Archive for ‘Atualidades’

28 dezembro, 2018

Retrospetiva 2018 – Nº 10: Vaticano destrói outra comunidade: 90% das freiras vão embora.

Nos próximos dias, publicaremos os 10 posts mais lidos de 2018. Na décima posição, matéria de 11 de novembro de 2018:

Vaticano destrói outra comunidade: 90% das freiras vão embora.

Por Gloria.tv, 11 de novembro de 2018 | Tradução: FratresInUnum.com – 34 das 39 freiras das Pequenas Irmãs de Maria pediram para ser dispensadas de seus votos. Fundada em 1949, elas administram quatro casas de misericórdia nas dioceses de Laval e Toulouse (França). As irmãs fazem uso do Novus Ordo em latim. Em 2012, elas se voltaram para o “vetus ordo”.

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23 dezembro, 2018

Foto da semana.

O Papa Francisco visitou, na última sexta-feira, o papa emérito Bento XVI para os votos de Feliz Natal. O que você, caro leitor, acredita que Francisco deu a Bento de presente?

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22 dezembro, 2018

Coluna do Padre Élcio: Crítica da Escola Comunista.

Por Padre Élcio Murucci, 22 de dezembro de 2018 – FratresInUnum.com

Ao tratarmos de pedagogia comunista, reportamo-nos ao regime soviético. Pode parecer fora de propósito em considerando a queda da URSS e sua transformação. Houve, na verdade a chamada “PERESTROIKA” que quer dizer no nosso idioma, “REESTRUTURAÇÃO”. Entretanto, malgrado ela, os princípios de doutrinação comunista permanecem os mesmos em todos os países, apenas com alguns ziguezagues para jogar areia nos olhos dos cristãos. Aliás realizam-se em todo orbe as predições de Nossa Senhora em Fátima no mês de julho de 1917: “Se não atenderem aos meus pedidos a Rússia espalhará seus erros pelo mundo”. E quais são os erros da Rússia? É toda a ideologia comunista. Aliás o próprio Gorbachev explicou a “PERESTROIKA” com muita clareza: “o fim da Perestroika é restaurar teórica e praticamente a concepção leninista do socialismo” (Le Figaro, 01/07/88). e  disse mais: “Buscamos no Socialismo, não fora dele, a resposta a todas as perguntas que surgem… Todas as esperanças de que passaremos para o outro lado, são irrealistas e fúteis” (Extraído de seu livro “PERESTOIKA” editado pela Editora Best Seller); e no discurso feito para celebrar os 70 anos da Revolução Bolchevista, disse: “Em outubro de 1917, nos apartamos do velho mundo, rechaçando-o de uma vez por todas. Estamos nos movendo para um novo mundo, o mundo do comunismo. E nunca nos apartaremos desse caminho”.  De fato, os comunistas em sendo ateus, não têm outra direção a tomar. O comunismo é um fruto venenoso que pode mudar a casca, mas a substância será sempre a mesma.

Antônio Gramsci, que teve decisiva influência comunista na educação no Brasil, seguiu, mais ou menos, os mesmos princípios de Lenine, que, quanto à educação, se resumem nesta frase: “As ideias são mais letais que as armas” (Lenine). Gramsci, também intentou implementar a “REVOLUÇÃO CULTURAL”.  E ensinou que era necessário atacar as mentes, destruir a cultura burguesa vigente em quase todo mundo. E o grandemeio para tanto seria tomar conta da Mídia, das escolas e  universidades. E Paulo Freire, Socialista que era, andou na mesma linha,  embora um tanto mais disfarçadamente. O socialista está na mesma procissão que se dirige ao templo do “Sem Deus”. Passemos, então, à crítica da educação soviética, embora o façamos de maneira bem sucinta, mesmo porque pela simples exposição que dela já fizemos em artigos anteriores, suas bases se mostram por si mesmas, de todo inconsistentes. Historicamente é demonstrado o fracasso do comunismo tanto na economia como na educação; em sendo ateu na
essência, devemos afirmar “a priori” que nunca vai dar certo seja em que aspecto for, porque sem Deus nada pode dar certo. E, como já vimos, estas bases filosóficas da pedagogia soviética: o materialismo econômico, o ateísmo, o imoralismo de parceria com a insana pretensão da nova cultura proletária, tudo isto já se mostrou um fracasso total.  Aliás, pelos frutos se conhece a árvore, e uma árvore má não pode dar bons frutos. Assim os resultados práticos bem têm demonstrado o caráter insubsistente da pedagogia soviética.

Tristão de Ataíde (falecido em 1983) documentou o seguinte: “A mais recente reforma pedagógica soviética, que entrou em vigor em janeiro de 1936, veio reforçar uma tendência anti-libertária e disciplinadora, abandonando as fantasias introduzidas pela Revolução e voltando ao passado”. Os próprios comunistas perceberam que os resultados da ideologia comunista não eram satisfatórios. Sob este prisma, fazia-se mister, outrossim, uma reestruturação. Mas escreveu Miliero: “O exemplo russo foi terrível. Sob a capa de uma mística revolucionária, sob a máscara de um ideal, os bolchevistas aprofundaram até os extremos limites o materialismo do Velho Mundo, e em lugar de realizar a libertação dos homens, eles os encadearam mais estreitamente do que nunca”. E a árvore má continuou dando maus frutos. Pois, Ledit denunciou o seguinte: “A ‘Correspondência Internacional’ publicou a 11 de junho de 1938 um artigo ajuste de contas com quase todos os grandes diários comunistas do mundo, por sua falta de “docilidade” em seguir a linha do PRAVDA”…

Basta um resumo da doutrinação comunista para um cristão impugná-la e incontinente e totalmente a rejeitar. Eis este resumo: Os comunistas ignoram os princípios sociais do Cristianismo e a doutrina social da Igreja, e como Marx, atacam-na, como se os proletários, na doutrina da Igreja, apenas houvessem de cultivar as virtudes do desprezo de si, obediência servil, levando à pusilanimidade, esperando só no céu a recompensa dos maus tratos aqui sofridos e forçosamente impostos.

– Desconhecem, assim, que a Igreja tem uma palavra justa e severa para o opressor dos direitos dos pobres, fala em caridade social e também em justiça social, lembra a patrões e a operários seus deveres gravíssimos, e suas mútuas responsabilidades, propõe a verdadeira “racionalização cristã” da economia tão desorientada. A Igreja sempre lembrou que a prosperidade de todos e de cada um exige que a luta de classes seja substituída por uma colaboração cordial, na justiça, na caridade e na dignidade, agrupando-se os homens, não segundo a posição que eles ocupam quanto ao proveito do trabalho, mas segundo as diversas modalidades da atividade social. A seu tempo, se Deus quiser transcreveremos encíclicas papais que falam a respeito.

Para terminar não poderia deixar de citar um texto da Encíclica “Divini illius Magistri” de Pio XI: “Infelizmente com o significado óbvio das expressões, e com o mesmo fato, pretendem muitos subtrair a educação a toda a dependência da Lei divina. Por isso, em nossos dias se dá o caso, realmente bastante estranho, de educadores e filósofos que se afadigam à procura de um Código moral e universal de educação, como se não existisse nem o Decálogo, nem a Lei Evangélica, nem tão pouco a Lei natural, esculpida por Deus no coração do homem, promulgada pela reta razão, codificada com revelação positiva pelo mesmo Deus no Decálogo. E da mesma forma, costumam tais inovadores, como por desprezo, denominar “heterônoma”, “passiva”, “atrasada” a educação cristã, porque esta se funda na autoridade divina e na sua santa lei”.

E Pio XI nem está falando contra a educação comunista, mas numa educação ateísta prática que já preparava o caminho para a doutrinação ateia dos comunistas na escola.

Caríssimos, ao terminarem de ler este artigo, continuem meditando nesta frase de Humberto de Campos: “Se me perguntasse um pai, como deveria iniciar a educação de seu filho, eu lhe diria que começasse juntando-lhe as mãos pequenas todas as noites, antes de dormir, numa oração singela e cristã! Amém!

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18 dezembro, 2018

Francisco e a pena de morte — mea culpa pelos erros dos Papas passados: “consequência de uma mentalidade da época, mais legalista que cristã, que sacralizou o valor de leis desprovidas de humanidade e misericórdia”.

Noticia Andrea Tornielli, a respeito do discurso do Papa Francisco, na última segunda-feira, à Comissão Internacional Contra a Pena de Morte:

Ele defendeu a mudança do Catecismo porque qualificou essa sanção como “contrária ao Evangelho”, uma vez que, explicou, é suprimir uma vida, “sempre sagrada aos olhos do Criador” e da qual “somente Deus é o verdadeiro juiz”. Recordou que nos séculos passados considerava-se a sentença de morte como justa, especialmente quando faltavam os atuais instrumentos para proteger a sociedade.

Reconheceu que mesmo no Estado Pontifício recorreu-se a esta “forma desumana de castigo”, porque se ignorou “a primazia da misericórdia sobre a justiça”. A este respeito, ele fez uma espécie de “mea culpa” pelas “responsabilidades sobre o passado” nesta matéria e reconheceu que a aceitação pela Igreja desta forma de castigo “foi consequência de uma mentalidade da época, mais legalista que cristã, que sacralizou o valor de leis desprovidas de humanidade e misericórdia”.

Sobre a mudança de perspectiva, enfatizou: “A Igreja não poderia permanecer em uma posição neutra diante das atuais exigências de reafirmação da dignidade pessoal. A reforma do texto do Catecismo no ponto dedicado à pena de morte não implica nenhuma contradição com o ensinamento do passado, pois a Igreja sempre defendeu a dignidade da vida humana”.

E observou: “No entanto, o desenvolvimento harmonioso da doutrina impõe a necessidade de refletir no Catecismo que, sem prejuízo da gravidade do crime cometido, a Igreja ensina, à luz do Evangelho, que a pena de morte é sempre inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa”.

Trata-se de reflexões de grande profundidade, pronunciadas perante juristas de diferentes nacionalidades. Desta forma, o Papa aceitou os erros do passado na matéria, explicou sua origem e justificou sua decisão de corrigi-los. Uma visão completamente contrária à apresentada por alguns teólogos e grupos críticos dentro da Igreja (originários principalmente dos Estados Unidos), que o acusaram de ter “mudado um dogma” com sua decisão de remover o aval à pena de morte do Catecismo.

Em seu discurso desta segunda-feira, Bergoglio também questionou a validade das penas perpétuas que, indicou, afastam a possibilidade de uma redenção moral e existencial dos condenados, além de qualificá-las como “uma forma de pena de morte disfarçada”. Considerou que, se Deus sempre perdoa, então a ninguém se pode tirar a esperança de sua redenção e reconciliação com a comunidade.

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17 dezembro, 2018

China: Vaticano demite bispo fiel — e o substitui por servo do regime.

Por Gloria.tv, 15 de dezembro de 2018 | Tradução: FratresInUnum.com – O bispo de Min Dong, na China, Dom Vincent Guo Xijin, entregou sua sé ao recém regularizado bispo do regime Dom Vincenzo Zhan Silu.

O ato ocorreu em um hotel em Beijing, relatou AsiaNews.it (em 14 de dezembro). Foi o arcebispo do Vaticano, Dom Claudio Maria Celli, que incentivou Guo, em nome do Papa Francisco, a renunciar ao posto de bispo ordinário para se tornar bispo auxiliar de Zhan.

Celli disse a Guo que o Papa Francisco lhe pedia um gesto de “obediência” e de “sacrifício” [traição].

Na diocese de Min Dong, ao menos 80 mil católicos pertencem à Igreja clandestina, e menos de 10 mil frequentam a igreja oficial estatal.

Celli também pediu a renúncia do idoso bispo de Shantou, Dom Zhuang Jianjia.

14 dezembro, 2018

Vaticano e Brasil, lados opostos.

O Vaticano apoia pacto global que prevê livre acesso ao aborto.

O Vaticano declarou seu entusiasmado apoio ao Global Compact elaborado pela ONU, que transforma a livre imigração em “direito fundamental”, como não podia ser menos considerado o entusiasmo imigracionista da hierarquia moderna. O problema é que o pacto internacional prevê garantir ‘direito reprodutivos’ e livre acesso ao aborto e traz numerosos pontos da agenda LGBT. 

Parece lógico que, dada a rotineira insistência de Sua Santidade em defender a imigração massiva da África para a Europa, sem distinção entre [imigração] legal e ilegal, refugiados e imigrantes econômicos, nem restrição de número, a Santa Sé abraçará com entusiasmo o Pacto Global que a ONU apresentou e que representa a maior e mais explícita ofensiva contra o direito dos Estados de controlarem suas fronteiras. De fato, o texto repete a palavra ‘direitos’ por 112 vezes, a maioria para expressar um suposto direito humano de migrar de qualquer país para outro.

Há muitos aspectos pelo qual esse entusiástico apoio se mostra preocupando, e não só porque representa um distanciamento da postura tradicional da Igreja quanto aos direitos dos Estados. De fato, o governo do país que dentro do qual fica o Estado vaticano já expressou sua decisão de não aderir ao Pacto, representando, ao fazê-lo, uma maioria de católicos italianos. Realmente, não são poucos nem irrelevantes os países que já se pronunciaram contra o pacto, como Estados Unidos e, na própria União Europeia, Hungria e Polônia.

Mas nada disso, nem sequer o fato de que o cumprimento do Pacto prevê que se relativize a liberdade de expressão no que diz respeito à imigração, tornando passível de punição toda crítica, é o mais preocupante. Preocupa, todavia, o fato de que o confuso texto contenha referências aos ‘direitos reprodutivos’ dos imigrantes, incluindo o fácil acesso ao aborto, e a outras disposições impostas pelo ‘lobby LGBT’.

O Vaticano, como não podia deixar de ser, apresentou “reservas e comentários” sobre as partes do pacto que incluem a distribuição de preservativos e os “serviços de saúde reprodutiva e sexual”, que incluiriam o aborto. A Santa Sé assinalou que essas previsões “não representam uma linguagem de consenso na comunidade internacional, nem estão em conformidade com os princípios católicos”. Ainda assim, o Vaticano brada entusiasticamente pela adoção por parte de todos os Estados do texto elaborado pela ONU.

Estamos novamente a ponto de cair na armadilha da ‘túnica inconsútil’? Os católicos serão animados de novo a não serem “obcecados” pelas políticas da vida e família? Quando, no início de seu pontificado, Francisco surpreendeu aos fieis com essa recomendação, buscamos um meio para justificá-la. É óbvio que a Igreja compartilha, com os seguidores da Lei Natural, a defesa da família e da vida, e que nem a defeisa da vida desde a concepção à morte natural, nem a oposição ao chamado ‘matrimônio homossexual’ eram questões especificamente católicas. A missão primordial da Igreja é pregar a salvação e a mensagem de Cristo. As consequências morais desta mensagem se deduzem dela mesma.

Mas o que temos visto nos anos seguintes é que, se há assuntos alheios ao núcleo da fé com os quais se deve obcecar, são as mudanças climáticas ou a imigração massiva; assuntos, ademais, que só duvidosamente podem ser deduzidos na concretização dos princípios cristãos e que, em certo caso, supõem um distanciamento da postura tradicional.

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Brasil não assinará Pacto de Migração da ONU, afirma chanceler de Bolsonaro

Caneta – O futuro Ministro das Relações Exteriores no governo de Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo, anunciou nesta segunda-feira (10) que o Brasil não assinará o Pacto Global de Migração da ONU.

Segundo o chanceler, o pacto é “um instrumento inadequado para lidar com o problema”, dado que “a imigração não deve ser tratada como questão global, mas sim de acordo com a realidade e a soberania de cada país”.

Outros dez países se recusaram a assinar o Pacto: Áustria, Austrália, Chile, Eslováquia, Estados Unidos, Hungria, Letônia, Polônia, República Checa e República Dominicana.

Ernesto Araújo também afirmou que o governo continuará recebendo os venezuelanos, mas trabalhará para que a democracia seja restaurada naquele país.

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12 dezembro, 2018

Rezemos por Campinas.

tiroteio-campinas

Mais informações aqui.

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10 dezembro, 2018

O Papa não compreende a China.

O cardeal Joseph Zen, antigo titular da Sé de Hong Kong, profundo conhecedor das dificuldades de Igreja na China, escreveu com exclusividade ao famoso jornal The New York Times a respeito do recente acordo firmado entre o Vaticano e o Governo Chinês.  Reproduzimos a seguir a tradução na íntegra feita pelo Salve Maria.

Por Cardeal Joseph Zen-Kiun, The New York Times, 24 de outubro de 2018 | Tradução: Instituto Semper Idem – No mês passado o Vaticano anunciou ter chegado a um acordo provisório com o governo chinês a respeito da nomeação de bispos católicos.

O combativo Cardeal Zen.

O combativo Cardeal Zen.

Apoiadores do acordo dizem que ele finalmente traz união depois de longa divisão – entre a Igreja clandestina fiel ao Papa e a igreja oficial aprovada pelas autoridades chinesas – e que com isso, o governo chinês reconheceu pela primeira vez a autoridade do Papa. Na verdade, o acordo é um grande passo em direção à aniquilação da verdadeira Igreja na China.

Eu conheço a Igreja na China, eu conheço os comunistas e eu conheço a Santa Sé. Sou chinês de Xangai. Vivi muitos anos na China Continental e muitos anos em Hong Kong. Ensinei em seminários pela China – em Xangai, Xian, Pequim, Wuhan, Shenyang – entre 1989 e 1996.

O Papa Francisco, um argentino, não parece entender os comunistas. Ele é muito pastoral e vem da América do Sul, onde historicamente os governos militares e os ricos juntos oprimiram a população mais pobre. E quem aí viria para defender os pobres? Os comunistas. Talvez até alguns jesuítas, e o governo consideraria esses jesuítas como comunistas.

Francisco pode ter uma verdadeira simpatia pelos comunistas porque, para ele, os comunistas são os perseguidos. Ele não os conhece como os perseguidores nos quais se tornam, uma vez que estão no poder, como os comunistas na China.

A Santa Sé e Pequim romperam relações na década de 1950. Católicos e pessoas de outras crenças foram presos e enviados para campos de trabalho forçado. Eu voltei para a China em 1974, durante a Revolução Cultural; a situação era terrível além da imaginação. Uma nação inteira sob escravidão. Nós nos esquecemos muito facilmente destas coisas. Nós também nos esquecemos que nunca é possível ter um acordo verdadeiramente bom com um regime autoritário.

A China se abriu, sim, desde a década de 1980, mas mesmo hoje tudo ainda está sob controle do Partido Comunista Chinês. A igreja oficial na China é controlada pela, assim chamada, associação patriótica e pela conferência episcopal, ambos sob jugo do partido.

De 1985 a 2002 o Cardeal Jozef Tomko foi o prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que inspeciona o trabalho missionário da Igreja. Ele era eslovaco, alguém que entendia o comunismo, e era sensato.

A posição do Cardeal Tomko era de que a Igreja clandestina era a única Igreja fiel na China e que a igreja oficial era ilegítima. Mas ele também entendia que havia muitas pessoas boas na igreja oficial. Como o bispo de Xian, que por algum tempo foi o vice-presidente da conferência episcopal. Ou como o bispo de Xangai, Jin Luxian, um jesuíta e linguista brilhante, que foi preso na década de 1950.

Naquela época a Santa Sé tinha uma política cautelosa que foi generosamente implementada. Era passível de um compromisso razoável, mas tinha um ponto principal.

As coisas mudaram em 2002, quando o Cardeal Tomko chegou à idade de se aposentar. Um jovem italiano sem qualquer experiência no exterior o substituiu e começou a legitimar os bispos oficiais chineses de forma muito rápida e facilmente, criando a impressão de que agora o Vaticano iria automaticamente assegurar as escolhas de Pequim.

As esperanças retornaram quando Joseph Ratzinger, um alemão que viveu sob o nazismo e o comunismo, se tornou o Papa Bento XVI. Ele trouxe o Cardeal Ivan Dias, um indiano que viveu certo tempo no oeste da África e na Coréia do Sul, para a direção da congregação para a evangelização e isto internacionalizou o Vaticano. Foi criada uma comissão especial para a Igreja na China. Eu fui nomeado para esta comissão.

Infelizmente, o Cardeal Dias acreditava na Ostpolitik e nos ensinamentos de um secretário de estado da década de 1980 que havia sido um defensor da détente para com os governos controlados pelos soviéticos. E ele aplicou esta política para com a China.

Quando Bento XVI dirigiu sua famosa carta para a Igreja da China em 2007, pedindo pela reconciliação entre os católicos chineses, uma coisa incrível aconteceu. A tradução chinesa foi lançada com erros, incluindo um tão importante que não poderia ter sido deliberado. Em uma passagem delicada sobre como os padres clandestinos deveriam aceitar o reconhecimento das autoridades chinesas sem necessariamente trair a fé, uma ressalva crítica foi deixada de fora sobre como “quase sempre”, entretanto, as autoridades chinesas impuseram exigências “contrárias aos ditames” da consciência dos católicos.

Alguns de nós levantaram a questão e o texto foi eventualmente corrigido no site do Vaticano. Mas até então o erro original já circulava amplamente pela China e alguns bispos, então, compreenderam a carta do Papa como um encorajamento para se unirem à igreja sancionada pelo estado.

Hoje nós temos o Papa Francisco. Naturalmente otimista a respeito do comunismo, ele está sendo encorajado a ser otimista em relação aos comunistas na China por cínicos ao seu redor que conhecem melhor a situação.

A comissão para a Igreja na China não mais convém, mesmo ainda que ela nunca tenha sido dissolvida. Aqueles de nós que vieram da periferia, das linhas de frente, estão sendo marginalizados.

Eu estava entre aqueles que aplaudiram a decisão do Papa Francisco de apontar Pietro Parolin como secretário de estado em 2013. Mas hoje eu penso que o Cardeal Parolin se importa menos com a Igreja do que com o sucesso diplomático. Seu objetivo final é a restauração das relações formais entre Pequim e o Vaticano.

Francisco deseja ir à China – todos os Papas desejaram ir até a China, a começar por João Paulo II. Mas o que a visita de Francisco a Cuba em 2015 trouxe à Igreja? Ao povo cubano? Praticamente nada. Ele converteu os irmãos Castro?

Os fiéis na China estão sofrendo e estão agora entrando em crescente pressão. Mais cedo neste ano o governo endureceu as regulamentações sobre a prática da religião. Os padres clandestinos na China Continental me dizem que estão desencorajando os paroquianos a irem às Missas para que não sejam presos.

Francisco mesmo disse que ainda que o recente acordo – cujos termos não foram divulgados – preveja um “diálogo sobre eventuais candidatos”, é o Papa quem “aponta” os bispos. Mas qual o bem em se ter a última palavra enquanto a China terá todas as palavras antes disso? Na teoria, o Papa poderia vetar a nomeação de qualquer bispo que possa parecer indigno. Mas quantas vezes ele poderá fazer isso realmente?

Pouco depois de o acordo ter sido anunciado, dois bispos chineses da igreja oficial foram enviados à Cidade do Vaticano para o sínodo, uma reunião regular de bispos de todo o mundo. Quem os escolheu? Ambos os homens são conhecidos por serem próximos do governo chinês. Como tenho dito, sua presença no sínodo foi uma ofensa aos bons bispos da China.

Sua presença também levanta a dolorosa questão de se o Vaticano irá agora regularizar os sete bispos oficiais que permanecem ilegítimos. O Papa já levantou sua excomunhão, pavimentando o caminho para que dioceses sejam formalmente garantidas a eles.

A igreja oficial tem cerca de 70 bispos; a Igreja clandestina tem apenas cerca de 30. As autoridades chinesas dizem: vocês reconhecem os nossos 7 e nós iremos reconhecer os seus 30. Isto parece uma boa troca. Mas será se os 30 bispos serão autorizados a atuar como bispos clandestinos? Certamente não.

Eles serão obrigados a ingressar na assim chamada conferência episcopal. Eles serão forçados a se juntar aos outros nessa gaiola e se tornarão uma minoria entre eles. O acordo do Vaticano, em nome da unificação da Igreja na China, significa a aniquilação da verdadeira Igreja na China.

Se eu fosse um cartunista, desenharia o Santo Padre de joelhos oferecendo as chaves do Reino dos Céus ao presidente Xi Jinping e dizendo “Por favor, reconheça-me como Papa”.

E ainda, aos padres e bispos da Igreja clandestina, eu posso apenas dizer isto: Por favor, não iniciem uma revolução. Eles tomam as suas igrejas? Você não podem mais exercer suas funções? Vão para casa e rezem com a sua família. Preparem o solo. Esperem por tempos melhores. Retornem às catacumbas. O comunismo não é eterno.

7 dezembro, 2018

Obras Católicas – nova campanha de digitalização.

Nossos amigos do site Obras Católicas informam:

Lançamos a nova campanha de digitalização onde vamos digitalizar todos os 60 cadernos da Coleção Vozes em Defesa da Fé, uma iniciativa feita pelo Frei Boaventura Kloppenburg que visava combater o indiferentismo e sincretismo religioso.

obrascatolicas

Quem quiser colaborar poderá ver os planos de recompensa que oferecemos nesse link: http://obrascatolicas.com/site/index.php/produto/campanha-de-digitalizacao-2018/

4 dezembro, 2018

Francisco homofóbico?

Por FratresInUnum.com, 4 de dezembro de 2018 – Não parece estranho que, de repente, o Papa Francisco dispare contra os padres e seminaristas gays? A declaração foi feita no livro entrevista que o pontífice concedeu ao padre espanhol Fernando Prado, “O poder da vocação”, em que aborda os desafios de ser padre e religioso nos dias atuais.

Quinta-feira Santa de 2015: Papa Francisco lava pés de transexual.

Segundo Francisco, homens com tendências homossexuais não deveriam ser admitidos ao sacerdócio e os padres que praticam a homossexualidade deveriam abandonar o sacerdócio e a vida consagrada, pois não há espaço para a homossexualidade na vida de sacerdotes e religiosos.

A afirmação é a mais enfática do papa argentino a respeito e não deixa de causar impressão, sobretudo diante do respaldo que ele mesmo dá a clérigos que defendem abertamente a homossexualidade, como o jesuíta Padre Martin, que, apesar de inúmeros protestos e pedidos de cancelamento por parte de Católicos, fez uma conferência a respeito no Encontro Mundial das Famílias na Irlanda, ou o Mons. Vicenzo Paglia, presidente da Pontifícia Academia para a Vida, que encomendou para a sua catedral blasfemos afrescos homoeróticos, nos quais ele mesmo aparece representando.

Quando perguntado sobre o escandaloso caso de homossexualidade de Mons. Ricca, Francisco não hesitou em dar aquela famosa e chocante resposta: “Se uma pessoa é gay e procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para a julgar?”. Não é estranha essa mudança repentina?

Não, não é estranha. E isso nós explicamos num editorial publicado há algumas semanas: “A dialética de Francisco”.

Em plena crise americana, Francisco aproveita a onde de protestos contra o clero homossexual para emplacar a onda de ataque ao celibato sacerdotal e favorecer o lobby pela ordenação dos homens casados, enquanto alivia a onda de críticas contra ele. Notem que, ontem mesmo, a presidência da CNBB esteve em reunião privada com Bergoglio, tendo como um dos temas de pauta o Sínodo da Amazônia, em que querem implantar a ordenação dos viri probati.

Seu stop a homossexuais no clero é tão verídico quanto são suas declarações de que o problema da crise de abusos sexuais é culpa do clericalismo, enquanto bons católicos apontam, justamente, a disseminação do homossexualismo como causa principal do problema. Sua tolerância zero para com criminosos sexuais não dura até um veto escandaloso de Roma à iniciativa da Assembleia dos Bispos Americanos, encerrada há poucas semanas, de implementar normas claras contra os pederastas. A Santa Sé interveio, dizendo que os bispos deveriam esperar o Sínodo que tratará do assunto no ano que vem. Quem Francisco coloca para encabeçar o Sínodo entre os americanos? O Cardeal Cupich, de Chicago, conhecidíssimo por sua postura pró-gay e rechaçado pelos bispos americanos em sua última eleição para a presidência da Conferência Episcopal.

A ideia de que a ordenação de homens casados é a melhor estratégia para combater a homossexualidade no clero é um dos refrões empregados pelo Cardeal Hummes desde há tempos, uma ideia fixa. Nas reuniões privativas das Assembleias dos Bispos dos últimos anos, Dom Cláudio nunca deixou de inculcar a importância da ordenação dos homens casados.

Não importa qual dos termos da contradição devem ser salientados. Ora à direita, ora à esquerda, tudo coopera apenas para o avanço da demolição do catolicismo tradicional. No caso presente, Francisco dá a impressão de ser moralmente correto, mas, na prática, “cria dificuldades para vender facilidades”, apresenta o problema com a resposta devidamente pré-fabricada.

Vale ressaltar que a Congregação para a Educação Católica deu orientações muito claras acerca dos critérios para a não admissão de homossexuais ao sacerdócio. A Instrução foi ostensivamente ignorada pelos bispos, os quais, sempre alegando que a sexualidade de cada pessoa é um mistério absolutamente insondável e abscôndito, ordenaram plêiades de homossexuais para o sacerdócio, tomando o clero católico de cima a baixo.

A mentalidade dialética adota a incoerência como forma mentis, o que significa que ninguém levará à sério a declaração “rigorista” de Francisco – e ele sabe disso –, aliás, como não levaram a sério a mencionada Instrução,  utilizar-se-ão dela apenas como recurso para avançar com a destruição do celibato e, por fim, não terão incoerência alguma em autorizar não apenas a ordenação de homossexuais, mas inclusive o matrimônio entre os mesmos.

Francisco não é homofóbico, é catolicofóbico!

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