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8 janeiro, 2021

Trump perdeu. E agora?

FratresInUnum.com, 8 de janeiro de 2021. – O cristão analisa todas as coisas sobrenaturalmente, buscando interpretar os acontecimentos à luz da Divina Providência, que sempre sapientissimamente governa todas as coisas propter electos, por causa dos eleitos. Esta é a nossa chave de leitura para todas as circunstâncias: Deus Nosso Senhor está conduzindo tudo tendo em vista a salvação das almas!

Invasão do Capitólio deixa 4 mortos e 52 presos, diz polícia de Washington - Jornal O Globo

É assim que precisamos analisar o desfecho das eleições americanas. Mas, para isso, precisamos nos livrar de certos condicionamentos psíquicos que nos podem estreitar demasiadamente a visão.

Antes de tudo, a revolução é um modo de pensar que inverte a nossa relação com a própria realidade: troca-se a contemplação da ordem existente no cosmos e de sua relação com o Deus incriado pelo ímpeto rebelde e iconoclasta de subverter o mundo, a fim de submetê-lo ao próprio arbítrio. Para conseguir tal intento, no entanto, é preciso infundir nas almas algumas crenças fundantes, das quais gostaríamos de salientar uma.

Eric Voegelin chamava de fé metastática “a crença ou esperança numa repentina transfiguração da estrutura da realidade e na subsequente emergência de uma ordem paradisíaca”, sempre por forças intrínsecas à própria história. É nisso, por exemplo, que se baseia o delírio progressista, que engendra nas mentes a ideia de uma evolução sempre maravilhosa rumo a um paraíso cientificista, acompanhada da estigmatização simultânea de toda e qualquer mentalidade conservadora, rotulada, assim, de obscurantista e retrógrada.

A versão negativa da fé metastática é a crença numa desfiguração instantânea da realidade, sob o suposto domínio das forças revolucionárias, que querem justamente que os seus opositores creiam na sua onipotência para que entreguem o jogo, fiquem paralisados pelo medo e parem de lutar.

Esta é a reação psicológica inerente ao derrotismo dos conservadores diante da derrota de Donald Trump. É como se repentinamente o mundo inteiro passasse ao domínio imediato da esquerda (como se ela já não estivesse atuando a todo vapor), sem hipótese de se reerguer. Mas a impressão é inteiramente falsa.

Se existe um aspecto da realidade muito difícil de ponderar, este é a política. Com exceção de Deus, que não governa o mundo despoticamente, ninguém tem o poder sobre o universo de maneira total e sempre há eventualidades muito difíceis de serem previstas. Por exemplo, pode acontecer uma sucessão de cataclismos, pestes e até guerras que tirem o controle das mãos dos que pensam dirigir o mundo; assim como pode suceder um despertar sobrenatural operado pela graça que faça muitas pessoas se posicionarem na direção oposta daquela que eles pretendem. Pessoas nascem e morrem. Muitos que agora estão em pé, amanhã estarão caídos.

Fato é que estar na Presidência da República confere poderes, mas também eles são limitados por uma série de contingências. No Brasil, Bolsonaro não consegue governar, apesar de eleito; nos Estados Unidos, o próprio presidente foi impiedosamente apedrejado pela mídia, chegando a ser censurado pelo Twitter. A ditadura high tech avança – ontem mesmo líamos uma notícia que dizia que o WhatsApp mudou a política de privacidade e, a partir de fevereiro, começará a compartilhar dados dos usuários com o Facebook! Em outras palavras, se o Presidente dos EUA foi censurado, o que se fará contra o cidadão comum que seja identificado como obscurantista, fundamentalista, conservador?

Mas, por outro lado, o que, afinal de contas, Trump perdeu? Precisamos perceber que aí há uma derrota mais psico-política do que real. É algo muito similar ao que aconteceu no Brasil.

Será que a vitória de Bolsonaro significou, na prática, uma verdadeira vitória para o movimento popular conservador?

Há vitórias que são derrotas.

Se a Dilma não tivesse ganhado em 2014, hoje o PT não estaria tão arrasado quanto está. Na verdade, Trump sai bastante fortalecido dessa eleição: nenhum presidente obteve tamanho entusiasmo popular e ostentou igual capacidade de mobilização — um contraste gritante com os últimos comícios-velório, com todo distanciamento social, de Biden; Trump angariou a maior quantidade de votos já obtidos por um candidato republicano e, fora do cargo, poderá continuar politicamente ainda mais ativo, realizando uma oposição ferrenha e fortalecendo ainda mais as convicções políticas da população que rechaça o socialismo.

A invasão do Capitólio (imagem) por populares teve um significado muito paradoxal: de um lado, mostrou o teatro da barbárie dos Antifas, calculado para desprestigiar os EUA diante do mundo, o que é lamentável; e, de outro, o protesto pacífico de um povo impotente, convencido de que houve fraude, e que está descontente porque a vitória de Biden foi mais uma manobra de cúpulas do que outra coisa.

Os EUA sempre estiveram politicamente divididos e foi justamente esta divisão que sempre elegeu os presidentes com pouca margem de diferença e também que os obrigou a fazer uma política de equilíbrio interno de forças.

É evidente que não é correto idolatrar Donald Trump, como ingenuamente fazem alguns conservadores. Ele cometeu erros desnecessários, como, por exemplo, a sua atitude excessivamente auto-glorificante ou a pouca empatia demonstrada durante a crise sanitária da peste chinesa. Mas o seu erro fundamental foi aquele excesso de auto-confiança que o fez subestimar os seus inimigos, os inimigos do povo americano, e destruí-los enquanto estava no poder. Estes e outros elementos contribuíram para que houvesse uma oscilação na sua popularidade que, pela estreita margem de vantagem ajudada pelas fraudes, levou à vitória o seu oponente. Agora, o teatro dos Antifas será usado contra ele, porque foi concebido para isso, a fim de poder causar o seu impeachment a poucos dias de cessar o seu mandato, o que o impediria de se reeleger em 2024.

Isso nos mostra o quanto importa formar um conservadorismo político que esteja profundamente imbuído dos valores civilizacionais da Cristandade e do Reinado de Nosso Senhor, ao invés de decair em barbarismos que podem chocar os sentimentos de bondade da população e inibir o seu apoio justamente em momentos tão decisivos.

Em certo sentido, a derrota de Trump pode acirrar os ânimos conservadores, antes anestesiados por um sentimento falso de vitória e tranquilidade, enquanto os inimigos continuavam mantendo a hegemonia sobre as universidades, sobre o show business e até sobre as Redes Sociais, para moldar a sociedade inteira segundo as suas ideologias. Agora, no poder, poderão ser fortemente atacados e, assim, seria engrossada a fileira da militância conservadora.

Para nós, católicos, a situação pode se agravar, mas, em certo sentido, ainda continua estruturalmente a mesma.

Quem tem Francisco temeria Biden?

Há 300 anos a maçonaria persegue incansavelmente a Igreja, sendo provisionada por instituições mais discretas ainda, que atualmente remontam ao sistema financeiro global. No último século, as fundações começaram a financiar ONGs pelo mundo inteiro, com a finalidade de realizar o mesmo intento, só que agora com métodos cientificamente muito mais aprimorados. Hoje, fortalece-se de modo sem precedentes a tirania das big techs e dos grandes conclomerados corporativos, cujas fortunas ascenderam aos píncaros enquanto os países despejavam enxurradas de “estímulos” econômicos no meio da pandemia. Não é esta a grande alegria dos “mercados” nos últimos dias com a confirmação de Biden?

No século XVIII, a maçonaria percebeu que não conseguiria revolucionar as sociedades enquanto não suprimisse a Companhia de Jesus, pois aqueles homens apostólicos e doutos tinham fermentado toda a Europa com colégios de alta cultura, formando as elites e anestesiando o povo contra as novidades anti-católicas.

Hoje, a revolução conseguiu devastar a Igreja Católica (especialmente por este desastroso pontificado) e, apenas por causa disso, pôde, agora, por fim, apoderar-se do governo americano para reduzir a América à subserviência chinesa — regime que, para um homem de confiança de Francisco, Mons. Sorondo, melhor aplica atualmente a doutrina social da Igreja — e realizar a varredura da própria noção de propriedade privada, que, no fundo, é o que está sendo atacado.

Trump perdeu. E agora?

Agora, precisamos cair na realidade que estava mascarada sob uma falsa vitória e começar a fazer o trabalho difícil, que é ir para as bases e ser exatamente o que os jesuítas foram antes da sua supressão e, sobretudo, antes da sua perversão interna, consumada durante o generalatato do Padre Arrupe; precisamos, além das redes sociais, criar grupos locais, presenciais, vínculos físicos; precisamos, ainda, nos dedicar ao estudo, exatamente como um médico faz, investigando as causas para, a partir delas, atacar a doença; precisamos, sobretudo, ter superabundância de vida espiritual, dedicar-nos verdadeiramente a crescer em união com Deus, através dos sacramentos, da oração e de uma terna devoção à Santíssima Virgem.

Todo mundo quer vitórias fáceis, vindas à base de descansos e lutas alheias. Sabemos da crise terrível pela qual passa a Santa Igreja, mas não podemos nos render diante dela, pois Deus quer, da nossa parte, a resistência firme e pronta, para que, da parte dEle, sejam derramadas as graças de que temos necessidade. Não escutemos as lamúrias derrotistas; elas apenas nos desencorajam. É hora de militarmos! Escutemos as palavras de triunfo oriundas dos lábios Santíssimos da Virgem de Fátima: “Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará”! Viva Cristo Rei!

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18 novembro, 2020

Assine a petição: Ato de desagravo à profanação realizada na Basílica da Imaculada Conceição – Rio de Janeiro.

Para que todos sejam um, na Verdade.

Rio de Janeiro, 13 de novembro de 2020

Eminentíssimo e Reverendíssimo

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

Dom Orani João Cardeal Tempesta, O.Cist.

Considerando o espaço reconhecido aos fiéis pelo direito (CIC Câns. 212, §2 e 3) no que concerne à manifestação de sua preocupação pelo bem da Igreja, nós, fiéis católicos, sobretudo pertencentes à Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, sentimo-nos impelidos em consciência a recomendar a atenção de Vossa Eminência Reverendíssima ao gravíssimo fato ocorrido no dia 31 de outubro, na Basílica da Imaculada Conceição, na Praia de Botafogo, cujo pároco é o Cônego Marcos William Bernardo, professor da PUC-Rio e recentemente nomeado Vigário Episcopal para Cultura. Tratou-se de uma apresentação que exaltou o culto Hare Krishna e a mitologia hindu, promovida pelo projeto “Expo-Religião”, uma iniciativa que visa a colocar em contato, segundo o seu próprio site, diferentes vertentes religiosas, dentre elas a umbanda, catimbó, pajelança, hare krishna, maçonaria, etc.

É sabido que, em toda a sagrada escritura, no sentir do antigo e do novo Israel – a Igreja dos mártires -, um dos pecados mais abomináveis é seguramente a idolatria, e que a unicidade do Deus vivo e verdadeiro, tão zelosamente protegida pela lei e pelos profetas e testemunhada na plenitude dos tempos pelo seu Filho único, nascido de Maria Virgem, é inconciliável com qualquer sombra de politeísmo, panteísmo ou panenteísmo. Ora, na pantomima sacrílega, apresentada no presbitério da dita basílica, com adoração aos falsos deuses, danças indecentes com roupas indecorosas, na presença do Santíssimo Sacramento, deu-se a exaltação de todos esses abomináveis erros inconciliáveis com a nossa Fé e, portanto, com a vontade de Deus, com sua verdade imutável e com a missão da Igreja.

Considerando os Cânones:

1210 — “Em lugar sagrado só se admita aquilo que favoreça o exercício e a promoção do culto, da piedade, da religião; proíba-se tudo quanto for destoante à santidade do lugar. Todavia, o Ordinário, em casos concretos, pode permitir outros usos, não porém contrários à santidade do lugar.”

1211 — “Os lugares sagrados são violados por atos gravemente injuriosos aí perpetrados com escândalo dos fiéis e que, a juízo do Ordinário local, são de tal modo graves e contrários à santidade do lugar, que não seja lícito exercer neles o culto, enquanto não for reparada a injúria mediante o rito penitencial estabelecido nos livros litúrgicos.”

1376 — “Quem profana coisa sagrada, móvel ou imóvel, seja punido com justa pena.”

Considerando que nesta arquidiocese, por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Vossa Eminência Reverendíssima é a pessoa designada para defender o sagrado depósito da fé e conduzir seus súditos à verdade do Evangelho, apelamos para a sua autoridade pastoral, a fim de confirmar a Fé Católica a respeito da sacralidade dos locais de culto, dissipando a confusão doutrinal e o indiferentismo religioso, pondo fim terminantemente a esses abusos, reconfortando os corações dos fiéis e da igreja particular que lhe foi confiada e, desempenhando o encargo de Cristo Bom Pastor, se digne purificar da profanação o lugar sagrado através dos ritos previstos pelas normas litúrgicas e canônicas, assim como reestabelecer a justiça punindo e corrigindo os envolvidos na citada profanação.

Confiando-nos à paternidade de Vossa Eminência Reverendíssima, expusemos as nossas preocupações para com o bem da Igreja e das almas, certos de que esses fatos causaram profunda dor no seu coração de pastor, assim como no coração de seu rebanho. Despedimo-nos rogando a Deus, nosso Senhor, que o proteja e abençoe seu ministério episcopal em nossa arquidiocese com abundantes frutos.

Filialmente suplicamos a sua bênção paternal,

Assine a petição aqui.

Subscrevemo-nos os fiéis católicos.

21 outubro, 2020

Francisco, o indefensável.

Por FratresInUnum.com, 21 de outubro de 2020 – Os franceses dizem, com razão, “qui s’excuse s’accuse” – “quem se desculpa, se acusa” – e é nesta flagrante contradição em que caem os defensores de “Fratelli tutti”, os cleaners de Francisco, esses desinformantes que se valem da oficialidade para desorientar o povo católico em sua reação de perplexidade diante de um documento mundano.

Papa Francisco fala sobre 'crucifixo comunista' que recebeu de Evo Morales

De um lado, chega a ser majestoso o modo como a opinião pública deliberadamente ignora os pronunciamentos do papa, especialmente este último, que não conseguiu sequer atrair a atenção da mídia. De outro, é igualmente inegável que a taxa de rejeição de um pontífice nunca esteve tão acentuada quanto agora, e de maneira gritante, indissimulável.

Até mesmo os defensores de Francisco andam por aí roendo os cotovelos e rasgando os andrajos porque – reclamam! – “nem durante a Reforma protestante houve tantos protestos contra um papa”… E apresentam em sua “gloriosa” defesa não argumentos verdadeiros, mas tirinhas de desprezo em relação aos outros – a velha inteligência nanica se fingindo de superior enquanto mal maneja o vernáculo – e o antiquadíssimo apelum ad auctoritatem: “mas é o paaaaapa”!

A tática de responsabilizar o ouvido alheio pelas barbaridades que um leviano diz é a mesma de que se servem esses que atribuem ao povo o escândalo causado pelo seu verdadeiro autor. O Papa Francisco sabe muito bem a dissensão que ele causa com um magistério tão dissonante da voz tradicional da Igreja, sabe que está forçando um tipo de discurso rançosos e suas atitudes são muito coerentes com a de quem quer chocar. Ele poderia, tranquilamente, valer-se daquele lema do Chacrinha: “eu não vim para explicar, eu vim foi pra confundir”!

Obviamente, os fieis têm um bom espírito. Percebem que há algo de errado no ar, ficam desconfiados, escutam isso e aquilo, querem pensar bem do pontífice, mas… nem dá tempo de raciocinar, logo vem ele e dá outro escândalo: terminadas as eleições na Bolívia, segundo o jornal El Sol, o Papa Francisco fez uma chamada telefônica (sim, daquelas que ele gosta muito de fazer) para felicitar o ex-presidente Evo Morales pela vitória do seu partido nas eleições presidenciais! É isso mesmo! O Papa telefonou para parabenizar a vitória dos socialistas!

Ah, mas se o povo católico se escandaliza, a culpa é do povo e não do escandalizador, daquele que efetivamente está fazendo discursos humanistas alla maçonaria, que propõe uma fraternidade universal à margem do senhorio de Nosso Senhor Jesus Cristo, que dilui a mensagem do Evangelho num vago deísmo filantropista e greenpeace. – O Cardeal Müller, bastante “sem graça”, tentou “limpar a barra” de “Fratelli tutti”, bem como o bispo espanhol Munilla, mas ambos sem apresentar argumentos consistentes.

De fato, o maior problema do Papa Francisco é ele mesmo, não o povo. E todos os seus defensores, pelo próprio fato de o defenderem, mostram que isso é verdade, ou seja, ele não se sustenta por si mesmo, precisa de advogados que desmintam o que os nossos ouvidos estão escutando, que nos façam “desver” o que os nossos olhos estão contemplando, que nos proponham “gentilmente” a renúncia da razão e da fé, e tudo em nome de uma mera oficialidade que se não pode alegar de maneira impositiva, ao menos desde que Francisco se omitiu em responder aos dubia, resposta que poderia afastar dele o fantasma da heresia, o qual, aliás, ao menos desde então, acompanha-o como uma sombra.

É uma miséria a situação a que chegaram os progressistas! Da “Igreja, carisma e poder”, de Leonardo Boff, nada mais resta de carisma, restou-lhes apenas o “poder” (o poder, sem a autoridade). Esses senhores, depois de décadas lutando contra o papado, agora se tornaram papólatras de argumento único e diabolicamente circular: “o que o papa diz é verdade porque ele é papa”.

Resta-lhes apenas repetir ad nauseam a mesma apelação autoritária, cruzar os dedinhos para dar certo e torcer freneticamente para que os desavizados acreditem que tudo não passa de fake news, que Francisco é um avatar repaginado de Bento XVI e que, na verdade, são os mal-intencionados tradicionalistas que distorcem tudo e que precisam ser expurgados a todo custo, como os leprosos do Antigo Testamento.

É impossível, porém, negar a realidade. Quando até a defesa de Francisco se torna um subjacente ataque, uma demonstração de que ele já é um corpo estranho na estrutura da Igreja, não lhes resta muita alternativa senão ter de conviver com uma resistência ativa, forte e determinada, que não lhes dará tréguas e também não irá rachar a unidade da Igreja. Assim como São Paulo resistiu a São Pedro – “resisti a Pedro em face, porque era censurável” (Gl 2,11) –, os fieis católicos continuarão com a sua resistência firme e pacífica até que termine esta triste tribulação. Com ânimo sereno e certos da vitória, não desistiremos, e, inclusive, divertir-nos-emos às custas de tantas tentativas frustradas de defesa do indefensável.

6 outubro, 2020

Maçons: “‘Fratelli tutti’ demonstra quão distante a atual Igreja está de suas antigas posições”.

Por InfoVaticana, 5 de outubro de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com – Apresentamos a declaração da Grande Loja da Espanha a respeito:

“Há 300 anos se deu o nascimento da Maçonaria moderna. O grande princípio desta escola iniciátiva não mudou em três séculos: a construção de uma fraternidade universal onde os seres humanos se chamem irmãos uns dos outros, para além de seus credos concretos, de suas ideologias, de sua cor de pele, sua classe social, língua, cultura ou nacionalidade. Este sonho fraterno se chocou com o integrismo religioso que, no caso da Igreja Católica, propiciou duríssimos textos de condenação à tolerância da Maçonaria no século XII. A última encíclica do Papa Francisco demonstra quão distante está a atual Igreja Católica de suas antigas posições. Em ‘Fratelli tutti’, o Papa abraça a Fraternidade Universal, o grande princípio da Maçonaria moderna.

” Desejo ardentemente que, neste tempo que nos cabe viver, reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, possamos fazer renascer, entre todos, um anseio mundial de fraternidade”, expressa, advogando por uma “fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas independentemente da sua proximidade física, do ponto da terra onde cada uma nasceu ou habita”. Para a construção dessa Fraternidade Universal, o Papa pede que se busque o horizonte da Declaração Universal dos Direitos Humanos, “não suficientemente universais”.

A carta aborda o papel desintegrador do mundo digital, cujo funcinoamento favorece a circuitos fechados de pessoas que pensam do mesmo modo e facilitam a difusão de notícias falsas que fomentam preconceitos e ódios. “Deve-se reconhecer que os fanatismos, que induzem a destruir os outros, são protagonizados também por pessoas religiosas, sem excluir os cristãos, que podem «fazer parte de redes de violência verbal através da internet e vários fóruns ou espaços de intercâmbio digital. Mesmo nos media católicos, é possível ultrapassar os limites, tolerando-se a difamação e a calúnia e parecendo excluir qualquer ética e respeito pela fama alheia»”, acrescenta.

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15 junho, 2020

O Concílio Vaticano II e a origem do descarrilamento.

Por Aldo Maria Valli, 14 de junho de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com*A recente intervenção de Monsenhor Carlo Maria Viganò, referente aos vínculos entre o Concílio Vaticano II e os “desvios doutrinais, morais, litúrgicos e disciplinares que surgiram e progressivamente se desenvolveram até ao presente momento, aponta para uma questão que, embora seja causa de sofrimento para muitos de nós que crescemos na Igreja pós-conciliar, é inevitável.

Monsenhor Viganò, inspirando-se na contribuição do bispo Athanasius Schneider, fala abertamente de um “monstro gerado nos círculos dos modernistas” e que agora se mostra como é, “em sua índole subversiva e rebelde”.

Vamos direto ao ponto: se hoje temos uma Igreja que, muitas vezes, caminha caminhos heréticos de matriz gnóstica e se inspira naquele humanitarismo vago, tão popular no mundo e que, não por acaso, é aplaudida por quem sempre foi inimigo da Igreja, é porque o Concílio Vaticano II, ao contrário de todos os que o precederam, pretendeu, no fim das contas, fundar uma nova Igreja. É bem verdade que isso nunca foi proclamado e o que se propalou foi a necessidade de renovação sem que se tocasse o depositum fidei. Mas, de fato, os círculos modernistas instrumentalizaram o Concílio para introduzirem uma descontinuidade. A ferramenta retórica utilizada foi a expressão, completamente inédita, “espírito do Concílio”. Um conceito que, de fato, permitiu a infiltração da revolução, muito além do que estava sendo escrito nos textos. 

Há uma passagem, na intervenção de Monsenhor Viganò, que me impressionou de uma maneira particular, porque é muito pessoal e acredito que mais de um leitor vai se identificar com isso: “Chega um momento na nossa vida em que, por disposição da Providência, somos confrontados com uma escolha decisiva para o futuro da Igreja e para a nossa salvação eterna. Falo da escolha entre compreender o erro em que praticamente todos nós caímos, e quase sempre sem más intenções, e o querer continuar a procurar noutro lugar ou justificar-nos a nós mesmos”. 

Acredito que essa afirmação resume bem o drama daqueles que, tendo crescido na Igreja do pós-Concílio, hoje, depois de décadas, não podem deixar de abrir os olhos e dar-se conta do engano.

Sobre a questão ecumênica e litúrgica, escreve Viganò, que durante muito tempo “pensávamos que certos excessos fossem apenas um exagero daqueles que se deixaram levar pelo entusiasmo da novidade”. Mas fomos enganados. Referindo-se a horrenda pachamama, Monsenhor Viganò diz com toda a clareza: “se o simulacro de uma divindade infernal foi capaz de entrar na Basílica São Pedro, isso faz parte de um crescendo previsível desde o início”. Do mesmo modo, se “numerosos Católicos praticantes, e talvez até grande parte dos próprios clérigos, estão hoje convencidos de que a Fé Católica já não é necessária para a salvação eterna” e se muitos estão agora intimamente convencidos de que “o Deus Uno e Trino, revelado aos nossos pais, seja o mesmo deus de Maomé”, é porque a semente do erro e da heresia foi plantada há mais de meio século e vem sendo cultivada ao longo de décadas. 

“Progressistas e os modernistas – escreve Viganò – souberam ocultar astuciosamente nos textos conciliares, aquelas expressões ambíguas que, à época, pareciam inofensivas para a maioria, mas que hoje manifestam sua violência subversiva”. 

Não sou um historiador da Igreja, muito menos do Concílio Vaticano II. Sinto, porém, que posso aderir ao que Monsenhor Viganò diz quando afirma que houve um engano e que muitos caíram na armadilha. Quando o arcebispo fala de uma “corrida rumo ao abismo” e se diz surpreso que “ainda se persista em não querer investigar as causas primeiras da presente crise, limitando-se a deplorar os excessos de hoje como se não fossem a conseqüência lógica e inevitável de um plano orquestrado há décadas, somos confrontados com uma obrigação inevitável. 

Viganò é muito claro quando estabelece um paralelo entre pachamama e Dignitatis humanae, a liturgia protestante e as teses de monsenhor Annibale Bugnini, o documento de Abu Dhabi e Nostra Aetate. Tenho consciência de que muitas pessoas, mesmo entre aquelas que se opõem ao modernismo, diante destas declarações do arcebispo, assustam-se. Elas alegam que os males e os abusos não se originam do Concílio, mas de uma traição ao Concílio. Não vou aqui entrar nessa discussão. Da minha parte, sei que posso concordar com a análise de Monsenhor Viganò quando ele escreve que “o Concílio foi utilizado para legitimar, sob o silêncio da autoridade, os desvios doutrinais mais aberrantes, as inovações litúrgicas mais audaciosas e os abusos mais inescrupulosos. Esse Concílio foi a tal ponto exaltado, que ele foi posto como a única referência legítima para os Católicos, clérigos e bispos, enquanto a doutrina que a Igreja sempre ensinou com autoridade foi obscurecida e desprezada; e foi proibida a liturgia perene, que por milênios alimentou a fé de ininterruptas gerações de fiéis, mártires e santos”. E sei que posso também fazer minhas as palavras de Viganò quando escreve: “confesso-o com serenidade e sem controvérsia: fui um dos muitos que, apesar de tantas perplexidades e medos, os quais se mostram hoje absolutamente legítimos, confiaram na autoridade da hierarquia com uma obediência incondicional. Na realidade, penso que muitos, e eu sou um deles, não consideramos inicialmente a possibilidade de um conflito entre a obediência a uma ordem da hierarquia e a fidelidade à própria Igreja. A separação desnaturada, ou melhor, perversa, entre hierarquia e Igreja, entre obediência e fidelidade, foi certamente tornada palpável neste último pontificado”. 

Em resumo, “apesar de todas as tentativas de hermenêutica da continuidade, miseravelmente naufragadas no primeiro confronto com a realidade da presente crise, é inegável que, do Vaticano II em diante, uma igreja paralela foi constituída, sobreposta e contraposta à verdadeira Igreja de Cristo. Essa (igreja paralela) obscureceu progressivamente a divina instituição fundada por Nosso Senhor, até ao ponto para substituí-la por uma entidade bastarda, que corresponde à tão almejada religião universal, inicialmente teorizada pela maçonaria. Expressões como novo humanismo, fraternidade universal, dignidade do homem são palavras de ordem do humanitarismo filantrópico que nega o verdadeiro Deus; são expressões da solidariedade horizontal, de vaga inspiração espiritualista e do irenismo ecumênico, que a Igreja condena sumariamente”. 

Chegar a essas conclusões causa, repito, sofrimento. Como Viganò escreve, precisamos olhar a realidade de frente. “Esta operação de honestidade intelectual requer uma grande humildade, antes de tudo em reconhecer que fomos enganados durante décadas, de boa-fé, por pessoas que, constituídas em autoridade, não foram capazes de vigiar e guardar o rebanho de Cristo: ou porque quiseram viver tranqüilos, ou porque tiveram que honrar compromissos, ou por outras quaisquer conveniências, ou por má-fé ou simplesmente por dolo. Estes últimos, que traíram a Igreja, devem ser identificados, repreendidos, exortados a emendar-se e, se não se arrependerem, expulsos da Igreja. Assim age um verdadeiro Pastor, que se preocupa com a saúde das ovelhas e que dá a vida por elas; tivemos e ainda temos muitos mercenários para quem a anuência dos inimigos de Cristo é mais importante que a fidelidade à Sua Esposa”. 

A armadilha está engatilhada. Muitos caíram nela, mas isso não justifica perseverar no erro. “E se até Bento XVI ainda poderíamos imaginar que o golpe de estado do Vaticano II (que o cardeal Suenens definiu como ‘o 1789 da Igreja’) conheceria uma desaceleração, nos últimos anos, mesmo os mais ingênuos dentre nós compreenderam que o silêncio, por medo de suscitar um cisma, a tentativa de ajustar os documentos papais dando a eles um sentido católico para remediar a ambigüidade original, os apelos e os dubia endereçados a Francisco, deixados eloqüentemente sem resposta, são uma confirmação da situação de gravíssima apostasia à qual estão expostos os líderes da hierarquia, enquanto o povo cristão e o clero se sentem irremediavelmente afastados e tratados quase com raiva por parte do episcopado”. 

Muitas vezes, olhar de frente as origens de uma doença causa sofrimento e dor; um insidioso sentimento de fracasso também pode nos abater. No entanto, é necessário que isso seja feito se você deseja encontrar o caminho da cura. 

Aldo Maria Valli

* Nosso agradecimento a um generoso leitor por nos fornecer sua tradução.

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13 junho, 2020

Dom Viganò: “Do Vaticano II em diante foi constituída uma igreja paralela, sobreposta e contraposta à verdadeira Igreja de Cristo”.

9 de Junho de 2020
Santo Efrém

 

Li com muito interesse o ensaio de S.E. Athanasius Schneider publicado, no LifeSiteNews, a 1 de Junho, e posteriormente traduzido por Chiesa e post Concilio, intitulado Não há vontade divina positiva nem direito natural para a diversidade de religiões. O estudo de Sua Excelência compendia, com a clareza que distingue as palavras daqueles que falam segundo Cristo, as objecções à suposta legitimidade ao exercício da liberdade religiosa que o Concílio Vaticano II teorizou, contradizendo o testemunho da Sagrada Escritura, a voz da Tradição e o Magistério Católico, que de ambos é guardião.

O mérito deste ensaio reside, antes de tudo, em ter sido capaz de alcançar a relação causal entre os princípios enunciados ou implicados pelo Vaticano II e o seu consequente e lógico efeito nos desvios doutrinários, morais, litúrgicos e disciplinares que surgiram e se desenvolveram progressivamente até hoje. O monstrum gerado nos círculos dos modernistas poderia, a princípio, ser enganoso, mas, crescendo e fortalecendo-se, hoje mostra-se como realmente é na sua natureza subversiva e rebelde. A criatura, então concebida, é sempre a mesma e seria ingénuo pensar que a sua natureza perversa poderia mudar. As tentativas de corrigir os excessos conciliares – invocando a hermenêutica da continuidade – revelaram-se falhadas: Naturam espellas furca, tamen usque recurret (Horácio Epist. I, 10:24). A Declaração de Abu Dhabi e, como Mons. Schneider justamente observa, os seus prenúncios do pantheon de Assis, «foi concebida no espírito do Concílio Vaticano II», como confirma orgulhosamente Bergoglio.

Este “espírito do Concílio” é a licença de legitimidade que os modernistas opõem aos críticos, sem perceberem que é precisamente confessando aquele legado que se confirma não apenas a erroneidade das declarações actuais, mas também a matriz herética que deveria justificá-las. A bem dizer, nunca na vida da Igreja houve um Concílio que representasse um tal evento histórico a ponto de torná-lo diferente dos outros: nunca foi dado um “espírito do Concílio de Nicéia”, nem o “espírito do Concílio de Ferrara-Florença” e muito menos o “espírito do Concílio de Trento”, assim como nunca tivemos um “pós-concílio” depois do IV de Latrão ou do Vaticano I.

O motivo é evidente: aqueles Concílios eram todos, indistintamente, a expressão da voz uníssona da Santa Madre Igreja e, por essa mesma razão, de Nosso Senhor Jesus Cristo. Significativamente, aqueles que apoiam a novidade do Vaticano II também aderem à doutrina herética que vê contraposto o Deus do Antigo Testamento ao Deus do Novo, como se se pudesse dar uma contradição entre as Divinas Pessoas da Santíssima Trindade. Evidentemente, essa contraposição, quase gnóstica ou cabalística, é funcional para a legitimação de um novo sujeito deliberadamente diferente e oposto em relação à Igreja Católica. Os erros doutrinários quase sempre traem também uma heresia trinitária e é, portanto, retornando à proclamação do dogma trinitário que se poderão dispersar as doutrinas que a ele se opõem: ut in confessione veræ sempiternæque deitatis, et in Personis proprietas, et in essentia unitas, et em majestate adoretur æqualitas. Ao professar a verdadeira e eterna divindade, adoramos a propriedade das divinas Pessoas, a unidade na sua essência, a igualdade na sua majestade.

Mons. Schneider cita alguns cânones dos Concílios Ecuménicos que propõem, no seu dizer, doutrinas dificilmente aceitáveis hoje, como a obrigação de reconhecer os Judeus através do vestuário ou a proibição de os cristãos serem empregados de patrões maometanos ou hebreus. Entre estes exemplos, há também a necessidade da traditio instrumentorum, declarada pelo Concílio de Florença, posteriormente corrigida pela Constituição Apostólica Sacramentum Ordinis de Pio XII. O Bispo Athanasius comenta: «Pode-se legitimamente esperar e acreditar que um futuro papa ou concílio ecuménico corrigirá as afirmações erróneas pronunciadas» pelo Vaticano II. Parece-me um argumento que, mesmo com a melhor das intenções, mina as fundações do edifício católico. Se, de facto, admitirmos que possam haver actos magisteriais que, por uma alterada sensibilidade, sejam, com o passar do tempo, susceptíveis de revogação, de modificação ou de diferente interpretação, caímos inexoravelmente sob a condenação do Decreto Lamentabili e acabamos por dar razão a quem, recentemente, precisamente com base naquela tese errónea, declarou “não conforme ao Evangelho” a pena capital, chegando a alterar o Catecismo da Igreja Católica. E, de certa maneira, poderíamos, pelo mesmo princípio, acreditar que as palavras do Beato Pio IX, na Quanta cura, foram, de alguma forma, corrigidas precisamente no Vaticano II, tal como Sua Excelência espera que possa acontecer com a Dignitatis humanæ. Dos exemplos que usou, nenhum é, por si só, gravemente erróneo ou herético: ter declarado necessária a traditio instrumentorum para a validade da Ordem não comprometeu, de forma algum, o ministério sacerdotal na Igreja, levando-a a conferir invalidamente as Ordens. Também não me parece que se possa afirmar que este aspecto, por mais importante que seja, tenha insinuado doutrinas erróneas nos fiéis, algo que apenas aconteceu com o último Concílio. E quando, no curso da História, as heresias se espalharam, a Igreja sempre interveio prontamente para condená-las, como aconteceu no tempo do Sínodo de Pistoia, de 1786, que foi, de alguma forma, precursor do Vaticano II, especialmente onde aboliu a Comunhão fora da Missa, introduziu a língua vernácula e aboliu as orações em voz baixa do Cânone; mas ainda mais quando teorizou as bases da colegialidade episcopal, limitando o primado do Papa a mera função ministerial. Reler os actos desse Sínodo deixa-nos estupefactos com a formulação servil dos erros que, posteriormente, encontraremos, ainda maiores, no Concílio presidido por João XXIII e Paulo VI. Por outro lado, como a Verdade bebe de Deus, o erro nutre-se e alimenta-se no Adversário, que odeia a Igreja de Cristo e o seu coração, a Santa Missa e a Santíssima Eucaristia.

Chega um momento na nossa vida em que, por disposição da Providência, somos confrontados com uma escolha decisiva para o futuro da Igreja e para a nossa salvação eterna. Falo da escolha entre compreender o erro em que praticamente todos nós caímos, e quase sempre sem más intenções, e o querer continuar a procurar noutro lugar ou justificar-nos a nós mesmos.

Entre outros erros, também cometemos aquele de considerar os nossos interlocutores pessoas que, apesar da diversidade das ideias e da fé, animadas por boas intenções e que, quando se abrissem à nossa fé, estariam dispostas a corrigir os seus erros. Juntamente com numerosos Padres conciliares, pensámos no ecumenismo como um processo, um convite que chama os dissidentes à única Igreja de Cristo; os idólatras e os pagãos ao único Deus verdadeiro; o povo judeu ao Messias prometido. Mas, a partir do momento em que foi teorizado nas Comissões conciliares, passou a estar em oposição directa à doutrina até então expressa no Magistério.

Pensávamos que certos excessos fossem apenas um exagero daqueles que se deixaram levar pelo entusiasmo da novidade; acreditamos sinceramente que ver João Paulo II rodeado por homens santarrões, bonzinhos, imãs, rabinos, pastores protestantes e outros hereges fosse prova da capacidade da Igreja de convocar as pessoas para invocar a paz de Deus, enquanto que o exemplo autorizado daquele gesto deu início a uma sequência desviante de pantheon mais ou menos oficiais, chegando-se até a ver ser transportado aos ombros de alguns Bispos o ídolo imundo da pachamama, sacrilegamente dissimulado sob a presumida aparência de uma sagrada maternidade. Mas se o simulacro de uma divindade infernal foi capaz de entrar em São Pedro, tal faz parte de um crescendo previsto desde o início. Numerosos Católicos praticantes, e talvez até grande parte dos próprios clérigos, estão hoje convencidos de que a Fé Católica já não é necessária para a salvação eterna; acredita-se que o Deus Uno e Trino, revelado aos nossos pais, seja o mesmo deus de Maomé. Ouvia-se repeti-lo dos púlpitos e das cátedras episcopais já há vinte anos, mas recentemente ouve-se afirmar com ênfase até do mais alto Trono.

Sabemos bem que, suportados pelo dito evangélico Littera enim occidit, spiritus autem vivificat, os progressistas e os modernistas souberam ocultar astuciosamente, nos textos conciliares, aquelas expressões ambíguas que, à época, pareciam inofensivas para a maioria, mas que hoje se manifestam na sua valência subversiva. É o método do subsistit in: dizer uma meia verdade não tanto para não ofender o interlocutor (assumindo que seja lícito silenciar a verdade de Deus por respeito a uma Sua criatura), mas com o objectivo de poder usar o meio erro que a verdade inteira dissiparia instantaneamente. Assim, “Ecclesia Christi subsistit na Ecclesia Catholica” não especifica a identidade das duas, mas a existência de uma na outra e, por consistência, também noutras igrejas: eis a passagem aberta às celebrações interconfessionais, às orações ecuménicas, ao fim implacável da necessidade da Igreja em ordem à salvação, da sua singularidade, da sua missionariedade.

Alguns talvez se recordarão que os primeiros encontros ecuménicos eram realizados com os cismáticos do Oriente e, muito prudentemente, com algumas seitas protestantes. Com excepção da Alemanha, da Holanda e da Suíça, os países de tradição católica não acolheram, desde o princípio, as celebrações mistas, com pastores e párocos juntos. Lembro-me que, na época, se falava em remover a penúltima doxologia do Veni Creator para não ferir os Ortodoxos, que não aceitam o Filioque. Hoje, ouvimos recitar as suras do Alcorão dos púlpitos das nossas igrejas, vemos um ídolo de madeira ser adorado por freiras e frades, ouvimos Bispos desdizer o que, até ontem, nos pareciam as desculpas mais plausíveis de tantos extremismos. O que o mundo quer, por instigação da Maçonaria e dos seus tentáculos infernais, é criar uma religião universal, humanitária e ecuménica em que seja banido aquele Deus ciumento que nós adoramos. E se é isto que o mundo quer, qualquer passo na mesma direcção por parte da Igreja é uma escolha infeliz que se voltará contra aqueles que acreditam que podem brincar com Deus. As esperanças da Torre de Babel não podem ser trazidas de volta à vida por um plano globalista que tem como objectivo a eliminação da Igreja Católica para substituí-la por uma confederação de idólatras e hereges unidos pelo ambientalismo e pela fraternidade humana. Não pode haver nenhuma fraternidade senão em Cristo, e só em Cristo: qui non est mecum, contra me est.

É desconcertante que, desta corrida rumo ao abismo, estejam cientes tão poucos e que poucos tenham consciência de qual é a responsabilidade dos líderes da Igreja em apoiar estas ideologias anticristãs, como se quisessem garantir um espaço e um papel na carruagem do pensamento único. E surpreende que ainda persistam em não querer investigar as causas primeiras da crise presente, limitando-se a deplorar os excessos de hoje como se não fossem a consequência lógica e inevitável de um plano orquestrado há décadas atrás. Se a pachamama pôde ter sido adorada numa igreja, devemo-lo à Dignitatis humanae. Se temos uma liturgia protestante e, às vezes, até paganizada, devemo-lo às acções revolucionárias de Mons. Annibale Bugnini e às reformas pós-conciliares. Se se assinou o Documento de Abu Dhabi, deve-se à Nostra Aetate. Se chegamos a delegar as decisões nas Conferências Episcopais – mesmo em gravíssima violação da Concordata, como aconteceu em Itália –, devemo-lo à colegialidade e à sua versão actualizada da sinodalidade. Graças à qual nos encontramos, com a Amoris Laetitia, a dever procurar uma maneira de impedir que aparecesse o que era evidente a todos, ou seja, que aquele documento, preparado por uma impressionante máquina organizacional, deveria legitimar a Comunhão aos divorciados e concubinários, assim como a Querida Amazónia será usada como legitimação de mulheres sacerdotes (o caso de uma “vigária episcopal”, em Friburgo, é muito recente) e a abolição do Sagrado Celibato. Os Prelados que enviaram os Dubia a Francisco, na minha opinião, demonstraram a mesma piedosa ingenuidade: pensar que, quando confrontado com a contestação argumentada do erro, Bergoglio teria compreendido, corrigido os pontos heterodoxos e pedido perdão.

O Concílio foi usado para legitimar, no silêncio da Autoridade, os desvios doutrinais mais aberrantes, as inovações litúrgicas mais ousadas e os abusos mais inescrupulosos. Este Concílio foi tão exaltado a ponto de ser indicado como a única referência legítima para os Católicos, clérigos e bispos, obscurecendo e conotando com um senso de desprezo a doutrina que a Igreja sempre ensinara com autoridade e proibindo a perene liturgia que, por milénios, havia alimentado a fé de uma ininterrupta geração de fiéis, mártires e santos. Entre outras coisas, este Concílio provou ser o único que põe tantos problemas interpretativos e tantas contradições em relação ao Magistério precedente, enquanto não há um – do Concílio de Jerusalém ao Vaticano – que se não harmonize perfeitamente com todo o Magistério e que precise de alguma interpretação.

Confesso-o com serenidade e sem controvérsia: fui um dos muitos que, apesar de muitas perplexidades e medos, que hoje se mostram absolutamente legítimos, confiaram na autoridade da Hierarquia com uma obediência incondicional. Na realidade, penso que muitos, e eu entre eles, não considerámos inicialmente a possibilidade de um conflito entre a obediência a uma ordem da Hierarquia e a fidelidade à própria Igreja. Para tornar tangível a separação inatural, ou melhor, diria perversa, entre Hierarquia e Igreja, entre obediência e fidelidade, foi certamente este último Pontificado.

Na sala das lágrimas, adjacente à Capela Sistina, enquanto Mons. Guido Marini preparava o roquete, a mozeta e a estola para a primeira aparição do “neo-eleito” Papa, Bergoglio exclamou: “O carnaval acabou!”, recusando, com desdém, as insígnias que todos os Papas até então humildemente aceitaram como distintivas do Vigário de Cristo. Mas naquelas palavras havia algo de verdadeiro, mesmo que dito involuntariamente: a 13 de Março de 2013 caía a máscara dos conspiradores, finalmente livres da desconfortável presença de Bento XVI e descaradamente orgulhosos de terem finalmente conseguido promover um Cardeal que encarnava os seus ideais, o seu modo de revolucionar a Igreja, de tornar preterível a doutrina, adaptável a moral, adulterável a liturgia, revogável a disciplina. E tudo isto foi considerado, pelos próprios protagonistas da conspiração, a consequência lógica e a aplicação óbvia do Vaticano II, segundo eles enfraquecido precisamente pelas críticas expressas pelo próprio Bento XVI. A maior afronta daquele Pontificado foi a liberalização da veneranda Liturgia Tridentina, à qual era finalmente reconhecida legitimidade, interrompendo cinquenta anos de ilegítimo ostracismo. Não é por acaso que os apoiantes de Bergoglio são os mesmos que vêem no Concílio o primeiro evento de uma nova igreja, antes da qual havia uma velha religião com uma velha liturgia. Não é precisamente por acaso: aquilo que afirmam impunemente, provocando o escândalo dos moderados, é o que crêem também os Católicos, a saber: que, apesar de todas as tentativas de hermenêutica da continuidade miseravelmente naufragadas no primeiro confronto com a realidade da crise presente, é inegável que, do Vaticano II em diante, foi constituída uma igreja paralela, sobreposta e contraposta à verdadeira Igreja de Cristo. Essa obscureceu progressivamente a divina instituição fundada por Nosso Senhor para substituí-la por uma entidade bastarda, correspondente à desejada religião universal que foi inicialmente teorizada pela Maçonaria. Expressões como novo humanismofraternidade universaldignidade do homem são palavras de ordem do humanitarismo filantrópico que nega o verdadeiro Deus, da solidariedade horizontal de errante inspiração espiritualista e do irenismo ecuménico que a Igreja condena sem apelo. «Nam et loquela tua manifestum te facit» (Mt 26, 73): este recurso frequente, quase obsessivo, ao mesmo vocabulário do inimigo revela a adesão à ideologia em que esse se inspira; por outro lado, a renúncia sistemática à linguagem clara, inequívoca e cristalina própria da Igreja confirma a vontade de se destacar não apenas da forma católica, mas também da sua substância.

Aquilo que, desde há anos, ouvimos enunciado, vagamente e sem claras conotações, do mais alto Trono, encontramo-lo elaborado num verdadeiro e próprio manifesto dos apoiantes do actual Pontificado: a democratização da Igreja não mais pela colegialidade inventada pelo Vaticano II, mas o synodal path inaugurado no Sínodo sobre a Família; a demolição do sacerdócio ministerial através do seu enfraquecimento, com as derrogações do Celibato eclesiástico e a introdução de figuras femininas com funções quase sacerdotais; a passagem silenciosa do ecumenismo dirigido aos irmãos separados a uma forma de pan-ecumenismo que abaixa a Verdade do único Deus Uno e Trino ao nível das idolatrias e das superstições mais infernais; a aceitação de um diálogo inter-religioso que pressupõe o relativismo religioso e exclui o anúncio missionário; a desmistificação do Papado, perseguida pelo próprio Bergoglio como cifra do Pontificado; a progressiva legitimação do politically correct: ideologia de género, sodomia, casamentos homossexuais, doutrinas malthusianas, ecologismo, imigracionismo… Não reconhecer as raízes destes desvios nos princípios estabelecidos pelo Concílio impossibilita qualquer cura: se o diagnóstico persistir contra as evidências para excluir a patologia inicial, não pode formular uma terapia adequada.

Esta operação de honestidade intelectual requer uma grande humildade, antes de tudo no reconhecer ter sido enganados durante décadas, em boa fé, por pessoas que, constituídas em autoridade, não foram capazes de vigiar e guardar o rebanho de Cristo: aqueles que vivem em silêncio, alguns por muitos compromissos, outros por conveniência, outros por má-fé ou até mesmo por dolo. Estes últimos, que traíram a Igreja, devem ser identificados, censurados, convidados a emendar-se e, se não se arrependerem, expulsos do recinto sagrado. Assim age um verdadeiro Pastor, que se preocupa com a saúde das ovelhas e que dá a vida por elas; tivemos e ainda temos muitos mercenários para quem a anuência dos inimigos de Cristo é mais importante que a fidelidade à Sua Esposa.

Eis como, com honestidade e serenidade, obedeci, há sessenta anos, a ordens questionáveis, acreditando que representassem a voz amorosa da Igreja, e hoje, com igual serenidade e honestidade, reconheço que me deixei enganar. Ser coerente hoje em dia, perseverando no erro, representaria uma escolha infeliz e tornar-me-ia cúmplice desta fraude. Reivindicar uma lucidez de julgamento desde o início não seria honesto: sabíamos todos que o Concílio representaria, mais ou menos, uma revolução, mas não podíamos imaginar que tal se revelaria tão devastadora, mesmo para o trabalho daqueles que deveriam tê-lo evitado. E se até Bento XVI ainda poderíamos imaginar que o golpe de estado do Vaticano II (que o cardeal Suenens definiu o 1789 da Igreja) conheceria uma desaceleração, nos últimos anos, mesmo os mais ingénuos dentre nós compreenderam que o silêncio, por medo de suscitar um cisma, a tentativa de ajustar os documentos papais no sentido católico para remediar a ambiguidade pretendida, os apelos e os dubia a Francisco, deixados eloquentemente sem resposta, são uma confirmação da situação de gravíssima apostasia à qual estão expostos os líderes da Hierarquia, enquanto o povo cristão e o clero se sentem irremediavelmente afastados e considerados quase com aborrecimento por parte do Episcopado.

A Declaração de Abu Dhabi é o manifesto ideológico de uma ideia de paz e de cooperação entre as religiões que pode ter alguma possibilidade de tolerância se vier de pagãos, privados da luz da Fé e do fogo da Caridade. Mas quem tem a graça de ser filho de Deus, em virtude do Santo Baptismo, deveria ficar horrorizado só com a ideia de poder construir uma blasfema Torre de Babel numa versão moderna, tentando reunir a única verdadeira Igreja de Cristo, herdeira das promessas do Povo eleito, com aqueles que negam o Messias e com aqueles que consideram blasfema só a ideia de um Deus Trino. O amor de Deus não conhece medidas e não tolera compromissos, caso contrário simplesmente não é Caridade, sem a qual não é possível permanecer n’Ele: qui manet in caritate, in Deo manet, et Deus in eo. Pouco importa se é uma declaração ou um documento magisterial: sabemos muito bem que a mens subversiva dos modernistas aposta precisamente nestes cavalos para difundir o erro. E sabemos muito bem que o objectivo destas iniciativas ecuménicas e inter-religiosas não é converter a Cristo quantos estão distantes da única Igreja, mas desviar e corromper aqueles que ainda conservam a Fé católica, levando-os a acreditar ser desejável uma grande religião universal que une “numa única casa” as três grandes religiões abraâmicas: este é o triunfo do plano maçónico em preparação para o reino do Anticristo! Que isto se concretize com uma Bula dogmática, com uma declaração ou com uma entrevista de Scalfari no Repubblica, pouco importa, porque as palavras de Bergoglio são esperadas pelos seus apoiantes como um sinal, ao qual responder com uma série de iniciativas já preparadas e organizadas anteriormente. E se Bergoglio não segue as indicações recebidas, multidões de teólogos e clérigos já estão prontos a lamentar-se da “solidão do Papa Francisco”, qual premissa para a sua demissão (por exemplo, penso em Massimo Faggioli num dos seus recentes escritos). Por outro lado, não seria a primeira vez que estes usam o Papa quando favorece os seus planos e se livram dele ou atacam-no assim que se afasta.

A Igreja celebrou, no passado domingo, a Santíssima Trindade e propõe-nos, no Breviário, a recitação do Symbolum Athanasianum, agora proscrito pela liturgia conciliar e já confinado a apenas duas ocasiões na reforma de 1962. Daquele Símbolo, agora desaparecido, permanecem gravadas em letras de ouro as primeiras palavras: «Quicumque vult salvus esse, ante omnia opus est ut teneat Catholicam fidem; quam nisi quisque integram invioletamque servaverit, absque dubio in aeternum peribit».

 Carlo Maria Viganò

Fonte: Dies Irae

18 maio, 2020

E não terminam os agravos.

O sincretismo do Papa Francisco não tem limites.

Por FratresInUnum.com, 18 de maio de 2020 – A humilhação pela qual os pontificados anteriores fizeram passar a Igreja chegou certamente, no último dia 14, ao seu ponto mais baixo: o dia de jejum e oração convocado por Bergoglio, em adesão ao convite feito pelo auto-proclamado Alto Comitê da Fraternidade Humana, é marco tão eloquente quanto pouco percebido pelo grande público.

A Igreja de Jesus Cristo se une em oração com católicos e muçulmanos pelo alívio da pandemia

Não se trata apenas de uma oração conjunta com feiticeiros, idólatras, satanistas, esotéricos, incrédulos e até ateus… Neste sentido, aquela jornada promovida por João Paulo II, em Assis, foi muito mais devastadora e escandalosa. Contudo, ali havia ainda um elemento de, imagine só!, “certa superioridade”: o evento fora convocado pelo papa.

Ao contrário, o dia de oração e jejum foi iniciativa do ímã de Al-Azhar, presidente do mencionado Alto Comitê da Fraternidade Humana, e, neste sentido, o chefe da Igreja Católica submeteu-se não apenas a uma autoridade extra-eclesiástica, mas a um organismo que tem pretensões de exercer certa catolicidade sobre o mundo, unificando todas as religiões numa fraternidade supra-católica, universal, sujeitando a Igreja a uma espécie de “supra-Igreja”.

A desculpa do COVID foi apenas a ocasião para levarem a termo aquele pacto firmado meses atrás, em que Francisco subscreveu a tese formalmente herética de que a pluralidade de religiões é expressão da vontade divina (mesmo que depois, em privado, tenha tentado restringir o sentido da frase a Dom Athanasius Schneider, dizendo que estava se referindo apenas à vontade permissiva de Deus), mas, desta vez, não como um ato restrito da pessoa do papa, mas como um evento que demandou o engajamento de todos os fiéis do mundo inteiro, os quais, sem se darem conta disso, estavam sendo induzidos a recrutarem-se nas fileiras da nova catolicidade globalista, aquela que reúne credos e anti-credos sob o mesmo humanismo progressista. Mesmo a maçonaria, que se pretendia exatamente uma sociedade humanista acima da Igreja e das demais religiões, jamais conseguiu tamanha sujeição pública de um papa… Bergoglio deu-lhos de presente!

Justamente numa situação tão preocupante como a que estamos vivendo, em que realmente precisaríamos mover a Igreja inteira à penitência e a oração, em que necessitamos mais do que nunca dos sacramentos e do socorro do céu, afronta-se a Deus com mais um ato de sincretismo ultrajante, desta vez atirando todos os fiéis no colo do demônio.

Terá sido uma mera coincidência que, justamente após as profanações nos jardins Vaticanos, com a entronização daquele ídolo denominado de Pachamama, no dia 6 de outubro, mesmo dia da abertura do Sínodo Amazônia, tenha sido dada uma nova mensagem de um Santo Anjo em Akita? –

“É bom que diga a todos: cubram-se de cinzas e rezem o rosário penitente todos os dias. E você tem de se tornar uma menina e oferecer sacrifícios todos os dias”.

Será também uma coincidência que justamente no dia da abertura do Sínodo da Amazônia, em 6 de outubro, parece ter ocorrido “um acidente perigoso” no Instituto de Virologia de Wuhan, de onde partiu a pandemia de coronavírus?

E, mesmo assim, os ultrajes não param de acontecer, Deus continua a ser ofendido e, pior, agora, a cúpula da Igreja Católica está completamente rendida à supremacia de outra “catolicidade”, mais universal, globalista. Bergoglio usou o papado para vender a nossa santa religião para os poderes mundanos mais hostis ao próprio cristianismo.

Enquanto isto, a OMS anuncia que poderemos viver uma pandemia contínua, como no caso do vírus HIV, o que implica aquilo que já dissemos em artigos anteriores: a proibição e banimento das formas de catolicismo tradicional.

Se a epidemia remodelará a religiosidade para submetê-la ao paganismo sincrético, o desastre econômico terá outro efeito: empreendedores italianos denunciam que, de repente, começaram a aparecer compradores chineses e árabes para os seus hotéis e demais empreendimentos, justamente aproveitando-se do colapso.

Há, realmente, algo de muito estranho por detrás de tudo que estamos vivendo em 2020. Parece que estão encaminhando todas as coisas para a emergência de uma nova supremacia econômico-religiosa.

Fato é que, sem adesão de Francisco à iniciativa do Alto Comitê, este seria um evento insignificante. Contudo, com a sua pronta adesão, ele demonstrou estar profundamente engajado no mesmo propósito, conduzindo a Igreja para um servilismo não apenas aos poderes políticos e mundanos, mas para um novo panteão, em que Jesus Cristo será posto em pé de igualdade com todos os ídolos pagãos.

Resta-nos desagravar e suplicar, pela penitência e a oração, pedindo que a Virgem Santíssima intervenha logo nesta confusão e salve a Igreja de tamanho vilipêndio.

13 maio, 2020

O ópio do povo.

Por FratresInUnum.com, 13 de maio de 2020 – A Igreja comemora hoje o aniversário da primeira aparição da Santíssima Virgem em Fátima, onde, para três pastorinhos, Ela falou sobre os maiores problemas da humanidade: a perda de Deus, o pecado, as guerras e os erros da Rússia. A Mãe do céu apresentou-lhes a solução, a Consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos primeiros sábados de cinco meses seguidos.

A hierarquia da Igreja se fez de surda aos apelos de Fátima. Não obstante se diga o contrário, a Rússia nunca foi consagrada nominalmente ao Imaculado Coração e os fieis não aderiram às Comunhões reparadoras na medida esperada, como pedira Nossa Senhora. O desfecho da desobediência é claro: o mundo será punido por causa do pecado e já o está sendo.

Naqueles dias desencadeou-se a revolução Bolchevique e, com ela, a perseguição religiosa mais sangrenta jamais vista na história. O ateísmo militante dos comunistas pretendia expulsar a ideia mesma de Deus dos corações, mas sua pretensão não prevaleceu.

Para atingir os mesmos objetivos, isto é, criar uma sociedade sem Deus, sem religião, sem família, sem liberdade, os comunistas não tiveram dificuldade alguma em mudar de tática. Já Antônio Gramsci entendera que, mais do que suplantar a Igreja, era necessário dominá-la. Se Marx chamava-a de ópio do povo, o marxismo cultural iria usá-la justamente como ópio para primeiro drogá-la e, depois, através dela, drogar a população.

Os sociólogos modernos também entenderam, contrariamente aos cientificistas de então, que a religião era muito útil para arrebanhar as pessoas, pois não seria necessário, segundo eles, fazê-lo mediante o convencimento filosófico, bastaria valer-se do discurso religioso fanatizante, obediente, submisso, e as “ovelhas” seriam facilmente engolidas pelo lobo.

Fieis rezam diante da praça fechada do Santuário de Fátima.

O plano deu certo. Os comunistas conseguiram criar a sua versão do catolicismo, a Teologia da Libertação, incharam partidos políticos através dela, galgaram o poder, acumpliciaram-se com todas as classes dominantes, ganharam o papado, mas, para a sua desgraça, a sua própria ideologia voltou-se contra si mesma: o povo percebeu que eles se tornaram a elite que sempre combateram e os relegou ao ostracismo. Ninguém mais os leva a sério e as igrejas pentecostais souberam tirar proveito disso.

Impressionantemente, o instrumento utilizado para jogar o povo todo no paganismo prático não foi diretamente o Partido Comunista, mas a própria hierarquia da Igreja. Bastou surgir um vírus relativamente letal para todos os pastores expulsarem suas ovelhas para qualquer lugar, menos para dentro do rebanho, enquanto utilizam a ideologia sanitária como método de apavoramento para tentar recuperar a hegemonia perdida.

No Brasil, mais uma vez, o tiro saiu pela culatra. O povo percebeu a mentira do discurso e voltou-se contra os ditadores filiados ao esquema de dominação chinesa e aos capelães que lhes deram suporte. Xingamentos contra os eclesiásticos inundam as redes sociais e eles se afundam no mais podre pântano do desprestígio.

Enquanto isso, o Papa Francisco, que chancelou o fechamento dos templos na Itália, aceitando a proposta do Alto Comitê para a Fraternidade Humana, convocou os católicos e crentes de diferentes religiões a se unirem em oração para pedir a cessação da pandemia, com adesão pública da própria maçonaria. No Brasil, enquanto os fieis pedem missa e sacramentos, guardados os cuidados necessários, a agenda política dos bispos continua: o presidente da CNBB lança uma nota pedindo que se adie a discussão de uma medida provisória sobre regularização fundiária (!!!)

Em outras palavras, como dizia recentemente a freira Ivone Gebara, a mesma que há décadas foi censurada pelo Vaticano por sua excessiva tolerância quanto ao aborto, analisando a vitória eminentemente neopentecostal nas eleições 2020, a ideia de um Estado Laico deve ser espanada da modernidade: a esquerda precisa é de um Estado multi-religioso, pois a laicidade do Estado é uma ideia ingênua e simplista. Trata-se de usar a religião como um braço da ideologia esquerdista, como um braço do próprio secularismo!

O catolicismo precisa ser censurado, criminalizado, proibido, mas o pluralismo religioso tem de ser defendido, aclamado, promovido… E tudo pela própria Igreja! Note-se que, hoje, solenidade de Fátima, mais de três mil soldados portugueses circundam o Santuário das Aparições e o Altar do Mundo para garantirem que nenhum católico se aproxime daquele lugar sagrado, ao mesmo tempo em que se inaugura na Rússia um templo ortodoxo com homenagens a Stalin, a Putin e aos heróis do comunismo.

Os apelos de Fátima continuam desatendidos. Entretanto, há uma garantia que deve bradar no centro dos nossos corações, que é a promessa da Mãe do Céu: “por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”. Nós, leigos, estamos sozinhos em relação à hierarquia da Igreja, mas, ao mesmo tempo, estamos muito bem acompanhados, tanto quanto aqueles pastorinhos: Nossa Senhora do Rosário de Fátima, a Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora das Vitórias, está ao nosso lado e, não sabemos como nem quando, o mundo terá um tempo de paz e o Reino de Maria estender-se-á por toda a terra.

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19 agosto, 2019

O próximo sínodo será “amazônico” ou “maçônico”?

O papel secreto da máfia do “anel de tucum” na preparação do encontro de outubro.

Por José Antonio Ureta, Instituto Plinio Correa de Oliveira – Stilum Curae, 6 de agosto de 2019 | Tradução: FratresInunum.comDepois que, na biografia sobre seu compatriota cardeal Godfried Daneels, os jornalistas belgas Jürgen Mettepenningen e Karim Schelkens revelaram a existência de uma “máfia de S. Gallen”, que teria contribuído de modo determinante na eleição do Papa Bergoglio, o católico médio tomou consciência da força dos grupos de pressão dentro da Igreja.

Mas historiadores e especialistas conhecem há muito tempo o peso que os lobbies tiveram sobre a vida eclesial. Imediatamente após o encerramento do Concílio Vaticano II, por exemplo, soube-se do papel desempenhado pela rede midiática IDO-C (Centro Internacional de Informação e Documentação sobre a Igreja Conciliar) para criar o “conselho de jornalistas”, o “conselho dos meios de comunicação”, que era praticamente um concílio à parte”, como disse Bento XVI em seu último discurso na véspera do dia em que sua se daria sua  renúncia.

Não muito tempo atrás, tornou-se conhecido o papel desempenhado por um grupo de padres conciliares, reunidos sob a denominação de “Igreja dos Pobres”, que firmou um secreto “Pacto das Catacumbas”, que parece estar atingindo sua plena realização em âmbito universal com o pontificado do Papa Bergoglio.

O antigo núncio em Washington, EUA, Dom Carlo Maria Viganò, causou comoção denunciando a existência de uma rede homossexual, cujos membros se ajudam mutuamente e que garantem o progresso na carreira eclesiástica (e a cobertura em caso de envolvimento em escândalos).

Para serem eficazes, esses grupos de pressão com interesses pessoais ou ideológicos devem agir de maneira coordenada, mas sempre nas sombras, imitando o trabalho da Maçonaria, com seus misteriosos sinais de reconhecimento mútuo entre irmãos que não pertencem à mesma loja.

É famosa a passagem em que Marcel Proust traça um paralelo entre a ação dos “irmãos” e a dos homossexuais de seu tempo, da qual ele falou por conhecimento direto: “[Eles] formam [um] uma maçonaria muito mais extensa e eficaz, e menos suspeita do que a das lojas, uma vez que responde a uma identidade de gostos, necessidades, hábitos, riscos, aprendizado, conhecimento, tráfego, glossário, e em que os membros que desejam não ser reconhecidos imediatamente o fazem através de sinais naturais ou convencionais”.

Seguramente, no futuro, conheceremos o impacto na próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Panamazônica do grupo de bispos e missionários engajados na Teologia Indígena, versão mais atualizada da Teologia da Libertação, que já adotou o chamado “anel de tucum” como sinal convencional de reconhecimento.

Tucumã é o nome de uma árvore amazônica de cuja madeira se origina um anel preto, supostamente usado pelos escravos na época do Império, na falta de recursos para portar o anel de ouro dos senhores. Teria servido como um símbolo de matrimônio, amizade ou resistência. “Era um símbolo clandestino cujo significado só os escravos conheciam”, afirma o blogue da Pastoral da Juventude da Diocese de Piracicaba.

Nos anos 70, dois órgãos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) adotaram o anel de tucum como símbolo de compromisso na luta de classes e nas chamadas “lutas sociais”.

Parece ter sido Dom Pedro Casaldáliga – religioso claretiano catalão nomeado bispo de São Félix do Araguaia pelo papa Paulo VI e promotor do CIMI e do CPT – a popularizar o símbolo. Assim relata outro representante da Teologia da Libertação, Dom Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás Velho e por muitos anos presidente do CIMI:

“Pedro foi consagrado bispo em 1971, na cidade de São Félix, cercado pelos pobres daquela região. Ele recebeu símbolos litúrgicos adaptados às culturas dos povos indígenas e camponeses. A mitra era um chapéu de palha, o cajado um remo de tapirapé e o anel de tucum, que em seus dedos e nos de muitos agentes pastorais tornou-se um sinal do compromisso da caminhada rumo à libertação”.

Dom Pedro Casaldáliga

Com inegáveis dotes poéticos, o prelado resumiu assim o significado desta “caminhada” no seguinte poema: “Com um calo por anel, / monsenhor corta o arroz / Monsenhor” foice e martelo “? / Eles vão me chamar de subversivo. / E eu direi a eles: Eu sou / Pelo meu povo em luta, eu vivo. / Com o meu pessoal em movimento, eu vou. Eu tenho fé de guerrilheiro / e amor à revolução”.

O anel de Tucum identificou tanto a personalidade e a agenda revolucionária do bispo de São Félix do Araguaia, e uma das teses escritas sobre ele, defendida por Agnaldo Divino Gonzaga no Departamento de Teologia da Universidade Católica de Goiás, intitula-se, precisamente, “Anel de tucum: a missão evangelizadora de Pedro Casaldáliga”.

Prova ainda mais eloqüente da importância que a Teologia Indígena confere ao anel de tucum é a história que o jornal Alvorada, órgão de conscientização da Prelazia de São Félix, fez sobre a cerimônia em que Dom Pedro Casaldáliga transmitiu o governo diocesano ao seu sucessor, Dom Leonardo Steiner:

“Pedro, ao entregar o anel de tucum a Leonardo, lembrou que as causas que defendemos definem quem somos e que as causas desta Igreja são conhecidas de todos: opção pelos pobres, defesa dos povos indígenas, compromisso com os trabalhadores e sem terra, formação de comunidades inculturadas e participativas, experiência efetiva de solidariedade”.

Em uma página do Facebook das Comunidades de Base do Brasil, lemos este verso de um poema em homenagem ao anel de tucum: “Dos povos excluídos / sois sinal da nova aliança”.

Em 1994 foi lançado o filme “O anel do tucum”, uma novela em que um grupo de fazendeiros infiltra um jornalista nas Comunidades Eclesiais de Base em uma tentativa de provar seu caráter comunista e subversivo, mas acaba se convertendo à causa da CEB. Na cena culminante, na qual ocorre a conversão, o jornalista-pesquisador tem este diálogo com Dom Casaldáliga (que interpreta a parte de si mesmo no filme):

“- Uma curiosidade, dom Pedro: O que o anel preto significa?

– É o anel de tucum, uma palmeira do Amazonas, com espinhos um tanto duros. Sinal da aliança com a causa dos indígenas, com as causas populares. Quem quer que use normalmente quer expressar que faz suas essas causas e suas conseqüências. Você pode trazer o anel? Você pode fazer isso?

– Eu posso fazer isso.

– Olha, é exigente, hein? Queima. Muitos, muitos por essa causa, por esse compromisso, chegaram ao ponto da morte. Nós mesmos aqui, na igreja de São Félix do Araguaia, temos os santuários dos mártires do caminho”.

A mesma pergunta sobre o significado desse anel foi formulada em 2012 pelo jornalista Edoardo Salles de Lima ao já citado Dom Tomás Balduino, na véspera do seu nonagésimo aniversário. Ele respondeu:

“Representa o casamento com a causa indígena. Este objeto foi feito pelos índios Tapirapé e se pode facilmente ver como é bonito, até brilha. Adotamos como um elo com a causa indígena, mas não só com ela, mas com toda causa de mudança, de transformação, na busca pelo Brasil que queremos”.

A função “identificadora” do anel foi destacada ao público, mas sobretudo para aqueles que se comprometeram com a Teologia da Libertação, do missionário comboniano italiano Padre Giampietro Baresi, já falecido, na revista Brasil de Fato:

“- O que esse anel em sua mão significa? – É a opção pelos pobres. (…) É lealdade por essa opção. Por que eu uso isso? Para tornar conhecido o que eles são. O anel de tucum é a solidariedade para com os pobres. (…) Quando vejo o anel em alguém, reconheço uma visão similar, um compromisso similar”.

A nocividade do uso do anel de tucum pelos militantes da Teologia da Libertação foi denunciada há muitos anos por Dom. Amaury Castanho, bispo emérito de Jundiaí, nas páginas do jornal Testemunho da Fé, órgão oficial da arquidiocese do Rio de Janeiro.

Em seu artigo, o prelado começou enfatizando que “sempre houve e sempre haverá tensões mais ou menos graves dentro da Igreja”. Depois do Concílio Vaticano II, “uma terrível tempestade atingiu a barca de Pedro”, e a “Teologia da Libertação, de estilo marxista, radicalizou suas posições extremistas e contestatórias, ideológicas e partidárias”.

Em seguida, ele atacou o sinal do reconhecimento mútuo de seus promotores: “O curioso anel de tucum, feito do centro de uma palmeira do Nordeste, é hoje um sinal de contestação na Igreja. Um dos sinais, talvez o mais sério. Ele é encontrado nas mãos de um bom número de sacerdotes e seminaristas, religiosos e leigos. Se é verdade que alguém, inadvertidamente, usa-o – mesmo na Igreja sempre haverá “inocentes úteis” – é igualmente verdade que a maioria o toma como uma afirmação provocativa de uma clara opção por uma eclesiologia que certamente não é a da Lumem Gentium ‘, do Concílio Vaticano II.

“O anel de tucum traz consigo, implícita e explicitamente, opções heterodoxas em favor de uma Igreja considerada uma Igreja popular, em oposição à Igreja hierárquica, a única estabelecida por Cristo. Exprime uma discutível e já condenada opção ‘excludente e exclusiva’ pelos pobres, marginalizando quem não o é, como se fosse um opressor. A partir dessa análise marxista e parcial da realidade, aqueles que usam o anel de tucum não hesitam em propor soluções revolucionárias, lutas de classes, guerrilhas, violência e terrorismo, que nada têm de evangélico e cristão. (…)

“É a divisão dentro da Igreja de Cristo, que a enfraquece, que distancia as ovelhas dos pastores, que opõem os bispos ao Papa, os bispos entre si, os sacerdotes e os leigos aos bispos (…)

“Enquanto isso, os inimigos da Igreja se divertem, aplaudem, cumprimentam-se. O que eles querem está acontecendo: uma Igreja que não é uma comunidade de amor, que une os fiéis a Cristo entre si e seus pastores”.

Em um artigo seguinte, Dom. Amaury Castanho voltou a atacar com acusações de sectarismo:

“O artigo sobre o anel de tucum, que escrevi há alguns dias, causou comoção. De fato, provocou uma controvérsia. Muitos gostaram e acreditam que chegou a hora de alguém ir ao fundo do problema, revelando o sentido mais exato e total do uso daquele anel. Outros se chatearam, porque o usavam apenas como sinal de opção pelos pobres. Retiraram-lhe de seus dedos! Eles queriam viver em plena comunhão com os pastores da Igreja, que é, por vontade de Cristo, hierárquica. Eles me parabenizaram, culparam-me, interrogaram-me várias vezes no anel de tucum.

“Falando com um certo presbítero que usava o anel de tucum, dei-lhe mais informações para esclarecer suas idéias. Entre outras coisas, eu disse a ele que não é apenas a minha interpretação. Anos atrás, li um livro de um bispo zeloso e inteligente do Maranhão. Em um capítulo inteiro, ele chegou às mesmas conclusões: o anel de tucum é um traço visível de união entre aqueles que, além da “opção pelos pobres”, também defendem a Igreja ‘popular’”.

Pode-se então afirmar que, enquanto trato de união visível de uma corrente revolucionária que desempenha o papel de quinta coluna na Igreja, o anel de tucum tem um valor análogo aos sinais identificadores da Maçonaria.

Cabe a nós observar quantos participantes do próximo Sínodo vão usá-lo… Então saberemos se a assembleia foi amazônica ou maçônica!

4 junho, 2019

Novo livro expõe o esquema diabólico usado pelos inimigos da Igreja Católica para ganhar acesso ao papado.

Por Maike Hickson, LifeSiteNews, 28 de maio de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com: Dr. Taylor Marshall, um renomado teólogo e especialista em tomismo, bem como um defensor da Missa Latina Tradicional, escreveu um livro sobre a infiltração da Igreja Católica por forças anti-católicas. O livro é intitulado “Infiltração: O complô para destruir a Igreja de dentro”, e é publicado pela Sophia Institute Press.

ImageMarshall começa seu livro com a aparição de Nossa Senhora de La Salette na França e suas advertências contra o reinado de Satanás em Roma e com as instruções de Alta Vendita, que foram atribuídas à Maçonaria e publicadas com o apoio explícito de vários Papas no século XIX. Este documento explica que, para minar a Igreja Católica, é preciso infiltrá-la, em vez de lutar contra ela de fora. Para este fim, eles teriam como objetivo influenciar o chefe da Igreja Católica, o Papa.

“Agora, a fim de assegurar-nos um papa de acordo com o nosso próprio coração, é necessário criar para esse papa uma geração digna do reino do qual sonhamos. Deixar de um lado a velhice e a meia-idade, ir para a juventude e, se possível, até para as crianças”. Esses maçons decidiram introduzir no pensamento católico idéias liberais que finalmente chegariam ao topo da Igreja.

“O plano”, escreve Marshall, “não inclui panfletos, armas, derramamento de sangue, nem mesmo eleições políticas. Requer uma infiltração passo a passo, primeiro a partir da juventude, próxima do clero, e então, à medida que o tempo passa, daqueles jovens e clero que se tornam cardeais e depois o papa”.

Como esse documento da Alta Vendita pode não ser conhecido por muitas pessoas, o LifeSiteNews recebeu permissão para publicar o capítulo de Marshall sobre ele na íntegra, como uma espécie de introdução (leia aqui).

Nos capítulos seguintes de seu livro de 300 páginas, que foi publicado agora por Sophia Press, o autor lida com a história de meados do século 19 até nossos dias, mostrando como o Papa Pio X lutou vigorosamente contra as idéias modernistas que estavam se espalhando no início do século XX, dentro da Igreja Católica. No Grupo de Sankt Gallen – o grupo de prelados progressistas decepcionados com o reinado do Papa João Paulo II e que tentaram, após sua morte, eleger um Papa de seu agrado – esta corrente modernista encontra um ponto crucial, mesmo porque aqueles prelados que reinaram sobre a Igreja Católica na Europa – e efetivamente contribuíram para o enfraquecimento da fé nesta região do mundo – foram as principais figuras do Grupo de Sankt Gallen. Aqui, o cardeal Carlo Maria Martini, o cardeal Basil Hume e o cardeal Godfried Danneels nos vêm à mente.

O Dr. Marshall também apresenta em detalhes como algumas dessas idéias modernistas afetaram o Concílio Vaticano II, bem como o Novus Ordo da Missa. No final, ele aborda a eleição do Papa Francisco e mostra alguns de seus “ensinamentos problemáticos” que agora afetam a Igreja Católica de maneira negativa. Aqui, o autor – ele próprio pai de oito filhos – aponta para a exortação apostólica de Francisco, Amoris Laetitia, e sua afirmação de que “ninguém é condenado para sempre”, mas também para declarações como o Documento de Abu Dhabi: “Francisco também ensinou isso. Deus divina e sabiamente deseja a ‘diversidade e pluralidade de religiões’ com a mesma vontade ‘pela qual ele criou os seres humanos”.

Aqui, o Dr. Marshall conclui: “São Pio X teria colocado o Papa Francisco sob a proibição do Modernismo. Como podemos ter dois papas em contradição teológica?”.

Marshall também discute as aparições de Fátima e a questão do Terceiro Segredo confiado à Irmã Lúcia.

ImageEm um recente podcast de 24 de maio, Marshall revelou que, durante sua visita a Roma há uma semana, pôde se encontrar em breve com o Papa Francisco e que lhe deu a primeira cópia de seu novo livro, com uma dedicatória para o papa. Ele havia escrito este livro durante a Quaresma. “Jejuei toda a Quaresma por ele.” O livro, acrescenta o autor, “foi um trabalho de amor”. Marshall disse que “amaria que o homem [o papa Francisco] fosse um dos maiores papas santificados de todos os tempos, que dirigiria a Igreja através de toda esta crise. Não é tarde demais.”

O Bispo Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana, no Cazaquistão, escreveu um prefácio para o livro do Dr. Marshall (leia aqui). Ele elogia o livro, afirmando que “Em Infiltração: O enredo para destruir a Igreja a partir de dentro”, Taylor Marshall toca em um tópico que é deliberadamente ignorado hoje. A questão de uma possível infiltração na Igreja por forças externas a ela não se encaixa no quadro otimista que o Papa João XXIII, e particularmente o Concílio Vaticano II, desenhou irrealisticamente e sem críticas do mundo moderno. Schneider se pergunta como é que hoje “não poucos membros de alto escalão da hierarquia da Igreja Católica não só cederam às exigências implacáveis ​​do mundo moderno, mas estão, com ou sem convicção, colaborando ativamente na implementação de seus princípios na vida cotidiana da Igreja, em todas as áreas e em todos os níveis.”

Aqui, o livro do Dr. Marshall poderia ajudar a esclarecer como a Igreja chegou a esse ponto. Para entender essa crise, acrescenta Schneider, precisamos examinar as próprias raízes da crise”. Essa crise pode ser vista “como uma infiltração da Igreja pelo mundo incrédulo, e especialmente pelos maçons – uma infiltração que, pelos padrões humanos, efetivamente só poderia ter sido bem sucedida através de um processo longo e metódico”. Todavia, no final de sua introdução, o Bispo Schneider nos lembra que “até mesmo o plano mais pérfido para destruir a Igreja de dentro não terá sucesso”.

Entre os católicos tradicionais, alguns desses documentos apresentados pelo Dr. Marshall já foram estudados e incorporados à compreensão da crise atual da Igreja (poderíamos lembrar aqui, por exemplo, o livro de Arnaud de Lassus Ofício Profano: Maçonaria e as Raízes da Cristofobia, ou o livro de John Vennari sobre a Alta Vendita.)

A contribuição do Dr. Marshall foi ter atualizado esse entendimento – incluindo o papel do Grupo de Sankt Gallen – e ter colocado todos os documentos relevantes em um único compêndio.

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