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28 maio, 2020

O monólogo de Dom Walmor.

Por FratresInUnum.com, 28 de maio de 2020 – Nos anos 80, Chico Anysio criou dois personagens que se celebrizaram na televisão: Caretano Zeloso e Zelberto Zel, uma sátira ao estilo rebuscado dos cantores quase homônimos, que falavam um palavrório difícil, mas que, no fundo, não significava coisa alguma.

Ao assistir o vídeo de Dom Walmor Azevedo, presidente da nossa ilustre CNBB, a lembrança não pôde ser evitada. Mais amante da extravagância verbal que da exatidão dos conceitos, o arcebispo discorreu acerca de três ameaças e três oportunidades para o próximo quinquênio na Igreja do Brasil. Abaixo, apresentamos a descrição dos seis pontos, tais como ditos por ele. Agora, fazemos uma breve análise.

Para ele, a primeira de todas as ameaças é o “crescimento de segmentos conservadores e reacionários”, os quais, sempre segundo ele, levam “à estagnação e ao comprometimento do diálogo construtivo, com preponderância de obscurantismo e escolhas medíocres”. Um pouco mais abaixo, talvez a sua ideia fique mais nítida, quando ele apresenta o desejo de que a Igreja se apresente como “Igreja da Palavra”, produzindo uma “reviravolta” que venha a impedir ou a reagir ao que ele chama de “cristianismo torto”, em face ao que seria a verdadeira missão do cristianismo: “ser vetor do sonho de um mundo novo”.

Mais abaixo, ele ainda deseja “novas feições e dinâmicas na ministerialidade da Igreja”, com “efetivo protagonismo dos cristãos leigos e leigas” e “da vida sacerdotal, liberada de cristalizações que a desfiguram” (entenda-se: o sacerdócio tradicional).

O discurso deste bispo é a demonstração mesma da falência do catolicismo brasileiro, estacionado no horizonte mental dos anos 80, auto-referencial até em suas próprias expressões, completamente insignificante para qualquer pessoa normal. Assim como toda a esquerda é tributária daquele heroísmo imaginário contra uma repressão que, na realidade, apenas se limitou à conservação do poder nominal, enquanto lhes deixava todo o espaço aberto para a revolução cultural, mesmo contra o fato de que toda a população brasileira os tenha deixado falando sozinhos, eles persistem em se imaginarem os grandes revolucionários, e permanecem reféns de um monólogo teimoso, doente, alucinado, que não chegará a lugar nenhum.

O Brasil já é um país protestante. E é por causa deles! Foi o clero que abandonou o discurso conservador; e o povo, que continua sendo conservador, migrou para as seitas pentecostais e fez a reviravolta que eles pretendem reverter, mas sem força alguma. O poder de mobilização dos bispos já era nulo e, agora, com a dispersão forçada dos fieis por causa dessa interminável quarentena, se tornará ainda mais impossível. E eles não conseguem enxergar!

Qualquer pessoa que frequente a maior parte das paróquias católicas do país sabe que, em sua maioria, são frequentadas por idosos. Nas grandes cidades, as dioceses são formadas por um clero idoso, que continua repetindo aqueles mesmos chavões de décadas, pois foi a única coisa que conseguiu aprender em sua formação deficiente.

Eles pretendem reverter o crescimento do “cristianismo torto” não apresentando um “cristianismo reto”, mas um “cristianismo” (muito entre aspas) calculado para atender as “interpelações fortes vindas do impressionante volume de mudanças em curso na cultura mundial”… A que diabos se refere o arcebispo? À gay culture, ao multiculturalismo, ao ecologismo que protege árvores enquanto defende a matança de fetos, ao feminismo que pretende proteger contra o alegado feminicídio a todas as vozes do feminino (mesmo as dos homens que se declaram mulheres)? Mas, para isso, não precisa haver Igreja. E é isso que a população está gritando, migrando, aos milhares, para os cultos protestantes pentecostais (note-se que as próprias igrejas protestantes liberais estão numa pior crise ainda, o que mostra que o problema é, sobretudo, ideológico).

A maior ameaça para a Igreja não é nada disso que menciona o arcebispo. Infelizmente, a maior ameaça é o próprio clero modernista, mesmo. Ele alega o protagonismo dos leigos como resposta… Ah, mas não dos verdadeiros leigos! Estes bispos gostam apenas daqueles leigos clericalizados por eles, ideologizados, imagem do seu próprio passado militante e esquerdista. Para eles, a multidão de leigos que quer ser católica precisa ficar em casa ou, senão, mudar-se para a primeira porta de garagem que se abra à sua frente.

É triste, mas é a realidade. Por trás de toda a parlenga de Dom Walmor há apenas um episcopado que fala sozinho e é aplaudido por sua corte. Eles terão de sacrificar a população inteira ao protestantismo para perceberem, então, que estavam errados.

(Abaixo, a transcrição das três maiores ameaças e as três maiores oportunidades da Igreja, segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo:)

***

Três ameaças

1) Crescimento de seguimentos conservadores e reacionários, levando à estagnação e ao comprometimento do diálogo construtivo, com preponderância de obscurantismo e escolhas medíocres, com força de justificação de desigualdades existentes e neutralização da força magistral da doutrina social da Igreja.

2) Dificuldades para reverter situações com funcionamentos pesados, que custam muito, comprometendo a sustentabilidade e o compromisso com a preservação ambiental, por insistências e cristalizações advindas do intelectualismo, fazendo perder sensibilidade humanitária e relacional, com ganhos de adesões e presença. Por isso, o peso precisa ser revisto, de modo marcado, como é característica deste terceiro milênio, pela leveza.

3) Fragilizações de processos de evangelizações e serviços na defesa e promoção da vida, perda de forças próprias, com comprometimento da inegociável credibilidade, em razão de incongruências e incoerências no âmbito moral, seja no âmbito da gestão, em suas nuances todas, como também no específico do testemunho, como bem primeiro da pertença eclesial e da autenticidade do discipulado no seguimento de Jesus Cristo.

Três oportunidades

1) Escuta de interpelações fortes vindas do impressionante volume de mudanças em curso na cultura mundial, com apelos humanitários, sobretudo oriundos dos clamores dos pobres da terra e das possibilidades tecnológicas-midiáticas, para efetivação de um novo modo de presença pública, referindo-me também a biotecnologias, oportunizando adequações e novas respostas.

2) A Igreja precisar usufruir mais decisivamente do seu próprio tesouro doutrinal e de fé, particularmente como Igreja da Palavra, ganhando esta centralidade, podendo fazer uma reviravolta religiosa na direção de não permitir ou de reagir aos desdobramentos vários do cristianismo torto, que está em amplo crescimento na sociedade brasileira, recuperando do cristianismo a sua força como vetor determinante do sonho de um mundo novo, solidário e fraterno.

3) À luz da mistagogia evangélica – uma espiritualidade profunda, contemplativa – com rica inspiração de tradições e experiências bimilenares na nossa Igreja, conquistar novas feições e dinâmicas na ministerialidade da Igreja, com efetivo protagonismo dos cristãos leigos e leigas, com qualificação maior da vida consagrada, com sua profecia, e da vida sacerdotal, liberada de cristalizações que a desfiguram, com propriedades para arrastar pela força do testemunho.

6 maio, 2019

Dom Walmor eleito.

FratresInUnum.com – 6 de maio de 2019 – Como tínhamos anunciado, a 57ª. Assembleia Geral da CNBB acaba de eleger como presidente Dom Walmor Oliveira e Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, o qual teria sido indicado, segundo fontes indiscretas, pelo Secretário da Congregação para os Bispos, Dom Ilson de Jesus Montanari.

Se, de um lado, a CNBB demonstra endurecer em seu posicionamento esquerdista e contra o governo Bolsonaro, por outro lado, “hay que endurecer, pero sin perder la TERNURA“.

É muito significativo que os bispos obedeçam bovinamente a Francisco, talvez com medo das sanções previstas no Motu Proprio “Como uma Mãe amorosa”. Como Perón, Francisco não quer ser amado, mas temido pelos seus súditos.

Aliás, é sempre bom lembrar que é costume antigo de Bergoglio colocar no poder pessoas que tenham, como dizem os italianos, um “esqueleto no armário”. Depois, com um estalar de dedos, basta descartá-las na lata do lixo da história. McCarrick que o diga!

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6 maio, 2019

Dom Walmor praticamente eleito.

Por FratresInUnum.com, 6 de maio de 2019 – O segundo turno das eleições presidenciais da CNBB estão prestes a começar.

No primeiro turno,  dom Walmor, arcebispo de Belo Horizonte, venceu dom Odilo Scherer e dom Jaime Spengler. Ao que tudo indica, deve ser eleito novo presidente da CNBB, confirmando a intenção da entidade de endurecer sua oposição ao governo, dado que é o mais esquerdista dos candidatos. Também demonstra o servilismo do episcopado ao Vaticano e ao manda chuva brasileiro por lá, de quem dom Walmor é candidato, o secretário da Congregação para os Bispos, dom Ilson Montanari.

A CNBB, assim, afunda-se ainda mais no seu histórico esquerdismo.

Que os bispos acordem antes do segundo turno e tomem consciência que estão destruindo, se é que isso é possível, o pouco de credibilidade que lhes resta.

11 março, 2019

Eleições na CNBB: Dom Leonardo ou Dom Walmor?

A batalha entre o ecologismo apocalíptico e o gay-friendly.

Por FratresInUnum.com, 11 de março de 2019:  Aproxima-se a eleição da nova presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a ocorrer em sua próxima assembléia geral, no mês de maio, em Aparecida.

Duas alas, aparentemente opostas, mas complementarmente progressistas, aparecem na disputa: Dom Leonardo Ulrich Steiner, atual Secretário Geral da CNBB, e Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, despontam como os principais candidatos.

* * *

Todo esquerdista que chega ao poder continua posando de vítima. Assim, Dom Leonardo Ulrich Steiner agora tem o álibi perfeito: o infarto. Como vítima do sistema, vai preparando a sua candidatura a Presidente da CNBB.

steiner walmor

Dom Leonardo Steiner (esquerda) e Dom Walmor (direita).

Para alcançar seu intento, porém, Dom Leonardo precisa ser transferido para uma diocese — é praxe que a presidência seja ocupada por um bispo diocesano, e não um auxiliar. Há quem diga que o seu “cardinale protettore”, Dom Claudio Hummes, irá providenciar sua transferência para uma arquidiocese “amazônica”– possivelmente Manaus ou Cuiabá – onde poderia alimentar, de forma mais efetiva, a histeria ecológica do Sínodo Pan-Amazônico.

Em recente entrevista à mídia Vaticana, Dom Leonardo já vai entrando no clima dos dramas ecológicos e indigenistas. Nada como matar dois coelhos com uma só cajadada: agradar o ecologismo de Papa Francisco e marcar posição contra o governo Bolsonaro. Só faltou derramar lágrimas e dizer: “Que saudades do Gilberto Carvalho! Aqueles sim eram bons tempos!”

Mas, o Apocalipse ecológico pode esperar. O Sínodo sobre a Amazônia só virá em outubro e as eleições da CNBB serão em maio.

Em 2011, para sua primeira eleição como Secretário Geral, Dom Leonardo contou com uma mãozinha do então Núncio Apostólico Dom Lorenzo Baldisseri, que “possibilitou” sua eleição, transferindo-o de São Felix do Araguaia para auxiliar em Brasília.

Já para maio de 2019, não consta que Dom Leonardo conte com as graças do atual Núncio. E, o que é pior, Dom Leonardo não parece ser o candidato do poderoso Dom Ilson Montanari, secretário da Congregação para os Bispos, o arcebispo brasileiro responsável pelas nomeações bergoglianas dos bispos do mundo inteiro.

Fontes murmurantes nos dão conta de que Dom Montanari, Secretário da Congregação para os Bispos, foi interrogado sobre uma eventual eleição de Steiner como presidente da Conferência Episcopal brasileira. A resposta teria sido incisiva: “Não! Agora é a vez de Dom Walmor”, o arcebispo de Belo Horizonte.

Dom Walmor de Azevedo, cuja simples em nosso histórico de posts demonstra a orientação. Sim, daquela mesma arquidiocese que recentemente foi denunciada pelo Instituto São Pedro de Alcântara como defensora da agenda LGBT através de uma “pastoral da diversidade”. A Arquidiocese desmentiu tudo e Dom Walmor fez de conta que não era com ele, mas… Quem convive na intimidade com Dom Walmor e com seu auxiliar Dom Joaquim Mól sabe perfeitamente que eles jamais poderão ser acusados de homofóbicos.

As pré-candidaturas de Dom Leonardo e Dom Walmor para presidência da CNBB revelam uma luta de titãs: Hummes vs. Montanari. Senhores bispos, façam suas apostas!

Mas, será que o episcopado brasileiro continuará permitindo que grupos de interesse os controle e fale por eles? Será que não darão um basta a esse aparelhamento e apresentarão uma chapa de bispos sensatos, que não tomem ações ideológicas? Será que não sairão da passividade e começarão a se organizar, a conversar entre si, a reagir, a tomar as rédeas dessa bagunça? Tudo depende só deles. Como leigos, só nos cabe esperar e rezar.

É um fato, porém, que os destinos da conferência episcopal brasileira ainda não estão determinados. A esquerda está perdida e dividida, ataca-se a si mesma, perdeu a força e a dinâmica. Há bispos inquietos com o afastamento do povo e da realidade. As urnas —  as coletas — demonstram o cansaço do povo fiel quanto a ideologias senis.

Sim, senis que, como Leonardo Boff, só sabem se lamentar que os jovens não embarcaram no seu sonho socialista: “Como pôde acontecer tudo isso e tanta insensatez em nosso país? Onde nós erramos? Como não conseguimos prever esse salto rumo à Idade Média?

Não há mais nada que se fazer? Rezemos para que os bispos, ao menos por graça de estado, sejam iluminados e se deem conta de que é chegada a hora da mudança, a hora de romper com aquilo que já está condenado ao fracasso e à total irrelevância histórica.

7 fevereiro, 2014

Apelo a Dom Walmor pela suspensão de Frei Cláudio Van Balen.

Por Hermes Rodrigues Nery

Caríssimo Dom Walmor Oliveira de Azevedo,

Rogamos a sua atenção e providências quanto a situação que aflige a igreja em Belo Horizonte, com o triste episódio envolvendo o rebelde frei Cláudio Van Balen.

Mais uma vez os fiéis católicos de Belo Horizonte vivem a angústia da omissão da autoridade eclesiástica em relação a providências cabíveis para fazer valer o que está no Catecismo da Igreja Católica, e como autoridade eclesiástica zelar pela sã doutrina. Trata-se do caso de frei Cláudio Van Balen, herege explícito, contumaz, rebelde, que já defende outra igreja que não a católica da qual ele foi ordenado e teria o dever, por juramento da Ordem, de preservar. Mas é de vosso conhecimento que o luciferino frei Cláudio Van Balen, causa de desordem e cisão na Igreja local belohorizontina, da qual Vossa Reverendísisma é o pastor, resiste a aceitar a autoridade de seu pároco, frei Evaldo Xavier, e, recalcitrante, está a mover seus apaniguados a uma vergonhosa ação de desobediência e de infidelidade, a proferir ofensas e heresias contundentes. Até quando, Dom Walmor, haverá omissão? A hora exige a vossa tomada de posição, a vossa decisão, em defesa da Igreja.

Até quando permitirá que tais acontecimentos continuem a causar dor à Igreja Católica de Belo Horizonte? Urge que a autoridade eclesiástica tome providências e suspenda frei Cláudio de suas atividades, para que a harmonia seja restabelecida, e que frei Evaldo Xavier, dentro das suas prerrogativas, inteiramente legítimas, possa conduzir a sua paróquia, de acordo com as diretrizes do Catecismo e do Magistério da Igreja: “Os presbíteros, embora não possuam o pontificado supremo e dependam do bispo no exercício do próprio poder, todavia estão-lhes unidos na honra do sacerdócio” (CIC 1564), e e esta honra justamente se confirma com a caridade na verdade, com ações em fidelidade à sã doutrina.

Se as providências não forem tomadas, o povo católico poderá as tomar, agudizando ainda mais a crise, pois a angústia é grande, especialmente dos que tem amor à Igreja. Até quando nossos bispos ficarão reféns dos lobos progressistas, que estão minando, por dentro, a sã doutrina católica? Rogamos então, encarecidamente, a Vossa Reverendíssima, urgente providência pela suspensão de frei Cláudio Van Balen e total apoio a frei Evaldo Xavier.

Que Nossa Senhora interceda para que haja discernimento e coragem para a solução desta grave questão, pelo bem da Igreja.

Prof. Hermes Rodrigues Nery

* * *

Leia também:

Frei Cláudio Van Balen quebra o silêncio, fala sobre celibato, casamento gay e outras polêmicas

Archidiócesis brasileña cede a las presiones y un sacerdote heterodoxo impide su remoción

2 outubro, 2013

Apelo a Dom Walmor, Arcebispo de Belo Horizonte, para evitar evento pró-aborto em faculdade Jesuíta.

Prof. Hermes Rodrigues Nery (da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB) exorta os fiéis leigos e religiosos a cobrarem das autoridades eclesiásticas a identidade católica das instituições ditas católicas:

 

Veja do que se trata nesta reportagem feita por Pedro Canísio de Alcântara:

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14 setembro, 2020

Carreiristas da Teologia da Libertação escrevem carta ao Papa Francisco.

Por FratresInUnum.com, 14 de setembro de 2020 – Não se morre de tédio neste nosso país, e isso também vale para a nossa Igreja Católica! Ontem, o site PortalDasCEBs noticiou em primeira mão que um grupo de padres e bispos descontentes escreveram ao Papa Francisco tomando como motivo a campanha internacional Black Lives Matter (!!!).

O objetivo da missiva foi difamar o núncio apostólico em saída, Dom Giovanni d’Aniello, recém nomeado para a Rússia, e pautar, a exemplo do que já tentou fazer dom Leonardo Steiner, a atividade do próximo núncio apostólico, Dom Giovani Battista Diquattro. Segundo os firmatários, a nunciatura precisa adotar critérios raciais na escolha dos candidatos ao episcopado, privilegiando os candidatos negros sobre os provenientes de outra etnia ou grupo racial, bem como realizar as nomeações atendendo mais às tendências hegemônicas nas realidades locais (entenda-se, das máfias locais). Uma pergunta que não deixaríamos passar: mas, se o candidato negro for da estirpe de Sarah, Napier, Arinze… teria direito a essas quotas? Ou receberiam o tratamento dispensado pelo Cardeal Kasper e companhia ao episcopado africano no Sínodo da Família?

Ultimamente, a facção que assumiu a autoria da carta, autointitulada “Padres da Caminhada” (a qual não possui nenhuma personalidade jurídica, civil ou canônica, e, portanto, atua nos parâmetros da mais clamorosa clandestinidade), tem se empenhado em atuar como um verdadeiro grupo de pressão contra a CNBB e as instituições da Igreja, forçando uma ruptura interna no episcopado e, ao mesmo tempo, a mais aberta fanatização política. Não satisfeitos com o esquerdismo borocoxô de Dom Walmor e demais membros da presidência atual da CNBB, querem uma CNBB pujantemente militante, desavergonhadamente de punhos levantados — da nossa parte, concordaríamos somente se a CNBB entrasse numa bela greve, quiçá perene…!

Os signatários chegam a dizer que estão “cansados de diplomatas vaidosos e carreiristas, ansiosos por poder!”.

Resposta do Papa Francisco aos “Padres da Caminhada”.

A coisa mais interessante, porém, é que eles obtiveram uma resposta do Papa Francisco, na qual ele os agradece pela carta e acrescenta: “falarei do assunto com o cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bispos. Entendo o que dizem sobre a Nunciatura e o modo de escolher os candidatos ao Episcopado. Agora irá um Núncio novo e também falarei com ele”.

O que isso significa, realmente, ninguém sabe. Quem sondará os pensamentos de um jesuíta? De um lado, pode significar: “concordo com vocês e farei o que estão dizendo”, ou, de outro lado: “isso é um assunto meu e eu converso com os interessados”.

Em todos os casos, é bom que conheçamos quem são esses carreiristas ressentidos, que queriam brincar de mitra, mas não conseguem (ao menos até agora); que querem manipular as nomeações no Brasil, ousam pular toda a estrutura da Igreja e tentar acoplar diretamente o papa em suas políticas eclesiásticas; que hostilizam de modo tão desleal os seus superiores visando tê-los como pares no episcopado; enfim, destes que vivem falando de pobres e do povo, mas que se autodenunciam em sua própria ambição e volúpia pelo poder.

Aqueles “carreiristas, ansiosos por poder” que eles poderiam identificar facilmente se olhassem, não às nomeações do antigo núncio, mas, simplesmente, ao… espelho.

É excelente que o Portal das CEBs tenha divulgado a carta, pois, sendo insuspeito de direitismo ou de qualquer tipo de conservadorismo, é fonte totalmente segura da veracidade da informação e também de sua orientação ideológica. Agradecemos ao Portal das CEBs por mais este importante vazamento (embora sua audiência seja irrisória, sendo que o grande público tomará ciência do conteúdo aqui pelo Fratres!).

Esse tipo de movimentação mafiosa pela parte sempre descontente e baderneira do clero brasileiro, insuflada por bispos em fim de carreira e desejosos de perpetuação, deveria ser frontalmente neutralizada pela Conferência Episcopal. Tal iniciativa é claramente afrontosa e mostra exatamente quem são e onde estão os inimigos da Igreja.

Sairão Dom Walmor, Dom Jaime Spengler e Dom Joel, membros da atual presidência da CNBB, de seu sonolento  e burocrático mundinho de notas insípidas, sobre todos os temas possíveis e imagináveis, para tratar de um assunto que realmente lhes compete?

Abaixo, seguem os nomes de todos que assinaram a carta, segundo a divulgação do Portal das CEBs:

  1. Adamor Lima – Paróquia das Ilhas – Diocese de Abaetetuba – PA
  2. Dom Adriano Ciocca Vasino – Prelazia de São Feliz do Araguaia – MT
  3. Altair Manieri – Arquidiocese de Londrina – PR
  4. Antônio Carlos Fernandes, SDN – Espera Feliz – Diocese de Caratinga – MG
  5. Antônio De Jesus Sardinha – Vigário Geral – Diocese de Jales/SP
  6. Antônio José de Almeida – Diocese de Apucarana – PR
  7. Antonio Lopes de Lima – Diocese de Limoeiro do Norte – CE
  8. Antonio Manzatto – Arquidiocese de São Paulo
  9. Basilio Vidal Vileci – Diocese de Crato – CE
  10. Benedito Ferraro – Arquidiocese de Campinas – SP
  11. Brasílio Alves de Assis – Diocese de Registro – SP
  12. Celso Carlos Puttkammer dos Santos – Prelazia do Marajó – Soure/PA
  13. Danilo Lago Severiano – São Félix do Xingu – Prelazia de São Félix – PA
  14. Danilo Vitor Pena – Diocese de Jacarezinho – PR
  15. Dennis Koltz – PIME – Macapá
  16. Diego Giuseppe Pelizzari – Diocese de Londrina – Conselho Indigenista Missionario – CIMI
  17. Dirceu Luiz Fumagalli – Arquidiocese de Londrina – PR
  18. Domingos Rodrigues – Paróquia Arcanjo Gabriel – Diocese de Bagé – RS
  19. Edegard Silva Junior – Missionário Saletino – Diocese de Pemba – Moçambique
  20. Edmar Augusto Costa – Arquidiocese do Rio de Janeiro – RJ
  21. Edson André Cunha Thomassim
  22. Edson Zamiro da Silva – Diocese de Apucarana – PR
  23. Elauterio Conrado da Silva Junior – Diocese de Bagé – RS
  24. Dom Erwin Käutler – Bispo Prelado Emérito da Diocese do Xingu – Altamira – PA
  25. Ezael Juliatto – Arquidiocese de São Paulo – SP
  26. Flávio Corrêa de Lima – Diocese de Novo Hamburgo – RS.
  27. Dom Flávio Giovenale, SDB – Diocese de Cruzeiro do Sul – AC
  28. Francisco de Aquino Junior – Diocese de Limoeiro do Norte – CE
  29. Francisco Gecivam Garcia – Arquidiocese de Maringá – PR
  30. Geraldino Rodrigues de Proênça – Diocese de Apucarana – PR
  31. Gilberto Tomazi – Vigário Geral – Diocese de Caçador-SC
  32. Hermes Antonio Tonini – Diocese de Lages – SC
  33. Ivanil Pereira da Silva – Paróquia Santa Rita de Cássia – Cianorte – Diocese de Umuarama – PR
  34. Jean Fabio Santana, SJ – Arquidiocese de São Paulo – SP
  35. Jorge Corsini – Diocese de Registro – SP
  36. Diác. Jorge Luiz A. Souza – Arquidiocese de São Paulo – SP
  37. Jorge Pereira de Melo – Arquidiocese de Londrina – Paróquia Santo Antônio – Londrina.
  38. José Amaro Lopes de Sousa – Diocese de Xingú – Altamira – PA
  39. José Cristiano Bento dos Santos – Arquidiocese de Londrina – PR
  40. José Geraldo Magela Vidal – Arquidiocese de Mariana – MG
  41. Dom José Luiz Ferreira Salles, CSsR – Diocese de Pesqueira –
  42. Dom José Mário Stroeher – Bispo Emérito do Rio Grande – RS
  43. José Oscar Beozzo – Diocese de Lins – SP
  44. José Roberto Moreira – Paróquia Nsa. Sra. Da Boa Viagem – Bocaina do Sul – Diocese de Lages – SC
  45. Lazaro Gabriel Lourenço – Diocese de Limeira – SP
  46. Leandro de Mello – Arquidiocese de Passo Fundo – RS
  47. Leomar Antonio Montagna – Arquidiocese de Maringá – PR
  48. Lino Mayer – Diocese de Rio Grande – RS
  49. Luciano da Paixão – Arquidiocese de Londrina – PR
  50. Luis Miguel Modino – Missionário Fidei Donum – Arquidiocese de Manaus – AM
  51. Luiz Carlos Palhares – Diocese de Apucarana – PR
  52. Luiz Roberto Sandini – Diocese de Chapecó – SC
  53. Dom Manoel João Francisco – Bispo da Diocese de Cornélio Procópio – PR
  54. Manoel José de Godoy – Paróquia São Tarcísio – Arquidiocese de Belo Horizonte – MG
  55. Marcos Roberto Almeida dos Santos – Arquidiocese de Maringá – PR
  56. Mauro Batista Pedrinelli. Arquidiocese de Londrina – PR
  57. Medoro de Oliveira Souza Neto – Diocese de Valênça – RJ
  58. Nadir Luiz Zanchet – Diocese de Balsas – MA
  59. Nelito Dornelas – Governador Valadares – MG
  60. Pascal Atumissi B., SX. CIMI – Redenção – PA
  61. Paulo Humberto Rodrigues Cruz – Arquidiocese de Belém do Pará – Área Missionária São Clemente – PA
  62. Paulo Joanil da Silva, OMI – Diocese de Belém – PA
  63. Paulo Sérgio Bezerra – Paróquia N. Sra. do Carmo – Itaquera – Diocese de São Miguel Paulista – SP
  64. Pedro Curran, OMI – Arquidiocese de Manaus – AM
  65. Roberto Valicourt, OMI – Arquidiocese de Manaus – AM
  66. Rui Fernando de Oliveira Santos -Diocese de Apucarana – PR
  67. Sebastião Rodrigues da Silva – Paróquia São Francisco de Assis CP – Diocese de Cornélio Procópio – PR
  68. Sérgio Eduardo Mariucci, SJ –
  69. Sérgio Lima Pereira – Arquidiocese de Pelotas – RS
  70. Severino Leite Diniz – Paróquia Nsa. Sra. Aparecida – Promissão – Diocese de Lins – SP
  71. Sisto Magro – PIME – Macapa – AP Pe. Vilmar Gazaniga – Diocese de Caçador – SC
  72. Vilson Groh – Florianópolis – SC
  73. Vitor Galdino Feller – Vigário Geral – Arquidiocese de Florianópolis- SC. Pe. Wilfrido Mosquer, OSFS – Arquidiocese de Pelotas – RS
  74. Frei Wilmar Villalba Ortiz, OFM Conv – Paróquia Exaltação da Santa Cruz – Ubatuba – SP
  75. Wilner Charles, OSFS Brasil,
12 agosto, 2020

A morte de Dom Casaldáliga e o futuro da Teologia da Libertação.

Por FratresInUnum.com, 11 de agosto de 2020 – Faleceu no último sábado, 8 de agosto, Dom Pedro Casaldáliga, o último dos grandes baluartes da decadente Teologia da Libertação. O seu desaparecimento causou imensa comoção entre o clero progressista, que está tentando emplacar a sua “fama de santidade”, sem nenhuma repercussão significativa fora de seus próprios guetos ideológicos. O fato merece uma consideração atenta, pensando nos motivos de tamanha “devoção” entre os progressistas e em quais seriam as perspectivas para a Teologia da Libertação (TL) daqui para a frente.

A “revolução brasileira”

Os bispos Steiner e Pedro Casaldáliga.

Os bispos Steiner e Pedro Casaldáliga.

Uma das maiores dificuldades para compreender os movimentos populares no Brasil é encontrar um justo instrumento analítico que nos permita descrever com acerto qual a matriz de todas as tensões existentes em nossa realidade sociopolítica.

Em “Os donos do poder”, Raymundo Faoro, que era um homem de esquerda, mostra que a história da Brasil poderia ser bem definida como a luta de um povo impotente contra uma elite patrimonialista, que usa o Estado em benefício próprio, elite que ele denomina “estamento burocrático.

Ora, da leitura da obra de Faoro se percebe claramente que a natureza desta tensão entre povo-estamento é supra-ideológica e, portanto, meta-política, o que significa que ambos, o povo e a elite, transitam da esquerda para a direita e vice-versa conforme as circunstâncias históricas concretas. Talvez esta seja a razão principal da vivacidade política do povo brasileiro.

Cabe aqui fazer uma desambiguação: o termo “revolução brasileira” em Faoro não tem o mesmo significado que o termo “revolução” tem nas obras dos autores católicos contrarrevolucionários; para estes, revolução é a rebeldia do homem contra Deus e contra a ordem da realidade; para aquele, “revolução” era apenas um termo descritivo desta história brasileira de libertação.

A Teologia da Libertação e o PT

A complexidade de fatores que culminaram com o aparecimento da Teologia da Libertação e do seu projeto político, a fundação e consolidação do Partido dos Trabalhadores (PT) e sua chegada e manutenção no poder, é muito difícil de ser resumida. Uma excelente síntese do assunto pode ser encontrada no livro do Dr. Júlio Loredo, Teologia da Libertação: um salva-vidas de chumbo para os pobres.

De um lado, a Ação Católica Brasileira, inicialmente inspirada no ativismo social do Centro Dom Vital, depois dividiu-se naquilo que o Prof. Dr. Plínio Corrêa de Oliveira chamava de “falsa direita”, isto é, o fascismo declarado, e “esquerda católica”, isto é, o socialismo abraçado abertamente como ideologia. 

De outro lado, tudo isso vinha sendo fermentado no caldo da Nouvelle Théologie, com seus autores progressistas e socialistas, culminando com o surgimento da síntese herética de Karl Rahner e da “Teologia Política” de seu filho teológico, Johann Baptist Metz. Essas influências foram especialmente catalisadas na Universidade de Louvaine, onde hordas de padres latino-americanos foram enviadas para especialização.

O ativismo e o desejo de controlar a política oriundos daquela mentalidade de Ação Católica pervertida e as ideias socialistas abraçadas pela Nouvelle Théologie foram o misto ideal para que os comunistas pudessem entrar na Igreja e usá-la para o seu projeto de poder, como já havia declarado de modo peremptório Antonio Gramsci (já não se tratava mais de tentar destruir a Igreja, mas de usá-la).

Nem precisamos nos perguntar se o plano deu certo. Os comunistas encontraram toda a estrada aberta e começaram a aparelhar a estrutura eclesiástica através de uma ideologia propositalmente criada para esta finalidade: a chamada Teologia da Libertação.

Um dos equívocos principais que é preciso desmascarar é o de que a Teologia da Libertação é uma teologia criada para vencer as opressões e as desigualdades. Esta é apenas a desculpa teológica dada. O objetivo da Teologia da Libertação é duplo:

1) primeiro, teorético: desmontar a Teologia Católica inteirinha, não deixando nada em pé. Isso está explicitamente declarado por Gustavo Gutiérrez em sua “Teologia da Libertação”, ou seja, é iniciar aquilo que ele chama de “fase crítica” da Teologia;

2) e principalmente prático: criar a base para a formação de um partido político socialista através das Comunidades Eclesiais de Base, como declarou implicitamente Leonardo Boff em seu livro “E a Igreja se fez povo” e recentemente o próprio Lula, numa live feita com Leonardo Boff.

O projeto deu certo. Criaram um clero progressista e comunista, aparelharam a Igreja de alto a baixo, criaram um partido que veio para se eternizar no poder, mas que não conseguiu obter o sucesso até o fim.

Uma “mística” da libertação

Na encíclica Pascendi Dominici Gregis, São Pio X explicava que os modernistas trocavam a fé católica por uma certa “experiência religiosa”, esta que hoje mesmo os libertadores chamam de “experiência de Deus”. 

“Eis como eles o declaram: no sentimento religioso deve reconhecer-se uma espécie de intuição do coração, que pôs o homem em contato imediato com a própria realidade de Deus e lhe infunde tal persuasão da existência dele e da sua ação, tanto dentro como fora do homem, que excede a força de qualquer persuasão, que a ciência possa adquirir. Afirmam, portanto, uma verdadeira experiência, capaz de vencer qualquer experiência racional; e se esta for negada por alguém, como pelos racionalistas, dizem que isto sucede porque estes não querem pôr-se nas condições morais que são necessárias para consegui-la”.

Em outras palavras, os modernistas, assim como seus herdeiros diretos, os teólogos da libertação, trocam o conceito de “revelação exterior” (a Revelação Divina tal como custodiada nos artigos da fé católica) e de “revelação interior” (a luz da fé infusa pela graça nos nossos corações para que possamos crer) por um conceito naturalista de “experiência religiosa”: a tal “experiência de Deus” com os pobres, os índios, os quilombolas ou no meio da “luta do povo”. Neste sentido, há algo de comum com certos grupos carismáticos, que tomam como fato fundante da sua vida espiritual não os dogmas da Igreja, mas a sua experiência intimista.

Ora, é neste sentido que a história de Dom Pedro Casaldáliga tem uma importância enorme para a Teologia da Libertação. Ele foi justamente um homem que saiu da Europa e veio para o meio dos índios viver a “experiência do pobre”, que quando foi ordenado bispo trocou a mitra pelo chapéu de palha e o anel de metal pelo anel de tucum (que depois se tornou símbolo da TL), que desprezou o báculo pastoral e que trocava o vinho por cachaça e a hóstia por bolacha, como afirma a sua biografia autorizada, segundo informações da Folha de São Paulo. 

É essa pseudo “mística” que faz clérigos, mais ou menos oportunistas, lançarem todos os louvores possíveis a Casaldáliga, partindo desde  o presidente da CNBB  e alcançando expoentes ditos conservadores do episcopado. Chegando até o site oficial de notícias da Santa Sé, todos “canonizam” o bispo revolucionário.

Poeta, Casaldáliga confessava-se “subversivo”, dizia crer na “Internacional” e não escondia seu apreço pela “foice e o martelo” (em sua poesia “Canção da foice e do feixe”, publicada em vermelho.org.br, site do PCdoB) Mas ele não ficou apenas na poesia. Apoiava decididamente as revoluções cubana e sandinista, na Nicarágua, onde esteve muitíssimas vezes, contra a vontade dos bispos locais, tendo de ser admoestado pela Santa Sé a que permanecesse em sua prelazia. Ele abraçou o estilo de vida indígena, abraçou aquele modelo pauperista de Igreja idealizado no “Pacto das catacumbas”, levando-o às suas últimas consequências.

Neste sentido, foi um homem coerente com aquilo que acreditava, muito diferentemente dos defensores da tal “Igreja dos pobres”, apregoada pelo Cardeal Lercaro e por Dom Hélder Câmara, e à qual aderem maciçamente nossos bispos hoje, mas que gostam mesmo é de frequentar restaurantes ricos e estão preocupadíssimos com a prosperidade econômica das suas dioceses.

O conceito de “mística da libertação” tal como vivido por Dom Pedro Casaldáliga é apenas um engodo, como explica muito bem São Pio X, mas que serve como instrumento de romantização para a comunistização da Igreja, tal como operada pela Teologia da Libertação.

Mudança de paradigma

No movimento marxista, a Igreja Católica sempre está atrasada, com um recuo justificável pela sua constituição estruturalmente gerontocrática, ou seja, ela é governada pelos velhos.

A Escola de Frankfurt já tinha percebido que os pobres estavam se aburguesando e que a revolução socialista não poderia ser protagonizada por eles, mas por aquilo que eles chamavam de lumpemproletariado. Trata-se da revolução dos descontentes, do estrato maltrapilho da sociedade, das minorias, daqueles que têm motivos para a reclamação. Lukács já tinha explicado que não havia propriamente um conflito de classes, mas que este deveria ser criado através do que ele chamava de “classe possível”, através da “conscientização”, ou seja, da formação de uma “consciência de classe”.

Levaram várias décadas para que o movimento marxista entendesse que seria necessário abandonar a luta de classes e abraçar a revolução sexual e o ecologismo psicótico, mas, assim que esta mudança de paradigma aconteceu, as grandes corporações meta-capitalistas, interessadas na dissolução da sociedade para o fortalecimento do mercado, “compraram” as mesmas causas e começaram a subvencioná-las, de modo que não há comunista que não esteja trabalhando para algum milionário: assim como os escravos no império romano eram soltos em orgias sexuais justamente para que não pudessem constituir uma família patriarcal e formar um núcleo de ação, agora, o direito a ter uma família patriarcal se tornou privilégio exclusivo dos meta-capitalistas, e não há socialista que não seja militante dessas causas full-time; do mesmo modo, as propriedades privadas de famílias estão sendo cada vez mais transferidas para grandes corporações internacionais, em nome do ecologismo mais patrimonialista de todos os tempos.

O PT no poder e mudança de eixo na revolução brasileira

Neste meio tempo, o PT chegou ao poder e tinha planos de lá permanecer eternamente, sem jamais ser removido. Aquele intervencionismo auspiciado pela mentalidade corrompida da Ação Católica parecia triunfante: a cumplicidade entre a hierarquia e o partido socialista havia chegado ao seu ápice, até que o povo percebeu que algo estranho tinha acontecido

Em um primeiro momento, o povo havia se identificado com Lula porque pensava que ele era um legítimo representante dos anseios de libertação daquela histórica revolução brasileira, acima referida. Na medida em que o tempo foi passando, tornou-se claro que nada disso era verdade: Igreja e PT estavam interessados apenas tornar-se parte do estamento burocrático e, ao invés de vencê-lo, queriam usá-lo em benefício de sua própria estratégia de poder, como, de fato, está acontecendo hoje.

A eleição de Jair Bolsonaro não foi uma empreitada ideológica. Ele não tem ideologia alguma, inclusive porque provavelmente nem tem ideia profunda alguma. O povo não agiu ideologicamente, mas apenas por identificação emocional: apareceu aquele candidato outsider que tentaria derrubar toda a elite, mas que não está conseguindo, justamente porque esta elite é institucionalmente poderosa (trata-se de um indivíduo unido com um povo impotente contra todo o sistema político nacional e internacional: a mídia, os órgãos de educação superior, os partidos corruptos e, inclusive, a própria Igreja, que precisa ficar do lado dos poderosos para poder permanecer em sua situação privilegiada).

Deste modo, bispos e petistas conseguiram algo impressionante: angariaram infalivelmente o ódio do povo! Todo mundo odeia o PT e a CNBB. Não há instituições que sejam hoje tão desprestigiadas entre a população.

Resultado religioso e futuro da TL

Com a eleição do Papa Francisco, adepto da versão argentina da TL, a chamada “Teologia do Povo”, o clero TL teve novamente a chance de respirar, não se sente institucionalmente ameaçado e tenta mais uma vez erguer a cabeça.

Contudo, o povo continua migrando para as igrejas pentecostais e outras vertentes religiosas. Com a epidemia do vírus chinês, a hierarquia dispersou totalmente os fieis, relegando-os de modo absoluto à irreligião – ora, se os católicos já eram acomodados, agora, uma geração inteira foi largada ao total abandono da prática religiosa (todo mundo virou “católico não praticante e de IBGE”).

De outro lado, a TL já não se encontra mais contextualizada nos marxismos modernos, senão através de duas veias: a teologia gay e o ecologismo radical, linhas nas quais a TL vai se reinventar, tornando-se ainda mais intragável para os fiéis e para os seus próprios militantes. Ou será que alguém imagina ser possível despertar fervor religioso católico em grupos incendiados pelo pecado sexual ou entusiasmados com aquelas superstições tribais?…

Em outras palavras, a nova TL que vem vindo aí só tornará o suicídio eclesial ainda mais exterminador. É o que dizia Paulo VI quando, depois de ele mesmo ter protegido tanto os socialistas dentro da Igreja, reconheceu que havia um “misterioso processo de autodemolição”. O “misterioso” fica por conta dele. Não há nenhum mistério nisso, há apenas causa e efeito.

A morte de Casaldáliga e a nova TL

A morte de Dom Pedro Casaldáliga está sendo tão pranteada pelos TLs justamente como um inconsciente processo psicossocial de funeral coletivo. A TL do passado já passou. Sim, existem as viúvas, e o próprio pontificado de Francisco aparece no mundo mais como uma evocação do passado do que como uma representação do presente.

A TL do futuro, totalmente LGBT e ecologista, é uma causa perdida, para a qual a população inteira se comportará com indiferença, acentuando o processo de destruição da Igreja Católica e o apogeu das comunidades pentecostais: já que o assunto é ter uma “experiência de Deus”, pelo menos as pessoas preferem tê-la com ar-condicionado, música de qualidade e muitos, muitos sentimentos. 

Em artigo recente, Dom Júlio Akamine, arcebispo de Sorocaba, tentou “limpar a barra” da CNBB, dizendo que não existem bispos comunistas (e negando os fatos que eles mesmos nunca negaram, vide o vídeo de Lula e Boff) e que há um grande pluralismo na Conferência Episcopal. Bem… Embora o arcebispo tenha esquecido um detalhe que para ele parece não ter a mínima importância – isto é, existe uma doutrina social da Igreja muito bem definida, além de uma doutrina da fé e dos costumes, de tal modo que o tal “pluralismo” defendido por ele como um superdogma absoluto não é senão um fingimento retórico –, ele não deixa de ter certa dose de razão: a TL virou um balaio de gatos tão confuso que há muitos bispos perdidos num esquerdismo vago, enquanto há outros que militam naquela velha revolução já não existente e outros que apregoam a descarada ideologia feminista-gay ou ecologista. É! Não se fazem mais comunistas como antigamente!

Mas, resguardando-se o bom-mocismo corporativista de Dom Júlio, será que alguém, depois de ler Gustavo Gutiérrez escrever que o objetivo da TL é reformular a doutrina católica inteira em chave crítica, pode ficar ironizando com os que ele diz “que se julgam investidos com o poder de purificar a CNBB de infiltrações vermelhas a serviço de Satanás” ou mesmo com quem “expurga os que se desviam da ‘sã doutrina’”?… 

Tanto a TL quanto os isentistas alla Dom Júlio precisam, mesmo, é tirar do caminho os católicos anticomunistas. Estes é que precisam ser realmente neutralizados! Mas, não adianta. Eles chegaram tarde demais e, agora, todo mundo sabe muito bem quem eles são e para que eles vieram. O comunismo na Igreja Católica está flagrado e, a despeito de toda a oratória oficialista, institucionalista, romântica, poética ou de qualquer outro tipo, o povo não engole mais este palavrório. 

28 julho, 2020

Uma análise parcial dos signatários da Carta comunista que rachou a CNBB.

Por FratresInUnum.com, 28 de julho de 2020 – Um entusiasta da tal carta escrita pela ala podre da CNBB publicou em seu perfil do facebook uma lista com os supostos nomes dos firmatários. A principal incongruência da lista é que a mesma anuncia 152 nomes, tal como noticiado pela Folha, mas, na contagem nome por nome, aparecem apenas 126. O que aconteceu com os demais? Por que não fizeram uma publicação oficial com a lista completa dos firmatários? Continuarão eles escondidos covardemente? Precisamos saber quem são para que o povo tenha um mapa exato do esquerdismo do episcopado brasileiro.

Alguns detalhes, porém, chamam a atenção.

Primeiramente, o número de assinaturas: 152 num total de 479 bispos (32%), sendo que a maioria visível deles é composta por bispos eméritos, ou seja, aposentados. O quadro é bastante interessante e sugere que a “Teologia da Libertação”, apesar de toda a pressão de Francisco, perdeu força no episcopado que está na ativa.

Outra surpresa muito interessante foi o comparecimento de Dom Alberto Taveira entre os apoiadores da carta contra o governo. 

Ele sempre se apresentou como bispo conservador, chegou até a celebrar a Missa na forma extraordinária do rito romano, sempre foi o queridinho da Renovação Carismática Católica e da Canção Nova, mas, agora, literalmente, “a máscara caiu”. Já há alguns anos, no Encontro Nacional de Formação da RCC em Aparecida, Dom Taveira deu um chilique em relação a muitos carismáticos que usavam correntes de consagração a Nossa Senhora, véu, saia, enfim, que adotavam usos tradicionais. 

Hoje, começou a se espalhar um áudio em que Dom Taveira tenta explicar o inexplicável: “foi elaborada uma carta por alguns bispos. Pediram que nós assinássemos. Nós, os bispos de Belém, dissemos ‘vamos, pelo menos, ficar unidos aos outros bispos’… Só que essa carta deveria passar por uma revisão do Conselho Permanente da CNBB. Infelizmente alguém vazou essa Carta. Agora, então, é sofrimento e correr atrás do prejuízo”. 

Em outras palavras, ele tentou se enturmar e acabou exposto, como não gostaria que acontecesse.

Em outras mensagens, alguns bispos disseram que a CNBB teria emitido alguma nota não pública em que afirmou: “que o documento nada tem a ver com a Conferência e é de responsabilidade dos signatários”, tomando distância daqueles que assinaram, o que, aliás, é muito razoável, pois, se os signatários não publicam o seu nome é porque sabem que fizeram algo errado.

Em participação nesta manhã na rádio Band News, a jornalista Mônica Bérgamo, que publicou o vazamento e teve contato direto com aquele que lhe forneceu o texto, disse que “a ‘Carta ao Povo de Deus’, assinada por 152 bispos, rachou a CNBB, reforçou esta divisão, que já vinha há algum tempo, entre uma parte dos religiosos que é muito crítica ao governo do Jair Bolsonaro e um outro setor, que inclusive já se reuniu com ele, discutiu questões de publicidade, rádio e televisão religiosa. Os bispos que assinaram este documento com críticas duríssimas ao presidente Jair Bolsonaro buscam agora o apoio até do Papa Francisco, para que o texto ganhe ainda mais peso do que já tem e não seja bombardeado pela ala dita conservadora da Igreja. Entre os signatários desta carta estão alguns amigos do Papa Francisco, inclusive Dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo. A carta que a gente divulgou com exclusividade na Folha de São Paulo no domingo já foi enviada ao Papa Francisco e também a Dom João Brás de Aviz”. 

E, conclui a jornalista, “o temor de que ela fosse para a gaveta pelas mãos dos chamados conservadores fez com que um passarinho (sic!) chegasse com ela no bico pra mim e nós divulgássemos o texto. Esta divulgação gerou um desconforto enorme na cúpula do clero, com as divergências se acirrando. E foi marcada uma reunião para o dia 5, agora, do Conselho Permanente da CNBB, para discutir este documento”. 

Em síntese, eles estão com medo e, por isso, precisam pedir reforços!

A CNBB, que foi uma pioneira na colegialidade entre os bispos, agora está sendo a pioneira no sepultamento desta mesma colegialidade, e sob a presidência de Dom Walmor Azevedo. A ação, em si, é grave e, como toca interesses de fanatismo ideológico muito enraizados no atual Vaticano, pode desencadear um endosso papal que só virá a confirmar que a colegialidade foi uma experiência frustrada, a ser deixada para trás.

A esquerda, a propósito, não respeita e nunca respeitou as chamadas “regras do jogo”, que existem apenas para amarrar e impedir a ação dos seus opositores. Diferentemente dos conservadores, que têm estes apegos simbólicos às formalidades, os esquerdistas não têm compromisso nenhum com isso. Portanto, para eles, jogar fora a tal “colegialidade conciliar” é algo óbvio, justamente quando isso não convém mais para os interesses políticos deles.

Por outro lado, o desespero dos bispos libertadores com o avanço dos conservadores na política brasileira revela uma completa impotência. Eles já não sabem mais o que fazer, sobretudo porque um abismo os separa da opinião pública. O quadro, para eles, é de completo pânico: mesmo com epidemia, com crise econômica, com polêmicas e mais polêmicas artificiais, a esquerda continua inexpressiva em todas as pesquisas para as próximas eleições presidenciais. 

O que esses bispos não conseguem entender é que o protagonismo do debate político foi retirado de suas mãos justamente pela aliança espúria que os uniu em matrimônio indissolúvel com a esquerda petista. Eles não conseguem mais produzir um impacto real na sociedade brasileira. O povo não os quer mais e resolveu relegá-los ao completo ostracismo, ainda mais depois de serem expulso das Igrejas nesta aposta de desgaste do governo pela pandemia, aposta que eles, evidentemente, perderam.

Se continuarem com esta teimosia socialista, os bispos do PT terão fatalmente o que enquanto bispos não deveriam: começarão a ser desacatados publicamente pelo povo e, com isso, os dias de vergonha da Igreja no Brasil estarão apenas começando. Quem avisa, amigo é.

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27 julho, 2020

Dividida: a banda podre da CNBB racha com o resto da Conferência e abre fogo contra Bolsonaro.

Por FratresInUnum.com, 27 de julho de 2020 – Foi uma semana tensa para a ansiedade da velha guarda da CNBB, aqueles petistas de sacristia que alçaram voos para o episcopado com o pacto firme de promover a ascensão do partido mais corrupto da história, mas que, no final, fracassaram e estão terminando a vida frustrados. Frustrados! Fracassados! Diga-se em alto e bom tom! Frustrados, porque o povo pobre preferiu seguir as seitas pentecostais e renegar a politicagem mofada desses fanáticos comuno-lulistas. Fracassados, porque, salvo eles mesmos, ninguém leva a sério as notinhas que eles pretensiosamente pensam ser “profecia”.

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A conivência com a qual esses mesmos senhores sempre trataram os crimes do PT é vergonhosa. Eles sempre usaram a Igreja como máquina de propaganda do partido, sempre a mantiveram calada quando foi para proteger a sua cria, e, agora, querem usá-la mais uma vez para uma afronta que só beneficiaria o PT.

Por isso, a agitação panfletária da semana passada foi tão febril. Mesmo não conseguindo senão uma adesão minoritária, os bispos da esquerda não conseguiram se conter e soltaram para ninguém menos que a Folha de São Paulo o seu odioso panfleto.

Programada para ser publicada no dia 22, festa de Santa Maria Madalena, graças ao protesto de muitos bispos que não se quiseram acumpliciar, a tal “Carta ao Povo de Deus” foi adiada, adiada, até que… vazou!  Assim, ingenuamente, aproveitando a impossibilidade de que os bispos se reúnam fisicamente, já que a epidemia de coronavírus obteve o cancelamento da assembleia geral deste ano.

É interessante como, para as manifestações tradicionais, a CNBB precise manter a comunhão e os bispos devam conservar o consenso na mordaça, mas, para as manifestações de esquerda, os minoritários reivindiquem o direito de autonomia para se manifestar e publicar o seu protesto ideológico.

Nos bastidores, conjectura-se que o autor da carta tenha sido Dom Joaquim Mól, o qual aparece na matéria da Folha como um dos signatários. Se isso for verdade, como os bispos podem permanecer calados?

Eles votaram em quem para ser o Secretário Geral, em Dom Joel Portella ou em Dom Joaquim Mól?

Mól, de campanha vigorosa nas últimas duas eleições da CNBB, foi rejeitado em ambas pelo episcopado, graças também aos apelos feitos por este blog.

Como pode um bispo não eleito ter tanto poder assim? 

Outro articulador relevante do “manifesto” foi Dom Leonardo Ulrich Steiner, também defenestrado da presidência da CNBB na última eleição.

Ora, senhores bispos: a Assembléia Geral da CNBB, que elege e é a autoridade maior da entidade, é um simples jogo de cena?

Os senhores rejeitam dois prelados, mas deixam-se indiretamente ser guiados por eles?

Tomem postura! Falem! Façam algo!

É verdade que esse cenário contrasta com outra informação de bastidores, a de que o seu arcebispo, o presidente da CNBB, Dom Walmor Azevedo, teria se posicionado internamente contra a publicação. Mas, nesta altura do campeonato, isso é apenas um boato ou é realmente um teatro voluntário? Quem o pode saber?

Para além das conjecturas, um fato impõe-se como verdadeiro: Dom Walmor não teve a fibra moral de manter a Conferência Episcopal naquela propagada união de consenso e, agora, sob a sua presidência, a divisão que já era antiga fica escancarada. A tal “comunhão” foi quebrada. 

Há um grupo de agitadores que mantém a CNBB sob as suas rédeas e que agora se precipitou e causou escândalo. Apesar de uma grande parcela de bispos ter mandado notas de repúdio à presidência, a ala comunista avançou obstinada como um trem. Bom… Um mérito ela tem: para que serve uma Conferência Episcopal já que eles podem se lançar em iniciativas independentes e falar o que querem, aos quatro ventos, nos jornais? Justo esses que sempre usaram o nome da CNBB, agora, jogam a colegialidade do Vaticano II bem na lata do lixo!

Dane-se! Façamos profecia!

Seria esta uma oportunidade para os bons bispos do Brasil se posicionarem. O Brasil tem dimensões continentais… Para que ter uma Conferência Episcopal única? Não seria a hora de levar adiante o processo que já começaram na Amazônia, com a criação da tal Conferência Eclesial Amazônica – um organismo novo, desprovido de personalidade canônica e que ninguém sabe exatamente no que vai dar – e criar várias Conferências Episcopais no Brasil?

Que a CNBB era canhota todo mundo já sabia, mas, agora, realmente virou bagunça. Dividida, a CNBB virou um circo que perdeu a razão de existir. De partido político, virou uma piada política, e piada de mal gosto.

Uma pergunta fica: por que a matéria da Folha divulgou apenas alguns nomes dos 152 signatários, escondendo todos os demais? Será que alguém ali está com medo de ser exposto? Ora, o que mais interessa neste imbroglio é saber o nome de quem assinou: precisamos saber exatamente quem são e onde estão. 

Dom Walmor deveria pura e simplesmente renunciar! Ou, que tal — e os petistas tremem só de ouvir falar — um impeachment?

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