Archive for ‘Administração Apostólica’

14 fevereiro, 2013

As palavras emocionadas de Bertone ao Papa.

Zenit – Ao final da liturgia da Quarta-feira de Cinza, na Basílica de São Pedro, presidida por Bento XVI, o cardeal secretário de Estado Tarcisio Bertone dirigiu algumas palavras de agradecimento ao Santo Padre.

Beatíssimo Padre:

Com sentimentos de grande comoção e de profundo respeito não somente a Igreja, mas todo o mundo, soube da notícia de Sua decisão de renunciar ao ministério de Bispo de Roma, sucessor do Apóstolo Pedro.

Não seríamos sinceros, Santidade, se não lhe disséssemos que nesta tarde há um véu de tristeza sobre nosso coração. Nestes anos, o seu Magistério foi uma janela aberta sobre a Igreja e sobre o mundo, que fez penetrar os raios da verdade e do amor de Deus, para dar luz e calor ao nosso caminho, também e sobretudo, nos momentos em que as nuvens ficaram densas no céu.

Todos nós compreendemos que é exatamente o amor profundo que Vossa Santidade tem por  Deus e pela Igreja lhe impulsionou a esse ato, revelando aquela pureza de ânimo, aquela fé robusta e exigente, aquela força da humildade e da mansidão, junto à uma grande coragem, que caracterizaram cada passo de Sua vida e de Seu ministério, e que podem vir somente do estar com Deus, do estar à luz da Palavra de Deus, do subir continuamente a montanha do encontro com Ele e depois descer a Cidade dos homens.

Santo Padre, poucos dias atrás, com os seminaristas da sua diocese de Roma, o senhor nos deu uma lição especial, disse que sendo cristãos sabemos que o futuro é nosso, o futuro é de Deus, e que a árvore da Igreja cresce sempre de novo. A Igreja se renova sempre, renasce sempre. Servir a Igreja na firme consciência que não é nossa, mas de Deus, que não somos nós quem a construímos, mas é Ele; poder dizer-nos com verdade a palavra evangélica: “Somos servos inúteis. Fizemos o que deveríamos fazer” (Luc 17, 10), confiando totalmente no Senhor, é um grande ensinamento que o senhor, mesmo com esta sofrida decisão, dá não somente a nós, Pastores da Igreja, mas a todo o povo de Deus.

A Eucaristia é um render graças a Deus. Nesta tarde nós queremos agradecer o Senhor pelo caminho que toda a Igreja fez sob a direção de Vossa Santidade e queremos dizer-lhe do mais íntimo do nosso coração, com grande afeto, comoção e admiração: obrigado por ter-nos dado o luminoso exemplo de simples e humilde servo da vinha do Senhor, um trabalhador que soube realizar em cada momento aquilo que é mais importante: levar Deus aos homens e levar os homens a Deus. Obrigado!

18 maio, 2010

Fotos da Missa Pontifical de Dom Fernando Rifan em Brasília por ocasião do Congresso Eucarístico Nacional.

Fotos da Santa Missa Solene Pontifical celebrada por Dom Fernando Arêas Rifan, administrador apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, de Campos, Rio de Janeiro, por ocasião do XVI Congresso Eucarístico Nacional no último sábado, em 15 de maio de 2010. A Santa Missa contou com a assistência de oito bispos, além de vários padres.

Fonte: Missa Tridentina em Brasília (fotos: Salvem a Liturgia)

1 setembro, 2009

Réplica do Reverendíssimo Padre Jonas dos Santos Lisboa ao “Esclarecimento dos fiéis de Varre-Sai”.

Agradeço a FRATRES IN UNUM a publicação da minha réplica ao  Direito de resposta. Esclarecimento dos fiéis de Varre-Sai.

Num debate anterior em que foi abordado o MOTU PROPRIO ECCLESIAE UNITATEM de Bento XVI, depois de ver que as palavras do Papa são simplesmente menosprezadas, resolvi colocar um ponto final à minha participação naquele assunto. Se alguém que se diz católico contesta o que o Papa diz em documento oficial, não há como continuar a conversa. A partir daí, simplesmente nem sequer abri a página do blog, para não me indignar com tanta ousadia contra o soberano pontífice e tanta ignorância doutrinária.

Hoje, avisado por um leitor do blog, sou obrigado a voltar, em outra página, para que a verdade dos fatos seja esclarecida. Falei, sim, que houve invasão da FSSPX em capelas da ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA PESSOAL SÃO JOÃO MARIA VIANNEY (ADMINISTRAÇÃO) em Varre-Sai. E este fato não é só grave, é gravíssimo. Sustento o que disse e explico:

Faltou ao Sr. Adilson honestidade e seriedade nas informações por ele trazidas. Meias verdades fazem muitas vezes mais estrago que a simples mentira.

Quando relatei o fato da invasão, referi-me principalmente à capela de médio porte de uma localidade rural chamada Arraial Novo. Por que no direito de resposta o referido Sr. não faz alusão a esta capela? Foi lá que o legítimo pároco de Varre-Sai foi “destituído” por padre da FSSPX que sequer tem uso de ordens, nem lá e nem em lugar nenhum. Esta capela foi construída pelos padres da ADMINISTRAÇÂO com a ajuda do povo. Os padres que lá atendem, atualmente, são intrusos. Ou as palavras da ECCLESIAE UNITATEM não tem valor? Uma associação leiga, civil, que se diz católica não pode ignorar o que qualquer criança dos nossos catecismos é capaz de compreender. Quem nomeia e depõe um pároco é o bispo sagrado legitimamente e nomeado pelo Papa. Como católicos não podemos considerar apenas a construção física de um templo, mas a Igreja que ali está presente através de seus ministros. Há belos templos ortodoxos, com ricas liturgias, mas, de Igrejas cismáticas. Falta-lhes a autenticidade, legitimidade. Os verdadeiros pastores entram pela porta, os lobos travestidos de ovelhas entram pela janela, como os ladrões. Repito o que disse em outra página: sob o prisma da fé católica, a capela do Arraial Novo pertence à ADMINISTRAÇÃO.

Quem lê a carta dos “fiéis de Varre-Sai” fica impressionado. Dá-se a impressão que “os fiéis de Varre-Sai”, ou seja, todo o povo católico, estivesse contra a ADMINISTRAÇÃO. Pois saibam que são mais de dois mil inscritos na ADMINISTRAÇÂO em Varre-Sai, submissos ao pároco e ao Bispo (e estes que assinam a carta, são quantos?). Além da Matriz são 19 capelas atendidas pelos nossos zelosos padres. Elas todas têm uma vitalidade de causar inveja. Aqueles que explicitamente se dizem “PROPRITÁRIOS” das duas capelas de fazenda, em S. Fé e na Barra Funda, resolvem se “desinscrever” da ADMINISTRAÇÃO. Pertencem agora a que igreja particular? À FSSPX? Isso não pode, porque não ela tem “estatuto canônico” na Igreja. Eles se “desinscreveram” da Igreja Católica. Estes dois proprietários de terra conservam a propriedade das capelas, por isso eles podem expulsar quem eles quiserem de lá. Eles são os donos das paredes, pisos e telhados das capelas, mas não o são da organização paroquial que as regula, pois quando foi eregida a Paróquia Pessoal em Varre-Sai, estas capelas, incluindo a do Arraial Novo, foram incluídas nesta realidade da estrutura paroquial, conforme o Direito Canônico. Temos então um conflito: Direito Canônico X Direito Civil. Apelando ao direito civil, rasga-se o direito canônico. Mais uma vez me vem à mente Lutero rasgando a bula de excomunhão. Na prática, rasgam-se publicamente também o Motu Proprio do Papa e as leis canônicas. Vejam o perigo que se corre. Se um dia um “proprietário” de uma capela de fazenda resolvesse “virar” protestante ou macumbeiro, o pastor ou o pai-de-santo imediatamente ocuparia o lugar do padre. É o direito civil que o ampara. Assim, o “proprietário” pode pôr e depor o pároco. Pode depor o pároco legítimo e empossar um intruso, que seja ou de uma associação de padres não reconhecida pela Igreja ou de um mosteiro independente de beneditinos, cujo ministério é “ilegítimo”, para usar a mesma palavra do santo Padre o Papa, Bento XVI, gloriosamente reinante. Na verdade, o que vemos é um sedevacantismo prático, real, explícito. É o cisma consumado. Vivemos a guerrilha na sociedade civil dos sem-terra, dos sem-teto, etc, e na versão religiosa a dos sem-templos. Simplesmente se invade. O acontecido na Igreja de S. Nicolau de Chardonnet em Paris é o exemplo típico, paramétrico.

Quanto ao motivo alegado pelos senhores “PROPRIETÁRIOS” do “afastamento” do Pe. Élcio da paróquia também merece uma explicação. O Padre Élcio na ocasião escreveu carta a Dom Fernando, apresentando atestado médico, pedindo afastamento da paróquia por estar sem condições de geri-la. Foi nomeado então um administrador paroquial. Nesta circunstância ele só poderia voltar ao comando da paróquia depois que recebesse o “sinal verde” do Bispo, comprovando o restabelecimento da sua saúde que o tornasse apto ao ministério. Existem regras canônicas que não podem ser desprezadas. Alega-se qualquer motivo para retirar do Bispo e do pároco a jurisdição que a Igreja lhes deu. E quem tira esta jurisdição? São leigos metidos a teólogos, padres ou bispos que não estão em comunhão com a Igreja e “PROPRIETÁRIOS” de capelas de fazenda. É o fim do mundo. Imaginemos se no tempo de Dom Antonio os leigos resolvessem depor os párocos que celebravam a missa de Paulo VI, nomeados por ele? Esta atitude faz parte da crise da Igreja. Lembrem-se das palavras de Leão XIII: “A unidade de governo é tão importante quanto a unidade de fé”.

Termino recomendando a todos a leitura do MOTU PROPRIO ECCLESIAE UNITATEM, do Santo Padre o Papa, que tem jurisdição sobre toda a Igreja. Ou alguém também pretende depô-lo do trono pontifício, talvez porque ele só celebra a “Missa Nova”? Na verdade este poder papal também é usurpado. Alegando “estado de necessidade” que mais se parece com uma rosca-sem-fim, para os sedevacantistas práticos, a jurisdição também é universal. Leiam e releiam o MOTU PROPRIO ECCLESIAE UNITATEM, e depois me digam se eu não tenho razão. Rezo para que a FSSPX volte o quanto antes à plena comunhão com a Igreja.

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Nota da Redação: Considerando que tanto a Administração Apostólica como a Fraternidade São Pio X têm seus meios próprios (seus sites) para, se assim desejarem, estender a polêmica, informamos que com esta publicação se encerra o assunto no Fratres in Unum.

13 abril, 2009

Curtas da semana.

Missa Tridentina em Niterói.

A Forma Extraordinária do Rito Romano passará a ser celebrada na Igreja dos Sagrados Corações em Vila Pereira Carneiro – próximo ao Mercado de Peixes de Niterói, às 10h da manhã de domingo. Esta mudança vigorará a partir do domingo depois da Páscoa.

Cardeal Levada sobre a Fraternidade São Pio X: “diferenças potencialmente insuperáveis”.

Cardeal Levada“[…] O chefe doutrinal do Vaticano, Cardeal Levada, disse a TIME, que diferenças importantes e potencialmente insuperáveis, separam todavia o Vaticano e o grupo conhecido como Sociedade de São Pio X”. Secretum Meum Mihi lembra que enquanto arcebispo de São Francisco, o Cardeal Levada não considerou potencialmente insuperável a situação de padres da Associação Católica Patriótica  (a “igreja” estatal cismática da China) ao conceder-lhes faculdades para atuar em sua arquidiocese. Com o anúncio de que a comissão Ecclesia Dei será incorporada à Congregação para a Doutrina da Fé visando as discussões doutrinais consideradas necessárias tanto pela Fraternidade como pela Santa Sé, fica patente a necessidade de se substituir este Cardeal que desde sua nomeação é considerado um ‘Prefeito tampão’ enquanto não se encontra pessoa competente para tal.

A volta ao mundo com Padre Marcial Maciel.

Padre Marcial Maciel

De Sector Catolico: “Esta é a última imagem de Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo e do movimento de leigos Regnum Christi, que ontem mesmo dava a volta ao mundo. Foi tomada de AP e publicada na Espanha pelo diário El País, em sua edição dominical. Nela vemos Padre Maciel com chapéu panamenho. A fotografia teria sido tirada no México em data indeterminada e nela a batina dá lugar à camisa de listras azul e branca e a uma moderna jaqueta bege”.

Ovos de páscoa e paramentos.

Vaticano. (kreuz.net) O Papa Bento XVI enviou quinhentos ovos de chocolate para a região do terremoto na cidade de L’Aquila. Guardas do Vaticano levaram o presente para a paróquia San Francesco a Pettino de L’Aquila. Além disso, o Papa doou uma quantia de dinheiro considerável, bem como paramentos litúrgicos, cálices e patenas para as comunidades que perderam seus objetos litúrgicos.

Pe. Basilio Méramo expulso da Fraternidade São Pio X.

Radio Cristiandad informa que Mons. Bernard Fellay assinou a expulsão do Pe. Basilio Méramo da Fraternidade São Pio X. Tal expulsão já teria sido comunicada ao superior do distrito do México, Pe. Mario Trejo. Pe. Méramo ficou conhecido por sua postura crítica com relação ao Motu Proprio Summorum Pontificum e hoje faz coro com alguns poucos sacerdotes da Fraternidade que, pela internet (mas  nunca neste blog), de maneira absolutamente subversiva desafiam seus legítimos superiores e difundem seus manifestos contra uma suposta traição à obra de Mons. Lefebvre. Inelutavelmente farão coro, logo logo, com os sedevacantistas.

A Fraternidade Sacerdotal de São Pio X continua rezando pela conversão dos judeus.

Padre Franz Schmidberger e o PapaEm contraposição ao slogan do Comitê Central dos Católicos na Alemanha: “Não à catequese aos judeus, sim ao diálogo entre judeus e cristãos”, Padre Franz Schmidberger, Superior Distrital da FSSPX na Alemanha, anunciou que os padres da Fraternidade Sacerdotal São Pio X continuariam fazendo as orações de intercessão próprias da liturgia de Sexta-Feira Santa, incluindo as preces pelo povo judeu. Segundo o religioso, essas orações pertencem à Tradição imemorial da Igreja. Em sua redação atual elas remontariam à segunda metade do século IV. Pe. Schmidberger acrescentou que a Fraternidade gostaria de enfatizar que essas orações não querem provocar muito menos de alguma maneira ferir os sentimentos religiosos dos não católicos. “A oração pelos judeus faz parte de uma longa intercessão, em cuja primeira parte a Igreja reza por si mesma, por todos os seus membros, e também por pessoas de outras religiões”.Segundo, Pe. Schmidberger, “justamente para o povo judeu, o passo de Fé para Jesus de Nazaré pode ser mais fácil, uma vez que esse Messias é ele próprio judeu e descendente do povo judeu, nas palavras de São Paulo”. Ao final de sua declaração, Pe. Schmidberger faz uma reflexão sobre as 15 benções do le Schabbat, nas quais os judeus dizem: “Senhor, eu vos agradeço por ser judeu e não um pagão. Eu vos agradeço por ser um homem e não uma mulher”. “Quem quis ler a partir daí uma depreciação dos não judeus – os assim chamados Goyim?” “Quem quis enxergar uma discriminação das mulheres nessas palavras?”, indaga o religioso.

Nova cruzada de Rosários?

Circulam boatos de que uma nova cruzada de rosários a ser iniciada pela Fraternidade São Pio X terá como intenções a Consagração da Rússia e o aumento da devoção ao Imaculado Coração de Maria.

Eles não cansam.

A Folha de São Paulo publicou uma notícia acusando a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney de anti-semitismo. Motivo? Encontraram a antiga oração para os judeus em um livreto sobre a Liturgia da Semana Santa utilizado atualmente pela Administração. Só esqueceram de notar que a edição é de 2005, anterior, portanto, à mudança efetuada pelo Papa Bento XVI em 4 de fevereiro de 2008. [Errata – 13 de abril de 2009, às 17:40: Nosso leitor Augusto Romulo informa que sim, a Folha de São Paulo sabia que o livro era anterior à nova oração em vigor a partir de 2008].

Tensão Obama-Vaticano.

Impasse sobre a nomeação do novo embaixador americano na Santa Sé. A substituir Mary Ann Glendon, nomeada por G.W. Bush e muito próxima às posições do Papa Bento XVI, Barack Obama pretende nomear algum companheiro democrata que o apoiou em sua campanha. A Santa Sé exige um democrata católico que não seja “pro choice”. Sonhar não custa nada.

Fernando Lugo, bispo, pai e presidente.

O antigo bispo de San Pedro, Paraguai, que abandonou seu ministério e hoje é o atual presidente daquele país, foi processado no último dia 8 acusado de ter tido um filho enquanto ainda era bispo. [Atualização, 13 de abril de 2009 às 16:01: Fernando Lugo assumiu a paternidade]

17 fevereiro, 2009

Carta de fiel de Campos – RJ.

Salve Maria!

Escrevo-lhes esse e-mail pois venho acompanhando sua homepage e, como sou de Campos, trago notícias da realidade daqui.

É triste ver o bispo Rifan defender o que sempre condenou. Antes dizia: “Eu sou católico apostólico romano. E é exatamente para ser católico autêntico que eu conservo a mesma doutrina, a mesma orientação, a mesma moral, a mesma missa que a Igreja conservou e ensinou. E é por isso que combatemos os erros que, infelizmente, se instalaram nos meios católicos, nas Igrejas, patrocinados pelas próprias autoridades. É para sermos fiéis à Igreja, para sermos católicos legítimos, não apenas de nome, que nós combatemos essa profanação da Igreja, essa protestantização da liturgia com a Missa nova (…). A conseqüência é que os católicos estão perdendo a Fé. (…) Mas é questão de Fé, não é rebeldia nossa, é questão de fidelidade à autêntica doutrina católica“.

Agora declara mídia afora que preserva a Liturgia Tradicional não “porque é contra o Concílio Vaticano II e não porque é contra a ortodoxia da Missa Nova“… já não é mais questão de Fé… é por apego, puro gosto.

Desde o decreto de 21 de Janeiro nada se falou nas Igrejas da Administração Apostólica sobre o assunto. Escrevi ao bispo esperando respostas, mas, como sempre, o mesmo tenta justificar-se. Inclusive diz que não quer mais responder e-mails meus.

Agora, o bispo Dom Fernando Arêas Rifan ordenou que todos os padres da Administração Apostólica leiam pra os fiéis durante o sermão de 15 de fevereiro de 2009 dois documentos.

O primeiro é a carta que sua Excelência Reverendíssima escreveu em 30 de janeiro do corrente ano aos bispos da Fraternidade São Pio X.

Outdoor colocado em Campos por fiéis. Clique para ampliar.

Outdoor colocado em Campos. Clique para ampliar.

O trecho ordenado para leitura mostra apenas a “introdução” da carta, que não é lida por completo. Assim, omite-se a opinião de Dom Rifan que diz que a Fraternidade defende doutrinas heréticas.

O segundo documento é da Congregação para os Bispos no qual fala-se que a Fraternidade apenas conseguiu o levantamento da excomunhão, estando ainda sem nenhuma função na Igreja e que só estará em plena comunhão após aceitar o Concílio Vaticano II. Ainda expõe que a opinião de D. Williamsom sobre o Holocausto é inaceitável e que o Papa não sabia desse seu ponto de vista quando retirou as excomunhões. Termina-se aí o pronunciamento a respeito dos acontecimentos.

Pois bem, após 25 dias do Santo Padre, através da Congregação para os Bispos, retirar e tornar sem efeitos jurídicos o decreto publicado em 1988 em que eram lançadas as excomunhões, o bispo Dom Rifan resolve se pronunciar aos fiéis da Administração Apostólica.

Por que esse silêncio de quase 1 mês?

Por que toda uma articulação agora nesse pronunciamento?

Só foi lida a parte da carta em que Sua Excelência Reverendíssima diz estar feliz pelo acontecido. Em seguida tem a preocupação de mostrar que a Fraternidade não está ainda em “plena comunhão com a Igreja”. E logo depois, fala-se sobre a declaração de Dom Williamson (que inclusive já escreveu uma belíssima carta desculpando-se ao Sumo Pontífice).

Os modernistas estão furiosos após a anulação das excomunhões. Querem de todo modo que Roma volte atrás. No entender do Superior da Fraternidade, se trata de uma “vingança para obrigar Roma a voltar atrás” e “desmantelar” a Fraternidade. “Mal se liberta de um rótulo e nos colam outro, muito mais grave”, lamentou.

Ora, talvez esse silêncio em relação aos acontecimentos tenha sido devido ao fato da Fraternidade ter conseguido esse feito sem a necessidade de acordos. Talvez esse silêncio deve-se ao fato da Fraternidade não ter traído a causa pela qual Dom Antônio e Dom Lefebvre sempre lutaram (a sã Doutrina Tradicional).

A Fraternidade conseguiu que as duas primícias fossem atendidas por Roma: liberação da missa de sempre (inclusive a declaração de que a mesma nunca foi abrrogada) e anulação das excomunhões de 1988. Agora dar-se-á início às conversações propriamente ditas.

Além de atender às duas condições, o Papa Bento XVI ainda deseja iniciar as conversações a respeito do Vaticano II e da Missa Nova o mais “rapidamente” possível.

Assim, o que a Fraternidade quer não é aceitar e reconhecer os erros advindos do Concílio Vaticano II, mas sim iniciar conversações com Roma.

Nós estamos felizes que o Decreto de 21 de Janeiro encare como “necessárias” as conversações com a Santa Sé, conversações que permitirão a Fraternidade Sacerdotal São Pio X expor as razões doutrinárias de fundo que ela considera estarem na origem das dificuldades atuais da Igreja“. (Dom Bernard Fellay, Comunicado de 24 de Janeiro de 2009, in Dici).

Apesar de sabermos que a excomunhão sempre foi contestável e sem razão de ser, alegremo-nos em memória de D. Lefebvre e D. Antônio que lutaram em suas vidas pela sã Doutrina Tradicional e tanto foram injuriados e acusados de excomungados. Alegremo-nos, pois a FSSPX conseguiu esse feito sem a necessidade de acordos que, como assistimos agora em Campos, fazem pessoas perderem a fé e a viverem pacificamente o erro, não mais condenando os erros modernistas. Alegremo-nos, pois, como já manifestado pelo Santo Padre, o Papa, agora poderão iniciar-se as conversações que levarão à condenação de todos os erros advindos do Concílio Vaticano II e que acarretaram a crise que assistimos na Igreja,

Obrigado Mons. Lefebvre e Dom Antônio, que pregaram a palavra e insistiram: “quer agrade, quer desagrade”! Que Nosso Senhor Jesus Cristo mantenha viva em nossos corações a Fé ensinada por Ele e defendida por vós enquanto fiéis servos de Deus!

In Iesu et Maria.

Laura P. F. Ramos

5 outubro, 2008

Missa no Mosteiro de São Bento – Fratres in Unum entrevista Padre Jonas dos Santos Lisboa, da Administração Apostólica.

Apresentamos a nossos leitores uma entrevista que nos foi concedida pelo Reverendíssimo Padre Jonas dos Santos Lisboa, da Administração Apostólica São João Maria Vianney, por ocasição da celebração da primeira missa tradicional a cargo da Administração Apostólica no Mosteiro de São Bento, em São Paulo; missa que ocorrerá todos os domingos, às 18:30.

Fratres in Unum: Reverendíssimo Pe. Jonas, obrigado pela gentileza em nos atender. Primeiramente, fale ao público paulistano sobre o senhor. O senhor é de onde, fez seus estudos em que seminário e foi ordenado quando?

Pe. Jonas: Sou natural de Ribeira, SP. Aos 12 anos, no ano de 1964, ingressei no seminário menor da diocese de Campos. Em Campos também fiz meu seminário maior. Fui ordenado sacerdote por S. Ex.a Rev.ma Dom Antônio de Castro Mayer na catedral diocesana de Campos aos 12 de setembro de 1976. Fui nomeado vigário paroquial na mesma cidade de Campos logo após a ordenação. Em 1980 fui nomeado pároco de S. Fidélis, e confirmado no cargo após a nossa regularização canônica através da Administração Apostólica, cargo que exerço até o presente momento.

Fratres in Unum: Os paulistanos conhecem bem Dom Antonio de Castro Mayer, já que ele foi professor do seminário de São Paulo e vigário geral da Arquidiocese antes de ser nomeado bispo de Campos. Quais ensinamentos de Dom Antonio são mais necessários aos católicos hoje?

Pe. Jonas: Dom Antônio, de notoriedade reconhecida, teólogo renomado, se destacou pela retidão de caráter, pelo amor à Santa Igreja,  pela segurança doutrinária. Escreveu inúmeras cartas pastorais, cujas publicações ultrapassaram as fronteiras da diocese e até do país, dado o interesse que despertavam. Soube governar a diocese com sabedoria e prudência. Nós, sacerdotes por ele formados, aprendemos dele  a  submissão ao magistério da Igreja. Mesmo se atendo à liturgia tridentina, administrava a diocese respeitando a opção que vários sacerdotes fizeram pelo uso do Missal de 1969. Participou e assinou todos os documentos do Concílio Vaticano II, escrevendo importante carta pastoral sobre a aplicação dos documentos deste concílio, dando-lhe a verdadeira interpretação conforme a tradição da Igreja e não a dos modernistas.  Denunciou abusos e como pastor atento, alertava contra os perigos modernistas que solapavam a fé e os bons costumes. Não podemos esquecer a lição que nos legou de uma devoção filial e profunda a Nossa Senhora.

Fratres in Unum: Conte-nos um pouco a história da Administração Apostólica.

Primeira missa após a entrada em vigor de Summorum Pontificum - 16 de setembro de 2007

Missa na entrada em vigor de Summorum Pontificum - 16 de setembro de 2007

Pe. Jonas: Com a saída de Dom Antônio da diocese, instalou-se infelizmente uma crise, em que um grupo de sacerdotes teve que deixar suas paróquias. Formou-se uma sociedade sacerdotal intitulada União Sacerdotal S. João Maria Vianney. Este sacerdotes davam atendimento a uma grande parcela do povo católico afeito à liturgia e à disciplina tradicionais. Lamentavelmente a situação era anômala. Por isso rezávamos para que esta situação tivesse uma solução que não fosse demorada. A resposta a estas orações veio em forma de convite que S. Santidade o Papa João Paulo II fez a  Dom Licínio Rangel, superior da União Sacerdotal, para que  fosse conversar com os dicastérios romanos competentes. Já bem adoentado, Dom Licínio nomeou o então sacerdote, hoje Dom Fernando Arêas Rifan, como seu representante, o qual, seguindo as instruções do seu superior conduziu as conversações com Roma de modo tão brilhante que a S. Sé não demorou em erigir a União Sacerdotal em Administração Apostólica, uma espécie de Diocese pessoal, conservando o nome de São João Maria Vianney, concedendo-nos generosamente a celebração da Missa no rito tridentino segundo o missal de 1962, bem como o uso do breviário, ritual dos sacramentos  segundo a reforma realizada por João XXIII. A Santa Sé autorizou um seminário próprio para a Administração e um bispo coadjutor com direito à sucessão. Este bispo é Dom Fernando A. Rifan sagrado especialmente por um enviado do Papa, o Cardeal Castrillon. D. Rifan então sucedeu a Dom Licínio que veio a falecer logo em seguida. Hoje ele é o Administrador Apostólico, que com competência e muita sabedoria conduz  os sacerdotes e fiéis que usufruem das riquezas da liturgia tradicional em consonância com a autoridade máxima da Igreja, o S. Padre o papa.

Fratres in Unum: Muito se fala nos meios “tradicionalistas” que a Administração Apostólica teria atenuado seu ardor na defesa da doutrina e da liturgia tradicional. Como o senhor responde a essas críticas?

Pe. Jonas: A Administração Apostólica se pauta pelo Magistério da Igreja e suas orientações. Pelos frutos se conhece a árvore. Através da Administração Apostólica, mais do que nunca no Brasil a liturgia tradicional está sendo conhecida e amada. Atualmente, além de todas as Igrejas e Paróquias da Administração Apostólica, damos, através dos nossos padres, assistência com a Missa tradicional a mais dez dioceses. E há mais quase uma dezena de outras dioceses que já têm a Missa tradicional por influência da Administração Apostólica, celebrada por padres que aqui vieram aprender a celebra-la. Dom Fernando Rifan, bem como seus padres, não estão preocupados com críticas infundadas. Estamos preocupados sim em estarmos unidos a Pedro, a quem Jesus concedeu o poder de governar, ensinar e santificar as almas, que goza de uma assistência especial do Divino Espírito Santo e a quem foi concedido o primado com o dom da infalibilidade. O importante é estar “cum Petro et sub Petro”. Alguns, e isso não é novidade na história da Igreja, se arvoram em árbitros da ortodoxia e lançam suspeitas sobre tudo o que vem da hierarquia instituída por Nosso Senhor. Dom Fernando escreveu uma instrução Pastoral sobre o “Magistério Vivo da Igreja” em que explica claramente a correta posição católica hoje dos fiéis ligados à liturgia tradicional e refuta magistralmente, através de documentos do Magistério vivo da Igreja, as acusações infundadas destes “teólogos” free-lancers. A Administração Apostólica pessoal S. João Maria Vianney não se preocupa com estas críticas, que aliás são contra o Magistério da Igreja, e vai acolher a todos com muita caridade. É oportuno  lembrar o que disse Leão XIII, que a unidade de governo é tão importante quanto à unidade da fé. Bem como é oportuno lembrar as palavras de São Paulo, provavelmente também vítima de críticas, palavras que o nosso administrador apostólico certamente faz suas: ” Quanto a mim pouco me importa ser julgado por vós… O Senhor é quem me julga.”(1 Cor. 4,3 e 4).

Fratres in Unum: A missa no Mosteiro de São Bento em São Paulo é um marco importantíssimo para a aplicação do motu proprio Summorum Pontificum no Brasil. Como o senhor analisa este primeiro ano do documento e sua aplicação em nossas dioceses?

Pe. Jonas: O Papa João Paulo II já pedia que os bispos fossem generosos em conceder o indulto em suas dioceses a sacerdotes que preferissem a celebração no rito antigo. O Papa Bento XVI ampliou a concessão a todos os sacerdotes do mundo inteiro através deste documento citado na pergunta. Felizmente no mundo inteiro várias dioceses facilitaram a execução das ordens do Papa, contidas neste documento, erigindo inclusive paróquias pessoais em muitos lugares, seguindo aliás o exemplo do Santo Padre que reservou uma igreja em Roma, criando ali uma paróquia pessoal para a forma extraordinária do rito romano. O papa tem se referido inúmeras vezes ao Motu Proprio, reconhecendo os benefícios dele decorrentes. A última vez que o fez foi numa entrevista aos jornalistas em sua  viagem a Lourdes, no mês passado. Infelizmente ainda há por parte de alguns,  resistência na aplicação do Motu Proprio. Isto não impede que muitos sacerdotes aprendam a missa tradicional em vários pontos do país e do mundo. São vários os lugares em que nós sacerdotes da Administração Apostólica atendemos com a anuência dos bispos locais, inclusive em São Paulo, onde o Cardeal D. Cláudio Hummes, e agora seu sucessor, S. Em. o Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, cederam horários na Igreja de S. Luzia, bem no centro da cidade para esta finalidade. Dom Odilo também pediu ao Abade do Mosteiro de S. Bento, também aqui em São Paulo, que ali houvesse também a Missa na forma extraordinária do Rito Romano. E Dom Abade agora  pediu a Dom Rifan um sacerdote para a celebração da Santa Missa aos domingos, no horário das 19 horas.

Fratres in Unum: Por fim, Padre, o que o senhor espera desse novo passo no apostolado da Administração Apostólica fora de Campos?

Pe. Jonas: Agradeço em nome da Administração  Apostólica S. João Maria Vianney ao Senhor Abade do Mosteiro de S. Bento da cidade de S. Paulo por esta deferência e confiança, e temos certeza que os bons resultados logo vão aparecer. São muitos os fiéis que vão poder assistir aos Santos Mistérios na forma extraordinária, com tranqüilidade de consciência, recorrendo a sacerdotes que estão em plena comunhão com a Igreja. O perigo do cisma existe infelizmente para os  que recorrem àqueles que exercem o ministério sem as credenciais e as bênçãos da hierarquia da Igreja universal e particular. Esta Santa Missa é aberta a todos e todos serão bem acolhidos.  Agradeço também a oportunidade que  FRATRES IN UNUM me deu para apresentar a Administração Apostólica e a divulgação da Santa Missa aos seus leitores.

27 setembro, 2008

5 de outubro: 1ª Missa da Administração Apostólica no Mosteiro de São Bento, em São Paulo.

Como havíamos noticiado, a Administração Apostólica São João Maria Vianney ficará encarregada pela celebração da Santa Missa Gregoriana no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. E a 1ª Missa será celebrada no domingo, dia 5 de outubro, às 19 horas.

22 setembro, 2008

Abbé Aulagnier: “Não é no momento em que o direito ao uso da missa ‘tridentina’ finalmente é legalmente reconhecido que vou celebrar a nova missa”.

Publicamos alguns excertos da entrevista concedida pelo Padre Paul Aulagnier a Yves Chiron. Como este último apresenta, “O Abbé Paul Aulagnier foi o primeiro padre francês ordenado por Mons. Lefebvre. Esteve durante três anos como professor e subdiretor no seminário de Ecône. Seguidamente, de 1976 a 1994, foi superior do Distrito da França da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Durante estes dezoito anos fundou um número considerável de priorados, capelas e escolas, uma revista e uma editora. Durante este período, e até em 2002, foi Assistente Geral da FSSPX. Quando os tradicionalistas brasileiros em torno de Mons. [Licínio] Rangel reconciliaram-se com a Santa Sé e obtiveram, pelo Acordo de Campos (2002), a criação de uma Administração Apostólica Pessoal, o Abbé Aulagnier pensou que a FSSPX devia seguir a mesmo caminho. A FSSPX, nas suas instâncias dirigentes, – e permanece – era contrária a um acordo com Roma. O Abbé Aulagnier, por conseguinte, foi excluído da FSSPX”.

A íntegra pode ser lida aqui.

Mons. Lefebvre, de fato, sempre pediu, de uma maneira intuitiva, às autoridades romanas: “Deixem-nos fazer a experiência da Tradição”. Após o Concílio do Vaticano II, todas as experiências são autorizadas, toleradas pela hierarquia, tanto em matéria litúrgica, como em matéria pastoral, tanto no domínio do ensino catequético como no domínio social e político… o sucesso destas experiências está longe de ser convincente. As igrejas se esvaziam. Os seminaristas deixam os seminários, os que ficam abandonam os seus atributos, estão à procura de novidades. É necessário rejeitar todas as “tradições”. Conheci isso no Seminário francês de Roma… nos anos 1964-1968. Nessa situação completamente revolucionária, Mons. Lefebvre, a pedido de alguns jovens estudantes e sobretudo preocupado ele mesmo pela crise sacerdotal, organiza, a partir de 1969, um seminário em Fribourg e depois em Ecône, em Valais, na Suíça. É, então, imediatamente, – se pode ver a mão da Providência -, um franco sucesso… à escala mundial. As vocações vêm de todos os continentes. Lá, o sacerdócio é amado. A santa liturgia antiga também. Quer-se apenas ela! Casas são criadas, escolas católicas se abrem. Também por causa desse sucesso Mons. Lefebvre lança às autoridades da Igreja: “Deixem-nos, por conseguinte, fazer a experiência da Tradição. Concedam-nos a liturgia antiga da Igreja”. Pelo momento, está fora de cogitação. Procura-se antes suprimi-la indevidamente. Particularmente empregaram-se os seus ex-confrades do seminário francês, nos idos 1925, como o cardeal Garonne, o cardeal Villot (ninguém menos que Secretário de Estado), para citar apenas os conhecidos. E quando Mons. Lefebvre, nessa época, pede “deixem-nos fazer a experiência da Tradição”, está nessa atmosfera muito conflituosa. Roma não pretende de modo algum deixar fazer esta experiência no âmbito jurídico preciso de uma obra sacerdotal, a FSSPX. Não! Roma quer suprimir o que aparece como um obstáculo ao “aggiornamento conciliare”. Mas o tempo passa, os homens também. A revolução conciliar mostra cada dia mais o seu fracasso… Roma começa a pôr um olhar novo sobre o problema da reforma litúrgica, sobre o problema da missa. Estamos em 1988, exatamente após sagrações feitas por Mons. Lefebvre sem a autorização romana. Esta abolição da missa dita de São Pio V, razão essencial do combate de Mons. Lefebvre, retém enfim a inteligência dos prelados. O Cardeal Ratzinger, apoiado pelo Cardeal Stickler, hoje falecido, mostra, em várias obras, que essa proibição é injusta, anti-canônica, que é necessário fazer justiça ao pedido dos “tradicionalistas”. Ao mesmo tempo, as obras sacerdotais dessa “corrente tradicionalista” ficam mais estáveis, mais fortes. Pode-se então pretender dar-lhes uma estrutura jurídica no seio da Igreja fazendo justiça ao seu legítimo pedido em matéria litúrgica.

Chega o ano jubilar. Estamos no ano 2000. Roma, a esta ocasião, retoma contato com os Padres de Campos, do Brasil, [e] com os bispos da FSSPX. Estes não continuarão, infelizmente. Mas a união dos corações e das inteligências pôde ser feita com os Padres de Campos, e sobre a liturgia e a interpretação do Concílio. Roma concede-lhes uma forma canônica que considero como formidável. Dá-lhes toda liberdade em matéria de governo, apostolado e liturgia, pela concessão de uma Administração Apostólica. Dentro dessa Administração, todos os padres podem fazer realmente “a experiência da Tradição”, como Mons. Castro Mayer desejava.

Mas você pode ver a diferença entre o pedido de Mons. Lefebvre em 1969 e a resposta de Roma em 2002, data da reconciliação dos Padres de Campos com Roma. Essa experiência se faz num quadro legal, numa situação apaziguada. E é assim que todas as comunidades “tradicionalistas”, a FSSP, o Instituto Cristo Rei, a comunidade de Chemeré-le-Roi, o mosteiro de Dom Gérard… obtêm, em tempos históricos diferentes e de maneira diferente, um estatuto canônico e o direito legítimo ao uso de todos os sacramentos na sua forma antiga. “Deixem-nos fazer a experiência da Tradição”, “o slogan” de Mons. Lefebvre, ontem, torna-se muitíssimo uma realidade. Foi necessário  esperar quase quarenta anos para obter isso. Graças à determinação de Mons. Lefebvre. Será efetivamente necessário que esteja um dia sobre os altares… é também o que obteve, em 2006, o Instituto Bom Pasteur: o uso exclusivo da missa tridentina… a nós também é dado esta liberdade… ainda que a nossa liberdade de ação seja bem menor que a dos Padres de Campos na sua Administração Apostólica. Porque uma é Administração Apostólica, o outro um simples Instituto de Direito Pontifício. As nossas implantações – mas não o nosso direito à liturgia “antiga”, a nuance é capital – são dependentes da autoridade do ordinário do lugar, o bispo, enquanto que é suficiente à autoridade de uma Administração Apostólica que avise o bispo residente de uma nova criação ou fundação… vocês podem medir a diferença. É o que se chama de isenção. Para mim, esta estrutura é essencial ao regresso da ordem eclesial. Poucos bispos pensam assim… Mas é nessa única condição que a expressão de Mons. Lefebvre “deixem-nos fazer a experiência da Tradição” tomará todo seu valor e o seu alcance. Aí está o que Mons. Fellay deveria pedir em Roma. É bem mais importante que de querer debater sobre a doutrina, como parece sempre querê-lo. Numa “guerra”, ocupar o terreno é mais importante que “palavrear”. Não crê que a reforma de Cluny triunfou graças à isenção dos monges no que diz respeito aos bispos residentes? Você que é historiador, poderia, penso, confirmá-lo. E então, como que para coroar esses trinta e seis anos de combate e conflito litúrgico, Bento VI publica, em 7 de Julho de 2007, o Motu Proprio Summorum Pontificum que reconhece o direito e a legitimidade da celebração do rito tridentino na Igreja, para todos os padres, sem outra autorização específica a pedir. Dá a paz à Igreja em matéria litúrgica e pede aos bispos: “deixem, portanto, fazer a experiência da Tradição” mesmo para os vossos padres diocesanos. Será necessário certamente tempo a fim de que as coisas façam-se assim, mas o princípio está afirmado. É o essencial. O resto é acidental. Espero com muita impaciência o dia em que o próprio Bento XVI, em Roma, “ad caput”, celebrará essa missa nesse rito. Isso virá bem.

[…]

Em matéria litúrgica, continuo a ser, com efeito, sempre unido à posição de Mons. Lefebvre e a posição do cardeal Ottaviani expressa na sua carta de apresentação a Paulo VI do Breve Exame Crítico: “Sempre os sujeitos, para o bem dos quais é feita a lei, tiveram o direito e mais que o direito, o dever, se a lei revela-se pelo contrário nociva, de pedir ao legislador, com uma confiança filial, a sua ab-rogação. É por isso que suplicamos urgentemente a Vossa Santidade não permitir que – num momento em que a pureza da fé e a unidade da Igreja sofrem tão cruéis lacerações e os perigos sempre maiores que encontram cada dia um eco afligido nas palavras do Pai comum – nos seja retirada a possibilidade de continuar a recorrer ao integral e fecundo Missal Romano de São Pio V, tão louvado por Vossa Santidade e profundamente venerado e amado por todo o mundo católico”. Não é no momento em que o direito ao uso da missa “tridentina” finalmente é legalmente reconhecido que vou celebrar a nova missa. Continua a ser, para mim, sempre equívoca. Favorece sempre a heresia protestante. Enquanto for celebrada “tal como é” na Igreja, é inútil esperar uma restauração do sacerdócio, é inútil esperar, apesar todos os apelos, as orações, um regresso da juventude nos seminários. Para subir ao “altar de Deus” é necessário um ideal forte, é necessário uma compreensão do verdadeiro sacerdócio católico. É necessário que seja recordada a distinção essencial entre o sacerdócio dos fiéis e o sacerdócio hierárquico. Ora, o rito novo, este rito “moderno”, para falar como Mons. Gamber, – expressão que eu preferiria encontrar no § 1 do Motu Proprio de Bento XVI – mantém sempre a confusão do sacerdócio dos fiéis com o sacerdócio ministerial. É necessário uma real confissão da Santa Eucaristia, o santo sacrifício propiciatório da Cruz, renovado sobre o altar. Este sacrifício, sua atualidade, é a razão do padre. É por isso que se faz necessário proceder a “reforma da reforma”. Essa é idéia de Bento XVI. Falou muito freqüentemente enquanto era ainda cardeal. Rezo de modo que a Providência lhe dê tempo de levar ao fim essa obra.

19 setembro, 2008

Entrevista com Padre Navas (parte II): A restauração da liturgia prepara o caminho para a restauração da Tradição.

Fratres in Unum: Qual o papel dos institutos dedicados ao rito gregoriano neste período de restauração da liturgia pelo Papa Bento XVI?

Padre Navas: Servir a Deus e às almas através de sua fidelidade à vontade do Santo Padre, manifestada tanto no Motu Proprio como na expressão dos diversos carismas que estão na origem de cada uma destas comunidades, afirmados com a aprovação de seus estatutos por parte de Roma.
Se pode dizer que são a ponta de lança nas mãos do Santo Padre para incentivar e colaborar com os bispos, na ótica da hermenêutica da continuidade, a colocar em prática os diversos decretos originados da Santa Sé com relação a este tema.

Ademais, estes novos Institutos são vistos como uma ajuda valiosa para remediar a hemorragia de vocações e para, na medida do possível, conter a ‘apostasia silenciosa’ de que nos falava o Papa João Paulo II.

Permita-me adicionar uma hipótese: o que você denomina justamente ‘restauração da liturgia‘, atualmente muitos não a identificam como a restauração (desejada ou não) da Tradição; mas, se é que se deve dar algum dia tal restauração, ela, a ‘restauração da liturgia‘, certamente é o fundamento que lhe prepara o caminho necessário; Talvez seja esta a origem remota de tantas dificuldades, ao simples olhar incompreensíveis, que se apresentam, na prática, para os ‘institutos dedicados ao rito gregoriano neste período de restauração da liturgia pelo Papa Bento XVI‘. Deus verá.

Fratres in Unum: Em que consiste precisamente a missão de criticar de maneira construtiva o Concílio Vaticano II? O objeto de críticas são os textos do Concílio ou apenas o seu ‘espírito’?

Padre Navas: Este aspecto da missão encarregada ao IBP também poderia  servir a tergiversações, visando querer impedir a existência do Instituto… apresentando-o como se ele pretendesse criar nas dioceses uma instância de controvérsia pública que poderia escandalizar a mais de um. A realidade é bem diferente: se trata mais, a outro nível, de orientar o debate que já existe, em direção a uma instância de reflexão teológica séria sobre alguns textos, cujas interpretações se tem usado para favorecer uma visão de ruptura e de descontinuidade com a Tradição doutrinária própria da Igreja que a teologia clássica e o Papa condenam, seja como a chamada ‘nova teologia‘ (cfr. Humani Generis de Pio XII) ou como o chamado espírito do Concílio (cfr. Alocução do Papa Bento XVI à Cúria Romana no Natal de 2005). Os textos que no dizer do Papa tem criado dificuldades à ‘recepção autêntica do Concílio‘ e suas possíveis interpretações se devem analisar entre teólogos, evitando todo espírito de polêmica pública de maneira que finalmente determine o sentido verdadeiro dos mesmos por parte do único que tem autoridade para fazê-lo: o Papa. Esta missão é uma ajuda e um serviço à Unidade da Igreja pedido pelo Papa e viria a ser como uma extensão do que por outra parte é dado e garantido aos simples fiéis pelo próprio Código de Direito Canônico (cfr. canon 212 nº 3)… e com maior razão se trata de sacerdotes e teólogos inteirados no tema. Desta maneira, o Santo Padre busca desativar uma das fontes de conflito que tem afetado nas últimas décadas, queira ou não, a normal convivência eclesiástica.

Cardeal Ratzinger e bispos do Chile - 13 de julho de 1988

Cardeal Ratzinger e bispos do Chile, julho de 1988

Trata-se, portanto, da forma e do fundo: a forma, abrindo uma instância a nível teológico, evitando todo espírito de polêmica; e do fundo, reconhecendo a Suprema instância, garantia da Verdade, na autoridade magisterial de Pedro, que sempre é o mesmo. Recordemos, sobre este tema do Concílio, o discurso do Cardeal Ratzinger aos bispos do Chile, em 13 de julho de 1988: “A verdade é que o mesmo Concílio não definiu nenhum dogma e, de modo consciente, desejou expressar-se num nível mais modesto, meramente como Concílio Pastoral…“.

Dito isso, permita-me concluir com uma citação a respeito deste ponto do Padre Guillaume de Tanoüarn: ‘temos recebido o direito (e o dever) de expressar uma ‘crítica construtiva do Vaticano II’ e das reformas que saíram em conseqüência, dentre as quais, a reforma litúrgica. Não temos ocultado nunca que temos críticas respeitosas que enunciar quanto à teologia da nova forma do rito, as mesmas que formularam em seu tempo os Cardeais Ottaviani e Bacci, em seu Breve Exame Crítico. Certamente que através da encíclica Ecclesia de Eucharistia, como também no documento Redemptionis Sacramentum, o magistério empreende uma reavaliação de largo alcance da obra litúrgica do Vaticano II. Pensamos que nossa própria ‘crítica construtiva’ se inscreve neste grande movimento eclesial. A apresentamos com humildade, mas também com um grande desejo de verdade. Se é certo que a barca de Pedro faz água por todas as partes, não poderá endireitar-se senão na medida em que encontrar a estrela polar de sua Tradição‘.

Fratres in Unum: Como é o relacionamento do IBP com os institutos tradicionais presentes na América Latina, especialmente a Fraternidade São Pedro e a Administração Apostólica São João Maria Vianney?


Padre Navas
: O único contato que tive foi com um representante da Fraternidade de São Pedro que encontrei em Guadalajara durante o primeiro semestre deste ano. Nossas relações foram muito cordiais e esclarecedoras dentro da caridade fraterna, coincidindo nos aspectos fundamentais da situação atual.
Com a Administração Apostólica São João Maria Vianney pessoalmente não tive nenhum contato. Na França há uns dois anos houve uma visita do Superior ao IBP.

Fratres in Unum: Quais os projetos do IBP na América Latina?

Padre Navas
: Sobrenaturalmente existem muitos projetos, mas é forçoso reconhecer que o tratamento que nos é dado não tem sido, digamos, o mais favorável. Como nos recorda o Pe. Laguérie, em sua recente intervenção, estamos num período em que a Divina Providência nos exige, em exercício do dom da fortaleza, nos centrarmos mais no sutinere… (manter-se): ‘plus dans le « sustinere» plus que l’ « aggredi .

Suas palavras exatas são: ‘Procuremos simplesmente estar ao pé da obra para esses tempos inelutáveis, na qualidade mais que na quantidade, no« sustinere» mais que no « aggredi », na fidelidade ativa mais que na satisfação passiva. Que estes anos de trabalhos e plantios não nos sejam reprovados quando vier a hora da colheita‘.

No natural, continuar enviando vocações ao seminário e ajudando a vários sacerdotes que se aproximam de nós visando aprender a celebrar na forma extraordinária do rito. Existem outros projetos importantes que por ora me exigem discrição ao me referir a eles. Está tudo nas mãos de Deus. Recorde que apenas temos dois anos de existência e na América Latina menos.

Por outro lado, na medida do possível, seguiremos insistindo junto às autoridades, mas sobretudo pela oração, para que se nos permita fazer o bem para o qual fomos criados como Instituto de Direito Pontifício. Dom Bosco dizia: ‘fazei o bem e que cantem os passarinhos’. Deus quer que, com sua graça, suscitemos um grande concerto de passarinhos.

Fratres in Unum: Por fim, o IBP tem planos de retornar no futuro ao Brasil?

Padre Navas: Creio que tarde ou cedo teremos que voltar. O faremos quando se derem as condições necessárias por parte da hierarquia e na medida em que possamos dispor de sacerdotes, já que no seminário se estão formando vários seminaristas brasileiros; esperamos e confiamos às suas orações e às de nossos amáveis leitores por sua fidelidade à vocação do IBP.

Espero que esta entrevista contribua em algo para a paz de e entre os fiéis, dissipando os motivos de confusões existentes. Encomendo todas estas intenções, uma vez mais, às suas orações; recebam minha benção sacerdotal em J., M. e J.

Atenção: leia 1ª parte da entrevista aqui.

15 setembro, 2008

Administração Apostólica encarregada pela Missa no Mosteiro de São Bento em São Paulo

Informação não oficial: a Administração Apostólica São João Maria Vianney, a partir de outubro, ficará encarregada pela celebração da Santa Missa Tradicional (Missal de 1962) no Mosteiro de São Bento, em São Paulo; celebração que ocorre desde a entrada em vigor do Motu Proprio Summorum Pontificum, aos domingos, às 18 horas, e até então a cargo de dois monges e do IBP. Aguardemos a concretização dos fatos.