Archive for ‘CNBB’

24 dezembro, 2016

Bispo de Uruaçu reage às repercussões negativas de seu Decreto.

Por Dom Messias Reis Silveira

Com consciência e responsabilidade de pastor emiti o Decreto sobre a devoção e consagração à Nossa Senhora. O mesmo foi publicado no Portal de nossa Diocese de Uruaçu. Não quero me defender, mas apenas esclarecer. Até mesmo porque Jesus disse que a defesa vem pelo nosso Mestre interior (Lc 12,12), quando for necessária.

Nosso Padroeiro Diocesano é o Imaculado Coração de Maria. Temos dois Santuários Marianos na Diocese. O de Muquém acolhe 400 mil pessoas durante a Romaria acontecida em agosto. Temos várias paróquias dedicadas à Nossa Senhora na Diocese. O Coracäo Desta Diocese é Mariano e o meu também. A reza do terço e devoção Mariana é sempre incentivada.

As repercussões me deram a certeza que realmente o Decreto era necessário. Está claro que não se trata de ir contra a devoção e consagração à Nossa Senhora, que me acompanham desde a infância. No Batismo fui consagrado à Virgem Maria e essa consagração renovo diariamente. Cresci ouvindo pela Rádio Aparecida a Consagração à Nossa Senhora. Sempre às 15:00 estava rezando com o padre para me entregar à Virgem Mãe. A oração do terço me acompanha desde a infância.

O Decreto é para evitar grupos sectários que não caminham na comunhão. O que não é uma realidade ainda entre nós, mas que existem em outros lugares. Como alguns grupos estão surgindo, na diocese, é meu dever dar as indicações especialmente para salvar a comunhão eclesial evitando o espírito diabólico como percebemos existir, nos comentários feitos. Existem pessoas desses grupos que não aceitam o Papa e nem a Cnbb, símbolo da comunhão do episcopado. A comunhão é um projeto a ser abraçado. O Decreto é uma medida preventiva, para que não nos desviemos da meta. É preciso acolhê-lo desarmado para compreender sua mensagem. O perigo é termos uma aparência e carregarmos armas internas para usá-las quando quisermos, como percebemos na guerra acontecida ontem. Existe muita gente armada. Isso não é cristão. Verifiquei muitos comentários maldosos revelando que há uma mentalidade diabólica (que divide) em muitos dos consagrados. O Decreto é para evitar que essa mentalidade sectária cresça no meio deste povo de nossa diocese que tanto amo e que muito ama a Igreja. O acompanhamento é necessário e também a correção. Essa é minha missão. O Decreto se refere apenas à pessoas à mim confiadas. É somente para a nossa diocese. Muitos comentários vieram de pessoas de fora, o que demonstra incompreensão do significado de Igreja particular que caminha na unidade com seu pastor. Nenhum Bispo interfere em outra diocese. Existem corações aparentemente bons, mas quando quando questionados revelam grandes neuroses interiores. Revelam o que realmente está dentro deles. As reações me deixaram em paz. Era realmente necessário fazer o decreto.

Véu é uma questão pessoal, mas quando se trata de grupos usando é preciso orientar, como também é meu dever orientar outros grupos de pastorais e movimentos.

Conheço senhoras piedosas que usam o véu. Minha mãe mesmo usava.

Corrente é o que indica o termo do Decreto. Não se trata de correntinha, terços de pulso, ou pequenas pulseiras com medalhinhas, tão comum hoje em dia. Trata-se de correntes de aço com cadeados, usados por grupos. Sei de pessoas na diocese que usa esse aparato, mas é uma opção pessoal, não imposta por grupos. Quando se trata de grupos com tendências sectárias que passam usar cabe a mim como pastor, orientar. Certamente se fossemos perguntar a São Luíz, ele também nos indicaria o caminho da comunhão.

A Igreja tem nos indicado o caminho de uma relação filial com Maria. A Igreja vai atualizando a sua doutrina. O que não é dogma pode ser revisto, como a Igreja já o fez muitas vezes.

Quem me conhece e conhece a Diocese sabe que as acusações sobre Teologia da Libertação são falsas e nem precisam ser comentadas A realidade fala por si mesma.

Sobre Missa Sertaneja, não é nossa realidade. Existe um padre que celebra Missas para pessoas de Cultua Sertaneja, mas segue nosso Diretório Litúrgico. A Liturgia é cuidada aqui com muito zelo, pela Dimensão Litúrgica Diocesana.

A Igreja caminha no meio da tempestade e nessas horas nossa fé é provada para verificarmos se, se trata de uma atitude interior, ou algo apenas externo.

Vamos juntos viver as alegrias do Reino acontecendo entre nós. Nossa Igreja Diocesana é bonita.

Rezem por minhas fraquezas, perdoem a minhas falhas.

Tenham um Feliz e abençoado Natal.

Glórias a Deus nas alturas e paz na terra às pessoas que Deus tanto ama e salva.

Dom Messias dos Reis Silveira
Bispo de Uruaçu GO

23 dezembro, 2016

Intolerável!

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Esta é a imagem da consagração após Missa (rito de Paulo VI) do último dia 8, solenidade da Imaculada Conceição, que deflagrou a ira do bispo de Uruaçu, Goiás, e o fez promulgar um decreto pomposo, afetando ortodoxia e erudição contra “qualquer tipo de Consagração a Nossa Senhora que fomente manifestações contrárias à reta praxe cristã”.

Essa é a hipocrisia dos novos fariseus que fustigam os simples e devotos fiéis e fingem não ver a trave nos seus próprios olhos.

Nosso blog permanece em recesso.

8 dezembro, 2016

Escândalo Internacional: Arquidiocese de Belo Horizonte professa a Ideologia de Gênero.

Por FratresInUnum.com: Publicamos abaixo a tradução da estarrecedora notícia veiculada pelo site espanhol InfoCatólica: a Arquidiocese de Belo Horizonte assume a ideologia de gênero em suas diretrizes pastorais.

Diz o texto do documento, encontrado no próprio site da arquidiocese:

O Matrimônio, no qual mulher e homem procuram, segundo a graça de Deus, corresponder ao mais profundo de sua vocação, tem valor para a Igreja e para a sociedade, e não restringe a compreensão da existência de outras configurações familiares, oriundas de situações sociais, culturais, econômicas e religiosas diversas. Compreende-se, então, que a família é a união das pessoas na consciência do amor, ‘cuja força […] reside essencialmente na sua capacidade de amar e ensinar a amar’, constituindo um núcleo fundamental das sociedades. Como Igreja doméstica, a família precisa ser, constantemente, valorizada nas suas particularidades e pluralidades, que enriquecem a Igreja. Por isso, devemos:

“Promover ações pastorais capazes de dialogar e de acolher todas as famílias, em suas mais diversas configurações, com respeito e zelo, a fim de que elas se sintam pertencentes, de fato, à comunidade que edificam com seu testemunho de amor. Cuide-se para que essa perspectiva inclua, também, os casais de novas uniões, os casais de não casados na Igreja, os divorciados, ofertando a todas essas famílias qualificado serviço de acolhimento. Atente-se para que, nesse mesmo horizonte, sejam acompanhadas as pessoas em suas diferentes IDENTIDADES SEXUAIS (gays, transexuais, lésbicas, travestis, transgêneros e bissexuais)”.

“Outras configurações familiares”? “Identidade sexual”? “Transgêneros”? Conceitos forjados pelos autores da conhecidíssima “ideologia de gênero”.

Como assim?… A Arquidiocese de Belo Horizonte está jogando no lixo todo o trabalho do laicato católico contra a “ideologia de gênero” e a favor da família natural realizado heroicamente no último ano? Está se colocando ao lado de todos os inimigos da Igreja e da família, subscrevendo a sua ideologia?

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Dom Walmor, Arcebispo de Belo Horizonte: portas escancaradas ao lobby gay.

Pois bem, a Arquidiocese de Belo Horizonte, pelo jeito, parece que resolveu aderir abertamente à ideologia de gênero. Mera ignorância ou pura malícia? Parece que a última alternativa é a verdadeira, por que isso não é de hoje, nem por acaso, mas com todo conhecimento de causa.

Como já noticiamos anteriormente, a própria PUC-BH realizou um evento para promover a ideologia de gênero, e em suas versões mais radicais, em que se fala, inclusive, de “heterossexualidade forçada” (sic!).

Ademais, através de uma portaria assinada por seu reitor, o bispo Dom Joaquim Mól (ele mesmo, aquele que fez o “grito da menina-moça”, num trio-elétrico da CUT), a PUC-BH aderiu à política do “nome social” para os alunos trans (sic!), como efusivamente noticiou o site GuiaGay.

Algumas perguntas inquietantes:


– Por que o Sr. Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo é, assim, tão complacente com o lobby gay, a ponto de colocar explicitamente no Plano de Pastoral de sua Arquidiocese algo tão escandalizante e clamoroso?

(Se algum leitor tiver alguma resposta para essa nossa intrigante dúvida, por favor, não deixe de nos enviá-la).

– Onde está o Sr. Núncio Apostólico, Dom Giovanni D’Aniello, que não tem tempo de ver essas coisas, mas teve tempo para perseguir Dom Aldo Pagotto, obrigado-o a renunciar por razões que ele mesmo desconhece? As acusações contra Dom Aldo foram bastante desacreditadas, mas, mesmo que fossem verdadeiras, nem chegam perto desse abuso: usar a Igreja para a difusão dessa ideologia!

O Sr. Núncio vai agir ou vai esperar que as acusações cheguem à Santa Sé? O Sr. concorda com isso, Sr. Núncio?

Não deixe de expressar sua perplexidade às autoridades competentes:

NUNCIATURA APOSTÓLICA

Excelência Reverendíssima Dom Giovanni D’Aniello, Núncio Apostólico
Av. das Nações, Quadra 801 Lt. 01/ CEP 70401-900 Brasília – DF
Cx. Postal 0153 Cep 70359-916 Brasília – DF
Fones: (61) 3223 – 0794 ou 3223-0916
Fax: (61) 3224 – 9365
E-mail: nunapost@solar.com.br

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SECRETARIA DE ESTADO DA SANTA SÉ:

Eminência Reverendíssima Dom Pietro Parolin
Palazzo Apostolico Vaticano
00120 Città Del Vaticano – ROMA
Tel. 06.6988-3438 Fax: 06.6988-5088
1ª Seção Tel. 06.6988-3014
2ª Seção Tel. 06.6988-5364
e-mail: vati026@relstat-segstat.vavati023@genaff-segstat.va ; vati032@relstat-segstat.va

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CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

Eminência Reverendíssima Dom Gerhard Ludwig Müller
Palazzo del Sant’Uffizio, 00120 Città del Vaticano
E-mail: cdf@cfaith.va – Tel. 06.6988-3438 Fax: 06.6988-5088

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CONGREGAÇÃO PARA O CLERO

Eminência Reverendíssima Dom Beniamino Stella
Piazza Pio XII, 3 00193 – Città del Vaticano – ROMA
Tel: (003906) 69884151, fax: (003906) 69884845
Email: clero@cclergy.va (Secretário)

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SUPREMO TRIBUNAL DA ASSINATURA APOSTÓLICA

Excelência Reverendíssima Dom Dominique Mamberti
Piazza della Cancelleria, 1 – 00186 ROMA
Tel. 06.6988-7520 Fax: 06.6988-7553

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A Arquidiocese de Belo Horizonte adota a ideologia de gênero em suas diretrizes pastorais

A Arquidiocese de Belo Horizonte recorreu, em suas diretrizes pastorais para os próximos cinco anos, à tese da ideologia de gênero ao abordar seus compromissos de atenção à família.

Por InfoCatolica Brasil | Tradução: FratresInUnum.com: O livreto “Projeto de Evangelização Proclamar a Palavra” relativiza a compreensão da instituição familiar, abrindo-a à configurações diferentes da configuração natural, e sugere que as pessoas possam ter “identidades sexuais” que não correspondam com aquelas às quais nasceram.

O texto, de 31 páginas, apresenta dez prioridades pastorais e especifica as diretrizes que serão desenvolvidas pelas diversas instâncias eclesiais da arquidiocese. Quatro parágrafos abordam o compromisso pastoral com a família e neles estão presentes afirmações que adotam a perspectiva da chamada ideologia de gênero.

Um dos parágrafos explica que “O Matrimônio, no qual mulher e homem procuram, segundo a graça de Deus, corresponder ao mais profundo de sua vocação, tem valor para a Igreja e para a sociedade, e não restringe a compreensão da existência de outras configurações familiares, oriundas de situações sociais, culturais, econômicas e religiosas diversas”.

Em seguida afirma que “Compreende-se, então, que a família é a união das pessoas na consciência do amor, ‘cuja força […] reside essencialmente na sua capacidade de amar e ensinar a amar'”

Ao definir a família como simples união de pessoas no amor e omitir que esta surge da união conjugal de um homem e uma mulher o documento aponta para uma interpretação muito mais ampla da instituição familiar e a relativiza, no mesmo sentido que propõe Judith Butler.

A professora do departamento de retórica e literatura comparada da Universidade da Califórnia, em Berkeley, aponta em uma entrevista ao periódico argentino Página 12 que “deve-se distinguir família de parentesco […] estas instituições devem abrir-se a mundos mais amplos, não é necessário estarem unidos por sangue ou pelo matrimônio para que sejam essenciais uns para os outros”

Manipulação do ponto 53 de Amoris Laetitia

Na definição de família oferecida no documento da arquidiocese faz-se referência, como se fosse fundamento, ao número 53 da exortação apostólica Amoris Laetitia.

Entretanto, ao recorrer ao texto pode-se constatar que há uma evidente tegiversação das palavras do Pontífice. O número 53 afirma que “Avança, em muitos países, uma desconstrução jurídica da família, que tende a adoptar formas baseadas quase exclusivamente no paradigma da autonomia da vontade.”

Também indica a necessidade de não depreciar o verdadeiro sentido do matrimônio, pois “A força da família «reside essencialmente na sua capacidade de amar e ensinar a amar”. Portanto, as palavras citadas entre aspas nas diretrizes diocesanas estão claramente fora do contexto em que foram originalmente apresentadas.

Outro parágrafo aborda a necessidade de acolher todas as famílias “em suas mais diversas configurações, com respeito e zelo, a fim de que elas se sintam pertencentes, de fato, à comunidade”

Orienta-se que nesta perspectiva incluam-se os divorciados em uma nova união civil, os que não estão casados na Igreja e os divorciados oferecendo-lhes um “qualificado serviço de acolhimento”. Até aqui as orientações de acolhida estão em consonância com a atitude solicitada pelo Papa Francisco de acolher e acompanhar aqueles que estão feridos.

Porém, a última linha do parágrafo afirma “Atente-se para que, nesse mesmo horizonte, sejam acompanhadas as pessoas em suas diferentes identidades sexuais (gays, transexuais, lésbicas, travestis, transgêneros e bissexuais)”.

Esta frase adota de forma plena, sem utilizar o termo gênero, a perspectiva ideológica da “gender theory” ao utilizar o conceito de “identidade sexual” como passível de diversas variantes das entidades feminina e masculina.

Também não utiliza o termo “tendência sexual” ou “orientação sexual”, que possibilita entender que não devem ser excluídos de acompanhamento pastoral as pessoas que experimentam atração por pessoas do mesmo sexo.

Fala-se de “identidades sexuais” elencando, entre as possibilidades, o “transgênero”. Como é sabido, isto se refere a pessoas que afirmam ter uma identidade que não corresponde ao sexo biológico. Exatamente um dos aspectos essenciais da ideologia de gênero, que até leva à reivindicação do reconhecimento de um “nome social”.

Apesar disso, na carta de apresentação do documento, o arcebispo de Belo Horizonte, Mons. Walmos Oliveira de Azevedo, afirma que o foco, eixo e ponto de partida para a evangelização em sua diocese é “proclamar a Palavra de Deus”.

Nas primeiras páginas do documento adverte que se assumiu um novo paradigma pastoral desenhado sobre os pilares da eclesiologia “resgatada” pelo Concílio Vaticano II:

“O Concílio elaborou a compreensão da Igreja como Povo de Deus, que dialoga com a sociedade […], distanciando-se do eclesiocentrismo medieval, do clericalismo e da romanização do catolicismo tridentino, assumindo, assim, uma eclesiologia de comunhão”

O “Projeto de Evangelização Proclamar a Palavra”, aprovado pelo Arcebispo de Belo Horizonte e que leva como data de publicação a 8 de Dezembro, pode ser lido na página da web da arquidiocese.

Os parágrafos destacados que abordam o compromisso com a família estão nas páginas 18 e 19.

De acordo com o arcebispado, o documento em questão é a síntese das contribuições oferecidas pelo clero aos fiéis em um amplo processo de consulta denominado 5a Assembléia do Povo de Deus.

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1 dezembro, 2016

CNBB emite nota contra o aborto diante da decisão do STF.

Por CNBB – Os bispos conclamam as comunidades a se manifestarem publicamente em defesa da vida

Nesta quinta-feira, 01 de dezembro, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta nota oficial na qual reafirma a posição da Igreja de “defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural”.

Os bispos reafirmam também “incondicional posição em defesa da vida humana, condenando toda e qualquer tentativa de liberação e descriminalização da prática do aborto. Conclamamos nossas comunidades a rezarem e a se manifestarem publicamente em defesa da vida humana, desde a sua concepção”.

Leia a Nota:

NOTA DA CNBB EM DEFESA DA VIDA

“Propus a vida e a morte; escolhe, pois, a vida ” (cf. Dt. 30,19)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio de sua Presidência, manifesta sua posição em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural (cf. Constituição Federal, art. 1°, III; 3°, IV e 5°, caput).

A CNBB respeita e defende a autonomia dos Poderes da República. Reconhece a importância fundamental que o Supremo Tribunal Federal (STF) desempenha na guarda da Constituição da República, particularmente no momento difícil que atravessa a nação brasileira. Discorda, contudo, da forma com que o aborto foi tratado num julgamento de Habeas Corpus, no STF.

Reafirmamos nossa incondicional posição em defesa da vida humana, condenando toda e qualquer tentativa de liberação e descriminalização da prática do aborto.

Conclamamos nossas comunidades a rezarem e a se manifestarem publicamente em defesa da vida humana, desde a sua concepção.

Nossa Senhora, Mãe de Jesus e nossa Mãe, interceda por nós, particularmente pelos nascituros.

Brasília, 1º de dezembro de 2016

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília-DF
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de São Salvador-BA
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília-DF
Secretário-Geral da CNBB

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1 dezembro, 2016

À espera de um milagre.

Por FratresInUnum.com: Esperamos todo um dia, longo e inteiro dia, aguardando um comunicado, uma mísera nota da CNBB se indignando com a decisão abominável do STF da última terça-feira (29). Em vão.

No mesmíssimo dia, a CNBB foi ágil o bastante para lamentar a tragédia do vôo da Colômbia e manifestar seu “veemente repúdio à anistia do caixa dois”.

Abaixo, imagem do site da CNBB neste instante (1 de dezembro de 2016, às 8:04).

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19 outubro, 2016

Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB e seu discurso cada vez mais vermelho.

Em mais uma nota, a CNBB reproduz o discurso vermelho e reafirma suas posições, a essas alturas isso nem espanta mais, mas é necessário concientizar, então segue abaixo a nota divulgada pela Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, depois do encontro realizado em Brasilia, nos dias 18 e 19 de outubro.

* * *

Nota da Comissão Episcopal Pastoral Para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz

Por CNBB

“Nenhuma família sem casa,
Nenhum camponês sem terra, 
Nenhum trabalhador sem direitos,
Nenhuma pessoa sem dignidade”. 
Papa Francisco.

Nós, Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, e bispos referenciais das Pastorais Sociais, da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil, reunidos em Brasília, nos dias 18 e 19 de outubro de 2016, manifestamos nossa preocupação com o cenário de retrocessos dos direitos sociais em curso no Brasil.

Entendemos que as propostas de reforma trabalhista e terceirização, reforma do Ensino Médio, reforma da Previdência Social e, sobretudo, a Proposta de Emenda Constitucional, PEC 241/2016, que estabelece teto nos recursos públicos para as políticas sociais, por 20 anos, colocam em risco os direitos sociais do povo brasileiro, sobretudo dos empobrecidos.

Em sintonia com a Doutrina Social da Igreja Católica, não se pode equilibrar as contas cortando os investimentos nos serviços públicos que atendem aos mais pobres de nossa nação. Não é justo que os pobres paguem essa conta, enquanto outros setores continuam lucrando com a crise.

Afirmamos nossa solidariedade com os Movimentos Sociais, principalmente de trabalhadores e trabalhadoras, e com a juventude, que manifestam seu descontentamento com as propostas do governo, bem como todas as organizações que lutam na defesa dos direitos da população.

Encorajamos as Pastorais Sociais a participarem, com os demais movimentos e organizações populares, na defesa das conquistas sociais garantidas na Constituição Federal de 1988, na qual a CNBB tanto se empenhou no final da década de 1980. Não desanimemos diante das dificuldades. Somos povo da esperança!

Com compromisso profético, denunciamos, como fez o Profeta Amós: “Eles vendem o justo por dinheiro, o indigente, por um par de sandálias; esmagam a cabeça dos fracos no pó da terra e tornam a vida dos oprimidos impossível” (Am 2,6-7).

O Espírito do Senhor nos anima no serviço da Caridade, da Justiça e da Paz. Com Maria cantamos a grandeza de Deus que “derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes; enche de bens os famintos e manda embora os ricos de mãos vazias” (Lc 1, 51s).

Brasília, 19 de Outubro de 2016.

Dom Guilherme Werlang
Bispo de Ipameri – GO
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para
o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz

13 setembro, 2016

Bispos celebram o Dia de Oração pelo Cuidado da Criação.

Por Arquidiocese do Rio de Janeiro – O Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação – instituído pelo Papa Francisco – foi comemorado com uma celebração ecumênica, no dia 2 de setembro, às margens do rio Paraíba do Sul, na cidade de Volta Redonda, com a presença de líderes religiosos e dos bispos diocesanos da Província Eclesiástica de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Os participantes foram acolhidos pelo bispo da Diocese da Barra do Piraí-Volta Redonda, Dom Francisco Biasin, que também é o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB.

“É muito importante receber os nossos irmãos e irmãs de outras representações religiosas no Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação nessa celebração junto ao Rio Paraíba do Sul, fonte de vida para todos nós”, disse.

O local da celebração foi sugerido pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, que também é o presidente do Regional Leste 1 da CNBB, com a finalidade de dar visibilidade às questões referentes ao rio Paraíba do Sul.

“O Papa Francisco nos convida a tratar com misericórdia a nossa Casa Comum. Na sua mensagem ao mundo, ele acrescenta duas novas obras de misericórdia: uma espiritual e uma temporal. Em primeiro lugar, contemplar e bendizer ao Senhor pela criação, e em segundo, ter atitudes concretas que cuidem da Casa Comum”, destacou o cardeal.

Com a presença de crianças da Infância Missionária, após a celebração, os participantes saíram em caminhada até a beira-rio, onde plantaram mudas de espécie nativa para representar a necessidade da recuperação da mata ciliar e como compromisso de promover essa ação ampliada onde atuam.

Para o pastor Mauro Paiva, da Igreja Metodista, é preciso cuidar da Casa Comum como o próprio Reino de Deus. “Se não tivermos a visão e o compromisso, como administradores do Reino, da terra que o Senhor nos colocou, as gerações futuras estarão comprometidas”.

Para a representante do candomblé, Márcia Mireles, é na natureza que se reconhece as divindades. “Eu preciso da conservação do meio ambiente, das florestas, dos animais que são sacralizados para que eu possa reconhecer aquilo que cultuo. No dia em que acabar a natureza, acaba-se o candomblé”, destacou.

Ainda no período da manhã, foi realizado na ponte Dom Waldyr Calheiros um abraço simbólico ao rio Paraíba do Sul.

O pastor Donizete Cavalheiro, representante do Conselho de Pastores de Volta Redonda, elogiou a iniciativa e convidou para a reflexão. “Deus nos deu o poder, o direito de cuidar da sua criação. Nós, como povo de Deus, independentemente da religião, precisamos cuidar do que Deus fez para nós”, disse.

A representante do Conselho Espírita do Estado do Rio, Nair Ângela de Santana, afirmou que o homem é a única espécie na Terra que está conseguindo destruir o seu habitat. “Pequenas contribuições no dia a dia ajudam para que tenhamos êxitos. Nossas preces precisam estar acompanhadas de atitude”.

No período da tarde, os bispos se reuniram com técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), do Comitê do Médio Paraíba do Sul (CBH-MPS), da Comissão Ambiental Sul e  um professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) para discutir a situação do rio Paraíba do Sul.

“A questão desse rio, que atravessa o Estado do Rio de Janeiro e em relação ao qual tantas cidades dependem, já tem sido aprofundada e questionada pelas organizações que se ocupam com a ecologia nessas regiões”, acrescentou Dom Orani.

Fotos: Diocese da Barra do Piraí-Volta Redonda

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9 setembro, 2016

Grito das meninas-moças.

Eis a “neutralidade” cnbbista em seu esplendor: nunca admitindo expressamente o que pensa, mas sempre escancarando de que lado está.

No vídeo, discurso do bispo fracasso no “Grito dos Excluídos”, no último dia 7, colocando para fora “a menina-moça” que habita dentro dele.

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11 julho, 2016

Dom Aldo: “Pedi para conversar com o próprio papa. Mas isso não me foi concedido. Essa resposta nem veio”.

O padrão do Vaticano de Francisco se repete: um bispo tido por “conservador” e “divisivo”, que fere a “comunhão”, acusado de imoralidades por uma quadrilha eclesiástica de imorais, é instado a renunciar. O bispo tenta dialogar, clama por ser ouvido, mas não consegue sequer trocar meias palavras com o Papa da Misericórdia. 

‘Quando você mexe no bolso, vêm as reações’, diz bispo acusado de proteger padres pedófilos

Aldo di Cillo Pagotto diz que foi vítima de retaliação por investigar desvios de dinheiro na Igreja, fala da ‘infiltração’ gay no seminário e diz ter sido pressionado pelo Vaticano a renunciar

Dom Aldo Pagotto, arcebispo da Paraíba.

Dom Aldo Pagotto, arcebispo emérito da Paraíba.

Por Veja – Na última quarta-feira, o Vaticano anunciou que o papa Francisco aceitou a renúncia do arcebispo da Paraíba, dom Aldo di Cillo Pagotto. Oficialmente, dom Aldo deixou o posto por “motivos de saúde”. Mas só oficialmente. Por trás da decisão, há muito mais. Há pelo menos quatro anos, o arcebispo era investigado pelo próprio Vaticano sob suspeita de acobertar padres pedófilos. Dom Aldo também era acusado de promover orgias e de ter mantido relacionamento com um jovem de 18 anos – o que ele nega. Foi o primeiro caso, no Brasil, de um arcebispo que deixa o posto no curso de uma investigação sobre envolvimento em escândalos sexuais.

Na mesma quarta-feira, dom Aldo falou por quase duas horas a VEJA. O resultado da conversa é revelador dos bastidores da Igreja – e de segredos que, na grande maioria das vezes, graças à hierarquia e à disciplina dos religiosos, são mantidos distantes dos olhos e ouvidos do distinto público. Na entrevista, o bispo deixa evidente que, na verdade, foi obrigado a renunciar. Ele conta que, no início de junho, foi chamado a Brasília para uma conversa com o núncio apostólico, o representante do papa no Brasil. E que, naquele mesmo dia, o núncio — em nome do papa — o fez redigir a carta de renúncia.

O arcebispo se diz alvo de uma grande injustiça cometida pelo papado de Francisco e atribui a sua situação a uma disputa que tem como pano de fundo acusações de corrupção, homossexualismo, pedofilia e, quase sempre, disputa por poder.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Desvio de dinheiro

Dom Aldo diz que foi vítima de uma orquestração maquinada por um grupo de padres que se opunham a medidas que ele adotou desde que assumiu a Arquidiocese da Paraíba. Ao falar desses padres, cujos nomes ele se esforça para não revelar, o religioso escancara o ambiente interno conflagrado no clero – algo que a Igreja, quase sempre, consegue manter em segredo. Ele acusa os adversários de estarem envolvidos em desvios de dinheiro e de serem, eles próprios, personagens de escândalos sexuais. Na origem de tudo, diz ele, está a disputa pelo controle das finanças.

“Tudo começou porque eu tenho uma visão mais moderna. A questão administrativa e patrimonial da Arquidiocese estava bastante comprometida. Então começamos a colocar as coisas em ordem, com prestação de contas. Isso mexeu na posição de uns privilegiados. Havia coisas não muito bem resolvidas.”

“Quando você mexe no bolso, que é a parte mais delicada do corpo da pessoa, vêm as reações, que não são tão diretas no começo. Aí começam com outras acusações. Diziam que eu era financista, materialista, e que a Igreja não é só isso.”

“Essa reação partia de um grupo pequeno, mas muito bem articulado, formado por cinco padres. Passaram a acusar que o clero no estado estaria dividido, e outras coisas morais. Diziam que eu era ditador. Depois foram para os ataques pessoais de ordem afetiva e sexual. Aí foram para a baixaria mesmo, com acusações horrendas à minha pessoa e a outros padres também.”

“Esses padres têm poder financeiro. E a reação vinha justamente daí. Tudo parte de quando você quer mexer nas finanças.”

Mas esses padres estavam envolvidos com corrupção?, perguntou VEJA.

A resposta: “Havia um colégio aqui, o Pio XII, que eu tive que fechar quando cheguei porque havia uma coisa não resolvida ali. Era um colégio tradicional, de mais de 80 anos. Pedimos uma auditoria e fizeram de tudo para não fazer essa auditoria. Sempre me era aconselhado: ‘Não é bom mexer com isso’”.

Dom Aldo diz que, só nas contas da escola, havia um rombo de 1,8 milhão de reais. E quem são esses padres?

“Eu sei quem são. Alguns nomes eu levei para a Santa Sé. Pelo menos o nome de dois, entre eles o que capitaneia, eu informei à Santa Sé. São padres muito bem posicionados aqui, veteranos.”

O segredo do processo e o silêncio do papa

Alvo de denúncias cada vez mais constantes, e de uma série de dossiês enviados a Roma, dom Aldo Pagotto passou a ser formalmente investigado pelo Vaticano. O rol de acusações contra ele era extenso: além de ser acusado de proteger padres pedófilos, diziam as denúncias, teria relaxado os critérios para a aceitação de novos seminaristas. Além disso, era apontado como personagem central de um grupo de religiosos que se esbaldavam em festas e promoviam orgias sexuais. Em janeiro de 2015, já em consequência das investigações, o Vaticano impediu o arcebispo de ordenar novos padres.

“Em junho do ano passado fui ao Vaticano tirar a história limpo. Falei com o cardeal Stella (Beniamino Stella, prefeito da Congregação para o Clero — uma espécie de ministro do Vaticano). O cardeal me tratou muito bem, me escutou durante uma hora, mas disse que a resposta viria só depois de agosto e setembro e que o desfecho dependia também da Congregação para os Bispos. Comecei a cobrar e não vinha nada.”

“Em maio eu pedi para conversar com o próprio papa. Mas isso não me foi concedido. Essa resposta nem veio. Dois ou três dias depois de redigir a carta de renúncia, fiz outra carta ao papa reforçando esse pedido. Escrevi ao papa dizendo que gostaria muito de falar com ele. Ali eu ainda tinha esperança (de que a investigação pudesse ter outro desfecho). Nada.”

O chamado para renunciar

Dom Aldo revela que a renúncia não foi um ato de vontade própria. Foi uma determinação do Vaticano – uma determinação que a disciplina religiosa e o respeito à hierarquia da Igreja o obrigavam a aceitar. A renúncia era uma forma de evitar mais desgastes. A explicação oficial que viria na sequência – “motivos de saúde”— ajudaria

“Fiquei lá (na Nunciatura Apostólica, em Brasília) uma manhã inteira. A conversa com o núncio foi de pelo menos uma hora. A sós, no gabinete dele. Ele recordou todos os fatos. Eu pedi, de novo, para ter acesso ao que eu era acusado, ao relatório ou ao dossiê. Ele disse: não se pode mostrar. Então, se é assim… Ele também não disse quem acusava. Ele aconselha. Eu também tirei minhas dúvidas. Ele disse: ‘O papa está muito preocupado com você. É para o seu bem. Para o seu bem e para o bem da Igreja. Então, para o bem da Igreja e para o seu bem, você pense’. Eu cheguei a dizer: está bem, está muito certo, entendi tudo. Eu mesmo me choquei.”

“Ele me falou: ‘Olha, você faça essa carta’. É assim mesmo. Ele é o representante do papa.”

A certa altura, o arcebispo percebe que estava falando demais. E tenta se corrigir:

O senhor, então foi instado a renunciar?

“Não é bem assim…. Eu me aconselhei também. E eu aqui já dizia para alguns padres da minha insatisfação, do meu estado de saúde. Não é que recebi uma ordem: faça. Não é bem assim. A gente é livre. Eu disse a ele (ao núncio): é até interessante que eu faça (a carta), e fiz.”

O senhor acha justo o desfecho do caso?

“Não acho. Eu tenho muita dificuldade de aceitar uma coisa dessas. É muito ruim, muito ruim.”

‘Tive que limpar o seminário’

Dom Aldo Pagotto admite que havia “problemas” na Arquidiocese. Entre eles problemas, ele cita o fato de ter aceitado, como candidatos a padre, jovens homossexuais que já haviam sido rejeitados em outros seminários por “conduta inadequada”. Ele diz, porém, que fez o que tinha de ser feito: “limpou” o seminário.

“Nós tivemos problemas no seminário. Eu tive que limpar o seminário de pessoas suspeitas de comportamento não adequado.”

Em que sentido? Sexual?

“É, exatamente.”

E o que é “limpar”?

“Limpar quer dizer convidar a sair. Isso foi em 2012. Em um seminário sempre há entrada e saída de pessoas. Seminário onde só entram pessoas e ninguém sai não é bom. Tem pessoas com determinada tendência que vêm procurar seminário e você sabe que a intenção pode ser outra. Eu não posso ser julgado por isso. Na verdade, os papas todos tiveram problemas assim. O João Paulo teve problemas imensos. Depois veio Bento 16, que estatuiu normas muito caridosas, mas muito objetivas. E, agora, Francisco da mesa forma. No caso daqui, houve problemas, eu não posso negar. Mas eu fiz relatórios disso, desde o outro núncio apostólico, como estava o seminário, que tinha havido infiltração (de gays). Eu relatei a infiltração. Não escondi.”

A “infiltração” gay

“No seminário, o problema era homossexualismo. Falando abertamente, é isso. Tivemos alguns casos. O relato é de que houve infiltração, romance, defesa de comportamentos que não são admitidos pela Igreja. Naquele momento, entre 2011 e 2012, isso envolveu cinco ou seis pessoas. Faziam defesa desse comportamento lá dentro. Também havia comportamentos estranhos. Colegas estranharam, pessoas da comunidade também. Diziam: ‘Olha, esse rapaz aqui parece que é…’. Havia toda uma preocupação para evitar a reprodução desses escândalos que estamos vendo.”

Pedofilia na Arquidiocese

“Eu digo que por misericórdia eu aceitei alguns padres em crise. Aceitei seminaristas egressos (que já haviam sido expulsos de outros seminários), mas eu não sabia desse comportamento. Por indicação de alguém, por pedidos para que eu desse chance. Esses pedidos vinham de bispos, de superiores de alguma congregação. Enfim, eu fui misericordioso. Aceitei e me dei mal. Esses seminaristas foram ordenados por mim e depois tive que afastá-los. Eu afastei seis. Eram acusados de envolvimento de pedofilia. Um foi inocentado.”

“Era aquela questão com meninos, coroinhas. Dentro da igreja. Eram casos na região metropolitana de João Pessoa e no interior. Do interior eram três, e três da capital. As denúncias foram feitas por familiares dos meninos. Comecei a receber essas denúncias de 2012 para 2013, tudo de uma vez, uma atrás da outra. Os padres foram afastados imediatamente. Um deles morreu. Nunca foi ouvido em juízo e morreu de muita depressão, coitadinho.”

A acusação de relacionamento homossexual

“Deus me livre, isso não existe. É mentira. Não tem como.”

E com base em que o acusam de ser homossexual?

“Respondo com uma frase: ‘Acusemo-lo daquilo que nós somos’.”

Isso existe entre os religiosos que o acusam?

“Claro que existe. Acuse-o daquilo que a gente é.”

A acusação de organizar festas e orgias

“Mas que festas? Deus me livre, eu não tenho tempo para pecar. A minha única diversão é nadar na piscina de um colégio aqui perto. Não vou ao cinema. Minha vida é trabalho. Não existe isso aí.”

 

6 julho, 2016

Papa aceita renúncia de Dom Aldo Pagotto. Leia a carta aberta do Arcebispo.

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco aceitou a renúncia ao governo pastoral da Arquidiocese de Paraíba apresentada por Dom Aldo di Cillo Pagotto, S.S.S. (Congregação do Santíssimo Sacramento).

A renúncia foi aceita em conformidade ao parágrafo 2º do cânone 401 do Código de Direito Canônico.

“Cân. 401 —  § 2. Roga-se instantaneamente ao Bispo diocesano que, em virtude da sua precária saúde ou outra causa grave, se tenha tornado menos apto para o desempenho do seu ofício, que apresente a renúncia”.

De acordo com a Arquidiocese de Paraíba, o Administrador Apostólico nomeado pelo Papa será Dom Genival Saraiva de França, Bispo Emérito de Palmares (PE).

Com a renúncia, a Arquidiocese da Paraíba fica vacante até nomeação de um novo Arcebispo.

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Dom Aldo Pagotto: “Detentores desse ministério, nós não perdemos a coragem. Dissemos não aos procedimentos secretos e vergonhosos. Conduzimo-nos sem duplicidade e não falsificamos a Palavra de Deus” (2 Cor. 4, 1 ss).

Carta aberta aos Irmãos Bispos do Regional NE 2 da CNBB, ao Clero e ao Povo de Deus da Igreja Particular da Paraíba.

Invocando o santo nome de Deus Uno e Trino, coloco-me sob a proteção da Imaculada Virgem Maria e, em espírito de oração, discernimento e obediência, apresentei ao Santo Padre, o Papa Francisco, o meu pedido de renúncia ao governo pastoral da Arquidiocese da Paraíba. Cito sumariamente alguns fatores que me obrigam a tal atitude.

1. Ao longo de 12 anos, preposto ao governo pastoral desta Arquidiocese, tentei desenvolver a missão evangelizadora e pastoral que o Senhor me confiou junto ao Clero, aos cristãos fieis, às autoridades constitucionais e às lideranças institucionais, seguindo o lema: “Há um só Corpo e um só Espírito” (Ef 4, 4).

– Minha intenção sempre se voltou à promoção da comunhão na caridade, tentando participar de forma proativa na edificação da Igreja fraterna e solidária, e da construção da sociedade com inclusão e justiça social.

– Tentei doar o melhor de mim mesmo, não obstante as sérias limitações de saúde, ademais das repercussões no equilíbrio emocional, causadas pela constante necessidade de superar conflitos inevitáveis, advindos de reações ao meu modo de ser e de agir.

2. Tomei decisões enérgicas e inadiáveis em relação à reorganização da administração, finanças e recuperação do patrimônio da Arquidiocese, sempre em sintonia com o nosso ecônomo. Embora tenha sido exitoso, desinstalei e desagradei muita gente, por razões facilmente presumíveis.

– Acolhi padres e seminaristas, no intuito de lhes oferecer novas chances na vida. Entre outros, alguns egressos, posteriormente suspeitos de cometer graves defecções, contrárias à idoneidade exigida no sagrado ministério. Cometi erros por confiar demais, numa ingênua misericórdia.

– Tomei posições assertivas diante de políticas públicas estruturais em vista do desenvolvimento integral de nossa gente e de nossa terra. Evitei “ficar em cima de muro”. Foi inevitável acolher reações e interpretações diferentes, independente de minha reta intenção de não me imiscuir na esfera político-partidária, e jamais almejar algum poder de ordem temporal.

3. Não tardaram retaliações internas e externas, ademais da instauração de um clima de desestabilização urdida por grupos de pressão, incluindo os que se denominaram “padres anônimos”, escudados no sigilo da fonte de informações, obtendo ampla cobertura num jornal. Matérias sobre a vida da Igreja da Paraíba, descritas em forma unilateral, distorcida, provocatória, foram periodicamente veiculadas, seguidas de comentários arbitrários por várias redes sociais.

– A exemplo, um blog divulgou carta difamatória, envolvendo o arcebispo e vários sacerdotes, arbitrariamente expostos ao escárnio público. As redes sociais encarregaram-se de espalhar comentários peregrinos e duvidosos. A presumida autora da carta responde em foro criminal.

4. A ideia obsessiva espalhada intenciona afirmar à fina força que o clero esteja dividido, que o governo da Arquidiocese esteja desestabilizado, e que, nesse contexto, o arcebispo perdeu a capacidade de coordenação e, por fim, não vale à pena ordenar padres numa igreja dividida.

5. Esse sucinto relato sobre fatos amplia-se em relatórios que eu enviei à Nunciatura Apostólica no Brasil e às demais instâncias da Santa Sé, como pedido de compreensão e ajuda, porquanto eu não tenha nada a esconder. Sabe-se que outro dossiê foi enviado às mesmas instâncias, por parte de membros do Clero e de leigos.

6. Por tanto tumulto, embora eu esteja sofrendo muito, permito-me afirmar que conservo a minha consciência em paz. Sempre estarei disposto a corrigir rumos, a reorientar passos, a confirmar êxitos alcançados, contando com a graça de Deus e também com a efetiva presença de bons padres, religiosos presbíteros e de bons leigos e leigas, qualificados como forças vivas de nossa amada Igreja Particular da Paraíba.

7. Auto-elogio e passividade não fazem parte do meu feitio. Deus sabe o que faz e o tempo é juiz da história. Minha nonna (avó) dizia: “quando alguém te caluniar e tentar destruir tua vida, tua resposta seja o silêncio e mais trabalho, não se rebaixando ao nível mesquinho do espírito da treva”.

8. Passo por duras provações, sentindo a frustração de alguns sonhos que, entanto, entrego nas mãos de Deus. Que a minha vida seja para a maior glória de Deus, não para a busca de mim mesmo e de outros interesses que não provenham do Senhor. Comigo sofrem muitas pessoas e comunidades. Todos esperam em Deus que tem saídas inesperadas para os impasses criados. Não há mal do qual Deus não tire um bem maior!

– Penso que eu não tenha o direito de provocar ou de prolongar sofrimentos ainda maiores, especialmente aos jovens que esperam servir a Deus na vida sacerdotal nesta Igreja da Paraíba que tanto nós todos amamos.

9. Creio que o melhor, pelo momento, para a Igreja Universal e para a Igreja Particular da Paraíba, seja a minha renúncia. Ante o desgaste enfrentado, sinto-me no dever de evitar comprometer a Unidade na Caridade, a expressão característica e essencial da Igreja de Jesus Cristo.

– Sinto-me fortalecido na fé, cultivando a espiritualidade eucarística e marial. O Senhor é meu Pastor. Ele não me faltará (Sl 23). Ele me dará forças, sustentar-me-á ao longo das provações, impulsionando-me a fazer o dom de mim mesmo para a continuidade da missão que Ele ainda me confia. Há muitos espaços e oportunidades. Estou disposto a buscá-los, pedindo a Deus que me mostre o lugar onde eu possa ser útil, a começar pela minha Congregação do Santíssimo Sacramento, que eu tanto amo.

10. Deixo registrado o meu pedido sincero de perdão às pessoas a quem eu tenha feito sofrer, voluntária ou involuntariamente. Cometi erros, acertei passos, estou disposto a caminhar com quem queira caminhar, construindo dias melhores para todos, superando o apego a cargos, títulos, privilégios.

– Peço perdão a Deus e perdôo os que me fizeram sofrer muito. Não há nada de oculto que um dia não venha a ser revelado e proclamado pelos tetos. Nem devemos temer quem mata o corpo, mas não o espírito (Lc 12, 1-4).

11. Passo, em obediência, o comando da Arquidiocese para um Irmão mais jovem, com forças, coragem e capacidade para tomar rumos acertados, mostrados pelo Pai de amor e misericórdia, o Senhor da vida!

– Sigo o exemplo de SS. o Papa Bento XVI, dando o espaço àquele que Deus enviar para o bem de sua Igreja.

12. Sirvo-me, pois, da 2ª Carta de Paulo aos Coríntios (2 Cor. 4, 1 ss) para expressar meus sentimentos e auspícios: “Detentores desse ministério, nós não perdemos a coragem. Dissemos não aos procedimentos secretos e vergonhosos. Conduzimo-nos sem duplicidade e não falsificamos a Palavra de Deus” (…) “Não é a nós mesmos, mas a Jesus Cristo Senhor que nós proclamamos. Mas este tesouro nós o guardamos em vasos de argila, para que o poder incomparável seja de Deus e não nosso. Pressionados de todos os lados, não somos esmagados; em impasses, nós conseguimos passar; perseguidos, mas não alcançados; prostrados por terra, mas não liquidados. Sem cessar trazemos em nosso corpo a agonia de Jesus, a fim de que a vida de Jesus seja manifestada em nosso corpo”.

13. Oro e desejo de todo o meu coração que a Igreja Particular da Paraíba prospere na ação evangelizadora e pastoral, seja fecunda na promoção da unidade interna e das obras de apostolado externo, abençoado por Nosso Senhor e por Nossa Senhora das Neves, nossa padroeira.

– Que cresça sempre mais em qualidade e em número de cristãos fiéis, que dêem testemunho do Evangelho de Jesus, pela palavra e pelos exemplos de vida, vivida na unidade e no amor. Em tudo, amar e servir, unidos a Nosso Senhor, qual ramos à videira, para que se produzam muitos frutos (cf. Jo 15, 1s).

– Deixo o território material da Paraíba. Espiritualmente, porém, a pequenina gigante, a Paraíba, nunca sairá do meu coração, agradecido pelo muito que aprendi com o espírito guerreiro, hospitaleiro e amoroso de nossa gente.

– Deixo a todos e todas, além de minha constante prece, um forte abraço, um beijo no coração e as saudades jamais saciadas, na esperança de quando em vez voltar para visitar as mil amizades sinceras e fraternas, a quem agradeço e a quem eu quero bem de verdade.

João Pessoa (PB), 6 de julho de 2016

+ Aldo di Cillo Pagotto, sss
Arcebispo Emérito da Paraíba

Fonte: Arquidiocese da Paraíba