Archive for ‘Atualidades’

6 agosto, 2020

Excelências: Chegou a hora de virar a página da Teologia da Libertação!

Carta Aberta do IPCO ao Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

“Errar é humano, mas perseverar no erro por arrogância é diabólico” (Santo Agostinho)

Segundo notícias de imprensa, o Conselho Permanente da CNBB irá discutir, no dia 5 de agosto, a “Carta ao Povo de Deus”, vazada para uma colunista da Folha de S. Paulo e assinada presumidamente por 152 bispos.

A carta é um forte ataque ao atual Governo, baseado muito mais em uma posição ideológica de esquerda do que na doutrina social da Igreja.

Os primeiros nomes dos signatários, que se tornaram públicos, são representativos de uma corrente episcopal cuja doutrina claramente inspirou a redação do documento. São prelados de ascendência alemã, hoje aposentados, que vibraram na sua juventude com a revolução marxista promovida pelos corifeus da Teologia da Libertação. Após o colapso da URSS, esses prelados – e outros da mesma corrente ideológica – se reciclaram com as utopias ambientalistas e indigenistas e, em outubro passado, promoveram o escandaloso culto à Pachamama nos jardins do Vaticano.

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3 agosto, 2020

Efeitos colaterais e uma resistência silenciosa.

Por FratresInUnum.com, 3 de agosto de 2020 – Na moita. Os bispos brasileiros gostam, mesmo, é de ficar na moita! Desconfiados, retraídos, contidos… Medem as palavras, escutam, observam, emitem uma opinião apenas quando têm a certeza de que aquilo é fatalmente óbvio ou tão consensual que não admite dissenso. Analisam os ingênuos aventureiros, mas à distância. No fundo, são réplicas daqueles velhos caipiras que ficam de canto, só de olho nos movimentos.

Eles não gostam de se expor.

A aposta dos eméritos e dos petistas desesperados, que pouco ou nada têm a perder, é a mais improvável de todas: querem tirá-los de cima do muro, onde já construíram não apenas um ninho, mas toda uma estrutura psicológica. A esquerda quer conflito, quer assanhar a discussão, quer forçar uma revolução na base do detonador, mas se esquece que estamos no… Brasil.

Brasileiro não gosta de indisposição. Tem as suas posições, manifesta-as quando e onde quer e, no mais, faz corpo mole. É aquele jeito astuto de se manifestar: sutilmente, sem escândalo e no boicote, só no boicote. Afinal de contas, ninguém quer se queimar, né?

Mas, nesta bagunça de uma semana atrás, muita gente se queimou! E se queimou feio.

O fato é que ninguém gostou na CNBB do modo como a coisa foi feita. Bem… Não é nenhum segredo pontifício o fato de que a Conferência manca do pé esquerdo, tem uma quedinha daquelas pelo petismo, padece duma saudade que tem nove dedos e fala “Nofa Sinhóra”. Mas, desautorizar o Conselho Permanente, vazar uma carta para a Folha, organizar um coro de apoiadores e, mesmo assim, deixar imóvel a opinião pública… Daí, é forçar a amizade.

Pior! Se o que queriam era tirar da moita a galera do centrão, o que eles conseguiram foi exatamente o contrário: provocaram uma manifestação contundente de bispos que não concordaram nem com o conteúdo nem com o modo como a coisa foi articulada. Como diria a personagem à pouco aludida, “nunca antef na hiftória defte paíf”, ao menos do ponto de vista episcopal, existiu uma reação tão declarada…, ainda que por trás das cortinas, sempre por trás das cortinas.

Do mesmo modo, os padres que formam a maioria do clero católico deram aquele desprezo básico por toda a tentativa de insurreição petista. Tipo aquela vergonha alheia com desejo de virar fumaça no meio do nada e nem deixar rastro. Que a maré não está pra peixe, isso também todo mundo sabe, mas a vontade de não se cansar sempre prevalece e… ninguém quer colocar um alvo bem no meio da cabeça.

Na verdade, na verdade mesmo, tudo não passa de uma grande sucessão de desgastes internos e externos, desgastes que, no final das contas, não vão dar em nada. E quem está na base sabe muito bem qual é o clima do povão!

Veremos daqui a alguns dias como se manifestará o Conselho Permanente. Fato é que, neste clima de todo mundo chateado com todo mundo, haverá que se administrar decepções, mas… é a vida! No dia seguinte, tudo continuará flagrantemente igual: os baderneiros de esquerda tentando puxar uma passeata, os de direita com cara de ódio e a grande maioria, a turma do “deixe dilso, para com ilso”, continuará na sua inércia, tão leves quanto o Pão de açúcar.

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1 agosto, 2020

“Trata-se de vocês”. Um leitor desabafa.

Comentário enviado pelo leitor André.

Se eu pudesse falar a esses bispos brasileiros que assinaram esse protesto, se tivesse onde escrever para que eles lessem, eu diria o seguinte:

Senhores bispos de mãozinhas dadas em missa - Assembléia Geral da CNBBSenhores bispos,

Vocês serão marcados como a geração eclesiástica em cujo exercício a Igreja Católica afundou no Brasil.

Não se trata apenas de uma crise mundial na Igreja, onde vocês são mais alguns dentre todos os bispos do mundo vivendo em uma crise contemporânea, porque em inúmeros países onde o secularismo avançou mais que aqui, a queda não foi tão drástica (países em todos os níveis de desenvolvimento).

Não se trata de culpar o êxodo rural, a favelização, porque nesses novos ambientes as igrejas pentecostais tem construídos impérios.

Não se trata de culpar pontificados que não aprovaram suas ações ou não aprovaram as mudanças que você queriam, porque conflitos entre Roma e bispados locais aconteceram também como um fenômeno mundial.

Não se trata de um povo que mudou drasticamente e abandonou a fé e religiosidade, porque o povo brasileiro entrou pras seitas, algumas extremamente absurdas.

Não se trata apenas de um povo que saiu porque queria modernidades e não suportou a rigidez católica, porque muitas dessas seitas são extremamente rígidas.

Também não se trata de um povo que saiu porque queria mais rigidez, porque o espiritualismo sem o conceito de pecado também engordou com ex-católicos.

Trata-se de vocês, da opção de vocês. Para a Igreja e para os católicos de nada serviram seus mestrados e doutorados em Roma, seus programas de comunicação caríssimos que só se comunicam internamente.

Não é apenas uma disputa de progressistas e conservadores, onde vocês (que se dizem majoritariamente progressistas) acusam os conservadores por todos os fracassos; é a escolha de vocês em colocar a política como missão de vida. O catolicismo de vocês (progressista, conservador, ou o que for) era a segunda opção e só poderia existir em um mundo moldado pela visão política de vocês.

Resultado, o ideal político de vocês não triunfou, e o povo mudou de religião. Não lhes sobrou nada! E vocês são tão fanáticos em sua utopia que só lamentam a derrota política, mas para o escandaloso fracasso religioso vocês dão uma desculpa entre os dentes de vez em quando.

Por que seus sociólogos não estudaram a sociedade brasileira quando a religião católica começou a definhar? Por que seus comunicadores sociais não desenvolveram algo para chegar a essa população? Por que seus “projetólogos” futurologistas não montaram cenários do que iria acontecer?

Vocês reclamam do crescente “extremismo” católico nas redes sociais. Sabem porque esses grupos crescem? Sem entrar em questões de fé, é porque esses grupos ficaram longe da ação de vocês, é porque o catolicismo desses grupos é extremamente devocional, marcado sim por teologias antigas (e cadê a moderna?). Tem seus problemas? Certamente que sim. Mas ficaram longe de vocês, e por isso conseguiram sobreviver. Saibam o seguinte, vão ser esses grupos o que vai restar da Igreja Católica no Brasil, serão sobreviventes à sua geração.

Vocês têm idade, eu sou um homem relativamente jovem que por motivos de trabalho já pesquisou muitos jornais das décadas de 50, 60, 70 e 80. Ali aparece a relevância do que foi a Igreja Católica em um Brasil mais ou menos recente, mesmo sem ser uma religião oficial, mesmo com a urbanização já intensa, mesmo com liberdade religiosa (as desculpas de vocês para a queda). Praticamente em todos os jornais, de todos os direcionamentos políticos, havia matérias de capa sobre a Igreja Católica (e pasmem, não era falando mal!), em todas as capitais. Não falo isso por um saudosismo de algo que não vivi, falo porque isso é uma constatação, um retrato do que era o catolicismo no Brasil. As outras religiões (à época minoritárias) tinham algum respeito pela Igreja. Quarenta anos depois, mais da metade dos que se diziam católicos não são mais, e os que sobraram não ligam para o que vocês dizem, ou por ser um catolicismo bem cultural ou porque são daquele grupo que vocês detestam e chamam de extremista. Vocês são apenas um grupo de burocratas que tem o controle sobre os bens de uma Igreja que um dia foi forte e majoritária, e é só por isso que as análises de conjuntura de vocês ainda são reportadas em algum lugar.

Vocês são a cara do fracasso. E podem chamar isso de mensagem extremista ou de ódio, porque eu tenho consciência que não é, eu estou escrevendo calmamente, apenas com alguma tristeza porque é uma realidade muito triste. Aliás, não precisa nem ser católico para lamentar esse cenário deprimente.

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31 julho, 2020

Prossegue atuação de grupos de pressão para acirrar divisão na Igreja e na CNBB.

Por FratresInUnum.com, 31 de julho de 2020 – Foi divulgada ontem uma carta de apoio à carta dos bispos petistas contra o presidente da república. Apesar de que se tenha publicado que havia mais de mil padres signatários, a verdade é que houve 879 padres, 6 irmãos, 114 freis (dos quais não sabemos quantos são ordenados) e 59 diáconos (dos quais não sabemos quantos são permanentes).

Mesmo que o número possa impressionar num primeiro momento, a verdade é que, num universo de 27 mil padres, o número representa apenas 3,9% do clero brasileiro, de modo que há ainda 96,1% dos padres que não coadunam formalmente com esta radicalização e divisão. Ademais, a carta não revela a idade média dos signatários, que, desconfiamos, será bastante alta.

Em todo caso, o fator mais importante para a análise do fenômeno não são os dados meramente estatísticos, neste caso muito baixos e inexpressivos, mas são outros quesitos, que pensamos serem mais determinantes:

Verdade objetiva. Não podemos jamais equivaler a ideologia com a realidade. As filosofias que enfatizam demais a narrativa ou apenas as articulações dos discursos pressupõem a inexistência da verdade, coisa que é flagrantemente mentirosa. A verdade não apenas existe, como ela é a maior força que move o mundo. Esses padres podem protestar o quanto quiserem, mas os seus protestos não terão o sufrágio do povo fiel exatamente por irem contra os fatos, por serem incoerentes.

Tendência do processo histórico e o momento atual. Um movimento popular que seja contrário ao processo histórico em andamento não pode ter sucesso se não estiver identificado com os sentimentos em voga na própria população. O petismo e todos os movimentos que lhe são solidários recaíram sob a hostilidade do povo como um todo. A própria CNBB recaiu sob a mesma hostilidade e está numa crise de credibilidade na sociedade brasileira, depois de terem apoiado de modo tão acrítico os movimentos de esquerda. Se esse processo não for revertido, a Igreja perderá toda a sua credibilidade.

Adesão da opinião pública e índices de crescimento religioso. Não existe no Brasil nenhuma localidade em que exista um índice de crescimento da Igreja Católica, enquanto os índices de crescimento das comunidades pentecostais, intrinsecamente conservadoras do ponto de vista moral, não param de crescer. Essa defasagem católica, causada pela teologia da libertação, não poderá ser resolvida com mais teologia da libertação. Além disso, essa defasagem, ainda mais representada por número tão pouco representativo do clero, é maximamente pouco incisiva sobre a opinião pública.

Desmoralização intelectual da teologia da libertação. Quando aconteceu o assalto da Teologia da Libertação na década de 70, o povo católico não estava minimamente preparado, ninguém sabia do que se tratava. Hoje, está todo mundo muito advertido, inclusive pelo próprio Magistério da Igreja, de modo que a sua tentativa de ação contra o laicato provocará uma reação proporcional do próprio laicato, com o sepultamento definitivo desta ideologia, sepultamento que lamentavelmente não aconteceu até hoje. O discurso da TL está desgastado, os partidos de esquerda estão desmoralizados, não lhes resta senão o uso do jus sperniandi. É justamente o que eles fazem com essas notas e cartas.

Efeitos colaterais. Manifestações como essas não são isentas de um efeito colateral importante, que é a localização de onde estão os elementos de esquerda mais radicais no clero. O povo agora pode saber quem são, onde estão e como atuam. Desta forma, a neutralização desses agentes comunistas dentro da Igreja pode ser mais facilmente realizada pelo laicato, não necessariamente de modo belicoso.

Divisão na Igreja. Se a Igreja já está num processo social de enfraquecimento, quanto mais se ela se dividir por questões políticas tão ideológicas. A aposta do clero libertador é usar este momento atual como ponto de ignição de um processo revolucionário que detone a revolta na parte esquerdista do clero. Dentro dos grupos libertadores, agora o debate é “como tirar os neutros de cima de muro” e acirrar ainda mais o debate. Se os bispos morderem a isca, começarão um processo de desgaste eclesial interno ainda maior que, somado aos desgastes da epidemia, do abandono dos fieis, das dificuldades pastorais presentes, será insuportável e não poderá ter uma longa sobrevida. O corpo eclesial sofrerá demais com o agravamento dessa divisão.

Uma análise calma e atenta nos mostrará que, embora os inimigos históricos da Igreja estejam comemorando de modo tão efusivo essas manifestações de racha e contenda, na verdade, o caminho mais sábio e mais prudente não é este. A Igreja não está em condições para enfrentar uma oposição generalizada, por dentro e por fora; ela já não goza mais do prestígio que gozava justamente por embrulhar com suas bandeiras essas máfias políticas; e, sobretudo, não podemos perder os fieis que ainda nos restam e que são amorosos, devotos, piedosos e sinceros.

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29 julho, 2020

Grupos de pressão se articulam em apoio aos bispos petistas.

Por FratresInUnum.com, 29 de julho de 2020 – Os católicos do país estão acostumados a ver movimentações eclesiásticas estranhas sem entender qual exatamente é a sua fonte. Os leigos não entendem nada, mas continuam assistindo coisas esquisitas acontecerem e não sabem exatamente o que fazer.

REDES SOCIAIS: das “Tias do Zap” aos Heróis da Resistência

Padres de esquerda em sua versão “tias do zap”.

Desde a eleição de 2018, quando a esquerda perdeu o protagonismo do debate político público, os grupos progressistas se confinaram em seus próprios círculos de debate, tentando encontrar meios para pressionar tanto a sociedade quanto a hierarquia da Igreja e, para isso, utilizam o mesmo método: lançam alguma provocação agressiva, a qual é posteriormente endossada por grupos de pressão, que publicam notas que só eles mesmos leem, mas que, multiplicando-se, criam a narrativa de um consenso absoluto, de uma aprovação oriunda, por assim dizer, de toda a humanidade.

Um exemplo claro disso foi a afrontosa e criminosa declaração do Padre Edson Adélio Tagliaferro, da Diocese de Limeira, que acusou numa homilia todos os eleitores do presidente da república de pecado e chamou-o, na sequência, de bandido. O padre não apenas se excedeu – como declarou a diocese posteriormente, minimizando a sua ação –, mas realmente cometeu calúnia grave e poderia ser processado por isto.

A metodologia posterior foi rigorosamente a mesma: o fato foi noticiado pela grande mídia e explodiu em sites de esquerda; em seguida, surgiu uma “repreensão” moderadíssima do seu bispo, que tomou distância daquele ato e pediu desculpas, apenas para evitar qualquer medida processual contra a diocese; depois, vieram as notas de apoio de diferentes grupos de esquerda, especialmente de um grupo autointitulado “Padres da caminhada”, um de grupo de padres da Teologia da Libertação que se articulam em todo o Brasil. Neste vídeo, o Padre Edson Tagliaferro agradece a cada um dos grupos apoiadores, citando, inclusive, este grupo de pressão, os “Padres da Caminhada”. A última versão da carta de apoio conta com 512 signatários, número irrisório, considerando-se que temos 27 mil padres no Brasil (mas que pode ser útil para traçar um mapa de onde se esconde o clero progressista brasileiro).

Agora, com a nota apócrifa escrita pelos bispos petistas e publicada à revelia da CNBB, o protocolo foi o mesmo: primeiro, a carta “vazou” na grande mídia – no caso, em nada menos que na Folha de São Paulo; depois, a CNBB tomou distância oficiosamente e, agora, começam a aparecer os apoios dos grupos de pressão.

O grupo “Padres da caminhada” está organizando um abaixo-assinado em apoio à Carta dos bispos petistas, obviamente com o objetivo de engrossar o coro e se articular ainda mais. É interessante notar como querem pegar números celulares de padres para aumentarem grupos de WhatsApp, a fim de afinarem a articulação e fazerem pressão simultânea sobre o episcopado, para puxá-los para a esquerda de modo cada vez mais declarado. Seria a versão “cebísta” das estigmatizadas “tias do zap”?

Outras organizações, também minoritárias e irrelevantes, lançam notas de apoio, como o Conselho Nacional do Laicato, o Conselho Justiça e Paz, o Centro Nacional de Fé e Política, o Núcleo de Estudos Sócio-Políticos, para dar impressão de endosso popular e criar aquela atmosfera de encorajamento totalmente artificial.

O problema dessas manifestações é que todas acontecem em um clima de segredo, quase como o de uma “sociedade secreta”, propiciado por pessoas que se sentem ameaçadas e estão acuadas, por não terem nenhuma conexão com a população real. O povo, por outro lado, nem se dá conta dessas manifestações; ao contrário, quando fica sabendo de algo, é com muita estranheza que o sabe e não se sente minimamente incluído em nada disso.

Em outras palavras, essas articulações são internas e de grupos que se comunicam entre si e falam apenas para si mesmos. Podem surtir algum efeito sobre a Conferência Episcopal, mas será sempre para a sua própria desmoralização social, pois o povo brasileiro está caminhando para outra direção. Este é um triste espetáculo de se ver: um grupo de padres idosos idealistas, que nunca saíram do “maio de 68” e estão no crepúsculo de suas vidas, aprisionados em seu próprio delírio.

Desgraçadamente, esses senhores apenas desmerecem a imagem da Igreja Católica no Brasil, já definhando pelo abandono em massa dos fieis, acelerado muitíssimo por esta epidemia, e que agora ainda tem de assistir tão deplorável psicose coletiva.

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27 julho, 2020

Dividida: a banda podre da CNBB racha com o resto da Conferência e abre fogo contra Bolsonaro.

Por FratresInUnum.com, 27 de julho de 2020 – Foi uma semana tensa para a ansiedade da velha guarda da CNBB, aqueles petistas de sacristia que alçaram voos para o episcopado com o pacto firme de promover a ascensão do partido mais corrupto da história, mas que, no final, fracassaram e estão terminando a vida frustrados. Frustrados! Fracassados! Diga-se em alto e bom tom! Frustrados, porque o povo pobre preferiu seguir as seitas pentecostais e renegar a politicagem mofada desses fanáticos comuno-lulistas. Fracassados, porque, salvo eles mesmos, ninguém leva a sério as notinhas que eles pretensiosamente pensam ser “profecia”.

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A conivência com a qual esses mesmos senhores sempre trataram os crimes do PT é vergonhosa. Eles sempre usaram a Igreja como máquina de propaganda do partido, sempre a mantiveram calada quando foi para proteger a sua cria, e, agora, querem usá-la mais uma vez para uma afronta que só beneficiaria o PT.

Por isso, a agitação panfletária da semana passada foi tão febril. Mesmo não conseguindo senão uma adesão minoritária, os bispos da esquerda não conseguiram se conter e soltaram para ninguém menos que a Folha de São Paulo o seu odioso panfleto.

Programada para ser publicada no dia 22, festa de Santa Maria Madalena, graças ao protesto de muitos bispos que não se quiseram acumpliciar, a tal “Carta ao Povo de Deus” foi adiada, adiada, até que… vazou!  Assim, ingenuamente, aproveitando a impossibilidade de que os bispos se reúnam fisicamente, já que a epidemia de coronavírus obteve o cancelamento da assembleia geral deste ano.

É interessante como, para as manifestações tradicionais, a CNBB precise manter a comunhão e os bispos devam conservar o consenso na mordaça, mas, para as manifestações de esquerda, os minoritários reivindiquem o direito de autonomia para se manifestar e publicar o seu protesto ideológico.

Nos bastidores, conjectura-se que o autor da carta tenha sido Dom Joaquim Mól, o qual aparece na matéria da Folha como um dos signatários. Se isso for verdade, como os bispos podem permanecer calados?

Eles votaram em quem para ser o Secretário Geral, em Dom Joel Portella ou em Dom Joaquim Mól?

Mól, de campanha vigorosa nas últimas duas eleições da CNBB, foi rejeitado em ambas pelo episcopado, graças também aos apelos feitos por este blog.

Como pode um bispo não eleito ter tanto poder assim? 

Outro articulador relevante do “manifesto” foi Dom Leonardo Ulrich Steiner, também defenestrado da presidência da CNBB na última eleição.

Ora, senhores bispos: a Assembléia Geral da CNBB, que elege e é a autoridade maior da entidade, é um simples jogo de cena?

Os senhores rejeitam dois prelados, mas deixam-se indiretamente ser guiados por eles?

Tomem postura! Falem! Façam algo!

É verdade que esse cenário contrasta com outra informação de bastidores, a de que o seu arcebispo, o presidente da CNBB, Dom Walmor Azevedo, teria se posicionado internamente contra a publicação. Mas, nesta altura do campeonato, isso é apenas um boato ou é realmente um teatro voluntário? Quem o pode saber?

Para além das conjecturas, um fato impõe-se como verdadeiro: Dom Walmor não teve a fibra moral de manter a Conferência Episcopal naquela propagada união de consenso e, agora, sob a sua presidência, a divisão que já era antiga fica escancarada. A tal “comunhão” foi quebrada. 

Há um grupo de agitadores que mantém a CNBB sob as suas rédeas e que agora se precipitou e causou escândalo. Apesar de uma grande parcela de bispos ter mandado notas de repúdio à presidência, a ala comunista avançou obstinada como um trem. Bom… Um mérito ela tem: para que serve uma Conferência Episcopal já que eles podem se lançar em iniciativas independentes e falar o que querem, aos quatro ventos, nos jornais? Justo esses que sempre usaram o nome da CNBB, agora, jogam a colegialidade do Vaticano II bem na lata do lixo!

Dane-se! Façamos profecia!

Seria esta uma oportunidade para os bons bispos do Brasil se posicionarem. O Brasil tem dimensões continentais… Para que ter uma Conferência Episcopal única? Não seria a hora de levar adiante o processo que já começaram na Amazônia, com a criação da tal Conferência Eclesial Amazônica – um organismo novo, desprovido de personalidade canônica e que ninguém sabe exatamente no que vai dar – e criar várias Conferências Episcopais no Brasil?

Que a CNBB era canhota todo mundo já sabia, mas, agora, realmente virou bagunça. Dividida, a CNBB virou um circo que perdeu a razão de existir. De partido político, virou uma piada política, e piada de mal gosto.

Uma pergunta fica: por que a matéria da Folha divulgou apenas alguns nomes dos 152 signatários, escondendo todos os demais? Será que alguém ali está com medo de ser exposto? Ora, o que mais interessa neste imbroglio é saber o nome de quem assinou: precisamos saber exatamente quem são e onde estão. 

Dom Walmor deveria pura e simplesmente renunciar! Ou, que tal — e os petistas tremem só de ouvir falar — um impeachment?

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25 julho, 2020

Os jesuítas da América Latina aproveitam a crise para apostatar do Deus verdadeiro.

Por José Antonio Ureta

O Foro Mundial de Davos quer aproveitar a “oportunidade de ouro” do colapso econômico pós-confinamento para operar um Great Reset do sistema, tornando-o mais ecológico, igualitário e global. Os jesuítas latino-americanos são mais ambiciosos: querem aproveitar a crise para mudar de Deus.

artigo1Eles o deixam claro na revista Aurora, lançada no início da epidemia pela Conferência de Provinciais na América Latina e no Caribe, da qual já publicaram quatro números com artigos de religiosos da Companhia de Jesus e de leigos ligados a ela.

 A mudança de paradigma divino, como era de esperar, se opera em nome do “discernimento” inaciano da situação. Não me estenderei sobre o abuso do conceito porque os leitores já viram em documentos e declarações do Papa Francisco, particularmente no capítulo VIII da Amoris laetitia, aonde sua deformação sociológica e relativista conduz.

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11 julho, 2020

Foto da semana.

Father John Killackey walking down Interstate 81 southbound on July 8, 2020.

Padre solitário administra os últimos sacramentos a motorista após acidente de carro fatal. 

Por Alyssa Murphy, National Catholic Register, 10 de julho de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com:

A imagem de um padre solitário caminhando pela Highway 81 despertou o interesse de milhares de católicos nesta semana.

Encharcado de tanta chuva, a imagem aparece como uma obra de arte de Norman Rockwell [ndt: um pintor norte-americano]; o preto de sua batina, pesado com a água, poderia ser manchas de tinta a óleo. O padre, agora identificado como padre John Killackey, ficou preso em uma fila de carros ao longo da rodovia depois que seis veículos foram envolvidos em um acidente na Interstate 81 South em East Hanover Township, em Lebanon, Pensilvânia, em 8 de julho de 2020.

O tráfego aparentemente parou devido a fortes chuvas. Um carro, sem perceber o tráfego parado, bateu na fila de carros e o motorista ficou gravemente ferido. O Padre Killackey então foi ao trabalho, caminhando entre os carros e os caminhões, oferecendo ajuda aos feriados. Padre Killackey conseguiu administrar os últimos sacramentos a uma pessoa, pouco antes da morte do motorista.

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7 julho, 2020

Por que a crítica de Viganò ao Concílio deve ser levada a sério.

Por Peter Kwasniewski, 29 de junho de 2020 | Tradução: FratresInUnum.com* – O recente “ataque” ao Vaticano II é um “momento de crise” para os tradicionalistas? Estamos indo contra um Concílio legítimo e louvável em vez de direcionar corretamente nossa ira à liderança inepta que o seguiu e o traiu?

Essa tem sido a linha dos conservadores há muito tempo: uma “hermenêutica da continuidade” combinada com fortes críticas às brigadas episcopais e clericais. A implausibilidade dessa abordagem é demonstrada por, entre outros sinais, o sucesso infinitesimal que os conservadores tiveram em reverter as “reformas” desastrosas, tendências, hábitos e instituições estabelecidas na esteira e em nome do último concílio, com aprovação ou tolerância papal. Um paralelo secular vem à lembrança: o terreno árido do “conservadorismo” político americano, no qual qualquer conformidade remanescente das leis humanas e das decisões judiciais com a lei natural está evaporando diante de nossos olhos.

O que o arcebispo Viganò tem dito recentemente com uma franqueza incomum nos sacerdotes de hoje (veja aquiaqui e aqui) é apenas uma nova parte de uma crítica de longa data oferecida pelos católicos tradicionais, do “O concílio de João XXIII” de Michael Davies  e “Iota Unum” de Romano Amerio a “O Concílio Vaticano II: uma história não escrita” de Roberto de Mattei  e o “Phoenix from the Ashes” de Henry Sire. Observamos bispos, conferências episcopais, cardeais e papas construindo um “novo paradigma”, peça por peça, por mais de meio século – uma “nova” fé católica que, na melhor das hipóteses, apenas se sobrepõe parcialmente e, na pior das hipóteses, contradiz a tradicional fé católica como a encontramos expressa nos Padres e Doutores da Igreja, nos concílios anteriores e nas centenas de catecismos tradicionais, sem mencionar os antigos ritos litúrgicos latinos que foram suprimidos e substituídos por ritos radicalmente diferentes.

Tão enorme abismo separa o velho e o novo que não podemos deixar de perguntar sobre o papel desempenhado pelo Concílio Ecuménico Vaticano II no desenrolar de uma história modernista que tem o seu início no final dos anos do século XIX e seu desfecho no presente. A linha de Loisy, Tyrrell e Hügel a Küng, Teilhard e Ratzinger (jovem) a Kasper, Bergoglio e Tagle é bastante reta quando se começa a conectar os pontos. Isso não quer dizer que não haja diferenças interessantes e importantes entre esses homens, mas apenas que eles compartilham princípios que seriam tidos como duvidosos, perigosos ou heréticos por qualquer um dos grandes confessores e teólogos, de Agostinho e Crisóstomo a Tomás de Aquino e Roberto Belarmino.

Temos que abandonar de uma vez por todas a ingenuidade de pensar que a única coisa que importa no Vaticano II são seus textos promulgados. Não. Nesse caso, os progressistas e os tradicionalistas concordam, com razão, que o evento é tão importante quanto os textos (neste ponto, veja o livro incomparável de Roberto de Mattei). A imprecisão dos propósitos para os quais o Concílio foi convocado; a maneira manipuladora como foi conduzido; a maneira consistentemente liberal em que foi implementado, quase sem reclamações do episcopado mundial – nada disso é irrelevante para interpretar o significado e significância dos textos do Concílio, que exibem gêneros novos e ambiguidades perigosas, sem mencionar passagens que têm todos os traços de erro claros, como os ensinamentos sobre os muçulmanos e os cristãos adorarem o mesmo Deus, dos quais o bispo Athanasius Schneider fez uma crítica devastadora em Christus Vincit [i] .

É surpreendente que, nesta fase tardia, ainda houvesse defensores dos documentos do Concílio, quando é claro que eles se prestavam primorosamente ao objetivo de uma total modernização e secularização da Igreja. Mesmo que seu conteúdo fosse inquestionável, sua verbosidade, complexidade e mistura de verdades óbvias com ideias duvidosas forneciam o pretexto perfeito para a revolução. Essa revolução agora está derretida nesses textos, fundida a eles como peças de metal passadas por um forno superaquecido.

Assim, o próprio ato de citar o Vaticano II tornou-se um sinal de que a pessoa deseja se alinhar com tudo o que foi feito pelos papas – sim, pelos papas! – em seu nome. Na vanguarda está a destruição litúrgica, mas exemplos podem ser multiplicados ad nauseam: considere momentos sombrios como as reuniões interreligiosas de Assis, cuja lógica João Paulo II defendeu exclusivamente nos termos de uma série de citações do Vaticano II. O pontificado de Francisco apenas pisou no acelerador.

Sempre é o Vaticano II que é usado para explicar ou justificar todos os desvios e afastamentos da histórica fé dogmática. Tudo isso é pura coincidência – uma série de notáveis interpretações infelizes  e julgamentos desobedientes que uma leitura honesta dos textos poderia dissipar, como o sol brilhando através das nuvens cinzentas?

Não existem coisas boas nos documentos?

Estudei e ensinei os documentos do Concílio, alguns deles inúmeras vezes. Eu os conheço muito bem. Como sou um devoto dos “Grandes Livros” e sempre lecionei para as escolas de Grandes Livros, meus cursos de teologia normalmente começavam com as Escrituras e os Pais da Igreja, depois entramos nos escolásticos (especialmente Santo Tomás) e terminavam com textos magisteriais: encíclicas papais e documentos conciliares.

Muitas vezes senti um aperto no coração quando o curso chegou a um documento do Vaticano II, como Lumen GentiumSacrosanctum ConciliumDignitatis HumanaeUnitatis RedintegratioNostra Aetate ou Gaudium et Spes.

É claro, é claro! – eles têm muito de belo e ortodoxo. Eles nunca teriam conseguido o número necessário de votos se fossem flagrantemente contra o ensino católico.

No entanto, eles também são produtos de comissões extensas, pesadas e inconsistentes, que desnecessariamente complicam muitos assuntos e carecem da clareza cristalina que um concílio deveria alcançar pelo trabalho duro. Tudo o que você precisa fazer é examinar os documentos de Trento ou os sete primeiros concílios ecumênicos para ver exemplos brilhantes desse estilo rigidamente construído, que interrompe a heresia em todos os pontos possíveis, na medida em que os pais do concílio eram capazes naquela conjuntura [ii]. E então há as sentenças no Vaticano II – e não poucas – em que se para e se diz: “Sério? Estou realmente vendo essas palavras na página na minha frente? Que coisa [bagunçada; problemática; próxima ao erro; errônea] a se dizer” [iii].

Eu costumava dizer, com os conservadores, que deveríamos “pegar o que há de bom no Concílio e deixar para trás o resto”. O problema dessa abordagem é capturado pelo Papa Leão XIII em sua Encíclica Satis Cognitum:

Os arianos, os montanistas, os novacianos, os quartodecimanos, os eutiquianos, certamente não rejeitaram toda a doutrina católica: eles abandonaram apenas uma parte dela. Ainda quem não sabe que eles foram declarados hereges e banidos do seio da Igreja? Da mesma forma, foram condenados todos os autores de princípios heréticos que os seguiram nos tempos subsequentes. “Não pode haver nada mais perigoso do que aqueles hereges que admitem quase toda a doutrina e, no entanto, por uma palavra, como com uma gota de veneno, infectam a fé real e simples ensinada por nosso Senhor e transmitida pela tradição apostólica” (Anon., Tratado da Fé Ortodoxa contra os Arianos).

Em outras palavras: é a mistura, a confusão, de grande, bom, indiferente, ruim, genérico, ambíguo, problemático, errôneo, tudo isso em enorme quantidade, que faz com que o Vaticano II seja merecedor de repúdio [iv].

Sempre houve problemas depois dos concílios da Igreja?

Sim, sem dúvida: os concílios da Igreja foram seguidos por um grau maior ou menor de controvérsia. Mas essas dificuldades eram geralmente apesar, não por causa da natureza e do conteúdo dos documentos. Santo Atanásio podia apelar repetidamente a Nicéia, como a uma bandeira de batalha, porque seu ensino era sucinto e sólido. Os papas após o Concílio de Trento podiam apelar repetidamente a seus cânones e decretos, porque o ensino era sucinto e sólido. Embora Trento tenha produzido um grande número de documentos ao longo dos anos em que as sessões ocorreram (1545 a 1563), cada documento é uma maravilha de clareza, sem uma palavra desperdiçada.

No mínimo, os documentos do Vaticano II falharam miseravelmente no propósito do Concílio, conforme explicado pelo Papa João XXIII. Ele disse em 1962 que queria uma apresentação mais acessível da Fé para o Homem Moderno. ”Em 1965, tornou-se dolorosamente óbvio que os dezesseis documentos nunca seriam algo que você apenas reuniria em um livro e entregaria a todos os leigos ou questionadores. Pode-se dizer que o Concílio caiu entre dois suportes: não produziu um ponto de entrada acessível para o mundo moderno nem um “plano de compromisso” sucinto para os pastores e teólogos confiarem. O que ele conseguiu? Uma enorme quantidade de papelada, muita prosa ventosa e uma cutucada: “Adapte-se ao mundo moderno, meninos!” (Ou, se você não se adaptar, tenha problemas – para emprestar uma frase de Hobbes – “com o poder irresistível do deus mortal” em Roma, como o arcebispo Lefebvre descobriu rapidamente.)

É por isso que o último concílio é absolutamente irrecuperável. Se o projeto de modernização resultou em uma perda maciça de identidade católica, mesmo de competência doutrinária básica e moral, o caminho a seguir é prestar os últimos respeitos ao grande símbolo desse projeto e vê-lo enterrado. Como Martin Mosebach diz, a verdadeira “reforma” sempre significa um retorno à forma – isto é, um retorno a uma disciplina mais rígida, doutrina mais clara, adoração mais completa. Não significa nem pode significar o contrário.

Existe algo da substância da Fé, ou algum benefício indiscutível, que perderíamos se nos despedirmos do último concílio e nunca mais ouvíssemos seu nome mencionado de novo? A Tradição Católica já possui em si imensos recursos (e, especialmente hoje, em grande parte inexplorados) para lidar com todas as questões irritantes que enfrentamos no mundo de hoje. Agora, quase um quarto do caminho para um século diferente, estamos em um lugar muito diferente, e as ferramentas de que precisamos não são as da década de 1960.

O que, então, pode ser feito no futuro?

Desde a carta do arcebispo Viganò em 9 de junho e seus subsequentes escritos sobre o assunto, as pessoas discutem o que pode significar “anular” o Concílio Vaticano II.

Eu vejo três possibilidades teóricas para um futuro papa.

  1. Ele poderia publicar um novo Sílabo de erros (como o bispo Schneider propôs em 2010) que identifica e condena os erros comuns associados ao Vaticano II, sem atribuí-los explicitamente ao Vaticano II: “Se alguém disser XYZ, seja anátema.” Isso deixaria em aberto o grau em que os documentos do Concílio realmente contêm os erros; no entanto, fecharia a porta para muitas “leituras” populares do Concílio.
  2. Ele poderia declarar que, olhando para o meio século passado, podemos ver que os documentos do Concílio, por causa de suas ambiguidades e dificuldades, causaram mais mal do que bem na vida da Igreja e deveriam, no futuro, não ser mais referenciados como autoritários na discussão teológica. O Concílio deve ser tratado como um evento histórico cuja relevância já passou. Novamente, essa postura não precisaria afirmar que os documentos estão errados; seria um reconhecimento de que o Concílio mostrou que “não vale o problema”.
  3. Ele poderia especificamente “negar” ou anular certos documentos ou partes de documentos, como partes do Concílio de Constança que nunca foram reconhecidas ou foram repudiadas.

A segunda e terceira possibilidades decorrem do reconhecimento de que o Concílio assumiu a forma, única entre todos os concílios ecumênicos da história da Igreja, de ser “pastoral” em propósito e natureza, de acordo com João XXIII e Paulo VI; isso tornaria deixá-lo de lado relativamente fácil. À objeção de que, ainda, forçosamente, ele diz respeito a questões de fé e moral, eu responderia que os bispos nunca definiram nada e nunca anatematizaram nada. Até as “constituições dogmáticas” não estabelecem dogmas. É um concílio curiosamente expositivo e catequético, que não resolve quase nada e incomoda bastante.

Como quer que seja que um futuro papa ou concílio lide com essa bagunça completamente arraigada, nossa tarefa como católicos permanece como sempre foi: manter a fé de nossos pais em suas expressões normativas e confiáveis, a saber, o lex orandi dos ritos litúrgicos tradicionais do Oriente e do Ocidente, o lex credendi dos Credos aprovados e o testemunho consistente do Magistério ordinário universal, e o lex vivendi mostrado a nós pelos santos canonizados ao longo dos séculos, antes da confusão se estabelecer. Isso é suficiente, e mais que suficiente.

[i]  Veja sinopse aqui.

[ii]  É digno de nota que João XXIII nomeou comissões preparatórias que produziram documentos curtos, justos e claros para o próximo Concílio trabalhar – e depois permitiram que a facção liberal ou “Reno” dos pais do Concílio descartassem esses projetos e os substituíssem por novos. A única exceção foi o Sacrosanctum Concilium, projeto de Bugnini, que navegou sem grandes problemas.

[iii]  Não se trata apenas de traduções ruins; as primeiras traduções eram geralmente boas e então depois as traduções pioravam os textos mais.

[iv] Como o cardeal Walter Kasper admitiu em um artigo publicado no L’Osservatore Romano em 12 de abril de 2013: “Em muitos lugares, [os Padres do Concílio ] tiveram que encontrar fórmulas de compromisso, nas quais, frequentemente, as posições da maioria são localizado imediatamente ao lado da minoria, projetado para delimitá-los. Assim, os próprios textos conciliares têm um enorme potencial de conflito, abrindo a porta para uma recepção seletiva em qualquer direção. ”

* Nosso agradecimento a um gentil leitor pela tradução fornecida.

1 julho, 2020

Padre Claude Barthe a Mons. Viganò: “Vosso exemplo nos ajuda”.

Um evento histórico: a crítica do Vaticano II por Monsenhor Viganò.

Carta-aberta do Padre Claude Barthe [1] | Tradução: FratresInUnum.com*

Basílica de São Pedro, novembro de 2012: Pe. Barthe lê a mensagem do Papa Bento XVI aos participantes da peregrinação 'Una cum Papa Nostro'.

Basílica de São Pedro, novembro de 2012: Pe. Barthe lê a mensagem do Papa Bento XVI aos participantes da peregrinação ‘Una cum Papa Nostro’.

Tomo a liberdade de reagir à declaração de Vossa Excelência, “Sobre o Vaticano II e suas conseqüências” (Chiesa e post concilio, 9 de junho de 2020), para sublinhar, modestamente, a importância desta declaração para a Igreja. 

Que me seja permitido resumi-la em cinco pontos:

1 – O Vaticano II contém textos “em oposição direta à doutrina até então expressa no Magistério” 

Vosso ataque ao Vaticano II visa:

  • Aquilo que está em desacordo direto com a doutrina anterior, como a liberdade religiosa, da declaração Dignitatis humanæ, e os fundamentos presente nas declaração Nostra ætate sobre as novas relações com as religiões não-cristãs; ao que poderíamos ainda acrescentar o decreto sobre o ecumenismo, Unitatis redintegratio, que introduziu a inovação da “comunhão imperfeita” que teriam aqueles que estão separados de Cristo e da Igreja;
  • Além de ambigüidades que podem ser utilizadas no sentido tanto da verdade quanto do erro, como o subsistit in do n. 8 da Constituição Lumen gentium: “A Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica”, em lugar de: “A Igreja de Cristo é a Igreja Católica”.

2 – Tais distorções doutrinais são a origem dos erros que se seguiram – de que o “espírito do Concílio” é a prova.

Vossa Excelência explica que os desvios ou elementos muito prejudiciais para a fé cristã, que marcaram o período pós-conciliar (como a Declaração de Abou Dhabi, mas também as jornadas de Assis, a reforma litúrgica, a prática da colegialidade), encontram sua origem nestas distorções.

Além disso, ressalta de vosso texto que o conceito “espírito do Concílio” confirma a especificidade inovadora dessa assembléia, “pois nunca houve um ‘espírito do Concílio de Nicéia’, nem ‘espírito do Concílio de Ferrara-Florença’ e muito menos um ‘espírito do Concílio de Trento’, assim como nunca houve um ‘pós-concílio’ depois do Latrão IV ou do Vaticano I”. 

3 – Tais distorções não podem ser corrigidas

As tentativas visando corrigir os excessos do Concílio Vaticano II, escreveis, foram impotentes:

  • A) Ou porque enveredou-se pela via insuficiente da “hermenêutica da continuidade”. Com efeito, isso é tanto mais inviável quando essa hermenêutica é tanto menos um retorno ao magistério anterior, mas representa a busca de uma terceira via entre inovação e tradição. Bento XVI, em seu discurso à Cúria Romana de 22 de Dezembro de 2005, defendia uma “hermenêutica da renovação na continuidade” contra a “hermenêutica da descontinuidade e da ruptura”. Mas esta última, porém, diz respeito tanto aos ‘tradicionalistas’ quanto aos ‘progressistas’, pois uns e outros consideram que o Vaticano II operou algumas rupturas.

 

  • B) Ou porque incitou-se o Magistério a “corrigir” os erros do Vaticano II. Justamente vós mostrais que este projeto, “mesmo com a melhor das intenções, mina as fundações do edifício católico”: com efeito, opor o magistério de amanhã ao de hoje, que contradisse o de ontem, levaria ao fato de que nenhum ato do Magistério jamais seria definitivo.

Assim, num complemento de 15 de junho (Chiesa e post concilo), Vopssa Excelência sustenta a opinião de que um Papa no futuro “poderia anular todo o Concílio”.

Se me é permitido ampliar a vossa análise, diria que a única solução para contradizer por um ato do Magistério um ato precedente é constatar que o ato em questão não é magisterial na plena força do termo. Por exemplo, Pastor Aeternus, do Concílio Vaticano I, em 1870, anulou de facto o decreto Frequens, do Concílio de Constança, em 1417, que pretendia institucionalizar a superioridade do Concílio sobre o Papa. Essa anulação foi possível porque a Santa Sé nunca reconheceu o valor dogmático de Frequens. Do mesmo modo, com o Vaticano II, encontramo-nos num cenário como o de Frequens, uma vez que os órgãos do próprio Concílio Vaticano II (Dz 4351) e toda a interpretação posterior assegura que este Concílio foi de natureza simplesmente “pastoral”, isto é, não dogmática. De fato, o grande meio para sair da presente crise do Magistério é deixar aquilo a que se chama “pastoral” para trás, e entrarmos de novo no dogmático: que o Papa sozinho ou o Papa e os Bispos unidos a ele se expressem magisterialmente e não mais “pastoralmente”. 

4 – O presente pontificado é um esclarecimento paradoxal

Vossa Excelência escreve: “Aquilo que, desde há anos, ouvimos enunciado, vagamente e sem clareza, da mais alta Cátedra, encontramo-lo depois elaborado num verdadeiro e propriamente dito manifesto dos partidários do presente pontificado”.

Era o que muitos sentem quando tentam dar uma pia interpretatio (n.t.: interpretação piedosa) dos textos controversos do Vaticano II: eles dizem que (n.t.: a doutrina claramente heterodoxa professada a partir dum magistério ambíguo e sem clareza) não é possível, pois que a aplicação (n.t.: ortodoxa dos textos conciliares), de certo modo autêntica, é feita hoje em dia. Os textos deste pontificado são uma conclusão dos pontos litigiosos do Concílio, como, por exemplo, o reconhecimento errôneo dos direitos da consciência na Exortação Amoris lætitia, cujo n. 301 declara que em certas circunstâncias o adultério não é pecado.

5 – Um dever de consciência pesa sobre os prelados da Igreja, quais tenham consciência dessa situação

Falando de si mesmo, dizeis: “Eu mesmo, com honestidade e serenidade, obedeci, ao longo de sessenta anos, a ordens questionáveis, acreditando que representassem a voz amorosa da Igreja; e hoje, com igual serenidade e honestidade, reconheço que me deixei enganar”.

Numerosos prelados, notadamente desde as últimas assembléias do Sínodo, são conduzidos a recuar diante das conseqüências atuais das causas que remontam há meio século. Vosso exemplo e encorajamentos podem ajudá-los a expressar, com consciência, e para o bem da Igreja, seus desacordos com estas causas: os pontos defeituosos do Vaticano II. 

[1] Pe. Claude Barthe é autor de Trouvera-t-il encore la foi sur la terre ? Une crise de l’Église, histoire et questions (François-Xavier de Guibert, 2006, 3a edição); La Messe de Vatican II. Dossier historique (Via Romana, 2018).