Archive for ‘Atualidades’

22 agosto, 2019

Superior dos jesuítas insiste em negar a existência do diabo.

REDAÇÃO CENTRAL, 22 Ago. 19 / 09:00 am (ACI).- O Superior Geral da Companhia de Jesus, Pe. Arturo Sosa, afirmou em uma entrevista publicada em 21 de agosto que “o diabo existe como uma realidade simbólica” e “não como uma realidade pessoal”.

O diabo – Pe. Arturo Sosa. Créditos: Pixabay e Eastern Africa Jesuits

Pe. Sosa disse estas palavras em uma entrevista concedida à revista ‘Tempi’, do Movimento Comunhão e Libertação, por ocasião de sua participação no Meeting de Rimini, realizado na Itália, onde deu sua conferência “Aprendendo a olhar o mundo através dos olhos do Papa Francisco”.

O superior dos jesuítas foi perguntado se “o diabo existe”, ao que respondeu: “de várias maneiras”.

“É necessário entender os elementos culturais para se referir a esse personagem. Na linguagem de Santo Inácio, é o espírito maligno que leva você a fazer as coisas que vão contra o espírito de Deus. Existe como mal personificado em várias estruturas, mas não nas pessoas, porque não é uma pessoa, é uma forma de executar o mal”.

“Não é uma pessoa como a pessoa humana. É uma forma do mal estar presente na vida humana. O bem e o mal estão em luta permanente na consciência humana e nós temos os meios para indicá-los. Reconhecemos Deus como bom, inteiramente bom. Os símbolos são parte da realidade e o diabo existe como uma realidade simbólica, não como uma realidade pessoal”, disse.

O superior dos jesuítas reiterou assim as suas declarações de maio de 2017, quando disse ao jornal espanhol ‘El Mundo’ que “fizemos figuras simbólicas, como o diabo, para expressar o mal”.

“No meu ponto de vista, o mal faz parte do mistério da liberdade. Se o ser humano é livre, pode escolher entre o bem e o mal. Nós, cristãos, acreditamos que fomos criados a imagem e semelhança de Deus, portanto Deus é livre, mas Deus sempre escolhe fazer o bem, porque é todo bondade. Fizemos figuras simbólicas, como o diabo, para expressar o mal. Os condicionamentos sociais também representam essa figura, pois algumas pessoas agem assim porque estão em um ambiente onde é muito difícil fazer o contrário”, expressou em 2017.

Estas palavras foram criticadas nas redes sociais e refutadas pelo sacerdote italiano Sante Babolin, conhecido como o “exorcista de Pádua”, que lembrou ao Padre Sosa que a doutrina da Igreja ensina que “o mal não é uma abstração” e que o diabo, Satanás, existe.

Uma semana depois de suas declarações, um porta-voz de Pe. Sosa afirmou a ‘The Catholic Herald’ que os comentários do superior geral dos jesuítas deveriam ser lidos no contexto. Disse que a frase “nós fizemos” não deveria ser tirada do contexto. “Penso que não é correto isolar frases particulares da resposta total sobre a questão do diabo”, expressou.

“Pediu-se ao Pe. Sosa que comentasse a questão do mal. Em sua resposta, assinalou que o mal é parte do mistério da liberdade. Ressaltou que, se o ser humano é livre, isso significa que pode fazer o bem ou o mal; caso contrário, não seria livre”.

“A linguagem humana usa símbolos e imagens. Deus é amor. Dizer que Deus simboliza o amor não é negar a existência de Deus, o diabo é mal. Da mesma forma, dizer que o demônio simboliza o mal não é negar a existência do demônio”, disse o porta-voz.

Assim, assegurou que, “como todos os católicos, o Padre Sosa professa e ensina o que a Igreja professa e ensina. Ele não tem um conjunto de crenças separadas do que está contido na doutrina da Igreja Católica”.

A mídia britânica perguntou ao porta-voz se Pe. Sosa acredita que o diabo é um indivíduo com alma, intelecto e livre arbítrio. O porta-voz respondeu: “Como disse em minha resposta ontem, o Padre Geral Arturo Sosa acredita e ensina o que a Igreja acredita e ensina. Ele não tem outro conjunto de crenças além do que está contido na doutrina da Igreja Católica”.

No numeral 391 do Catecismo, a Igreja Católica afirma a existência do diabo ao ensinar que Satanás é “um anjo destronado” que tentou “nossos primeiros pais”. “A Igreja ensina que ele tinha sido anteriormente um anjo bom, criado por Deus”.

Da mesma forma, o numeral 395 afirma que “o poder de Satanás não é infinito. Ele não passa de uma criatura, poderosa pelo fato de ser puro espírito, mas sempre criatura: não é capaz de impedir a edificação do Reino de Deus”.

Esta não é a primeira vez que Pe. Sosa dá declarações controversas. Em fevereiro de 2017, o sacerdote colocou em dúvida a veracidade dos evangelhos.

Na entrevista publicada em 18 de fevereiro pelo meio italiano ‘Rossoporpora’, o religioso – ao falar sobre a indissolubilidade do matrimônio – disse que, embora ninguém possa mudar a palavra de Cristo, deve-se refletir “sobre o que Jesus realmente disse” e colocá-las no contexto, porque “naquela época ninguém tinha um gravador para registrar suas palavras”.

19 agosto, 2019

O próximo sínodo será “amazônico” ou “maçônico”?

O papel secreto da máfia do “anel de tucum” na preparação do encontro de outubro.

Por José Antonio Ureta, Instituto Plinio Correa de Oliveira – Stilum Curae, 6 de agosto de 2019 | Tradução: FratresInunum.comDepois que, na biografia sobre seu compatriota cardeal Godfried Daneels, os jornalistas belgas Jürgen Mettepenningen e Karim Schelkens revelaram a existência de uma “máfia de S. Gallen”, que teria contribuído de modo determinante na eleição do Papa Bergoglio, o católico médio tomou consciência da força dos grupos de pressão dentro da Igreja.

Mas historiadores e especialistas conhecem há muito tempo o peso que os lobbies tiveram sobre a vida eclesial. Imediatamente após o encerramento do Concílio Vaticano II, por exemplo, soube-se do papel desempenhado pela rede midiática IDO-C (Centro Internacional de Informação e Documentação sobre a Igreja Conciliar) para criar o “conselho de jornalistas”, o “conselho dos meios de comunicação”, que era praticamente um concílio à parte”, como disse Bento XVI em seu último discurso na véspera do dia em que sua se daria sua  renúncia.

Não muito tempo atrás, tornou-se conhecido o papel desempenhado por um grupo de padres conciliares, reunidos sob a denominação de “Igreja dos Pobres”, que firmou um secreto “Pacto das Catacumbas”, que parece estar atingindo sua plena realização em âmbito universal com o pontificado do Papa Bergoglio.

O antigo núncio em Washington, EUA, Dom Carlo Maria Viganò, causou comoção denunciando a existência de uma rede homossexual, cujos membros se ajudam mutuamente e que garantem o progresso na carreira eclesiástica (e a cobertura em caso de envolvimento em escândalos).

Para serem eficazes, esses grupos de pressão com interesses pessoais ou ideológicos devem agir de maneira coordenada, mas sempre nas sombras, imitando o trabalho da Maçonaria, com seus misteriosos sinais de reconhecimento mútuo entre irmãos que não pertencem à mesma loja.

É famosa a passagem em que Marcel Proust traça um paralelo entre a ação dos “irmãos” e a dos homossexuais de seu tempo, da qual ele falou por conhecimento direto: “[Eles] formam [um] uma maçonaria muito mais extensa e eficaz, e menos suspeita do que a das lojas, uma vez que responde a uma identidade de gostos, necessidades, hábitos, riscos, aprendizado, conhecimento, tráfego, glossário, e em que os membros que desejam não ser reconhecidos imediatamente o fazem através de sinais naturais ou convencionais”.

Seguramente, no futuro, conheceremos o impacto na próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Panamazônica do grupo de bispos e missionários engajados na Teologia Indígena, versão mais atualizada da Teologia da Libertação, que já adotou o chamado “anel de tucum” como sinal convencional de reconhecimento.

Tucumã é o nome de uma árvore amazônica de cuja madeira se origina um anel preto, supostamente usado pelos escravos na época do Império, na falta de recursos para portar o anel de ouro dos senhores. Teria servido como um símbolo de matrimônio, amizade ou resistência. “Era um símbolo clandestino cujo significado só os escravos conheciam”, afirma o blogue da Pastoral da Juventude da Diocese de Piracicaba.

Nos anos 70, dois órgãos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) adotaram o anel de tucum como símbolo de compromisso na luta de classes e nas chamadas “lutas sociais”.

Parece ter sido Dom Pedro Casaldáliga – religioso claretiano catalão nomeado bispo de São Félix do Araguaia pelo papa Paulo VI e promotor do CIMI e do CPT – a popularizar o símbolo. Assim relata outro representante da Teologia da Libertação, Dom Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás Velho e por muitos anos presidente do CIMI:

“Pedro foi consagrado bispo em 1971, na cidade de São Félix, cercado pelos pobres daquela região. Ele recebeu símbolos litúrgicos adaptados às culturas dos povos indígenas e camponeses. A mitra era um chapéu de palha, o cajado um remo de tapirapé e o anel de tucum, que em seus dedos e nos de muitos agentes pastorais tornou-se um sinal do compromisso da caminhada rumo à libertação”.

Dom Pedro Casaldáliga

Com inegáveis dotes poéticos, o prelado resumiu assim o significado desta “caminhada” no seguinte poema: “Com um calo por anel, / monsenhor corta o arroz / Monsenhor” foice e martelo “? / Eles vão me chamar de subversivo. / E eu direi a eles: Eu sou / Pelo meu povo em luta, eu vivo. / Com o meu pessoal em movimento, eu vou. Eu tenho fé de guerrilheiro / e amor à revolução”.

O anel de Tucum identificou tanto a personalidade e a agenda revolucionária do bispo de São Félix do Araguaia, e uma das teses escritas sobre ele, defendida por Agnaldo Divino Gonzaga no Departamento de Teologia da Universidade Católica de Goiás, intitula-se, precisamente, “Anel de tucum: a missão evangelizadora de Pedro Casaldáliga”.

Prova ainda mais eloqüente da importância que a Teologia Indígena confere ao anel de tucum é a história que o jornal Alvorada, órgão de conscientização da Prelazia de São Félix, fez sobre a cerimônia em que Dom Pedro Casaldáliga transmitiu o governo diocesano ao seu sucessor, Dom Leonardo Steiner:

“Pedro, ao entregar o anel de tucum a Leonardo, lembrou que as causas que defendemos definem quem somos e que as causas desta Igreja são conhecidas de todos: opção pelos pobres, defesa dos povos indígenas, compromisso com os trabalhadores e sem terra, formação de comunidades inculturadas e participativas, experiência efetiva de solidariedade”.

Em uma página do Facebook das Comunidades de Base do Brasil, lemos este verso de um poema em homenagem ao anel de tucum: “Dos povos excluídos / sois sinal da nova aliança”.

Em 1994 foi lançado o filme “O anel do tucum”, uma novela em que um grupo de fazendeiros infiltra um jornalista nas Comunidades Eclesiais de Base em uma tentativa de provar seu caráter comunista e subversivo, mas acaba se convertendo à causa da CEB. Na cena culminante, na qual ocorre a conversão, o jornalista-pesquisador tem este diálogo com Dom Casaldáliga (que interpreta a parte de si mesmo no filme):

“- Uma curiosidade, dom Pedro: O que o anel preto significa?

– É o anel de tucum, uma palmeira do Amazonas, com espinhos um tanto duros. Sinal da aliança com a causa dos indígenas, com as causas populares. Quem quer que use normalmente quer expressar que faz suas essas causas e suas conseqüências. Você pode trazer o anel? Você pode fazer isso?

– Eu posso fazer isso.

– Olha, é exigente, hein? Queima. Muitos, muitos por essa causa, por esse compromisso, chegaram ao ponto da morte. Nós mesmos aqui, na igreja de São Félix do Araguaia, temos os santuários dos mártires do caminho”.

A mesma pergunta sobre o significado desse anel foi formulada em 2012 pelo jornalista Edoardo Salles de Lima ao já citado Dom Tomás Balduino, na véspera do seu nonagésimo aniversário. Ele respondeu:

“Representa o casamento com a causa indígena. Este objeto foi feito pelos índios Tapirapé e se pode facilmente ver como é bonito, até brilha. Adotamos como um elo com a causa indígena, mas não só com ela, mas com toda causa de mudança, de transformação, na busca pelo Brasil que queremos”.

A função “identificadora” do anel foi destacada ao público, mas sobretudo para aqueles que se comprometeram com a Teologia da Libertação, do missionário comboniano italiano Padre Giampietro Baresi, já falecido, na revista Brasil de Fato:

“- O que esse anel em sua mão significa? – É a opção pelos pobres. (…) É lealdade por essa opção. Por que eu uso isso? Para tornar conhecido o que eles são. O anel de tucum é a solidariedade para com os pobres. (…) Quando vejo o anel em alguém, reconheço uma visão similar, um compromisso similar”.

A nocividade do uso do anel de tucum pelos militantes da Teologia da Libertação foi denunciada há muitos anos por Dom. Amaury Castanho, bispo emérito de Jundiaí, nas páginas do jornal Testemunho da Fé, órgão oficial da arquidiocese do Rio de Janeiro.

Em seu artigo, o prelado começou enfatizando que “sempre houve e sempre haverá tensões mais ou menos graves dentro da Igreja”. Depois do Concílio Vaticano II, “uma terrível tempestade atingiu a barca de Pedro”, e a “Teologia da Libertação, de estilo marxista, radicalizou suas posições extremistas e contestatórias, ideológicas e partidárias”.

Em seguida, ele atacou o sinal do reconhecimento mútuo de seus promotores: “O curioso anel de tucum, feito do centro de uma palmeira do Nordeste, é hoje um sinal de contestação na Igreja. Um dos sinais, talvez o mais sério. Ele é encontrado nas mãos de um bom número de sacerdotes e seminaristas, religiosos e leigos. Se é verdade que alguém, inadvertidamente, usa-o – mesmo na Igreja sempre haverá “inocentes úteis” – é igualmente verdade que a maioria o toma como uma afirmação provocativa de uma clara opção por uma eclesiologia que certamente não é a da Lumem Gentium ‘, do Concílio Vaticano II.

“O anel de tucum traz consigo, implícita e explicitamente, opções heterodoxas em favor de uma Igreja considerada uma Igreja popular, em oposição à Igreja hierárquica, a única estabelecida por Cristo. Exprime uma discutível e já condenada opção ‘excludente e exclusiva’ pelos pobres, marginalizando quem não o é, como se fosse um opressor. A partir dessa análise marxista e parcial da realidade, aqueles que usam o anel de tucum não hesitam em propor soluções revolucionárias, lutas de classes, guerrilhas, violência e terrorismo, que nada têm de evangélico e cristão. (…)

“É a divisão dentro da Igreja de Cristo, que a enfraquece, que distancia as ovelhas dos pastores, que opõem os bispos ao Papa, os bispos entre si, os sacerdotes e os leigos aos bispos (…)

“Enquanto isso, os inimigos da Igreja se divertem, aplaudem, cumprimentam-se. O que eles querem está acontecendo: uma Igreja que não é uma comunidade de amor, que une os fiéis a Cristo entre si e seus pastores”.

Em um artigo seguinte, Dom. Amaury Castanho voltou a atacar com acusações de sectarismo:

“O artigo sobre o anel de tucum, que escrevi há alguns dias, causou comoção. De fato, provocou uma controvérsia. Muitos gostaram e acreditam que chegou a hora de alguém ir ao fundo do problema, revelando o sentido mais exato e total do uso daquele anel. Outros se chatearam, porque o usavam apenas como sinal de opção pelos pobres. Retiraram-lhe de seus dedos! Eles queriam viver em plena comunhão com os pastores da Igreja, que é, por vontade de Cristo, hierárquica. Eles me parabenizaram, culparam-me, interrogaram-me várias vezes no anel de tucum.

“Falando com um certo presbítero que usava o anel de tucum, dei-lhe mais informações para esclarecer suas idéias. Entre outras coisas, eu disse a ele que não é apenas a minha interpretação. Anos atrás, li um livro de um bispo zeloso e inteligente do Maranhão. Em um capítulo inteiro, ele chegou às mesmas conclusões: o anel de tucum é um traço visível de união entre aqueles que, além da “opção pelos pobres”, também defendem a Igreja ‘popular’”.

Pode-se então afirmar que, enquanto trato de união visível de uma corrente revolucionária que desempenha o papel de quinta coluna na Igreja, o anel de tucum tem um valor análogo aos sinais identificadores da Maçonaria.

Cabe a nós observar quantos participantes do próximo Sínodo vão usá-lo… Então saberemos se a assembleia foi amazônica ou maçônica!

16 agosto, 2019

Visita do papa à Argentina? Só quando o presidente for seu amigo Alberto Fernández, vencedor das primárias de domingo.

IHU – Sabe-se que, nas singulares – seria melhor dizer “únicas no mundo” – eleições primárias presidenciais de domingo passado na Argentina (chamadas PASO) [1], quem venceu com ampla margem foi o advogado criminalista Alberto Fernández, expoente do peronismo (Partido Justicialista), político especialista e hábil, 62 desde 2 de abril passado.

A reportagem é de Il Sismógrafo, 15-08-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Fernández é defensor e animador de uma grande coalizão chamada “Frente de Todos” [2], na qual confluíram quatro importantes famílias políticas (partidos, movimentos e agrupamentos) e diversos grupos menores. A chapa proposta pela Frente para as primárias de alguns dias atrás – Alberto Fernández, candidato à presidência, e Cristina Fernández Kirchner [3], candidata à vice-presidência – teve o relevante apoio eleitoral e político da poderosa Confederação Geral do Trabalho e de dois ramos da Central dos Trabalhadores da Argentina.

Os dois candidatos da Frente em nível nacional receberam mais de 11.600.000 votos populares (o equivalente a 49,2%). O adversário, o atual presidente Mauricio Macri, do agrupamento “Juntos pela Mudança”, parou em pouco mais de 7.800.000 votos (33,1%) [4].

Segundo a Constituição argentina, para ganhar, é preciso que os candidatos da fórmula recebam pelo menos 45% dos votos no primeiro turno (27 de outubro) ou bastam apenas 40%, mas com uma diferença de pelo menos 10 pontos percentuais em relação ao segundo. Se essas condições não forem cumpridas, haverá segundo turno entre as duas primeiras maiorias no dia 24 de novembro.

Pode-se dizer, neste ponto, que os futuros governantes da Argentina, depois das próximas eleições presidenciais, serão quase certamente Alberto Fernández e Cristina Fernández Kirchner, que tomarão posse nos seus altos cargos no dia 10 de dezembro.

Esses dois políticos são pessoas muito próximas do Santo Padre, mesmo que, nos últimos anos, quando o pontífice era arcebispo de Buenos Aires, em mais de uma circunstância houve polêmicas, controvérsias e atritos entre eles.

Depois, com o passar dos anos, e em particular com a eleição do cardeal Bergoglio para a Sé de Pedro, tudo mudou, a ponto de Cristina Fernández Kirchner visitar o Vaticano em várias ocasiões em pouco tempo.

No momento em que Cristina Fernández Kirchner deixou a presidência, a aproximação entre ela e o pontífice estava mais do que completa. Até mesmo o futuro presidente Alberto Fernández foi protagonista nestes anos de uma aproximação e de um fortalecimento da amizade recíproca com o papa. Entre ele e J. M. Bergoglio, assim como no caso de Cristina, existe uma relação constante, embora a distância ou indireto.

Dos dois, o último a se encontrar com o Santo Padre foi justamente Alberto Fernández, recebido em Santa Marta há um ano, junto com o ex-ministro das Relações Exteriores do presidente Lula (Brasil), Celso Amorim, e o ex-ministro chileno, Carlos Ominami, no dia 2 de agosto de 2018 (foto abaixo)

Amorin, Francisco, Ominami e Fernández no Vaticano (Foto: L’Osservatore Romano)

Sabe-se que o papa já decidiu, como todos os setores argentinos muitas vezes lhe pediram, que vai visitar o seu país natal e também se sabe que essa visita deve ser em 2020. O anúncio oficial e talvez uma listagem genérica do programa devem ser oferecidos depois que se conhecer definitivamente o nome do novo presidente, ou seja, até o fim do ano.

Trabalha-se há muito tempo na preparação da peregrinação do Papa Francisco à Argentina, em particular no âmbito da catequese que normalmente precede essas visitas do pontífice. Agora, tais exigências se tornam mais prementes, porque, na realidade, já existem aquelas condições mínimas necessárias para organizar uma visita de Francisco, em particular as garantias que são oferecidas amplamente pelas futuras autoridades máximas da Argentina, especificamente que a presença do pontífice seja um sinal sólido e um símbolo de unidade nacional, de colaboração recíproca e de compromissos solidário de todos para enfrentar os desafios da nação.

Essa visita tão aguardada há vários anos deverá durar alguns dias e, portanto, não será uma viagem-relâmpago [5]. Provavelmente o papa visitará o país de uma ponta à outra e terá encontros com todos os setores sociais e as categorias da população. É bem sabido que o papa está ansioso por essa visita à Argentina, e, portanto, sua disponibilidade será mais do que generosa.

Notas:

[1] PASO.

[2] Frente para todos.

[3] Ex-presidente da Argentina, viúva do presidente Néstor Kirchner. Governou o país de 2007 a 2015.

[4] Resultados das primárias PASO – 11 de agosto de 2019.

[5] Com toda a probabilidade, a viagem papal incluirá uma parada no Uruguai(Montevidéu). João Paulo II visitou a Argentina duas vezes: em 1982 e depois em 1987. Durante essa última viagem, ele também visitou o Uruguai.

Tags:
14 agosto, 2019

Cardeal Pell: ‘Na Amazônia ou fora da Amazônia, a Igreja não pode permitir confusão.

REDAÇÃO CENTRAL, 09 Ago. 19 / 08:00 pm (ACI).- O cardeal George Pell escreveu uma carta a apoiadores afirmando estar “perturbado” com os preparativos para o próximo sínodo na Amazônia.

O texto da carta manuscrita de duas páginas circulou entre um grupo de fiéis próximos ao Cardeal na Austrália.

Na carta, escrita na Melbourne Assessment Prison, cujas imagens foram partilhadas com Catholic News Agency, a agência em inglês do grupo ACI, com data de 1º de agosto, o purpurado também diz que durante seu encarceramento tem se sentido sustentado pela sua fé e pelas orações dos fiéis, e que está oferecendo seu sofrimento na prisão pelo bem da Igreja.

“O conhecimento de que meu pequeno sofrimento pode ser usado em prol de bons propósitos estando unido a Jesus me proporciona direção e propósito”, escreve o Arcebispo Emérito na carta. “Desafios e problemas na vida da Igreja devem ser confrontados em um espírito similar de fé”, prossegue.

O prelado australiano afirma que os católicos “temos suficientes motivos para nos perturbarmos com o Instrumentum Laboris do Sínodo Amazônico”, que foi publicado em junho, antes da reunião que se desenvolverá entre os dias 06 a 27 de outubro no Vaticano.

Esse documento, que tem sido fonte de discussão e comentários em nível mundial, incluiu a discussão sobre o tema da ordenação de homens casados com o fim de responder à escassez de vocações sacerdotais.

O documento de trabalho, que se chama “Uma Igreja com uma rosto amazônico”, recomenda ainda que o Sínodo identifique “o tipo de ministério oficial que pode ser conferido à mulher, tendo em consideração o papel central que hoje ela desempenha na Igreja amazônica”.

“Este não é o primeiro documento de baixa qualidade que o secretariado do Sínodo produz”, escreve Pell.

O cardeal, aparentemente fez referência ao considerável debate e crítica provocados pela temática do Sínodo – que também incluiu alguns apelos por mudanças na liturgia da Missa – lembrando que “o Cardeal G. Müller, que comandava a Congregação para a Doutrina da Fé”, escreveu uma excelente crítica”.

“Eu não sou especialista na região”, diz Pell, embora tenha assinalado que já viajou a partes da Amazônia, mas adverte que “assim como na Amazônia, muita água ainda precisa correr antes do Sínodo”.

“Um ponto é fundamental, a Tradição Apostólica, o ensinamento de Jesus e dos Apóstolos, extraído do Novo Testamento e ensinado pelos Papas e concílios, pelo Magistério, é o único critério doutrinal para todo ensino sobre doutrina e prática.”

“Na Amazônia ou fora da Amazônia, em todas as terras, a Igreja, não pode permitir confusão alguma que cause um dano à Tradição Apostólica”, afirma.

O cardeal enfatizou a necessidade de unidade no essencial do ensinamento de Cristo, ao mesmo tempo em que pediu caridade em todas as coisas.

“Devemos sempre lembrar que a Igreja é una, não apenas no sentido de que boas famílias se mantêm juntas independentemente das suas diferenças, mas porque a Igreja de Cristo está fundamentada na Igreja Católica, que é o corpo de Cristo”.

Depois de sua condenação no Tribunal do Condado de Victoria em cinco acusações de abuso sexual infantil em dezembro do ano passado, O Cardeal George Pell foi condenado a seis anos de reclusão, dos quais ele deve cumprir em regime fechado pelo menos três anos e oito meses.

Peritos legais e comentaristas questionaram a condenação de Pell durante o julgamento, observando que o veredicto se baseia unicamente no depoimento das supostas vítimas de Pell.

Foi dada atenção à plausibilidade dos aparentes crimes de Pell, nos quais se supõe que ele abusou sexualmente de dois adolescentes na sacristia da catedral de Melbourne depois da missa, em um momento em que o espaço estaria lotado de pessoas e exposto ao público.

Apesar da imediata apelação da sentença pela equipe de advogados de Pell, o cardeal ainda permanece na prisão.

Nos dias 5 e 6 de junho, juízes da Suprema Corte de Vitória ouviram o recurso de Pell contra a decisão do júri sem pronunciar um veredito definitivo. Fontes próximas ao caso disseram a CNA que uma decisão é esperada nas próximas duas semanas.

Na carta, o Cardeal Pell diz que ele recebeu entre 1500-2000 mensagens de apoio durante seu tempo na prisão, e que ele pretende responder a todas elas.

As orações e cartas dos fiéis, disse ele, “trazem-me imensa consolação, humana e espiritual”.

“Minha fé no Senhor, como a de vocês, é uma fonte de força”, conclui a carta.

13 agosto, 2019

O Instituto João Paulo II caiu. Mas com honra?

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 7 de agosto de 2019 | Tradução: Dies Irae – Na batalha histórica em curso dentro da Igreja, caiu uma torre: o Instituto João Paulo II. Para situar o acontecimento no seu contexto, é útil o artigo de George Weigel, com o significativo título Os vândalos saqueiam Roma… de novo. Segundo Weigel, depois do Concílio Vaticano II abriu-se uma «guerra de sucessão» entre «dois grupos de teólogos reformistas anteriormente aliados» reconhecidos em duas revistas, Concilium e Communio: a primeira ultra-progressista, a segunda moderada. O que estava em jogo era a batalha pelo «controle das faculdades nos departamentos de teologia de todo o mundo».


A eleição de João Paulo II, que nomeou Joseph Ratzinger Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, marcou a prevalência dos moderados sobre os extremistas. Estes últimos, a partir de 1978, viram-se «à margem do grande jogo da política eclesiástica – embora continuassem a manter um controle férreo sobre a maior parte dos cargos nas faculdades teológicas e em muitas publicações teológicas». João Paulo II – explica o escritor americano – não expurgou as universidades eclesiásticas de professores progressistas, mas promoveu a fundação de novos institutos como a Universidade da Santa Cruz, do Opus Dei (e, acrescentamos, a Regina Apostolorum, dos Legionários de Cristo ). O Papa Wojtyla estava, de facto, «confiante de que a boa moeda – a boa teologia – acabaria por expulsar a má moeda ética». O Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família foi o «instrumento-chave» desta operação cultural, sobretudo para aprofundar a recepção da parte de toda a Igreja da encíclica de João Paulo II Veritatis splendor (1993). Os progressistas, a quem Weigel chama homens «teimosos» e «implacáveis», esperavam o momento para acertar as contas. A ocasião chegou nas últimas semanas, quando o novo Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família, do qual é Grão-Chanceler o Arcebispo Vincenzo Paglia, realizou uma purga «de estilo estalinista» contra a herança teológica e pastoral de João Paulo II. O caso mais clamoroso foi a supressão, após 38 anos de vida, da cadeira de Moral Fundamental, leccionada por Mons. Livio Melina. A conclusão, que é também o incipit do artigo de Weigel, é que «um exercício de bruto vandalismo intelectual está em curso, em Roma, desde 23 de Julho: o que era originalmente conhecido como o Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família foi peremptória e sistematicamente privado dos seus professores mais ilustres, e os seus cursos centrais de Teologia Moral foram cancelados».

No entanto, na reconstrução do nosso amigo George Weigel há um vazio que tentamos preencher. Em primeiro lugar, é preciso lembrar que os vinte e sete anos do pontificado de João Paulo II foram seguidos pelos oito anos de governo da Igreja de Bento XVI. Ao todo, trinta e cinco anos de domínio eclesiástico dos moderados. Como poderia acontecer que, apesar deste longo período de prevalência reformista, os jacobinos pudessem tomar o poder, exercendo, hoje, uma implacável repressão contra os seus adversários? Surge a dúvida de que isso se deve à intrínseca fraqueza da frente moderada. Fraqueza doutrinal, fundada na tentativa de justificar, a qualquer custo, um evento, como o Concílio Vaticano II, que tem pesadas responsabilidades, a começar pela ausente condenação do comunismo, num momento histórico em que isso constituía a mais grave ameaça para a Igreja e para o Ocidente. Fraqueza estratégica, porque quem está convencido de defender a verdade não pode tolerar que nas universidades e nos seminários eclesiásticos se continue a ensinar, por décadas, o erro, como aconteceu durante os pontificados de João Paulo II e de Bento XVI. A estratégia de promover a verdade, evitando condenar o erro, não compensa. Os factos não confirmaram esta estratégia, mas confirmaram a lei de Thomas Gresham (1519-1579), segundo a qual é a má moeda que expulsa a boa (bad money drives out good), e não o contrário.

A renúncia ao pontificado de Bento XVI, a 11 de Fevereiro de 2013, foi, além disso, a declaração do fracasso desta estratégia. A hermenêutica da continuidade revelou-se incapaz de contrariar o jacobinismo eclesiástico, que não é uma linha interpretativa de documentos teológicos, mas um projecto de conquista do poder através dos homens e dos factos. A eleição do Papa Francisco foi a inevitável consequência do fracasso histórico do reformismo moderado. Jorge Mario Bergoglio opõe o seu “magistério vivente” da Igreja a quem se refere ao “magistério vivente” do Vaticano II. Se um Concílio da Igreja tem sempre razão, como podemos culpar um Papa que se apresenta como a encarnação desse evento? O Papa Francisco, por sua vez, como todos os jacobinos, detesta, mais do que outra coisa, a ambiguidade e as contradições dos moderados, respeitando e temendo a coerência dos contra-revolucionários. E se hoje o Instituto João Paulo II é saqueado por vândalos, é precisamente porque não resistiu abertamente ao Papa Francisco quando era o momento.

A exortação Amoris laetitia, de 19 de Março de 2016, tinha o claro objectivo de destruir a Veritatis splendor e o ensinamento moral de João Paulo II, substituindo-o por um novo paradigma moral. Os professores do Instituto João Paulo II, em nome da Veritatis splendor, e da sua própria história pessoal, deveriam ter-se erguido como um só homem contra este atentado à moral católica, especialmente depois da recusa do Papa Francisco em receber os cardeais autores das dubia e após o rescrito de 5 de Julho de 2017, segundo o qual a interpretação autêntica do documento pontifício era a dos bispos argentinos. A intenção do Papa Francisco era, e é, clara para todos. No entanto, nenhum dos teólogos do Instituto assinou a Correctio filialis de haeresibus propagada, a 24 de Setembro de 2017, nem produziu nenhum documento em que a Amoris laetitia tenha sido exposta a severas críticas.

A 3 de Agosto, numa entrevista a La Verità, Mons. Livio Melina apresentou-se como vítima de um expurgo injusto, alegando ter sido surpreendido por ter querido interpretar a exortação Amoris laetitia à luz do Magistério da Igreja. O problema é que a Amoris laetitia não pode ser interpretada à luz do Magistério perene, porque propõe um novo paradigma moral irreconciliável com a Veritatis splendor. O Papa Francisco está convencido disso e nós estamos com ele. Talvez também Mons. Melina esteja convencido disso, mas nunca o disse publicamente. Este silêncio não impediu a sua decapitação. Por que surpreender-se? A história da Revolução Francesa não ensina alguma coisa?

A batalha exige homens que lutem com clareza a favor ou contra a Tradição da Igreja. Mas se acontece que um Papa se opõe à Tradição, devemos distanciar-nos respeitosamente disso, permanecendo firmes dentro da Igreja, da qual ele, não nós, parece querer separar-se. Um teólogo talentoso como Mons. Melina tem todas as ferramentas intelectuais para compreender como é possível resistir aos erros doutrinários e pastorais de um Papa sem nunca faltar ao amor e à devoção que devemos reservar à Cátedra de Pedro. A hora do minimalismo passou. Chegou a hora em que a Verdade e o erro se devem olhar na cara, sem compromisso. Esta é a única possibilidade que tem a Verdade para vencer. Precisamos de homens que lutem e, se necessário, caiam, mas com honra.

Roberto de Mattei

10 agosto, 2019

Foto da semana.

Vaticano, 05 Ago. 19 / 11:00 am (ACI).- O Papa Emérito Bento XVI recebeu em audiência privada e concedeu sua bênção a Mons. Livio Melina, reconhecido professor recentemente tirado do Pontifício Instituto João Paulo II, em uma decisão que gerou polêmica no mundo acadêmico.

Segundo informações concedidas ao Grupo ACI, Bento XVI recebeu Mons. Melina no dia 1º de agosto em audiência privada, durante a qual discutiram os recentes acontecimentos do Pontifício Instituto João Paulo II. Depois, concedeu a sua bênção, expressou sua solidariedade pessoal e assegurou-lhe sua proximidade na oração.

Fundado em 1981, por São João Paulo II, o instituto surgiu como espaço de formação científica em família, matrimônio e vida.

Mons. Melina foi o primeiro a obter um doutorado no Pontifício Instituto João Paulo II, em 1985, e chegou a presidi-lo por vários anos.

Em setembro de 2017, o Papa Francisco refundou o Pontifício Instituto João Paulo II, com base na necessidade de “uma renovada consciência do evangelho da família e dos novos desafios pastorais aos quais a comunidade cristã está chamada a responder”.

“A mudança antropológico-cultural, que hoje influencia todos os aspetos da vida e exige uma abordagem analítica e diversificada, não permite que nos limitemos a práticas da pastoral e da missão que refletem formas e modelos do passado”, disse o Santo Padre naquela ocasião.

Atualmente, o Grão-Chanceler do Pontifício Instituto João Paulo II é o Arcebispo Vincenzo Paglia, também presidente da Pontifícia Academia para a Vida.

Recentemente, um grupo de mais de 150 alunos do instituto publicou uma carta criticando as várias mudanças realizadas, entre as quais os novos estatutos, a retirada de Mons. Melina e a supressão da cátedra de Teologia Moral Fundamental.

Além disso, os estudantes criticaram o que consideram uma concentração excessiva de poder nas mãos de Dom Paglia.

Mons. Melina e Pe. José Noriega não voltarão a ensinar no Instituto João Paulo II no próximo ano. Tecnicamente, e porque todos os professores receberão novos contratos sob os novos estatutos do Instituto, ambos não serão demitidos, mas simplesmente não terão seus contratos renovados. É possível que possam continuar trabalhando com os alunos completando dissertações sob sua direção.

Em 29 de julho, o Pontifício Instituto João Paulo II publicou uma resposta às críticas dos estudantes, assegurando que a informação sobre “uma centralização de poder” nas mãos de Dom Paglia é “falsa”.

No entanto, um professor do instituto, consultado pelo Grupo ACI, disse que o Grão-Chanceler faz uso de um sistema complexo de normas para controlar todas as nomeações de professores sem nenhum contrapeso acadêmico.

Por sua parte, o vice-presidente do Pontifício Instituto João Paulo II, Pe. José Granados, advertiu recentemente que seus os estatutos da instituição e a mudança de professores e demissões são “um perigo para manter a herança de São João Paulo II”.

Bento XVI, o Pontifício Instituto João Paulo II e Mons. Livio Melina

Em comunicação com o Grupo ACI, o diretor da área de pesquisa do Pontifício Instituto João Paulo II, Pe. Juan José Pérez-Soba, destacou a profunda relação entre Bento XVI e a fundação de seu antecessor no pontificado, assim como com Mons. Livio Melina.

Joseph Ratzinger sempre acompanhou de perto o trabalho de Mons. Melina na cátedra de Teologia Moral Fundamental”, disse. “Em uma carta datada de 30 de junho de 1998, o então Cardeal Ratzinger se alegrava por causa da constituição, junto a esta cátedra, da ‘Área de pesquisa sobre teologia moral fundamental’”.

“Ratzinger valorizou o programa da Área de forma muito positiva”, recordou.

Pe. Pérez-Soba indicou que anos depois, em janeiro de 2003, “Ratzinger escreveu a Dom Rino Fisichella, então presidente do Instituto João Paulo II, concordando em participar de um congresso para o décimo aniversário da Veritatis Splendor, organizado pela própria área de pesquisa em teologia moral fundamental”.

Nesta missiva, o hoje Papa Emérito Bento XVI manifestou sua gratidão pelo trabalho da Área de Pesquisa em Teologia Moral Fundamental e destacou que é uma área “decisiva para a vida da Igreja“.

Para Pe. Pérez-Soba, “à luz dessa importância que Ratzinger dava à moral fundamental no Instituto, recebe nova luz a supressão da cátedra de Moral Fundamental e a retirada de Livio Melina”.

“Este movimento aparece agora como uma busca para mudar o paradigma da moral. Querem descartar a moral objetiva, que afirma a verdade sobre o bem ao qual o homem é chamado, seguindo a Veritatis Splendor. Pretende-se abrir um processo de revisão de toda a moral sexual desde o subjetivismo, começando pela Humanae Vitae”, advertiu.

“Já como Papa Bento XVI, Ratzinger enviou uma carta a Mons. Melina precisamente nos 40 anos da Humanae Vitae, para reafirmar a doutrina da Encíclica. Ali, relaciona o ensinamento de Paulo VI com o dom total de si que os esposos fazem entre si. Somente um amor fecundo e aberto à transmissão da vida é um amor total, onde os esposos se fazem mutuamente o dom de poder ser pais ou mães”.

O professor do Pontifício Instituto João Paulo II recordou depois que “enquanto Mons. Melina era presidente, Bento recebeu o Instituto várias vezes em audiência. A primeira delas, no XXV aniversário da fundação”.

“Em seu discurso, o Papa assinala dois elementos fundamentais da missão do instituto: primeiro, ensinar como o matrimônio e a família estão arraigados no âmago mais íntimo da verdade sobre o homem e sobre o seu destino. E, segundo, mostrar que a revelação de Cristo assume e ilumina a profundidade da experiência humana. O grande número de famílias que, tendo estudado no instituto, participou desta audiência, era mostra de uma grande fecundidade pastoral no ensinamento de João Paulo II.

Outra audiência importante de Bento XVI ao Pontifício Instituto João Paulo II, assinalou, foi a de 5 de abril de 2008, por ocasião de um congresso intitulado “O óleo sobre as feridas”, sobre as pessoas afetadas pela experiência do divórcio e do aborto.

“Mostra-se assim que a ideia de um Instituto João Paulo II preocupado apenas por uma doutrina rígida e insensível aos problemas concretos das famílias é falsa. O Papa elogia a imagem do Bom Samaritano usada no congresso para iluminar a dor de muitos homens que hoje estão feridos e nus à beira do caminho. Bento XVI convida o Instituto a continuar a aprofundar sua missão de levar a misericórdia de Jesus aos homens, ensinando-lhes os caminhos para o amor verdadeiro”, disse.

Por fim, Pe. Pérez-Soba recordou o discurso por ocasião do XXX aniversário do Pontifício Instituto João Paulo II, realizado em 13 de maio de 2011. “Bento XVI o dedicou à teologia do corpo, que o Instituto recebeu de João Paulo II como herança viva para proteger e promover. Bento XVI falou da família como o lugar onde a teologia do corpo e a teologia do amor se encontram”, assinalou.

Tags:
7 agosto, 2019

Encaminhado pedido para que Senado Federal exija explicações do Vaticano sobre proposta de Martín Von Hildebrand.

Caberá a D. Cláudio Hummes e a D. Marcelo Sánchez Sorondo dar explicações ao povo brasileiro sobre até que ponto o Vaticano está ou não comprometido em apoiar o projeto de Martín von Hildebrand.

Por Hermes Rodrigues Nery, 7 de agosto de 2019

Em 17 de setembro de 2017, Helena Calle publicou uma reportagem no El Espectador com a foto do globalista Martín von Hildebrand (fundador da OnG Gaia Amazonas e membro da Gaia Foudation, com sede no Reino Unido) apresentando o seu projeto de integração do oceano Atlântico, da Amazônia e dos Andes, o chamado “Corredor Triplo A” ou “Caminho da Anaconda”, ao chanceler da Pontifícia Academia de Ciências, o argentino D. Marcelo Sánchez Sorondo.

Martin von Hildebrand explicando o Corredor AAA ao chanceler da Academia de Ciências do Vaticano, Mons. Marcelo Sánchez Sorondo

E explica: “O corredor teria um terço de um dos territórios mais importantes para o meio ambiente global. Atravessaria oito países sul-americanos e envolveria 385 comunidades indígenas e 30 milhões de pessoas.” E mais: “O Corredor Tríplice A é uma ideia que vem sendo fomentada há menos 30 anos e que somente agora, após o compromisso dos países latino-americanos (exceto Equador e Chile) na Cúpula de Paris para reduzir o desmatamento da Amazônia a zero, tem um compromisso político internacional importante”. Em 16 de fevereiro de 2015, o então presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (que recebeu o Prêmio Nobel da Paz, pelo seu acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC), acordo este apoiado pelo papa Francisco, mas rechaçado pela população colombiana em plebiscito, disse que iria propor o corredor ecológico ao Brasil e a Venezuela, entusiasta da proposta de Martín von Hildebrand.

Segundo o professor visitante de Engenharia Hidráulica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rogério Maestri, “se efetuado, o Triplo A seria composto em 62% por território brasileiro, 34% por território colombiano e 4% por território venezuelano. Ou seja, a gestão do ‘corredor’ teria que ser tripartite, o que, de acordo com Maestri, facilitaria a dominação estrangeira da região amazônica, especialmente porque o projeto da Gaia Foundation envolve o conceito de autogestão dos povos indígenas”. Para Maestri, o fato da Gaia Foudation estar envolvida com o corredor AAA sinaliza que há “uma direção em termos de ocupação de espaço por outros países”. E acrescenta: “Se se olha a tradição europeia, vê-se que eles enxergam muito longe… Não é, por exemplo, como o americano, que é um pouco mais intempestivo, que tenta invadir no momento. Os ingleses, europeus, em geral, têm um raciocínio mais em longo prazo. Então eles vão implantando essas pequenas coisas, esse tal corredor ecológico, que pra mim não é um corredor, é uma verdadeira ocupação”. A área coberta pelo corredor Triplo A possui grandes reservas de riquezas naturais (“água, mineiros e biodiversidade”), sendo que “o corredor abarcaria a região acima do Rio Amazonas – partes mais altas que, sendo mais secas, seriam mais aproveitáveis para atividades lucrativas, como a criação do gado”. A proposta do corredor triplo A foi rechaçada pelo Gen. Villas Boas, em twitter, de setembro de 2018, e também pelo presidente Bolsonaro. “Os estados de Amapá, Pará e Roraima seriam dos mais atingidos pelo Corredor”, lembra Luis Dufaur, destacando ainda “a ele pertence 46 % da Amazônia e quase a metade do território a ser absorvido pela futura entidade místico-tribal-ecológica pan-amazônica”. Trata-se do maior corredor ambiental do mundo, que na verdade, significa o primeiro passo para a antiga pretensão de muitos pela internacionalização da Amazônia, unificando as áreas indígenas (as AATIs – Associations of Indigenous Tradicional Authorities), cuja autogestão dos povos indígenas seguiriam as diretrizes da Gaia Foudation, e outros organismos internacionais, dos quais os indígenas seriam reféns de seus interesses políticos.

O fato é que o Corredor Triplo A, defendido com afã por Martín von Hildebrand, é um atentado à soberania nacional e integridade territorial brasileira. Mas D. Marcelo Sánchez Sorondo, assim como D. Cláudio Hummes, abriram as portas do Vaticano para que Hildebrand participasse de eventos dando palestras, em atitudes de acolhida. Estariam com isso endossando tal iniciativa?

Por isso, estamos encaminhando ao Senado Federal um dossiê, com amplas informações sobre como diversos organismos internacionais tem agido para buscar o apoio do Vaticano para tais fins. Nesse sentido, caberá a D. Cláudio Hummes e a D. Marcelo Sánchez Sorondo dar explicações ao povo brasileiro sobre até que ponto o Vaticano está ou não comprometido em apoiar o projeto de Martín von Hildebrand. Se não estiver, que façam uma declaração pública inequívoca, para que não paire dúvidas. Apoiar o Corredor Triplo A é fomentar a instabilidade e conflitos na região, com graves conseqüências, que nada tem a ver com a evangelização.

Hermes Rodrigues Nery é Coordenador do Movimento Legislação e Vida. Email: prof.hermesnery@gmail.com

6 agosto, 2019

Não é de hoje…

Por FratresInUnum.com, 6 de agosto de 2019 – A foto divulgada no Twitter de Leonardo Boff é a prova cabal daquilo que sempre soubemos: Jorge Mario Bergoglio foi preparado por décadas para ser o pontífice que anistiaria de vez o teólogos da libertação.

boff1

Bergoglio é o quarto, da direita para a esquerda, na fila de cima. Boff é o segundo, da esquerda para a direita, de gravata, na fila de baixo.

Segundo Boff, a foto lhe teria sido enviada pelo próprio papa argentino, em correspondência privada. A relação entre os dois, como comprova a foto, é bastante antiga. Não é de se admirar das antecipações feitas por Boff, que incluíram até a anunciação do nome “Francisco”, escolhido apenas no dia seguinte pelo “eleito” no último conclave.

A falsidade, a simulação, a teatralidade com a qual os progressistas se disfarçaram nas últimas décadas demonstra o quão inescrupulosos são, o quanto são psicopatas. Eles não têm sentimento de culpa, são incapazes de sinceridade, organizaram um paciente plano para a tomada do poder, uma extensão daquele traçado pela esquerda latino-americana para conquistar o poder em seus respectivos países.

O grande problema que enfrentam, porém, é que de pouco serve alcançar os cargos de comando e não possuir a hegemonia intelectual e imaginativa de seu povo. Francisco é a cabeça dos progressistas, os quais são um corpo estranho na totalidade dos católicos, incluídos aí muitos clérigos. Eles perderam completamente o controle intelectual sobre a Igreja: quanto mais agem, mais se desprendem da multidão dos fiéis. O resultado disso não pode ser um impeachment, figura desconhecida no direito canônico e incongruente com a natureza do poder papal; mas, certamente, serão expurgados, cedo ou tarde, pela totalidade dos fiéis. O teatro está acabando.

E não poderia ser diferente. As esquerdas tentaram chegar ao poder pelas armas, mas não conseguiram. Depois, obtiveram o controle dos meios de produção intelectual, mas, como estes por natureza não poderiam se prestar à formação de verdadeiros intelectuais, mas apenas à de militantes obedientes, obtiveram uma horda de papagaios retardados.

A foto comprova apenas o êxito de um fracasso, a genealogia de uma grande estupidez cujas últimas aparências de sanidade estão se desfazendo como a fumaça ao soprar do vento.

5 agosto, 2019

Revolução no Instituto João Paulo II para a Família.

Dom Vincenzo Paglia [o arcebispo do mural gay que outrora destruiu a Academia para a Vida] supervisiona amplas mudanças no instituto acadêmico dedicado ao matrimônio e à família.

Por ChurchMilitant.com, 26 de julho de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com – Tem causado preocupação as grandes mudanças que se desenrolam sobre um instituto acadêmico pro-família e pro-matrimônio gerido pelo Vaticano.

Paglia e Francisco

Dom Vincenzo Paglia e Francisco.

O Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família está no meio de um furação, segundo uma matéria divulgada na quarta-feira no jornal italiano La Nuova Bussola Quotidiana. Dois padres que ocupavam as cátedras de teologia moral no instituto, Pe. José Noriega e Mons. Livio Melina, foram agora demitidos de seus cargos, como parte de vastas mudanças pedidas pelo Papa Francisco.

Padre Noriega, professor de Teologia Moral específica, e Mons. Livio Melina, professor de Teologia Moral Fundamental, foram ambos informados, na segunda-feira, que estavam sendo dispensados. A demissão dos padres se deve, segundo informam, à decisão de extinguir um curso de teologia moral.

Todos os outros professores do instituto tomaram ciência, na segunda-feira, de que eles estavam oficialmente suspensos, no aguardo de decisões sobre o ano acadêmico seguinte. Alguns podem perder seus cargos, outros não. Informaram-lhes que a decisão final seria tomada dentro de alguns dias.

Supervisiona a reformulação o grão-chanceler do instituto, Dom Vincenzo Paglia — presidente da Pontifícia Academia para a Vida. As mudanças aparentemente contradizem a declaração dada por Paglia em 2007, onde afirmava que as mudanças vindouras não envolveriam o corte do corpo docente.

A demissão de Monsenhor Melina é especialmente significativa, uma vez que ele foi presidente do instituto de 2006 a 2016 e esteve envolvido com ele desde seu início, na década de 80.

Riccardo Cascioli, editor de La Nuova Bussola Quotidiana, observou, no artigo de quarta-feira, que “antes de tudo, a demissão de Mons. Melina é de grande e grave significado”.

Cascioli notou ainda no artigo que “Melina já havia entrado no instituto como estudante à época de sua fundação, em 1982, para então ser o primeiro [estudante do instituto] a obter um doutorado em 1985”.

Church Militant contatou a Dra. Jennifer Roback Morse, do Ruth Institute, uma entidade católica pró-família que busca combater os efeitos danosos da revolução sexual. Ela comentou que a demissão dos dois padres: “Trata-se de um ato de vandalismo intelectual”.

“Uma faculdade boa e ortodoxa deveria contratar esses dois professores de teologia moral”, acrescentou. “Qualquer instituição que fizesse isso certamente faria algo notável”. 

A reformulação é resultado dos novos estatutos do Instituto João Paulo, supostamente elaborados no início do ano por Dom Paglia e pelo presidente do instituto, Mons. Pierangelo Sequeri. Dentre outros pontos, o novo estatuto concede um nível de controle sem precedentes ao grão-chanceler.

O próprio estatuto foi parte do resultado da carta apostólica do Papa Francisco, de setembro de 2017, Summa Familiae Cura. Nela, Francisco essencialmente acabou com o instituto existente e estabeleceu um novo, mudando sua missão oficial e atualizando seu nome.

Logo após o documento, Dom Paglia comentou que a reestruturação incluiria um foco “teológico” e “científico” adicional, assim como acrescentar uma ênfase no “diálogo”.

Ele também afirmou: “É claro que o diálogo com aqueles que não são católicos deve ocorrer”.

A publicação de Summa Familiae Cura se deu em 8 de setembro de 2017, apenas dois dias após a morte do Cardeal Carlo Caffarra, em 6 de setembro, o fundador e presidente emérito do instituto.

O então Mons. Caffarra foi presidente do Instituto João Paulo II durante sua fundação no início de 1980.

Cardeal Caffarra foi um dos quatro cardeais que assinaram o dubia, uma série de questionamentos teológicos apresentados ao Papa Francisco, publicados em novembro de 2016. O dubia buscava esclarecimentos acerca de Amoris Laetitia, um documento papal criticado por ser ambíguo e interpretado por alguns como favorecedor da Sagrada Comunhão para divorciados recasados civilmente.

O Papa S. João Paulo II deu aprovação oficial ao Instituto, que posteriormente tomaria seu próprio nome, em outubro de 1982, com a constituição apostólica Magnum Matrimonii Sacramentum.

1 agosto, 2019

Um sociólogo esquerdista lamenta no IHU: os seminaristas não são tão esquerdistas assim.

O artigo apenas evidencia o que é por demais sabido: os senis teólogos da libertação são estéreis e o pontificado de Francisco é seu último suspiro — por isso, o desespero em impôr suas “reformas”.

* * *

Seminaristas: batalha perdida?

IHU – “Em que mundo vivem esses seminaristas? Será que não saem à rua onde necessariamente se deparariam com um número cada vez maior de pessoas pedindo esmola, jovens fazendo malabarismo para motoristas parados no sinal vermelho, gente drogada, e a quantidade de moradores de rua?”, questiona Pedro A. Ribeiro de Oliveira, sociólogo, em artigo publicado por Paz e Bem, 21-07-2019.

Eis o artigo.

read more »