, aliás, a fé cristã em geral que não pretende nem pode ser alimento para a nossa curiosidade. O que permanece — dissemo-lo logo ao início das nossas reflexões sobre o texto do « segredo » — é a exortação à oração como caminho para a « salvação das almas », e no mesmo sentido o apelo à penitência e à conversão.

Mas posteriormente, já como o Papa Bento XVI, Ratzinger viajou a Fátima em maio de 2010. E, naquela época, ele ofereceu uma interpretação um pouco diferente. De dentro de seu avião, em 11 de Maio de 2010, ele disse:

Para além desta grande visão do sofrimento do Papa, que podemos referir, em substância, a João Paulo II, estão indicadas realidades futuras da Igreja que estão a desenvolver-se e a revelar-se pouco a pouco. Assim, é verdade que, para além do momento indicado na visão, fala-se, vê-se, a necessidade de uma paixão da Igreja que se reflete naturalmente na pessoa do Papa; mas o Papa está na Igreja, e portanto os sofrimentos da Igreja são o que é anunciado….

Dois dias depois, em uma missa no Santuário de Nossa Senhora de Fátima em 13 de Maio de 2010, o Papa Bento XVI disse:

Que seria um erro pensar que a missão profética de Fátima esteja concluída.

Christopher Ferrara, um especialista e autor sobre o tema de Fátima, recontou o seguinte no início desta semana, relacionado ao livro de Antonio Socci sobre o tema:

[I] Devemos dizer que, na verdade, os próprios Papas não nos disseram que a mensagem foi totalmente revelada. A visão pertinente ao Segredo não foi revelada até 2000, após o qual João Paulo II observou o silêncio conspícuo que diz respeito à controvérsia sobre a integralidade da revelação. E em 2010, como Socci colocou, Bento não só se recusou a dizer que tudo tinha sido revelado, mas também “reabriu o dossier” sobre o Terceiro Segredo aludindo a conteúdos que claramente não aparecem na visão. Além disso, Bento XVI enviou a Socci uma nota agradecendo-lhe pela publicação do livro O Quarto Segredo de Fátima (o qual  eu traduzi em inglês), ainda que ele [Socci] acuse o aparelho do Vaticano de esconder um texto pertinente.

Da sua parte, em um post em seu blog datado de 12 de maio de 2007, Socci relata que ele mantém:

Que a carta que Bento XVI escreveu-me sobre o meu livro, agradecendo-me pelos “sentimentos que ele inspirou em mim” [para os sentimentos que têm sugerido], são Palavras que o confortaram em face dos insultos e acusações …

A inspiração para a Dra. Hickson buscar a confirmação com o Padre Dollinger veio, em parte, de um novo testemunho de Alice von Hildebrand, que recentemente publicou antigas informações privadas a respeito de uma parte adicional do Terceiro Segredo que indicam uma “infiltração na Igreja até o topo “. Essa informação, de acordo com a Dra. Von Hildebrand, foi-lhe revelada por seu falecido marido em 1965, o qual a obteve de Dom Mario Boehm, um ex-editor do jornal oficial do Vaticano, L’Osservatore Romano.

Então, poderia a Dra. Von Hildebrand também ser acusada de inventar a história dela? E o que dizer do falecido cardeal Ciappi, o teólogo papal dos Papas João XXIII, Paulo VI e João Paulo II?  Pois é exatamente o Cardeal Ciappi, que é amplamente creditado com a revelação pública das informações que Alice von Hildebrand já confirmou: “No Terceiro Segredo é predito, entre outras coisas, que a grande apostasia na Igreja começará no topo”.

Há muita coisa que não faz sentido. Há muitas perguntas deixadas sem resposta. Oferecemos nossas orações sinceras ao Papa Emérito Bento XVI e nossa gratidão por ele ter quebrado o seu silêncio ao abordar essa questão que continua em aberto.

Ao mesmo tempo, estamos sendo convidados a crer que estamos sendo enganados por nossas fontes. Que estamos sendo enganados por indivíduos já nos últimos anos de suas vidas, indivíduos que aparentemente nada têm a ganhar com isso. Indivíduos que têm estabelecido uma sólida reputação como católicos dignos de fé e ortodoxos, e cuja reputação agora está sendo questionada por apresentarem uma versão alternativa dos eventos.

Isso é pedir demais, e portanto devemos respeitosamente solicitar que nos seja dada uma resposta completa – uma declaração completa, inalterada, com uma declaração testemunhada do próprio Papa Emérito. As palavras filtradas da Sala de Imprensa do Vaticano não são suficientes.

10 junho, 2016

Vaticano: ‘Publicação do Terceiro Segredo de Fátima é Completa’ (mas estaria completamente publicado?)

Por  – The Remnant | Tradução: Fabiano Rollim – FratresInUnum.comPara uma aparição da Virgem Maria que ocorreu há cem anos, e em relação a qual nos foi garantido que se tratava exclusivamente de uma lição de história do século XX, até que ela tem chamado bastante atenção ultimamente.

Para se inteirar – primeiro, tivemos as lembranças de Alice Von Hildebrand no blog OnePeterFive sobre o Terceiro Segredo de Fátima tendo a ver com uma apostasia que começaria no topo da Igreja.

6c8bb439f78d2818cf0a18b679522b8a_lUma semana depois, tivemos a confirmação de uma afirmação, feita há uma década pelo Pe. Ingo Dollinger – amigo pessoal do Cardeal Ratzinger/Papa Bento XVI –, de que, após a descrição que este último fizera do Terceiro Segredo como tendo a ver com uma crise de fé, um concílio mau e uma Missa má (e a apresentação bastante diferente disso feita pelo Vaticano no ano 2000), o então Cardeal Ratzinger teria afirmado que havia realmente mais sobre o segredo do que o publicado.

E de novo, por mais interessante que seja esse desenvolvimento, foi simplesmente uma reconfirmação de uma afirmação de uma década atrás feita pelo Pe. Dollinger, e que já tinha sido previamente publicada pelo Pe. Gruner e por outros.

Mas então aconteceu algo verdadeiramente espantoso: a Sala de Imprensa do Vaticano publicou uma negação com palavras fortes daquilo que havia ignorado por uma década – uma negação supostamente do próprio Bento XVI, aparentemente sua primeira reação pública a alguma coisa desde sua renúncia.

Ora, se a intenção da Sala de Imprensa do Vaticano era abafar toda a controvérsia sobre o Terceiro Segredo de Fátima, eles falharam lastimosamente. Para aqueles que têm acompanhado as denúncias de acobertamento feitas pelos “fatimistas”, essa negação realmente bizarra do Vaticano só serve para pôr mais lenha na fogueira.

Mas antes de analisar a negação do Vaticano, vamos ponderar quão bizarro é que o Vaticano responda à história de OnePeterFive agora, após ela já ser conhecida, ter sido publicada e citada repetidamente por fatimistas por quase uma década. Tudo bem, é possível que a matéria no OnePeterFive tenha dado nova força à história, mas Antonio Socci e Chris Ferrara já publicaram e venderam inúmeros livros sobre a intriga envolvendo o Segredo de Fátima – e mesmo assim o Vaticano fingiu não ter nada com isso, sem jamais refutar ou abordar a montanha de evidências sobre a existência de um texto não revelado no Segredo de Fátima. Por alguma razão, isso repentinamente conseguiu uma resposta imediata e pública por parte do Vaticano agora? Por quê? Mais e mais curiosíssimo, como disse certa vez outra Alice. Tenho minhas teorias sobre isso, mas vamos primeiro à resposta do Vaticano.

Para entender corretamente a resposta do Vaticano sob o ponto de vista de um fatimista bem informado, é necessário entender o que a maioria dos fatimistas têm alegado sempre. A mídia católica em geral frequentemente desconsidera os fatimistas insistindo que, para acreditar neles, você tem de estar disposto a chamar vários papas de mentirosos. Isso simplesmente não é verdade. O que a maioria dos fatimistas alega é que o Vaticano está jogando com algum tipo de restrição mental.

Resumindo, os fatimistas afirmam há tempos que existe um texto adicional escrito pela Irmã Lúcia por volta da mesma época em que escreveu a visão com a qual estamos todos familiarizados. Esse texto adicional contém as palavras de Nossa Senhora explicando a visão e provavelmente contendo um alerta sobre enormes ameaças à fé que viriam de dentro da Igreja. Antes do ano 2000, o contexto e o provável conteúdo do Terceiro Segredo foram atestados por tantas pessoas que os conheciam que é impossível simplesmente desconsiderar isso. Os fatimistas alegam que, por alguma razão, seja por causa do conteúdo alarmante ou por causa da acusação feita às mudanças na Igreja durante e após o Concílio Vaticano II, os papas desde João XXIII teriam questionado a validade de certos aspectos desse texto do Segredo. Eles o teriam considerado tão alarmante, tão perigoso, ou tão desconfortável, que teriam questionado se não teria sido contaminado de alguma forma, talvez pela própria Irmã Lúcia. Assim, tendo se recusado a aceitar a autenticidade e veracidade desse texto, eles o teriam excluído mentalmente, considerando-o uma parte ilegítima do Terceiro Segredo.

É importante entender essa distinção, já que esclarece muitas declarações feitas por prelados desde o ano 2000 em relação ao Segredo e a situações sinistras na Igreja; declarações que se tornariam incompatíveis e estranhamente escrupulosas sem essa distinção. Ainda que possam saber que existe um texto adicional escrito pela Irmã Lúcia, usam essa restrição mental para exclui-lo do Terceiro Segredo “legítimo”. Em suas cabeças, não estão mentindo, mas ao mesmo tempo, fazem de tudo para jamais confirmar que há mais sobre o Terceiro Segredo, porque tal confirmação causaria um clamor por sua revelação a que seria difícil ou até impossível resistir.

Com esse entendimento, podemos ver facilmente por que esta estranha negação das palavras do Pe. Dollinger apenas porá mais lenha na fogueira.

Alguns artigos publicados recentemente atribuem ao professor Ingo Dollinger declarações segundo as quais o cardeal Joseph Ratzinger, depois da publicação, em junho de 2000, do Terceiro segredo de Fátima, havia-lhe confiado que tal publicação não era completa.

A esse respeito, o Papa emérito Bento XVI comunica que “não falou nunca com o professor Dollinger acerca de Fátima” e afirma claramente que as frases atribuídas ao professor Dollinger sobre esse tema são “pura invenção, absolutamente não verdadeiras” e reitera decididamente: “A publicação do Terceiro segredo de Fátima é completa”.


De saída, essa negação quer convencer o leitor de uma coisa: é tudo mentira; o então Cardeal Ratzinger nunca nem falou com o Pe. Dollinger sobre Fátima.

Só que não é isso o que a declaração diz realmente. O primeiro parágrafo apresenta um cenário bem preciso; a saber, o do comentário do Cardeal Ratzinger após o ano 2000 de que a publicação não era completa. Mas o parágrafo seguinte começa com uma precisão bem crítica: “A esse respeito.” Essa precisão indica que a declaração não está negando especificamente que o Cardeal Ratzinger tenha falado com o Pe. Dollinger sobre Fátima, mas diz simplesmente que o Papa Bento XVI não disse ao Pe. Dollinger que a “publicação não era completa.”

Isso é interessante porque não nega, de forma alguma, a afirmação do Pe. Dollinger de que, antes do ano 2000, o Cardeal Ratzinger tenha conversado com ele sobre o Terceiro Segredo e o tenha caracterizado de uma maneira muito diferente do que foi revelado no ano 2000. Essa é uma parte crítica do que o Pe. Dollinger alega, e não é de forma alguma negada nessa declaração. A única coisa que é negada é que o Papa Bento XVI tenha dito: “a publicação não é completa.”

Só que esta frase, “a publicação é completa”, é crítica, motivo pelo qual dediquei um tempo para explicar a questão da restrição mental. Se você entende que eles usaram de restrição mental para excluir aquele texto adicional do Terceiro Segredo, não é mentira dizer que a publicação do Terceiro Segredo é completa, já que podem ou não “acreditar” que o texto adicional seja uma parte autêntica do Terceiro Segredo. Mais que isso, já sabemos que “a publicação é completa”. O Vaticano deixou isso claro no ano 2000. De fato, é esse precisamente o problema, de acordo com os fatimistas. A publicação é completa ainda que as palavras da Virgem não apareçam em nenhum lugar. A frase “a publicação é completa” não significa nada se você entende o jogo da restrição mental.

Quanto às palavras atribuídas ao Papa Bento XVI na negação da Sala de Imprensa do Vaticano – de que as afirmações do Pe. Dollinger são “pura invenção, absolutamente não verdadeiras” – temos de admitir que isso pode ser verdade, mesmo se a veemência da reprimenda não se pareça em nada com Ratzinger e pareça estranhamente abrupta ao repreender um velho amigo.

Ainda mais, é difícil não notar que nos deram a conhecer apenas essas citações abruptas extraídas de Bento XVI sem absolutamente qualquer contexto ou entendimento das verdadeiras perguntas feitas ao Papa emérito. Isso lembra as citações fora de contexto atribuídas à Irmã Lúcia pelo Cardeal Bertone em apoio à revelação do Segredo no ano 2000; três linhas extraídas de uma entrevista de 4 horas com uma senhora idosa. Honestamente, sem o contexto adequado, essas citações são de muito pouco valor para determinar a verdade da questão, possuindo valor apenas na percepção do público geral.

Dada a seriedade da questão – algo tão sério, de fato, que fez o Vaticano não apenas responder, mas obter do Papa emérito Bento XVI um comentário pela primeira vez em mais de 3 anos – essa é uma resposta nada séria. Se o Vaticano está realmente interessado em encerrar essa questão, deixe que Chris Ferrara e Antonio Socci façam uma entrevista completa com o Papa Bento XVI e com o Cardeal Bertone, articulando propriamente as perguntas e registrando de uma vez por todas as respostas completas e integrais.

Talvez a história do Pe. Dollinger não seja verdadeira em todos os seus detalhes e o Vaticano tenha se sentido à vontade para responder com aquela negação, para fortalecer a afirmação e a percepção pública de que todo o Terceiro Segredo tenha sido revelado. Entretanto, tenho acompanhado essa história de Fátima muito de perto e, após ler essa última negação vaticana, só posso ficar mais do que nunca convencido de que há mais coisa por trás disso tudo.

Tags:
27 maio, 2016

A crise da Igreja à luz do Segredo de Fátima.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 25-05-2016 | Tradução: FratresInUnum.comO ano do centenário de Fátima (2016-2017) foi aberto no dia de Pentecostes com uma notícia que suscitou clamor. O teólogo alemão Ingo Dollinger referiu ao site “OnePeterFive” que após a publicação do Terceiro Segredo de Fátima, o cardeal Ratzinger lhe teria confiado: “Das ist noch nicht alles!” – “Isto ainda não é tudo”. A Sala de Imprensa do Vaticano interveio com um desmentido imediato, no qual se diz que “o Papa emérito Bento XVI comunica ‘não ter falado com o Prof. Dollinger sobre Fátima’ e afirma claramente que as frases atribuídas ao Prof. Dollinger sobre este tema ‘são puras invenções, absolutamente não verdadeiras’ e reitera decididamente: ‘A publicação do Terceiro Segredo de Fátima é completa’.”

pastorinhos_09O desmentido não convence aqueles que, como Antonio Socci, sempre sustentaram a existência de uma parte não revelada do segredo, que falaria do abandono da fé por parte dos líderes da Igreja. Outros estudiosos, como o Dr. Antonio Augusto Borelli Machado, julgam integral e tragicamente eloquente o segredo divulgado pela Santa Sé. Com base nos dados à nossa disposição, hoje não se pode afirmar com certeza absoluta nem que o texto do Terceiro Segredo seja integral, nem que seja incompleto. No entanto, o que parece absolutamente certo é que a profecia de Fátima ainda não foi cumprida e que sua realização diz respeito a uma crise sem precedentes na Igreja.

A este propósito deve-se recordar um importante princípio hermenêutico. O Senhor, através de revelações privadas e profecias que nada acrescentam ao depósito da fé, oferece às vezes uma “direção espiritual” para nos orientar nos períodos mais negros da História. Mas se é verdade que as palavras divinas projetam luz sobre as épocas tenebrosas, o contrário também é verdade: em seu desenvolvimento dramático,os eventos históricos nos ajudam a compreender o significado das profecias.

Quando, em 13 de Julho de 1917, Nossa Senhora anunciou em Fátima que se a humanidade não se convertesse a Rússia espalharia seus erros pelo mundo, estas palavras pareciam incompreensíveis. Foram os fatos históricos que desvendaram o seu significado. Após a Revolução bolchevique de outubro 1917, ficou claro que a expansão do comunismo era o instrumento do qual Deus queria Se servir para punir o mundo pelos seus pecados. Entre 1989 e 1991, o império do mal soviético aparentemente se desintegrou, mas o desaparecimento do invólucro político permitiu uma maior difusão mundial do comunismo, que tem o seu núcleo ideológico no evolucionismo filosófico e no relativismo moral. A “filosofia da práxis”, que de acordo com Antonio Gramsci resume a revolução cultural marxista, tornou-se o horizonte teológico do novo pontificado, traçado por teólogos como o cardeal alemão Walter Kasper e o arcebispo argentino Dom Víctor Manuel Fernández, inspiradores da Exortação Apostólica Amoris Laetitia.

Nesse sentido, não é do segredo de Fátima que devemos partir para compreender a existência de uma tragédia na Igreja, mas da crise na Igreja para compreender o significado último do segredo de Fátima. Uma crise que data dos  anos sessenta do século XX, mas que com a abdicação de Bento XVI e o pontificado do Papa Francisco conheceu uma impressionante aceleração.

Enquanto a Sala de Imprensa se apressava para acalmar o caso Dollinger, outra bomba explodia com um fragor bem maior. Durante a apresentação do livro do Prof. Don Roberto Regoli, Oltre la crisi della Chiesa. Il pontificato de Benedetto XVI [Além da crise da Igreja. O pontificado de Bento XVI] (Lindau, Torino 2016), realizada no auditório da Pontifícia Universidade Gregoriana, Mons. Georg Gänswein enfatizou o ato de renúncia do Papa Ratzinger ao pontificado com estas palavras:

“A partir de 11 de fevereiro de 2013 o ministério papal não é mais aquele de antes. Ele continua a ser o fundamento da Igreja Católica; e, entretanto, é um fundamento que Bento XVI transformou profunda e duravelmente no seu pontificado excepcional”. – De acordo com o arcebispo Gänswein, a renúncia do Papa teólogo “marcou época”, porque introduziu na Igreja Católica a nova instituição do “Papa emérito”, transformando o conceito de munus petrinum (“ministério petrino”):

“Antes e depois de sua renúncia, Bento entendeu e ainda entende seu dever como uma participação a tal ‘ministério petrino’. Ele deixou o trono pontifício e, entretanto, com o passo de 11 de fevereiro de 2013, não abandonou absolutamente esse ministério. Em vez disso, integrou o ofício [petrino] pessoal com uma dimensão colegial e sinodal, quase um ministério em comum (…). Desde a eleição de seu sucessor Francisco, em 13 de março de 2013, não há em absoluto dois Papas, mas de fato um ministério expandido – com um membro ativo e um membro contemplativo. É por isso que Bento XVI não renunciou nem ao seu nome, nem à batina branca. Por isso o tratamento correto que se lhe aplica ainda hoje é ‘Santidade’; é também por isso que ele não se retirou para um mosteiro isolado, mas [permaneceu] dentro do Vaticano – como se tivesse dado apenas um passo de lado para abrir espaço ao seu sucessor e a uma nova etapa na história do papado. (…) Com um ato de extraordinária audácia, ele, pelo contrário, renovou esse ofício (mesmo contra a opinião de conselheiros bem-intencionados e sem dúvida competentes), e com um esforço final o tem fortalecido (como espero). Isto, é claro, somente a história poderá demonstrar. Mas na história da Igreja permanecerá que no ano de 2013 o célebre ‘Teólogo no Trono de Pedro’ tornou-se o primeiro ‘Papa emeritus’ da história “.

Este arrazoado tem um caráter perturbador, demonstrando por si só como estamos não “além”, mas mais do que nunca “dentro” da crise da Igreja. O Papado não é um ministério que pode ser “expandido”, porque é um “cargo” concedido pessoalmente por Jesus Cristo a um único Vigário e a um único sucessor de Pedro. O que distingue a Igreja Católica de qualquer outra igreja ou religião é a própria existência de um princípio unitário e indivisível encarnado na pessoa do Sumo Pontífice. O discurso de Mons. Gänswein, que não se entende aonde quer chegar, sugere uma Igreja bicéfala e acrescenta confusão a uma situação já demasiadamente confusa.

Uma frase liga a segunda e a terceira parte do Segredo de Fátima: “Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé”. Nossa Senhora se dirige aos três pastorinhos portugueses e lhes assegura que seu País não perderá a fé. Mas onde se perderá a fé? Sempre se pensou que Nossa Senhora estivesse se referindo à apostasia de nações inteiras, mas hoje parece cada vez mais claro que a maior perda da fé está ocorrendo entre os homens da Igreja. Um “bispo vestido de branco” e “vários outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas” estão no centro do Terceiro Segredo, sobre um fundo de ruína e de morte, que é legítimo imaginar não só material, mas também espiritual. Confirma-o a revelação que a Irmã Lúcia teve em Tuy no dia 3 de janeiro de 1944, antes de escrever o Terceiro Segredo, e que está, portanto, indissociavelmente ligada a ele. Após a visão de uma catástrofe cósmica terrível, a Irmã Lúcia diz que sentiu em seu coração “o eco de uma voz suave que dizia: – No tempo, uma só fé, um só batismo, uma só Igreja, Santa, Católica Apostólica. Na eternidade, o Céu!”.

Essas palavras representam a negação radical de todas as formas de relativismo religioso, às quais a voz celestial contrapõe a exaltação da Santa Igreja e da Fé católica. A fumaça de Satanás pode invadir a Igreja na história, mas quem defende a integridade da Fé contra os poderes do inferno verá, no tempo e na eternidade, o triunfo da Igreja e do Coração Imaculado de Maria, a chancela definitiva da trágica, mas entusiasmante profecia de Fátima.

23 maio, 2016

Comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé a respeito de alguns artigos sobre o Terceiro Segredo de Fátima.

Por Sala de Imprensa da Santa Sé, 21 de maio de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Alguns artigos publicados recentemente atribuem ao professor Ingo Dollinger declarações segundo as quais o cardeal Joseph Ratzinger, depois da publicação, em junho de 2000, do Terceiro segredo de Fátima, havia-lhe confiado que tal publicação não era completa.

A este respeito, o Papa emérito Bento XVI comunica que “não falou nunca com o professor Dollinger acerca de Fátima” e afirma claramente que as frases atribuídas ao professor Dollinger sobre esse tema são “pura invenção, absolutamente não verdadeiras” e reitera decididamente: “A publicação do Terceiro segredo de Fátima é completa”.

Tags:
17 maio, 2016

Cardeal Ratzinger: Nós não publicamos todo o Terceiro Segredo de Fátima.

Nota do Fratres: embora não seja uma nova revelação, vale a pena recordar a informação outrora já divulgada por diversos especialistas na mensagem de Fátima, como Antonio Socci, Padre Gruner e Padre Kramer. A respeito do fato abaixo relatado, declarou Padre Kramer em uma entrevista:

“Assim sendo, depois que isso aconteceu [o diálogo de pe. Dollinger com Ratzinger], o teólogo alemão a que estou me referindo, voltou para um país da América do Sul onde foi Reitor de um seminário [em Anápolis, GO], onde contou, para um jovem padre o que o Cardeal Ratzinger lhe tinha relatado. E precisamente quando ele relatou que Nossa Senhora alertou contra as mudanças na Missa e que haveria um Concílio diabólico na Igreja, os dois viram um afloramento de fumaça vindo do piso. Porém, era um chão de mármore. Isto não poderia ser de modo algum um fenômeno natural. Ambos, o jovem padre e o velho Reitor alemão, ficaram tão impressionados que escreveram um dossiê, e o enviaram para o Cardeal Ratzinger.”

* * *

Cardeal Joseph Ratzinger disse a Pe. Dollinger, durante uma conversa pessoal, que ainda há uma parte do Terceiro Segredo que eles não publicaram! “Há mais do que nós publicamos”, disse Ratzinger

tsr

Maike Hickson – OnePeterFive | Tradução Sensus fidei: Hoje, na festa de Pentecostes, liguei para o Pe. Ingo Dollinger, um padre alemão e antigo professor de teologia no Brasil, que está agora bastante idoso e fisicamente fraco. Ele tem sido um amigo pessoal do Papa Emérito Bento XVI por muitos anos. Pe. Dollinger inesperadamente confirmou por telefone os seguintes fatos:

Não muito tempo depois da publicação do Terceiro Segredo de Fátima, em junho de 2000, pela Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Joseph Ratzinger disse a Pe. Dollinger, durante uma conversa pessoal, que ainda há uma parte do Terceiro Segredo que eles não publicaram! “Há mais do que nós publicamos”, disse Ratzinger. Ele também contou a Dollinger que a parte publicada do Segredo é autêntica e que a parte inédita do Segredo fala sobre “um mau Concílio e uma má Missa” que estavam por vir num futuro próximo.

Pe. Dollinger me deu permissão para publicar estes fatos nesta Festa do Espírito Santo e ele me deu a sua bênção.Pe. Dollinger foi ordenado sacerdote em 1954 e serviu como secretário do muito respeitado bispo de Augsburg, Josef Stimpfle. Pela Providência de Deus eu conheci este bispo uma vez, quando eu ainda não era católica, e fiquei profundamente tocada por sua humildade, calor e acolhimento. Ele me convidou para visitá-lo uma vez em Augsburg. Quando eu estava em meu processo de conversão, eu o procurei, mas, em seguida, para meu desgosto, descobri que Bispo Stimpfle já havia falecido. (Ele faz muita falta.)

O próprio Pe. Dollinger esteve também envolvido com as discussões da Conferência dos Bispos da Alemanha relativas à maçonaria, na década de 1970, no final das quais veio a afirmação de que a Maçonaria não é compatível com a fé católica. Mais tarde, ele ensinou teologia moral no seminário da Ordem dos Cônegos Regulares da Santa Cruz, que pertence ao Opus Angelorum. Bispo Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana, Cazaquistão, é membro dessa mesma Ordem dos Cônegos Regulares da Santa Cruz. Mais importante ainda, o Pe. Dollinger tinha Padre Pio (falecido em 1968) como o seu confessor por muitos anos e tornara-se muito próximo a ele. Dollinger também é conhecido pessoalmente por um dos meus familiares queridos.Esta informação confidencial referente ao Terceiro Segredo, que tem circulado entre certos grupos católicos por alguns anos até hoje, foi agora confirmada pessoalmente a mim pelo próprio Pe. Dollinger, em um momento na história em que a Igreja parece ter caído em um poço de confusão. Ele pode ajudar a explicar, pelo menos em parte, por que estamos onde estamos agora.

Importante, isso mostra a misericórdia amorosa da Mãe de Deus para nos alertar e preparar os seus filhos para esta batalha em que a Igreja agora se encontra. Apesar da decisão das pessoas em lugares responsáveis no seio da Igreja, Ela tem a certeza de que a verdade completa ainda será revelada e se propagará.

Esta informação também pode explicar por que o Papa Bento XVI, logo ao se tornar papa, tentou desfazer algumas das injustiças que estão diretamente relacionadas com esta revelação de Dollinger, a saber: ele liberou a Missa Tradicional de sua supressão; levantou a excomunhão dos bispos da Fraternidade de São Pio X (SSPX); e, por último, declarou publicamente em 2010 em Fátima: “Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída”. Ele também acrescentou estas palavras em uma entrevista durante a sua viagem de avião a Fátima:

A novidade que podemos descobrir hoje, nesta mensagem, reside também no fato que os ataques ao Papa e à Igreja vêm não só de fora, mas que os sofrimentos da Igreja vêm justamente do interior da Igreja, do pecado que existe na Igreja. Também isso sempre foi sabido, mas hoje o vemos de um modo realmente terrificante: que a maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado na Igreja, e que a Igreja, portanto, tem uma profunda necessidade de reaprender a penitência, de aceitar a purificação, de aprender por um lado o perdão, mas também a necessidade de justiça.

Com esta declaração, Bento XVI efetivamente contraria suas próprias palavras anteriores a junho de 2000, quando ele havia afirmado:

“Em primeiro lugar, devemos supor, como afirma o Cardeal Sodano, que «os acontecimentos a que faz referência a terceira parte do “segredo” de Fátima parecem pertencer já ao passado». Os diversos acontecimentos, na medida em que lá são representados, pertencem já ao passado. Quem estava à espera de impressionantes revelações apocalípticas sobre o fim do mundo ou sobre o futuro desenrolar da história, deve ficar desiludido.

Todas estas ações do Papa Bento XVI mostram que ele devia saber, em sua consciência, que de alguma forma ele teria que corrigir certas injustiças e ambiguidades confusas do passado recente. Ele defendeu a Missa Tradicional, devolveu a dignidade à FSSPX, e reinseriu a importância da mensagem de Fátima. Além disso, ele também tentou lidar com o mistério do Vaticano II, embora, ao que parece, de maneira demasiado vaga.

Neste contexto, pode valer a pena mencionar que meu marido e eu ouvimos de um sacerdote que se reunira privadamente com o Papa Bento XVI e que o próprio Papa Bento considera o Arcebispo Marcel Lefebvre “como sendo o maior teólogo do século 20”. Meu marido e eu atestamos ter ouvido essas exatas palavras diretamente deste sacerdote – palavras que teriam sido ditas pelo Papa Bento no contexto de sua proposta para reintroduzir o ensino de Marcel Lefebvre mais amplamente na Igreja Católica.

Enquanto contemplamos a gravidade das deficiências cumulativas e atrasos relativos à liberação da totalidade do Terceiro Segredo, e quando o céu nos tinha pedido para fazê-lo – ou seja, o mais tardar até 1960 – somos gratos ao Espírito Santo que aparentemente tornou possível, agora, esta conversa telefônica afirmativa hoje na Festa de Pentecostes. Possa a verdadeira mensagem de Fátima – juntamente com as recentes revelações de Pe. Brian Harrison e Dra. Alice von Hildebrand sobre o que ela também contém – espalhar-se por toda parte e, assim, ajudar a libertar todos os fiéis católicos de qualquer escravidão a meias verdades e lealdades deficientes. Que todos nós possamos, livre e plenamente, aderir à verdade integral da Mensagem da Misericórdia de Maria – que certamente irá, com o amparo da graça, ajudar a nos libertar!

Publicado originalmente: OnePeterFive – Cardinal Ratzinger: We Have Not Published the Whole Third Secret of Fatima