Archive for ‘Atualidades’

24 abril, 2017

Interdito sobre o grão-mestre. O Papa o proíbe de pôr os pés em Roma.

Por Sandro Magister, 18 de abril de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Foi convocado para o dia 29 de abril, em Roma, o Conselho Pleno de Estado entre os Cavaleiros Professos, o órgão que segundo norma de estatuto elegerá o novo Grão-Mestre da Ordem de Malta.

Como é de conhecimento público, o Grão-Mestre anterior, o inglês Fra ‘Matthew Festing, renunciou no dia 24 de janeiro, entregando nas mãos do Papa Francisco a sua demissão, em obediência à sua ordem.

Desde então, o governo supremo da Ordem está sob suplência do Lugar-tenente temporário, o Grão-Comendador Fra ‘Ludwig Hoffmann von Rumerstein.

No entanto, desde o dia 4 de fevereiro, o Papa Francisco também sobrepôs à Ordem um delegado especial de sua própria escolha e “porta-voz exclusivo”, dotado, de fato, com plenos poderes, na pessoa do Arcebispo Angelo Becciu, vice-secretário de Estado.

A carta a seguir é uma prova clara do exercício desses plenos poderes.

Em nome do Papa, Becciu proíbe o ex-Grão-Mestre Festing de participar na eleição de seu sucessor, e não apenas isso! Também o proibiu de pôr os pés em Roma por ocasião da eleição.

Aqui está a tradução completa da carta enviada para Festing no Sábado de Páscoa.

* *  *

O Delegado Especial

Junto à Ordem Soberana Militar e Hospitalária de

São João de Jerusalém

de Rodes e de Malta

00120 CIDADE DO VATICANO

Cidade do Vaticano, 15 de abril 2017

Caro Venerado Irmão,

lettera3A partir do momento em que aceitei a tarefa que me foi confiada pelo Santo Padre como seu delegado junto à Ordem Soberana Militar e Hospitalária São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, uma das minhas prioridades é aprofundar-me no conhecimento da Ordem, seja através de reuniões pessoais com os seus membros, seja através de correspondência. Desta forma, eu tenho sido capaz de apreciar a vitalidade da Ordem, bem como a complexidade de seus problemas. O que também surgiu foi uma certa desorientação, acompanhada de profundo sofrimento devido à crise recente. No geral, no entanto, pode-se ver claramente o desejo de virar a página, trabalhando para reconciliar os diferentes elementos e realizar uma revisão das Constituições.

No entanto, tendo em vista o Conselho Pleno de Estado a ser realizado em 29 de abril, muitos expressaram o desejo de que o senhor não venha a Roma e não participe das sessões de votação. Sua presença reabriria as antigas feridas, só recentemente cicatrizadas, e impediria o evento de ocorrer em uma atmosfera de paz e harmonia recuperada.

Em face do exposto, e tendo partilhado a decisão com o Santo Padre, peço-lhe, na competência de Delegado Especial, que não esteja presente no Conselho Pleno de Estado e que não faça nenhuma viagem a Roma nesta ocasião. Peço-lhe isso como um ato de obediência, pelo qual o senhor reconhecerá, sem dúvida, o seu sacrifício como um gesto de doação para o bem da Ordem de Malta.

Estendo-lhe os meus melhores votos de Feliz Páscoa e asseguro-lhe uma recordação constante em minhas orações.

Sinceramente em Cristo,

Arcebispo Angelo Becciu

Delegado Especial

Fra ‘Matthew Festing

Burks, Tarsot

Hexham NE48 1LA

Northumberland

GRÃ-BRETANHA

13 abril, 2017

É uma guerra de religião.

Por Roberto de Mattei, Il Tempo, Roma, 10-4-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comOs massacres de Tanta e Alexandria são um brusco chamado à realidade para o Papa Francisco, na véspera de sua viagem ao Egito. Os atentados no Oriente Médio e na Europa não são desastres naturais, evitáveis com encontros ecumênicos, como o que o papa Bergoglio terá em 28 de abril com o Grande Imã de Al-Azhar, mas são episódios que nos lembram a existência na Terra de divisões ideológicas e religiosas profundas que só podem ser remediadas pelo retorno à verdade. E a primeira verdade a recordar, se não quiser mentir para si mesmo e para o mundo, é que os autores dos atentados do Cairo, como de Estocolmo e de Londres, não são desequilibrados ou psicopatas, mas portadores de uma visão religiosa que desde o século VII combate o Cristianismo. Não só a Europa, mas o Ocidente e o Oriente cristão, definiram ao longo dos séculos a sua própria identidade defendendo-se de ataques do Islã, que nunca renunciou à sua hegemonia universal.

attentato-chiesa-egitto-tanta-alessandria-2

Diversa é a análise do papa Francisco, que na homilia do Domingo de Ramos reiterou sua proximidade com aqueles que “sofrem com um trabalho de escravos, sofrem com os dramas familiares, as doenças… Sofrem por causa das guerras e do terrorismo, por causa dos interesses que se movem por detrás das armas que não cessam de matar”. Erguendo os olhos por cima do papel, o Papa acrescentou que reza também pela conversão do coração “daqueles que fabricam e traficam as armas”. O Papa Bergoglio repetiu o que tem declarado muitas vezes: não é o Islã em si mesmo, e nem o seu desvio que ameaça a paz do mundo, mas os “interesses econômicos” dos traficantes de armas. Na entrevista com o jornalista Henrique Cymerman, publicada no diário catalão “La Vanguardia” em 12 de junho de 2014, Francisco disse: “Descartamos toda uma geração para manter um sistema econômico que não se sustenta mais, um sistema que para sobreviver deve fazer a guerra, como sempre fizeram os grandes impérios. Mas, já que não se pode fazer a terceira guerra mundial, então se fazem guerras locais. O que isso significa? Que se fabricam e vendem armas e, assim, fazendo os balanços das economias idólatras, as grandes economias mundiais que sacrificam o homem aos pés do ídolo de dinheiro, obviamente se curam.”

O Papa não parece acreditar que se possa escolher entre viver e morrer para realizar um sonho político ou religioso. O que moveria a História seriam os interesses econômicos, que antes eram os da burguesia contra o proletariado, e hoje são os das multinacionais e dos países capitalistas contra “os pobres da terra”.

A esta visão dos acontecimentos, que provém diretamente do economicismo marxista, contrapõe-se atualmente a geopolítica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do presidente da Federação Russa, Vladimir Putin. Trump e Putin redescobriram os interesses nacionais dos seus respectivos países, e no tabuleiro do Oriente Médio travam uma dura partida no jogo diplomático e midiático, não excluindo transpô-la para o plano militar. O Islã agita por sua vez o espectro da guerra religiosa no mundo.

Quais são as palavras que, na véspera da Santa Páscoa, os fiéis esperam do Chefe da Igreja Católica? Esperamos ouvi-lo dizer que as verdadeiras causas das guerras não são nem de ordem econômica, nem de ordem política, mas acima de tudo de ordem religiosa e moral. Que as guerras têm suas origens mais profundas nos corações dos homens e sua raiz última no pecado. Que foi para redimir o mundo do pecado que Jesus Cristo sofreu a sua Paixão, que é agora também a Paixão de uma Igreja perseguida em todo o mundo.

Na oração pela paz que compôs em 8 de setembro de 1914, assim que eclodiu o primeiro conflito mundial, Bento XV exortou a implorar privada e publicamente “a Deus, árbitro e dominador de todas as coisas, para que, lembrando-Se de sua misericórdia, afaste este flagelo da ira com o qual faz justiça pelos pecados dos povos. Imploremos que, nas nossas orações, nos assista e ajude a Virgem Mãe de Deus, cujo felicíssimo nascimento, que celebramos neste mesmo dia, refulja para o transviado gênero humano como aurora da paz, devendo Ela dar à luz Aquele no qual o eterno Pai queria reconciliar todas as coisas ‘ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus’ (Col. 1, 20) “.

É um sonho imaginar que um Papa venha a dirigir à humanidade palavras deste quilate, em uma situação internacional tempestuosa como a que vivemos hoje?

10 abril, 2017

Dom Antonio Keller: quem pratica aborto ou promove, mesmo políticos, comete pecado grave.

REDAÇÃO CENTRAL, 03 Abr. 17 / 12:00 pm (ACI).- O aborto é o homicídio voluntário de um inocente e quem pratica, promove ou colabora com tal prática incorre em pecado grave, reforçou o Bispo de Frederico Westphalen, Dom Antonio Carlos Rossi Keller, em uma nota pastoral sobre a questão do aborto, publicada no site da Diocese.

“Frente a novas tentativas da implantação de leis que, de certa forma, tornam mais flexíveis e ampliadas as possibilidades da realização de abortos em nosso país, como bispo desta Diocese não posso calar-me”, afirmou o Prelado.

No início de março, o PSOL e o Instituto Anis protocolaram no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), solicitando a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. Na ação, o partido pede ainda a concessão de liminar para que, enquanto a ADPF não seja julgada, o aborto até os 3 meses de gravidez já seja liberado.

A ação está sob a relatoria da ministra Rosa Weber, a qual, em novembro de 2016, se manifestou favorável a descriminalização do aborto até os três meses de gestação, durante o julgamento de um habeas corpus na Primeira Turma do STF.

Outra ação no Supremo que diz respeito à questão do aborto é a que pede a descriminalização da prática em caso de infecção da gestante pelo vírus Zika, apresentando como argumento a possibilidade de malformação do feto.

Por outro lado, na Câmara dos Deputados, há o Projeto de Lei 7371/2014, que trata do combate à violência contra a mulher e fala da criação de um fundo para comprar equipamentos e custear treinamento com esta finalidade.  Porém, segundo denunciam grupos pró-vida, esta iniciativa possibilitará o aporte de verbas de organizações internacionais para que sejam feitos abortos no Brasil.

Diante dessa realidade no Brasil, Dom Keller considera que “é preciso dizer as coisas com clareza: o aborto nada mais é do que o homicídio voluntário de um inocente. E quem nele participa incorre na excomunhão latae sententiae, que significa que a própria pessoa se coloca em um estado de separação grave da comunhão eclesial, ainda que seja necessário avaliar o grau individual de responsabilidade”.

O Prelado assinala ainda que “para todos, inclusive para os políticos que apoiam e sustentam tão iníqua desobediência à Lei de Deus, votando favoravelmente leis que ampliam permissividades em relação à realização do aborto, também se aplicam as graves palavras do Apóstolo São Paulo na 1ª Carta aos Coríntios: ‘Aquele que come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente… come e bebe a sua condenação’ (1º Coríntios 11,27.29)”.

Em sua nota pastoral, o Bispo de Frederico Westphalen recorda “o juízo da Igreja Católica em relação ao aborto querido, buscado e realizado não foi modificado”. Ele cita a Encíclica Humanae Vitae, na qual o Beato Paulo VI afirma: “Em conformidade com estes pontos essenciais da visão humana e cristã do matrimônio, devemos, uma vez mais, declarar que é absolutamente de excluir, como via legítima para a regulação dos nascimentos, a interrupção direta do processo generativo já iniciado, e, sobretudo, o aborto querido diretamente e procurado, mesmo por razões terapêuticas”.

Refere-se também à Carta Apostólica “Misericordia et Misera”, na qual o Papa Francisco manteve a sua orientação para o Jubileu da Misericórdia de conceder a todos os sacerdotes “a faculdade de absolver a todas as pessoas que incorreram no pecado do aborto”, mas afirma: “Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente”.

Entretanto, Dom Keller alerta que “o assim chamado “delito abominável” (Gaudium et spes, n.51) assume hoje, na cultura do início do século XXI uma perda da consciência de sua gravidade”.

“A aceitação do aborto na mentalidade, nos costumes e principalmente, na legislação permissiva é um sinal eloquente de uma grave crise de sentido moral, que faz dos nossos tempos um período obscuro da história humana, onde predomina a incapacidade de distinguir entre o bem e o mal, mesmo quando o que está em jogo é o direito fundamental e elementar da vida, da existência”, acrescenta.

Diante disso, o Prelado lembra que “os interventos do Magistério da Igreja” “vão sempre na linha da reafirmação do mal objetivo do aborto, bem como da gravidade do pecado para quem o comete, para quem auxilia na sua realização e para quem com ele coopera”.

“Tal posicionamento severo do Magistério da Igreja, em relação ao aborto, não é uma contradição à sua pregação de misericórdia e perdão. A razão pela qual a Igreja considera excluído dela a quem realiza, sustem ou apoia o aborto está em coerência com seu ensinamento moral”, completa.

Para ler a íntegra da nota pastoral de Dom Antonio Keller, acesse o site da Diocese de Frederico Westphalen.

10 abril, 2017

Padre Roberto Lettieri, o veredito [Atualizado].

[Atualização: 10 de abril de 2017, às 17:40 – A pedido das partes envolvidas, retiramos o conteúdo do ar. Esperamos em breve manifestação oficial.]

* * *

Como nosso único objetivo é informar, e não se arvorar como juízo, a caixa de comentários está fechada.

Rezemos pelo Padre Roberto!

7 abril, 2017

A César o que é de Deus?

Por André Tomaz de Carvalho

Sabemos que próceres secularistas e militantes anticristãos de variados matizes não veem problemas em que o Estado anule qualquer soberania que a Igreja possa ter sobre suas práticas, sobre o que defende seu Magistério, sobre o decoro de seus ritos, enfim, sobre todo e qualquer elemento que a permita existir e agir no mundo. Mas não é esse o modelo de Estado formalmente vigente. Pelo menos ainda. E por isso nos parece que a lei deve prevalecer no caso de profanação que está sendo amplamente comentado nas redes sociais. O leitor poderá conhecer em maior detalhe o ocorrido ao ver a matéria publicada recentemente aqui.

Após análise do caso, tem-se, em resumo, que um senhor, provavelmente por sua exaltação contra o rito latino (como comentaremos), quis receber a Eucaristia na mão – o que em si apenas constitui uma exceção menor ao rito –, mas quis também, em desafio, deixar o altar com ela em sua mão. Disse que comungaria como quisesse e onde quisesse, e que aquela não era a sua religião. Em seguida, quando cercado por acólitos e por parte da assembleia, tentou deixar o altar à força, ato em que caiu no chão com o Sacramento em seu punho fechado (o que obviamente o despedaçou), e resultou em sua imobilização para que se retirassem de sua mão os fragmentos do Corpo Eucarístico. Como resultado, o cidadão bradou que era procurador, que acabaria com a vida do sacerdote, e registrou queixa-crime de lesão corporal.

A nosso ver, a conduta do procurador foi péssima sob três aspectos distintos.

Primeiro, porque o fiel, que posteriormente se presumiu grande canonista ao apontar ao policial (na queixa-crime) seu direito de receber na mão a Eucaristia desde o Concílio Vaticano II, provou-se errado por (no mínimo) ignorar algo de conhecimento comum: que a Eucaristia, mesmo se dada na mão pelo sacerdote, deve ser consumida imediatamente. Ignorava que nem sob a forma nova do rito, que ele erradamente considera haver revogado todas as outras, lhe seria permitido consumir o Cristo Eucarístico onde ele quiser, como ele quiser – como vemos no documento Redemptionis Sacramentum, cap. IV, n.92. E dissemos “ignorava” por mera concessão, visto que sua tentativa de afastamento com a Eucaristia nas mãos parecia derivar de sua aversão ao rito tradicional, aparentemente relegado por ele ao status de uma prática quase herética: “Essa Missa não existe! Isso não existe!”, dizia. Em suas próprias palavras (conforme testemunhos), aquela não era a sua religião. Errou também por afirmar, conforme suas próprias palavras na queixa-crime, que o Cristo Eucarístico “não pertence ao padre, mas a todo fiel”. Embora belas, estas palavras (que soariam tão bem em certos círculos teológicos) traem novamente um mau entendimento do tema. Mesmo quem não é canonista entende que o Cristo Eucarístico, pessoa que é, não pertence a ninguém: nem ao padre, nem ao fiel leigo, mas a Si mesmo, e deve ser dado, recebido e consumido conforme Ele escolheu, e conforme ensinado a nós por intermédio do Magistério, incumbido de definir as práticas da comunhão.

Segundo, errou por preferir crer-se tão conhecedor, que – literalmente ensinando o padre a rezar a Missa – preferiu fiar-se em suas certezas a ponto de expor o Corpo de Cristo a maus-tratos, interromper o rito e escandalizar a assembleia, ao invés de suspeitar que tanto sua autoridade quanto suas credenciais (jurídicas, por exemplo) não lhe valiam ali na mesma medida que no ofício secular que realiza como procurador.

Terceiro, porque desejou constranger o sacerdote com sua autoridade secular, visto que este não conduziu a Missa e a comunhão como ele quis. Dizendo-se procurador, prometeu “destruir a vida” do sacerdote. É impossível haver caso mais emblemático. Visto que sua ameaça veio junto com a declaração de sua posição de poder, não é exagero especular que o protagonista deste episódio possa neste momento estar exercendo sobre o sacerdote pressões indevidas baseadas em seu cargo – pressões que, se de fato existentes, constituiriam abuso de autoridade –, mas o que é concreto e certo é que registrou contra ele uma queixa-crime de lesão corporal. Seu testemunho na queixa-crime é contrariado por diversos outros, fornecidos espontaneamente pela assembleia.

Quanto a este terceiro aspecto, especialmente grave, perguntamo-nos: acaso pode qualquer um julgar-se soberano do rito religioso, exceto o celebrante? Ainda mais especificamente, pode um prócer secular valer-se de seu poder para impor sua vontade sobre a do celebrante na condução deste rito? A resposta é evidentemente negativa. Em verdade, por ser crime o vilipêndio a culto, é a queixa-crime do procurador que parece carecer de fundamento. Pois não é necessário ser jurista para deduzir o óbvio: se é ilícito ferir a integridade e a dignidade de um culto religioso, é lícito defendê-lo – inclusive com o uso de força proporcional – contra quem esteja cometendo este crime. Se é ilícito violar uma dama, é lícito usar a força para parar quem esteja naquele momento cometendo tal crime. É o que se chama de “legítima defesa”, a ser realizada no momento imediato, e de maneira proporcional. Mesmo sendo profanação grave o que ocorria, a pessoa não foi linchada, não foi golpeada, mas imobilizada após haver caído no chão enquanto tentava abrir caminho à força. E foi imobilizada apenas para que se retirasse de sua mão – em pedaços – a Eucaristia que nela estava. Não se pode pretender ilícito o uso da força para defender a integridade do rito religioso de uma assembleia (e de seu elemento principal, o Cristo Eucarístico), pois há uma lei que define como crime o ultraje a culto. Do contrário, seria como haver uma lei que prevê como crime o roubo, mas considerar-se ilegal usar força proporcional contra quem esteja, em flagrante, cometendo aquele mesmo roubo.

Se o leitor concorda conosco, reiteramos que por favor manifeste na página de Facebook do padre Anderson Batista seu apoio a ele e aos fiéis que defenderam a integridade da Eucaristia e interromperam o ultraje que ali se perpetrava. Pelo que parece, a queixa-crime do procurador está sendo confrontada com uma queixa oposta, movida pelo sacerdote [informação ainda não confirmada].

Reiteramos também o pedido feito em publicação anterior:

1) Oferecer orações em desagrado a Nosso Senhor e nas intenções do padre Anderson Batista da Silva. Neste momento, mais do que nunca, suas orações serão de grande conforto e ajuda. Sejamos generosos!

2) Escrever à Arquidiocese de Niterói parabenizando-a por ter em seus quadros um sacerdote tão bravo e piedoso como o padre Anderson, que há muitos anos dá o seu melhor na defesa da doutrina e da liturgia da Igreja Católica. As mensagens podem ser postadas no Facebook da Arquidiocese e no site da arquidiocese de Niterói.

Peçam à Arquidiocese que AMPARE e APOIE o padre Anderson contra quaisquer processos judiciais que ele venha sofrer e que não o abandone nessa aflição. Que a Arquidiocese de Niterói não se dobre às ameaças do reclamante e ao seu status social (como ele mesmo disse, seria procurador), mas norteie-se tão somente pelo zelo para com a Eucaristia.

3) Rezar por esse senhor que apareceu inesperadamente na paróquia e causou tanta confusão. Que Deus o ilumine e que ele venha a se dar conta da grande afronta que causou ao Cristo Sacramentado, do distúrbio que causou ao insultar a forma tradicional do rito, do ultraje que foi querer – em tom de desafio e desprezo pela celebração – deixá-la com a Eucaristia em seu punho, e da gravidade da ameaça que fez ao sacerdote.

5 abril, 2017

Niterói: gravíssimo ataque a Nosso Senhor e a Sacerdote durante Missa Tradicional.

Um sacerdote piedoso, um grupo de acólitos expeditos e um procurador inconformado com a reverência eucarística na missa tradicional.

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e Vos ofereço o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos de Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.” (Oração ensinada por um Anjo a três pastorinhos em Fátima, por ocasião das aparições de Nossa Senhora em 1917)

anderson

Caríssimos leitores, publicamos a seguir um relato que nos chega de fiéis da Arquidiocese de Niterói acerca de um gravíssimo incidente ocorrido na última Quarta-Feira de Cinzas na igreja de São Domingos de Gusmão, em Niterói. Nossos leitores certamente conhecem o reverendíssimo padre Anderson Batista da Silva, sacerdote mencionado nos acontecimentos narrados. Pedimos que leiam o relato com atenção e atendam às nossas petições ao final.

* * *

Na Quarta-Feira de Cinzas, tudo estava pronto para a celebração da Santa Missa na igreja de São Domingos de Gusmão. Pouco a pouco os fiéis entravam na igreja e se preparavam para pedir a Graça de Deus para entrarem no espírito da Quaresma.

A cerimônia seria no “rito em latim”, ou na “forma extraordinária do rito romano”, como o então Papa Bento XVI a chamou em seu motu proprio Summorum Pontificum, que liberou esta bela liturgia a todos os padres que a quisessem celebrar, sem qualquer empecilho, bastando apenas um grupo estável de fiéis que a reivindicassem.

Nesse dia em que os fiéis receberiam na fronte o sinal da cruz com as cinzas bentas e a exortação para crer no Evangelho e converter-se, aconteceu um incidente gravíssimo e lamentável. Certo senhor, desde a sua chegada, passou a reclamar, sempre em voz alta, acerca de diversas questões (da duração, do rito, do canto gregoriano etc.), incomodando sobremaneira quem estava perto.

Chegada a hora da Comunhão, como de costume, os fiéis formavam fila em direção ao altar e, ajoelhados, recebiam sobre a língua o Corpo de Cristo, da maneira preconizada pela prática milenar da Igreja. Todos os fiéis que participavam daquela missa estavam cientes deste modo de recepção do Sacramento segundo a forma do rito, até mesmo porque o padre Anderson costuma didaticamente explicar os detalhes das celebrações antes de seu início. A Comunhão na boca e de joelhos é, neste rito, a forma padrão.

O mencionado senhor entrou na fila da Comunhão, onde continuou com sua postura de reclamação, e, ao chegar para comungar, negou-se a receber a Comunhão na forma prescrita para o rito tradicional: exigia que a hóstia lhe fosse dada na mão. O amável pastor explicou calmamente que, na forma tradicional, a maneira prescrita de recepção do Sacramento era de joelhos e na língua, e que a matéria não era de escolha opcional do fiel. Porém o homem não se conformou com a explicação e, em voz alta, exigiu novamente que o recebesse na mão. Provavelmente desejando evitar maior perturbação da cerimônia, e considerando a gravidade de negar o sacramento a um fiel, o sacerdote preferiu conceder e dar-lhe a Comunhão na mão. O homem foi gentilmente informado de que deveria então comungar. Tendo o Sacramento em sua mão, fechou-a e negou-se a comungar, dizendo que era livre para comungar como quisesse, pois a Hóstia não pertence ao padre. Gritou, além disso, que aquela não era a sua religião e que aquela Missa não existia. Nesse momento, os que estavam próximos, tanto acólitos quanto parte dos fiéis, avisaram-lhe algo que não é matéria de concessão: ele não poderia sair dali com a Hóstia consagrada. Ignorando o aviso, o homem ameaçou os que o cercavam, e disse que passaria à força. Num acesso de fúria, o homem contou, gritando, “um, dois, três!!!”, e partiu violentamente para cima das pessoas que o cercavam, como que para derrubá-las e sair da Igreja de posse do Santíssimo Sacramento. Nesse esforço, o homem foi ao chão. Os acólitos e os mencionados fiéis apenas o imobilizaram (sem o agredir) para contê-lo e conduzi-lo à sala anexa que dá entrada à sacristia, na lateral da igreja, onde poderiam recuperar de sua mão os fragmentos do Corpo de Cristo. Em seguida, todos se afastaram desse senhor sem lhe infligir qualquer agressão, o que não se pode dizer dele próprio, que, com muita violência, distribuía pontapés enquanto se encontrava no chão. Durante todo este tempo, os demais fiéis, que estavam distantes do tumulto, permaneceram devotamente rezando a Ave-Maria.

O reverendo padre Anderson, durante todo o ocorrido, parecia estarrecido; continuou segurando a âmbula na mão. (Ele não podia segurar a âmbula e intervir na situação ao mesmo tempo.) Após o tumulto, o local do incidente teve de ser purificado, conforme os ritos apropriados, pois partículas da Hóstia consagrada espalharam-se no chão.

Após a ocorrência desse pavoroso ato de profanação e ultraje, que perturbou a paz de todos que se encontravam na igreja, o homem, após sair do local, voltou pela entrada principal e ali gritou e fez ameaças, dizendo que era procurador, e que acabaria com a vida do padre. Disse que iria à delegacia prestar queixa do ocorrido.

Especialmente triste parecia ser a situação da senhora que o acompanhava, pois parecia ser de saúde frágil e se mostrava extremamente constrangida com o escândalo promovido pelo seu acompanhante.

O padre ficou visivelmente abalado com o episódio, mas, com o passar do tempo, pensamos que não haveria mais problemas. Ledo engano. Recentemente, tomamos conhecimento de que há uma queixa-crime contra ele. O teor da acusação consistiria em que o agressor e profanador da Eucaristia teria sido agarrado pelos acólitos e fiéis próximos e arrojado ao chão. O padre seria o culpado!

Queixa-crime, ameaça de processo judicial e promessa de destruição de reputação: eis o prêmio por não haver impedido seus acólitos e a assembleia de defender Jesus na Eucaristia. Difícil imaginar lógica mais tortuosa para proceder a tão leviana acusação: o padre, provavelmente, por ser considerado tão “retrógrado” quanto o rito tridentino, foi tido como mandante de lesão corporal.

* * *

Termina aqui este relato do que aconteceu na última quarta-feira de Cinzas na paróquia de São Domingos de Gusmão. Passemos agora às petições que mencionamos no início.

1) Oferecer orações nas intenções do padre Anderson Batista da Silva. Os leitores podem se manifestar a esse respeito nos comentários ou nas redes sociais. Neste momento, mais do que nunca, suas orações serão de grande conforto e ajuda. Sejamos generosos!

2) Escrever à Arquidiocese de Niterói parabenizando-a por ter em seus quadros um sacerdote tão bravo e piedoso como o padre Anderson, que há muitos anos dá o seu melhor na defesa da doutrina e da liturgia da Igreja Católica. As mensagens podem ser postadas no Facebook da Arquidiocese e no site da arquidiocese de Niterói.

Peçam à Arquidiocese que AMPARE e APÓIE o padre Anderson contra quaisquer processos judiciais que ele venha sofrer e que não o abandone nessa aflição. Que a Arquidiocese de Niterói não se dobre às ameaças do reclamante e ao seu status social (como ele mesmo disse, seria procurador), mas norteie-se tão somente pelo zelo para com a Eucaristia.

3) Rezar por esse senhor que apareceu inesperadamente na paróquia e causou tanta confusão. Que Deus o ilumine e que ele venha a se dar conta da grande afronta que causou ao Cristo Sacramentado, do distúrbio que causou ao insultar a forma tradicional do rito, do ultraje que foi querer – em tom de desafio e desprezo pela celebração – deixá-la com a Eucaristia em seu punho, e da gravidade da ameaça que fez ao sacerdote.

31 março, 2017

Por que não devemos desacreditar a Companhia de Jesus.

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 29-03-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comEntre as consequências mais desastrosas do pontificado do Papa Francisco há duas, intimamente ligadas entre si: a primeira é a deturpação da virtude tipicamente cristã da obediência; a segunda é o descrédito lançado sobre a Companhia de Jesus e seu fundador, Santo Inácio de Loyola.

simbolo_gesuitaA obediência é uma virtude insigne, reconhecida por todos os teólogos e praticada por todos os santos. Ela tem seu modelo perfeito em Jesus Cristo, de quem São Paulo diz que se tornou “obediente até à morte, e morte de cruz!” (Fil 2, 8). Ser obediente significa estar com Cristo (2 Cor 2, 9) e viver plenamente o Evangelho (Rom 10, 16; 2 Tessalonicenses 1, 8).

Assim, os Padres e os Doutores da Igreja definiram a obediência como a guardiã e a mãe de todas as virtudes (Santo Agostinho, De Civ. Dei, Liber XIV, c. 12). O fundamento da obediência é a subordinação aos superiores, por representarem a própria autoridade de Deus. Mas eles a representam enquanto guardando e aplicando a lei divina, a qual,  por sua vez, é superior ao poder humano dos encarregados de fazê-la respeitar. A obediência é para um religioso a mais excelsa virtude moral (Summa Theologica 2-2ae, q. 186, AA. 5, 8). No entanto, peca-se contra essa virtude não só pela desobediência, mas também pelo servilismo, conformando-se com as decisões flagrantemente injustas dos superiores.

A deturpação da obediência no pontificado do Papa Francisco ocorre quando os bispos ou o próprio Papa abusam de sua autoridade, exigindo dos fiéis uma submissão servil a documentos que induzem à heresia ou à imoralidade. Essas orientações pastorais não podem ser aceitas. Mas a tentação daqueles que, nesta situação confusa, querem permanecer firmes na fé, é a de questionar não apenas o exercício abusivo da autoridade, mas o próprio princípio de autoridade. Isto é favorecido por uma certa propensão psicológica ao anarquismo que caracteriza as gerações nascidas depois da Revolução de Maio de 1968. Minguando o princípio de autoridade, perde-se o significado da virtude da obediência, com efeitos graves para a vida espiritual.

Nesta perspectiva, atribuem-se às vezes aos jesuítas culpas que não são suas, como a de terem introduzido na Igreja uma concepção hipertrofiada e voluntarista da obediência religiosa. Cita-se a tal respeito o convite de Santo Inácio de Loyola à “obediência cega”, deturpando o significado que o fundador da Companhia de Jesus dá a essa virtude. A palavra “cega” evoca de fato a irracionalidade, mas se entre os santos há um campeão da racionalidade, este é Santo Inácio, cujos Exercícios Espirituais são uma obra-prima de lógica, com base na aplicação do princípio da não-contradição à vida espiritual e moral do exercitando.

A afirmação de Guilherme de Ockham segundo a qual tudo quanto Deus manda é justo, mas poderia mandar também o injusto (iustum quia iussum), deitou as bases para o voluntarismo de Lutero, que representa a antítese do conceito inaciano. A obediência cega a que Inácio se refere seria irracional se prescindisse da razão, a qual constitui pelo contrário, como ele explica, o seu pressuposto, porque tal obediência é o resultado de uma atenta e cuidadosa reflexão (Monumenta Ignatiana (MI), G. Lopez del Horno, Madrid 1903I, 4, pp. 677-679). A obediência inaciana nada tem a ver com o voluntarismo, precisamente porque é baseada na lógica e no respeito de uma lei divina e natural objetivas, às quais o superior deve subordinar-se.

Santo Inácio trata da obediência nas Constituições da Companhia, na Carta sobre a Obediência dirigida aos jesuítas de Portugal em 26 de março de 1553, bem como em muitas outras cartas, como as que escreveu aos escolásticos de Coimbra, à Comunidade de Gandia, aos jesuítas em Roma, a Andrés Oviedo, ao Pe. Urbano Fernández. Nesses documentos ele deixa claro como a obediência tem limites precisos: o pecado e a prova em contrário. Nas Constituições, por exemplo, Santo Inácio diz que os jesuítas devem obedecer ao Superior “em todas as coisas onde se não vir pecado” (n° 284.); “em tudo que é mandado pelo Superior, e não pode, como se disse, ser argüido de pecado de espécie alguma” (n° 547.); “isto é, em todos os casos em que não há evidência de pecado” (n° 549). Logo, quando a ordem do superior induz ao pecado, deve ser rejeitada. Trata-se naturalmente tanto de pecado mortal quanto de pecado venial, e até mesmo de ocasião de pecado, com tal de que o subordinado que recebe uma ordem injusta esteja subjetivamente certo de sua iliceidade.

Além dessa limitação proveniente da vontade, que é o pecado, há aquela que depende do julgamento, como resulta da carta aos jesuítas de Coimbra de 14 de Janeiro 1548, na qual o fundador da Companhia especifica que a obediência é válida enquanto “não se entre em coisa que seja pecado ou que seja de tal maneira conhecida como falsa, que chegue a impor-se necessariamente ao juízo” (MI, I, I, p. 690). Este limite também se expressa na Carta sobre a Obediência, onde o jesuíta é convidado a obedecer “em muitas coisas nas quais a evidência da verdade conhecida não o força” a recusar (MI, I, 4, p. 674). O Pe. Carlos Palmes de Genover S.J., que estudou o assunto, disse: “É claro que a evidência contrária é um limite natural da obediência, pela impossibilidade psicológica de dar o seu consentimento àquilo que se apresenta como evidentemente falso” (La obediencia religiosa ignaciana, Eugenio Subirana, Barcelona, 1963, p. 239). Se no pecado o limite é de ordem moral, no caso da evidência é de natureza psicológica. A obediência é portanto “cega” sob determinadas condições, mas nunca irracional.

Quando a evidência mostra que um documento pontifício como a Amoris laetitia promove o pecado, um verdadeiro filho de Santo Inácio só pode rejeitá-lo. E o fato de ele ter sido promulgado precisamente por um filho de Santo Inácio não significa que o papa Bergoglio seja um fruto autêntico da espiritualidade inaciana, mas mostra quão verdadeiro é o ditado corruptio optimi pessima.

A corrupção moral e intelectual da Companhia de Jesus dos últimos cinquenta anos não deve fazer-nos esquecer suas realizações extraordinárias no passado. Entre a Revolução Protestante e a Revolução Francesa, os jesuítas representaram a barreira impenetrável que a Providência levantou contra os inimigos da Igreja. E o dique se rompeu em 1773, justamente quando um papa, Clemente XIV, suprimiu a Companhia de Jesus, privando a Igreja de seus melhores defensores.

O Pe.  Jacques Terrien empreendeu uma cuidadosa pesquisa histórica sobre uma tradição que remonta aos primeiros dias da Companhia, segundo a qual a perseverança na vocação no interior do Instituto fundado por Santo Inácio seria um penhor seguro de salvação (Recherches historiques sur cette tradition que la mort dans la Compagnie de Jésus est un gage certain de prédestination, Oudin, Paris 1883). Entre os muitos testemunhos que o religioso elenca, dos Bollandistas a Santa Teresa de Ávila, reveste-se de particular interesse uma revelação que teve em 1569 São Francisco de Borja, Prepósito geral da Ordem. “Deus me revelou  – afirmou o santo espanhol – que nenhum daqueles que viveram, vivem ou viverão na Companhia, morrendo na mesma, será condenado, pelo espaço de trezentos anos. É a mesma graça que já foi concedida  à Ordem de São Bento” (Terrien, op.cit, pp. 21-22). Tendo os jesuítas sido fundados em 1540, o privilégio de salvação para aqueles que morreram dentro da Ordem se estenderia até 1840, deixando de fora as gerações sucessivas. E é de fato no final do século XIX que se inicia a decadência da Ordem fundada por Santo Inácio, embora com muitas exceções.

Essa decadência teve uma significativa expressão nos anos do Concílio Vaticano II, durante os quais  o jesuíta Karl Rahner desempenhou um papel decisivo, e especialmente naqueles que se lhe seguiram, quando, sob o governo do padre Arrupe, os jesuítas promoveram sob diversas formas a Teologia da Libertação na América Latina. Hoje um Papa jesuíta, formado na versão populista argentina dessa teologia, alimenta a crise na Igreja.

Para resistir a uma autoridade exercida abusivamente, peçamos a ajuda daqueles santos jesuítas que nos seus escritos ou nos seus testemunhos de vida mostraram quais são os limites da obediência: de São Roberto Belarmino, que recordava como a regula fidei não está no superior, mas na Igreja, ao Beato Miguel Pro, do qual se comemora este ano o nonagésimo aniversário do martírio, ocorrido em 23 de novembro de 1927, por sua resistência ao governo maçônico do México. 

21 março, 2017

Cardeal Raymond Burke: “Quando o pastor se torna lobo, o primeiro dever do rebanho é se defender”.

Cardeal Burke exalta santo que condenou bispo herético. 

Por George Goss, 17 de fevereiro de 2017 – National Catholic Reporter | Tradução: FratresInUnum.com:  Como parte de sua visita à região metropolitana de Kansas City, o cardeal Raymond Burke celebrou, no dia 9 de fevereiro, uma missa pontifical no rito tradicional para uma congregação de cerca de 400 pessoas, incluindo famílias numerosas, frades Agostinianos, 15 sacerdotes – inclusive um protopresbítero Copta –  e membros da tradicionalista Fraternidade São Pio X.

Para a realização do evento foi necessário a remoção temporária do altar-mesa da paróquia de St. Mary-St Anthony, a fim de que os participantes pudessem ter uma visão do altar-mor sem nenhum obstáculo.

burke Photo-6284 crop for web

Fiel beija o anel do Cardeal Raymond Burke, enquanto ele distribuía cumprimentos fora da Paróquia de St. Mary-St. Anthony em Kansas City, após a missa de 9 de fevereiro (NCR photo/George Goss)

A celebração marcou a festa de São Cirilo de Alexandria, o santo do dia segundo o calendário litúrgico pré-Vaticano II, e Burke aproveitou a oportunidade para exaltar a virtude heróica do santo na defesa da fé contra o conselho de “muitos dos seus colegas bispos que o instaram a permanecer em silêncio, de modo a manter uma fachada de unidade na Igreja“.

Burke disse que, diante da falsidade – mesmo daqueles em elevada posição eclesial – a resposta necessária de “São Cirilo e de todos os fiéis em cada tempo e lugar” é resistir.

Burke na maior parte do tempo leu um sermão de várias páginas, baseado fortemente em citações de uma fonte do século XIX: Dom Prosper Guéranger, um beneditino francês e purista litúrgico que restabeleceu a Regra Beneditina depois de ela ter sido praticamente aniquilada em sua terra natal após a Revolução Francesa.

Quando o pastor se torna um lobo, o primeiro dever do rebanho é se defender“, disse Burke, citando Dom Gueranger. “A traição como a de Nestório é rara na Igreja, mas pode acontecer que alguns pastores resolvam manter silêncio por uma razão ou outra em circunstâncias em que a própria religião está em jogo“.

Nestório, arcebispo de Constantinopla, recusou-se a usar o termo “Mãe de Deus” ao se referir à Virgem Maria. No ano 431, São Cirilo levou o Primeiro Concílio de Éfeso a condenar Nestório como um herege e removê-lo à força de sua sede.

São Cirilo teve que ter a honestidade e a coragem para combater uma falsidade, ainda que ela fosse propagada por um colega bispo apoiado por outros bispos e ainda tolerada em silêncio por outros“, disse Burke.

Graças a Deus pela sua honestidade e coragem, que foram os instrumentos pelos quais nos foi transmitida a fé verdadeira e salvífica“.

Na conclusão de sua homilia, Burke seguiu com várias orações, incluindo esta: “Rezemos hoje pelos nossos pastores, pelo Santo Padre e pelos bispos, para que tenham a sabedoria e a coragem de defender a fé em todos os tempos, para que o rebanho possa permanecer um com Cristo e assim obter a salvação eterna“.

Além da oração, Burke não fez referência direta a nenhum bispo atual ou qualquer controvérsia atual na igreja, mas isso não impediu alguns na congregação de fazê-lo.

Louis Tofari, da São Vicente de Paulo, uma igreja da Fraternidade São Pio X, disse que percebeu uma semelhança entre a incomum posição de São Cirilo ao confrontar  Nestório e a situação em que se encontra o próprio Burke diante do Papa Francisco e a Santa Sé.

Fiquei muito impressionado com a semelhança, à luz do que o Cardeal Burke está tendo que suportar nas mãos do Santo Padre e ter que defender um princípio muito básico da moralidade católica e do sacramento do matrimônio com toda esta questão do dubia“, disse Tofari. (Dubia são as questões formais que Burke e outros três cardeais submeteram a Francisco, pedindo-lhe que esclarecesse seus ensinamentos na exortação apostólica Amoris Laetitia) “Como São Cirilo, ele está tentando defender a fé, mas foi excluído de qualquer posição influente em Roma“.

Além de São Cirilo, Burke também mencionou Santo Atanásio como defensor da fé contra a heresia do arianismo, que negava que Jesus era consubstancial a Deus Pai.

São Atanásio é altamente reverenciado pela Fraternidade São Pio X, e um outro paroquiano de São Vicente de Paulo constatou um paralelo aí também:

Burke poderia muito bem ser o próximo Santo Atanásio“, disse Becky Gilligan. “Eu certamente espero que ele seja uma ponte para todos nós“.

20 março, 2017

Continua a zona em Itaquera.

Imagem do folheto do “Memorial do Senhor” celebrado ontem na paróquia Nossa Senhora do Carmo, onde Padre Paulo Sérgio Bezerra continua firme e forte como pároco, sob o olhar complacente do bispo diocesano, Dom Manuel Parrado Carral.

Já que as autoridades se omitem vergonhosamente, e a informação do contato é pública, envie seu repúdio diretamente à paróquia e ao padre Paulo Bezerra:

Whatsapp: 11 – 987352207 e 11 – 947162931

17 março, 2017

Cerimônia anglicana na Basílica de São Pedro causa perplexidade.

Por FratresInUnum.com: O anúncio feito há poucas semanas, pouquíssimo divulgado, de que um grupo de anglicanos teria o uso do altar da cátedra, na Basílica de São Pedro, não foi levado a sério. Não havia confirmação oficial da Santa Sé, nem divulgação nos meios de comunicação considerados confiáveis.

No entanto, na segunda-feira, 13 março, como noticia o site Magnificat Media, “um grupo de Anglicanos fez uma apresentação da Evensong (o equivalente às Vésperas Católicas), na Basílica de São Pedro. David Moxon, o equivalente a um arcebispo anglicano que dirige o Centro Anglicano de Roma, presidiu o evento sacrílego. Papa Francisco não estava presente”.

Continua, atônito, o site tradicionalista: “Que esta cerimônia blasfema tenha sido realizada na Basílica de São Pedro, a sede do Bispo de Roma, o coração da Cidade Eterna, torna tudo ainda mais ímpio. É de se perguntar a que religião exatamente pertencem os Bispos e Cardeais que participaram dessa liturgia. Certamente não é a mesma religião de São Paulo que na Grécia disputou com não católicos. Certamente não é a religião de Santo Agostinho, que debateu com os Donatistas. E mais definitivamente não é a religião do Concílio de Trento, que anatematizou aqueles que rejeitam o Ofício Petrino”.

anglican

Tweet do Centro Anglicano de Roma anuncia celebração.

A realização da cerimônia deixou perplexos muitos católicos, considerando ainda que, segundo testemunhas, houve participação de membros do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos e do Secretário da Congregação para o Culto Divino. “Parece verdade”, reagiu à publicação do Centro Anglicano de Roma, no Twitter, um fiel resignado. O tweet (imagem acima) que dizia “Uma Igreja! Uma fé! Um Senhor! Evensong no coração da Igreja Católica”, assim foi respondido na rede social por nossa colaboradora Gercione Lima: “O que você quer dizer? Tem a intenção de renunciar à heresia anglicana e aderir à Fé Católica?”.

Rezemos para que assim seja!

Também o importante vaticanista Marco Tosatti repercutiu o acontecimento. “Ontem à tarde, pouco depois do momento em que, na Basílica de São Pedro foram celebradas as Vésperas com os expoentes da Igreja Anglicana, algumas dezenas de pessoas recitavam um rosário de reparação pela unidade da Igreja na Praça de São Pedro. Ao mesmo tempo, através de compartilhamento em redes, muito mais gente se unia em oração, cada um de onde se encontrava”.

Relata o vaticanista que um grupo que rezava em reparação na Praça de São Pedro era “bastante heterogêneo”, “composto por pessoas que circulam nos ambientes Ecclesia Dei, na Fraternidade São Pio X, bem como pessoas de inspirações diferentes. A Fraternidade São Pio X oficialmente aderiu ao evento através da organização de uma missa e depois pela recitação do rosário liderada por um de seus sacerdotes. É interessante essa participação, se considerarmos o que tem sido dito sobre um possível acordo entre a Fraternidade e a Santa Sé, o qual seria iminente”.