Archive for ‘Atualidades’

17 fevereiro, 2017

Papa Francisco marca o ‘Dia pela Vida’ com eufemismo para a palavra aborto.

“Interrupção da gravidez”. Eufemismo já condenado por São João Paulo II.

Por Voice of the Family | Tradução: FratresInUnum.com –  O papa Francisco marcou o “Dia pela Vida”, na Itália, adotando o eufemismo do lobby pró-aborto “interrupção da gravidez”, ao invés da linguagem que descreve com precisão o assassinato de crianças no ventre de suas mães.

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Dia pela Vida de 2017 com Francisco, fracasso de público.

Em sua mensagem, o Santo Padre diz algumas palavras promissoras, encorajando uma “ação educativa corajosa a favor da vida humana” e lembrando à multidão reunida que “toda vida é sagrada”. Infelizmente, ao invés de se referir ao aborto, ele adota a terminologia utilizada pela indústria do aborto. Na verdade, a forma das palavras usadas pelo Papa Francisco foi especificamente condenada pelo Papa João Paulo II, em sua encíclica Evangelium Vitae:

Precisamente no caso do aborto, verifica-se a difusão de uma terminologia ambígua, como « interrupção da gravidez », que tende a esconder a verdadeira natureza dele e a atenuar a sua gravidade na opinião pública. Talvez este fenómeno linguístico seja já, em si mesmo, sintoma de um mal-estar das consciências. Mas nenhuma palavra basta para alterar a realidade das coisas: o aborto provocado é a morte deliberada e direta, independentemente da forma como venha realizada, de um ser humano na fase inicial da sua existência, que vai da concepção ao nascimento. (Evangelium Vitae, No. 58)

Expressões como “interrupção da gravidez” e “terminação da gravidez” são usadas pelo lobby pró-aborto – pessoas que promovem ou realizam a matança de crianças – para camuflar a realidade do aborto. O termo “interrupção da gravidez” é particularmente ofensivo, como se a vida do nascituro não fosse  “interrompida” pelo aborto. Com  efeito, é permanentemente encerrada – nunca mais poderá ser retomada. O uso de tal linguagem pelo Papa Francisco reflete uma crescente convergência de linguagem, políticas e idéias entre as autoridades do Vaticano e o movimento internacional pelo controle populacional.

Papa Francisco declarou-se “satisfeito” com as metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas para 2030 que exigem “o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva”. Esses termos são usados por agências das Nações Unidas, organizações internacionais e muitos governos nacionais para promover o acesso universal ao aborto e à contracepção.

O Vaticano já recebeu várias personalidades entre as mais influentes no movimento de controle da natalidade, como Professor Jeffrey Sachs, que participou de pelo menos dez eventos no Vaticano durante o pontificado atual. Paul Ehrlich, que advoga pelo aborto compulsório e esterilização em massa, e que será um palestrante convidado em um evento organizado conjuntamente pela Pontifícia Academia das Ciências e a Academia Pontifícia das Ciências Sociais no final deste mês.

O Conselho Pontifício para a Família (PCF) produziu um programa de educação sexual que contém imagens obscenas. Dr. Rick Fitzgibbons, psiquiatra e Professor Adjunto do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família, na Universidade Católica da América, e que vem trabalhando com crianças que foram vítimas de abuso sexual por parte do clero e com sacerdotes envolvidos em tais abusos, depois de rever o programa do PCF, disse:

“Na minha opinião profissional, a ameaça mais perigosa para a juventude católica que eu já vi ao longo dos últimos 40 anos é esse novo programa do Vaticano para educação sexual, intitulado “Ponto de Encontro – Curso de Afetividade e Educação Sexual para Jovens“.

Ele continuou:

Eu fiquei particularmente chocado com as imagens contidas neste novo programa de educação sexual, algumas das quais são claramente pornográficas. Minha reação profissional imediata foi que essa abordagem obscena ou pornográfica é um abuso tanto psicológico como espiritual contra a juventude.”

As estimativas mais conservadoras indicam que mais de um bilhão de vidas humanas em fase de gestação foram perdidas desde a legalização do aborto em quase todo o mundo durante o século XX. Essas mortes excedem o número de pessoas mortas em todas as guerras ao longo da história humana registrada, onde as estimativas de mortes variam entre 150 milhões a 1 bilhão.

No entanto, o papa Francisco, enquanto faz algumas breves referências ao aborto em homilias e discursos, não faz nada de concreto para mitigar este assassinato em massa. Os documentos dos dois sínodos sobre a família, que foram todos aprovados pelo Papa antes da sua publicação, ou não mencionam de forma alguma a questão, ou só fazem uma breve referência de passagem sobre a questão do aborto – o qual no mundo inteiro colocou como alvo de destruição em massa o membro mais vulnerável da família, a criança no ventre materno, e que causou danos incalculáveis aos membros sobreviventes das famílias envolvidas.

A Exortação Apostólica Amoris Laetitia, supostamente elaborada para ajudar as famílias no mundo moderno, mas que na verdade só serviu pra minar a doutrina católica sobre a natureza da lei moral, contém apenas duas referências passageiras ao aborto (nos pontos 42 e 179), e em nenhum dos dois há uma condenação da prática como um mal em si mesmo. Dar tão pouco espaço, em um documento sobre a família, a um crime que tem como alvo os membros mais vulneráveis da família no santuário que é o ventre de suas mães, reflete um descaso chocante com relação ao destino dos nascituros. A confortável co-existência do Papa Francisco com a “cultura da morte” foi exibida claramente quando ele se referiu à abortista Emma Bonino, que tem sido uma das principais advogadas do aborto na Itália durante décadas, como uma “grande esquecida”. Isso também pode ser visto em sua entrevista, de setembro de 2013, a Antonio Spadaro na qual ele afirmou que “não podemos insistir apenas em questões relacionadas ao aborto, casamento gay e o uso de métodos contraceptivos.”

O problema é que, longe de falar muito sobre o aborto, a hierarquia Católica tem sido, com algumas honrosas exceções, em grande parte silenciosa ao longo dos últimos cinquenta anos diante do maior assassinato em massa de seres humanos na história.

Hoje, Voz da Família gostaria de lembrar respeitosamente ao Santo Padre e à Igreja como um todo da realidade sobre os métodos envolvidos no aborto. Nos seguintes vídeos, produzidos pela Live Action, o ex-abortista Anthony Levantino explica o que realmente acontece durante os procedimentos de aborto.

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10 fevereiro, 2017

Nossa Senhora no Carnaval. Carta de uma Católica entristecida.

Recebemos a missiva abaixo de nossa colaboradora Aline Castilho. Em 1940, Irmã Lúcia escreveu ao Cardeal Patriarca de Lisboa: “Em reparação e súplica por si e pelas outras nações, Nosso Senhor deseja que em Portugal sejam abolidas as festas profanas nos dias de carnaval e substituídas por orações e sacrifícios com preces públicas pelas ruas”. Se assim era na década de 40, o que pensa a Mãe de Deus das loucuras cometidas no carnaval de hoje, desgraçadamente chancelada pelos homens da Igreja? Rezemos em desagravo.

* * *

Por Aline Castilho | FratresInUnum.com

Já ganhou as manchetes de todo o Brasil a notícia de que Nossa Senhora Aparecida será usada durante os desfiles de uma escola de samba no Carnaval de São Paulo em 2017.

Estou perplexa, triste, ao pensar que nossa mãezinha está exposta a tamanha profanação, e com o consentimento de nossa Igreja. Pedem para compreendermos, argumentam, rebaixam nosso sentimento religioso, mas não há como entender.

04-10-2013_0abf56a2df7e7e91c908c3c8b28e31f2Como o mais alto símbolo da santidade no Brasil será jogado no mais baixo símbolo da vulgaridade, do pecado, da imoralidade, do sincretismo, da maior de todas as nossas vergonhas?…

Será que não percebem que o carnaval é a festa da depravação, que durante esses quatro dias milhares de pessoas morrem embriagadas, contaminam-se com doenças venéreas, roubam, matam, esquecem-se de Deus e da fé, destroem famílias e pervertem os nossos filhos?

Como colocar a Mãe de Jesus na festa máxima da usurpação da dignidade feminina, em que mulheres são expostas à cobiça como num grande açougue? Maria Santíssima não pode ocupar esse espaço! Isso agride a nossa fé, agride a nossa dignidade. E ainda colocarão uma dessas dançarinas paramentada de Nossa Senhora Aparecida!

Dizem por aí que Nosso Senhor esteve com os pecadores… Mas Ele esteve para convertê-los, para com amor lhes mostrar o seu pecado. Quando lhe perguntaram porque ele comia com os publicanos, ele respondeu que “não são os que estão bem que precisam de médico, mas sim os doentes” (Mt 9,12). Cristo sabia que eram doentes e ia lá para sará-los.

No caso, ninguém estará naqueles carros alegóricos pregando contra o pecado e exortando alguém à penitência. Ali estarão legitimando aquele acontecimento horroroso, e usando a imagem de Nossa Senhora para referendá-lo, com o pretexto de homenageá-la pelos 300 anos de sua aparição.

O problema não é o lugar, se é o sambódromo ou a cracolândia. O problema é o que se fará ali. O desfile de uma escola de samba é muito diferente de uma procissão, ainda mais da procissão santíssima de Corpus Christi. Nem toda homenagem é honrosa, ainda mais quando é feita no contexto contrário daquilo que Nossa Senhora pede, que é a conversão. Fico pensando… Se esses padres tivessem que receber uma homenagem num prostíbulo será que aceitariam como ocasião de evangelizar? Por que querem submeter Nossa Senhora a essa vergonha?

Nós, católicos, estamos ofendidos por esse grave desrespeito à nossa Mãe Santíssima, estamos entristecidos pela cegueira de alguns de nossos pastores. Falta apenas agora sabermos se esses órgãos da Igreja vão lucrar dinheiro com isso e, pior, se ainda estarão padres desfilando na avenida, talvez até com batina, dando um péssimo escândalo para os fieis que procuram se manter em santidade, sobretudo os jovens, que lutam para abandonar as drogas, o álcool, o sexo desenfreado e todo tipo de desordem.

Não sei o que vocês farão, mas eu ficarei em minha casa, unida espiritualmente aos milhares de retiros organizados por todo o Brasil, e com a minha televisão desligada, rezando o rosário para que essa vergonha passe logo e cause pouco dano à alma de nossas famílias.

Um dia, um protestante quebrou a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Hoje são os nossos pastores que a estão jogando novamente na lama!

Deus tenha misericórdia do Brasil!
Nossa Senhora Aparecida nos perdoe.

8 fevereiro, 2017

Ordem de Malta, o escândalo dos contraceptivos existe. Eis as provas. Mas o responsável ainda está no comando.

Por Riccardo Cascioli, La Nuova Bussola Quotidiana, 2 de fevereiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Não apenas a distribuição de anticoncepcionais e abortivos em Myanmar, Quênia, Sudão do Sul e igualmente na Alemanha por muitos anos, mas também a justificação teórica para este comportamento contrário aos ensinamentos da Igreja. Muito mais do que um pequeno incidente, em Myanmar foi logo bloqueado para que não fosse logo descoberto. Nós estamos falando sobre o escândalo que serviu de base para o confronto dos últimos meses dentro da Soberana Ordem Militar de Malta, que ganhou as manchetes por causa da interferência sensacional da Santa Sé, e que obrigou o Grão-Mestre Mateus Festing a renunciar, acusado de ter derrubado, em dezembro, o chanceler Albrecht Boeselager. Graças à intervenção direta do Papa, este último foi reintegrado ao seu cargo na semana passada pelo Conselho Soberano.

Boeselager acabou na mira de fogo porque, como Grão-hospitalário da Ordem entre 1989-2014, tinha a responsabilidade direta pela Malteser International, a organização da Ordem de Malta responsável por ajuda internacional, além de mais de 120 projetos em 24 países espalhados pelo mundo. Bem, só Malteser International, que tem sua sede na Alemanha, onde foi fundada em 2005 como um desenvolvimento da Malteser Alemanha, foi acusada de participar de projetos de saúde – para prevenir a Aids e serviços de saúde reprodutiva – que incluía a distribuição de contraceptivos.

Até agora, Boeselager nega qualquer responsabilidade e falou de apenas um caso de um projeto em Myanmar, que foi subitamente interrompido pessoalmente por ele tão logo se deu conta do que estava acontecendo. Mas a documentação em nosso poder – em parte rastreável na internet – diz que as coisas são muito diferentes. No centro da história, há também programas de ajuda em países africanos; e, em todo caso, não se trata de “incidentes”, mas da aplicação sistemática das orientações da própria Malteser International.

Tudo isso estaria acontecendo sem o conhecimento do Grão-Mestre, que pelo grão-hospitalário deveria ter sido comunicado de tudo o que acontecia em campo. Apenas em 2014 teria chegado ao Grão-Mestre indicações sobre o que estava acontecendo em Myanmar, e também no Quênia e no Sudão do Sul. Daí a decisão por parte de Fra Matthew Festing de nomear uma comissão de inquérito interna, no dia  29 de maio de 2015. A comissão, formada pelos professores John Haas, Luke Gormally e Neil Weir produziu um relatório, que foi entregue nas mãos do Grão-Mestre em fevereiro de 2016, a partir do qual, em seguida, surgiram as tentativas de esclarecimento e atribuição de responsabilidade, e que tiveram o desfecho de dezembro com a remoção de Boeselager feita por Festing.

Mas o que então encontrou essa Comissão?

ATIVIDADE EM CAMPO

Antes de tudo, “há uma clara evidência do envolvimento da Malteser Internacional em projetos de saúde – prevenção do HIV e da AIDS, bem como outras doenças sexualmente transmissíveis e planejamento familiar – incluindo aí a distribuição de contraceptivos.”

Evidências sobre um projeto no Quênia (2006-2011) para o tratamento e cuidado de pacientes com AIDS, financiado por uma famosa Organização americana abortista: a Pathfinder International; e outro projeto em Myanmar (2006-2011) ligado ao Fundo Global contra Aids, Tuberculose e Malária: também aqui houve distribuição de preservativos em abundância. E, em seguida, outros projetos, entre 2006 e 2015 – também em colaboração com a organização Save the Children – em áreas habitadas pela etnia Shan na Birmânia – para prevenir doenças sexualmente transmissíveis ou promover o controle de natalidade. Além de preservativos distribuídos em grandes quantidades, pílulas anticoncepcionais, diafragmas e até mesmo o famigerado anticoncepcional injetável Depo-Provera.

Finalmente, o relatório descreve o caso de um anúncio para contratação de um consultor para assistência às pessoas com AIDS e HIV, novamente em 2010, em Myanmar. Entre os requisitos exigidos ao candidato estava também a capacidade de “ensinar o uso adequado e eficaz do preservativo “.

Além do relatório interno, provas do envolvimento direto da Malteser Internacional em programas que contradizem o ensinamento moral da Igreja podem ser encontradas em um outro relatório escrito pelo Instituto Lepanto (EUA). Aqui as façanhas da Malteser são descritas nos relatórios anuais de  agências da ONU, como a UNAIDS e UNDP: milhões e milhões de dólares de financiamento em troca de apoio às políticas de controle de natalidade. E entre 2011-2012, esta atividade também atingiu o Sudão do Sul.

Não se trata de um simples caso 

Ainda mais interessante para a nossa discussão, é a parte do relatório dedicada à posição teórica sobre o uso de contraceptivos. Aqui é feita referência às orientações, com o título de Bioética – Princípios básicos com respeito ao planejamento familiar e saúde reprodutiva. Segundo essas linhas gerais, “os contraceptivos são distribuídos para programar os nascimentos em circunstâncias em que os casais não podem aplicar os métodos naturais.” Além do mais, “é aceitável, em princípio, o uso de preservativos para prevenir a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.” Mais uma vez: a “Malteser Internacional expressa neutralidade sobre a possibilidade de dar informações sobre os métodos para prevenir a transmissão do HIV.” Terminando com uma declaração de compromisso: “Há situações em que Malteser International tem de encontrar um equilíbrio entre o ensinamento da Igreja e o que é percebido como tal.”

No relatório de 2005 da UNAIDS, no perfil dedicado aos parceiros de agências das Nações Unidas, a Malteser International está indicada como uma organização especializada em planejamento familiar, com a atividade de distribuição de contraceptivos.

Em suma, é evidente que a distribuição de contraceptivos não é um acidente de percurso, mas resultado de uma convicção amadurecida ao longo dos anos e que ainda persiste. Tanto mais que, argumenta o relatório, nesta prática – que se opõe à doutrina da Igreja – também foi oferecido um fundamento teológico através do Assistente espiritual, o bispo Dom Marc Stenger, de Troyes. Exatamente ao bispo Stenger é atribuída a influência de uma conduta ética incompatível com a doutrina social da Igreja.

UM PROBLEMA GLOBAL

Não se pode dizer, no entanto, que este é um problema exclusivo da Ordem de Malta: trabalhando em estreita colaboração com outras ONGs e recebendo dinheiro da ONU, nessas últimas décadas, muita ONGs Católicas aceitaram tranquilamente incluir a contracepção entre os serviços disponíveis ao público.

Mas, de volta à situação interna da Ordem de Malta, o Relatório e outra documentação acessível colocam sob uma luz diferente o recente confronto entre o Grão-Mestre e Grão-Chanceler, entre Festing e Boeselager. É um dado, de fato, de que apesar das boas intenções, a intervenção do Papa e da Secretaria de Estado do Vaticano colocaram de volta no comando o verdadeiro responsável por esse desvio moral, e mandou embora o Grão-Mestre.

7 fevereiro, 2017

Um Papa violento?

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 03-03-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: Contra a evidência quase não há o que discutir. A mão estendida do papa Bergoglio à Fraternidade São Pio X é a mesma que se abateu nestes dias sobre a Ordem de Malta e os Franciscanos da Imaculada.

O caso da Ordem de Malta terminou com a rendição incondicional do Grão-Mestre e o retorno ao poder de Albrecht von Boeslager e do poderoso grupo alemão que ele representa.

O caso foi resumido nestes termos por Riccardo Cascioli em La Nuova Bussola quotidiana: o responsável pelo desvio moral da Ordem foi reabilitado e quem tentou contê-lo foi mandado para casa.

Isso aconteceu em plena desconsideração pela soberania da Ordem, como resulta da carta de 25 de janeiro, dirigida aos membros do Conselho Soberano pelo secretário de Estado Pietro Parolin em nome do Santo Padre, com a qual a Santa Sé estabeleceu, de fato, um comissariado junto à Ordem.

Seria lógico que os mais de 100 Estados que mantêm relações diplomáticas com a Ordem de Malta retirassem os seus embaixadores, a partir do momento em que as relações podem ser travadas diretamente com o Vaticano, do qual agora a Ordem depende em tudo.

O desprezo que o Papa Francisco demonstra com relação à lei se estende do direito internacional ao direito civil italiano.

Um decreto emitido pela Congregação dos Religiosos com o consentimento do Papa impõe ao padre Stefano Maria Manelli, superior dos Franciscanos da Imaculada, não se comunicar com os meios de informação, nem aparecer em público; não participar de qualquer iniciativa ou encontros de qualquer gênero; e, acima de tudo, “de remeter dentro do limite de 15 dias, a partir da entrega do presente decreto, o patrimônio econômico gerido por associações civis e qualquer outra quantia à sua disposição na plena disponibilidade total do único instituto”, isto é, de devolver à Congregação dos Religiosos bens patrimoniais dos quais (como foi confirmado pelo Tribunal de Apelações de Avellino) o padre Manelli não dispõe, porque pertencem a associações legalmente reconhecidas pelo Estado italiano.

 “Em 2017, na Igreja da Misericórdia” – comenta Marco Tosatti –, “falta apenas o cavalete e a máscara de ferro, e o catálogo está completo”.

Como se não bastasse, Dom Ramón C. Argüelles, Arcebispo de Lipa, nas Filipinas, soube de sua demissão através de um comunicado da Sala de Imprensa do Vaticano.

Ignoram-se as razões de tal decisão, mas as podemos intuir: Dom Argüelles reconheceu canonicamente uma associação que reúne um grupo de ex-seminaristas dos Franciscanos da Imaculada que abandonaram sua Ordem a fim de poderem estudar e preparar-se para o sacerdócio com plena liberdade e independência. Trata-se de uma culpa, ao que parece, imperdoável.

Surge a questão de saber se o Papa Francisco não é um Papa violento, entendendo-se bem o significado deste termo. A violência não é a força exercida de maneira cruenta, mas a força aplicada de modo ilegítimo, em desafio à lei, para alcançar o seu objetivo.

O desejo de Mons. Bernard Fellay de regularizar a situação canônica da Fraternidade São Pio X com um acordo que em nada lese a identidade de seu instituto é certamente louvável, mas surge a pergunta: é oportuno colocar-se sob o guarda-chuva legal de Roma no exato momento em que a lei é ignorada, ou mesmo usada como meio para reprimir aqueles que querem permanecer fiel à fé e à moral católica?

3 fevereiro, 2017

Cardeal Müller sobre a Comunhão a recasados: “O Papa, um concílio, nem a lei dos bispos podem mudar isso”.

Nota: os bispos da conferência alemã não concordam em nada com o Cardeal Müller, tendo aprovado um texto que diz exatamente o contrário do que o cardeal disse na entrevista que aqui publicamos.

Por Church Militant, 01 de fevereiro de 2017| Tradução: FratresInUnum.com: O Cardeal Gerhard Müller está afirmando que os divorciados e civilmente recasados devem comprometer-se a permanecer continentes antes de serem admitidos novamente aos sacramentos, e que nem mesmo o Papa pode remover essa condição indispensável.

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Cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

A revista italiana Il Timone recentemente perguntou ao prefeito da Congregação para Doutrina da Fé (CDF) se a condição de que esses casais “se esforcarem para viver a castidade” antes de receberem a Confissão e a Sagrada Eucaristia – como exigido pelo Papa S. João Paulo II – ainda era válida. O chefe da guarda doutrinária do Vaticano respondeu: “Claro, isso não é dispensável”.

O Cardeal enfatizou que a Igreja não tem a faculdade de alterar essa regra. “Nenhum poder no céu ou na terra, nem mesmo os anjos, ou o Papa, um concílio, nem a lei dos bispos tem a faculdade de mudar isso”.

Na entrevista publicada na quarta feira (01/02/2017), Müller foi questionado a respeito das conflituosas interpretações acerca da exortação pós-sinodal Amoris Laetitia. O cardeal advertiu que o documento não pode ser interpretado isoladamente em relação ao ensinamento perene da Igreja.

Amoris Laetitia deve claramente ser interpretada à luz de toda a doutrina da igreja” ele insistiu.

Ele também deixou claro que a exortação deve ser interpretada pelo seu todo e não por passagens retiradas do contexto. “Não se pode referir apenas a pequenas passagens apresentadas na Amoris Laetitia, mas deve-se lê-la como um todo, com o propósito de tornar o Evangelho do matrimônio e da família mais atrativo às pessoas”.

Cardeal Müller expressou seu descontentamento com as opiniões discordantes propostas por vários bispos a respeito da exortação. “Eu não gosto disso, não é correto que tantos bispos interpretem a Amoris Laetitia de acordo com seu próprio entendimento dos ensinamento papais”, lamentou. ”Isso não se alinha a doutrina Católica”.

Ele alertou aqueles bispos que, segundo ele, “estão falando demais”, para que primeiro aprendam a Doutrina eles mesmos antes de tentar ensinar aos outros. “Eu insisto que eles estudem antes a Doutrina [dos concílios] sobre o papado e o episcopado”. Se os bispos não se tornarem bem informados eles mesmos, então eles “podem cair no risco de serem cegos guiando cegos”.

Perguntado se a consciência pessoal poderia em algum momento sobrepor o ensinamento da Igreja sobre fé e moral, o cardeal rejeitou terminantemente a possibilidade. “Não, isso é impossível”, ele respondeu. “Por exemplo, não se pode dizer que existem circunstâncias nas quais um ato de adultério não constitua um pecado moral. Para a Doutrina católica, é impossível que o pecado mortal e a Graça santificante coexistam”.

E adicionou que essa é a razão pela qual Deus instituiu o Sacramento da Reconciliação.

Tem-se dado muita atenção à exortação apostólica de João Paulo II Familiaris Consortio, que reafirmou que os recasados não poderiam permanecer sexualmente ativos e serem admitidos aos sacramentos. Mas o cardeal Müller afirma que muita da confusão está na rejeição da “clara Doutrina [da Igreja] sobre os males intrínsecos”, como apresentada pela Encíclica Veritatis Splendor também de João Paulo II.

A Igreja ensina que ações intrinsecamente más são sempre e em todo lugar erradas, independente dos motivos e circunstâncias nas quais são praticadas. Exemplos dessas ações são  o aborto, o adultério e o suicídio.

A Veritatis Splendor ensina que todo mal intrínseco é errado para todos, independente de qualquer julgamento que a consciência pessoal faça. “Preceitos morais negativos,  que proíbem certas ações ou comportamentos como intrinsecamente maus, não aceitam exceções legítimas”.

Em outras palavras, o Mandamento de Deus “Não se deve…” é aplicado a qualquer pessoa em qualquer tempo.

Isso também está explicado no parágrafo 1650 do Catecismo da Igreja Católica, onde se lê: “Se os divorciados estão civilmente recasados, encontram-se em uma situação objetiva de contravenção à Lei Divina. Consequentemente, eles não podem ter acesso à Sagrada Eucaristia enquanto essa condição persistir.”

Coincidentemente, as questões apresentadas ao Papa Francisco e ao dicastério do Cardeal Müller pelos quatro cardeais nos Dubia estão centradas nesses dois pontos:

  • O papel da consciência em obedecer a Lei Divina.
  • Atos intrinsecamente maus nunca não podem ser feitos de consciência limpa.

O Cardeal Müller reforça que o papel dos padres e bispos é de esclarecer e não de confundir. E insiste que todos os sacerdotes e leigos aprendam a Fé. “Todos nós temos que entender e aceitar a Doutrina de Cristo e da Sua Igreja, e ao mesmo tempo estar prontos a ajudar os outros a entendê-la e colocá-la em prática, mesmo nas situações mais difíceis”, ele explicou.

 

3 fevereiro, 2017

Frades Franciscanos da Imaculada. A clausura para Padre Manelli se tornou ainda mais severa. Um decreto do Papa.

Por Marco Tosatti, 2 de fevereiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Há alguns dias, nós escrevemos sobre o novo decreto de comissariamento para o ramo feminino dos Franciscanos da Imaculada. Um decreto emitido com uma assinatura não apelável do Pontífice, justamente para evitar que um recurso junto ao Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica pudesse ter, como parece possível e provável, um desfecho feliz.
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Pe. Stefano Manelli. 

A Congregação para os Religiosos, presidida pelo cardeal brasileiro Braz de Aviz e pelo secretário franciscano Carballo, quer encerrar o capítulo do comissariamento dentro de um ano, convocando um capítulo logo após o verão. Mas há dificuldades.

Há forte resistência por parte de muitos religiosos contra o comissariamento que tem sido visto como uma forma de violência. Até hoje, da parte da Congregação não foram reveladas as razões e motivos para que a Ordem – uma das mais fecundas em termos de vocações – tenha sido decapitada e seu fundador, o padre Stefano Manelli, de 83 anos, obrigado a viver em uma espécie de clausura imposta.
Assim, quase quatro anos após o início dessa saga verdadeiramente extraordinária (não houve tal severidade nem contra os Legionários de Cristo, cujo fundador tinha aprontado de tudo e mais um pouco) e em antecipação a um possível capítulo, os fautores do novo curso temem que os fiéis de Padre Manelli possam acabar elegendo um governo da sua mesma linha.
Assim, há alguns dias, Padre Manelli recebeu um documento acordado numa audiência dos chefes da Congregação para os Religiosos com o Papa, e que, com o seu consentimento, estabelece:

“O Padre Stefano Manelli está obrigado a emitir um comunicado no qual declara aceitar e cumprir todas as disposições da Santa Sé e exortar os frades Franciscanos e as irmãs Franciscanas da Imaculada a manterem o mesmo comportamento.

Padre Manelli não poderá fazer nenhuma outra declaração aos meios de comunicação e nem aparecer em público.

Ele não poderá participar em qualquer iniciativa ou encontro, pessoalmente ou através dos meios de comunicação social.

O Padre Manelli está obrigado a enviar dentro do limite de 15 dias do presente decreto, todo o patrimônio econômico administrado pelas associações civis e qualquer outra quantia à sua disposição em plena disponibilidade de cada um de seus institutos.

Fica proibido ao Padre Manelli e Padre G. Pellettieri ter quaisquer relações com os Frades Franciscanos da Imaculada, exceto com aquelas comunidades onde habitarão com a permissão deste Dicastério. Evitar também qualquer contato com as Irmãs Franciscanas da Imaculada”.

Só ficou faltando o instrumento de tortura e a máscara de ferro, para o catálogo ficar completo. Em pleno 2017, na Igreja da Misericórdia. Certamente, Manelli e aqueles leais a ele serão acusados de crimes horrendos, mas então por que não dizê-lo e não submetê-los a julgamento canônico? A falta de clareza nas acusações, se é que existem, dão a impressão de uma perseguição alimentada por outros tipos de interesses. Ideológica, ou talvez ainda mais. E em um país onde os assassinos rondam impunes, a gravidade das restrições desperta uma sensação de irrealidade.

O ponto particularmente interessante é o do dinheiro. E que é muito: alguns falam num patrimônio de trinta milhões de euros. Mas que não estão nas mãos de Padre Manelli, mas sim de várias associações de leigos: Associação “Missão da Imaculada”,  Associação “Missão do Imaculado Coração” e “Associação Casa Editora Mariana”. De fato, em julho de 2015, o Tribunal de Revisão de Avellino cancelou o sequestro dos bens de propriedade das associações de leigos com um valor de cerca de 30 milhões. Os bens haviam sido sequestrados pela Procuradoria de Avellino, que levantara suspeitas de crimes de fraude e falsidade ideológica nas batalhas legais que se seguiram ao Comissariamento.

Então, como julgar as exigências feitas a Padre Manelli, uma vez que a Congregação tem conhecimento da situação jurídica sancionada pela lei italiana? Eu não consigo pensar em qualquer outra coisa, senão que essa é uma forma de violência psicológica e moral contra o frade ancião.

É interessante notar que este passo, tão severo, segue outro movimento sem precedentes acontecido há pouco dias, e certamente único, ou seja, a pressão exercida sobre o Grão-Mestre da Ordem de Malta, Matthew Festing, para renunciar, feita pessoalmente pelo Pontífice. A Ordem de Malta não é pobre, muito pelo contrário. Evidentemente, o frio exalta os ânimos autoritários, para bem além dos muros.

* * *

Leia também: Rejeitadas as acusações contra o fundador dos Franciscanos da Imaculada.

30 janeiro, 2017

Fraternidade São Pio X, reconciliação cada vez mais próxima.

Por Andrea Tornielli, La Stampa, 30 de janeiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com –  “Neste momento, estamos trabalhando no aprimoramento de alguns aspectos da figura canônica, que será a prelazia pessoal”. O Arcebispo Guido Pozzo, secretário da Comissão “Ecclesia Dei”, encarregada do diálogo com a Fraternidade São Pio X, confirma a Vatican Insider que a fase de plena comunhão com os lefebvrianos se aproxima. A meta do acordo está à vista, embora ainda demore algum tempo.

O superior da Fraternidade São Pio X, Dom Bernard Fellay, em 29 de janeiro de 2017, participou como convidado no programa “Terres de Mission” da TV Liberté. Durante a entrevista, Fellay confirmou que o acordo está a caminho e que para chegar à solução jurídica não será necessário esperar até que a situação da Igreja torne-se “totalmente satisfatória” aos olhos da Fraternidade São Pio X, que, ademais, em todos esses anos nunca deixou de mencionar o nome do Papa e de rezar por ele na celebração da Missa. Fellay enquadrou a atitude de Francisco para com a Fraternidade como parte da atenção às “periferias” e explicou a importância de colocar um fim à separação com Roma.

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[…]

Quanto aos problemas doutrinais, o essencial parece alcançado em vista do acordo. Aos membros da Fraternidade de São Pio X seria pedido o que é necessário para ser católicos, ou seja, a “professio fidei”, reconhecer a validade dos sacramentos celebrados com o Novus Ordo (a liturgia resultante da reforma pós-conciliar), a obediência ao Papa. Houve um diálogo e uma discussão sobre a relação entre magistério e tradição, enquanto ainda são objeto de aprofundamento – e até mesmo de desacordo que poderia permanecer – tópicos relacionados ao ecumenismo, à liberdade religiosa e ao relacionamento Igreja-mundo.

[…]

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29 janeiro, 2017

Foto da semana.

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Washington, EUA, sexta-feira, 27 de janeiro de 2017 – Milhares de pessoas participam da Marcha pela Vida. A manifestação contra o aborto na capital americana é realizada anualmente  desde 1973, quando a Suprema Corte americana legalizou o crime no país.

Neste ano, a Marcha contou com o apoio da Casa Branca. O presidente recém-eleito Donald Trump expressou seu apoio nas redes sociais e, pela primeira vez, um vice-presidente, Mark Pence, discursou durante o evento.

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26 janeiro, 2017

That’s Amoris.

Tradução literal (não poética) do leitor Fernando, a quem agradecemos:

No Vaticano
Onde Francisco Reina
Quando as pessoas se encontram
Eis o que dizem:

Quando a Igreja acerta a Rocha
e a Rocha divide o rebanho
É o amor! [É a Amoris]

Quando o documento do papa
É carimbado em Sant Gallen
É o amor! [É a Amoris]

Diferentes interpretações
De uma Exortação
‘Onde está Muller?’

Não há aqui perigo a fé
Então em poucos dias, Malta quebra
‘O Scicluna!’

Quando quatro cardeais escrevem
Mas não recebem resposta
É o amor! [É a Amoris]

Quando petições são assinadas
Dizendo, ‘Por favor repense!’
São ignoradas

Quando as homilias do papa
Insultam a todos
‘E a Curia’

Todos são acusados
De ler notícia falsa
‘Coprofagia’

Quando Austen Ivereigh
Diz: ‘Por favor me escute…’
É o amor! [É a Amoris]

‘Eu tenho um PHD, veja
Em Ambiguidade
E Nuances’

Contudo ele ainda oferece um recuo ligeiro
Se você ousar desafiar seu tweet
Como Spadaro

Tanto para um diálogo
Enquanto descobrimos que estamos bloqueados
‘Porque ele está encurralado’

Quando seremos todos libertados
desta cruel tirania
…É o amor? [É a Amoris?]

A teologia do Kasper
Serene apostasia
Oh, Por quanto tempo!

Acaso as Dubia enviadas
Cairam em uma saída de ar?
É o amor! [É a Amoris]

É o clima de medo
Engendrado por quatro anos
É o amor! [É a Amoris]

O Cara Rainha Celeste
invertenha, por favor?
Rogai por nós!

No Vaticano
Onde Francisco Reina
Quando as pessoas se encontram…

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25 janeiro, 2017

Grão-mestre da Ordem de Malta renuncia a pedido de Francisco.

Por Edward Pentin, National Catholic Register, 24 de janeiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: O grão-mestre dos Cavaleiros de Malta renunciou após uma disputa entre a Ordem e a Santa Sé, confirmou o porta-voz da antiga organização.

Segundo o porta-voz, Fra’ Matthew Festing renunciou após o papa Francisco pedir-lhe que deixasse o posto em um encontro na terça-feira, segundo a Reuters.

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Fra’ Matthew Festing

“O Papa lhe pediu que renunciasse e ele concordou”, declarou o porta-voz, acrescentando que o próximo passo seria uma formalidade em que o Conselho Soberano da ordem aprovaria a renúncia extremamente incomum. Normalmente, os grão-mestres ocupam o posto de modo vitalício.

A Ordem agora será administrada por seu número dois, o Grão-comandante, até que o novo líder seja eleito.

A Ordem de Malta e o Vaticano entraram em um embate, no mês passado, quando Fra’ Festing demitiu o Grão-chanceler Albrecht Freiherr von Boeselager, a terceira maior autoridade da Ordem. Pediu-se que Boeselager renunciasse e, quando ele se recusou por duas vezes, ocorreu a demissão justificada por insubordinação.

A razão ostensiva por trás do pedido de renuncia apresentado a Boeselager foi a de que ele foi considerado, em última instância, o responsável, após uma comissão de investigação, por permitir que contraceptivos fossem distribuídos pela agência humanitária da Ordem. Porém, a Ordem também alega ter havido outros fatores “confidenciais” em jogo, bem como uma “perda de confiança”.

Boeselager protestou contra as acusações e argumentou contra a forma como se deu sua demissão. Ele apelou ao Papa, que erigiu uma comissão de cinco membros para investigar as circunstâncias incomuns da demissão. Fra’ Festing recusou a cooperar, afirmando que a comissão estava interferindo na soberania e no direito da Ordem de gerir seus assuntos internos.

Também por trás da disputa estava acusações de uma ambiciosa associação alemão competindo pelo controle da Ordem, acusações de que o Grão-mestre estava sendo excessivamente autoritário, e conflitos de interesse entre os membros da comissão da Santa Sé.

Três membros da comissão, juntamente com Boeselager, estiveram envolvidos em uma doação recebida de $118 milhões por um fideicomissio na Suíça. Apesar de a documentação comprovar o contrário, o fideicomissio negou qualquer ligação com a Ordem.