Archive for ‘Atualidades’

25 agosto, 2016

Pierangelo Sequeri: o programa do novo decano do Instituto “João Paulo II”.

Fundamental ler o artigo abaixo à luz da matéria publicada anteriormente – As 30 moedas dos Judas hodiernos. 

IHU – “Pierangelo Sequeri não é teólogo moralista, não está ligado a movimentos eclesiais, é um homem de fé e de cultura, não ideológico e não maximalista. Ele não faz uma teologia de farmacêutico, não usa a ‘balança’, não lê a Escritura com crivo fundamentalista, não tem a ansiedade da definição objetiva. Ele propõe uma ‘hermenêutica sapiencial da tradição’, mesmo daquela matrimonial e familiar.”

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24 agosto, 2016

As 30 moedas dos Judas hodiernos.

Vazamento de e-mails mostram  que George Soros pagou US$650.000 para influenciar bispos durante a visita do Papa aos Estados Unidos. 

Por John-Henry Westen, Life Site News, 23 de agosto de 2016 | Tradução: FratresInUnum.comE-mails que vazaram através da rede WikiLeaks revelam que o bilionário globalista George Soros — um dos maiores doadores da campanha de Hilary Clinton — pagou US$650.000 para influenciar a visita do Papa Francisco aos Estados Unidos, em setembro de 2015, em favor “de uma mudança nos paradigmas e prioridades nacionais às vésperas da campanha presidencial de 2016”. Os fundos foram doados em abril de 2015 e o relatório sobre a sua eficácia sugere que entre as operações bem sucedidas estavam incluídas “a compra individual de bispos para que se expressem publicamente dando maior suporte a mensagens de justiça econômica e racial, a fim de criar uma massa crítica de bispos alinhados ao Papa”.

As verbas foram concedidas a duas entidades norte-americanas que estão envolvidas em um projeto a longo prazo, de acordo com o relatório, visando uma mudança de paradigma nas “prioridades da Igreja Católica dos Estados Unidos”. Os beneficiários foram PICO, um grupo de organização comunitária de cunho religioso, e Faith in Public Life (FPL), um outro grupo progressista que opera na mídia promovendo causas de “justiça social” de cunho esquerdista. Soros tem financiado causas esquerdistas em todo o mundo e tem concentrado esforços e fundos na tentativa de barrar leis pró-vida no mundo inteiro.

Atas da reunião de Maio de 2015, da Fundação Open Society de George Soros em Nova York revelam que, ainda nos estágios de planejamento da visita papal, o grupo planejava trabalhar diretamente através de um dos principais assessores do papa, o cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga, que foi nomeado especificamente no relatório. A fim de aproveitar a oportunidade da visita do Papa aos EUA, diz o relatório, “vamos apoiar as atividades de organização da PICO para engajar o papa em questões de justiça econômica e racial, inclusive usando da influência do Cardeal Rodriguez, que é o consultor sênior do Papa e vamos enviar uma delegação para visitar o Vaticano, na primavera ou no verão, para permitir que ele escute diretamente dos Católicos de baixa renda na América”.

Em 2013, o Cardeal Rodriguez Maradiaga endossou o trabalho da PICO em um vídeo, durante uma visita dos representantes da entidade à diocese do cardeal. “Quero apoiar todos os esforços que eles estão empreendendo para promover comunidades de fé”, disse. “Por favor, continuem ajudando a PICO”.

O relatório pós operacional sobre o financiamento para influenciar a visita papal está em outro documento intitulado 2016, Revisão de 2015 Fundos de Oportunidade EUA. O grupo de Soros ficou satisfeito com o resultado de sua campanha ao ver várias declarações anti-Trump proferidas por vários bispos como resultado dos seus esforços. “O impacto desta operação e as relações que têm suscitado podem ser vistos pela ampla gama de líderes religiosos intencionalmente apontando o dedo contra candidatos presidenciais, acusando-os de fomentar uma  ‘retórica do medo'”, diz o relatório.

Além disso, o resumo do relatório também diz que o financiamento foi útil para combater a “retórica anti-gay” nos meios de comunicação. A “eficácia da campanha na mídia pode ser vista pela capacidade da equipe em reagir e combater a retórica anti-gay  que se seguiu após a história de Kim Davis (a funcionária do condado de Kentucky que foi presa por desafiar uma ordem judicial federal para emitir licenças de casamento para casais homossexuais e a quem depois o Papa visitou)”, afirma o relatório.

O financiamento especificamente teve como alvo a agenda “pró-família”, redirecionando-a do seu foco, que é a defesa da família, para uma preocupação com a igualdade de renda. “Mídia FPL, enquadramento e atividades de opinião pública, incluindo a realização de pesquisa de opinião para demonstrar que os eleitores católicos estão de acordo com a agenda do Papa em assuntos como a desigualdade de renda, bem como ganhar cobertura da mídia para impulsionar a mensagem de que para ser ‘pró-família’ é necessário resolver antes a crescente desigualdade social”, diz o relatório de maio.

A Procuradora Elizabeth Yore, que atuou na delegação do Heartland Institute que viajou ao Vaticano, em abril de 2015, para instar o Papa Francisco a re-examinar sua confiança nos promotores de controle de população da ONU, os quais promovem a agenda do Aquecimento Global, falou com LifeSiteNews sobre a iniciativa de Soros:  “Os Católicos representam um imenso e influente bloco na eleição dos EUA”, disse ela. Soros está  “usando o cabeça da Igreja Católica para influenciar esse bloco-chave de votação”, com o “púlpito forte do papado” para garantir a eleição de Hilary Clinton.

Yore sublinhou que “esta não é a primeira vez que a aliança profana entre Soros e o Vaticano colaboram com sucesso em um projeto político.” Em 2015, ela recordou, “os agentes de Soros, inflitrados no Vaticano, dirigiram a Agenda Ambiental do Papa Francisco, e conseguiram para Soros e para as Nações Unidas uma Exortação Apostólica sobre mudanças climáticas [ndt: na verdade, trata-se da encíclica Laudato Si], um premiado endosso papal dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas bem como a benção apostólica do Papa para o Tratado do Clima de Paris”.

Em termos dos objetivos de Soros de mudar as prioridades da Igreja Católica para bem longe dos absolutos morais, dois bispos dos Estados Unidos se destacam como campeões do movimento. O Bispo de San Diego Robert McElroy,  que tem repetidamente enfatizado a mudança de prioridades da Igreja e que tem todo o apoio do “filho predileto” do Papa Francisco, o Arcebispo de Chicago Dom Blase Cupich [ndt: nomeado recentemente por Francisco como membro da Congregação para os Bispos, o que tornará o arcebispo de Chicago pessoa chave na nomeação de todos os bispos dos Estados Unidos]. McElroy criou furor na reunião da Conferência Episcopal Americana em novembro passado por sua tentativa de alterar um documento instruindo os católicos sobre como votar.

McElroy argumentou que o documento estava fora de sintonia com as prioridades Papa Francisco – especificamente, por colocar muita ênfase no aborto e a eutanásia, e não o suficientemente sobre a pobreza e o meio ambiente. Cupich depois louvou a intervenção de McElroy como um “momento realmente elevado” para a Conferência e apoiou o movimento para colocar a degradação do meio ambiente e a pobreza global no mesmo nível do aborto e da eutanásia.

Concluindo seu relatório final e refletindo sobre o sucesso do financiamento para influenciar a visita papal, o grupo de Soros se mostrou muito satisfeito com os resultados. Olhando para o futuro, eles estão muito animados de que o objetivo de a longo prazo mudar as prioridades dos Bispos Católicos dos Estados Unidos já “está em andamento.”

11 agosto, 2016

Cardeal Caffarra sobre Casamento, Família, Amoris Laetitia, e confusão na Igreja.

Por Maike Hickson, One Peter Five, 11 de julho de 2016 | Tradução: FratresInUnum.com: Apresentamos uma entrevista exclusiva com o Cardeal Carlo Caffarra, conduzida pelo Dr. Maike Hickson de OnePeterFive. O Cardeal Caffarra é Arcebispo Emérito de Bolonha e ex-membro do Pontifício Conselho para a Família. Foi em uma carta para o Cardeal Caffarra que a Irmã Lúcia de Fátima revelou que “a batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre o casamento e a família.”

Maike Hickson (MH): O senhor falou, em uma entrevista recente, sobre a exortação papal Amoris Laetitia, e o senhor disse que especialmente o capítulo 8 não é claro e já tem causado confusão mesmo entre os bispos. Se o senhor tivesse a oportunidade de falar com o Papa Francisco sobre essa matéria, o que o senhor diria a ele? Qual seria sua recomendação sobre o que o Papa Francisco poderia e deveria fazer agora, dado que há tanta confusão?

Cardeal Caffarra

Cardeal Caffarra

Cardeal Caffarra (CC): Na Amoris Laetitia [308] o Santo Padre Francisco escreve: “Eu entendo aqueles que preferem um cuidado pastoral mais rigoroso que não deixa espaço para confusão.” Eu concluo dessas palavras que Sua Santidade percebe que os ensinamentos da Exortação levantariam confusão à Igreja. Pessoalmente, desejo – e que é como tantos dos meus irmãos em Cristo (cardeais, bispos, e os fiéis leigos igualmente) também pensam – que a confusão deveria ser removida, não porque eu prefiro um cuidado pastoral mais rigoroso, mas porque, em vez disso, eu simplesmente prefiro um cuidado pastoral mais claro e menos ambíguo. Isso dito –  com todo o devido respeito, afeição e devoção que sinto a necessidade de manter para com o Santo Padre –  eu diria a ele: “Santidade, por favor esclareça estes pontos. a) Quanto do que Vossa Santidade disse na nota de rodapé 351, do parágrafo 305, também é aplicável aos casais divorciados e recasados que desejam ainda de alguma maneira continuar a viver como marido e mulher; e assim quanto do que foi ensinado pela Familiaris Consortio No. 84, pela Reconciliatio Poenitentia No. 34, pela Sacramenttum unitatis No. 29, pelo Catecismo da Igreja Católica No. 1650, e pela doutrina teológica comum, deve ser considerado agora abrogado? b) O constante ensinamento da Igreja – como foi também recentemente reiterado na Veritatis splendor, No. 79 – é que há normas de moral negativa que não permitem exceções, porque elas proíbem atos que são intrinsecamente desonrosos e desonestos – tais como, por exemplo, o adultério. Esse ensinamento tradicional ainda se acredita ser verdadeiro, mesmo após a Amoris Laetitia?” Isso é o que eu diria ao Santo Padre.  

Se o Santo Padre, em seu supremo julgamento, tiver a intenção de intervir publicamente para remover essa confusão, ele tem à sua disposição muitos meios diferentes de fazer isso.

MH: O senhor é um teólogo moral. Qual o seu conselho para os católicos confusos a respeito do ensinamento moral da Igreja Católica sobre o matrimônio e a família? Como deve agir uma consciência magisterialmente (lit. authoritatively) bem formada quando ela se depara com questões como contracepção, divórcio e “recasamento”, bem como a homossexualidade?

CC: A condição na qual o próprio matrimônio se encontra hoje no Ocidente é simplesmente trágica. Leis civis mudaram a definição, porque elas erradicaram a dimensão biológica da pessoa humana. Elas separaram a biologia da geração da genealogia da pessoa. Mas, devo falar sobre isso mais tarde.  Para os fiéis católicos que estão confusos sobre a Doutrina da Fé a respeito do matrimônio, eu simplesmente digo: “Leia e medite sobre o Catecismo da Igreja Católica nn.1601-1666. E quando você ouvir alguém conversar sobre casamento – mesmo se (isso for) feito por padres, bispos, cardeais – e você então verificar que não está em conformidade com o Catecismo, não os ouça. Eles são cegos guiando cegos.”

MH: O senhor poderia nos explicar, nesse contexto, a concepção moral de que nada que é ambíguo vincula a consciência católica, e especialmente então quando está provado ser intencionalmente ambíguo?

CC: A lógica nos ensina que uma proposição é ambígua quando pode ser interpretada em dois significados diferentes e/ou contrários. É óbvio que tal proposição não pode ter nem nosso assentimento teórico nem nosso assentimento prático, porque não tem um significado certo e claro.

MH: Para ajudar os católicos neste tempo de tanto equívoco ambíguo e “reserva mental”, haveria algo que o Papa Pio XII poderia ainda especialmente ensinar-nos, com respeito a questões de matrimônio e divórcio, e sobre a formação das criancinhas para a Vida Eterna, uma vez que se tem escrito tão amplamente sobre essas matérias?

CC: O Magistério de Pio XII sobre o matrimônio e a criação dos filhos era muito rico e freqüente. E com efeito, depois da Sagrada Escritura, ele é o autor mais citado pelo Vaticano II. Parece-me que há dois discursos que são particularmente importantes para responder à sua questão. O primeiro é a “Rádio Mensagem sobre a correta formação de uma consciência cristã na juventude,” 23 de março de 1952, in AAS vol. 44, 270-278. A segunda é a “Allocution to the Fédération Mondiale des Jeunesses Feminines Catholiques,” (n.t. Alocução à Federação Mundial da Juventude Feminina Católica) ibid. 413-419. Essa carta é de grande importância magisterial, pois ela trata de situações éticas.

MH: O jesuíta alemão padre Klaus Mertes, disse em uma entrevista a um jornal alemão que a Igreja Católica “deveria agora ajudar a estabelecer um direito humano à homossexualidade.” Qual deveria ser a resposta adequada da Igreja a tal proposta? Inclusive a sanção disciplinar adequada, bem como a doutrina moral.

CC: Eu honestamente não posso entender como um teólogo católico pode pensar e escrever sobre um direito humano à homossexualidade. No sentido preciso, um direito (individual) é uma faculdade moralmente legítima e legalmente protegida para realizar uma ação. O exercício da homossexualidade é inerentemente irracional e portanto desonesto. Um teólogo católico não pode – não deve – pensar que a Igreja tem de lutar para “estabelecer um direito humano à homossexualidade.”

MH: Mais fundamentalmente, em que medida os homens devem ter um direito humano – p. ex., um clamor por justiça – para fazer o que é errado aos olhos de Deus, tal como, por exemplo, praticar a poligamia?

CC: A questão dos direitos individuais agora mudou substancialmente em seu significado. Ela identifica o direito com seus próprios desejos. Mas, não temos aqui o espaço para abordar essa questão do ponto de vista do legislador humano.

MH: Uma vez que o Padre Mertes enfatizou em sua entrevista a importância de separar a procriação do matrimônio para tornar o caminho livre para a homossexualidade – o senhor poderia explicar-nos o ensino moral tradicional da Igreja sobre os fins ordenados do matrimônio e o primado da procriação e educação das crianças para o Céu? Por que a procriação é um propósito tão importante do matrimônio? Por que não poderia ser que o amor mútuo e o respeito entre os casais viesse primeiro e tomasse a precedência? O senhor vê as conseqüências práticas se são invertidos os fins do matrimônio – principalmente, se se põe o amor mútuo e o respeito acima da procriação dos filhos para o Céu?

CC: Eu preferiria dar uma resposta sintética às três questões colocadas nessas duas [perguntas anteriores]. Elas de fato tocam em uma grande questão que é de fundamental importância para a vida da Igreja e da sociedade civil. O relacionamento entre os aspectos de amor conjugal de um lado, e da procriação e educação de crianças por outro, é uma correlação, diriam os filósofos. Que quer dizer: é um relacionamento de interdependência entre duas realidades distintas. O amor conjugal que está sendo sexualmente expresso quando os dois esposos se tornam uma só carne no único local eticamente digno para dar vida a uma nova pessoa humana. A capacidade para dar vida a uma nova pessoa humana está inscrita no exercício da sexualidade conjugal, que é a linguagem esponsal de recíproco doar-se através dos esposos. Em resumo: conjugalidade e dom da vida são inseparáveis.

O que aconteceu especialmente após o Concílio? Contra o ensinamento do próprio Concílio, insistiu-se tanto no amor conjugal, que se considerou a procriação meramente sendo a conseqüência colateral do ato de amor conjugal. O Bem-aventurado Paulo VI corrigiu semelhante visão na encíclica Humanae Vitae julgando-a contrária à reta razão e à fé da Igreja. E São João Paulo II, na última parte de sua bela catequese sobre o Amor Humano, mostrou o fundamento antropológico do ensinamento de seu predecessor: principalmente, o ato de contracepção é objetivamente uma mentira dizendo isso com a linguagem do corpo dos esposos. Quais são as conseqüências da rejeição desse ensinamento? A primeira e mais séria conseqüência foi a separação entre sexualidade e procriação. Começou-se com “sexo sem bebês,” e chegou-se a “bebês sem (a intermediação de) sexo”: a separação é completa. A biologia de geração é separada da genealogia da pessoa. Isso leva a “produzir” crianças em laboratório; e à afirmação do (suposto) direito a uma criança. Sem sentido. Não há direito a uma pessoa, mas somente a coisas. Nesse ponto, houve todas as premissas para enobrecer a conduta homossexual, porque não se vê mais sua íntima irracionalidade, e toda a séria e intrínseca desonestidade da união homossexual. E assim chegamos a modificar a definição de casamento porque nós a desenraizamos da biologia da pessoa. Realmente, a Humanae Vitae foi uma grande profecia!

MH: Qual é, em sua essência, o propósito do casamento e da família?

CC: É a legítima união de um único homem e uma única mulher à luz da procriação e da educação das crianças. Se os dois são batizados, essa mesma realidade – não outra – torna-se um símbolo real da união Cristo-Igreja. Isso lhes dá um status na vida pública da Igreja, com um ministério próprio deles: a transmissão da fé às suas crianças.

MH: No contexto da corrente crescente de confusão moral: em que medida o indiferentismo religioso (ex, a afirmação de que se pode ser salvo em qualquer religião) leva ao relativismo moral? Para ser mais específico, se uma religião favorece a poligamia mas é considerada salvífica, não há então a conclusão de que a poligamia não é ilícita, afinal?  

CC: Relativismo é como uma metástase. Se você concorda com seus princípios, cada experiência humana, seja ela pessoal ou social, será ou se tornará corrompida. O ensinamento do Bem-aventurado J. H. Newman tem aqui grande atualidade. Próximo ao fim de sua vida, ele disse que o patógeno que corrompe o senso religioso e a consciência moral é “o princípio liberal,” como ele o chama. Quer dizer, com respeito à adoração que nós devemos a Deus, é irrelevante o que nós pensamos dEle; a crença de que todas as religiões têm o mesmo valor. Newman considera o princípio liberal assim entendido como sendo completamente contrário ao que ele chama “o princípio dogmático,” que é a base da proposição e afirmação cristãs. Do relativismo religioso para o relativismo moral, há só um passo curto. Não há assim nenhum problema no fato de que uma religião justifique a poligamia, e outra a condene. De fato, (para o relativismo) não existe supostamente verdade absoluta sobre o que é bom e o que é mau.

MH: O senhor poderia fazer um comentário sobre a recente observação do Cardeal Christoph Schönborn de que a Amoris Laetitia é doutrina vinculante e que os documentos magisteriais anteriores concernentes ao matrimônio e à família têm agora de ser lidos à luz da Amoris Laetitia?

CC: Eu respondo com duas simples observações. A primeira é: não se deve apenas ler o Magistério anterior sobre o casamento à luz da Amoris laetitia (AL), mas deve-se também ler a Amoris laetitia à luz do Magistério anterior. A lógica da Tradição Viva da Igreja é bipolar: ela tem duas direções, não uma. A segunda parte é mais importante. Em sua [recente] entrevista ao Corriere della Sera, meu caro amigo Cardeal Schönborn não leva em consideração o que aconteceu na Igreja desde a publicação da Amoris Laetitia. Bispos e muitos teólogos fiéis à Igreja e ao Magistério argumentam que, especialmente em um ponto específico – mas muito importante – não há uma continuidade, mas, em vez disso, uma oposição entre AL e o Magistério anterior. Além do mais, esses teólogos e filósofos não dizem isso com um espírito degradante ou revoltante para com o próprio Santo Padre. E nesse ponto, como segue: AL diz que, sob algumas circunstâncias, o intercurso sexual entre os divorciados civilmente recasados é moralmente legítimo. Mais ainda, ela diz que, o que o Segundo Concílio do Vaticano disse sobre os esposos – referente à intimidade sexual – também se aplica a eles (aos divorciados civilmente recasados) (ver nota de rodapé 329). Então: quando se diz que um relacionamento sexual fora do casamento é legítimo, isso é então um clamor contrário à doutrina da Igreja sobre a sexualidade; e quando se diz que o adultério não é um ato intrinsecamente desonesto – e que então deve haver circunstâncias que o tornam não-desonesto – isso, também, é uma afirmação contrária à Tradição e Doutrina da Igreja. Em uma tal situação como esta, o Santo Padre, em minha opinião – e como já escrevi – tem então de esclarecer a matéria. Pois, quando eu digo “S é P,” e então digo “S não é P,” a segunda proposição não é um desenvolvimento da primeira proposição, mas, antes sua negação. Quando alguém diz: a doutrina permanece, mas é somente sobre cuidar de alguns poucos casos, eu respondo: a norma moral “Não cometer adultério” é uma norma NEGATIVA ABSOLUTA que não permite exceção alguma. Há muitas maneiras de fazer o bem, mas há somente um caminho para não fazer o mal: não fazer o mal.

MH: Qual é a recomendação geral do senhor, como pastor, para nós fiéis leigos, sobre o que nós devemos fazer agora para preservar a Fé Católica íntegra e inteira para elevar nossas crianças para a vida eterna?

CC: Caffarra: Direi a você francamente que não vejo outro lugar fora da família onde a fé que você tem de acreditar e viver pode ser suficientemente transmitida. Além do mais, na Europa durante o colapso do Império Romano e durante as posteriores invasões bárbaras, o que os monastérios Beneditinos então fizeram pode da mesma maneira ser feito agora pelas famílias crentes, no reino atual de um novo barbarismo espiritual-antropológico. E graças a Deus elas [as famílias fiéis] existem e ainda resistem.

Um pequeno poema escrito por Chesterton me leva a essa reflexão; ele o escreveu no começo do século vinte: A Balada do Cavalo Branco. É uma grande meditação poética sobre um fato histórico. Ele teve lugar no ano 878. O Rei da Inglaterra, Alfredo o Grande, já tinha derrotado o Rei da Dinamarca, Guthrum, que primeiro tinha invadido a Inglaterra. E assim veio um momento de paz e serenidade. Mas durante a noite após a vitória, o Rei Alfredo teve uma terrível visão [no Livro VIII: 281-302]: ele vê a Inglaterra invadida por um outro exército, que é descrito como segue: “… Que embora venham com rolo (de papel) e caneta [um estranho exército, é, de fato, aquele que não tem armas, mas caneta e papel – Cardeal Caffarra], E grave como um escriturário barbeado, Por este sinal devereis conhecê-los, Que eles arruínam e fazem treva; Por todos os homens ligados a Nada….  Conheçais o velho bárbaro, O bárbaro vem de novo.”

As famílias que crêem são as verdadeiras fortalezas. E o futuro está nas mãos de Deus.

10 agosto, 2016

Padre parisiense removido do altar pela polícia fala.

Por Matthew Karmel – One Peter Five | Tradução: FratresInUnum.com: Durante os últimos dez anos, o reverendo Padre Guilherme de Tanoüarn tem celebrado a Santa Missa nos cômodos apertados de uma pequena loja em uma rua estreita no centro de Paris. Localizado na Rue Saint-Joseph, o cômodo indefinido é ladeado de um lado por um par de salões de massagens de reputação duvidosa e uma agência de viagens especializada em vôos baratos para a África. O piso térreo é ocupado pelo Centro Saint-Paul, que oferece conferências culturais e espirituais, aulas de catecismo, cursos de línguas antigas e teologia. A capela, situada no segundo andar, onde se chega por uma escada em espiral, oferece duas missas diárias e cinco missas a cada domingo. Dos poucos locais em Paris em que se oferece a celebração da missa tradicional em latim é, de longe, o menor. Mas pode muito bem ser o mais amado.

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Ouvir falar de pessoas que são atraídas para a missa tradicional em latim por causa da beleza da liturgia é tão comum que beira o clichê. Na verdade, há muito pouco deste lado do céu que é mais bonito do que uma missa celebrada em latim, especialmente quando celebrada em sua configuração arquitetônica adequada e acompanhada por um coro bem ensaiado. É menos comum, porém, ouvir que pessoas são atraídas para a Missa antiga devido ao cuidado pastoral que recebem dos sacerdotes que a oferecem. Mas para os fiéis reunidos em torno do reverendo padre, renunciar à visão e sons das bem ornamentada e neo-gótica SS. Eugène e Cécile, onde a liturgia tradicional é oferecida diariamente, e em vez disso fazer o seu trajeto em direção à Rue Saint-Joseph, para o comparativamente humilde Centro Saint-Paul – uma mera meia milha de distância – não pode ser a beleza estética do lugar a atrai-los, mas algo muito mais profundo.

Na quarta-feira, 3 de agosto, uma cena desdobrou-se em Paris, que capturou a imaginação do mundo católico. Um grupo de fiéis estava reunido para assistir a uma missa católica tradicional na igreja de Santa Rita – uma capela de propriedade privada construída em 1900 e marcada para demolição para abrir espaço a um estacionamento. A polícia, vestida com equipamentos anti-choque, fez uma entrada barulhenta dentro do prédio, removendo os bancos que haviam sido usados como barricadas pelos presentes na missa. Um padre foi arrastado do presbitério, enquanto os fiéis cerraram fileiras para protegerem-se uns aos outros, ao passo que o outro oferecia ainda a missa, de frente para o altar, de costas para a ameaça que lhe aproximava. Eventualmente, ele também foi removido pela polícia antes que pudesse concluir a liturgia. Ele foi escoltado para fora, enquanto estava ainda totalmente paramentado com sua casula romana.

As primeiras reportagens alegavam que a missa estava sendo oferecida por membros da comunidade “galicana” em Paris – um grupo cismático que havia obtido o uso da igreja de Santa Rita para suas liturgias em 1988. Mas quando esta comunidade independente abandonou a igreja de Santa Rita, em outubro 2015 , o Padre de Tanoüarn foi pessoalmente convidado para celebrar a missa em latim para um grupo de três dezenas de fiéis. Era um convite que ele se sentiu no dever de aceitar. Os riscos envolvidos eram claros para ele: sem a permissão dos proprietários do edifício, isso significaria se engajar em uma ocupação ilegal. Em qualquer outro país isso poderia ser visto como um fator dissuasivo suficiente para impedir que alguém se envolvesse. Mas esta é a França, onde ocupar igrejas abandonadas ilegalmente é uma espécie de tradição em seu direito próprio.

Em 1977, membros da Fraternidade de São Pio X, liderados pelo padre François Ducaud-Bourget, expulsaram o padre diocesano encarregado da Saint-Nicholas-du-Chardonnet, localizada no 5º arrondissement, e ocuparam a igreja. O conselho municipal prontamente decidiu que a ocupação era ilegal e emitiu uma ordem de despejo. Havia, no entanto, pouca vontade política por trás da ordem de despejo que acabou sendo ignorada e jamais foi cumprida. Dez anos mais tarde, o Conseil d’Etat determinou que a perturbação da ordem pública que inevitavelmente resultaria de uma desocupação forçada seria maior do que a da própria ocupação – uma decisão que efetivamente permitiu à Fraternidade continuar usando a igreja, que permanece sob seu cuidado até este dia.

Uma ação semelhante foi realizada em 2002 pelo Padre Philippe Laguérie (SSPX) para obter a igreja de St. Eloi em Bordeaux, que estava abandonada e sem uso por muitos anos. Nesse caso, o conselho da cidade, à epoca, aprovou a ocupação e o arcebispo Jean-Pierre Richard permitiu a criação de uma paróquia pessoal sob a orientação do Instituto do Bom Pastor em St. Eloi em 2007.

Assim, havia uma boa razão para o Padre de Tanoüarn alimentar a esperança de uma solução feliz para a situação, com a ocupação sendo admitida como lamentável mas reconhecidamente como um primeiro passo necessário para esse fim. Os fiéis de Santa Rita mereciam o acesso aos sacramentos, e a igreja prestava um papel importante na comunidade local. O Instituto do Bom Pastor estava disposto a comprar a propriedade, embora não estivesse em condições de pagar o preço pedido de 3 milhões de Euros. Os vereadores locais, também concordavam que a igreja de Santa Rita deveria ser poupada da demolição. A única parte a favor da destruição da igreja era o novo proprietário, que pretende converter a propriedade em um estacionamento financeiramente lucrativo. Todavia, quem sabe, com a intervenção divina de Santa Rita, padroeira das causas impossíveis, um acordo mutuamente aceitável poderia ser alcançado. A esperança, portanto, não foi perdida.

Depois de obter permissão do arcebispo, o reverendo padre e seus irmãos sacerdotes começaram o trabalho de estabelecimento de uma autêntica comunidade católica em Santa Rita. Como qualquer boa paróquia, eles ofereciam os Sacramentos e bênçãos, ensinando as verdades da fé a todos que quisessem ouvir. Mas acima de tudo, eles ofereciam um lar espiritual marcado pela autêntica caridade e amor ao próximo. Eles abriram as portas da igreja de Santa Rita para os pobres e socialmente indesejáveis, em suma, às periferias existenciais da sociedade parisiense – permitindo-lhes, talvez pela primeira vez em suas vidas, se sentirem verdadeiramente acolhidos. E o Senhor não poupou Sua bênção: no giro de menos de um ano, a comunidade em Santa Rita cresceu para um número de cerca de 200 almas.

Na entrevista a seguir, Padre de Tanoüarn fornece seu próprio lado da história pela primeira vez.

OnePeterFive: Obrigado, reverendo padre, por tomar tempo para conceder-nos esta entrevista. O mundo católico ficou chocado com as imagens divulgadas na quarta-feira que documentam o despejo violento dos fiéis de Santa Rita – talvez muito mais pelo fato de que um sacerdote foi arrastado do presbitério. O senhor poderia nos revelar a identidade do sacerdote? Ele foi fisicamente ferido durante o despejo? Qual é a sua condição agora?

Reverendo Padre Guillaume de Tanoüarn: O jovem padre que você menciona é Padre Jean-François Billot. Foi ordenado em 2010 pelo Instituto do Bom Pastor. As imagens são chocantes, mas a violência era meramente simbólica. A polícia é muito profissional; eles sabem como arrastá-lo sem machucá-lo muito. Então, sim, é impressionante quando você vê; e é ainda mais impressionante quando você o experimenta. Quer dizer, a armadura, os capacetes – ainda que eles não os usem, estão lá para impressioná-lo. E funciona. Além disso, eles usaram gás lacrimogêneo, que entra em seu nariz e nos olhos. Dito isso, Padre Billot não foi ferido e está bem, graças a Deus, assim como o resto de nós, mesmo que ainda tristes com o despejo.

Fiéis católicos ficaram horrorizados ao ver a polícia de choque armada com cassetetes, escudos e gás lacrimogêneo irromperem numa igreja durante a celebração da Santa Missa. Ficamos muito aliviados ao saber que as sagradas espécies não foram profanadas, apesar da violenta interrupção. Se a polícia tivesse decidido esperar até a conclusão da Missa, o senhor acha que o despejo teria progredido mais pacificamente? Ou foram os paroquianos que estavam preparados para resistir ativamente, independentemente de quando o despejo ocorreu?

Um “resistência ativa”, como você diz, nunca foi uma opção para nós. Nós somos Católicos e eu sou padre; rechaçamos a violência, mas todavia ainda não estávamos dispostos a abandonar a igreja por nós mesmos, só porque um advogado nos pediu. A polícia entrou durante a missa  que eu estava celebrando, mas, estranhamente, eles pararam no exato momento da Elevação. A França, depois de tudo, ainda tem uma cultura católica, ainda que a prática derreta como a neve no verão. Mais uma vez, nós não temos um problema com a polícia – eles estão apenas obedecendo ordens.

Alguns questionaram a motivação e/ou justificação dos paroquianos em sua decisão de resistir ao despejo. De acordo com muitos relatos, os proprietários do imóvel tinham a lei do lado deles, e vocês estavam essencialmente invadindo uma propriedade privada. Alguns sugeriram, no entanto, que as discussões com os proprietários estavam em curso, e que vocês estavam buscando uma solução pacífica para a situação. O senhor pode explicar as circunstâncias do despejo, bem como as suas razões para resistir?

O proprietário formal da igreja quer transformá-la em um estacionamento. A congregação quer manter a igreja. Os advogados ainda estão argumentando e a batalha legal ainda não acabou. Nossa idéia básica é a de comprar o imóvel, mas custa muito dinheiro. De uma forma ou de outra, temos de encontrar um acordo comum entre as pessoas de boa vontade, e enviar a polícia não vai ajudar em nada. Fala muito o fato de que temos o prefeito de nosso distrito ao nosso lado. Além disso, estamos sendo apoiados publicamente por uma variedade de políticos locais. Eles não são necessariamente Católicos, mas compreendem o que esta igreja significa para a comunidade.

Alguns setores da mídia francesa estão pintando a comunidade dos fiéis de Santa Rita como “militantes fundamentalistas”, sendo que uma revista on-line chegou ao ponto de descrever Santa Rita como um reduto de “grupos dissidentes católicos tradicionalistas e pseudo-revolucionários de extrema-direita.” Como o senhor responde a tais acusações? Estas acusações também estão sendo usadas para manchar a reputação do Instituto do Bom Pastor (IBP) na França?

Há uma boa parte de ideologia envolvida nisso – sim. Mas, francamente, eu fiquei realmente surpreso pelo número de bons artigos sobre nós escritos por jornalistas que vieram nos entrevistar. Só para citar dois exemplos, Liberation e Le Monde são dois jornais de esquerda; o que você poderia chamar de “liberais”. No entanto, eles vieram, e eles relataram a partir de suas perspectivas, mas de uma forma justa. Houveram duras críticas também, mas isso da parte de pessoas que não se preocuparam em passar por aqui ou telefonar.

O senhor disse que pretende continuar a sua luta para salvar Santa Rita da demolição. Que passos permanecem possíveis para vocês? Existe alguma coisa que a comunidade internacional poderia fazer para ajudá-lo?

Como já referi, a luta legal ainda não acabou, o prefeito local e o conselho da cidade estão do nosso lado. Assim, ainda temos algumas cartas na manga. Eu continuo a celebrar a missa para os fiéis; não na igreja, uma vez que ela foi interditada, mas bem na frente dela. Eu celebro – para números cada vez maiores.

O membro da Assembléia Nacional,  Frederic Lefebvre, apelou publicamente para o Papa Francisco pedindo sua intervenção para ajudar a salvar St. Rita da demolição. O senhor gostaria de receber tal intervenção por parte do Santo Padre?

Qualquer intervenção seria muito bem vinda, de qualquer um. E do Santo Padre? Ele é nosso Papa, literalmente. Como você deve saber, eu fui ordenado em 1991 pela FSSPX, então em 2006 eu co-fundei o Instituto do Bom Pastor. Isso significa que eu tenho mais de 10.000 missas celebradas na minha vida, com cada uma delas em união espiritual com o papa: una cum papa nostro. Assim, eu não sei se Fréderic Lefebvre será ouvido, mas eu acredito na Providência.

O Instituto do Bom Pastor não é muito conhecido fora da França. O senhor poderia explicar qual é a sua relação pessoal com o Instituto e descrever o papel que ele desempenha hoje na vida da Igreja na França?

Temos 10 anos de idade, o que significa que ainda somos um jovem instituto. Este ano, cinco padres foram ordenados para o Instituto, o que nos coloca acima da média das dioceses francesas. O nosso objetivo não é existir em todos os lugares – somos pequenos demais para isso – mas servir aqui e ali. Fazemos o melhor ao nosso alcance.

Para os observadores externos, a França Católica parece estar sob o cerco tanto de terroristas islâmicos como de um governo secular, historicamente dedicado a reduzir a influência da Igreja no domínio público. Este é um retrato preciso da experiência dos Católicos franceses? O senhor já sentiu um aumento no interesse dos católicos franceses por uma liturgia mais tradicional e pelos ensinamentos da Igreja nas últimas décadas e/ou meses? Qual tem sido a reação entre os Católicos tradicionais na França diante do martírio do Padre Jacques Hamel?

Não vou minimizar os problemas que estamos enfrentando. Mas o nosso maior inimigo é a nossa própria preguiça e covardia. Se você é Católico, você pode passar a vida lamentando sobre o quão ruim a política, os meios de comunicação e a sociedade como um todo são. Ou você pode simplesmente fazer suas orações, criar seus filhos, fazer o seu trabalho, encontrar seus amigos, rezar o seu rosário, compartilhar uma refeição… em outras palavras: viver a boa vida de um bom Católico. Temos um ditado aqui que diz «C’est un triste saint qu’un saint triste», o que poderia ser traduzido como “É um triste santo quem é um santo triste”.

Quanto ao desenvolvimento do movimento tradicionalista aqui na França, é um saco misturado. Um quarto de todos os padres ordenados na França são ordenados para a missa em latim, que tem uma participação sempre crescente. Mas é como ter a mesma fatia de uma torta que está sempre encolhendo. Na França, uns meros 100 sacerdotes são ordenados a cada ano, enquanto 800 morrem. Um a cada dois padres franceses tem mais de 75 anos de idade.

Soubemos esta semana que as últimas palavras de Pe. Hamel foram: “Vá t’en Satan”, “Vade retro Satanás!” Não cabe a nós decidir quem é santo e quem não é. Mas o padre Hamel certamente deixou um exemplo  que nos  fez “tremblants et confiants”, como seu bispo disse: “tremulantes e confiantes”. Tremulantes por causa de sua sorte e confiantes por causa da nossa fé comum.

Obrigado, reverendo padre, pelo  seu tempo e seu serviço incansável à Santa Madre Igreja.

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9 agosto, 2016

Câmara dos Deputados promove encontro com Associação Nacional Pró-vida e Pró-família.

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A Comissão de Seguridade Social e Família, da Câmara dos Deputados, realiza, com a Associação Nacional Pró -Vida e Pró-Família quarta-feira, 10 de agosto, o Seminário em Defesa da Vida e da Família ( com o tema “Afirmar a cultura da Vida e o valor da família”), com apoio do Deputado Diego Garcia (PHS-PR), que foi o relator do Estatuto da Família, aprovado pela Câmara, no ano passado.

O evento contará com a participação de especialistas na área de vida e família, que há anos acompanham as proposituras no Congresso Nacional, subsidiando parlamentares com informações atualizadas que favoreçam políticas públicas de valorização e promoção da família.

Para o Prof. Hermes Rodrigues Nery, Presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e especialista em Bioética, a batalha pela defesa da vida e da família se tornou mais intensa, tendo em vista a ação de forças políticas, econômicas e culturais que, há décadas se voltam contra a família, forças estas representadas por fundações internacionais, que buscam disseminar uma cultura contrária à lei natural, explicitada, por exemplo, pela agenda de gênero, tema esse que será abordado pelo especialista argentino Dr. Jorge Scala.

Recentemente a Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família divulgou uma petição pública pela Citizen Go requerendo a destituição da Profa. Flávia Pievisan, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, fato esse que será tema da abordagem do Prof. Hermes Nery: “O Direito à Vida, primeiro e principal de todos os direitos humanos”.

Um dos focos de atuação da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família é evitar a legalização do aborto no Brasil. A Dra. Elizabeth Kippman, que também é especialista em Bioética, falará da questão do aborto no contexto internacional.

Participarão também do encontro, parlamentares da Frente em Defesa da Vida e da Família, o bispo-auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Antônio Augusto, Dr. Paulo Fernando Melo Costa, Dra. Lenise Garcia, Tiba Camargo (da Comunidade Canção Nova), Mariângela Consoli de Oliveira (Presidente da Associação Guadalupe), Dr. Ubatan Loureiro, Liliane Vieira, o casal Marco e Susy Gomes (especialistas em planejamento familiar natural, da Arquidiocese de Brasília, Adrian Paz, de Belo Horizonte, dentre outros.
O evento é gratuito e ocorrerá no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, dia 10 de agosto,  das 9h às 18h.

Mais informações aqui.

8 agosto, 2016

Imã na igreja: grave ofensa à fé e à razão.

Por  Roberto de Mattei, Il Tempo – Roma, 03-08-2016 | Tradução: FratresInUnum.comO presidente da Conferência Episcopal Italiana, cardeal Dom Angelo Bagnasco, criticou aqueles católicos que se mostraram perplexos e, em muitos casos, indignados pelo convite feito aos muçulmanos para rezarem nas igrejas italianas no domingo, dia 31 de julho: “Verdadeiramente não compreendo por quê. O motivo não me parece de fato existente”.

31-luglio-468x263Segundo ele, a participação de milhares de muçulmanos na oração diante do altar pretende ser “uma palavra de condenação e uma tomada de distância absoluta da parte de quem – não somente os muçulmanos – não aceita qualquer forma de violência”. Na realidade, como observou Mons. Antonio Livi no site La nuova Bussola quotidiana, a participação dos muçulmanos nas cerimônias litúrgicas na Itália e na França foi ao mesmo tempo um ato sacrílego e insensato.

Sacrilégio porque as igrejas católicas, ao contrário das mesquitas, não são centros de conferências ou de propaganda, mas locais sagrados, onde se rende o do culto de adoração a Jesus Cristo, realmente presente “em corpo, sangue, alma e divindade” na Eucaristia. Se se julgava necessário um encontro para condenar a violência, tal ato político poderia realizar-se em qualquer outro lugar, mas não na Casa de Deus, que para o Papa e os bispos italianos só pode ser do único e verdadeiro Deus em três Pessoas, combatido pelo Islã militarmente ao longo dos séculos.

Em Roma, na Basílica de Santa Maria in Trastevere, estavam sentados na primeira fila três imãs da Capital, dois dos quais – Ben Mohamed Mohamed e Sami Salem – falaram do púlpito, citando várias vezes o Alcorão. Mas deram as costas ao Evangelho durante a homilia e sussurraram uma oração muçulmana enquanto os católicos recitavam o Credo. Na catedral de Bari, o pretenso Imã Sharif Lorenzini recitou em árabe a primeira Sura do Alcorão, que condena a incredulidade dos cristãos com estas palavras: “Mostra-nos o caminho reto, o caminho daqueles a quem favoreceste, e não o (caminho) daqueles que foram objeto de tua ira, nem daqueles que se desviaram”.

O que aconteceu foi também um ato desarrazoado, pois não há nenhum motivo para incentivar os muçulmanos a rezar e fazer sermões em uma igreja católica. A iniciativa dos bispos italianos e franceses induz os fiéis a crer que o Islã enquanto tal é isento de qualquer responsabilidade na estratégia do terror, como se não fosse em nome do Alcorão que muçulmanos fanáticos mas coerentes massacram cristãos no mundo. Negar, como o fez o Papa Francisco, que a guerra em curso seja religiosa, seria como negar que na década de setenta as Brigadas Vermelhas conduziram uma guerra política contra o Estado italiano.

A motivação dos terroristas do Estado Islâmico é religiosa e ideológica e usa como pretexto uma série de versos do Corão. Em nome deste, dezenas de milhares de católicos são perseguidos em todo o mundo, do Oriente Médio à Nigéria e desta à Indonésia. Enquanto o novo número de Dabiq, a revista oficial do Califado, convida seus militantes a destruir a Cruz e matar os cristãos, a Conferência EpiscopaI Italiana exime a religião maometana de qualquer responsabilidade, atribuindo os massacres dos últimos meses a poucos extremistas. É precisamente o contrário: foi só uma minoria (23.000 dos mais de dois milhões de islâmicos oficialmente registrados) a proporção de muçulmanos que aderiram à insensata iniciativa promovida pela Conferência Episcopal Italiana.

Devemos reprovar a maioria que rejeitou o convite ou, antes, acusar de hipocrisia os que o aceitaram? Pois não há nenhum motivo para os muçulmanos – que professam uma religião não só diferente, mas antitética da fé católica – virem rezar e pregar em uma igreja católica, ou convidarem os católicos a pregar e rezar em suas mesquitas.

O que aconteceu em 31 de julho é, sob todos os aspectos, uma ofensa grave à fé e à razão.

8 agosto, 2016

De capitulação em capitulação chegamos às diaconisas.

Por Pe. João Batista de A.  Prado Ferraz Costa

Foi anunciada pelo Vaticano há poucos dias a constituição de uma comissão de teólogos e teólogas encarregada de estudar o diaconato feminino na Igreja primitiva. A referida comissão é fruto de um pedido de  um grupo de religiosas ao papa Francisco I, que a instituiu após “muita oração e reflexão” – assim diz a nota da Santa Sé.

De acordo com os melhores estudiosos do assunto, não há nenhuma dúvida de que as diaconisas dos primeiros tempos da Igreja eram mulheres piedosas que se encarregavam de obras de caridade, recebiam uma bênção (com imposição das mãos do bispo) e tal bênção não era absolutamente um sacramento, mas apenas um sacramental.

À luz da tradição constante da Igreja e do magistério dos papas, não procede nenhuma discussão sobre a admissibilidade do sacerdócio feminino na Igreja Católica. Se por desgraça amanhã houver o abuso de uma ordenação de diaconisas, o sacramento da ordem a elas conferido, sobre ser um sacrilégio, será inválido, mas poderá originar uma enorme confusão na Igreja porque já não serão vistas essas reverendas diaconisas como leigas mas como membros do clero e pertencentes à hierarquia eclesiástica. E certamente não se contentarão em ser diaconisas permanentes mas vão pretender galgar os graus mais altos da hierarquia.

Mas como explicar que, a despeito da meridiana clareza sobre essa matéria, ainda assim se pretenda seja “estudada”, na verdade, posta em discussão?

No século passado, quando, sobretudo, entre os heréticos, a reboque do feminismo mundano neopagão, se começou falar em sacerdotisas, Paulo VI disse que a Igreja, com base na sagrada tradição, não se sentia autorizada a instituir o sacerdócio feminino e, em 1994, João Paulo II, por meio da carta apostólica Ordinatio sacerdotalis, concebida em termos muito mais firmes que seu predecessor Paulo VI, parecia encerrar completamente o assunto.

Entretanto, a questão não foi sepultada. Pelo contrário, recrudesceu. Por isso, esforço-me por identificar algumas causas e dar um depoimento que reputo muito esclarecedor.

Se por um lado o papa João Paulo II no referido documento encerrou a questão no plano teológico e afirmou na Familiaris Consortioque o lugar da mulher é em casa cuidando da sua família, por outro lado não favoreceu o surgimento das condições culturais necessárias para que um princípio teológico não ficasse letra morta mas vigorasse efetivamente na Igreja e em todos os ambientes católicos. Explico-me. O papa João Paulo II disse que lamentava ver como a mulher ao longo dos séculos foi humilhada e maltratada. Ora, na sociedade cristã isso jamais ocorreu. Até parece Francisco I pedindo perdão às mulheres e aos gays. Sem dúvida, esse discurso só pode alimentar a erva daninha do feminismo.

Ademais, o papa João Paulo II, promovendo um ecumenismo e um diálogo inter-religioso sem fronteiras, foi um precursor da “cultura do encontro”, tão cara a Francisco I. Esta cultura do encontro tem sérias consequências e implicações. Em primeiro lugar, a meu juízo, opõe-se às ordenanças divinas do Livro Sagrado. Com efeito, diz o Levítico que Deus ordenou ao povo eleito que vivesse isolado, separado dos povos pagãos para que conservasse íntegra a verdadeira religião, não corrompesse a pureza das suas crenças divinas.

Com todas as adaptações que se possam e  devam fazer aos nossos tempos, a prescrição do Levítico é de um valor perene. É realmente impossível querer guardar íntegra a fé cantando, por exemplo, vésperas solenes ecumênicas nas basílicas e catedrais juntamente com diaconisas e sacerdotisas protestantes. Esse ambiente empestado de ecumenismo, irenismo e sincretismo com o tempo levará certissimamente os católicos a sacrificar sua teologia no altar da unidade religiosa universal. A Igreja, ao contrário  da “cultura do encontro”, devia viver isolada como os hebreus viveram isolados na terra de Canaã, para proteger os seus filhos da contaminação dos erros e perigos. Sem essa cautela, a Igreja corre o risco de ser incorporada à República Universal do Grande Arquiteto.

Trata-se de uma observação justíssima de bons historiadores e filósofos da cultura e da religião que nos ensinam que as questões teológicas controvertidas sempre tiveram o seu desenvolvimento e sua solução sob a influência das instituições políticas e dos valores culturais do seu tempo. De modo que nos dias de hoje em que reinam de norte a sul as Hilarys Clinton, as Teresas May, as Ângelas Merkel (para não falar das infames Rousseff e Cristina Kirchner) e a toque de caixa de todo o movimento feminista mundial, será realmente muito difícil a Igreja barrar o sacerdócio feminino se não for capaz de criar as condições culturais que venham a ser uma muralha, uma cidadela em defesa do dogma. Infelizmente, Ratzinger dizia que era necessário abater as muralhas da Igreja! E Francisco I diz que é pontífice para erguer pontes dentro da sua cultura do encontro, que todos já bem conhecemos.

A outra causa do ressurgimento da questão do sacerdócio feminino é desgraçadamente a timidez dos bons, o espírito de capitulação diante de qualquer obstáculo. Posso ilustrar este ponto com uma história verídica.

Disse-me um padre (da minha inteira confiança) que por volta de 1998 um dos melhores bispos do mundo, tido como um dos mais conservadores, adoeceu e pediu-lhe que o substituísse em um congresso teológico dando uma palestra sobre os sacramentos e a família. No congresso havia leigos, religiosos e religiosas de várias partes do País. Terminada a palestra, no final da tarde, o padre foi visitar o bispo e informá-lo de como se tinham passado as coisas. E disse-lhe: “Sr. bispo, tive oportunidade de explanar a carta Ordinatio sacerdotalis”. Para surpresa e decepção do padre, o bispo recebeu a informação com um amargo dissabor. E o padre perguntou-lhe porque não lhe agradava a referência à carta apostólica de João Paulo II. E o bispo disse: “Acontece que há muita gente de outras dioceses onde se contesta o ensinamento do papa e podia surgir uma discussão inoportuna no congresso.”

Desde então – disse-me o padre – fiquei convencido de que, contando com as atitudes ambíguas e omissões da hierarquia, a heresia avançava em surdina em todos os setores da Igreja.

De maneira que não ficarei surpreso se amanhã vir nas missas solenes da Ecclesia Dei diaconisas cantando o Evangelho, pregando ou batizando seus netinhos. Muitos padres birritualistas certamente vão participar de cerimônias servidas pelas reverendas.

De capitulação em capitulação chegamos às diaconisas e bispas. Que vão, quem sabe, tomar chá com a papisa rainha Elisabeth na sede da seita anglicana.

Anápolis, 4 de agosto de 2016.

Festa de São Domingos Gusmão, fundador da Ordem dos Pregadores, apóstolo do Santo Rosário de Nossa Senhora.

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5 agosto, 2016

Um papa como nunca se viu antes . Um pouco “protestante”.

O romance entre Francisco e os seguidores de Lutero. O alarme de cardeais e bispos contra a “protestantização” da Igreja Católica. Mas também a desconfiança dos teólogos luteranos influentes.

ROMA, 22 de julho de 2016 – Na carta preocupada que treze cardeais dos cinco continentes prepararam para entregar ao Papa Francisco no início do último Sínodo, eles o alertavam para o perigo de levar a Igreja Católica ao mesmo “colapso das igrejas protestantes liberais” da era moderna, acelerado pelo seu abandono dos elementos fundamentais da fé e prática cristã, em nome adaptação pastoral”.
 
 
Depois, “in extremis”, os treze eliminaram estas duas linhas da carta, que foi efetivamente colocada nas mãos do papa. Mas, hoje, rescreveriam-na literalmente, peça por peça, diante do idílio cada vez mais acentuado que está se desenvolvendo entre Francisco e os seguidores de Lutero.
 
No dia 31 de outubro, Jorge Mario Bergoglio vai voar para a Suécia, em Lund, onde será acolhido pela “bispa” local e juntos celebrarão, com a Federação Luterana Mundial, os quinhentos anos da Reforma Protestante. E, quanto mais se aproxima a data, mais o Papa expressa sua simpatia pelo grande herege.
 
Na última de suas palestras no avião, ao retornar da Armênia, voltou a tecer elogios a Lutero. Ele disse que Lutero estava animado pela melhor das intenções e que sua reforma foi “um medicamento para a Igreja”, passando por cima das diferenças dogmáticas essenciais que durante cinco séculos opõem protestantes e católicos, porque – essas são sempre suas palavras, desta vez ditas no templo luterano em Roma – “a vida é maior do que as explicações e interpretações”:
 
 
O ecumenismo de Francisco é feito assim. O primado é dado aos gestos, abraços, e qualquer ação de caridade feita em conjunto. Os contrastes de doutrina, ainda que sejam abismais, deixa-se para as discussões dos teólogos, que voluntariamente confinaria em uma “ilha deserta”, como ele gosta de dizer, nem mesmo usando tom de brincadeira.
 
A evidência até agora insuperável desta sua abordagem foi dada, em 15 de novembro passado, durante uma visita à igreja luterana de Roma: a resposta que ele deu para uma protestante que lhe perguntou se ela poderia receber a comunhão na missa, juntamente com o marido Católico.
 
A resposta de Francisco foi um redemoinho fantasmagórico de sim, não, eu não sei, você que sabe. Mas não porque o papa não sabia o que dizer. A “liquidez” de expressão foi desejada. Era a sua maneira de colocar tudo em discussão, tornando tudo uma questão de opinião e, portanto, praticável:
 
 
Com certeza, até “La Civiltà Cattolica”, a revista dos jesuítas de Roma, que agora é a porta-voz da Casa Santa Marta, chegou a confirmar que sim. Francisco queria dar a entender precisamente isto: que até mesmo os protestantes podem receber a comunhão na missa católica :
 
 
Há uma frase do Cardeal Gerhard L. Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, segundo a qual “nós católicos não temos motivo algum para comemorar 31 de outubro de 1517, ou seja, o início da Reforma que levou ao fracasso do cristianismo ocidental”.
 
Mas Papa Francisco nem lhe dá ouvidos e faz a festa, sem se importar que Müller – que era apenas um dos treze cardeais da carta memorável – a veja como um outro passo rumo à “protestantização” da Igreja Católica:
 
 
Um papa como Bergoglio, de fato, não desagradaria a um Lutero moderno. Nada mais de indulgências, nem purgatório, que há cinco séculos foram a faísca da ruptura. Ao invés, a exaltação superlativa da misericórdia divina, que lava gratuitamente os pecados de todos.
 
 
Não é dito, no entanto, que o idílio é correspondido por todos os protestantes. Na Itália, a sua linhagem histórica consiste na pequena, mas animada Igreja Valdense. E os dois teólogos mais destacados, Giorgio Tourn e Paolo Ricca – ambos da mesma geração de Bergoglio e ambos formados na escola do maior teólogo protestante do século XX, Karl Barth – são muito críticos sobre a deriva secularizante, tanto da sua igreja como da Igreja de Papa Francisco.
 
“A doença – disse Ricca em um recente debate sobre a Reforma – é que todos nós estamos voltados para o social como algo sacrossanto, mas no social esgotamos o discurso cristão e fora dali nos tornamos mudos.”
 
E Tourn: “A política do Papa Bergoglio é fazer caridade. Mas, é claro que só o testemunho do amor fraterno não conduz automaticamente a conhecer a Cristo. Não existe hoje um silêncio de Deus, mas o silêncio sobre o nosso Deus.”.
 
 
Francisco, no entanto, segue avante inabalável e pouco dias atrás chegou a nomear um teólogo protestante amigo seu, Marcelo Figueroa, como diretor da nova edição argentina do “L’Osservatore Romano”:
 
 
__________
 
 
Esta nota está em “L’Espresso” nº 30 de 2016, à venda a partir de 22 de julho, na página de opinião intitulado “Settimo cielo” confiada a Sandro Magister.
 
Aqui está o índice de todas as notas anteriores:
 
 
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Abaixo, as referências a três comentários recentes particularmente agudos em identificar as características essenciais do protestantismo luterano e seus efeitos na história.
 
A primeira é por Antonio Livi, professor emérito de filosofia do conhecimento na Pontifícia Universidade Lateranense, estudioso de renome internacional:
 
 
A segunda é de Ermanno Pavesi, secretário-geral da Federação Internacional dos Médicos Católicos:
 
 
O terceiro é do Professor Rocco Pezzimenti, diretor do departamento de economia, políticas e línguas modernas na Universidade Livre de Maria Santissima Assunta em Roma:
 
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3 agosto, 2016

Papa: ‘É horrível que as crianças aprendam que podem escolher seu gênero’.

O Globo | VATICANO – O Papa Francisco criticou escolas que ensinam liberdade de gênero em uma reunião a portas fechadas com bispos na Polônia durante sua recente viagem ao país. Uma transcrição da reunião foi divulgada hoje pelo Vaticano.

“Hoje, as escolas ensinam para as crianças – para as crianças! – que qualquer um pode escolher seu gênero”, disse o líder da igreja.

Sem especificar, o Papa culpou livros didáticos fornecidos por “pessoas e instituições que doam dinheiro”. Francisco culpa o ensino da liberdade de gênero, que chamou de “colonização ideológica” apoiada por “países muito influentes”, sem entretanto dizer quais.

“Um dos casos dessa colonização é – digo claramente com todas as letras – o gênero”, disse o papa aos bispos poloneses.

O líder da Igreja afirmou também que discutiu o assunto com o Papa Bento XVI, que renunciou ao cargo em 2013.

“Conversando com o Papa Bento, que está bem e com a mente clara, ele me disse: ‘Santidade, isso é a época do pecado contra Deus, O Criador, ele é inteligente! Deus fez o homem e a mulher, Deus fez o mundo deste jeito, deste jeito, deste jeito e nós estamos fazendo o contrário”.

A reunião ocorreu na visita de semana passada do Pontíficie ao país europeu, que recebeu a Jornada Mundial da Juventude. O evento serve para aproximar jovens católicos de todo o mundo e a Igreja.

Nesta terça-feira, visando ampliar a participação das mulheres na Igreja Católica, o Papa Francisco criou uma comissão para estudar o diaconato de mulheres, informou o boletim diário do Vaticano. O arcebispo Luis Francisco Ladaria Ferrer foi indicado para presidir o grupo, que será composto por outros seis homens e seis mulheres de instituições acadêmicas.

1 agosto, 2016

Papa no avião: não identificar o Islã com a violência.

Cidade do Vaticano (RV) – Juventude, terrorismo, Turquia, Venezuela: estes foram alguns dos temas da coletiva de imprensa que o Papa tradicionalmente concede ao final de suas viagens. De Cracóvia ao Vaticano, Francisco respondeu às perguntas dos jornalistas, recordando logo no início a morte de uma colega, italiana Anna Maria Bianchini Jacobini, que morreu em Cracóvia enquanto fazia a cobertura da viagem.

Polônia

A primeira questão foi justamente como Francisco viveu esses dias na Polônia, “invadida” desta vez pelos jovens. “O povo polonês é muito entusiasta. Esta noite, com a chuva, pelas ruas havia não somente jovens, mas também velhinhas. É uma bondade, uma nobreza. Eu tive uma experiência com poloneses quando era criança: onde trabalhava meu pai, muitos poloneses vieram depois da guerra. Eram pessoas boas e isso ficou no coração. Reencontrei esta bondade. Uma beleza…obrigado!

Jovens

Eu gosto de falar com os jovens. E gosto de ouvi-los. Sempre me colocam em dificuldade, porque dizem coisas às quais eu não pensei ou que pensei pela metade. Os jovens inquietos, os jovens criativos… Eu gosto e dali adquiro a linguagem. Muitas vezes me pergunto: “Mas o que significa isto?”. E eles me explicam. O nosso futuro é com eles, e devemos dialogar. É importante este diálogo entre passado e futuro. É por isso que destaco tanto a relação entre os jovens e os avós, e quando digo “avós” entendo os mais velhos e os nem tanto, mas eu sim… Para dar também a nossa experiência, para que sintam o passado, a história e a retomem e a levem avante com a coragem do presente, como disse esta noite. É importante. Importante! Eu não gosto quando ouço: “Mas esses jovens dizem besteiras!”. Mas também nós dizemos muitas, eh! Os jovens dizem besteiras e dizem coisas boas: como nós, como todos. Mas ouvi-los, porque devemos aprender deles e eles devem aprender conosco. É assim. E assim se faz a história e assim se cresce sem fechamentos, sem censuras.

Crise turca e silêncio do Papa

Quando tive que dizer algo de que a Turquia não gostava, mas da qual eu estava certo, eu disse, com as consequências que vocês conhecem. Não falei porque ainda não estou certo, com as informações que recebi, do que está acontecendo ali. Ouço as informações que chegam à Secretaria de Estado, e também aquelas de algum analista político importante. Estou estudando a situação com os assessores da Secretaria de Estado e a coisa ainda não está clara.

Novas denúncias contra o Cardeal Pell

As primeiras notícias que chegaram eram confusas. Eram notícias de 40 anos atrás e nem mesmo a polícia deu atenção num primeiro momento. Uma coisa confusa. Depois, todas as denúncias foram apresentadas à Justiça e neste momento estão nas mãos da Justiça. Não se deve julgar antes que a Justiça julgue. Se eu desse um juízo a favor ou contra o Cardeal Pell, não seria bom, porque julgaria antes. É verdade, existe a dúvida. E há aquele princípio claro do Direito: in dubio pro reo. Devemos aguardar a Justiça e não fazer antes um juízo midiático, porque isso não ajuda. O juízo das fofocas, e depois? Não se sabe como acabará. Estar atentos àquilo que a Justiça decidirá. Uma vez que a Justiça falar, falarei eu.

Queda

Eu estava olhando para Nossa Senhora e esqueci do degrau… Estava com o turíbulo na mão… Quando percebi que estava caindo, me deixei cair e isso me salvou. Porque se tivesse resistido, teria tido consequências. Nada. “Esto fenomeno!” [Estou beníssimo!]

Mediação vaticana na Venezuela

Dois anos atrás, tive um encontro com o presidente Maduro, muito muito positivo. Depois ele pediu uma audiência no ano passado: era um domingo, um dia depois da minha chegada de Sarajevo. Mas depois ele cancelou aquele encontro porque tinha uma otite e não podia vir. Depois disso, deixei passar um pouco de tempo e lhe escrevi uma carta. Houve contatos para um eventual encontro. Sim, com as condições que se fazem nesses casos. E se pensa neste momento – mas não estou certo e não posso garantir isso, é claro? Não estou certo de que no grupo da mediação alguém – e nem sei se o próprio governo – quer um representante da Santa Sé. Não estou certo. No grupo estão Zapatero da Espanha, Torrijos e outra pessoa, e a quarta se falava da Santa Sé. Mas isso não tenho certeza…

Assassinato de Padre Jacques Hamel e “violência islâmica”

Eu não gosto de falar de violência islâmica, porque todos os dias quando leio os jornais vejo violências aqui na Itália: quem mata a namorada, outro que mata a sogra… E estas pessoas são violentos católicos batizados, eh! São católicos violentos… Se eu falasse de violência islâmica, deveria falar também de violência católica. Nem todos os islâmicos são violentos; nem todos os católicos são violentos. É como uma salada de frutas: tem tudo dentro; há violentos dessas religiões. Uma coisa é verdade: creio que em quase todas as religiões exista sempre um pequeno grupo fundamentalista. Fundamentalista. Também nós temos isso. E quando o fundamentalismo chega a matar – mas se pode matar com a língua, e isso o diz o Apóstolo Tiago e não eu, e também com a faca – creio que não seja justo identificar o Islã com a violência. Isto não é justo e não é verdadeiro! Tive um longo diálogo com o Grande Imã da Universidade de al-Azhar e sei o que eles pensam: buscam a paz, o encontro. O Núncio de um país africano me dizia que na capital há sempre uma fila de gente – está sempre cheio! – na Porta Santa para o Jubileu: alguns se detém nos confessionários, outros rezam nos bancos. Mas a maioria vai para frente, avante, para rezar no altar de Nossa Senhora: esses são muçulmanos que querem fazer o Jubileu. São irmãos. Quando estive na Rep. Centro-Africana, estive com eles e o imã também subiu no papamóvel. Pode-se conviver bem. Mas há grupos fundamentalistas. E me pergunto também quantos jovens – quantos jovens! – que nós europeus deixamos vazios de ideais, que não têm trabalho, que usam droga, álcool ou vão lá e se alistam em grupos fundamentalistas. Sim, podemos dizer que o chamado Isis é um Estado Islâmico que se apresenta como violento, porque quando nos mostra a sua carteira de identidade nos mostra como degola os egípcios na costa líbica ou outras coisas. Mas este é um grupo fundamentalista, que se chama Isis. Mas não se pode dizer – creio que não seja verdadeiro e não seja justo – que o Islã seja terrorista.

Iniciativas concretas contra o terrorismo

O terrorismo está em todos os lugares! Pense no terrorismo tribal de alguns países africanos… O  terrorismo – não sei se dizê-lo, porque é um pouco perigoso… – cresce quando não há outra opção, quando no centro da economia mundial há o deus dinheiro e não a pessoa, o homem e a mulher. Este é o primeiro terrorismo. Expulsou as maravilhas da Criação, o homem e a mulher, e colocou ali o dinheiro. Este é terrorismo de base contra toda a humanidade. Pensemos nisso.

Panamá

Um jornalista panamense presentou o Papa com uma camisa com o número 17, sua data de nascimento, e o “sombrero” usado pelos camponeses do país, pedindo uma saudação ao povo e afirmando que os panamenses o aguardam. E o Papa respondeu: “Se eu não estiver, irá Pedro. Aos panamenses, muito obrigado. Faço votos de que se preparem bem, com a mesma força, a mesma espiritualidade e a mesma profundidade com a qual os poloneses e os habitantes de Cracóvia se prepararam.”

Ao final da coletiva, com um bolo, o Pontífice agradeceu a dois colaboradores que encerraram seu trabalho com esta viagem à Polônia: Pe. Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa, e o Sr. Mauro, que foi responsável pelas bagagens dos voos papais por 37 anos.

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