Archive for ‘Atualidades’

22 junho, 2019

Foto da semana.

PEQUIM, 15 Jun. 19 / 06:00 am (ACI).- As autoridades da China proibiram o funeral público e o enterro em um cemitério católico do Bispo de Tianjin, Dom Stefano Li Side, que morreu em 8 de junho, aos 92 anos, em prisão domiciliar.

Dom Li Side sempre foi fiel à Santa Sé e, por isso, foi preso várias vezes, 17 anos em campos de trabalhos forçados e exilado em um povoado em prisão domiciliar desde 1992.

Segundo informa ‘Asia News’, a Associação Patriótica Católica, o organismo do governo chinês para o controle da Igreja no país, e à qual Dom Li “sempre se recusou a pertencer, proíbe enterrar seus restos mortais em um cemitério católico”.

Um católico local disse a ‘AsiaNews’ que “o governo local é muito mais civilizado do que a Associação Patriótica”, que ordenou que o bispo não tivesse o seu funeral na Catedral de São José (Xikai), em Tianjin. Os sacerdotes que quiseram se despedir, tiveram apenas dez minutos para rezar diante de seus restos e não puderam estar na Missa de exéquias.

Sua vida

Dom Esteban Li Side nasceu em 3 de outubro de 1927, em Zunhua (Tangshan, Hebei), em uma família católica com uma longa tradição. Passou nove anos em seminários menores, estudou no Seminário Maior de Wen Sheng, em Pequim, e foi ordenado sacerdote em 10 de julho de 1955.

Assim que se instituiu a Associação Patriótica para controlar a Igreja, Pe. Li foi preso em 1958. Foi libertado em 16 de fevereiro de 1962 e retomou o seu serviço na Catedral de São José, em Tianjin. Foi preso novamente em 1963 e, até 1980, cumpriu uma sentença em campos de trabalhos forçados.

Em 15 de junho de 1982, foi ordenado em segredo como Bispo de Tianjin, mas não foi reconhecido pelo governo comunista. Em 1989, foi preso pela terceira vez depois de participar da Assembleia da Conferência Episcopal Chinesa que reivindicou ao regime maior liberdade religiosa.

Em 1991, foi libertado e retornou à Catedral de São José em Tianjin. Em 1992, as autoridades o forçaram a ir para o povoado de Liang Zhuang Zi, em meio às montanhas, onde permaneceu em prisão domiciliar até sua morte.

Desde 1992, o governo chinês tentou instituir como bispo oficial de Tianjin Dom José Shi Hongchen, que vinha da Igreja subterrânea ou clandestina e foi ordenado Bispo Auxiliar por Dom Li em 1982; entretanto, Dom Shi Hongchen morreu em 2006.

Desde 2007, a maioria dos sacerdotes da Igreja oficial expressou sua obediência a Dom Li Side. A Igreja de Tianjin tem um Bispo Coadjutor (subterrâneo), Dom Melchor Shi Hongzhen, de 92 anos, que também está em prisão domiciliar em uma cidade montanhosa na região.

A Diocese de Tianjin tem cerca de 100 mil fiéis que são atendidos por 40 sacerdotes oficiais e 20 não oficiais ou subterrâneos.

A situação dos católicos na China

Em abril de 2019, Pe. Bernardo Cervellera, especialista em Igreja Católica na China e editor da agência de notícias ‘Asia News’ informou que, “em muitas dioceses, a Associação Patriótica e o Departamento de Assuntos Religiosos continuam exigindo que todos os sacerdotes se inscrevam na associação e mantenham a ‘Igreja independente’. A este respeito, o Vaticano manifestou uma tímida reserva em uma entrevista do Cardeal Fernando Filoni concedida ao (jornal do Vaticano) L’Osservatore Romano, destacando que a pertença à Associação segundo lei chinesa deveria ser facultativa”.

Na China existe a Associação Católica Patriótica Chinesa, controlada pelo governo, e a Igreja clandestina ou subterrânea, que sempre permaneceu fiel à Santa Sé.

Na prática, afirma Pe. Cervellera, ao invés de “reconciliação” entre a Associação Patriótica e a Igreja clandestina ou subterrânea, com o acordo entre a China e o Vaticano, “há uma grande pressão sobre a comunidade subterrânea com forte interferência na vida da Igreja”.

O Acordo Provisório

Em 22 de setembro de 2018, o Vaticano anunciou a assinatura do Acordo Provisório com a China para a nomeação de bispos.

Alguns manifestaram oposição ao acordo, como o Bispo Emérito de Hong Kong, Cardeal Joseph Zen Ze Kiun, que em um artigo publicado em ‘The New York Times’, em 24 de outubro, escreveu: “Aos Bispos e sacerdotes clandestinos (fiéis) da China, só posso dizer-lhes isto: por favor, não comecem uma revolução. Eles (as autoridades) tomam suas igrejas? Já não podem mais celebrar? Vão para casa e rezem com suas famílias (…) Esperem por tempos melhores. Voltem para as catacumbas. O comunismo não é eterno”.

A bordo do avião no regresso de sua viagem à Letônia, Lituânia e Estônia no final de setembro do ano passado, o Papa Francisco disse aos jornalistas: “Eu sou responsável” pelo acordo.

Sobre os bispos que não estavam em comunhão com a Igreja até antes do acordo, como Dom Guo Jincai que participou do Sínodo dos jovens, Francisco disse que “foram estudados caso por caso. Para cada bispo fizeram um expediente e estes expedientes chegaram à minha escrivaninha. E eu fui o responsável por assinar cada caso dos bispos”.

Sobre o acordo, Francisco indicou que “a coisa é feita em diálogo, mas nomeia Roma, nomeia o Papa. Isso está claro. E rezamos pelos sofrimentos de alguns que não entendem ou que têm nas costas muitos anos de clandestinidade”.

Em 26 de setembro de 2018, o Pontífice dirigiu uma mensagem aos católicos da China e à Igreja universal, na qual solicitou “gestos concretos e visíveis” aos bispos que foram retirados da excomunhão.

21 junho, 2019

O Sínodo a serviço da agenda neopagã.

Por José Antonio Ureta | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com

O jornalista Edward Pentin, do National Catholic Register, solicitou amavelmente minhas primeiras impressões sobre o Instrumentum laboris para a próxima Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, divulgado ontem. Eu o faço com muito gosto, como editorial para este observatório.

Em minha opinião, o Instrumentum laboris representa a abertura de par em par das portas do Magistério à Teologia Indígena e à Ecoteologia, dois derivados latino-americanos da Teologia da Libertação, cujos corifeus, após o desmantelamento da URSS e do fracasso do “socialismo real”, atribuíram aos povos indígenas e à natureza o papel histórico de força revolucionária, em clave marxista.

Tal como a Teologia da Libertação, o Instrumentum laboris toma como base de suas elucubrações não a Revelação de Deus contida na Bíblia e na Tradição, mas a realidade da suposta “opressão” a que estaria sujeita a Amazônia, que de simples área geográfica e cultural passa a ser “interlocutor privilegiado”, “lugar teológico”, “lugar epifânico” e “fonte de revelação de Deus” (números 12, 18 e 19).

Do ponto de vista teológico, o Instrumentum laboris não só recomenda o ensino da Teologia Indígena “em todas as instituições educativas” com vistas a “uma melhor e maior compreensão da espiritualidade indígena” e para que “sejam tomados em consideração os mitos, tradições, símbolos, ritos e celebrações originais” (nº 98), como repete ao longo do documento todos os seus postulados. Ou seja, que as “sementes do Verbo” não apenas estão presentes nas crenças ancestrais dos povos aborígenes, mas que já “cresceram e deram frutos” (nº 120), pelo que a Igreja, em lugar da evangelização tradicional que procura convertê-los, deve se limitar a “dialogar” com eles, uma vez que “o sujeito ativo da inculturação são os mesmos povos indígenas” (nº 122).

 Nesse diálogo intercultural, a Igreja deve também enriquecer-se com elementos claramente pagãos e/ou panteístas de tais crenças, como “a fé em Deus-Pai-Mãe Criador”, as “relações com os antepassados”, a “comunhão e harmonia com a terra” (nº 121) e a conectividade com “as diferentes forças espirituais” (nº 13). Nem sequer o curandeirismo fica à margem de tal “enriquecimento”. Segundo o documento, “a riqueza da flora e da fauna da selva contém verdadeiras ‘farmacopeias vivas’ e princípios genéticos inexplorados” (nº 86). Nesse contexto, “os rituais e cerimônias indígenas são essenciais à saúde integral, pois integram os diferentes ciclos da vida humana e da natureza. Criam harmonia e equilíbrio entre os seres humanos e o cosmos. Protegem a vida contra os males que podem ser provocados tanto por seres humanos como por outros seres vivos. Ajudam a curar as enfermidades que prejudicam o meio ambiente, a vida humana e outros seres vivos” (nº 87).

No plano eclesiológico, o Instrumentum laboris é um verdadeiro terremoto para a estrutura hierárquica que a Igreja possui por mandato divino. Em nome da “encarnação” na cultura amazônica, o documento convida a reconsiderar “a ideia de que o exercício da jurisdição (poder de governo) deve estar vinculado em todos os âmbitos (sacramental, judicial, administrativo) e de forma permanente ao sacramento da ordem” (nº 127). É inconcebível que o documento de trabalho de um Sínodo possa questionar uma doutrina de fé, como é a distinção, na estrutura da Igreja, entre clérigos e leigos, afirmada desde o Primeiro Concílio de Niceia e baseada na diferença essencial entre o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial dos clérigos, dotado de um poder sagrado que tem sua raiz na sucessão apostólica. Insere-se nessa diluição do sacerdote católico em algo similar a um pastor protestante o apelo para se reconsiderar a obrigatoriedade do celibato (nº 129 § 2) e, mais ainda, o pedido de identificar que tipo de “ministério oficial” pode ser conferido à mulher (§ 3). O Cardeal Joseph-Albert Malula, do Zaire, e Dom Samuel Ruiz, de Chiapas, devem estar se agitando no túmulo ao verem que os projetos que procuraram implementar (e que foram rapidamente interrompidos pela Santa Sé) estão sendo agora propostos em um Sínodo que,  segundo seus organizadores, tem valor universal.

Do ponto de vista ecológico, o Instrumentum laboris representa a aceitação pela Igreja da divinização da natureza promovida pelas conferências da ONU sobre o meio ambiente.

Com efeito, já em 1972, em Estocolmo, seus registros oficiais diziam que o homem administrou mal os recursos naturais principalmente devido a “uma determinada concepção filosófica do mundo”. Enquanto as “teorias panteístas […] atribuíam aos seres vivos uma parte da divindade […], as descobertas da ciência conduziram […] a uma espécie de dessacralização dos seres naturais”, que haure a sua melhor justificação “nas concepções judaico-cristãs, segundo as quais Deus teria criado o homem à sua imagem e lhe dado a terra para que a submeta”. Pelo contrário, dizia a ONU, as práticas dos cultos aos ancestrais “constituíam um baluarte para o meio ambiente, na medida em que as árvores ou cursos d’água eram protegidos e venerados como a reencarnação dos ancestrais” (Aspects éducatifs, sociaux et culturels des problèmes de l’environnement et questions d’information, ONU, Assembleia Geral de Estocolmo, 5-6 de junho de 1972, A / CONF. 48.9, pp. 8 e 9).

E no discurso de encerramento da Eco92, no Rio de Janeiro, o secretário-geral da ONU, Boutros Boutros-Ghali, declarou que “para os antigos, o Nilo era um deus venerável, assim como o Reno, fonte infinita de Mitos europeus, ou a selva amazônica, mãe de todas as selvas. Em todos os lugares, a natureza era a morada das divindades. Elas conferiram à selva, ao deserto, à montanha, uma personalidade que impunha adoração e respeito. A terra tinha uma alma. Reencontrá-la, ressuscitá-la, tal é a essência da [Conferência Intergovernamental] de Rio “(A / CONF.151 / 26, vol. IV, p. 76).

Essa agenda neopagã da ONU é agora reproposta por uma Assembleia Sinodal da Igreja Católica!

O Instrumentum laboris, citando um documento da Bolívia, afirma que “a selva não é um recurso para explorar, é um ser ou vários seres com quem se relacionar” (nº 23), e prossegue afirmando que “a vida das comunidades amazônicas ainda não afetadas pelo influxo da civilização ocidental [sic!] se reflete na crença e nos ritos sobre a ação dos espíritos, da divindade – chamada de múltiplas maneiras – com e no território, com e em relação à natureza. Essa cosmovisão se reflete no ‘mantra’ de Francisco: ‘tudo está conectado’” (n ° 25).

Do ponto de vista econômico-social, o Instrumentum Laboris é uma apologia do comunismo, disfarçado de “comunitarismo”. E da pior forma de comunismo, que é o coletivismo das pequenas comunidades. Com efeito, segundo o documento, o projeto de “bem viver” dos aborígenes (sumak kawsay) supõe “que haja uma intercomunicação entre todo o cosmos, onde não há excludentes nem excluídos”. A nota explicativa da expressão indígena remete para uma declaração de várias entidades indígenas, intitulada “O grito do sumak kawsay na Amazônia”, a qual afirma que dita expressão “é uma Palavra mais antiga e atual” (com “P” maiúsculo no texto, isto é, uma revelação divina) que propõe “um estilo de vida comunitária com o mesmo SENTIR, PENSAR e AGIR” (as maiúsculas são do texto).

Essa frase nos recorda a denúncia feita por Plinio Corrêa de Oliveira em 1976 do tribalismo indígena como sendo uma etapa nova ainda mais radical da Revolução anárquica: “O estruturalismo vê na vida tribal uma síntese ilusória entre o auge da liberdade individual e do coletivismo consentido, na qual este último acaba por devorar a liberdade. Em tal coletivismo, os vários ‘eus’ ou as pessoas individuais, com sua inteligência, sua vontade e sua sensibilidade, e conseqüentemente seus modos de ser, característicos e conflitantes, se fundem e se dissolvem na personalidade coletiva da tribo geradora de um pensar, de um querer, de um estilo de ser densamente comuns ” (Revolução e Contra-Revolução, Parte III, cap. III, item 2 “IV Revolução e tribalismo: uma eventualidade”).

O que o Instrumentum laboris em definitiva propõe é um convite para que a humanidade dê o último passo rumo ao abismo da Revolução anticristã: o anarco-primitivismo de John Zerzan e do terrorista Unabomber.

19 junho, 2019

Atualização sobre Gercione Lima.

Nossa querida colaboradora Gercione Lima envia atualizações sobre o seu estado de saúde. Continuemos rezando incessantemente!

DSC_4709.jpg

Olá caros amigos!

Em novembro de 2018, o estudo clínico do qual eu participava há mais ou menos um ano e meio, parou de funcionar para mim. No giro de dois meses eu sofri uma “mega metástase”. Meu índice tumoral subiu assustadoramente e eu fui colocada em outro “clinical trial”, dessa vez com Imunoterapia. A Imunoterapia tem dado resultados positivos em outros tipos de câncer, como de pulmão. Mas até agora tem se revelado um fracasso para o câncer de ovário.

Para vocês terem uma idéia, esse “clínical trial” teve que ser cancelado devido aos terríveis efeitos colaterais para a maioria das participantes. No meu caso, ele reativou o vírus da catapora ( que eu tive quando era pequena) e me deu um caso sério de “herpes-zoster”. Extremamente dolorido e inconveniente. Como consequência, tive que parar todo e qualquer tratamento quimioterápico até resolver primeiro o problema do herpes-zoster. Dezembro de 2018 definitivamente não foi um mês bom pra mim.

Em janeiro, meu marcador tumoral CA125 chegou a 6700, quando o normal seria abaixo de 35. A essa altura, a quantidade de nódulos sobre os meus intestinos formaram uma massa que ameaçava obstrução intestinal. Fui colocada numa dieta rigorosa a base de líquidos e comida pastosa. Vegetais apenas cozidos e batidos no liquidificador, apenas carnes brancas como peixe e peito de frango. Total proibição para alimentos fribosos, nozes, castanhas…etc.

A equipe oncológica então se reuniu para traçar um plano de ação. Resolveram testar uma velha quimioterapia a base de Cisplatina, porque diante do meu caso crítico, as outras opções não pareciam seguras. Comecei esse tratamento em Janeiro desse ano sem nenhuma convicção, já que ele também havia se revelado um fracasso para pelo menos três mulheres que faziam tratamento comigo e faleceram em Dezembro.

Mas o bom Deus ouviu as orações de todos aqueles que nunca deixaram de rezar por mim! A única convicção que eu tenho em relação aos tratamentos de câncer é que é Deus que faz com que eles funcionem. É Deus que move a roda da Providência e faz com que as coisas andem.

Logo depois da minha primeira sessão de quimioterapia com Cisplatina, o índice tumoral caiu de 6700 para 3500!! Chorei de emoção! Após a segunda sessão, caiu de 3500 para 900 e depois da terceira, de 900 para 400. Em seguida, as quedas começaram a ser menores, de 400 para 300 e agora está em 200.

Minha última tomografia mostrou que restam dois nódulos de menos de 1cm e daquela enorme massa sobre meus intestinos, restou apenas 3cm. O problema é que a Cisplatina é extremamente tóxica para os rins e geralmente eles não gostam de dar mais que 6 sessões. Hoje estou indo para a minha oitava sessão sem nenhuma garantia de que vai funcionar porque após a sexta sessão é muito comum que o câncer se torne resistente à droga.

O que eu posso dizer é que muita coisa melhorou, a neuropatia diminuiu, as dores também e a dieta suspensa. Estou podendo me alimentar melhor. Mas a preocupação permanece porque o tipo de câncer de ovário que eu tenho é extremamente agressivo. O que virá após a Cisplatina? Como meu corpo vai reagir? No momento, estamos no início do verão canadense, o que facilita maior absorção de vitamina D que é extremamente importante. Meu cabelo voltou a crescer porque não estou mais tomando quimioterapia à base de Taxol. Mas a luta continua! Continuem orando por mim para que o bom Deus tenha misericórdia e a Divina Providência nunca venha me faltar.

Abraços a todos

Gercione

17 junho, 2019

Rumo ao cisma. Lançado o documento preparatório do Sínodo da Amazônia.

Por FratresInUnum.com, 17 de junho de 2019 – Aconteceu! Exatamente como alertamos desde o início — estes posts de 2014, um único ano após a eleição de Francisco, impressionam e já indicavam o percurso que eles percorreram fielmente (1, 2, 3 e 4)!

O Papa Francisco não está brincando. Ele realmente quer destruir o catolicismo tal como se conhece atualmente e gestar uma nova religião a partir da estrutura da Igreja Católica. O documento preparatório do Sínodo da Amazônia não deixa margens para dúvida.

instrumentum laboris amazoniaEmbora o que chame imediatamente a atenção seja a solicitação de novas formas de ministério para a Igreja da Amazônia, a raiz da questão é muito mais profunda. O nº 129 do Instrumentum Laboris, de fato, diz que “afirmando que o celibato é uma dádiva para a Igreja, pede-se que, para as áreas mais remotas da região, se estude a possibilidade da ordenação sacerdotal de pessoas idosas, de preferência indígenas, respeitadas e reconhecidas por sua comunidade, mesmo que já tenham uma família constituída e estável, com a finalidade de assegurar os Sacramentos que acompanhem e sustentem a vida cristã”. Trata-se da velha requisição de que se ordene homens casados.

Mas, ufa! Segundo o nosso super ortodoxo ex-núncio, Cardeal Lorenzo Baldisseri, não se trata de um prelúdio do fim: “Tudo que é doutrina permanece intacto. O resto pode-se estudar ou inventar”.

Inventar! Nisso eles são realmente pródigos.

Pois, um pouco antes, no nº. 126, o documento afirma que “constata-se a necessidade de um processo de discernimento em relação aos ritos, símbolos e estilos celebrativos das culturas indígenas em contato com a natureza, os quais devem ser assumidos no ritual litúrgico e sacramental. É necessário prestar atenção para captar o verdadeiro sentido do símbolo que transcende o meramente estético e folclórico, concretamente na iniciação cristã e no matrimônio. Sugere-se que as celebrações sejam festivas, com suas próprias músicas e danças, em línguas e com trajes originários, em comunhão com a natureza e com a comunidade. Uma liturgia que corresponda à sua própria cultura, para poder ser fonte e ápice de sua vida cristã, e ligada às suas lutas, sofrimentos e alegrias”.

A doutrina permanece intacta! O que faremos é apenas uma releitura dela, ressignificando-a completamente a ponto de se inventar uma nova religião. Afinal, não é o que o nº. 138 aprecia nos protestantes que atuam na Amazônia? Para os redatores deste documento naturalista, as seitas “nos mostram outro modo de ser Igreja, onde o povo se sente protagonista, onde os fiéis podem expressar-se livremente, sem censuras, dogmatismos, nem disciplinas rituais”.

Vamos inventar!

Como afirmava Dom Claudio Hummes em sua conferência na PUC-SP, eles querem, de fato, gestar uma Igreja com DNA Amazônico, ecologista, multiculturalista, indígena, tribalista! É disso que se trata.

Chega a ser absurdo que o Papa Francisco, embora escondendo-se sob a máscara sinodal, coloque-se tão flagrantemente em desconexão com o sensus fidei do povo católico. A pressa em demolir a Igreja é tão acelerada que já não consegue mais disfarçar uma fachada de catolicismo.

Alguns papas recentes também foram reformistas, mas eles tinham a preocupação de manter ainda aquela aparência católica que tranquilizava a alma das ovelhas enganadas. Agora, não. É sem anestesia, mesmo!

Mas isto é bom! Aliás, é excelente. Precisava ficar cada dia mais claro quem é Jorge Mario Bergoglio. Os cleaners já não conseguem respostas, pois Francisco os desarma totalmente.

Se não houver conversão, e é pelo que rezamos, Francisco precisa mesmo é escancarar ao máximo o seu desvio. O mais importante é a salvação das almas e a restauração da Igreja. E o fato de que toda esta Babel se torna cada dia mais manifesta aos olhos dos simples fieis será a circunstância de que se servirá a Providência para impelir a reação do povo cristão.

Por enquanto, Deus não intervém porque nós não merecemos. Quanta gente preocupada em disfarçar, em fazer de conta que estamos numa primavera! Nosso Senhor fará alguma coisa apenas quando a situação se tornar tão grave que seja indisfarçável, para que fique muito claro o milagre.

Neste ínterim, a estrutura eclesiástica se perverte cada dia com mais força, a fé é dissolvida no paganismo e a Igreja perece no mais inegável mundanismo. Semana passada, por exemplo, um bispo chileno recém-nomeado teve de renunciar não por ter dito uma heresia, mas porque falou coisas politicamente incorretas. A ditadura da opinião prevalece, invicta, sobre o clero moderno.

Até quando os fieis ficarão calados? Até quando assistirão, omissos, o desmonte da sua religião? Os avisos de Fátima são eloquentes! “O dogma da fé” foi o apelo da Virgem. Quem não curvará sua cabeça diante da impostura?

17 junho, 2019

Dom Viganò ao Washington Post: “O Papa Francisco está ocultando deliberadamente as evidências do caso McCarrick”.

Por OnePeterFive, 10 de junho de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com – O arcebispo Carlo Maria Viganò está novamente nos noticiários de hoje, após o lançamento de uma nova entrevista de 8.000 palavras para o Washington Post. De acordo com o Post, a entrevista foi conduzida via e-mail durante um período de dois meses, com o ex-núncio papal nos EUA fornecendo respostas para cerca de 40 perguntas.

Dom Carlo Maria Viganò.

Dom Carlo Maria Viganò.

Aqueles que leram os testemunhos anteriores de Viganò perceberão muitas similaridades na entrevista, mas com maior profundidade. O arcebispo Viganò se recusou a responder perguntas sobre seu status pessoal, que, segundo ele, considera “irrelevante para os sérios problemas que a Igreja enfrenta”.

Ele começa com uma avaliação do Encontro sobre Abuso Sexual realizado em Roma, em fevereiro de 2019, o qual faz eco às preocupações que ele compartilhou com o National Catholic Register antes da abertura do Encontro. 

“Infelizmente”, diz Viganò ao Post, sobre o Encontro, “essa iniciativa acabou se tornando pura ostentação, pois não vimos nenhum sinal de uma disposição genuína de endereçar as causas reais da crise atual”. Ele destacou a falta de credibilidade do cardeal Cupich, que foi escolhido para ser um líder no Encontro, depois dele ter se referido às acusações de Viganò sobre o acobertamento dos abusos sexuais, como uma espécie de  “buraco de coelho”. Ele também lamentou a falta de transparência para com os jornalistas que procuravam informações sobre casos específicos.

Só pra citar um exemplo, o arcebispo [Charles] Scicluna, pego de surpresa com uma pergunta sobre o fato do papa ter acobertado o caso escandaloso do bispo Argentino Gustavo Zanchetta – “Como podemos acreditar que esta é de fato a última vez que vamos ouvir “não mais acobertamentos” quando, no final das contas, o próprio papa Francisco acobertou alguém na Argentina que tinha pornografia gay envolvendo menores? “-  acabou dando esta resposta embaraçosas:” Sobre esse caso, eu não, eu não, você sabe, eu não estou autorizado … ”. A resposta inepta de Scicluna deu a impressão de que ele precisava ser autorizado – o que levanta outra interrogação: autorizado por quem pra dizer a verdade? Alessandro Gisotti, o diretor do escritório interino de imprensa do Vaticano,  interveio rapidamente para assegurar aos repórteres que uma investigação havia sido iniciada e que, uma vez concluída, eles seriam informados dos resultados. É de se questionar se os resultados de uma investigação honesta e minuciosa serão realmente divulgados, e em tempo hábil”.

Viganò observa que um dos problemas-chave do Encontro foi a maneira pela qual “se concentrou exclusivamente no abuso de menores”.

“Esses crimes são de fato os mais horríveis”, acrescenta ele, “mas as recentes crises nos Estados Unidos, no Chile, na Argentina, em Honduras e em outros lugares têm muito mais a ver com abusos cometidos contra jovens adultos, inclusive seminaristas, não apenas nem principalmente contra menores. De fato, se o problema da homossexualidade no sacerdócio fosse honestamente reconhecido e devidamente tratado, o problema do abuso sexual seria muito menos severo ”.

Viganò ataca o papa Francisco, que segundo ele , “não apenas não está fazendo quase nada para punir aqueles que cometeram abusos”, mas também “não está fazendo absolutamente nada para expor e levar à justiça aqueles que, durante décadas, facilitaram e acobertaram os abusadores”.  Ele cita o exemplo do Cardeal Wuerl, que, não obstante as mentiras e acobertamentos dos abusos de “McCarrick e de outros por décadas”, sobre os quais ele só ofereceu “mentiras repetidas e descaradas”  e foi forçado a renunciar em desgraça,  ainda assim foi elogiado pelo papa por sua “nobreza”.

“Que credibilidade o papa ainda tem depois desse tipo de declaração?”, pergunta Viganó.

Sobre a questão da laicização de McCarrick, Viganò questiona por que isso só veio acontecer cinco anos depois que ele passou a informação ao Papa Francisco sobre McCarrick e por que isso só foi feito, “depois de mais de sete meses de silêncio total”, através de um procedimento administrativo e não judicial.

Viganò observa que, devido à natureza do procedimento, McCarrick foi “privado de qualquer oportunidade de recorrer da sentença” e foi privado do devido processo legal. “Ao tornar a sentença definitiva”, acrescenta Viganò, “o papa tornou impossível conduzir qualquer investigação adicional, o que poderia revelar quem na Cúria e em outros lugares sabia dos abusos de McCarrick, quando eles ficaram sabendo e quem o ajudou a ser nomeado arcebispo de Washington e, eventualmente, cardeal. A propósito, notem que os documentos deste caso, cuja publicação foi prometida, nunca foram produzidos ”.

“A linha de fundo”, diz Viganò, “é esta: o papa Francisco está deliberadamente ocultando as evidência do caso McCarrick”.

Sobre a questão da incomum intervenção da Santa Sé no encontro da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA em novembro passado, na qual o papa ordenou que os bispos reunidos não votassem em duas medidas contra o abuso sexual que haviam sido preparadas, Viganò diz que a Santa Sé estava tentando impedir um exame dos “problemas da corrupção episcopal, acobertamentos episcopais e falsidade, crimes sexuais do episcopado, tanto relacionados com menores como com adultos – qualquer um dos quais implicaria e embaraçaria intoleravelmente a Santa Sé”.

Questionado sobre a “notável falta de desmentidos” sobre o seu testemunho original – a pergunta foi feita antes de Francisco finalmente vir a público negando que ele sabia de alguma coisa, e que Vigano já havia declarado anteriormente ser “uma mentira” – o arcebispo argumenta que as acusações não podem ser desmentidas porque elas são verdadeiras. “Os cardeais e arcebispos que eu citei os nomes não querem ser pegos na mentira, e eles aparentemente acham que são tão poderosos e permanecerão intocáveis ​​se ficarem quietos e não levantarem polêmica”, disse ele.

Em um adendo à entrevista, depois que a longa e tardia negação feita pelo papa no mês passado foi divulgada, Viganò diz que as declarações do papa não podem ser reconciliadas entre si. “Ele primeiro diz que já respondeu várias vezes; segundo, que ele não sabia nada, absolutamente nada sobre McCarrick, e terceiro, que ele se esqueceu da minha conversa com ele. Como essas afirmações podem ser afirmadas e sustentadas juntas ao mesmo tempo? Todas essas três são mentiras descaradas ”, diz ele.

Sobre a mais óbvia alegação falsa feita pelo papa – de que ele havia respondido ao testemunho “várias vezes” – Viganò pergunta: “Durante nove longos meses ele não disse uma só palavra sobre meu testemunho, e até mesmo se gabou e continua a fazê-lo sobre seu silêncio, comparando-se a Jesus. Então, ele falou ou ficou em silêncio? Qual das duas opções é verdadeira?”

“Estamos em um momento verdadeiramente sombrio para a Igreja universal”, lamenta Viganò. “O Sumo Pontífice agora está mentindo descaradamente para o mundo inteiro para encobrir seus feitos perversos! Mas a verdade acabará por vir à tona, sobre McCarrick e todos os outros acobertamentos, como já aconteceu no caso do cardeal Wuerl, que também “não sabia de nada” e tinha “um lapso de memória”. Aqui o arcebispo se refere à revelação de que Wuerl sabia sobre as atividades sexuais ilícitas de seu antecessor, McCarrick, mesmo depois de muitas negações.

Além de sua tristeza pela desonestidade do papa, Viganò parece mais preocupado com o fato dos jornalistas falharem em investigar a fundo a história que ele colocou diante deles. “Não consigo imaginar que eles [os meios de comunicação] teriam sido tão tímidos se o papa em questão fosse João Paulo II ou Bento XVI”, diz ele, acrescentando: “É difícil não concluir que esses meios de comunicação relutam em fazê-lo porque eles apreciam a abordagem mais liberal do Papa Francisco em relação às questões de doutrina e disciplina da Igreja, e não querem comprometer sua agenda”.

Sobre a questão da homossexualidade no sacerdócio, Viganò sinaliza sua descrença de que a conexão está sendo ignorada. “Homens heterossexuais, obviamente, não escolhem meninos e homens jovens como parceiros sexuais de sua preferência, e aproximadamente 80% das vítimas são do sexo masculino, a grande maioria dos quais são homens pós-puberes.”

“Não são pedófilos, mas padres gays predadores atacando garotos pós-púberes e levando várias dioceses à falência nos EUA”, acrescenta ele.

“Dada a esmagadora evidência, é incompreensível que a palavra ‘homossexualidade’ não tenha aparecido uma só vez, em nenhum dos recentes documentos oficiais da Santa Sé, incluindo os dois Sínodos sobre a Família, o da Juventude e o recente Encontro sobre abuso sexual em fevereiro passado.”

Viganò segue afirmando que a chamada “máfia gay” na Igreja está “unida não pela intimidade sexual compartilhada, mas por um interesse comum em proteger e promover um ao outro profissionalmente e sabotar todos os esforços de reforma”. Ele diz que embora o papa Bento XVI  tenha iniciado uma investigação sobre os seminários, nada de novo foi descoberto, “aparentemente porque vários poderes juntaram forças para ocultar a verdadeira situação”.

“Será que existe um único bispo nos EUA que admita ser ativamente homossexual? Claro que não. O trabalho deles é constitucionalmente clandestino”.

Sobre a questão, se ele poderia vir a se reconciliar com o Papa Francisco, Viganò responde:

A premissa da sua pergunta está incorreta. Não estou lutando contra o Papa Francisco, nem o ofendi. Eu simplesmente falei a verdade. O Papa Francisco precisa se reconciliar com Deus e toda a Igreja, já que ele acobertou McCarrick, se recusa a admitir e agora está acobertando várias outras pessoas. Sou grato ao Senhor porque Ele me protegeu de ter quaisquer sentimentos de raiva ou ressentimento contra o Papa Francisco, ou qualquer desejo de vingança. Eu rezo por sua conversão todos os dias. Nada me faria mais feliz do que o Papa Francisco reconhecer e acabar com os acobertamentos e confirmar seus irmãos na fé.

Há muito mais na entrevista com o arcebispo Viganò que eu não toquei aqui. Leia na íntegra no The Washington Post.

15 junho, 2019

Foto da semana.

Rio de Janeiro, Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, 9 de junho de 2019: Santa Missa no Rito Tradicional em Ação de Graças pelo 81º aniversário de Sua Alteza Imperial e Real Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial Brasileira.

11 junho, 2019

Um novo Syllabus ante a letargia espiritual no exercício do Magistério. A Declaração dos Cardeais Burke, Pujats e bispos do Cazaquistão.

Por FratresInUnum.com, 11 de junho de 2019

Temos a honra de apresentar, com exclusividade, a versão portuguesa da Declaração lançada por Dom Raymond Cardeal Leo Burke, Dom Janis Cardeal Pujats, Dom Tomash Peta, Dom Jan Pawel Lenga e Dom Athanasius Schneider.

Nota explicativa à Declaração de verdades relacionadas com alguns dos erros mais comuns na vida da Igreja do nosso tempo

A Igreja atual sofre uma das maiores epidemias espirituais de sempre. Uma confusão e desorientação doutrinais de alcance quase universal. Este fenômeno representa um sério perigo de contágio para a saúde espiritual e a salvação eterna de numerosas almas. Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer uma letargia espiritual generalizada no exercício do Magistério a diversos níveis da hierarquia da Igreja de hoje. Em grande parte, isso se deve ao facto que não ter sido observado o dever apostólico – como tem sido afirmado também pelo Concílio Vaticano II – de que os bispos devem «solicitamente afastar os erros que ameaçam o seu rebanho» (Lumen gentium, 25).

declaracao

Os signatários, da esquerda para a direita: Cardeal Burke, Cardeal Pujats, Dom Tomash Peta, Dom Jan Pawel Lenga e Dom Athanasius Schneider

Os tempos em que vivemos se caracterizam por uma aguda fome espiritual dos fiéis católicos de todo o mundo para que se reafirmem as verdades que foram obscurecidas, minadas e negadas por alguns dos mais perigosos erros da nossa época. Os fiéis que padecem desta fome espiritual se sentem abandonados e se encontram, por isso, numa espécie de periferia existencial. Esta situação requer com urgência um remédio concreto. Não admite mais demora uma Declaração pública das verdades que se opõem aos erros mencionados. Temos, portanto, presentes as seguintes palavras do Papa São Gregório Magno, válidas para todos os tempos: «Não se canse nossa língua para exortar e, tendo assumido o cargo de bispo, não nos condene nosso silêncio ante o tribunal do justo Juiz. (…) O rebanho que nos foi encomendado abandona Deus, e nós nos calamos. Vive no pecado, e não estendemos a mão para corrigi-lo» (Hom. In ev., 17, 3.14).

Estamos conscientes da grave responsabilidade que temos como bispos católicos, conforme a admoestação de São Paulo, que ensina que Deus deu à sua Igreja «pastores e doutores com o propósito de aperfeiçoar os santos para a obra do ministério, para que o Corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da estatura da plenitude de Cristo. O objetivo é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para o outro pelas ondas teológicas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela malícia de certas pessoas que induzem os incautos ao erro. Longe disso, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. É a partir dele que todo o Corpo inteiro, bem ajustado e unido, por meio de todas as articulações que o sustentam, segundo uma força à medida de cada uma das partes, realiza o seu crescimento como Corpo, para se construir a si próprio no amor» (Ef. 4, 12-16).

Com o espírito de caridade fraterna, publicamos a presente Declaração de verdades como modo de ajuda espiritual concreta para que bispos, sacerdotes, paróquias, comunidades religiosas, associações de fiéis leigos e pessoas privadas tenham a oportunidade de confessar privada e publicamente as verdades que mais se negam ou desfiguram em nossos tempos. A seguinte exortação do apóstolo São Paulo deve entender-se como dirigida a cada bispo e fiel leigo de hoje: «Combate a boa batalha da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual foste convocado, tendo já realizado boa confissão diante de muitas testemunhas. Na presença de Deus, que a tudo dá vida, e de Cristo Jesus, que perante Pôncio Pilatos fez o perfeito testemunho, eu te exorto Guarda este mandamento imaculado e irrepreensível até a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo» (1 Tim. 6,12-14).

Diante dos olhos do Divino Juiz e da própria consciência, cada bispo, sacerdote e fiel leigo tem o dever moral de dar testemunho inequívoco das verdades que hoje em dia se obscurecem, minam e negam. Declarando estas verdades mediante actos públicos e privados podia iniciar-se um movimento de confissão da verdade, da defesa e da reparação pelos pecados generalizados contra a fé e pelos pecados secretos e públicos de apostasia, dissimulada ou manifesta, de não poucos clérigos e leigos. É necessário ter presente que o que importa num tal movimento não é o número, mas a verdade, como afirmou São Gregório Nazianzeno diante da confusão doutrinal generalizada da crise ariana, quando declarou que Deus não se compraz nos números (cfr. Or. 42,7).

Ao dar testemunho da perene fé católica, o clero e os fiéis recordarão a verdade de que «a totalidade dos fiéis que receberam a unção do Santo (cfr. Jo. 2, 20 e 27), não pode enganar-se na fé; e esta sua propriedade peculiar manifesta-se por meio do sentir sobrenatural da fé do povo todo, quando este, «desde os Bispos até ao último dos leigos fiéis», manifesta consenso universal em matéria de fé e costumes.» (Concílio Vaticano II, Lumen gentium, 12).

Os santos e grandes bispos que viveram em tempos de crises doutrinais podem interceder por nós e guiar-nos mediante seu ensinamento, como o fazem as seguintes palavras de Santo Agostinho dirigidas ao Papa São Bonifácio I: «Dado que todos os que exercemos o episcopado compartilhamos uma mesma vigilância pastoral (embora tu vigies desde uma altura superior), faço o que posso com respeito à minha pequena porção de rebanho na  medida em que o Senhor se digna conceder-me mediante as tuas orações» (Contra ep. pel., 1,2).

A voz unânime dos pastores e dos fiéis numa precisa Declaração de verdades será indubitavelmente um meio eficaz de ajuda fraterna e filial ao Sumo Pontífice na extraordinária situação atual de confusão doutrinal generalizada e de desorientação que reina na Igreja.

Fazemos esta Declaração com espírito de caridade cristã, que se manifesta velando pela saúde espiritual dos pastores e dos fiéis; quer dizer, de todos os membros do Corpo de Cristo, que é a Igreja, tendo presentes as seguintes palavras de São Paulo na sua Primeira Epístola aos Coríntios: «Para que não haja divisão no corpo, mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.» (1 Cor.12, 25-27), e na carta aos Romanos: «Pois assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma função, assim nós, embora muitos, somos um só corpo em Cristo, e individualmente uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons segundo a graça que nos foi dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou que exorta, use esse dom em exortar. (…) Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros; não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor» (Rm. 12, 4-11).

Os cardeais e bispos signatários desta “Declaração de verdades” a encomendam ao Coração Imaculado da Mãe de Deus sob a invocação “Salus populi Romani”, considerando o privilegiado significado espiritual que este ícone tem para a Igreja Romana. Que toda a Igreja Católica possa, sob a proteção da Virgem Imaculada e Mãe de Deus, “lutar intrepidamente a boa batalha da fé, perseverar firmemente na doutrina dos apóstolos e proceder seguramente entre as tempestades do mundo até chegar à cidade celestial” (Prefácio da Missa em honra da Bem-aventurada Virgem Maria “Salvação do povo Romano”).

31 de maio de 2019

Cardeal Raymond Leo Burke, Patrono da Soberana e Militar Ordem de Malta

Cardinal Janis Pujats, Arcebispo emérito de Riga

Tomash Peta, Arcebispo da arquidiocese de Maria Santíssima em Astana

Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda

Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da arquidiocese de Maria Santíssima em Astana

* * *

«A Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade» (1 Tim 3,15)

Declaração de verdades relacionadas com alguns dos erros mais comuns

na vida da Igreja de nosso tempo

Fundamentos da fé

  1. O sentido correto das expressões tradição viva, Magistério vivo, hermenêutica da continuidade e desenvolvimento da doutrina contém a verdade que, cada vez que se aprofunde o entendimento do depósito da fé, o conteúdo duma doutrina católica não pode ser contrário ao sentido que a Igreja sempre havia exposto na mesma doutrina, no mesmo sentido e no mesmo entendimento (cf. Concílio Vaticano I, Dei Filius, 3, c. 4: «in eodem dogmate, eodem sensu, eademque sententia»).
  1. «O próprio sentido das fórmulas dogmáticas permanece na Igreja sempre verdadeiro e coerente, mesmo quando se torna mais esclarecido e melhor compreendido. Devem os fiéis, portanto, rejeitar a opinião segundo a qual aquelas fórmulas dogmáticas (ou pelo menos algumas categorias das mesmas) não poderiam expressar a verdade determinadamente, mas apenas aproximações mutáveis da mesma, que no fundo, seriam, de algum modo, deformações ou adulterações da própria verdade; assim — sempre segundo tal opinião — dado que as mesmas fórmulas dogmáticas expressam apenas de modo indefinido a verdade, deveria esta ser continuamente procurada, através das tais « aproximações ». Os que abraçam semelhante opinião não conseguem fugir ao relativismo dogmático e falsificam o conceito de infalibilidade da Igreja, relativo à verdade que há-de ser ensinada e aceite de maneira explícita» (Sagrada Congregação pela Doutrina da fé, Declaração sobre a doutrina católica acerca da doutrina católica sobre a Igreja para a defender de alguns erros hodiernos, 5)

Credo

  1. «O Reino de Deus, começado aqui na terra na Igreja de Cristo, “não é deste mundo” (cf. Jo18, 36), “cuja figura passa” (cf. 1 Cor 7, 31), e também que o seu crescimento próprio não pode ser confundido com o progresso da cultura humana ou das ciências e artes técnicas; mas consiste em conhecer, cada vez mais profundamente, as riquezas insondáveis de Cristo, em esperar sempre com maior firmeza os bens eternos, em responder mais ardentemente ao amor de Deus, enfim em difundir-se cada vez mais largamente a graça e a santidade entre os homens. Mas com o mesmo amor, a Igreja é impelida a interessar-se continuamente pelo verdadeiro bem temporal dos homens. Pois, não cessando de advertir a todos os seus filhos que eles “não possuem aqui na terra uma morada permanente” (cf. Hb 13, 14), estimula-os também a que contribuam, segundo as condições e os recursos de cada um, para o desenvolvimento da própria sociedade humana; promovam a justiça, a paz e a união fraterna entre os homens; e prestem ajuda a seus irmãos, sobretudo aos mais pobres e mais infelizes. Destarte, a grande solicitude com que a Igreja, Esposa de Cristo, acompanha as necessidades dos homens, isto é, suas alegrias e esperanças, dores e trabalhos, não é outra coisa senão o ardente desejo que a impele com força a estar presente junto deles, tencionando iluminá-los com a luz de Cristo, congregar e unir a todos Naquele que é o seu único Salvador. Tal solicitude entretanto, jamais se deve interpretar como se a Igreja se acomodasse às coisas deste mundo, ou se tivesse resfriado no fervor com que ela mesma espera seu Senhor e o Reino eterno» (Paulo VI, Constituição apostólica Solemni hac liturgia,Credo do  povo de Deus”, 27). É, portanto, errado afirmar que o que mais glorifica a Deus é o progresso das condições terrenas e temporais da humanidade.
  1. Depois da instituição da Nova e Eterna Aliança em Cristo Jesus, ninguém pode salvar-se obedecendo apenas à lei de Moisés sem fé em Cristo como Deus verdadeiro e único Salvador da humanidade e (cf. Rm. 3,28; Gál. 2,16).
  1. Nem os muçulmanos nem outros que não têm fé em Jesus Cristo, Deus e homem, mesmo que sejam monoteístas, podem render a Deus o mesmo culto de adoração que os cristãos; quer dizer, a adoração sobrenatural em Espírito e em Verdade (cf. Jn. 4,24; Ef. 2,8) por parte dos que receberam o Espírito da filiação (cf. Rm. 8,15).
  1. As formas de espiritualidade e religiões que promovem alguma forma de idolatria ou panteísmo não podem considerar-se sementes nem frutos do Verbo, pois são enganos que impedem a evangelização e a eterna salvação de seus sequazes, como ensina a Sagrada Escritura: «O deus, desta presente era perversa, cegou o entendimento dos descrentes, a fim de que não vejam a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus» (2 Cor. 4,4).
  1. O verdadeiro ecumenismo tem por objetivo que os não-católicos se integrem à unidade que a Igreja Católica possui de modo inquebrantável em virtude da oração de Cristo, sempre atendida pelo Pai: «para que sejam um» (Jn. 17,11), a unidade, que a Igreja professa no Símbolo da fé: «Creio na Igreja uma». Por conseguinte, o ecumenismo não pode ter como finalidade legítima a fundação de uma Igreja que ainda não existe.
  1. O inferno existe, e os que estão condenados a ele por causa de algum pecado mortal do qual não se arrependeram, são castigados aí pela justiça divina (cf. Mt. 25,46). Conforme ao ensinamento da Sagrada Escritura, não só se condenam por toda a eternidade os anjos caídos, mas também as almas humanas (cf. 2 Tes.1,9; 2 Pe.3,7). Ademais, os seres humanos condenados por toda a eternidade não serão exterminados porque, segundo o ensinamento infalível da Igreja, suas almas são imortais (cf. V Concílio de Laterão, sessão 8).
  1. A religião nascida da fé em Jesus Cristo, Filho encarnado de Deus e único Salvador da humanidade, é a única religião positivamente querida por Deus. Portanto, é errada a opinião que diz que do mesmo modo que Deus quis que haja diversidade de sexos e de nações, assim também Ele quer que houvesse diversidade de religiões.
  1. «A nossa religião [cristã] instaura efetivamente uma relação autêntica e viva com Deus, que as outras religiões não conseguem estabelecer, se bem que elas tenham, por assim dizer, os seus braços estendidos para o céu» (Paulo VI, Exortação apostólica Evangelii nuntiandi,53).
  1. O dom do livre arbítrio com que Deus Criador dotou a pessoa humana concede ao homem o direito natural de escolher unicamente o bem e o verdadeiro. Nenhum ser humano tem, portanto, o direito de ofender a Deus escolhendo o mal moral do pecado ou o erro religioso da idolatria, da blasfêmia ou de uma religião falsa.

A lei de Deus

  1. Mediante a graça de Deus, a pessoa justificada possui a força necessária para cumprir as exigências objetivas da lei divina, dado que para os justificados é possível cumprir todos os mandamentos de Deus. Quando a graça de Deus justifica o pecador, pela sua própria natureza leva à conversão de todo o pecado grave (cf. Concílio de Trento, sessão 6, Decreto sobre a justificação, 11 e 13).
  1. «Os fiéis hão de reconhecer e respeitar os preceitos morais específicos, declarados e ensinados pela Igreja em nome de Deus, Criador e Senhor. O amor de Deus e o amor do próximo são inseparáveis da observância dos mandamentos da Aliança, renovada no sangue de Jesus Cristo e no dom do Espírito.» (João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor,76). De acordo com o ensinamento da mesma encíclica, é errada a opinião dos que «crêem poder justificar, como moralmente boas, escolhas deliberadas de comportamentos contrários aos mandamentos da lei divina e natural». Por isso, «estas teorias não podem apelar à tradição moral católica» (ibid.).
  1. Todos os mandamentos da lei de Deus são igualmente justos e misericordiosos. É, portanto, errada a opinião que diz que obedecendo a uma proibição divina – como por exemplo ao sexto mandamento, de não cometer adultério – uma pessoa pode, em razão dessa obediência, pecar contra Deus, prejudicar-se a si mesma moralmente ou pecar contra outros.
  1. “Nenhuma circunstância, nenhum fim, nenhuma lei no mundo poderá jamais tornar lícito um ato que é intrinsecamente ilícito, porque contrário à Lei de Deus, inscrita no coração de cada homem, reconhecível pela própria razão, e proclamada pela Igreja” (João Paulo II, Encíclica Evangelium vitae, 62). A revelação divina e a lei natural contêm princípios morais que incluem proibições negativas que proíbem terminantemente certas ações, porquanto estas são sempre gravemente ilícitas por causa do seu objeto. Por conseguinte, é errada a opinião de que uma boa intenção ou uma boa consequência podem ser suficientes para justificar a execução de tais ações (cf. Concilio de Trento, sess. 6, de iustificatione, c. 15; João Paulo II, Exhortação Apostólica, Reconciliatio et Paenitentia, 17; Encíclica Veritatis splendor,80).
  1. A lei natural e a lei Divina proíbem a mulher que concebeu uma criança de matar a vida que porta em seu ventre, seja que o faça ela mesma ou com a ajuda de outros, direta ou indiretamente (cf. João Paulo II, Encíclica Evangelium vitae,62).
  1. As técnicas de reprodução «são moralmente inaceitáveis, porquanto separam a procriação do contexto integralmente humano do ato conjugal» (João Paulo II, Encíclica Evangelium vitae, 14).
  1. Nenhum ser humano pode estar jamais moralmente justificado nem se lhe pode permitir desde o ponto de vista moral matar a si mesmo ou fazer-se matar por outros com o fim de escapar ao sofrimento. «A eutanásia é uma violação grave da Lei de Deus, enquanto morte deliberada moralmente inaceitável de uma pessoa humana. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal» (João Paulo II, Encíclica Evangelium vitae, 65).
  1. Por mandado divino e pela lei natural, o matrimônio é a união indissolúvel de um homem e uma mulher (cf. Gn. 2,24; Mc.10,7-9; Ef. 5,31-32). “Por sua própria índole, a instituição matrimonial e o amor conjugal estão ordenados para a procriação e educação da prole, que constituem como que a sua coroa” (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 48).
  1. Segundo o direito natural e divino, todo o ser humano que faz uso voluntário de suas faculdades sexuais fora do matrimônio legítimo peca. Portanto, é contrário à Sagrada Escritura e à Tradição afirmar que a consciência é capaz de determinar legitimamente e com acerto que os atos sexuais entre pessoas que contraíram matrimônio civil podem em alguns casos ser moralmente bons ou até ser pedidos ou inclusivamente ordenados por Deus, ainda que uma delas ou ambas sejam casadas sacramentalmente com outra pessoa (1 Cor. 7. 11; João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 84).
  1. A lei natural e Divina exclui “toda a ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação” (Paulo VI, Encíclica Humanae vitae, 14).
  1. Todo o marido ou esposa que se divorciou do cônjuge com quem estava validamente casado e que contraiu depois um matrimônio civil com outra pessoa enquanto ainda está vivo o seu cônjuge legítimo, coabitando maritalmente com o parceiro civil, e que opta por viver neste estado com pleno conhecimento da natureza deste ato e pleno consentimento da vontade a este ato, está em pecado mortal e não pode, portanto, receber a graça santificante nem crescer na caridade. Por conseguinte, a não ser que tais cristãos convivam como irmão e irmã, não podem receber a Sagrada Comunhão (cf. João Paulo II, Exortação apostólica Familiaris consortio, 84).
  1. Duas pessoas do mesmo sexo pecam gravemente quando se procuram prazer venéreo mútuo (cf. Lev. 18,22; 20,13; Rm.1,24-28; 1 Cor.6,9-10; 1 Tim.1,10; Judas 7). Atos de homossexualidade “não podem, em caso algum, ser aprovados” (Catecismo da Igreja Católica, 2357). Assim pois, é contrária à lei natural e à Revelação Divina a opinião que afirma que do mesmo modo que o Deus Criador tem dado a alguns seres humanos a inclinação natural de sentir desejo sexual para pessoas do outro sexo, assim também Ele tem dado a outros a inclinação de desejar sexualmente pessoas do mesmo sexo, e que é a vontade do Criador que em determinadas circunstâncias essa tendência seja efeituada.

  1. Nem as leis dos homens, nem alguma autoridade humana podem outorgar a duas pessoas do mesmo sexo o direito de casar-se, nem as declarar casadas, já que isso é contrário ao direito natural e à lei de Deus. “No plano do Criador, a complementaridade dos sexos e a fecundidade pertencem, portanto, à própria natureza da instituição do matrimônio” (Congregação para a Doutrina da Fé, Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais, 3).

  1. Aquelas uniões que recebem o nome de matrimônio sem a realidade do mesmo, não podem obter a bênção da Igreja, por serem contrárias à lei natural e divina.

  1. As autoridades civis não podem reconhecer uniões civis ou legais entre duas pessoas do mesmo sexo que claramente imitam a união matrimonial, ainda que estas uniões não recebam o nome de matrimônio, porque fomentariam pecados graves entre os seus participantes e seriam motivo de grave escândalo (cf. Congregação para a Doutrina da fé, Considerações acerca dos projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais,3 de junho de 2003, 11).

  1. Os sexos masculino e feminino, homem e mulher, são realidades biológicas, criadas pela sábia vontade de Deus (cf. Gen. 1, 27; Catecismo da Igreja Católica, 369). É, portanto, uma rebelião contra a lei natural e Divina e um pecado grave que um homem tente converter-se em mulher mutilando-se, ou simplesmente declarar-se mulher, ou que uma mulher tente converter-se em homem, ou afirmar que as autoridades civis tenham o dever ou o direito de proceder como se tais coisas fossem ou pudessem ser possíveis e legítimas (Catecismo da Igreja Católica, 2297).

  1. Em conformidade com a Sagrada Escritura e com a constante tradição do Magistério ordinário e universal, a Igreja não errou ao ensinar que as autoridades civis podem aplicar legitimamente a pena capital aos malfeitores quando seja verdadeiramente necessário para preservar a existência ou manter a ordem justa na sociedade (cf. Gn.9,6; Jn.19,11; Rm.13,1-7; Inocêncio III, Professio fidei Waldensibus praescripta; Catecismo Romano do Concílio de Trento, p. III, 5, n. 4; Pio XII, Discurso aos juristas católicos de 5 de dezembro de 1954).

  1. Toda a autoridade na terra e no céu pertence a Jesus Cristo; por isso as sociedades civis e qualquer outra associação de homens estão sujeitas à Sua realeza, pois «o dever de render a Deus um culto autêntico corresponde ao homem individual e socialmente considerado» (Catecismo da Igreja Católica, 2105; cf. Pio XI, Encíclica Quas primas, 18-19; 32).

Os sacramentos

  1. No santíssimo Sacramento da Eucaristia realiza-se uma maravilhosa transformação de toda a substância do pão no Corpo de Cristo e de toda a substância do vinho no Seu Sangue, uma transformação que a Igreja Católica chama muito apropriadamente transubstanciação (cf. IV Concílio de Laterão, cap.1; Concílio de Trento, sessão 13, c.4). «Qualquer interpretação de teólogos, buscando alguma inteligência deste mistério, para que concorde com a fé católica, deve colocar bem a salvo que na própria natureza das coisas, isto é, independentemente do nosso espírito, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de sorte que o Corpo adorável e o Sangue do Senhor Jesus estão na verdade diante de nós, debaixo das espécies sacramentais do pão e do vinho» (Paulo VI, Carta apostólica Solemni hac liturgia, “Credo do povo de Deus”, 25).
  1. As palavras com as quais o Concílio de Trento expressou a fé da Igreja na Sagrada Eucaristia são idôneas para os homens de todos os tempos e lugares, já que são «doutrina sempre válida» da Igreja (João Paulo II, Encíclica Ecclesia de Eucharistia,15).
  1. Na Santa Missa é oferecido à Santíssima Trindade um sacrifício verdadeiro e próprio, e este sacrifício tem um valor propiciatório tanto para os homens que vivem na terra como para as almas do purgatório. É, portanto, errada a opinião segundo a qual o Sacrifício da Missa consistiria simplesmente no facto de o povo oferecer um sacrifício espiritual de oração e louvor, assim como a opinião que a Missa pode ou deve definir-se somente como a entrega que Cristo faz de Si mesmo aos fiéis como alimento espiritual para eles (cf. Concílio de Trento, sessão 22, c. 2).
  1. «A Missa, celebrada pelo sacerdote, que representa a pessoa de Cristo, em virtude do poder recebido no sacramento da Ordem, e oferecida por ele em nome de Cristo e dos membros do seu Corpo Místico, é realmente o Sacrifício do Calvário, que se torna sacramentalmente presente em nossos altares. Cremos que, como o Pão e o Vinho consagrados pelo Senhor, na última ceia, se converteram no seu Corpo e Sangue, que depois iriam ser oferecidos por nós na Cruz; assim também o Pão e o Vinho consagrados pelo sacerdote se convertem no Corpo e Sangue de Cristo que assiste gloriosamente no céu. Cremos ainda que a misteriosa presença do Senhor, debaixo daquelas espécies que continuam aparecendo aos nossos sentidos do mesmo modo que antes, é uma presença verdadeira, real e substancial» (Paulo VI, Carta Apostólica Solemni hac liturgia, “Credo do povo de Deus”,24).
  1. «A imolação incruenta por meio da qual, depois de pronunciadas as palavras da consagração, Cristo está presente no altar no estado de vítima é realizada só pelo sacerdote enquanto representa a pessoa de Cristo e não enquanto representa a pessoa dos fiéis. (…) Que os fiéis oferecem o sacrifício por meio do sacerdote, é claro, pois o ministro do altar age na pessoa de Cristo enquanto Cabeça, que oferece em nome de todos os membros; pelo que, em bom direito, se diz que toda a Igreja, por meio de Cristo, realiza a oblação da vítima. Quando, pois, se diz que o povo oferece juntamente com o sacerdote, não se afirma que os membros da Igreja de maneira idêntica à do próprio sacerdote realizam o rito litúrgico visível – o que pertence somente ao ministro de Deus para isso designado – mas sim que une os seus votos de louvor, de impetração, de expiação e a sua ação de graças à intenção do sacerdote, aliás do próprio sumo pontífice, a fim de que sejam apresentados a Deus Pai na própria oblação da vítima, embora com o rito externo do sacerdote.” (Pio XII, Encíclica Mediator Dei,83).
  1. O sacramento da penitência é o único meio ordinário pelo qual se podem absolver os pecados graves cometidos depois do batismo. Segundo o direito divino todos estes pecados devem confessar-se segundo sua espécie e seu número (cf. Concílio de Trento, sessão 14, cân. 7).
  1. O direito divino proíbe ao confessor de violar o sigilo do sacramento da penitência seja por que motivo for. Nenhuma autoridade eclesiástica tem o poder para dispensá-lo do segredo do sacramento da penitência, e tão-pouco as autoridades civis estão facultadas para obrigá-lo a isso (cf. Código do Direito Canônico 1983, can. 1388 § 1; Catecismo da Igreja Católica 1467).
  1. Segundo a vontade de Cristo e a tradição imutável da Igreja, não se pode administrar o sacramento da Sagrada Eucaristia a quem está objetivamente em estado de pecado grave público, e tão-pouco se deve dar a absolvição sacramental a quem manifesta não estar disposto a ajustar-se à lei de Deus, ainda que esta falta de disposição corresponda a uma só matéria grave (cf. Concílio de Trento, sess. 14, c. 4; João Paulo II, Mensagem ao Cardeal William W. Baum,  22 de março de 1996).
  1. Conforme a tradição constante da Igreja, não se pode administrar o sacramento da Sagrada Eucaristia a quem nega alguma verdade da fé católica professando formalmente sua adesão a uma comunidade cristã herética ou oficialmente cismática (cf. Código do Direito Canônico 1983, can. 915; 1364).
  1. A lei que obriga os sacerdotes a observar a perfeita continência mediante o celibato tem sua origem no exemplo de Jesus Cristo e pertence à uma tradição imemorial e apostólica segundo o testemunho constante dos Padres da Igreja e dos Romanos Pontífices. Por esta razão, não se deve abolir esta lei na Igreja Romana por meio da inovação dum suposto celibato opcional dos sacerdotes, seja ao nível regional ou universal. O testemunho válido e perene da Igreja afirma que a lei da continência sacerdotal «não impõe nenhum preceito novo, e que estes preceitos devem observar-se, porque alguns os descuidaram por ignorância e preguiça. Contudo, os mencionados preceitos remontam aos apóstolos e foram estabelecidos pelos Padres, como está escrito: “Assim, irmãos, permanecei firmes e conservai as tradições que vos foram ensinadas, tanto de viva voz, quanto por meio das nossas cartas” (2 Tes. 2,15). De facto, muitos, desconhecendo os estatutos dos nossos predecessores, violaram com sua presunção a castidade da Igreja e deixaram-se guiar pela vontade do povo sem temer os castigos divinos» (Papa Sirício, decretal Cum in unum do ano 386).
  1. Pela vontade de Cristo e pela constituição divina da Igreja, apenas varões batizados podem receber o sacramento da Ordem, seja para o episcopado, o sacerdócio ou o diaconado (cf. Carta apostólica de João Paulo II Ordinatio sacerdotalis,4). Ademais, a afirmação de que apenas um Concílio ecuménico pode dirimir esta questão é errada, dado que a autoridade dum Concílio ecuménico não é maior do que a do Romano Pontífice (cf. V Concílio de Laterão, sessão 11; Concílio Vaticano I, sessão 4, c. 3).

31 de maio de 2019

Cardeal Raymond Leo Burke, Patrono da Soberana e Militar Ordem de Malta

Cardeal Janis Pujats, Arcebispo emérito de Riga

Tomash Peta, Arcebispo da arquidiocese de Maria Santíssima em Astana

Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda

Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da arquidiocese de Maria Santíssima em Astana

6 junho, 2019

“Se os bispos pedissem padres casados, o Papa aceitaria”, afirma cardeal Kasper.

IHU – O cardeal Walter Kasper dá uma no cravo e outra na ferradura. O presidente emérito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos descartou por completo a ordenação de mulheres, já que ao adotá-la a Igreja se situaria fora de uma tradição milenar que reserva o sacerdócio apenas para os homens, ao mesmo tempo que abriu a porta para a ordenação de homens casados.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 04-06-2019. A tradução é de André Langer.

“Com base no Novo Testamento, há uma tradição ininterrupta não só na Igreja Católica, mas em todas as Igrejas do primeiro milênio, segundo a qual a ordenação e a consagração são reservadas apenas aos homens”, disse Kasper ao jornal FrankfurterRundschau, de acordo com o sítio da internet dos bispos alemães, katholisch.de.

Mas, embora haja “pouco movimento atualmente” em relação inclusive ao diaconato feminino – depois que o Papa Francisco colocara um freio na ideia no voo de volta de sua recente viagem à Bulgária e à Macedônia –, ainda há coisas que a Igreja pode fazer e deve fazer para reconhecer a contribuição das mulheres, sem a qual qualquer diocese ou paróquia “entraria em colapso amanhã”, destacou Kasper.

“Parece-me mais importante que hoje – agentes de pastoral e ministras, assistentes da comunhão e professoras, na Caritas e na catequese, na teologia e na administração – façam dez vezes mais do que faziam as diaconisas”, observou o cardeal alemão, que considerou “importante” que se torne este serviço mais visível e que seja reconhecido publicamente.

A Igreja deve responder às legítimas demandas das mulheres por mais protagonismo e “dar os passos possíveis o mais rápido possível” às suas demandas, defendeu, enfatizando, por outro lado, que a solução não passa por greves eucarísticas como a da Campanha “Maria 2.0”, as organizadoras que o cardeal criticou por “instrumentalizar a Santíssima Virgem Maria”.

“O celibato não é um dogma”

Embora Kasper, desse modo, tenha jogado água fria sobre a possibilidade de a Igreja ordenar mulheres, não fez o mesmo com relação à ordenação de homens casados. Precisamente porque o celibato obrigatório, ao contrário do sacerdócio masculino, é uma mera disciplina que a Igreja adotou, razão pela qual pode ser alterada pelo Papa, e isso talvez já no próximo Sínodo para a Amazônia, em outubro deste ano.

“Se os bispos concordassem por consentimento mútuo ordenar homens casados – os chamados viri probati –, na minha opinião, o Papa aceitaria”, explicou Kasper, já que “o celibato… não é um dogma, não é uma prática inalterável”. “Sou, pessoalmente, muito favorável a manter o celibato como modo de vida obrigatório com um compromisso indiviso à causa de Jesus Cristo, mas isso não exclui que um homem casado possa realizar um serviço sacerdotal em situações especiais”, concluiu o cardeal.

4 junho, 2019

Novo livro expõe o esquema diabólico usado pelos inimigos da Igreja Católica para ganhar acesso ao papado.

Por Maike Hickson, LifeSiteNews, 28 de maio de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com: Dr. Taylor Marshall, um renomado teólogo e especialista em tomismo, bem como um defensor da Missa Latina Tradicional, escreveu um livro sobre a infiltração da Igreja Católica por forças anti-católicas. O livro é intitulado “Infiltração: O complô para destruir a Igreja de dentro”, e é publicado pela Sophia Institute Press.

ImageMarshall começa seu livro com a aparição de Nossa Senhora de La Salette na França e suas advertências contra o reinado de Satanás em Roma e com as instruções de Alta Vendita, que foram atribuídas à Maçonaria e publicadas com o apoio explícito de vários Papas no século XIX. Este documento explica que, para minar a Igreja Católica, é preciso infiltrá-la, em vez de lutar contra ela de fora. Para este fim, eles teriam como objetivo influenciar o chefe da Igreja Católica, o Papa.

“Agora, a fim de assegurar-nos um papa de acordo com o nosso próprio coração, é necessário criar para esse papa uma geração digna do reino do qual sonhamos. Deixar de um lado a velhice e a meia-idade, ir para a juventude e, se possível, até para as crianças”. Esses maçons decidiram introduzir no pensamento católico idéias liberais que finalmente chegariam ao topo da Igreja.

“O plano”, escreve Marshall, “não inclui panfletos, armas, derramamento de sangue, nem mesmo eleições políticas. Requer uma infiltração passo a passo, primeiro a partir da juventude, próxima do clero, e então, à medida que o tempo passa, daqueles jovens e clero que se tornam cardeais e depois o papa”.

Como esse documento da Alta Vendita pode não ser conhecido por muitas pessoas, o LifeSiteNews recebeu permissão para publicar o capítulo de Marshall sobre ele na íntegra, como uma espécie de introdução (leia aqui).

Nos capítulos seguintes de seu livro de 300 páginas, que foi publicado agora por Sophia Press, o autor lida com a história de meados do século 19 até nossos dias, mostrando como o Papa Pio X lutou vigorosamente contra as idéias modernistas que estavam se espalhando no início do século XX, dentro da Igreja Católica. No Grupo de Sankt Gallen – o grupo de prelados progressistas decepcionados com o reinado do Papa João Paulo II e que tentaram, após sua morte, eleger um Papa de seu agrado – esta corrente modernista encontra um ponto crucial, mesmo porque aqueles prelados que reinaram sobre a Igreja Católica na Europa – e efetivamente contribuíram para o enfraquecimento da fé nesta região do mundo – foram as principais figuras do Grupo de Sankt Gallen. Aqui, o cardeal Carlo Maria Martini, o cardeal Basil Hume e o cardeal Godfried Danneels nos vêm à mente.

O Dr. Marshall também apresenta em detalhes como algumas dessas idéias modernistas afetaram o Concílio Vaticano II, bem como o Novus Ordo da Missa. No final, ele aborda a eleição do Papa Francisco e mostra alguns de seus “ensinamentos problemáticos” que agora afetam a Igreja Católica de maneira negativa. Aqui, o autor – ele próprio pai de oito filhos – aponta para a exortação apostólica de Francisco, Amoris Laetitia, e sua afirmação de que “ninguém é condenado para sempre”, mas também para declarações como o Documento de Abu Dhabi: “Francisco também ensinou isso. Deus divina e sabiamente deseja a ‘diversidade e pluralidade de religiões’ com a mesma vontade ‘pela qual ele criou os seres humanos”.

Aqui, o Dr. Marshall conclui: “São Pio X teria colocado o Papa Francisco sob a proibição do Modernismo. Como podemos ter dois papas em contradição teológica?”.

Marshall também discute as aparições de Fátima e a questão do Terceiro Segredo confiado à Irmã Lúcia.

ImageEm um recente podcast de 24 de maio, Marshall revelou que, durante sua visita a Roma há uma semana, pôde se encontrar em breve com o Papa Francisco e que lhe deu a primeira cópia de seu novo livro, com uma dedicatória para o papa. Ele havia escrito este livro durante a Quaresma. “Jejuei toda a Quaresma por ele.” O livro, acrescenta o autor, “foi um trabalho de amor”. Marshall disse que “amaria que o homem [o papa Francisco] fosse um dos maiores papas santificados de todos os tempos, que dirigiria a Igreja através de toda esta crise. Não é tarde demais.”

O Bispo Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana, no Cazaquistão, escreveu um prefácio para o livro do Dr. Marshall (leia aqui). Ele elogia o livro, afirmando que “Em Infiltração: O enredo para destruir a Igreja a partir de dentro”, Taylor Marshall toca em um tópico que é deliberadamente ignorado hoje. A questão de uma possível infiltração na Igreja por forças externas a ela não se encaixa no quadro otimista que o Papa João XXIII, e particularmente o Concílio Vaticano II, desenhou irrealisticamente e sem críticas do mundo moderno. Schneider se pergunta como é que hoje “não poucos membros de alto escalão da hierarquia da Igreja Católica não só cederam às exigências implacáveis ​​do mundo moderno, mas estão, com ou sem convicção, colaborando ativamente na implementação de seus princípios na vida cotidiana da Igreja, em todas as áreas e em todos os níveis.”

Aqui, o livro do Dr. Marshall poderia ajudar a esclarecer como a Igreja chegou a esse ponto. Para entender essa crise, acrescenta Schneider, precisamos examinar as próprias raízes da crise”. Essa crise pode ser vista “como uma infiltração da Igreja pelo mundo incrédulo, e especialmente pelos maçons – uma infiltração que, pelos padrões humanos, efetivamente só poderia ter sido bem sucedida através de um processo longo e metódico”. Todavia, no final de sua introdução, o Bispo Schneider nos lembra que “até mesmo o plano mais pérfido para destruir a Igreja de dentro não terá sucesso”.

Entre os católicos tradicionais, alguns desses documentos apresentados pelo Dr. Marshall já foram estudados e incorporados à compreensão da crise atual da Igreja (poderíamos lembrar aqui, por exemplo, o livro de Arnaud de Lassus Ofício Profano: Maçonaria e as Raízes da Cristofobia, ou o livro de John Vennari sobre a Alta Vendita.)

A contribuição do Dr. Marshall foi ter atualizado esse entendimento – incluindo o papel do Grupo de Sankt Gallen – e ter colocado todos os documentos relevantes em um único compêndio.

21 maio, 2019

Ato (falho) de consagração.

Hoje, em Brasília, ocorreu o tão esperado ato de Consagração-sessão-solene-homenagem-grupo-de-oração desorganizado pela Frente Parlamentar Católica e Movimentos Marianos. O evento foi regado a políticos eclesiásticos e eclesiais, desde carismáticos fracassados na música que tentam se firmar no Congresso, a conservadores que propagandearam o evento como se fosse a restauração do Estado Católico (e depois correram para se explicar às turbas enfurecidas nas redes sociais) e “estrelas” de uma rede de televisão que se alia a quem quer que esteja no poder (que Dilma o diga).

O que fica do evento é a imagem acima: muitos risos, flashslives, curtidas e compartilhamentos. Muita expectativa na véspera e choque de realidade na hora. Que façamos muita penitência, pois de nossos representantes só podemos esperar um bom e velho pastelão eclesialmente brasileiro.