Archive for ‘Campos’

13 abril, 2009

Curtas da semana.

Missa Tridentina em Niterói.

A Forma Extraordinária do Rito Romano passará a ser celebrada na Igreja dos Sagrados Corações em Vila Pereira Carneiro – próximo ao Mercado de Peixes de Niterói, às 10h da manhã de domingo. Esta mudança vigorará a partir do domingo depois da Páscoa.

Cardeal Levada sobre a Fraternidade São Pio X: “diferenças potencialmente insuperáveis”.

Cardeal Levada“[…] O chefe doutrinal do Vaticano, Cardeal Levada, disse a TIME, que diferenças importantes e potencialmente insuperáveis, separam todavia o Vaticano e o grupo conhecido como Sociedade de São Pio X”. Secretum Meum Mihi lembra que enquanto arcebispo de São Francisco, o Cardeal Levada não considerou potencialmente insuperável a situação de padres da Associação Católica Patriótica  (a “igreja” estatal cismática da China) ao conceder-lhes faculdades para atuar em sua arquidiocese. Com o anúncio de que a comissão Ecclesia Dei será incorporada à Congregação para a Doutrina da Fé visando as discussões doutrinais consideradas necessárias tanto pela Fraternidade como pela Santa Sé, fica patente a necessidade de se substituir este Cardeal que desde sua nomeação é considerado um ‘Prefeito tampão’ enquanto não se encontra pessoa competente para tal.

A volta ao mundo com Padre Marcial Maciel.

Padre Marcial Maciel

De Sector Catolico: “Esta é a última imagem de Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo e do movimento de leigos Regnum Christi, que ontem mesmo dava a volta ao mundo. Foi tomada de AP e publicada na Espanha pelo diário El País, em sua edição dominical. Nela vemos Padre Maciel com chapéu panamenho. A fotografia teria sido tirada no México em data indeterminada e nela a batina dá lugar à camisa de listras azul e branca e a uma moderna jaqueta bege”.

Ovos de páscoa e paramentos.

Vaticano. (kreuz.net) O Papa Bento XVI enviou quinhentos ovos de chocolate para a região do terremoto na cidade de L’Aquila. Guardas do Vaticano levaram o presente para a paróquia San Francesco a Pettino de L’Aquila. Além disso, o Papa doou uma quantia de dinheiro considerável, bem como paramentos litúrgicos, cálices e patenas para as comunidades que perderam seus objetos litúrgicos.

Pe. Basilio Méramo expulso da Fraternidade São Pio X.

Radio Cristiandad informa que Mons. Bernard Fellay assinou a expulsão do Pe. Basilio Méramo da Fraternidade São Pio X. Tal expulsão já teria sido comunicada ao superior do distrito do México, Pe. Mario Trejo. Pe. Méramo ficou conhecido por sua postura crítica com relação ao Motu Proprio Summorum Pontificum e hoje faz coro com alguns poucos sacerdotes da Fraternidade que, pela internet (mas  nunca neste blog), de maneira absolutamente subversiva desafiam seus legítimos superiores e difundem seus manifestos contra uma suposta traição à obra de Mons. Lefebvre. Inelutavelmente farão coro, logo logo, com os sedevacantistas.

A Fraternidade Sacerdotal de São Pio X continua rezando pela conversão dos judeus.

Padre Franz Schmidberger e o PapaEm contraposição ao slogan do Comitê Central dos Católicos na Alemanha: “Não à catequese aos judeus, sim ao diálogo entre judeus e cristãos”, Padre Franz Schmidberger, Superior Distrital da FSSPX na Alemanha, anunciou que os padres da Fraternidade Sacerdotal São Pio X continuariam fazendo as orações de intercessão próprias da liturgia de Sexta-Feira Santa, incluindo as preces pelo povo judeu. Segundo o religioso, essas orações pertencem à Tradição imemorial da Igreja. Em sua redação atual elas remontariam à segunda metade do século IV. Pe. Schmidberger acrescentou que a Fraternidade gostaria de enfatizar que essas orações não querem provocar muito menos de alguma maneira ferir os sentimentos religiosos dos não católicos. “A oração pelos judeus faz parte de uma longa intercessão, em cuja primeira parte a Igreja reza por si mesma, por todos os seus membros, e também por pessoas de outras religiões”.Segundo, Pe. Schmidberger, “justamente para o povo judeu, o passo de Fé para Jesus de Nazaré pode ser mais fácil, uma vez que esse Messias é ele próprio judeu e descendente do povo judeu, nas palavras de São Paulo”. Ao final de sua declaração, Pe. Schmidberger faz uma reflexão sobre as 15 benções do le Schabbat, nas quais os judeus dizem: “Senhor, eu vos agradeço por ser judeu e não um pagão. Eu vos agradeço por ser um homem e não uma mulher”. “Quem quis ler a partir daí uma depreciação dos não judeus – os assim chamados Goyim?” “Quem quis enxergar uma discriminação das mulheres nessas palavras?”, indaga o religioso.

Nova cruzada de Rosários?

Circulam boatos de que uma nova cruzada de rosários a ser iniciada pela Fraternidade São Pio X terá como intenções a Consagração da Rússia e o aumento da devoção ao Imaculado Coração de Maria.

Eles não cansam.

A Folha de São Paulo publicou uma notícia acusando a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney de anti-semitismo. Motivo? Encontraram a antiga oração para os judeus em um livreto sobre a Liturgia da Semana Santa utilizado atualmente pela Administração. Só esqueceram de notar que a edição é de 2005, anterior, portanto, à mudança efetuada pelo Papa Bento XVI em 4 de fevereiro de 2008. [Errata – 13 de abril de 2009, às 17:40: Nosso leitor Augusto Romulo informa que sim, a Folha de São Paulo sabia que o livro era anterior à nova oração em vigor a partir de 2008].

Tensão Obama-Vaticano.

Impasse sobre a nomeação do novo embaixador americano na Santa Sé. A substituir Mary Ann Glendon, nomeada por G.W. Bush e muito próxima às posições do Papa Bento XVI, Barack Obama pretende nomear algum companheiro democrata que o apoiou em sua campanha. A Santa Sé exige um democrata católico que não seja “pro choice”. Sonhar não custa nada.

Fernando Lugo, bispo, pai e presidente.

O antigo bispo de San Pedro, Paraguai, que abandonou seu ministério e hoje é o atual presidente daquele país, foi processado no último dia 8 acusado de ter tido um filho enquanto ainda era bispo. [Atualização, 13 de abril de 2009 às 16:01: Fernando Lugo assumiu a paternidade]

4 abril, 2009

O levantamento da excomunhão dos bispos da FSSPX, julgamento. Por Padre Paul Aulagnier.

La Revue Item – Traduzido por Marcelo de Souza e Silva

Da esquerda para direita: Pe. Schmidberger, Dom Fellay e Pe. Aulagnier, por ocasião da peregrinação da FSSPX a Roma em 2000.O levantamento da excomunhão dos bispos da FSSPX estando hoje realizado, é fácil, é verdade, dizer que tal levantamento de excomunhão era amplamente previsível. A excomunhão não tinha mais lugar. O momento de tal levantamento era o que até então permanecia na incerteza. Ele era necessário para o bem da Igreja. Era necessário primeiramente para o bem da FSSPX, que não podia, sem perigo para si, manter-se fechada sobre si como um movimento autocéfalo, autônomo, separado indefinidamente da estrutura hierárquica da Igreja. Mas para a Igreja também o privar-se do apostolado de mais de 500 sacerdotes, frades e religiosas em um período de tão grande penúria sacerdotal e religiosa não seria sensato. O levantamento era também inevitável. A eleição de Bento XVI o tornara com efeito cada dia mais e mais provável, previsível.

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17 janeiro, 2009

O Leão de Campos (IV): “Exulta de alegria o pai do justo; alegrem-se o teu pai e a tua mãe”.

Exulta de alegria o pai do justo; alegrem-se o teu pai e a tua mãe, e exulte a que te gerou. Como são amáveis os vossos tabernáculos, ó Senhor dos exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor.

Intróito da Missa da Sagrada Família – Prov. XXIII, 24 e 25; Salmo LXXXIII, 2 e 3.

A

ntonio de Castro Mayer nasceu em Campinas, no estado de São Paulo, no Brasil, em 20 de junho de 1904. Seu pai, João Mayer, nasceu na católica região da Bavária, sul da Alemanha. Pedreiro profissional (embora certamente não um Pedreiro no sentido diabólico da palavra), emigrou quando jovem a procura de trabalho. Sua sorte não aumentou grandemente em sua chegada ao Brasil e a vida permaneceu dura. Se ele não encontrou grande oportunidade ou grande riqueza, encontrou uma excelente companheira numa devota e amável esposa, uma simples Católica brasileira, Francisca de Castro. O casal durante sua vida matrimonial nunca conheceu nada além da pobreza, mas Deus abençoou sua casa com doze filhos. Quando Antonio tinha apenas seis anos de idade seu pai faleceu. A família encontrou-se lutando ainda mais para sobreviver, pois João não deixou nenhuma herança para sua família. No fim de seus dias, seu filho Antonio diria sempre que seu pai, sim, deixou-lhe uma herança, uma grande herança – a Fé Católica.

Os muitos filhos trabalhavam duro para ajudar sua mãe e manter a família unida. O jovem moço encontrou em seus ombros responsabilidades e deveres que poderiam, em circunstâncias ordinárias, estar além das capacidades de um garoto, mas pela fidelidade de sua mãe, ajuda de seus irmãos e irmãs, e graça de Deus, ele amadureceu rapidamente e a família sobreviveu. Talvez como recompensa à sua humilde submissão em sacrificar sua juventude e assumir as obrigações de um adulto em tão tenra idade, Deus o abençoou com alma de criança que não envelhece, a qual conservou até o dia de sua morte. Aqueles que são velhos em sua juventude freqüentemente mantêm a simplicidade da inocência em sua velhice. Tal era o caso de Antonio de Castro Mayer. A humildade, abertura e pureza da infância permaneceram com ele durante seus oitenta e seis anos na terra.

A devoção ensinada às crianças pelo pai antes de sua morte e por sua mãe até mesmo em sua viuvez tornou-se evidente nas três vocações entre os doze irmãos. Duas das filhas desse casal fiel tornaram-se freiras, uma Dominicana, outra Concepcionista. Aos doze anos, Antonio ingressou no seminário menor da Arquidiocese de São Paulo, localizado em Bom Jesus de Pirapora, na época sob direção dos Padres Premonstrantenses. Transferiu-se para o seminário maior de São Paulo em 1922. Desde o início, distinguia-se por seu intelecto apurado. Por conta desse dom especial, dom combinado com intensa dedicação e incansável capacidade de trabalhar, foi mandado a Roma para estudar na Universidade Gregoriana. Em 30 de outubro de 1927 foi ordenado ao sacerdócio pelo Cardeal Basilio Pompilij, Vigário Geral para Sua Santidade, o Papa Pio XI. Em 1928 foi-lhe outorgado o título de doutor em Teologia da mesma universidade e retornou ao Brasil para iniciar uma carreira de ensino no Seminário de São Paulo. Pelos próximos treze anos ele ensinaria, primeiro Filosofia e História da Filosofia, e depois Teologia Dogmática.

Em 1940, Dom José Gaspar d’Afonseca e Silva, arcebispo de São Paulo, o nomeou Assistente Geral para a Ação Católica na arquidiocese, na época em período de reorganização. Em 1941 ele foi nomeado Cônego da Catedral Metropolitana da Sé de São Paulo com o título de Primeiro Tesoureiro. No ano seguinte tornou-se Vigário Geral da Arquidiocese de São Paulo.

Vinte anos após entrar no seminário menor aos doze anos, vinte anos após sair de uma difícil vida de pobreza, simplicidade e humilde devoção, Padre Antonio de Castro Mayer assumiu a posição de Vigário Geral de uma das mais importantes Arquidioceses do Brasil. Sua ascensão foi meteórica, seu caminho livre para honras ainda maiores.

Sagração episcopal de Dom Antonio de Castro Mayer.O que ocorreu depois permanece aberto a interpretações. Em 1945, Antonio de Castro Mayer foi transferido para a paróquia de São José de Belém e iniciou a missão de inspecionar o currículo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Permaneceu nesse posto até 6 de março de 1948, quando Sua Santidade, o Papa Pio XII, o nomeou bispo titular de Priene e Coadjuntor com direito de sucessão ao bispo de Campos. Muitos vêem isso como simplesmente uma progressão natural de nomeações, a carreira seguindo os arranjos comuns de mudanças de uma indicação para outra, o padre sempre se distinguindo em qualquer trabalho vindo a suas mãos. Há outra interpretação, contudo. Alguns vêem na mudança de Vigário Geral da importante diocese de São Paulo para as menores e menos proeminentes posições na paróquia e universidade uma repentina ruptura na constante linha ascendente de sucesso e promoção que caracteriza o início de carreira. Poderia mesmo a seleção como Bispo designado de Campos, uma pobre e não particularmente poderosa diocese, ser vista como uma significante mudança no progresso para cima dessa carreira eclesiástica? Antonio de Castro Mayer pode já num estágio relativamente cedo da carreira ter se tornado uma fonte de preocupação para certos eclesiásticos, que podem ter tentado desviar a correnteza de sucesso, para remover algo da influência e enviá-lo para lugares mais nebulosos, onde sua voz não teria tal presença ou altura para muitos ouvintes.

(The Mouth of the Lion, Dr. David Allen White. Angelus Press, 1993 – Pág. 37-39)

22 dezembro, 2008

O Leão de Campos (III): Dom Antonio e a CNBB.

 

A

dissecação de Dom Antonio de Castro Mayer ao movimento “cursillo” [Ndt: Cursilho em espanhol, em referência ao movimento Cursilhos da Cristandade, sobre o qual Dom Antonio escreveu uma Carta Pastoral em 1972] parecia ser aos outros bispos ainda uma nova afronta. Eles, é claro, não respondiam, não debatiam, não argumentavam. Adicionavam isso à sua lista de reclamações contra o Bispo de Campos e esperavam seu momento de atacar.

Esse momento chegou com um ataque ao Syllabus de Erros do Papa Pio IX. Essa vasta lista de heresias modernistas e erros de pensamento por anos gerou uma animosidade demoníaca por parte dos reformadores da Igreja, pois esse Papa, junto do Papa São Pio X em sua encíclica Pascendi, catalogou e documentou todos os pensamentos corrompidos e intenções destrutivas daqueles mesmos reformadores. Eles ressentiam tal exposição concisa e reluzente. Um jovem padre brasileiro modernista atacou abertamente o Syllabus por escrito e Dom Antonio, o cavaleiro da ortodoxia, levantou-se em sua defesa. Publicou uma resposta na qual demolia os argumentos do padre, explicava seus erros e expunha suas falhas intelectuais. Dom Antonio revelou a completa fraqueza do pensamento do jovem clérigo, mas este jovem padre tinha amigos poderosos em altas posições. No encontro seguinte da CNBB, um bispo levantou-se na assembléia e começou a publicamente atacar Dom Antonio, algo que muitos desejaram fazer no passado, mas que ninguém antes teve, na realidade, coragem. Isso foi uma violação do companheirismo oco que comumente reinava em tais encontros de bispos, assim como um claro ataque à noção modernista de colegialidade. A declamação aumentou em força e o bispo chegou mesmo ao ponto de demandar desculpas públicas de Dom Antonio de Castro Mayer. Dom Antonio permaneceu calado. Os outros bispos sentiram o cheiro do primeiro sangue que fora derramado. O ranger de dentes e as mordidas agora começaram de fato. Aqui finalmente estava a oportunidade de cravar os dentes na pele deste estrepitoso colega. Dom Antonio nada disse; manteve sua compostura ante seus acusadores e esperou pelo fim do ataque. Quando acabou, levantou-se, e sem expressar uma palavra, deixou a assembléia.

Nem apareceu no encontro seguinte programado. Sua ausência agora pesava em seus irmãos bispos tão severamente quanto sua presença no passado. De maneira curiosa, eles precisavam dele lá, pois sem ele já não tinham mais um foco para sua raiva. Entenderam sua partida como uma reprovação, e estavam certos. Outro bispo, de tipo gentil, amigável, agüado, procurou aliviar a tensão e fez uma visita ao Bispo de Campos. Ele implorou a Dom Antonio, dizendo: “Você deve voltar”. Dom Antonio respondeu: “Por quê? Minha posição é a expressa doutrina da Igreja Católica. Devo defender a doutrina da Igreja diante de meus irmãos bispos?”.

(The Mouth of the Lion – Bishop Antonio de Castro Mayer and the last Catholic diocese, Dr. David Allen White – Angelus Press, 1993)

 

12 dezembro, 2008

O Leão de Campos (II): A sabedoria não nos preserva do sofrimento.

A

sabedoria não nos preserva do sofrimento. Não podemos imaginar a dor sofrida por este homem que viu com tão extraordinária profundidade a Paixão do Corpo Místico em nossos tempos. A Igreja, em imitação a Cristo, foi condenada por si mesma, entregue aos incrédulos, forçada agora a sofrer uma agonia não imaginada em qualquer outra época. Esse bispo permaneceu um discípulo fiel. Seus olhos assistiram a agonia com resoluta clareza por detrás daquelas sólidas estruturas. Aqueles olhos nunca iriam pestanejar enquanto ele seguia o caminho com o condenado Corpo Místico, testemunhando a miséria, compartilhando o tormento. Tal alma seria, é claro, devota de Maria, Mãe de Deus. Tal alma também a imitaria em sofrer as dores de um coração transpassado.

Na primavera de 1969, a espada feriu desde Roma. O Papa Paulo VI decretou que uma nova Missa seria instituída. Isso não era apenas um escândalo; o prefácio à descrição do novus ordo missae dava uma nova definição do Santo Sacrifício da Missa que beirava um impensável desvio à heresia.O Imenso Sacrifício da Missa tornara-se uma simples ceia. A mudança na natureza do sacramento pode ser entendida rapidamente ao simples contar o número de referências a “sacrifício” no rito Tridentino e compará-lo ao número de referências na nova Missa. Isso não era só novo; era o esmagamento do antigo ritual do sacrifício e a substituição por uma nova visão.

Dom Castro Mayer não falou uma só palavra, mas chamou seu carro e um motorista, ciente de que não estava em condições de dirigir. Pediu que fosse levado à cidade de Varre Sai, no extremo norte da diocese, onde seu seminário se localizava. Depois da jornada de muitas horas em angustiante silêncio, entrou no seminário, a carta ainda em mãos, e, aparentando palidez, tenso e chocado, a entregou ao Padre José Possidente, diretor do seminário. E então falou pela primeira vez desde que abriu e leu a carta, “Não é possível, não é possível; Eu não vou aceitar isso”, e lágrimas marejavam aqueles olhos brilhantes e escapavam abaixo a face pálida pelo choque. Uma grande tristeza tomou conta do bispo e, em algum canto de sua alma, aquela dor, uma dor sentida por todos os fiéis que conheciam e amavam a Missa, nunca passou. Este jugo não era suave; este fardo não era leve.

Dom Antonio de Castro Mayer não era, entretanto, um homem de sua época. Ele era antes e acima de tudo um homem de Deus; não era um resmungão, um molenga ou um derrotista. Mesmo esse vendaval não mudaria seu senso do dever. Fora-lhe dada uma tarefa a ser cumprida e ele continuaria a desempenhá-la. A situação agora, de certo modo, se esclarecia. Os modernistas então chegaram a essa extensão em seu furor de demolição, seu carnaval de liberdade, sua orgia de sacrilégio. Os pastores estavam a serviço dos lobos e o rebanho estava cercado. Logo os cadáveres ensangüentados se espalhariam pela paisagem sob um céu vazio desprovido de luz. Dom Castro Mayer não iria consentir a esta selvageria. Ele tinha seu próprio rebanho para guardar. Ele deveria fazer uma sólida guarda e preservar agora não apenas a Fé em sua diocese, mas, Deus o ajude, também a Missa. Armou-se com as armas de um bispo, mitra, báculo e anel,  sinais de autoridade dados a ele em sua sagração, e tomou a caneta. Esgotado e entristecido, combateu.

(The Mouth of the Lion: Bishop Antonio de Castro Mayer and the last Catholic Diocese. Dr. David Allen White, Angelus Press, 1993)

4 dezembro, 2008

O Leão de Campos (I): A participação dos fiéis na Missa.

Iniciamos uma nova série de posts que apresentará excertos de alguns dos mais importantes documentos de Dom Antônio de Castro Mayer, saudoso e heróico bispo de Campos. Parte dos textos aqui publicados serão traduções de outros idiomas: lamentavelmente, hoje é mais fácil encontrar textos de Dom Antônio em Francês ou Inglês que encontrá-los no Brasil. De maneira irônica, em nosso país tem-se maior conhecimento dos escritos de Mons. Lefebvre que os de Dom Antônio.

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Há, de fato, em nossos dias, alguns que, avizinhando-se de erros já condenados, ensinam no Novo Testamento se conhece apenas um sacerdócio pertencente a todos os batizados, e que o preceito dado por Jesus aos apóstolos na última ceia – fazer o que ele havia feito – se refere diretamente a toda a Igreja dos cristãos e só depois é que foi introduzido o sacerdócio hierárquico. Sustentam, por isso, que só o povo goza de verdadeiro poder sacerdotal, enquanto o sacerdote age unicamente por ofício a ele confiado pela comunidade […]. Recordemos apenas que o sacerdote faz as vezes do povo porque representa a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo enquanto é Cabeça de todos os membros e se oferece a si mesmo por eles: por isso vai ao altar como ministro de Cristo, inferior a Ele, mas superior ao povo. O povo, ao invés, não representando por nenhum motivo a pessoa do divino Redentor, nem sendo mediador entre si próprio e Deus, não pode de nenhum modo gozar dos poderes sacerdotais. Tudo isso consta da fé verdadeira.

(Pio XII, Mediator Dei)

Proposição Falsa: Os fiéis concelebram com o Padre o Santo Sacrifício da Missa.
Proposição Verdadeira: Os fiéis participam no Santo Sacrifício da Missa.

As duas proposições necessitam de uma pequena explicação. Nunca se pode dizer que os fiéis “concelebram” com o padre, pois na Igreja a expressão “concelebrar” refere-se a Missas com vários celebrantes. Eles todos ativamente coincidem em oferecer o sacrifício e em efetuar a transubstanciação. Um exemplo disso é encontrado na Missa de ordenação sacerdotal, na qual os novos padres concelebram com o bispo.  Da mesma forma, a proposição na qual é dita que os fiéis participam no Sacrifício da Missa requer uma explicação. Muitos entendem que isso signifique que os fiéis “concelebram” o sacrifício… Outros entendem que significa que o padre não é além de um mandatário ou delegado do povo, e seus atos sacerdotais não tem valor exceto enquanto ele representa o povo. Não é nesse sentido que a proposição deve ser entendida, de acordo com o ensinamento de Mediator Dei. De fato, o padre não é delegado do povo, pois ele é escolhido por vocação divina e engendrado pelo sacramento das santas ordens. Isso não significa que o padre, em certo sentido, não represente o povo. Ele o representa  enquanto representa Jesus Cristo, cabeça do Corpo Místico, do qual os fiéis são membros, e quando o padre oferece o sacrifício no altar, ele o faz em nome de Cristo, Sumo Sacerdote, que oferece em nome de todos os membros de Seu Corpo Místico. Portanto, em certo sentido, o sacrifício é oferecido em nome do povo. É por isso [que os fiéis] devem participar no sacrifício. De que forma devem eles participar? Mediator Dei nos diz: “Une os seus votos de louvor, de impetração, de expiação e a sua ação de graças à intenção do sacerdote, aliás do próprio sumo pontífice, a fim de que sejam apresentados a Deus Pai na própria oblação da vítima, embora com o rito externo do sacerdote.” [Mediator Dei, 93]

Assim existe um significado definitivo à expressão “participar”, que pode ser usada se toma-se cuidado de excluir qualquer outro significado menos exato.

Dom Antonio de Castro Mayer, Carta Pastoral sobre os Problemas do Apostolado Moderno, 1953.

15 setembro, 2008

Administração Apostólica encarregada pela Missa no Mosteiro de São Bento em São Paulo

Informação não oficial: a Administração Apostólica São João Maria Vianney, a partir de outubro, ficará encarregada pela celebração da Santa Missa Tradicional (Missal de 1962) no Mosteiro de São Bento, em São Paulo; celebração que ocorre desde a entrada em vigor do Motu Proprio Summorum Pontificum, aos domingos, às 18 horas, e até então a cargo de dois monges e do IBP. Aguardemos a concretização dos fatos.

12 agosto, 2008

Dom Fernando Rifan esclarece status da Capela Santa Luzia

Um gentil leitor nos envia o seguinte esclarecimento de Dom Fernando Arêas Rifan:

De: Dom Fernando
Enviada em: terça-feira, 12 de agosto de 2008 12:06
Assunto: Re: Capela Santa Luzia

Caro X,

Obrigado por seu e-mail. Estava de viagem, por isso demorei em lhe responder. Fique tranquilo, pois esses boatos são falsos. A Missa na capela de Santa Luzia é de nosso grande interesse, pois faz bem a muitas pessoas. Para substituir o Pe. José Henrique escolherei um outro bom sacerdote da nossa ADministração Apostólica. Mas por enquantro farei um rodízio, todas as semanas, para continuarem as Missas do sábado e as duas do Domingo, como também a de São Bernardo. Irão o Mons. José de Matos (dois domingos), Pe. Hélio Buck e mais um outro sacerdote, até a nomeação do padre definitivo. Que Deus o abençoe e a sua noiva.

+ Dom Fernando Rifan

22 julho, 2008

O Concílio Maçônico – Dom Antonio de Castro Mayer

Reproduzimos este artigo de Dom Antonio de Castro Mayer publicado pelo Mosteiro da Santa Cruz:

Monitor Campista, 10/03/1985
Heri et Hodie, nº 59, novembro de 1988

Em 8 de dezembro de 1869 abriu-se em Roma o 1º Concílio do Vaticano. No mesmo dia, Ricciardi, deputado da Sabóia, inaugurava em Nápoles o “Anticoncílio Maçônico”, ao qual aderiram maçons de toda Europa. Destacam-se Victor Hugo, Edgard Quinet, Michelet e notadamente Giuseppe Garibaldi, o homem da destruição do poder temporal dos Papas. Pio IX tencionava firmar a Fé do povo católico contra o Racionalismo e o Naturalismo, implantados pela Revolução Francesa. A Maçonaria pretendia obviar a obra de Pio IX. Ricciardi sintetiza a tarefa do Concílio Maçônico nesta frase: “à cegueira e à mentira representadas pela Igreja Católica, particularmente o Papado, fazia-se uma declaração de guerra perpétua em nome do sagrado princípio da liberdade de consciência”.

Dia 16 de dezembro de 1869 o Concílio maçônico publicava suas resoluções: autonomia do Estado face à Religião, abolição da Religião de Estado, neutralidade religiosa do Ensino, independência da Moral diante da Religião.

A revista italiana católica “Chiesa viva” em seu número de novembro de 1984 dá o seguinte balanço, ao relacionar o anticoncílio maçônico de 1869 e o 2º Concílio do Vaticano, realizado menos de um século depois:
“A quem considera, entre os documentos do Vaticano II, o parágrafo 75 da constituição “Gaudium et spes” e de modo particular, a declaração “Dignitatis humanae” sobre a Liberdade Religiosa, não pode não perceber que este concílio acolhe todos os mais importantes princípios do “Anticoncílio” de 1869, do qual, em conseqüência, queira-se ou não, vem a constituir-se a continuação ideal, na oposição ao Vaticano I e ao Sílabo”.

E mais uma vez se registra que o Vaticano II está no centro da Crise da Igreja.