Archive for ‘Atualidades’

19 setembro, 2017

Cardeal Sarah: “Vocês não são tradicionalistas: vocês são Católicos”.

A resposta do Cardeal Sarah a quem considera o uso da missa tridentina como algo do passado ou saudosista: “A quem nutre algumas dúvidas em relação a isso, eu diria: visitem estas comunidades e procurem conhecê-las, especialmente os jovens que fazem parte delas. Abram seus corações a mentes a estes nossos jovens irmãos e irmãs, e vejam o bem que eles fazem. Não são saudosistas nem amargurados, nem oprimidos pelas lutas eclesiásticas das décadas atuais; eles são cheios da alegria de viver a vida de Cristo em meio aos desafios do mundo moderno”

Por Andrea Zambrano, La Nuova Bussola Quotidiana, 15 de setembro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com

Sarah aos grupos estáveis de fiéis ligados à Missa Tradicional: “Não sejam tradicionalistas, sejam católicos. Saiam do gueto”.

“Não sejam tradicionalistas, sejam católicos, tanto quanto eu e o Papa” As palavras do cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, chegam pontuadas quase ao término da conferência dada pelo purpurado no Congresso de dez anos do [motu proprio] Summorum Pontificum de Bento XVI. E parecem pôr fim a uma longa travessia no deserto realizada por grupos estáveis e por tantos monges e religiosos (lá no Angelicum de Roma, estavam ontem sobretudo franceses e italianos) que nestes anos experimentaram os benefícios da forma extraordinária do rito romano.

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Peregrinação Summorum Pontificum 2017 – Cardeais Burke, Muller e Sarah na primeira fila.

É a assim chamada missa em latim ou missa tridentina. Um clichê linguístico usado para controlar e enquadrar um fenômeno nascido na surdina, mas que hoje cresceu a tal ponto que o termo tradicionalista parece muito estreito e em certas situações é já insuficiente, visto que a maior parte dos fiéis que têm esta sensibilidade são jovens e não são saudosistas de nada. Para dar plena cidadania à forma extraordinária do rito romano vem também o atual Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, que aproveitou a ocasião de sua lectio magistralis de ontem para esclarecer também algumas de suas expressões, que haviam desencadeado as suspeitas de alguns guardiões da revolução: a Missa ad orientem, em primeiro lugar, e a Reforma da Reforma, secundariamente.

Não antes de recordar que o motu proprio foi um “sinal de reconciliação na Igreja e que trouxe muito fruto e, neste sentido, foi realizado também pelo Papa Francisco”. Partindo de Ratzinger, o cardeal recordou que o “esquecimento de Deus é o perigo mais urgente do nosso tempo”. “Se a Igreja de hoje é menos zelosa e eficaz em levar as pessoas a Cristo — disse ele à plateia do Angelicum –, uma das causas pode ser a nossa falta de participação na Sagrada Liturgia de um modo autêntico e eficaz. E isto talvez seja devido, por sua vez, à falta de uma adequada formação litúrgica — com a qual talvez esteja preocupado também o nosso Santo Padre, o Papa Francisco, quando diz que “uma liturgia que estivesse desligada do culto espiritual arriscaria de esvaziar-se”.

Para Sarah “isto pode ser também devido ao fato de que, muito frequentemente, a liturgia, tal como vem sendo celebrada, não é fiel e não corresponde plenamente a como é entendida pela Igreja, mas depaupera-se ou priva-se daquele encontro com Cristo na Igreja, que é um direito de todos os batizados”. Tanto que “muitas liturgias não são realmente nada mais que ‘antropocêntricas’, um teatro, um divertimento mundano, com muito barulho, danças e movimentos corporais, que se assemelham às nossas manifestações folclóricas”. Ao contrário, a liturgia é o momento de um encontro pessoal e íntimo com Deus e, aqui, o cardeal exortou a África, a Ásia e a América Latina a refletir “sobre as suas ambições humanas de inculturar a liturgia, de modo a evitar a superficialidade, o folclore e a auto-celebração cultural”.

Mas o que isso tem a ver com a Missa tridentina? Tem a ver porque no assim chamado usus antiquor estes riscos são notavelmente despotencializados. Como o de perder uma orientação litúrgica que, longe de ser uma questão meramente formal, representa, ao contrário, um detalhe fundamental para falar com Deus. Detalhe. Sarah repete-o, recordando já o ter mencionado e como, nos últimos anos, o retorno ao “voltar-se ad Deum ou ad orientem durante a liturgia eucarística seja uma gestualidade quase universalmente assumida nas celebrações do usus antiquor“.

Mas também a prática do orientamento “é perfeitamente apropriada — e eu o insisto — e pastoralmente vantajosa, na forma mais moderna do rito romano”. O cardeal é consciente de que isto lhe poderia ser motivo de acusação por ser atento aos detalhes: “Sim — prosseguiu –, porque como todo marido e mulher sabem, em cada relação de amor, os mais pequenos detalhes são importantes, porque é nestes e através destes que o amor se exprime e se vive dia-a-dia. As ‘pequenas coisas’, na vida matrimonial, exprimem e protegem as realidades maiores, tanto que o matrimônio inicia a romper-se quando estes detalhes são descuidados. Assim, também na liturgia: quando os seus pequenos rituais se tornam routine e não são mais atos de culto que exprimem as realidades do meu coração e da minha alma, quando não cuido mais dos detalhes, então aí está um grande perigo de que o meu amor ao Deus Onipotente se esfrie”.

O mesmo argumento para o silêncio, que é o único que “pode edificar aquilo que sustentará a sagrada celebração, porque o barulho assassina a liturgia, mata a oração, nos destrói e nos exila distantes de Deus”. Chega-se, assim, no coração da solene celebração da Santa Missa no usus antiquor que “é um ótimo paradigma disso, porque, com os seus níveis de rico conteúdo e de diversos pontos de coligação com a ação de Cristo, permite-nos alcançar tal silêncio. Tudo isso é certamente um tesouro com o qual possam ser enriquecidas algumas celebrações do usus recentior, às vezes horizontais demais e barulhentas”.

As reflexões de Sarah, porém, têm como protagonista a missa em geral e não apenas a da forma extraordinária. De fato, o cardeal convidou “a não rezar o breviário com o próprio telefone ou o iPad” porque “não é digno, dessacraliza a oração. Este aparelho não é um instrumento consagrado e reservado a Deus”. Mas também tirar fotografias durante a Santa Missa por parte de presbíteros não é digno.

Sobre os grupos estáveis de fiéis ligados à Missa Tradicional, Sarah expressou toda a sua gratidão, testemunhando “a sinceridade e a devoção destes jovens, homens e mulheres, sacerdotes e leigos, e das boas vocações ao sacerdócio e à vida religiosa que nasceram nas comunidades que celebram o usus antiquor. É a melhor resposta a quem considera o uso da missa tridentina como algo do passado ou saudosista: “A quem nutre algumas dúvidas em relação a isso, eu diria: visitem estas comunidades e procurem conhecê-las, especialmente os jovens que fazem parte delas. Abram seus corações a mentes a estes nossos jovens irmãos e irmãs, e vejam o bem que eles fazem. Não são saudosistas nem amargurados, nem oprimidos pelas lutas eclesiásticas das décadas atuais; eles são cheios da alegria de viver a vida de Cristo em meio aos desafios do mundo moderno“. Um apelo estendido também “aos meus irmãos bispos: estes fiéis, estas comunidades têm uma grande necessidade de cuidado paterno. Não devemos deixar que as nossas preferências pessoais ou as incompreensões do passado mantenham distantes os fiéis que aderem à forma extraordinária do rito romano“.

Porque — é o sentido das palavras de Sarah — o usus antiquor deveria ser considerado como uma parte normal da vida da Igreja do século XXI. “Estatísticamente, isso pode representar uma bem pequena parte da vida da Igreja, como previa o Papa Bento XVI, mas não por isso é uma via inferior de ‘segunda classe’. Não deveria haver concorrência entre a forma ordinária e a extraordinária do único Rito Romano: a celebração de todas as duas formas deveria ser um elemento natural da vida da Igreja nos nossos dias”.

Enfim, uma palavra “paterna” a todos aqueles que estão associados à forma mais antiga do Rito Romano. “Alguns chamam vocês de ‘tradicionalistas’ e, às vezes, até vocês mesmos se chamam assim. Por favor, não façam mais isso. Vocês não estão fechados em uma caixa num compartimento de uma livraria ou num museu de curiosidades. Vocês não são tradicionalistas: vocês são católicos do Rito Romano, tanto quanto eu e como o Santo Padre. Vocês não são de segunda classe ou membros particulares da Igreja Católica por causa do seu culto ou de suas práticas espirituais, que foram as de inumeráveis santos. Vocês são chamados por Deus, como todos os batizados, a tomar o seu lugar na vida e na missão da Igreja no mundo de hoje, ao qual também vocês são enviados”.

E ainda: “Se vocês não deixaram ainda os limites do ‘gueto tradicionalista’, por favor, façam isso hoje. O Deus Onipotente chama vocês a isso. Ninguém lhes roubará o usus antiquor, mas muitos serão beneficiados, nesta vida e na vida futura, pelo seu fiel testemunho cristão que terá tanto a oferecer, considerando a profunda formação na fé que os antigos ritos e o ambiente espiritual e doutrinal relacionados a eles deram a vocês, porque ‘não se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sobre uma lanterna para que ilumine a todos aqueles que estão na casa’. Esta é a sua verdadeira vocação, a missão para a qual lhes chama a Providência divina, quando suscitou no tempo oportuno o Motu Proprio Summorum Pontificum“.

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18 setembro, 2017

O Cardeal Müller acusa o Papa Francisco de não basear sua autoridade magisterial numa teologia “competente”.

Incomoda ao cardeal que o papa pense que “a religião e a política são uma coisa só”. O Cardeal denuncia que o Papa se preocupa mais por “questões de diplomacia e poder do que pelas questões da fé”. A fé cristã deveria estar no centro e o Papa deveria ser simplesmente um “servo da salvação”

Por Cameron Doody, Religión Digital, 14 de setembro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com“Vós não tendes nem ideia do que estais dizendo!” O Cardeal Gerhard Müller fez eco das palavras com as quais São Roberto Belarmino uma vez lançou em rosto do Papa Clemente VIII sua falta de competência teológica, para uma vez mais apontar o Papa Francisco, acusando-o de não basear sua “autoridade magisterial” numa teologia sólida.

Segundo relatam tanto o Tagespost como o Mannheimer Morgen, o ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé participou na semana passada num colóquio em Mannheim para apresentar seu novo livro Der Papst. Sendgung und Auftrag (“O Papa. Missão e Mandato”).

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No colóquio em que Müller proferiu críticas a Francisco, participava também o Arcebispo Dom Georg Ganswein, Prefeito da Casa Pontifícia e secretário pessoal de Bento XVI.

Müller aproveitou suas intervenções para queixar-se uma vez mais das diferenças que manteve com o Papa, o que desencadeou sua destituição como cabeça do Santo Ofício, no final do mês de junho.

A essência das novas críticas do purpurado alemão é que Francisco, nos quatro anos de Pontificado, desvalorizou o papel da Doutrina da Fé na vida da Igreja, até o ponto — dolorosíssimo para Müller – de que seu Prefeito já não goza mais de nenhum prestígio.

Ao invés da Congregação [para a Doutrina da Fé], é a Secretaria de Estado do Vaticano a instituição que agora é considerada a mais importante na Igreja”, criticou Müller sobre a política do Papa Bergoglio.

“Questões de diplomacia e de poder agora têm prioridade”, afirmou, lamentando-se de que esta é uma mudança “radical”, mas “equivocada… e que deve ser corrigida. ” “A fé cristã é que deveria estar no centro, em seu lugar, e o Papa deveria ser simplesmente um “servo da salvação”.

Para jogar sal na ferida, Müller lançou-se contra a recente viagem que o Cardeal Pietro Parolin, atual Secretário de Estado, fez à Rússia. Ainda que o Papa, segundo Parolin, tenha se mostrado “contente” com os “resultados positivos” que a viagem deu em si, Müller quis distanciar-se dos dois, criticando a “ótica desafortunada” com a qual muitos interpretaram a visita, “porque aqui não se pode cair na armadilha de pensar que a religião e a política são uma coisa só.”

Segundo Müller, a associação da religião e da política “nunca prosperou quando a missão da Igreja se centralizava (e se concentra) no poder”.

E além disso, o ex-prefeito da Doutrina da Fé quis lançar mais um aviso ao atual Bispo de Roma, recordando-lhe que “o centro do Papado não é o Papa em si mesmo, mas a fé cristã”, com o qual Francisco deve levar em conta a necessidade — sentida pelos “cardeais dos Dubia” sobre o conteúdo de Amoris Laetitia — de “uma preparação teológica mais clara dos documentos [oficiais].

16 setembro, 2017

Pe. Tom Uzhunnalil livre – Deo gratias!

Rezei todos os dias pelo senhor, oferecendo meus sofrimentos por sua missão e para o bem da Igreja”.

Por ACI | Tradução: FratresInUnum.com: VATICANO, 13 de setembro de 2017 – O padre Tom Uzhunnalil, libertado na terça-feira, 12 de setembro, 18 meses após ter sido sequestrado no Iêmen por terroristas do Estado islâmico, seguiu para o Vaticano, onde foi recebido pelo papa Francisco.

“Rezei todos os dias pelo senhor, oferecendo meus sofrimentos por sua missão e para o bem da Igreja”, disse o padre salesiano de origem indiana ao Santo Padre.

O Pontífice recebeu o padre Tom em sua residência na Casa Santa Marta. Assim que o viu, o missionário ajoelhou-se diante do Papa, que rapidamente o ajudou a se levantar. Francisco abraçou-o e assegurou-lhe que continuaria rezando por ele como havia feito durante o seu cativeiro. O padre salesiano então beijou-lhe as mãos.

De acordo com o jornal do Vaticano L’Osservatore Romano, ele contou durante sua conversa com o Papa, padre Tom explicou que sua maior tristeza durante o cativeiro era não  poder celebrar a Eucaristia, “embora todos os dias eu repetisse mentalmente, no meu coração, todas as palavras da celebração”.

Ele também afirmou diante do Papa que, agora que está livre, continuará “rezando por todos os que estão espiritualmente ao meu lado”. Em particular, disse que se recorda das quatro religiosas e os doze anciãos que pereceram durante o ataque dos terroristas.

O Pe. Uzhunnalil foi seqüestrado no dia 4 de março de 2016 depois que um grupo de jihadistas do Estado Islâmico invadiu o abrigo para idosos e deficientes administrado por um grupo de religiosas Missionárias da Caridade em Aden, no Iêmen.

Durante o ataque, os terroristas assassinaram quatro freiras, doze anciãos e sequestraram o padre salesiano.

O estado de saúde do padre Tom é bom, apesar do longo cativeiro. Em carta divulgada pelo Reitor-Mor dos salesianos, padre Angel Fernández Artime, ele assegura-nos que “não foi pedido pagamento de qualquer resgate à Congregação salesiana e que ele não tem notícias de que qualquer pagamento tenha sido feito”.
Além disso, em sua carta o Reitor-Mor expressou “nossa profunda gratidão a Sua Majestade o Sultão de Omã e às autoridades competentes do Sultanato pelo trabalho humanitário que realizaram.

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15 setembro, 2017

O caso Seifert: quem está se separando da Igreja?

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 06-09-2017 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com: A notícia foi divulgada por Maike Hickson. Em 31 de agosto, Dom Javier Martínez Fernández, Arcebispo de Granada, após ter suspendido do magistério o filósofo austríaco Josef Seifert, demitiu-o da Academia Internacional de Filosofia, da qual é um dos fundadores, mas que hoje depende da Arquidiocese. Deve-se lembrar que o Prof. Josef Seifert é considerado um dos maiores filósofos católicos contemporâneos. Seu currículo e sua bibliografia ocupam numerosas páginas. Mas, acima de tudo, ele é conhecido por sua fidelidade ao Magistério pontifício, o que lhe valeu a nomeação como membro da Pontifícia Academia para a Vida. Qualquer universidade católica ficaria honrada em tê-lo entre seus professores. Qual é o motivo da medida drástica contra ele? De acordo com uma declaração da Arquidiocese, o motivo de sua recente demissão é um artigo no qual o Prof. Seifert fez uma súplica a propósito da Exortação pós-sinodal Amoris laetitia do Papa Francisco.

No artigo incriminado, o Prof. Seifert pediu ao Papa Francisco para retificar uma afirmação da Amoris laetitia da qual, com base em uma lógica rígida, pode resultar a dissolução de todo o ensino moral católico.

Seifert cita a sentença de Amoris laetitia segundo a qual a consciência de casais adúlteros ou, dito de outra forma, “irregulares”, “pode reconhecer não só que uma situação não corresponde objetivamente à proposta geral do Evangelho, mas reconhecer também, com sinceridade e honestidade, aquilo que, por agora, é a resposta generosa que se pode oferecer a Deus e descobrir com certa segurança moral que esta é a doação que o próprio Deus está pedindo no meio da complexidade concreta dos limites, embora não seja ainda plenamente o ideal objetivo” (AL, 303).

Em outras palavras, comenta o Prof. Seifert, além de definir o estado objetivo de pecado grave como “não ainda plenamente o ideal objetivo”, Amoris laetitia afirma que podemos conhecer “com certa segurança moral” que o próprio Deus nos pede cometer atos intrinsecamente negativos, como o adultério ou a homossexualidade ativa.

O filósofo austríaco coloca a esta altura sua questão: “Partindo desse pressuposto, eu pergunto, a pura lógica não pode deixar de perguntar: Se um ato intrinsecamente imoral pode ser permitido num caso, e até desejado por Deus, como não deve ser aplicado a todos os atos considerados ‘intrinsecamente maus’? Caso seja verdade que Deus pode desejar que um casal adúltero viva em adultério, não deverá então ser reformulado também o mandamento ‘Não desejar a mulher do próximo’? (…) Não deverão, portanto, cair também os outros nove mandamentos, a Humanae Vitae, a Evangelium Vitae e todos os documentos passados, presentes ou futuros da Igreja, os dogmas ou os concílios, que ensinam a existência de atos intrinsecamente maus? (…) Não deveriam, então, por pura lógica, ser bons e louváveis ​​por causa da complexidade de uma situação concreta, a eutanásia, o suicídio ou assistência ao suicídio, a mentira, o roubo, o perjúrio, a negação ou traição a Cristo, como a de São Pedro, ou o homicídio, em algumas circunstâncias e depois de um ‘discernimento’ adequado?”. 

Eis a súplica ao Papa Francisco: “Quero suplicar ao nosso supremo Pai espiritual na Terra, o ‘doce Cristo na terra’, como Santa Catarina de Siena chamou um dos Papas sob cujo reino tinha vivido, enquanto o criticava ferozmente (…), para retificar essa afirmação. Se as suas consequências lógicas levam com férrea rigidez a nada menos que a destruição total dos ensinamentos morais da Igreja Católica, não deveria o ‘doce Cristo na Terra’ retificar a afirmação por conta própria? Não deveria ser revogada a mencionada tese, posto que ela conduz como consequência lógica à rejeição do fato de haverem atos que devem ser considerados intrinsecamente maus moralmente em qualquer circunstância e em todas as situações, e posto que se essa última afirmação chegasse a ser negada, isso destruirá, além da Familiaris Consortio e da Veritatis Splendor, também a Humanae Vitae e muitos outros ensinamentos solenes da Igreja? (…) E não deveriam todos os cardeais e bispos, todos os sacerdotes, monges ou Virgens consagradas e todos os leigos da Igreja, demonstrar o mais vivo interesse por esse assunto e subscrever este apaixonado apelo de um humilde leigo, um simples professor de filosofia e (entre outras matérias) também de Lógica?”.

Não houve qualquer resposta à pergunta levantada pelo Prof. Seifert. A declaração da Arquidiocese de Granada se limita a afirmar que a posição do filósofo “prejudica a comunhão da Igreja, confunde a fé dos fiéis e suscita desconfiança no sucessor de Pedro, o que, no final, não serve à verdade da fé, mas aos interesses do mundo”. A Arquidiocese de Granada acrescenta “ter feito seu, desde o primeiro momento, a aplicação do texto pontifício preparado pelos bispos da Região de Buenos Aires”, ou seja, de seguir as diretrizes dos prelados argentinos que em seu documento, aprovado pelo Papa Francisco, permitem o acesso dos adúlteros à comunhão.

A atitude do Arcebispo de Granada resume-se naquela proibição de fazer perguntas que, de acordo com o filósofo Eric Voegelin, é a característica dos regimes totalitários. Com o mesmo critério foram eliminados da Pontifícia Academia para a Vida todos os católicos fiéis à ortodoxia da Igreja, a começar pelo próprio Prof. Seifert, os professores mais ortodoxos são expulsos das escolas e das universidades católicas, os sacerdotes fiéis à Tradição são transferidos de suas paróquias e, em alguns casos, suspensos a divinis. O que acontecerá com os cardeais se e quando chegar a sua correctio fraterna?

Essa lógica repressiva é a que abre o cisma na Igreja. O único argumento que os fanáticos da Amoris laetitia são capazes de levantar contra os que a criticam é aquele, fraquíssimo, da “ruptura da comunhão”. Mas os que levantam objeções à Exortação pontifícia apelam para a doutrina imutável da Igreja, da qual não têm nenhuma intenção de distanciar-se. Se eles são sancionados oficialmente por causa de  sua fidelidade ao Magistério, aqueles que os sancionam são os que fazem um ato de auto-separação desse mesmo Magistério.

Os artigos do Prof. Josef Seifert são movidos pelo amor à Igreja e, sobretudo, à Verdade. O arcebispo que o pune se separa da lei natural e divina que proíbe o adultério, o assassinato e outros pecados graves, sem exceção ou compromisso. Acusando-o de romper a unidade com o Papa, o prelado reconhece a existência de um magistério do Papa Francisco incompatível com o Magistério da Igreja de sempre.

Dom Martínez Fernández puniu o Prof. Seifert porque este pediu humilde e respeitosamente ao Papa para retificar uma afirmação que conduz ao adultério e à dissolução da moral. Portanto, na Arquidiocese de Granada, como em Malta, na Argentina e em muitos outros lugares da Cristandade, para estar em comunhão com o Papa Francisco é necessário admitir, pelo menos em certas ocasiões, a liceidade do adultério e de outras transgressões da lei moral.

O Papa Francisco é o sucessor de Pedro, mas nosso Senhor não diz: ‘Aquele que me ama deve seguir cegamente o sucessor de Pedro’. Ele diz: “Aquele que me ama, aceita o meus mandamentos e os observa” (Jn 14: 15-21). Se o Pastor Supremo se desviar dos mandamentos divinos e convidar o rebanho a segui-lo, os fiéis devem afastar-se dele, pois “importa antes obedecer a Deus que aos homens” (Atos 5:29). Se para estar em comunhão com o Papa Francisco se é forçado a abraçar o erro, quem quiser permanecer na verdade de Cristo é obrigado a separar-se do Papa Francisco. É o que afirma publicamente Dom Martínez Fernández, Arcebispo de Granada.

 

14 setembro, 2017

Josef Seifert adverte contra a “bomba atômica” que pode derrubar todo o ensinamento moral da Igreja.

Afastado da docência pelo Arcebispo de Granada, ao mesmo tempo em que é elogiado pelo Arcebispo de Vaduz por escrever um artigo sobre Amoris Laetitia, o filósofo católico Josef Seifert volta a advertir numa entrevista que o edifício moral da Fé Católica pode desmoronar.

Por 1P5/InfoCatólica | Tradução: FratresInUnum.com – À luz do recente ensaio de Josef Seifert, no qual examina as perigosas consequências lógicas de Amoris Laetitia, um ensaio pelo qual ele foi despedido de seu posto como professor pelo Arcebispo de Granada, a doutora Maike Hickson, em nome do site “One Peter Five”, entrou em contato com o filósofo austríaco para fazer-lhe algumas perguntas adicionais, não só sobre a Exortação Pós-Sinodal, que gerou tanta controvérsia, mas sobre o estado do ensino e da prática da moral na Igreja.

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Maike Hickson (MH): Há um ano, em agosto de 2016 – depois da publicação de Amoris Laetitia – o senhor publicou um ensaio no qual educadamente fazia uma crítica deste documento papal e pedia ao Papa que corrigisse alguns erros ou inclusive às vezes “afirmações objetivamente heréticas”. Qual é a razão pela qual o senhor agora volta mais uma vez a levantar sua voz num novo ensaio sobre este tema de Amoris Laetitia?

Josef Seifert (JS): Depois de publicar meu artigo, aconteceram muitas coisas: meu bom amigo Rocco Buttiligione e meu antigo aluno Rodrigo Guerra defenderam Amoris Laetitia apaixonadamente contra todas as minhas objeções, e eu lhes escrevi muitos e-mails e uma resposta que não se publicou. Um grupo de teólogos e filósofos acusou o Papa Francisco, por duas vezes, de uma longa série de heresias e outros erros que eles atribuíam ao documento, e entraram em detalhes para provar que tinham razão e para pedir ao Papa que se retratasse destes erros. Pediram-me que assinasse a carta, mas eu não o fiz por diversas razões. O Arcebispo de Granada me afastou como professor do seminário por causa de meu primeiro artigo. O Arcebispo de Vaduz, no Principado de Liechenstein, felicitou-me por este mesmo artigo e agradeceu-me pelo grande serviço que fiz à Igreja escrevendo-o. Os quatro cardeais expressaram seus dubia (ainda sem respostas). Por tanto, eu tinha muitas novas razões para refletir sobre Amoris Laetitia e sobre meu primeiro artigo, que tinha enviado primeiro como uma carta pessoal ao Papa Francisco (nunca respondida, e nem sequer reconhecida).

No entanto, o que motivou diretamente meu segundo artigo foi a descoberta  da convocatória de uma comissão feita pelo Papa Francisco, supostamente para revisar a Humanae Vitae (HV) e adaptá-la à Amoris Laetitia (AL). Além disso, eu expressei ao professor Buttiligione, um querido amigo cujo ponto de vista sobre a AL é radicalmente diferente do meu, o meu temor de que também a HV e a Evangelium Vitae fossem vítimas da mesma linha de pensamento expressa na AL. Ele aumentou meu medo e eu me alarmei quando ele me respondeu que obviamente à HV e à Evangelium Vitae deveriam ser aplicados o mesmo discernimento e os mesmos princípios que estão estabelecidos na AL sobre o matrimônio. Isto me comoveu profundamente. – Eu tinha escrito muitos artigos defendendo filosoficamente a Humanae Vitae e a Veritatis Splendor e preocupava-me muitíssimo a ideia de que todas essas doutrinas verdadeiras fossem revogadas, relativizadas e destruídas simplesmente aplicando a lógica do dito comentário de AL.

Por essas razões, eu meditei novamente sobre as mesmas perguntas e pensei que havia encontrado uma causa ainda maior de preocupação que aquelas que eu tinha expressado no meu primeiro artigo.

Por este motivo, decidi escrever um novo artigo muito mais curto e que se restringia a comentar uma só afirmação de AL que eu não havia considerado suficientemente no meu primeiro artigo. Esta simples afirmação me impactou profundamente, porque parecia provar que as mudanças no ensinamento moral de AL iam potencialmente muito mais além do que ninguém no atual debate (incluindo o próprio Papa Francisco e eu mesmo) tínhamos considerado sobre a admissão dos adúlteros não arrependidos e homossexuais aos sacramentos. Eu tive, por assim dizer, uma visão da grande ameaça que se escondia neste texto para todo o ensino da moral da Igreja. Tive a impressão que era minha obrigação, para servir bem ao Papa e à Igreja, apresentar a questão primordial que meu novo artigo apresenta, sem respondê-la, mas colocando-a de uma forma tão clara que o Papa e qualquer outro leitor pudesse fazê-lo corretamente. Eu me senti obrigado a escrever isso para evitar uma destrutiva bomba atômica teológico-moral que podia fazer que toda a doutrina moral da Igreja desabasse. Tenho a intenção – propondo esta pergunta com a maior clareza possível – de ajudar o Magistério do Papa Francisco a prever tal dano.

Devido às consequência lógicas e potenciais desta única afirmação que vi serem tão terríveis, e devido a que senti ao mesmo tempo que não era apropriado acusar o Papa de um erro tão grave (esta foi uma das razões pelas quais não aderi à acusação formal de heresia ao Papa que dois grupos de teólogos me tinham pedido que assinasse), e devido a que somente o próprio Papa e possivelmente o colégio cardinalício, ou um Concílio, poderiam corrigir esta afirmação [presente em AL] e evitar que se desenvolva suas lógicas consequências práticas, é que eu formulei meu artigo como uma pergunta principal, e uma série de interrogações que se deduzem aplicando a pura lógica à mencionada afirmação e pergunta.

MH:  O senhor poderia expor para nossos leitores sua preocupação mais importante sobre Amoris Laetitia?

JS: A minha preocupação principal está exposta neste meu segundo artigo. Se nossa consciência pode conhecer (e não só opinar falsamente) que Deus quer que cometamos um ato intrinsecamente mau, adúltero ou homossexual, desde que estejam algumas condições atenuantes, então a lógica deve extrair a consequência de que o mesmo princípio se aplica à anticoncepção (HV), ao aborto e a todos os outros atos que a Igreja e os mandamentos de Deus proíbem de forma absoluta. Esta é exatamente a postura e estas são exatamente as consequências da assim chamada “ética puramente teológica” que o teólogo jesuíta Josef Fuchs e muitos outros defendiam muitos anos atrás antes e depois da Humanae Vitae e que eu investiguei e refutei em muitos artigos e em um livro escrito em alemão e que não foi publicado. O Papa João Paulo II condenou clara e definitivamente este erro de Fuchs e outros defensores, e o fez solenemente na Veritatis Splendor e na Evangelium Vitae, esclarecendo assim o perene ensinamento moral dos Evangelhos e da Igreja. Nesta última encíclica, o Papa João Paulo II invoca a autoridade de São Pedro (EV, n.68) e declara (creio eu que dogmaticamente) que desde o primeiro momento da concepção, toda criança merece o respeito devido à pessoa, e, portanto, o aborto é sempre e intrinsecamente um grave ato imoral.

Foi então que eu experimentei um profundo sofrimento pessoal. Minha impressão era que agora todo o edifício da ética absoluta (já ensinada antes de Cristo por Sócrates e Cícero) do Antigo e do Novo Testamento, assim como o edifício da Igreja, poderia começar a desmoronar simplesmente aplicando a lógica desta afirmação [de AL].

Antes, no meu primeiro artigo, também expressei muitas outras preocupações:

– Que a distinção mediante o discernimento entre adúlteros bons e adúlteros maus, onde os primeiros, inclusive sem se arrependerem, poderiam ser admitidos aos sacramentos, enquanto que somente os outros teriam que ser excluídos, apresenta uma tarefa totalmente impossível para o sacerdote de discernimento entre bons e maus pecadores mortais (tal como muito bem o disse a Conferência Episcopal Polonesa).

O longo texto de AL propõe admitir aos sacramentos casais que, objetivamente falando, vivem em pecado mortal, mas não diz uma só palavra sobre o perigo de blasfêmia e sacrilégio, contra o que no adverte o Apóstolo São Paulo nos mais enérgicos termos, dizendo que “comemos e bebemos nossa condenação se recebemos a Sagrada Comunhão em pecado mortal”.

AL diz que “ninguém (inclusive o adúltero) será condenado para sempre” o que parece negar a existência do inferno, o que contrasta com as palavras de São Paulo que dizem que nenhum adúltero que não se tenha convertido irá ao Céu e, portanto, serão condenados para sempre se não se convertem.

– Que alguns cristãos não tenham a força para cumprir os mandamentos (com a ajuda dos sacramentos e da graça de Deus), o que foi uma das principais heresias propostas por Lutero e condenada pelo Concílio de Trento.

Eu ainda sustento estas e outras preocupações sobre AL, mas queria a) desenvolver no segundo artigo somente um ponto que me parece a “cruz” de AL, e b) apresentar algumas perguntas lógicas ao Papa e a outros leitores, que não vejo que podem ser respondidas negativamente. No entanto, se forem respondidas afirmativamente, esta conclusão a partir de AL nos levaria logicamente à destruição de todo o ensinamento moral da Igreja, e por este motivo deveria ser revogada, o que eu imploro (com reservas) ao Papa.

Eu, portanto, suplico com reservas ao Papa com toda caridade e amor, que se ele deve responder às perguntas lógicas que eu lhe proponho com um sim rotundo, que retire ao menos essa frase de AL e que não a converta num motivo para a reforma teológica e moral da Igreja.

Certamente, o Papa não manterá esta afirmação se com isto provoca – com sua resposta afirmativa à pergunta de meu artigo – a destruição do pilar da doutrina moral da Igreja e da ética natural (como foi ensinada por Sócrates e Cícero).

MH:  O senhor pensa que ainda restam dúvidas sobre se o Papa tem a intenção de permitir que alguns divorciados que voltaram a se casar recebam os sacramentos? Quais são para o senhor os argumentos mais sólidos para defender sua posição?

JS: Não tenho nenhuma dúvida! Inclusive os muito elogiados defensores de AL, tais como Rocco Buttilglione, o Cardeal Blasé Cupich e o Cardeal Schönborn o veem claramente e louvam a AL exatamente por isso. Ao contrário do que eu e muitos outros, eles tomam a admissão aos sacramentos dos pecadores não arrependidos como um fruto da misericórdia e da legítima consideração pastoral do Papa Francisco. Eles acreditam que AL, admitindo aos adúlteros não arrependidos, aos homossexuais, e a outros casais em “situações irregulares”, não contradizem a Veritatis Splendor nem Familiaris Consortio nº 84, que proíbem tudo isso baseando-se no Evangelho. O raciocínio deles é o seguinte: se esses casais fossem capazes de compreender que o que eles estão fazendo é algo mau e tivessem a força de vontade que o Papa João Paulo II assume, eles não poderiam ser admitidos aos sacramentos, como ensina o Santo Padre. Mas se esses pecadores não cumprem estas duas condições subjetivas necessárias para encontrar-se em pecado mortal (e Buttiglione, junto com o Papa, pensa que possivelmente a maioria dos homens e mulheres contemporâneos carecem de uma ou de ambas condições), eles deveriam ser admitidos aos sacramentos, como diz o Papa Francisco em AL. De acordo com esta interpretação, ambos os Papas têm razão e não se contradizem entre si. Podemos ver que também esses defensores de AL estão de acordo com que na Exortação de fato se propõe admitir aos adúlteros não arrependidos e outros pecadores, depois do devido discernimento aos sacramentos (os Bispos filipinos, em sua primeira resposta à AL, convidaram imediatamente a todos os casais aos sacramentos sem um prévio discernimento). Além disso, o Cardeal Shönborn e o Pe. Antonio Spadaro, SJ, chegaram a afirmar que AL elimina toda distinção entre casais em situação regular e irregular.

Além do mais, o elogio que o Papa fez da interpretação dos Bispos de Buenos Aires da AL de admitir aos adúlteros não arrependidos e outros casais depois do discernimento aos sacramentos e confirmando que essa era a leitura correta, prova o que estamos dizendo.

A mesma coisa se aplica ao elogio da interpretação muito mais liberal que fizeram os Bispos de Malta, baseando-se em pressupostos de uma radical ética de situação. Estas e muitas outras palavras e atos do Papa Francisco provam que a sua pergunta tem que ser respondida afirmativamente, inclusive ainda que o Cardeal Gerard Muller ou o Mons. Livio Melina adotassem a interpretação de que AL não mudasse a disciplina dos sacramentos.

Ao mesmo tempo, o Papa aceita a postura da Conferência Episcopal Polonesa, e da Conferência Episcopal de Alberta, no Canadá, que seguem o ensinamento da Familiaris Consortio (FC) e rejeitam qualquer tipo de mudança na doutrina sacramental. O Papa Francisco aceitou a rejeição unânime dos Bispos poloneses de mudar as normas de FC declarando (como a mesma AL diz) que o magistério não deve ter um único ensinamento em tais matérias, mas que deve aceitar a diversidade cultural e nacional em matéria de tradições morais. Há uma preocupação estendida na Igreja de que isso acrescente um relativismo histórico e cultural aos outros problemas de AL. Porque certamente parece inaceitável que o que na Polônia constitua um pecado mortal, e faz com que se exclua da comunhão e da confissão os pecadores que não se arrependam, não tenha nenhuma dessas consequências quando o adúltero cruze a fronteira e vá se confessar e comungar na Alemanha, uma milha de distância ao leste do anterior sacerdote polonês, que se negou a dar-lhe a absolvição e a admiti-lo à comunhão.

MH No seu ensaio de 2016, o senhor diz que Amoris Laetitia poderia causar “uma avalanche de destrutivas consequências para as almas e para a Igreja”. Um ano mais tarde, o senhor vê tais consequências destrutivas já se desenvolvendo?

JS: Se somente um ou alguns – já não digamos a maioria – dos casais em “situações irregulares” que recebem os sacramentos agora cometem um sacrilégio e um pecado grave, obviamente as consequências destrutivas de AL estão acontecendo e portanto as palavras de Cristo a uma vidente em Granada são certas, já que diz que estas “falsíssimas doutrinas” conduzirão muitas almas ao inferno.

Além do mais, se está causando um grave dano às almas se agora alguns seminaristas não querem chegar a ser sacerdotes porque se verão forçados, contra a sua consciência, a administrar os sacramentos a católicos que voltaram a se casar e cujos primeiros matrimônios não foram declarados nulos pela Igreja. Se lhes diz que as portas do seminário estão abertas para quem quiser sair, e se eles não querem aceitar essa nova prática, deveriam ir embora. Por conseguinte, muitos dos melhores futuros sacerdotes vão embora e já não trabalharão pelo bem das almas. Aos sacerdotes se lhes anima, e inclusive seus Bispos lhes ordenam, atuar contra a sua consciência, alguns são ameaçados de ser expulsos de suas paróquias se atuam segundo a mesma. Os Bispos pressionam os sacerdotes que aderem à Tradição da Igreja e aos ensinamentos expressos na Familiaris Consortio pelo Papa João Paulo II. Alguns sacerdotes, que vivem contra os ensinamentos da Igreja, sentem-se animados a receber os sacramentos e a celebrar a Missa, professando uma carência de força de vontade para abster-se de relações homossexuais ou relações sexuais com mulheres. Reina uma grande confusão: muitos perdem a fé na Igreja como pilar da verdade e agora a veem como uma Babel de confusão, etc.

MH: Em seu novo ensaio de 2017, pergunta-se se Amoris Laetitia “afirma claramente que estes atos intrinsecamente desordenados e objetivamente pecaminosos […] podem ser permitidos, ou mesmo se podem ser objetivamente ordenados por Deus” e o senhor diz que, se isto for assim, nós estamos enfrentando uma “bomba atômica moral e teológica”. O senhor poderia nos explicar o significado desta expressão?

JS:  Se isto é certamente assim, o que AL diz no texto que eu analizo, isto é, se Deus em alguns casos, ou somente em um, quer que nós, em nossa situação concreta, cometamos um ato intrinsecamente errôneo, tais como atos homossexuais ou adultérios, não há nenhuma razão lógica que nos impeça aplicar isto à anticoncepção, ao aborto, à vingança de sangue, às mentiras, aos enganos, etc. Não podemos deixar de aplicar os mesmos princípios que declaramos serem válidos para um tipo de ato intrinsecamente maus a outros igualmente pecaminosos. Simplesmente podemos também negar que este ato, ou qualquer outro ato humano, seja intrinsecamente desordenado e mau.

No entanto, toda a Lei e os Profetas, o ensinamento moral da Igreja, giram em torno do reconhecimento de que muitos atos deste tipo não podem ser cometidos nunca nem em nenhuma situação. Assim, pois, se alguém deduz logicamente esta consequência de AL, tal afirmação provocaria uma avalanche de consequências e é uma bomba atômica espiritual que destruiria o maravilhoso edifício do ensinamento moral católico (e da ética natural).

MH:  Neste contexto de “atos intrinsecamente desordenados e objetiva e gravemente pecaminosos” o senhor menciona explicitamente não só aos divorciados e recasados, mas também às uniões homossexuais. O senhor acredita que o termo “casais irregulares” como se usa em Amoris Laetitia significa que vai ser mais inclusivo e que se vai aplicar também aos casais homossexuais?

JS: Está claro que é assim e muitas outras declarações do Papa e de Conferências Episcopais, tais como a das Filipinas, demonstram-no claramente.

MH No contexto de leis morais absolutas que agora parece que estão sendo enterradas por esta discussão, o senhor trouxe à tona o tema da Humanae Vitae e a possível revisão de seus ensinamentos sobre a contracepção. O senhor tem alguma informação concreta sobre esta comissão vaticana recentemente formada? Segundo sua opinião, alguns de seus membros são indicadores da direção que vai tomar este trabalho?

JS: Apareceu um grande número de artigos e de blogs, com fontes fidedignas e bem informadas, que confirmaram esta notícia. No entanto, mesmo que não acreditássemos neles, a lógica nos diz: se alguns adúlteros não arrependidos podem ser admitidos aos sacramentos e se seu adultério pode inclusive “ser o que Deus quer que eles façam na complexidade de sua situação”, porque segundo este raciocínio, alguns casais que usam métodos anticoncepcionais não poderiam ser igualmente admitidos aos sacramentos ou inclusive que “Deus na complexidade de sua situação concreta”, deseje que eles usem métodos anticoncepcionais e esterilização, em vez da abstinência temporal, porque dita situação levaria o esposo ou a esposa a cometer pecados mais graves?

MH:  O senhor acrescentou em seu novo ensaio, que o senhor mesmo havia sido escolhido pelo Papa São João Paulo II como membro ordinário vitalício da Pontifícia Academia para a Vida (um cargo que foi eliminado quando todos os membros da referida Academia foram despedidos pelo Papa Francisco em 2016 e não pode ser reeleito como membro devido às mudanças profundas na Pontifícia Academia realizadas em 2017): O senhor poderia nos explicar estas palavras? Isto significa que o senhor foi despedido da Pontifícia Academia para a Vida, apesar do fato de que havia sido designado (por João Paulo II) como membro vitalício da mesma?

JS:  De acordo com os estatutos da Pontifícia Academia para a Vida, todos os membros ordinários eram vitalícios. O Papa Francisco primeiro mudou os estatutos. Portanto, agora o período máximo da duração do cargo de um membro ordinário é de 5 anos. Em segundo lugar, o Papa Francisco despediu a todos os membros atuais da Pontifícia Academia para a Vida e cancelou sua Assembléia Geral convocada para 2016. Em terceiro lugar, nomeou novos membros e voltou a incluir a alguns outros que já tinham sido membros anteriormente, inclusive alguns muito bons. Eu estava entre os que foram despedidos e que não foram reincorporados.

MH: O senhor tem alguma ideia do porquê ter sido despedido da Pontifícia Academia para a Vida?

JS: Já que todos os membros da Academia para a Vida foram despedidos, como eu disse anteriormente, está claro o porquê eu também fui. A razão pela qual não fui reincorporado somente poderia ser respondida com certeza pelo Papa, ainda que eu posso especular sobre isso, se quiser.

Talvez por causa de meu artigo sobre a AL em 2016? Possivelmente porque eu em diversas ocasiões critiquei publicamente a dois presidentes da Pontifícia Academia para a Vida (durante o Pontificado de Bento XVI) e pedi ao Papa que os substituísse (coisa que ele fez numa das ocasiões)? Seria porque eu escrevi várias vezes sobre a definição de “morte cerebral”, para as várias reuniões da Academia para a Vida e dois encontros da Pontifícia Academia das Ciências (aos quais fui convidado como especialista na matéria) e durante dois anos para uma comissão sobre “morte cerebral” convocada pelo Cardeal Elio Sgreccia? Talvez porque eu enviei estas críticas aos Papas anteriores (João Paulo II e Bento XVI) com a esperança (frustrada) de que a Igreja rejeitasse claramente as definições e critérios de morte cerebral por serem inválidas? Ou talvez porque eu critiquei publicamente a mensagem que Mons. Marcelo Sanchez Sorondo enviou a um Congresso Médico Mundial sobre o coma e a morte, em Cuba, que identificava a “morte cerebral” com a morte humana e dizia que isso era um tipo de “dogma da Igreja Católica”, e que a adesão a este princípio era obrigatória, e sua falsa afirmação de que agora isso era “ensinamento oficial da Igreja Católica”? Talvez porque neste mesmo Congresso sobre o coma e a morte, e nos dois anteriores, fiz o discurso de abertura e nele criticava o fato de identificar “morte cerebral” e morte humana? Ou seria porque eu informei aos assistentes do referido Congresso o que e o porquê o Papa João Paulo II tinha expressado suas sérias dúvidas em relação a identificação entre a morte humana e a morte cerebral num discurso dirigido a médicos especializados em transplantes? Ou porque eu disse publicamente que o Papa São João Paulo II tinha convocado um simpósio sobre este tema na Pontifícia Academia para as Ciências no qual todos os doutores, filósofos, juristas, anestesistas, etc. rejeitaram esta identificação? Talvez porque eu revelei aos presentes que o texto prometido (e já revisado) deste simpósio havia sido suprimido aparentemente por Mons. Sanchez Sorondo e que a Pontifícia Academia para a Saúde havia convocado outro simpósio no qual só uma minoria (bastante significativa) rejeitava a identificação entre morte humana e morte cerebral?

MH: O senhor disse que a nova Pontifícia Academia para a Vida (PAV), tal como foi reorganizada no final de 2016, está profundamente mudada. Poderia explicar-nos como é isso? Quais são as mudanças que o senhor vê que estão ocorrendo na nova Academia para a Vida?

JS: Em primeiro lugar, não quero mitificar a antiga PAV fundada por São João Paulo II. Depois da presidência do santo médico doutor Jerome Lejeune, cujo processo de beatificação está em curso (que descobriu as causas da síndrome de Down e lutou tenazmente pela vida das crianças afetadas a quem muitos doutores e pais assassinavam quando se confirmava a existência da síndrome), e que morreu de câncer alguns meses depois de ser nomeado, tivemos outros dois presidentes. O primeiro foi o professor Juan de Dios Vial, reitor da Universidade Pontifícia de Chile, ajudado pelo excelente vice-presidente monsenhor (agora cardeal) Elio Sgreccia, quem se converteu posteriormente num igualmente sensato e competente presidente (ainda que alguns dos membros, incluindo eu mesmo, fomos muito críticos com a forma na qual ele manejou certos assuntos, como por exemplo, o debate sobre a “morte cerebral”). Mesmo em seus melhores tempos na PAV, houve muitas discussões, por exemplo, sobre se a assim chamada “morte cerebral” é realmente morte humana e aqueles que o negavam tais como os professores Allan Shewmon, Wolfgang Waldstein, Alejandro Serani, eu mesmo, etc, fomos progressivamente marginalizados. Depois, tivemos dois presidentes que fizeram declarações contrárias à verdade ética e ao ensinamento da Igreja (o primeiro, o Arcebispo Fisichella defendeu a legitimidade e a bondade de alguns abortos). O segundo organizou por exemplo um Congresso na Pontifícia Academia, no qual, dos sete oradores convidados para falar sobre tratamentos de infertilidade, seis defendiam diretamente métodos opostos ao ensinamento da Igreja. Estes e outros acontecimentos suscitaram uma bem merecida oposição de alguns membros. Em minha opinião, e na de muitos outros, isso contrariava claramente os fins da Academia para a Vida e o juramento pró-vida que cada membro tinha que fazer e, sobretudo, contrariava a doutrina da Igreja. Escrevi duas cartas abertas sobre a situação intolerável pela qual estava passando a antiga Academia. Eu não louvo a anterior Academia, nem nego que uma sensata reforma tivesse sido saudável.

No entanto, as profundas mudanças que ocorreram agora parecem ir muito mais longe e na direção contrária. Por um lado, em nível administrativo, o Papa Francisco mudou os estatutos, como já disse, e eliminou o sólido núcleo de membros incondicionalmente comprometidos com a vida, membros que o Papa João Paulo II tinha escolhido e, com isso, transformou a Academia numa sociedade cambiante e flexível que perdeu a identidade que alguns membros comprometidos lhe tinham dado. Mais importante ainda, os novos estatutos eliminam o juramento pró-vida que tínhamos que professar na anterior PAV. Foram nomeados alguns membros que são abertamente anti-vida. O novo presidente e bispo, Monsenhor Vicenzo Paglia, encomendou, antes de sua eleição, afrescos para sua Catedral na Itália nos quais aparece ele e muitas outras pessoas nuas e involucradas em atos homossexuais e outros pecados, e são atraídos para o Céu numa grande rede por um Jesus que cujas feições são as de conhecido barbeiro local homossexual. O grande pintor El Bosco tinha pintado os mesmos pecados que são glorificados neste afresco, em suas famosas pinturas do inferno. O Bispo Paglia também preside o Instituto João Paulo II onde exerce uma grande pressão sobre os professores para que não apoiem os ensinamentos morais e a disciplina dos sacramentos da Familiaris Consortio, mas que o façam aos da Amoris Laetitia.

MH O senhor está preocupado porque alguns membros da PAV, tais como Nigel Biggar, Padre Maurizio Chiodi, Padre Carlo Casalone, SJ ou o Padre Alain Thomasset, SJ alguns dos quais defendem ativamente o aborto ou o uso de anticoncepcionais?

JS:  É óbvio que estou preocupado. Nós tivemos membros como estes antes, como por exemplo um austríaco que promovia a “família dos teus sonhos” (Die Wunschfamilie) em cujo centro se incluía fertilização in vitro (FIV), a seleção de óvulos fertilizados de acordo com o sexo ou a saúde, a eliminação de crianças “deficientes” ou “não desejados” e, portanto, os aborto nas primeiras semanas. No entanto, a estes membros lhes foi pedido sua demissão. Agora parece que estão sendo nomeados diretamente pelo Vaticano. Isto significa uma mudança profunda da visão da Pontifícia Academia para a Vida atual frente à original.

MH À luz das discussões prévias sobre a Amoris Laetitia e as muitas tentativas de defender a doutrina moral tradicional da Igreja Católica, o senhor vê um paralelismo com o possível desenvolvimente da reinterpretação da Humanae Vitae e seu resultado?

JS:  Estou convencido de que a lógica diz que se o Papa Francisco não revogar o ensinamento [presente na AL] que eu analizei no meu último artigo e se ele não responder aos Dubia dos cardeais para deixar claro que há “atos intrinsecamente maus” e que estes atos nunca estão justificados em nenhuma circunstância, a Humanae Vitae será reinterpretada como um ideal que não se pode exigir a todo o mundo, e que depois de um discernimento, aqueles que praticam a contracepção (com ou sem efeitos abortivos) podem ser admitidos aos sacramentos, e que Deus mesmo, em algumas situações difíceis, assim quer. Disso se deduziria a negação dos atos intrinsecamente maus. E tal negação é certamente sugerida na passagem que eu analisei em meu último artigo. Assim, pois, espero fervorosamente que o Papa, se responder a minha pergunta afirmativamente, retire esta afirmação de AL e, portanto, e evite a deposição da Humanae Vitae.

MH: O Padre John A. Hardon, SJ (+30 de dezembro de 2000), reconhecido teólogo dogmático americano, costumava ressaltar que a maioria dos ensinamentos morais eram certamente ensinados infalivelmente pelo magistério ordinário universal, isto é, sem serem ensinadas ex cathedra. O senhor considera a proibição estrita do uso de qualquer forma de contraceptivos (muitos dos quais são abortivos) como parte do ensino infalível da Igreja? Ou seria possível que o Papa permitisse exceções a este ensinamento?

JS: Certamente o considero parte do ensino infalível da Igreja (ainda que não expresso num dogma). E mais, creio que sua verdade ética pode ser reconhecida pela razão pura e escrevi muitos artigos defendendo as provas filosóficas e as evidências de sua verdade.

MH Levando em conta seu próprio ensaio de 2017 com a próxima discussão sobre a Humanae Vitae, o senhor vê que existe um dano real e que o desmoronamento das leis morais absolutas pode conduzir a Igreja tolerar oficialmente o aborto e a contracepção?

JS: Penso que o grande dom da infalibilidade da Igreja evitou que o Papa Paulo VI, que se inclinava à opinião da maioria (pro contracepção) na comissão que ele tinha convocado, assim o fizesse, e escreveu a Humanae Vitae, na qual apoiava a opinião VERDADEIRA da minoria. Além do mais, creio que a mesma infalibilidade nunca permitirá que a Igreja siga a mensagem da Conferência Anglicana de Lambeth, que mudou a proibição do uso de anticoncepcionais nas igrejas protestantes, uma proibição que anteriormente tinha sido aceita por todas as igrejas cristãs.

No entanto, não acredito que seja impossível que um ensinamento infalível da Igreja seja negado FALÍVELMENTE por um Concílio ou por um Papa como já ocorreu algumas vezes na História da Igreja. Por exemplo, o Papa João XXII ensinou uma grave heresia, que ele mesmo revogou em seu leito de morte, escrevendo uma Bula que condenava seu próprio ensinamento, e que seu sucessor condenou como heresia. O Papa Libério assinou uma declaração semi-ariana que se desviava de alguma forma do dogma central da Igreja sobre a verdadeira divindade de Cristo e Santo Atanásio, que defendeu fervorosamente a verdade, foi várias vezes excomungado por esta defesa. Um Concílio queimou todos os escritos heréticos do Papa Honório que foi excomungado depois de morto. Por isso, ás vezes, – afortunadamente muito raramente, e nunca quando um Papa fala infalivelmente, declarando um dogma – um Papa pode cometer graves erros e inclusive cair em heresia. No meu último artigo eu não critico nem ataco ao Papa nem o acuso de heresia, só lhe faço algumas perguntas. Ninguém deveria esquecer que criticar uma afirmação não infalível do Papa ou uma opinião sua não é algo errado que faça mal à Igreja. O primeiro Papa, São Pedro, foi publicamente repreendido e criticado por São Paulo num Concílio e Santo Tomás fez uma grande defesa deste fato. O mesmo Cristo, logo depois de ter nomeado a São Pedro como primeiro Papa, e Pedra sobre a qual se construiria a Igreja, chamou-o de “Satanás”, e lhe disse: “Afasta-te de mim, Satanás!” e lhe acusou de querer impor seus pensamentos puramente humanos sobre os de Deus que incluíam os mistérios da Paixão e Morte de Jesus Cristo.

MH:  O Cardeal Walter Brandmueller recentemente discutiu publicamente a questão de uma profissão de fé papal, que frequentemente foi requerida em tempos de crise na Igreja. Poderia nos dizer se o senhor pensa que na situação atual tal profissão de fé papal seria útil?

JS:  Eu acredito que, se o Papa publicamente confessasse todo o verdadeiro Credo da Igreja Católica, seria realmente útil para trazer clareza e certeza a esta situação desesperadora e aparentemente confusa, mas provavelmente só um Concílio poderia pedir isto ao Papa ou ele teria que reconhecer pessoalmente que isto é útil.

MH: Os cardeais dos Dubia são repetida e duramente criticados por outros cardeais tais como o Cardeal Rodríguez e o Cardeal Schönborn. O senhor vê justificadas tais críticas ou qual seria sua resposta pessoal a estas reações de altos cargos contra os Dubia?

JS: Creio que os quatro cardeais dos Dubia (a três dos quais considero amigos e um deles amigo íntimo há 37 anos) atuaram de acordo com sua consciência com grande comedimento e respeito pelo Papa e com total justificação. Penso que as críticas que estão recebendo por seus Dubia são profundamente equivocadas, e o que é mais, o caluniar a estes grandes homens da Igreja é um grande pecado. Além disso creio que todo o Colégio Cardenalício deveria se unir a eles. Desde o meu ponto de vista todos os outros cardeais, bispos e todos os católicos, deveríamos apoiar aos quatro cardeiais (dos quais só restam três) e pedir-lhe ao Papa, junto com os Cardeais dos Dubia, uma resposta que restaurasse clareza e certeza e dissipasse a imensa confusão que reina agora e que ninguém que tenha olhos para ver e mente para pensar pode negar. Não são os Dubia, mas o fato de não responder às perguntas com sinceridade e com total claridade o que semeia a desconfiança sobre o Papa e provoca a confusão.

3 setembro, 2017

Foto da semana.

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O furacão Harvey, o pior que atingiu os Estados Unidos desde a última década, somente tem deixado devastação.

A família Rojas, em Robstown, Texas, perdeu tudo devido a um incêndio causado pelo furação. Mas, quando retornaram para casa em destroços, eles se surpreenderam com o que encontraram: as únicas coisas que resistiram foram duas imagens da Santíssima Virgem.

A primeira era uma imagem grande, vista da imagem acima. A segunda, uma pequena imagem do tamanho de uma mão.

“Alguns podem culpar a Deus e outros o furacão”, Natali Rojas afirmou à KRISTV, “mas as únicas coisas que permaneceram eram objetos santos. Como você pode ver, essa imagem é a única coisa que restou, eu escavei os escombros para encontrar minhas coisas e tudo que encontrei foi a Virgem Maria”.

Com informações de ChurchPop.

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31 agosto, 2017

Banheiro unissex: a PUC-SP é pioneira!

Por Edson Luiz Sampel 

FratresInUnum.com, 1º de setembro de 2017 – É fácil compreender o porquê da existência de banheiros masculinos e banheiros femininos. Quer-se preservar o pudor. Fedor é tudo que se faz no banheiro, porque nesse recinto urinamos e evacuamos. Qual é a graça de um banheiro? Nenhuma. Nele adentramos por necessidade fisiológica e, aliviados, escapulimos o quanto antes. O banheiro unissex, montado em uma “universidade católica” (pioneirismo da PUC-SP), tem que objetivo? Fraternal compartilhamento de odores dos moços e das moças? Que horror!

Na verdade, o real motivo dessa novidade da PUC-SP é atender a certos alunos que ainda não tinham um banheiro próprio: transexuais, etc. Agora têm! A propósito, na reportagem do Jornal Nacional (29/8/2017), que deu essa “grande notícia”, entrevistou-se um rapaz, que afirmou que se sentia constrangido em ter de se pentear e retocar a maquiagem no banheiro masculino.

Com a palavra sua eminência, o arcebispo de São Paulo e grão-chanceler da PUC-SP! Gostaria de saber se essa novidade, banheiro unissex, é compatível com a moral cristã, vale dizer: no banheiro unissex preserva-se o pudor?

Edson Luiz Sampel

Doutor em Direito Canônico e membro da Sociedade Brasileira de Canonistas (SBC)  

28 agosto, 2017

Editorial: Um ataque brutal às mulheres Católicas.

Não há acordo: eles creem na “Mãe Terra”, nós cremos na Mãe de Deus.

Por FratresInUnum.com

Por todos os lados, chegam-nos notícias de uma crescente propaganda de bispos contra – pasmem! – a “Consagração a Nossa Senhora” segundo o método de São Luiz Maria Montfort, o uso de cadeias, de véus e de saias por parte de mulheres, e tudo por causa de uma alegada “onda de conservadorismo” que, como surto, teria tomado a Igreja no Brasil.

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Eles querem salvar o planeta, nós queremos salvar as almas.

Mas… Por que um pano na cabeça incomoda tanto os bispos? Por que uma saia abaixo do joelho ou uma pulseira gera tanto desconforto? Por que os bispos não criticam o véu das muçulmanas ou as suas burcas? Por que apenas as Católicas os incomodam? Não parece desproporcional a ofensiva, diante de uma minoria de mulheres que adere aos usos mais tradicionais?

Notem a contradição. Enquanto esses senhores se encorajam mutuamente, respaldados pelo estímulo progressista deste pontificado, voltam-se com fúria contra tudo que representa o mínimo vínculo com a antiga religião Católica, cujos resquícios precisam ser definitivamente apagados, para que não reste a mínima lembrança de uma tradição cuja força de atração é capaz de suplantar a nova religião que eles querem trazer à luz. É uma “coragem” contra aquilo que eles “temem”. É uma ofensiva que se demonstra mais do que tudo defensiva. É uma força que se mostra como ostensiva fraqueza.

Nesta hora de impasse, é necessário que as mulheres compreendam que a Providência Divina pôs em suas mãos uma força impressionante! Em cada mulher de véu, de saia, de cadeia no pulso, há uma guerreira, há uma afronta a Satanás, justamente naquilo que ele mais detesta: a lembrança nítida de Maria Santíssima.

As provocações desses senhores só aumentarão, e por um motivo: são eles que se sentem afetados, provocados, insultados pela devoção e piedade daquilo que há de mais delicado e doce, justamente a feminilidade das mulheres Católicas, seu amor reverente a Deus, sua modesta dedicação à Igreja.

Entre os modos toscos com que tratam as coisas sacras e a delicadeza das novas donzelas da Virgem Santíssima há um abismo. Elas são a acusação silenciosa de uma apostasia que eles precisam disfarçar, são uma clarinada de Deus para despertar as suas consciências mortas, são a pregação simbólica de uma santidade que se quer voluntariamente esquecer.

Além disso, são estas mulheres marianas a rejeição de uma nova mariologia que sucumbiu à podridão do que há de pior no feminismo radical. Trocaram a Virgem Puríssima pela “Maria do povo”, um protótipo de militante comunista, engajada em movimentos sociais e lavadeira subversiva… Querem interceptar a devoção a Nossa Senhora Aparecida com esta falsificação brutal, induzindo as pessoas a uma compreensão mariana deformada.

Esta “Maria” inexistente é a do empoderamento feminista, que exige o sacerdócio das mulheres, o destronamento do Verbo que se fez homem. Não é a serva do Senhor. Ela não é serva de ninguém e não tem servos, é libertadora. Por isso, são insuportáveis as correntes, as pulseiras, as cadeias.

Eles querem nos impor a “Maria da Terra”, mas nós cremos em “Maria, Porta do céu”. Eles querem salvar o planeta, nós queremos salvar as almas. Eles querem o mundo, nós queremos a eternidade. Eles pretendem que as mulheres da Igreja sejam um reflexo das mulheres do mundo; enquanto as mulheres da Igreja pretendem ser um reflexo das mulheres do céu, das santas e, sobretudo, da Virgem Santa Maria. Por isso, não há acordo: eles creem na “Mãe Terra”, nós cremos na Mãe de Deus.

Não há motivos para temer. A crise passará e, como disse há cem anos a Virgem de Fátima, “por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”! As filhas de Maria continuarão com esta procissão humilde e devota, enfrentarão hostilidades e condenações, não terão afeto de seus padres e prelados, mas prevalecerão.

Repetimos: a Providência Divina colocou nas mãos das mulheres um poder do qual precisam se tornar conscientes. Coragem! Continuem firmes. A vitória é certa e quem permanecer ao lado de Nossa Senhora, seguramente, com Ela triunfará.

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24 agosto, 2017

Papa: superar leituras infundadas e superficiais da reforma litúrgica, que é irreversível.

Cidade do Vaticano (RV) –  “Não basta reformar os livros litúrgicos para renovar a mentalidade (…), a educação litúrgica de Pastores e fiéis é um desafio a ser enfrentado sempre de novo”.” Depois deste magistério e  depois deste longo caminho, podemos afirmar com segurança e com autoridade magisterial que a reforma litúrgica é irreversível”.

Ao encontrar na manhã desta quinta-feira na Sala Paulo VI os participantes da Semana Litúrgica Nacional italiana, o Papa Francisco falou sobre a irreversibilidade da reforma litúrgica, recordando – ao começar seu pronunciamento – os acontecimentos “substanciais e não superficiais” ocorridos no arco dos últimos 70 anos na história Igreja e em particular, “na história da liturgia”.

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24 agosto, 2017

Esquerdistas enfrentam evento na PUC-Rio, mas Bispo reforça identidade católica da instituição.

RIO DE JANEIRO, 21 Ago. 17 / 04:21 pm (ACI).- Um grupo de esquerda buscou fazer frente a um seminário contra ideologia de gênero promovido pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), que contou com a presença do Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Antônio Augusto Duarte; porém, para o Prelado, o evento serviu para deixar clara a “identidade católica” da instituição.

O “Seminário de Ideologia de Gênero” foi organizado pelo Programa de Liderança Católica (MOVE) da PUC-Rio, que é composto por jovens universitários, com o objetivo de aprofundar os conhecimentos na Sagrada Escritura e no Magistério da Igreja Católica.

Segundo o site da Arquidiocese do Rio de Janeiro, o evento tinha como intuito “esclarecer os fiéis sobre as implicações da ideologia de gênero, à luz do Magistério da Igreja”.

No dia do evento, um grupo de esquerda se reuniu na área externa da universidade, com cartazes, tentado “atrapalhar” o seminário “e bater de frente com o Bispo Auxiliar” do Rio de Janeiro, como relatou em sua página de Facebook Padre Augusto Bezerra.

O sacerdote postou um vídeo no qual indicou que o ato representou “a intolerância da esquerda com um Bispo numa Universidade Católica”.

Em resposta a tal ato, “num seminário contra a ideologia de gênero”, pontou o vídeo de Pe. Augusto Bezerra, “um Bispo tolerante tranquilamente dá a palavra para a esquerda falar o que quiser”. Assim, os manifestantes tiveram alguns minutos para falar aos participantes do evento.

Em resposta a tal ato, “num seminário contra a ideologia de gênero”, pontou o vídeo de Pe. Augusto Bezerra, “um Bispo tolerante tranquilamente dá a palavra para a esquerda falar o que quiser”. Assim, os manifestantes tiveram alguns minutos para falar aos participantes do evento.

O vídeo postado por Pe. Bezerra teve grande repercussão, com pessoas que estiveram no evento ressaltando que “o seminário foi excelente”. “Quanto a este episódio – sublinhou um dos participantes –, nem liguei. Ouvimos, eles falaram e foram embora”.

Por outro lado, ressaltou Pe. Augusto Bezerra, “Dom Antônio foi ovacionado no final”.

Após o término do seminário, o Prelado concedeu uma entrevista ao MOVE, na qual destacou que, para ele, o evento “foi uma bela representação do mundo católico na nossa Universidade Católica”.

“Creio que foi um momento bastante significativo para que os universitários que aqui estudam vejam que a identidade católica da Universidade é predominante”, completou, ressaltando em seu agradecimento à PUC-Rio que, além do auditório onde aconteceu o seminário, foi preciso disponibilizar mais sete salas de aula, com transmissão ao vivo, para acolher todos os participantes.

Ao divulgar o seminário no site da Arquidiocese do Rio de Janeiro, o reitor da Igreja Sagrado Coração de Jesus da PUC e responsável pelo MOVE, Pe. Alexandre Paciolli, explicou que o tema do evento foi escolhido juntamente com o Arcebispo, Cardeal Orani Tempesta, por observar a necessidade de abordar o tema da ideologia de gênero dentro da universidade.

“A PUC, enquanto referência de formação e liderança em vários campos, aglutina pessoas com um forte desejo de mudança e melhoria social, a partir do cristianismo”, afirmou o sacerdote.

Nesse sentido, indicou que a ideia do seminário era levar as pessoas a conhecer “a fundo um tema importante para a nossa fé e amplamente discutido nos dias de hoje”.

Por sua vez, Dom Antônio Augusto assinalou que “esse foi o grande significado desse seminário, dar uma identidade realmente católica à nossa Pontifícia Universidade”.

O Programa de Liderança Católica (MOVE) já planeja mais um seminário na PUC-Rio, com o tema “Medicina e vida”, a ser realizado em outubro deste ano.