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15 dezembro, 2018

Coluna do Padre Élcio: Escola comunista – viveiro de revolução pela luta de classes.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 15 de dezembro de 2018

Assim o comunista Pinkevith definiu a pedagogia: “Não é a pedagogia a ciência que concorre para o desenvolvimento da criança mas é a teoria da instrução e da educação das massas populares, na época da grande luta e da grande edificação no sentido dos interesses do proletariado revolucionário”. Queria ele dizer que a finalidade da pedagogia soviética seria fazer da escola um instrumento capaz de instituir a completa luta de classes e assim estabelecer as bases do comunismo.

escola comunistaKrupskaia (viúva de Lenine) exigia que o professor comunista fosse assim: “um coletivista socialista que conheça a organização e a força das massas; um pioneiro da educação comunista que não só organize os estudos, mas que trabalhe e viva com as crianças afim de nelas intensificar a mentalidade comunista; um politécnico, não imbuído da cultura liberal burguesa, mas da cultura do trabalho. Além disso  – continua esta tristemente célebre comunista  –  cumpre que o mestre seja um apóstolo do comunismo, empregando neste sentido toda a sua influência, assim formando a vontade e o sentimento dos educandos.

Educar, em suma, é formar a mentalidade comunista. Ensinemos nossos alunos a odiar nossos inimigos. Nós, futuros mestres, que deveremos educar as novas gerações no espírito do comunismo, infundiremos nas crianças, grande ódio para com todos os inimigos da classe proletária, e um infinito amor à nossa Pátria [URSS], ao partido comunista e ao Grande Stalin” (“Pela Educação Comunista”, junho de 1937).

Do que acabamos de ler, conclui-se sem sombra de dúvida, que o programa do partido comunista russo (e não mudou) tem como objetivo básico, fundamental que a escola prepare uma geração capaz de implantar o comunismo. Aliás é o que lemos no próprio Programa do Partido Comunista: “A escola deve transformar-se em instrumento para a mudança comunista da sociedade. Ela deve ser o guia na influência ideológica, organizadora e educadora do proletariado, para que as camadas semi ou não proletárias, que o comunismo venha afinal a realizar-se”. Daí dizer também o comunista Melnikov: “Assim como ao regime econômico burguês correspondia uma cultura burguesa, assim ao regime coletivista há de corresponder uma nova cultura apropriada ao novo estado social, uma cultura do trabalho, que produzirá também um novo tipo de homem. Para tanto, pois, os esforços: a reeducação dos adultos, dos adolescentes, das crianças, é o PRIMEIRO [destaque meu] dos êxitos políticos e econômicos; ela há de transfigurar a nossa vida”.

Caríssimos, os comunistas lutam contra a Religião e a família. Quando tudo fazem para separar os filhos dos pais, é com dupla finalidade: destruir a família, e colocar as crianças fora da influência educadora de seus pais, deixando-as a mercê dos doutrinadores comunistas, escravizados a aprenderem só o lado comunista da moeda. Socialistas avançados (=comunistas) como Vandervelde e Vesinier, ensinaram descaradamente que os pais não têm direito algum sobre os filhos, que obediência traz desigualdade e isto, segundo os comunistas é mau. Ensinaram atrevidamente que é preciso negar Deus, destruir a família e o direito de propriedade particular. Os comunistas ensinam às crianças que elas pertencem exclusivamente ao Estado.

A explicação do afã dos comunistas em implantar no mundo o divórcio é porque, além de desfazer a família, acarretar, outrossim, o abandono das crianças. O fato de os professores comunistas estarem preocupados unicamente em formar comunistas, pouco se dedicam a transmitir as ciências.  Talvez aí achamos a explicação pela má qualidade do ensino hoje no Brasil.

Caríssimos, tudo o que é próprio do Comunismo assume particular relevo na escola: a concepção materialista da vida, a economia dirigida, a ilusão de que podem os homens ser governados por um montão de decretos, o brutal contraste entre a realidade e um ideal inadmissível.

Na verdade, esta sociedade sem classes pregada pelos professores  comunistas é uma utopia. Mas deixemos para o próximo artigo, a crítica da pedagogia comunista.

Ó Jesus, que demonstrastes uma predileção toda especial pelas crianças, defendei-as do comunismo! Amém!

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8 dezembro, 2018

Coluna do Padre Élcio: Escopo precípuo da educação para os comunistas.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 8 de dezembro de 2018

Lenine já decretava alto e bom som: “A escola soviética não é neutra, como as hipócritas escolas burguesas; ela é ateia e a ideologia do comunismo ateu não deve ser ministrada aos educandos apenas especulativamente, mas de maneira que possam dirigir por ela todas as próprias atividades”. E em 1930 se fundou em Leningrado uma “Universidade anti-religiosa para crianças”.

educacaoDevemos dizer em poucas palavras: As escolas soviéticas são a concretização da filosofia materialista e inimiga de Deus, e, portanto,  precisamente o contrário da pedagogia cristã. Se, de um lado, o Cristianismo reclama todas as atividades para a construção da Cidade de Deus, o comunismo, por outro lado completamente contrário, exige a concentração de todos os esforços e aptidões para a constituição do reino terrestre e materialista. O Cristianismo tudo reduz, corpo, trabalho, etc., ao espiritual, já o comunismo tudo faz centralizado na matéria.

Os comunistas fazem da escola um viveiro de propaganda anti-religiosa. Vejam: A 04 de agosto de 1937, queixava-se um Decreto do Comissariado da Instrução Pública: “os resultados do ano escolar demonstram que, embora haja algumas exceções, não lograram os mestres vincular o ensino à educação política dos alunos… Durante o ano, pouco se fez para ilustrar os estudantes acerca da nova Constituição Staliniana que dá a maior importância à educação comunista das crianças… Particularmente se notou quase total ausência de educação anti-religiosa. É perigosa entretanto a opinião segundo a qual a educação anti-religiosa constitui uma etapa já passada…”

Disto vemos claramente duas coisas: primeiro, o porquê de tanto ódio que os esquerdistas estão demonstrando contra o projeto da “ESCOLA SEM PARTIDO”; e segundo, nós cristãos devemos lutar com todas as forças e sem esmorecer, pelas escolas sem doutrinação partidária. Estando as coisas como estão, podemos dizer que o ideal será que, tenhamos grandes pedagogos cristãos e que cheguem um dia a ser grande maioria; mas isto demandará muito tempo porque, infelizmente, o Brasil já está totalmente impregnado do veneno comunista. Nem o regime militar impediu tal desgraça.  Mas se os comunistas trabalharam até agora para que as escolas fossem viveiros de ateus, é mister que, sem demora, os anti-comunistas façam das escolas viveiros de verdadeiros patriotas e, para tanto, é preciso que tenham Deus no coração. Do contrário, todos os outros esforços serão fadados ao fracasso.  Os que são contra o projeto de Lei da Escola sem Partido negam que haja doutrinação comunista nas escolas. Então, é preciso que as autoridades competentes vigiem para que isto realmente não aconteça. Os cristãos não devem medir esforços, devem empregar todos os meios, máxime as redes sociais para fazer uma higiene mental como vacina contra a “meningite” comunista; é preciso proteger os cérebros das crianças, adolescentes e jovens trocando as membranas infeccionadas pelos esquerdistas. O governo, agora anti-comunista, graças a Deus, deve facilitar e até incentivar para que haja mais escolas particulares verdadeiramente cristãs. Um ponto importantíssimo (mas que nem Bolsonaro, pelo menos por enquanto, não concorda, é, porém doutrina tradicional da Igreja, reafirmada por Paulo VI, na Encíclica “Humanae Vitae”): que as famílias católicas não evitem filhos; e quando for de fato necessário, sejam empregados só meios naturais, como o método de Ogino-Knaus. Precisamos de famílias verdadeiramente católicas numerosas! Devemos desejar ardentemente que os filhos das famílias cristãs a partir de agora aqui no Brasil  cresçam revestidos de Jesus Cristo. Aí está a solução! Não tenhamos medo de dizê-lo; nem muito menos, pusilanimidade em fazê-lo!

Mas continuemos com a descrição da escola comunista. Mostrando os fins gerais da escola soviética, dizia o comunista Zinoviev: “transformar a escola que é arma de dominação burguesa, em arma de destruição da desigualdade das classes sociais, em arma da construção comunista da sociedade”.  E vejam o que disse o próprio Lenine: “A menor atividade da escola, cada passo da educação, no aprendizado, na instrução, devem estar indissoluvelmente ligados à luta dos explorados contra os exploradores”.  E Paulo Freire deixou transparecer seu preconceito contra os que ele considerava “opressores”: “Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse à classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica”. Na verdade, porém, para os comunistas sim,  o papel fundamental da escola  é formar o futuro lutador do comunismo, o construtor do novo regime. Os comunistas lutam para que a  escola faça todo o possível para armar o aluno com a ciência, os processos e os hábitos que lhe facultem cumprir sua missão de revolucionário. Portanto, para os comunistas a escola deve ser a arma ideológica da revolução, da luta de classes.

Não posso deixar de citar a alta ilustração sobre o tema, feita pelo Papa Pio XI na “Divini Redemptoris”: “Insistindo sobre o aspecto dialético de seu materialismo, os comunistas pretendem que o conflito que leva o mundo até a síntese final, pode ser acelerado pelos homens. Daí o esforçarem-se por fazer mais agudos os antagonismos que surgem entre as diversas classes sociais; e a luta de classes, com os seus ódios e destruições, adquire o aspecto de uma cruzada pelo progresso da humanidade”.

Os romanos diziam: “Maxima debetur puero reverentia”: o máximo respeito se deve à criança. Mas os professores comunistas, ali dentro das quatro paredes da sala de uma escola, geralmente longe da vigilância dos pais, procuram fazer uma lavagem cerebral que consiste em tirar Deus e, em seu lugar colocar a pura matéria nas mentes pueris e juvenis. S. Paulo diz que não podemos dar lugar ao demônio. O mesmo devemos dizer dos esquerdistas. Caríssimos, vemos que também no Brasil se realizou esta profecia de Nossa Senhora em Fátima, profecia esta feita no mês de julho de 1917: “Se não atenderam aos meus pedidos a Rússia espalhará seus erros pelo mundo”. E qual é o erro da Rússia? É a doutrina comunista. Os esquerdistas se infiltram na Hierarquia da Igreja, na Política, e até nos Exércitos, e vão envenenando e manobrando as mentes, especialmente nas escolas. Fidel Castro implantou a revolução comunista em Cuba com a colaboração de católicos, católicos estes animados por Padres. O mesmo vem acontecendo no Brasil e esperamos que o nosso povo cristão tenha aberto de vez os olhos contra os teólogos da Libertação e as CEBs. E nunca percamos de vista que os comunistas têm uma ousadia e tenacidade verdadeiramente diabólicas.

Meditemos este fato contado pelo então Padre Fernando Arêas Rifan no seu livro “QUER AGRADE QUER DESAGRADE”:

“Certa vez, em Turim, numa reunião de círculos católicos, se discutia por que razão os Partidos comunistas cresciam e progrediam tanto, ao passo que os Partidos católicos se enfraqueciam. Depois de muitas opiniões, um senhor, que tinha sido militante comunista e se convertera ao catolicismo, levantou-se para falar, dizendo que sabia perfeitamente e por experiência a causa daquela diferença: ‘É porque nós comunistas falávamos a mentira, mas com toda a desfaçatez e coragem como se estivéssemos falando a verdade; e os católicos falam a verdade, mas com um medo terrível como se estivessem falando a mentira!’

Hoje, graças a Deus, as redes sociais (graças à Internet bem empregada) estão fazendo a diferença! Quantas grandes inteligências, das quais, algumas mesmo exponenciais da Direita, estão mostrando com clareza e destemor, as falácias dos políticos comunistas! Vejo isto com grande alegria na alma, e uma chama viva de esperança  certamente se acende em nossos peitos: o nosso Brasil não será mais maculado pelo vermelho comunista!

Caríssimos, peçamos a Deus a grande graça de termos professores que amem a Deus e assim, só com o seu bom exemplo já serão nas salas de aula, o bom odor de Jesus Cristo! Amém!

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6 dezembro, 2018

Triste ironia.

Por Padre Élcio Murucci, 6 de dezembro de 2018 | FratresInUnum.com

O Filho de Deus desceu dos Céus à terra para nos libertar do pecado e nos dar a Sua graça que nos garante a Salvação eterna. Nosso Senhor Jesus nasceu para morrer por nós. Os “teólogos” comunistas da “Teologia” da Libertação, dizem que Jesus veio para libertar os pobres, os oprimidos pelos poderosos capitalistas.

As-Três-Cruzes-detalhe-–-Vincenzo-Foppa-séc.-XV.-Museus-Diocesano-de-Milão-Itália.

O Senhor crucificado entre dois ladrões.

Por uma triste ironia ou, melhor dizendo, por uma rígida lógica comunista, o STF na maioria de seus componentes vota a favor do indulto de Natal de Michel Temer, indulto este em total contraste com a finalidade da vinda de Jesus ao mundo. “Ele (o Verbo) estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu e os seus não o receberam” (S. João I, 10). Jesus Cristo escolhe na verdade, como primeiros adoradores os pobres, ou seja, os pastores de Belém. Mas chama também os ricos, os reis do Oriente. Já no Antigo Testamento Deus concedeu riquezas a muitos homens santos, inclusive ao próprio Patriarca de Seu Povo, Abraão. Portanto, Deus não exclui os ricos do Reino do Céu. Exclui sim os ladrões não arrependidos, ladrões estes de que classe econômica forem. Jesus fora crucificado entre dois ladrões, mas só perdoou o que se arrependeu. Jesus veio para salvar o que estava perdido. Por exemplo Zaqueu estava perdido, porque adquiriu riquezas roubando. Mas ele se arrependeu e recebendo Jesus em sua casa, prometeu que repararia toda sua vida de corrupção, retribuindo quatro vezes mais o que tinha defraudado. Aí, e só então, Jesus disse-lhe: “Hoje entrou a salvação em tua casa”. Ao entrar na casa de Zaqueu, Jesus não disse: “eis que a salvação entra em tua casa!”. Não! Só o disse quando Zaqueu arrependido promete reparar sua vida corrupta.

Pois bem, libertar ladrões, e não qualquer ladrõezinhos, mas corruptos condenados pela bendita Lava Jato e outras operações, por somas mi e até bilionárias, é algo que entristece as pessoas de bem. Porque, como disse o digníssimo ministro do Supremo o Sr. Roberto Barroso: ‘CORRUPÇÃO MATA”. Quero dar um exemplo: Sou aqui do Estado do Rio de Janeiro, e quero dizer que as roubalheiras de Cabral e Cia, causaram inúmeras mortes de inocentes. Não havia dinheiro para infra-estrutura e muitos morreram por epidemias, a polícia não tinha recursos para devidamente enfrentar bandidos armados, às vezes melhor que os policiais; e estes temem mais os capas pretas que os bandidos; muitos acidentes fatais por causa do estado precaríssimo de muitos asfaltos, muitos pessoas conhecidas, inclusive paroquianos meus, morreram em filas do SUS, e pior, muitos morreram por falta de hospital, de medicamentos, em muitos hospitais não havia leitos suficientes, etc. Agora, basta transferir este exemplo para todo o nosso continental país. É uma lástima!

Eis a triste ironia: Jesus passou fazendo o bem, curando os doentes e até restituindo a vida aos mortos. E o STF aprova (com duas honrosas exceções) o indulto de NATAL para corruptos presos. Caríssimos, sabem o que estes homens irresponsáveis fizeram: Foi-lhes perguntado por Pilatos (Michel Temer): A quem quereis que vos solte no aniversário de Jesus:  Jesus que foi preso e condenado por ter feito o bem, ou Barrabás que fora ladrão e assassino? STF! a quem quereis que vos solte: a Jesus que deu a vida aos mortos, ou a Barrabás que deu a morte aos vivos? Todos responderam (com exceção de dois): no Natal de Jesus, como presente, que Ele seja condenado nas pessoas de classe média, média alta e alta, mortas por bandidos (indiretamente e só por isso não são considerados crimes hediondos); e também nas pessoas dos pobres que morreram por causa da corrupção e que Barrabás, ladrão e assassino, seja livre da cadeia, nas pessoas dos corruptos! Pode haver decisão mais insensata, fatídica e imoral do que esta?!

Seria de muito melhor alvitre que todos os políticos, desde o Presidente até os vereadores, todos os magistrados do STF fizessem uma redução nos seus salários em 30%,  pelo menos no mês de dezembro e este montante fosse destinado pelo Presidente a pagar o 13º da bolsa família para que os mais pobres pudessem celebrar com mais alegria o Santo Natal. Pois, Jesus que era rico, se fez pobre para nos enriquecer com as verdadeiras riquezas celestiais. Magistrados, pelo menos, granjeai riquezas nos tabernáculos eternos ajudando os pobres e não os ricos corruptos; e não queirais ainda mais empurrar os corruptos para o inferno. Se ainda disto não tomaram consciência, fiquem sabendo que, pelo menos diante de Deus, serão também responsáveis pelas mortes decorrentes da corrupção. Meditem nisto e voltem atrás enquanto é tempo.

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1 dezembro, 2018

Coluna do Padre Élcio: Os Ardis da Seita Comunista na Educação.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 1 de dezembro de 2018

O que tudo comanda são as ideias. Ao modo de pensar e de crer corresponde o modo de agir. Assim, dentro da mesma lógica, devemos dizer que o problema moral está em dependência rigorosa do problema religioso. Ora, para a seita comunista que é ateia, visceralmente materialista, não há moral e a religião é farsa. Para um ateu é legítimo tudo o que venha contribuir para seus ideais materialistas. Se não há Deus, não há mandamentos, leis de Deus. Portanto, roubar, matar, mentir são coisas legítimas.

Crucifixo-em-sala-de-aulaDaí, antes de implantar o regime, isto é, a ditadura comunista num país, é mister, segundo seus corifeus, primeiro fazer uma lavagem cerebral nas crianças, adolescentes, jovens nas escolas, faculdades e universidades.  Aniquilar neles todo sentimento religioso, pervertendo até as noções e instituições mais naturais. Se a Religião, para os comunistas, é o ópio do povo, na verdade, eles fazem do materialismo, da corrupção, o ópio das massas. E como fazem isto?  Devemos reconhecer que o desregramento moral que hoje assola o mundo, é fruto e fase final do trabalho de séculos: a revolução do homem contra Deus, do homem que se quis se colocar no lugar de Deus. Isto teve início com o humanismo. Seu fim foi  banir por completo e por fim destruir absolutamente o sobrenatural, o divino. Ora, o homem afastado de Deus e negando a Deus, sente-se livre de todo jugo e fora do domínio de toda a lei. O “eu” passa a ocupar o lugar de Deus. O homem, doutrinado no puro materialismo, inchado de soberba e alucinado por si mesmo, diviniza a própria raça humana.

Entrincheira-se nas espaldas do mais surdo egoísmo. E como disse Anile: “Quando a caridade começa a faltar, começam as grandes revoluções a preparar-se”. Assim, reduzida a existência humana aos limites restritos do tempo, eliminada a visão do transcendente, afirmou-se, por rígida lógica, o princípio hedonista da vida. Na verdade, para que estabelecer um limite ao gozo, para que opor um freio aos instintos do coração e da carne, para que aceitar a dor, para que fazer renúncias e sacrifícios como ensinou Cristo? Donde, as mentes foram sofrendo uma mutação ideológica inadvertida: a moral humana passou a parecer anti-humana e ilógica. Só o paganismo, imoralíssimo na sua essência, pareceu aceitável. E hoje vemos este triste quadro: aqueles que continuam a viver e a regular-se pelos velhos (e sempre novos) princípios são acoimados de homens fora do seu tempo. Verdadeiramente, quando o homem se afasta de Deus, desonra-se e perece miseravelmente.

É o que vemos em todas os países em que os comunistas implantaram sua ditadura. Depois do humanismo, o comunismo encontrou o terreno fértil para banir Deus das mentes, e afirmar que Deus simplesmente não existe. Só existe a evolução da matéria. E assim, após a primeira guerra mundial, passando pela segunda até os dias atuais,  o que vemos?  E por que damos como parâmetro das subseqüentes considerações as duas guerras mundiais? Porque elas já foram castigos dos pecados da humanidade, como explicou Nossa Senhora em Fátima. E o comunismo seria o maior castigo.

Vamos descrevê-lo em poucas palavras:

A maioria dos homens não leva mais em conta as leis morais e assim cooperam para a descristianização da sociedade. Quem não vê que os maus costumes, quer em público quer na vida particular, ultrapassam todas as medidas? A família cristã está sendo destruída. O lar doméstico, com raras exceções, converteu-se num foco de infecção que corrói, como gangrena oculta, todo o organismo da sociedade.  Mas é nas escolas e universidades que é inoculado o veneno do comunismo ateu. As quatro paredes da casa impedem por vezes que se veja por fora o véu de ignomínia que a cobre. Nas escolas, mais ainda. Ali reina a escravidão mais desumana que é a lavagem cerebral comunista. Poucas são as exceções. Esta podridão tanto familiar como escolar é mortal, porque, mais cedo ou mais tarde, supura para fora e concorre inevitavelmente para contaminar a vida pública. E os sinais dessa contaminação já estão à vista de todos os que querem ver. Infelizmente, digo com lágrimas, os comunistas conseguiram o que eles acham ser a facada mortal na Igreja: um papa que os favoreça.  Mas Jesus (que livrou Jair Messias Bolsonaro da morte), dela não livrará a Sua Esposa Mística, a Santa Madre Igreja?! Claro que sim! “As portas do inferno nunca prevalecerão contra ela” (S. Mateus XVI, 18). Por isso, hoje já não há nada que se oponha à satisfação das próprias ambições e dos apetites carnais mais abjetos. Procura-se o prazer, sem quaisquer preocupações de evitar ao menos o escândalo, porque este, terrível e assustadoramente está escancarado no seio da hierarquia da própria Igreja: corrupção no que tange à dinheiro; corrupção atinente aos costumes.

Chegou-se ao auge da abominação e da iniquidade, quando vemos países fazendo leis contra as leis de Deus. E a grande mídia (com poucas exceções), são os veículos do comunismo e assim da perversidade. A consciência pública  já não se escandaliza. E é assim que os comunistas acham o caminho aberto para todos os enganos, para todas as fraudes, para todas as trapaças, para todas as mentiras que compõem a intriga da convivência social dos nossos dias. Daí estamos vendo através da abençoada Lava Jato e em breve, com certeza, vê-lo-emos na abertura da caixa preta do BNDES, o furto organizado com a astúcia mais requintada, com o propósito perverso de explorar a ignorância de milhões de  brasileiros que pelo voto colocaram políticos esquerdistas no poder.

Caríssimos, o único caminho de salvação, no meio de tanta confusão, entre tantas dores e tanta decadência moral, é o regresso ao Evangelho. Isto significa: aproximação de Nosso Senhor Jesus Cristo e, portanto, regresso aos conceitos cristãos da vida. Escrevi pensando mais no Brasil, mas, na verdade, é todo o mundo que é preciso refazer desde os alicerces;  é preciso CONVERSÃO, é preciso transformar o homem de selvagem que se tornou, em humano; mais, de humano em divino, segundo o Coração de Deus. Amém!

PS: Se Deus assim o permitir e o “FRATRES IN UNUM” assim achar por bem,  escreverei, durante este ano litúrgico de 2019, artigos contra o comunismo e o socialismo.  Para tanto peço as luzes do Divino Espírito Santo; imploro também as orações de meus caríssimos leitores.

28 novembro, 2018

Pesadelo ou Demônio?

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com

Caríssimos, o que vou contar aqui foram fatos que se deram comigo. O primeiro talvez explique os seguintes.

Na explicação da Epístola do domingo, 14 de outubro passado, no meio do sermão, veio-me uma inspiração de contar um fato que se deu comigo no dia 26 de setembro de 1974, fato este que nunca havia contado publicamente e, particularmente, só a umas três pessoas.

São Miguel ArcanjoE o motivo é porque procurava interpretá-lo como um pesadelo, embora meu superior me tivesse dado a certeza que se tratava de um ataque do demônio. Hoje, com a experiência de 44 anos de sacerdócio, já aceito a opinião de meu ex-reitor no Seminário que então funcionava nas dependências da Igreja de Nossa Senhora do Terço em Campos, RJ, onde se deu o fato que passo a contar unicamente pensando que possa fazer algum bem às almas.

Este meu superior, que também era pároco desta mesma Igreja, Cônego José Luiz Villac, pediu que eu pregasse na festa de S. Miguel Arcanjo, celebrada no dia 29 de setembro. Seria meu primeiro sermão, pois tinha sido ordenado diácono em 1974 e só em 08 de dezembro do mesmo ano seria ordenado sacerdote. Durante a novena do Santo Arcanjo da Milícia Celeste, estava preparando o sermão. Era o dia 26 de setembro de 1974 e meu colega, o diácono Fernando Areas Rifan, não estava, não me lembro porque razão. E eis o que aconteceu.

No meio da noite, não me lembro a que horas, eu estava dormindo. Graças a Deus nunca tive problemas no sono. Dormia como uma pedra. Mas, eis que, de repente, senti que uma serpente e logo depois uma espécie de tênue sombra sem forma bem definida se atirou contra mim, como para me estrangular. Voei da cama e rolei com aquele ser quase invisível, mas, não sei como; pois, sem vê-lo, eu o acompanhei em todos os recantos de meu quarto e o tempo todo eu procurava atingi-lo com socos. Havia um monte de malas ao lado de minha mesa de trabalho onde esculpia e pintava. Inclusive, neste mesmo dia, havia acabado de esculpir e pintar uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. Pois bem, com socos, derrubei malas pesadas, derrubei tudo o que estava sobre a mesa, menos, graças a Deus, a imagem que estava no meio da mesa cercada dos meus objetos de escultura e pintura. Não saberia dizer quanto tempo durou a briga. O fato é que o seminarista que dormia no quarto vizinho acordou com o barulho, e depois de ver que o barulho não parava, achou (como ele me disse) que estivesse me defendendo de algum ladrão. Criou coragem e bateu na minha porta. Aí é que acordei. Abri o porta e ele (era o seminarista José Gualandi) disse assustadíssimo: Que foi isto, Murucci? Tem ladrão aí? Você está com a rosto todo cheio de sangue! Falei: não é possível! Mas fui olhar no espelho e confesso que fiquei apavorado. Olhei as mãos e estavam com vários galos e hematomas. Como nunca fui um homem assustado, fui deitar e dormi tranquilamente. Mas no outro dia cedo correu a notícia dentro do Seminário e meu reitor, o Revmo. Cônego José Villac, quis me ver e ficou convicto que fora o demônio que me atacou porque iria pregar na festa de S. Miguel Arcanjo. O detalhe interessante é que todas aqueles hematomas e feridas, no outro dia à tarde, já haviam sumido inteiramente, ficando apenas uma pequena marca nos lábios até hoje.

Outros fatos: Fui ordenado sacerdote em 08 de dezembro de 1974 e no início do ano seguinte, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória, colocou-me nesta mesma paróquia de Nossa Senhora do Terço. E poucos dias após a posse, apareceu na sacristia onde eu estava um homem desconhecido. Disse-me: padre gostaria de conversar em particular com você. Chamei-o para uma sala mais retirada. Ele disse-me: Padre, eu desde bem novo sempre me envolvi com coisas relacionadas ao demônio. Cheguei até aos mais altos graus. Agora, estão me dizendo que, para eu conseguir o máximo, tenho que entregar minha alma ao demônio. Que você acha? Respondi-lhe: não acho nada, devemos ter certeza de estarmos com Deus e rejeitarmos o demônio. Aí disse tudo o que ele devia fazer. Não respondeu nada, despediu-se e foi-se embora. Qual foi sua intenção, só saberei no dia do juízo.

Outro fato: Era meu sacristão o Sr. Ayres Penha, de santa memória. Quando me lembro dele, fico pensando que foi um santo, e como era negro, penso que foi um outro S. Benedito. Que rapaz educado e caridoso! Todos os campistas que tiveram a graça de conhecê-lo devem concordar comigo: já deve estar no céu. Pois bem! Um dia ele disse-me: Padre Elcio, fique atento, porque fiquei sabendo que há na cidade uma mulher extremamente estranha, é uma agente comunista de S. Paulo, mas que percorre o Brasil todo com uma missão diabólica: seduzir os padres que pregam contra o comunismo. Caso ela não consiga, ela espalha calúnias contra eles. E acho que ela usa o confessionário, porque ali o padre fica sem defesa por causa do sigilo sacramental. Por isso, se ela aparecer e pedir confissão V. Reverendíssima, não atenda! Agradeci muito a ele. No outro dia uma mulher ligou pra mim pedindo confissão. Perguntei: a senhora é paroquiana minha? Ela não quis dizer de onde era. Só disse que: “não sou daqui”. Pedi que ela viesse depois de três dias e marquei a hora e disse que, primeiro, gostaria de conversar em particular com ela. Como eu tinha em Campos um grande amigo militar, por sinal capitão, expus pra ele toda esta história. Ele disse que iria combinar tudo com o Serviço Nacional de Informação, SNI. A sacristia era separada da sala dos paramentos com uma cortina, e os agentes do SNI ficaram atrás com os microfones. A estranha mulher chegou na hora exata e parou na porta e perguntou: não tem ninguém aqui para gravar minha conversa? Disse-lhe sem mentir: Fique tranquila e sente-se aqui.

Hoje, com minha longa experiência em exorcismos, tenho certeza que aquela mulher estava possessa. Ela desviou a conversa e não falou nada que pudesse comprometê-la. A não ser pelo demônio ela não podia saber e nem de longe desconfiar de nada. Mas, ao sair foi seguida dos agentes do SNI. O que se deu depois não sei.

Atendendo os doentes, porém, topei com uma mulher que me pareceu ser a tal comunista. Mas, como não tinha certeza, fui conversar com ela. Pois bem, ela não quis se confessar, mas suas conversas foram no sentido de me seduzir, e quando começou a me tocar com maldade, virei as costas e sai quase correndo. Mas tive a inspiração de pedir no hospital a prancheta onde estavam os seus dados pessoais. Sendo eu padre e prometendo guardar segredo, logo mo cederam. Só posso dizer que ficou confirmado ser a tal comunista possessa.

Caríssimos, os comunistas, que são na verdade ateus, mas, vão às missas celebradas por comunistas padres e nela comungam, embora sejam favoráveis à lei do aborto e a tudo o que destrói a família, podem estar certos, estão possessos de demônios, espíritos malignos espalhados pelos ares.

Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, defendei a nossa querida Pátria do Comunismo! Amém!

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24 novembro, 2018

Coluna do Padre Élcio: “A abominação da desolação no Lugar Santo”.

Evangelho do 24º Domingo depois de Pentecostes – o último do ano litúrgico — S. Mateus XXIV, 15-35.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 24 de novembro de 2018

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Quando virdes no lugar santo a abominação da desolação, que foi predita pelo profeta Daniel, quem ler, entenda. Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; e o que se achar no terraço, não desça para ir buscar coisa alguma de sua casa; e o que estiver no campo, não volte para tomar a sua túnica. Ai, porém, das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Rogai, pois, que a vossa fuga não seja nem no inverno, nem em dia de sábado. Porque haverá grande aflição, qual nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá. E se estes dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas, por causa dos Eleitos, serão abreviados esses dias. Então, se alguém vos disser: Aqui está Cristo, ou Ele está ali, não lhes deis crédito. Porque, se levantarão falsos Cristos e profetas, e farão tão grandes prodígios e milagres, que (se fosse possível) até os Eleitos seriam enganados. Vede que já vo-lo predisse. Se, pois, vos disserem: Ei-lo, está no deserto, não saiais. Ei-lo, aqui, no interior da casa, não lhes deis crédito. Porque, como o raio parte do Oriente e é visível até o Ocidente, assim, será a vinda do Filho do homem. Onde quer que esteja o corpo, aí se ajuntarão as águias. Logo após a tribulação daqueles dias, o sol se escurecerá, a lua não dará mais a sua luz, as estrelas cairão do céu, e as forças do céu serão abaladas. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com grande poder e glória. E enviará seus Anjos com forte clamor de trombetas e reunirão os eleitos, dos quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus. Da figueira aprendei, pois, uma comparação. Quando seus ramos já estão tenros e as folhas brotam, sabeis que já está próximo o verão; assim, também, quando virdes todas estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas se cumpram. Passará o céu e a terra, mas minhas palavras não passarão”.

 

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Estamos no último Domingo do Ano Litúrgico. É a profecia de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre a ruína de Jerusalém e sobre o fim do mundo. Para boa compreensão deste Evangelho não se deve perder de vista que Nosso Senhor fala, ao mesmo tempo, da ruína de Jerusalém e do fim do mundo. Os desastres espantosos e extraordinários que assinalaram o fim do povo judeu são apenas uma imagem da confusão e desordem que há de preceder o fim do mundo. Jesus parece ter diante de si, um só espetáculo, onde estão confundidos estes dois acontecimentos, e os pormenores que Ele profetisa, são aplicáveis, ora à tomada de Jerusalém, ora ao fim do mundo, ora aos dois fatos indistintamente.

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Em resumo Jesus Cristo ensina: que o Templo e a cidade de Jerusalém serão destruídos; que no fim do mundo (que só Deus sabe quando é) Ele voltará  em sua glória para julgar todos os homens. O Divino Mestre alerta os seus discípulos que não devem dar crédito aos falsos cristos que aparecerão e nem temer as perseguições, mas perseverar até o fim.

Devem estar sempre preparados, porque o dia do juízo virá como um ladrão, quando menos se esperar. Alguns sinais, no entanto, podem indicar sua proximidade. Mesmo assim, é preciso lembrar o que diz a Bíblia: “Mil anos, diante do Senhor, é como um dia” (2 Pedro III, 8).  Pouco depois da morte de Nosso Senhor, surgiram muitos falsos profetas que se apresentaram como sendo o Messias. Tinham por objetivo principal sublevar o povo contra a odiosa dominação dos romanos, e, entre muitos distinguiram-se Teudas que arrasta as multidões a caminho de Jerusalém, levando-as a acreditar que o Jordão se abriria à sua passagem; Barchochebas e Simão, o Mago, que multiplica simulacros de prodígios e esparge redes de enganos. “Antiguidades”, de Josefo, são como que um comentário das palavras evangélicas. Aos ruídos de guerra sucede a própria guerra, guerra de morte na Palestina, em todas as regiões do Império. A esterilidade é contínua – dizia o historiador Suetônio. Perto de Nápoles, o solo tremia já com rugidos sinistros. Jerusalém e Roma estremeciam com um terremoto, e se sentia já o começo das dores, quer dizer, a perseguição, as cruzes, as bestas, as luminárias, erguidas, soltas, acesas pelo verdugos de Nero. E chega a abominação da desolação; o Templo convertido em cidadela das tropas do governador da Síria, a cidade entregue à tirania, o efod pontifical adornando o peito de um labrego, as hordas de João de Giscala fechando as portas da cidade, e Tito caminhando a marchas forçadas, para erguer à sua volta fossos, torres e muros e fazer dela o sepulcro do povo de Israel. “Jamais povo algum, – dizia Josefo – terá sofrido tantas calamidades, misturadas com tantos crimes”. O próprio Tito, imperador Romano, confessava que Deus tinha combatido pelos sitiantes, cegando os judeus e arrancando-lhes os seus baluartes inexpugnáveis. Em sete meses de assédio, morreu mais de um milhão de homens, e os que ficaram foram distribuídos por todas as províncias do Império com a marca de escravos na fronte. Josefo diz que tal foi a fome, que as mães chegaram a devorar os próprios filhos. Se as desgraças do mundo inteiro desde a criação, fossem comparadas às que os judeus sofreram então, achar-se-iam inferiores a elas”.

Segundo São Jerônimo, é preciso ter estado na Palestina para julgar da situação das suas cidades e praças, após o seu tremendo castigo. “Apenas se descobrem, diz ele, alguns vestígios de ruínas onde outrora se levantaram grandes cidades. Os pérfidos vinhateiros, depois de ter assassinado os servos, e, finalmente, o Filho de Deus, não têm mais agora o direito de entrar na cidade de Jerusalém senão para chorar, e ainda para que lhes seja permitido chorar sobre as ruínas da cidade santa, são obrigados a pagar um certa soma de dinheiro. Os que outrora tinham comprado o sangue de Jesus Cristo, compram agora as suas próprias lágrimas. Vede este povo lúgubre que chega no aniversário da tomada de Jerusalém e da sua destruição pelos romanos. Essas velhas decrépitas, estes velhos carregados de anos e andrajos, são outras tantas testemunhas da cólera de Deus. O bando miserável se reúne, e enquanto brilha o instrumento do suplício do Salvador na Igreja da
Ressurreição, enquanto o estandarte da Cruz está deslumbrantemente desdobrado por sobre o monte das Oliveiras, este povo desgraçado chora sobre as ruínas do seu Templo”.

Sobre o Templo de Jerusalém Jesus dissera que não ficaria pedra sobre pedra. Esta profecia se cumpriu no ano 70, quando depois de tomarem Jerusalém, os soldados chefiados por Tito atearam fogo ao Templo. Mais tarde Juliano Apóstata, com a intenção de reedificá-lo, destruiu completamente a parte que ficara. Que será de nós, ó Senhor, no dia em que nos chamardes a dar-vos contas? Com um coração traspassado de dor, nós  Vos pedimos humildemente perdão. Amém!

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17 novembro, 2018

Coluna do Padre Élcio: “Abrirei em parábolas os meus lábios”.

 Evangelho do 26º Domingo depois de Pentecostes – Transferido o 6º domingo depois da Epifania.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 17 de novembro de 2018

Naquele tempo, propôs Jesus ao povo esta parábola: O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e semeou em seu campo. Este grão é, em verdade, a menor de todas as sementes, mas depois de crescida, é a maior de todas as hortaliças e chega a tornar-se uma árvore, de maneira que as aves do céu vêm e fazem seus ninhos entre os seus ramos. Disse-lhes ainda outra parábola: O Reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que ela fique levedada. Todas estas coisas disse Jesus ao povo, em parábolas; e não lhe falava senão em parábolas, para que se cumprisse o que estava escrito pelo Profeta?Abrirei em parábolas os meus lábios e publicarei coisas ocultas desde a criação do mundo.

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Neste domingo a Santa Igreja apresenta para nossa meditação, mais duas parábolas: a do grão de mostarda e a do fermento.

Os Santos Padres dão-nos vários sentidos da parábola do grão de mostarda:
Parabola da Semente de Mostarda

A parábola do grão de mostarda.

1º – PRIMEIRA SIGNIFICAÇÃO:  A pregação do Evangelho, isto é, da doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Desde o princípio, com efeito, a pregação da doutrina  de Nossos Senhor foi como uma semente muito pequena, como um grão de mostarda, lançado primeiramente pelo próprio Divino Mestre e pelos Apóstolos na Judeia e depois em toda terra, no meio de contradições e de perseguições. Jesus dizia: “Quando Eu for levantado da terra, atrairei tudo a mim”. E São Paulo diz: “Prego a Jesus crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios”. Mas este grão de mostarda germinou, cresceu e fez-se árvore (na palestina o pé de mostarda chega até a três metros de altura) em que as aves do céu, isto é, as almas fiéis e generosas vêm pousar em multidão, à espera de voarem para o Céu.

2º – SEGUNDA SIGNIFICAÇÃO: A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como o grão de mostarda, a Igreja era pequena em seus começos, e está hoje espalhada por todo o mundo; tornou-se uma grande árvore onde os pássaros, isto é, os cristãos de todos os séculos, vêm buscar abrigo e alimento. Os grandes e belos ramos desta grande árvore são os ensinos que saem do firmíssimo tronco, que é a Igreja. As almas nobres e verdadeiramente aladas, os que sabem erguer-se acima das misérias da vida, encontram repouso, paz e tranquilidade, à sombra de sua doutrina.

O escândalo da cruz, a severidade da sua moral, as heresias nascentes, as terríveis perseguições durante séculos, devastando pastores e ovelhas, tudo isto parecia condenar a Igreja ao desaparecimento, como acontece com um grãozinho de mostarda que cai no chão e é pisado. Mas, ó maravilha! o pequenino grão de mostarda (já figurado pela pequenina pedra desprendendo-se da montanha, e mostrado ao profeta Elias sob a figura da pequenina nuvem que, pouco a pouco, se avoluma no horizonte) desenvolve-se admiravelmente de século para século, e transforma-se numa grande árvore que estende seus ramos até aos confins da terra e cobre o mundo inteiro com a sua benéfica sombra.

3º – TERCEIRA SIGNIFICAÇÃO: A graça de Deus em nossas almas. A graça é, muitas vezes, no princípio, quase imperceptível: é um bom  pensamento, uma santa inspiração, uma secreta impulsão, um bom exemplo, uma simples palavra… Mas esta graça germina, cresce, aumenta na alma, torna-se como uma grande árvore, e produz frutos de santidade e de salvação, que edificam e alegram toda a Igreja.

4º – QUARTA SIGNIFICAÇÃO: O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo: Referindo-se à sua Morte e Ressurreição Jesus disse que, se o grão não cair na terra e morrer, não germina e nem dá fruto. Tendo aparecido na terra pobre e humilde, vive nela vida obscura e pobre e é perseguido, reduzido a quase nada como um verme, na Sua Paixão; é sepultado e como que semeado na terra… Mas sai de lá triunfante e glorioso, estendendo a sua doutrina e o seu poder por toda a terra, e recebendo as adorações do mundo inteiro.

Vejamos agora a parábola do fermento. Esta parábola parece-se com a da mostarda; mas suscita uma ideia de certo modo diferente. Se a parábola do grão de mostarda nos revela a expansão gradual do Evangelho e o seu extraordinário desenvolvimento, esta do fermento faz-nos ver o trabalho interior da graça na alma dos eleitos.

Com efeito, aqui o fermento é tomado como figura da graça de Deus, que infundida em nossas alma por meio dos sacramentos, ali se desenvolve insensivelmente e produz frutos de santidade e de salvação, se não lhe pomos obstáculos. É mister o fervor, o calor do amor de Deus para que este fermento divino tenha todo o efeito em nossa alma. Aqui pensamos especialmente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. O pão eucarístico que a Igreja nos dá e que é posto em nós como um fermento sagrado, para nos penetrar, mudar e transformar em Jesus Cristo, fazer de nós com Ele, um mesmo espírito e uma mesma carne, a fim de que nos tornemos um pão místico, digno de ser oferecido a Deus.

Todos os fiéis que comungam, e mais especialmente os que comungam com frequência, deveriam ser para todos aqueles que os cercam ou que eles frequentam, quer fossem cristãos quer descrentes, um como fermento salutar; isto é, assim como o fermento transforma a massa, assim, o verdadeiro cristão deve operar, naqueles com quem se mistura, uma feliz transformação, convertendo-os, tornando-os melhores, fazendo deles frutos saborosos, dignos e fiéis discípulos de Jesus Cristo.

Senhor Jesus, abri os olhos da nossa alma, para que compreendamos as celestes instruções que nos dais em vossas divinas parábolas. Amém!

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10 novembro, 2018

Coluna do Padre Élcio: “Enquanto os homens dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio entre o trigo”.

Evangelho do 25º Domingo depois de Pentecostes – Transferido o 5º domingo depois da Epifania – S. Mateus XIII, 24-30.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 10 de novembro de 2018

“Naquele tempo, disse Jesus às turbas esta parábola: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. Enquanto, porém, os homens dormiam, veio o seu inimigo, semeou o joio entre o trigo, e retirou-se. Quando a erva cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Então os criados do pai de família foram ter com ele e lhe disseram: Senhor, porventura não semeaste boa semente em teu campo? Donde vem, pois o joio? Respondeu-lhes ele: O homem inimigo fez isto. Perguntaram-lhe os servos: Queres que vamos arrancá-lo? Não, respondeu ele, para que não suceda que tirando o joio, arranqueis juntamente com ele o trigo. Deixai crescer um e outro até a ceifa; e no tempo da ceifa, direi aos segadores: Colhei primeiro o joio e atai em feixes para o queimar, o trigo, porém, recolhei-o em meu celeiro”.

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Alguns versículos mais adiante, refere São Mateus que, depois de a multidão ter partido, os discípulos se aproximaram de Jesus, pedindo-Lhe: Explica-nos a parábola da cizânia no campo.

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Jesus Cristo atende o pedido e, em poucas palavras, explica a parábola assim: Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem, que desceu a trazer à terra a verdade e a virtude. – E o campo é o mundo, que Ele veio iluminar, fecundar e salvar. – Ora, a boa semente são os filhos do reino, isto é, os justos, os eleitos, aqueles em quem a doutrina e os exemplos de Jesus frutificaram (se bem que a virtude e o estado de graça desses sejam amissíveis neste mundo – o que não acontece na ordem natural: o trigo nunca vira joio). –  E a cizânia são os filhos do espírito maligno, isto é, os maus, os ímpios, os hereges, que, pelas suas ações, são verdadeiros filhos de Satanás, (se bem que a sua malícia e corrupção possam ser lavadas e apagadas neste mundo, pela penitência – o que não acontece na ordem natural: o joio nunca vira trigo). – E o inimigo que a semeou é o demônio, que, por ódio a Deus e aos homens, faz o contrário do Salvador e semeia o erro e a mentira para nos perder. – A ceifa é a consumação dos séculos, isto é, o fim o mundo, o juízo universal. – E os ceifeiros são os Anjos, que terão o encargo de separar os bons dos maus.

Do mesmo modo, pois, acrescenta o Salvador, que a cizânia é arrancada e queimada no fogo, assim será na consumação do século. O Filho do Homem enviará os seus Anjos; eles tirarão do seu reino todos os escândalos e aqueles que operam a iniquidade; e lançá-los-ão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos de ouvir, ouça!

Caríssimos, esta parábola tem sobretudo por fim: 1º precaver-nos contra a malícia e embustes do demônio. 2º recomendar-nos a paciência com os pecadores, esperando a sua conversão; – 3º enfim, inspirar aos maus, salutar temor do juízo e do inferno, e aos bons, a desconfiança de si mesmos e a esperança da glória eterna.

Gostaria de insistir em uma observação final: Os superiores, sejam eclesiásticos, civis, militares e familiares, devem sempre vigiar porque o demônio, O INIMIGO, nunca dorme, e a ele não se pode dar lugar. Se os superiores, os governantes não estiverem sempre vigilantes, o diabo semeia a cizânia entre o trigo, isto é, introduz os maus, como por exemplo os comunistas, na Igreja, nos governos, nos exércitos; e quanto à família procuram introduzir o vírus da ideologia de gênero. Filhos que são do diabo, pai da mentira, os comunistas usam a falsidade, a astúcia, a duplicidade camaleônica, enfim a mentira. Foi sempre assim. Um padre missionário chamado George escreveu um livro com o título “God’s Under Ground”, livro este no qual narra seu apostolado clandestino em países comunistas. No capítulo V diz ter se encontrado num convento de monges com um general do Exército Vermelho. Era em território Polonês e o Padre George estava acompanhado de seus companheiros de resistência clandestina. Os comunistas tinham expulsado do tal convento alguns monges e as suas celas foram tomadas por oficiais russos. Foi aí que o Padre George encontrou-se com este general que pensou estar conversando com camaradas e assim falou abertamente: “Quanto à religião, não se espantem em ver os monges ainda aqui. Meus amigos, sabemos o que estamos fazendo. Não esquecemos que existe um irreconciliável abismo entre a religião e o Estado Soviético. O materialismo dialético nunca poderá chegar a um acordo com o Cristianismo. Nunca existiu um comunista sincero, que não fosse também ateu. Não pensem que nos esquecemos disso. Mas, no momento, o problema é complexo. Estamos agora nos assenhoreando de grande número de países católicos, como a Polônia. Este povo retardado ainda tem grande apego à sua Religião; se a atacarmos abertamente, nunca atenderão à nossa propaganda. Isto é absurdo, mas é verdade. O melhor que temos que fazer  –  e isto foi decidido nos postos mais altos de Moscou  – é desarmar a oposição inicial desta gente, alterando um pouco a nossa tática. Queremos que eles acreditem que a política mudou e que a liberdade religiosa é o projeto da URSS. Os meus homens têm ordens severas para não destruir as Igrejas destes lugares e não importunar os monges que ficaram na parte do convento a eles destinada por mim, Ficarão aqui para mostrarmos à população polonesa que nós não somos anti-religiosos. Eu mesmo, de vez em quando, vou tomar um copo de vinho com o velho abade. Nas festas principais, apareço na Igreja. Somos muito mais espertos do que os nazistas; eles se tornaram detestáveis para as populações que conquistaram no oriente, porque atacaram de frente a religião. Os senhores vêem o resultado   –  são odiados em todos os lugares. Os senhores verão. Daqui em diante vão começar a acontecer coisas estranhas para a religião. Não permitam que a confusão se estabeleça entre os camaradas; expliquem bem este plano aos membros de nossas células, como expliquei aos senhores. Estamos projetando muitas novidades para esta zona. No dia da Páscoa, por exemplo, o embaixador soviético de Constantinopla deverá comparecer à procissão da tarde, levando uma vela a fim de manifestar o seu respeito ao Patriarca Ecumênico de lá”.

Deu uma risada e comentou:

– Imaginem só! Um homem que há trinta anos faz parte dos Militantes Ateus! Eu o conheço bem. Mas devemos fazer estas pequenas coisas sem importância para o bem do Partido. O embaixador não perderá praticando essa experiência sem maldade  –  e a imprensa mundial ficará emocionada. Deixemos essa velha gente daqui ter as suas Igrejas. O nosso trabalho é com os moços. Precisamos doutriná-los completamente. Precisamos chamá-los para nós. Devemos reforçar a nossa influência com os governos futuros destes países. Graças ao acordo de Yalta. [Não é supérfluo lembrar que foi por meio deste acordo que a Rússia Soviética pôde dominar os países da chamada “Cortina de Ferro]. Mas continuou: “E então, camaradas, poderemos acelerar a marcha. Arrasar todas as escolas religiosas. Abolir os seus crucifixos antiquados. Exterminar a imprensa católica e as organizações da juventude cristã. Então, anunciaremos à população que a tal organização religiosa ortodoxa que mantivemos em Moscou era falsa”. E não há perigo. Muito em breve toda a Europa oriental será ateia. Mas agora, é mais prudente ganhar um pouco de tempo”.

Caríssimos, creio que todos devem ter compreendido. Não podemos dormir, mesmo porque os esquerdistas dizem que o comunismo hodierno é diferente; levará a felicidade aos pobres porque será adequado à realidade de cada país; não é mais aquele comunismo do século passado. Não nos deixemos enganar, não durmamos nem um segundo! Fiquem sabendo que a infiltração nos governos democráticos, pela ocupação de cargos administrativos continua a constituir uma tática poderosa dos comunistas. Que S. Excelência, o Presidente eleito do nosso Brasil cristão, fique sempre vigilante!

Ó bom Jesus, que haveis semeado em nossas almas a boa semente da vossa palavra e da vossa graça, ajudai-nos a conservá-las e a fazê-las frutificar sem mistura de cizânia, a fim de que sejamos sempre trigo puro, digno de ser recolhido nos celeiros do Vosso Pai celeste. Amém!

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3 novembro, 2018

Coluna do Padre Élcio: “Senhor, salvai-nos, que perecemos”.

Evangelho do 24º Domingo depois de Pentecostes – Transferido o 4º domingo depois da Epifania – S. Mateus VIII, 23-27

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 3 de novembro de 2018

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Esta barca agitada pela tempestade é uma das mais perfeitas imagens da Igreja, que transporta sobre o mar deste mundo os discípulos e servos de Jesus. O divino Mestre está lá também, realmente presente, mas oculto e parecendo dormir. Quantas e quantas vezes, desde 20 séculos, a Igreja tem visto a sua existência ameaçada pelas tempestades! Quantas perseguições, ou cruentas e declaradas, ou surdas e hipócritas! Mas devemos ter fé porque Jesus disse: “Eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. De fato, a Igreja conhece o poder d’Aquele que vela, quando parece dormir. A Igreja é indefectível, malgrado todas as borrascas: perseguições sangrentas, heresias e/ou cismas. As portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja de Cristo! A Santa Madre Igreja, nas promessas de sua origem e no desenvolvimento de sua vida sempre trouxe  o signo inconfundível da Divindade; malgrado, pois, as tempestades, as maquinações dos comunistas, os escárnios lançados contra a sua moral e seus dogmas; e não obstante as infiltrações modernistas e comunistas em suas fileiras e mesmo como veneno em suas veias, ela regenera o mundo que se efemina no prazer e se dissolve na corrupção.

Mais atualmente, serena e intangível assiste o esboroar dos tronos, o extinguir-se dos foros comunistas. Resistiu impávida e tranquila à violência dos criminosos, aos sofismas dos falsos doutores, ao gargalhar satânico da ironia impotente, à perfídia rebelde de filhos orgulhosos e corruptos, conjugados numa vasta conjuração contra a VERDADE. A Igreja, firme nas promessas de imortalidade do seu Divino Fundador, contemporiza com dignidade magnânima e, uns após outros, vai enterrando os seus inimigos não arrependidos, e generosa e alegremente, perdoando os que se humilham e se convertem. Ininterruptamente, e mesmo em tempo de crise como o nosso, a Igreja continua a semear a verdade e o bem nas almas. Se Deus conosco, quem contra nós?…

Mas em certas tempestades mais violentas, como se dá na crise atual na Igreja e na sociedade, Jesus parece dormir, enquanto que tsunamis parecem tragar-nos a nós e até a Santa Igreja. Máxime, nestas horas, é mister que resistamos fortes na fé, conservando inabalável a confiança de que Jesus, mesmo que pareça dormir, Ele vela por sua Esposa mística e por nós. Enquanto os maus tramam seus complôs, governantes conjurados contra a Igreja parecem prestes a subvertê-la e levá-la à ruína total, os fiéis atemorizados por tão ingentes perigos, chamam por Jesus. Jesus, então se levanta, comanda as ondas e os ventos; Jesus, com um seu olhar, com um sopro de sua boca, destroça os inimigos da Igreja, frustra seus malignos projetos, desfaz suas criminosas intrigas, e, então faz-se calma e a barca da Igreja retoma tranquila o seu curso através dos oceanos e serenamente leva seus filhos às praias da eterna bem-aventurança, ao porto da salvação, à Pátria do repouso eterno.

Caríssimos, hoje, nesta crise sem precedentes, se considerarmos as coisas de maneira puramente humana, não se verá de onde possa vir o socorro. Sem sombra de dúvida, porém, este socorro virá. Jamais duvidemos disto! Nosso Senhor Jesus Cristo, que parece dormir no fundo da sua barca, a Igreja, levantar-se-á, estenderá suas mãos onipotentes, seus inimigos cairão à Sua direita e à Sua esquerda, e a  Santa Madre Igreja sairá triunfante e mais forte da crise violenta em que os seus inimigos esperavam vê-la perecer. Assim sempre foi e assim sempre será!

Esta barca é também figura de nossa pobre alma, tantas vezes batida por toda espécie de tempestades, durante a viagem no mar perigoso deste mundo. A alma fiel está com Jesus; Ele acompanha-a no mar tempestuoso do mundo. É por suas ordens, é por suas inspirações, é por seus sinais que ela se engajou no tumulto dos afazeres e nos cuidados daqui em baixo. E, no entanto, embora com Jesus, na sociedade de Jesus, embora unida a Ele pela graça, a alma é sujeita às tormentas. Abandonados a nós mesmos, pereceríamos infalivelmente. Mas se Jesus está conosco e é a nosso favor, que receio podemos ter? Felizes as almas que trazem Jesus consigo e sabem recorrer a Ele!

Caríssimos e amados irmãos, as tempestades que acometem a nossa alma são muitas e variadas. São exteriores ou interiores. Entre as exteriores podemos enumerar: as doenças mais imprevistas, longas, dolorosas, dispendiosas; o luto, a perda dos que nos são caros, cuja morte nos enche de grande tristeza; a perda dos bens de fortuna, que nos precipita na miséria ou em dificuldades; calúnias, ódios, processos injustos, vinganças a que nos encontramos expostos, ainda que inocentes etc., etc.

Tempestades interiores: Mais ordinariamente o demônio deixa em paz os seus escravos. “Os cães não mordem nas pessoas da casa” diz São Francisco de Sales. As almas fiéis a Jesus, porém, são agitadas pelas tentações que vêm do demônio, da carne e do mundo. As paixões se agitam dentro delas: o orgulho, a volúpia, a inveja, a cólera, a vingança, a ambição, fazem-lhes terríveis assaltos. Estas nossas paixões como que rugem no íntimo do nosso ser e tentam revoltar-se contra o espírito, para nos arrastar ao mal.  Podemos ainda enumerar: os escândalos, as seduções do mundo, com as suas máximas falsas, as suas ilusões e os seus prazeres. O espírito de fé diz-nos, entretanto, que qualquer luta ou tempestade da vida é sempre querida, permitida ou pelo menos não impedida por Deus. Como dizia Santa Teresinha: “Tudo é graça, tudo é fruto do amor infinito de Deus”. Deus é Pai que nos prova unicamente porque nos ama.

As tempestades da nossa vida fazem que reconheçamos a nossa fraqueza e nos obrigam a recorrer a Jesus; porque sem Ele o que seria de nós?! No meio das tempestades rezamos com mais fervor; praticamos as virtudes mais sublimes: a fé, a confiança em Deus, a submissão à Sua vontade, a paciência e a caridade. As provações servem para, nesta vida, expiarmos as nossas faltas e as nossas imperfeições e merecermos uma coroa melhor no céu. E sobretudo nos tornam mais semelhantes a Jesus.

Assim, fazendo da nossa parte o que pudermos, ponhamos toda a nossa  confiança em Jesus e apressemo-nos a recorrer a Ele com fé e amor. Caríssimos, não deixemos passar uma tão bela ocasião de praticar a humildade, a penitência, a paciência e de aumentar assim os nossos méritos para o céu.

Irmãos caríssimos, não esqueçamos que, mesmo nestas tempestades, Jesus não teve em vista senão um maior bem para nós; agradeçamos-Lhe com toda a nossa alma; conservemo-nos sempre em união com Ele e seremos auxiliados. Ó doce Jesus, o importante é que estejais no coração de cada um de nós! Amém!

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26 outubro, 2018

Coluna do Padre Élcio: Festa de Cristo Rei.

Por Padre Élcio Murucci, 20 de outubro de 2018 – FratresInUnum.com

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

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Para concluir solenemente o ano jubilar de 1925, o Sumo Pontífice, Sua Santidade, o Papa Pio XI instituiu a Festa de Cristo-Rei, a ser celebrada no último domingo de outubro.  Seria esta solenidade uma insistente admoestação para a humanidade inteira reconhecer a Jesus Cristo, o Filho de Deus, como Rei universal do mundo. A Ele se sujeitam os Reis e os Príncipes, os Magistrados e Juízes, as artes e as leis. Cristo deve reinar no espírito dos homens pela fé, na sua vontade pela obediência às Leis de Deus, nos corações pelo amor e ainda nos próprios corpos para que sejam santos para Deus. Jesus Cristo, na verdade, é o Rei dos reis, cujo império trará união e paz para a humanidade.

Mas demos a palavra a Pio XI:

“Na primeira Encíclica, dirigida, em princípio do nosso Pontificado, aos Bispos do mundo inteiro, indagamos a causa íntima das calamidades que, ante os nossos olhos, avassalam o gênero humano. Ora, lembra-nos haver abertamente declarado duas coisas: uma – que esta aluvião de males sobre os universo provém de ter a maior parte dos homens removido, assim da vida particular como da vida pública, Jesus Cristo e sua lei sacrossanta; e outra – que baldado era esperar paz duradoura entre os povos, enquanto os indivíduos e as nações recusassem reconhecer e proclamar a Soberania de Nosso Salvador” (Enc. “Quas Primas”, 11/12/1925, Ed. Vozes, nº 1)

“Muito há que a linguagem corrente dá a Cristo o nome de “Rei em sentido metafórico e transposto”. “Rei” é Cristo, com efeito, com relação a eminente e suprema perfeição com que sobrepuja a todas as criaturas. Assim, dizemos que “reina sobre as inteligências humanas”, por causa da penetração do seu espírito e da extensão de sua ciência, mas sobretudo porque é a própria Verdade em pessoa, de quem, portanto, é força que recebam rendidamente os homens toda a verdade. Dizemos que “reina sobre as vontades humanas”, porque n’Ele se alia a indefectível santidade do divino querer com a mais reta, a mais submissa das vontades humanas; e também porque suas inspirações entusiasmam nossa vontade livre pelas causas mais nobres. Dizemos, enfim, que é “Rei dos corações”, por causa daquela inefável “caridade que excede a toda humana compreensão” (Ef. 3, 19); e porque sua doçura e sua bondade atraem os corações: pois nunca houve, no gênero humano, e nunca haverá quem tanto amor tenha ateado como Cristo Jesus” (Idem, nº 4).

“Aprofundemos sempre mais o nosso argumento. É manifesto que o nome e o poder de “Rei”, no sentido próprio da palavra, competem a Cristo em sua Humanidade, porque só de Cristo enquanto homem é que se pode dizer: do Pai recebeu “poder, honra e realeza” (Dan. 7, 13-14). Enquanto Verbo, consubstancial ao Pai, não pode deixar de Lhe ser em tudo igual e, portanto, de ter, como Ele, a suprema e absoluta soberania e domínio de todas as criaturas” (Idem, nº 5).

Testemunho do Antigo Testamento: Que Cristo seja Rei, não o lemos nós na Escritura? Ele é o “Dominador oriundo de Jacó” (Núm. 24, 19), Ele o “Rei dado pelo Pai a Sião, sua Santa Montanha, para receber em herança as nações, e dilatar seu domínio até os confins da Terra” (Sl 2, 6-8), Ele o verdadeiro “Rei vindouro” de Israel, que o cântico nupcial nos representa sob os traços de um soberano opulento e poderoso, a quem se dirigem estas palavras: “O teu trono, ó Deus, subsistirá por todos os séculos: vara de retidão é a vara de teu reino” (Sl 44, 7). Omitindo muitos passos análogos, deparamos além, como, para delinear com maior nitidez a fisionomia de Cristo, vem predito que seu reino desconhecerá fronteiras e desfrutará os tesouros da justiça e da paz. “Nos dias d’Ele, aparecerá justiça e abundância de paz… E dominará de mar a mar, e desde o rio até os confins da Terra” (Sl 71, 7-8). A estes testemunhos, juntam-se mais numerosos ainda os oráculos dos Profetas, e notadamente a tão conhecida profecia de Isaías: “Já um pequenino se acha nascido para nós, e um filho nos foi dado, e foi posto o principado sobre o seu ombro; e o nome com que se apelide será Admirável, Conselheiro, Deus, Forte, Pai do futuro século, Príncipe da Paz  O seu império se estenderá cada vez mais, e a paz não terá fim; assentar-se-á sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o firmar e fortalecer em juízo e justiça, desde então e para sempre” (Is 9, 6-7). (Idem, nº 6).

“Não é outro o modo como se expressam os demais Profetas. Assim fala Jeremias, quando prenuncia à descendência de Davi “um germe de justiça”, esse filho de Davi, que reinará como Rei, “será sábio e obrará segundo a equidade e justiça na Terra” (Jeremias, 23, 5). Assim Daniel, quando prediz a constituição por Deus de um reino “Que não será jamais dissipado… e que durará eternamente” (Daniel, 2, 44). E pouco depois acrescenta: “Eu considerava estas coisas numa visão de noite, e eis que vi um, como o Filho do Homem, que vinha com as nuvens do Céu, e que chegou até o Antigo dos dias; e eles o apresentaram diante d’Ele. E Ele Lhe deu o poder, e a honra, e o reino; todos os povos, e tribos e línguas o servirão: o seu poder é um poder eterno, que Lhe não será tirado, e o seu reino tal, que não será jamais corrompido” (Daniel 7, 213-14). Assim Zacarias quando profetiza a entrada em Jerusalém, entre as aclamações do povo, do “Justo e Salvador”, do Rei cheio de mansidão “montado sobre um jumento, e sobre o potro duma jumenta (Zac. 9,9). E não apontaram os Evangelistas o cumprimento desta profecia? (Idem, nº 7).

“Testemunho do Novo Testamento: Esta doutrina de “Cristo Rei”, que acabamos de esboçar segundo os livros do Antigo Testamento, bem longe de apagar-se nas páginas do Novo, vem ali, ao invés, confirmada do modo mais esplêndido e em termos admiráveis. Bastará lembrar apenas a mensagem do Arcanjo à Virgem, a anunciar-lhe que dará à luz um Filho; a este Filho, Deus outorgará “o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e seu reino não terá fim” (S. Luc. 1, 32, 33). Ouçamos agora o testemunho do próprio Cristo no tocante à sua soberania. Sempre que se Lhe oferece ensejo, – em seu último discurso ao povo, sobre a recompensa e os castigos que , na vida eterna, aguardam os justos e os maus; em sua resposta ao governador romano que Lhe perguntara se era Rei; depois de sua ressurreição, quando confia aos Apóstolos a missão de instruírem e batizarem todas as nações, – reivindica o título de “Rei” (S. Jo. 18, 37) e que “todo poder Lhe foi dado no Céu e sobre a Terra” (S. Mat. 28, 18). Que entende com isto, senão afirmar a extensão de sua potência, a imensidade do seu reino? À vista disto, deverá fazer-nos estranheza que São João o proclame “Príncipe dos reis da terra? (Apoc. 1, 5) ou que, aparecendo o próprio Jesus ao mesmo Apóstolo em suas visões proféticas “traga escrito no vestido e na coxa: Rei dos reis e Senhor dos senhores”? (Apoc. 19, 16). O Pai, com efeito, constituiu a Cristo “herdeiro de todas as coisas” (Heb. 1, 1). Cumpre que reine até o fim dos tempos, quando “arrojará todos os seus inimigos sob os pés de Deus e do Pai” (1 Cor. 15, 25) (Idem, nº 8).

“A festa, doravante anual, de “Cristo-Rei” dá-nos a mais viva esperança de acelerarmos a tão  desejada volta da humanidade a seu Salvador amantíssimo. É, com certeza, dever dos católicos, apressar e  preparar esta volta com diligente empenho; a muitos deles, contudo, pelo que parece, não toca, na sociedade civil, o posto e a autoridade que conviriam aos apologistas da fé. Talvez deva este fato atribuir-se à indolência e timidez dos bons que se abstêm de toda resistência, ou resistência com moleza, donde provém, nos adversários da Igreja, novo acréscimo de pretensões e de audácia. Mas, desde que a massa dos fiéis se compenetre de que é obrigação sua combater com valentia e sem tréguas sob os estandartes de Cristo-Rei, o zelo apostólico abrasará seus corações, e todos se esforçarão por reconciliar com o Senhor as almas que o ignoram ou dele desertaram; todos, enfim, se esforçarão por manter inviolados os direitos do próprio Deus” (Idem, nº 24). Praza a Deus, caríssimos, que os homens, afastados da Igreja, procurem e aceitem, para salvação de suas almas, o jugo suave de Nosso Senhor Jesus Cristo! Amém!

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