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9 setembro, 2015

Igreja dos mártires, Igreja do sangue.

“O nome da nossa igreja é Igreja dos mártires, Igreja do sangue. Antes de 2003, no Iraque, havia mais de 2 milhões de cristãos, hoje somos pouco mais de 200.000. Eu não estou aqui para incentivar o ódio contra o Islã, estou aqui para representar o meu povo e eu lhes digo que se há alguém aqui que ainda pensa que o ISIS não representa o Islã, está muito enganado: o ISIS é o Islã 100 por cento.

Menino iraquiano cristão que fugiu com a família da vila de Hamdania- província de Mosul.

Menino iraquiano cristão que fugiu com a família da vila de Hamdania- província de Mosul.

Nasci entre muçulmanos, tenho mais amigos entre muçulmanos do que cristãos, mas não posso deixar de dizer o mesmo que Papa Francisco: o que está ocorrendo não é apenas um conflito, existe um genocídio em curso […] Os cristãos no Oriente Médio sofrem tudo isso. Quando eu estava acorrentado [na prisão], minha corrente tinha 10 anéis e um grande bloqueio: eu usei-a como um rosário, rezando uma Ave Maria para cada anel e o Pai Nosso para o bloqueio. Eu não estou com medo, eu não sou um herói, e eu não estou reclamando do que me aconteceu. Nós carregamos a cruz e seguimos a cruz de Jesus. Eu sei que a última palavra será nossa, porque Jesus nos salvou. Estou aqui para dizer a vocês: sejam a nossa voz, falem e despertem. O câncer está às vossas portas e vos destruirá. Os cristãos no Oriente Médio, no Iraque, são o único grupo que viu de perto a face do mal: o islã.

Orem pelo meu povo, ajudem o meu povo, salvem meu povo. Por que deixar as ovelhas jogadas em meio aos lobos? Eu sou apenas um sacerdote, em breve, provavelmente, irão me matar e nos destruirão. Mas nós pertencemos a Jesus, Jesus é a nossa terra prometida. Mas, vocês, porém, devem agir, obrigado”.

Palavras de Padre Douglas Al Bazi, pároco de Erbil (Kurdistão iraquiano), no Meeting de Rimini [Congresso do movimento Comunhão e Libertação na Itália], no mês passado, ao falar da situação dramática dos cristãos perseguidos no Oriente Médio.

O sacerdote, há um ano, viu chegar em sua paróquia mais de 120.000 cristãos em fuga do Estado islâmico, não mede palavras ao descrever o seu calvário e o de seu povo. O pastor de Erbil também contou a sua história, sobre a sua igreja bombardeada por terroristas, o sequestro que ele sofreu nas mãos de extremistas muçulmanos com torturas que se prolongaram por nove dias, enquanto seus algozes ouviam na televisão as leituras do Corão. 

Tradução: Gercione Lima | FratresInUnum.com

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9 agosto, 2015

Foto da semana.

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Homs, Síria: Casamento em igreja bombardeada. Fé e vida são sempre mais fortes que o mal.

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2 maio, 2013

Líderes religiosos exigem a libertação dos bispos sírios sequestrados.

Por Charisma News | Tradução: Fratres in Unum.com – Dois bispos sírios sequestrados por milicianos islâmicos no dia 22 de abril continuam desaparecidos. Mar Yohanna Ibrahim (Metropolita Siríaco-Ortodoxo) e Dom Boulos Yazigi (Metropolita Greco-Ortodoxo) foram capturados nas proximidades da cidade de Aleppo, centro comercial e industrial da Síria, hoje devastada pela guerra civil.

Yohanna Ibrahim (esquerda) e Boulos Yazigi (direita): os dois bispos sírios sequestrados continuam desaparecidos.

Yohanna Ibrahim (esquerda) e Boulos Yazigi (direita): os dois bispos sírios sequestrados continuam desaparecidos.

Líderes religiosos de todo o mundo uniram vozes pelo pronto retorno de ambos.

Os raptores, ainda não identificados, abduziram aos religiosos enquanto os mesmos empreendiam ações humanitárias em favor da minoria cristã síria, de acordo com o relato de expatriados sírios que vivem nos EUA. Seu motorista [um diácono] foi morto no ataque.

Desde 2011, mais e 70 mil sírios morreram devido à guerra civil entre as forças leais ao presidente Bashar El-Assad e os rebeldes islâmicos que querem depô-lo.

Em comunicado emitido no final de semana passado (27-28 de abril de 2013), a Organização de Cooperação Islâmica conclamou a ‘imediata e incondicional’ libertação dos bispos, afirmando que este ato de sequestro violento contradiz os princípios islâmicos, assim como a alta estima tida para com clérigos cristãos (sic!).

[NOTA DO TRADUTOR: Esta conclamação a princípio soa como justa. Mas é em verdade contraditória, pois os rebeldes do conflito na Síria são radicais islamitas patrocinados pela Arábia Saudita, pelo califado de Omã e pela Turquia. Porém, isso é plenamente plausível dentro do conceito da ‘Takkyia’, a qual basicamente é uma dissimulação, ensinada e preconizada, da doutrina islâmica de sua ‘verdade essencial’, em favor de ganho da confiança e boa vontade de outrem. Em Fevereiro de 2013, dois padres, um armênio católico (Michel Kayyal) e um greco-ortodoxo (Isaac Mahfud) foram sequestrados. Ainda não há notícias sob seus paradeiros.

Abaixo, uma mostra do respeito islâmico à Cristandade, seja ela Católica ou Ortodoxa.

Homem posa com paramentos litúrgicos.

Homem posa com paramentos litúrgicos. Foto: RT.com

Igreja destruída. Foto: RT.com

Igreja destruída. Foto: RT.com

Esta conclamação veio após apelos feitos pelas igrejas Grega, Siríaca e Melquita, e também do apelo feito por Sua Santidade, o Papa Francisco, para que os bispos fossem rapidamente devolvidos às suas comunidades.

Em Nova York, Sua Eminência Timothy Cardeal Dolan, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos afirmou que o sequestro dos bispos e o assassinato do motorista “pesam gravemente nos corações das pessoas de boa vontade”. E acrescentou “que o sequestro de dois homens de paz constitui sinal de terrível violência, a qual destrói a matriz da sociedade síria”. Por fim, assegurou que a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos “trabalhará insistentemente junto a todos os canais disponíveis – a Santa Sé, os organismos internacionais, a comunidade diplomática” para garantir a libertação dos bispos e o fim das hostilidades na Síria.

O bispo Greco-Melquita de Aleppo, Dom Jean-Clement Jeanbart, disse à agência AsiaNews que as igrejas católica e ortodoxa “fazem seu melhor” para trazerem de volta os bispos, mas não entrou em detalhes a respeito. Segundo Dom Jeanbart, “no momento, ninguém entende a motivação para este ato e quem está por detrás destes criminosos”.

Dom Jeanbart ainda disse que a luta em Aleppo se intensificou nesta semana e que uma das regiões cristãs da cidade foi bombardeada com granadas de morteiro. Por isso, quatro pessoas morreram e diversas casas foram destruídas.

“A situação é terrível, ninguém está seguro, nem mesmo os cristãos”, os quais vêm tentando manterem-se neutros neste conflito.

O sobrinho do bispo siríaco-ortodoxo, Jamil Diarbakerli, que representa a Organização Democrática Assíria, disse ao World Watch Monitor (grupo de vigilância de direitos humanos) que os bispos cristãos escolheram permanecer na Síria, apesar dos perigos.

[NOTA DO TRADUTOR: isso é verdade e consonante com as palavras de Dom Gregorios III Laham, Patriarca Greco-Melquita Católico, que enérgica e publicamente afirmou “Não emigraremos!”.

O berço é local onde se conhece uma criança, onde ela, após ter nascido, se desenvolve e floresce para a vida. A Síria é o berço da Cristandade. Em Antioquia foi fundada a primeira sede apostólica, por São Pedro, Príncipe dos Apóstolos. Em Antioquia, os seguidores de Nosso Senhor foram pela primeira vez reconhecidos como cristãos. A caminho de Damasco, Saulo se converteu e tornou-se São Paulo de Tarso.

Da mesma forma, como há muito tempo é na China e no Vietnam, no Iraque e no Líbano, a Síria tem em si a Igreja que sofre. Este fato é agravado pelo legado que a Igreja tem neste país.

A Síria nos deu santos como Santo Ignácio de Antioquia, São João Damasceno, São João Crisóstomo, Santo Efrém e São Maron. Soframos juntos com eles e tomemos um pouco de sua cruz, por amor a Nosso Senhor, que pisou aquela terra. A quem for possível, que ofereçam a Sagrada Eucaristia recebida em intenção à Igreja que sofre na Síria.]

* * *

O Fratres agradece imensamente a um caro amigo, filho da Igreja do Oriente, pela tradução e comentários.

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12 novembro, 2010

“Vamos falar francamente dos que querem nos matar”.

Por Padre Raymond J. de Souza

Fonte: Rorate-Caeli

Tradução e adaptação de Roberto F. Santana

Sua ira sobre suas cabeças

O sangue de Bagdá grita aos céus e à terra.

Houve uma orgia de violência no Iraque nesta semana, os terroristas desencadearam uma série ataques de bombas, matando mais de 100 pessoas. Mas o que aconteceu no último domingo foi tão absolutamente horrível que merece especial e completa condenação, apoiado em força letal, se necessário.

No domingo, um grupo terrorista afiliado da al-Qaeda invadiu a catedral da Igreja Católica Siríaca, Nossa Senhora do Livramento, durante a missa à noite, matando imediatamente o sacerdote que oferecia a Santa Missa – três sacerdotes ao todo foram assassinados.

Eles começaram a atirar nos membros da congregação, e prendendo outros reféns que se refugiaram em uma sala trancada. Quando as forças de segurança invadiram a igreja, os jihadistas mataram quantos podiam, e alguns deles detonaram as bombas suicidas em seus cintos.

Cerca de 60 católicos foram mortos. Em sua catedral. Durante a Missa. Cristãos são mortos em oração por fanáticos muçulmanos.

Existem cristãos no Iraque desde os primeiros séculos, muito antes de existir um Iraque ou, pode-se notar, antes mesmo do Islã. Jihadistas lançaram uma campanha com intenção genocida, que visa expulsar todos os últimos cristãos a partir do que eles consideram ser uma terra islâmica. Agora está claro que o único lugar que os jihadistas deixaram para cristãos no Iraque é a sepultura.

O arcebispo católico foi morto. Os sacerdotes foram crivados de balas ao sair de suas igrejas. Cristãos comuns, tentando viver uma vida tranquila, tem sido alvo de perseguição, ameaças e violência. O Iraque na sequência da invasão norte-americana tem sido particularmente perigoso, mas a violência anticristã se estende por todo o mundo islâmico.

“Os cristãos são assassinados no Iraque, em suas casas e igrejas, e o chamado mundo  ‘livre’ está prestando atenção com completa indiferença, interessado apenas em responder de uma forma que é politicamente correta e economicamente oportuna, mas na realidade é hipocrisia”, disse o patriarca católico sírio Ignace Joseph III Younan depois destas últimas matanças.

De fato, a comunidade internacional emitiu as condenações no clichê habitual, a maioria deles se recusam a identificar os responsáveis. Na Igreja, também, muitas vezes há uma certa relutância em apoiar vigorosamente os cristãos sob ataque, e chamar as coisas pelo nome.

“Como no passado e ainda hoje existente, alguns desequilíbrios estão presentes em nossas relações,” é a declaração final da recente Vaticano Sínodo dos Bispos sobre o Médio Oriente caracterizou as relações entre cristãos e muçulmanos. Desequilíbrios? Tal como no desequilíbrio entre os jihadistas jogando granadas e explodindo famílias católicas?

O sangue sobre o altar torna claro. Nem mesmo uma boa quantidade de sangue, nem mesmo uma boa quantidade de diálogo, nem mesmo uma boa quantidade de evasões e circunlóquios, nem mesmo uma boa quantidade de prostrações – nada vai dissuadir os jihadistas. Então, não vamos renunciar a nós mesmos sobre os cadáveres dos nossos irmãos caídos em Cristo.

Vamos falar francamente dos que querem nos matar.

Allahu Akbar – Deus é grande! Assim, os católicos no domingo ouviram a mensagem dos jihadistas durante o massacre na igreja. Pode haver algo maior do que o sacrilégio de matar inocentes em oração, enquanto gritava que Deus é grande?

Os jihadistas não respeitam nem o homem, nem Deus, nem mesmo seus próprios. Eles matam os seus irmãos muçulmanos e mesquitas são bombardeadas. Cristãos foram mortos no domingo assim como os iraquianos, os árabes, os seus concidadãos, os seus vizinhos. Eles matam, porque eles estão tomados por um ódio assassino. O mínimo que podemos fazer é convocar uma justa raiva em troca.

O cristão sempre espera para a conversão e oferece o perdão. Também deve haver justiça e prudência e a prudência exige que aqueles que matam em nome de Deus são os que mais rapidamente são despachados para o seu julgamento.

A vingança é minha, diz o Senhor. Assim, a Escritura ensina-nos, e por isso deve assim para nós, deixando a vingança para o Senhor, e implorar a graça da conversão e da reconciliação. Mas não vamos deixar de levantar nossas vozes ao Senhor, com a justa raiva e quentes lágrimas, para que possa mandar sua vingança contra aqueles que fizeram isso, trazer a Sua ira sobre suas cabeças e aplicar sobre eles uma terrível justiça na medida certa.

Essa não é a língua dos desequilíbrios, é a angústia e a agonia do pastor quando o rebanho está sendo abatido.