Archive for ‘Coluna do Padre Élcio’

25 maio, 2019

Coluna do Padre Élcio: Sobre Problemas do Apostolado Moderno – Questões políticas, econômicas e sociais.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 25 de maio de 2019

Caríssimos, concluímos com este post a aposentação das 11 proposições (de 70-80) falsas ou ao menos perigosas acompanhadas de imediato das proposições certas respectivas e das explanações. São excertos da Carta Pastoral Sobre Problemas do Apostolado Moderno, que contém um catecismo de verdades oportunas que se opõem a erros contemporâneos.

200px-dom_mayer_em_cerimc3b4nia_de_coroac3a7c3a3o_da_virgem_mariaA proposição falsa ou ao menos errônea será escrita em itálico;  a proposição certa, em negrito.As 11 proposições fazem parte do VIII capítulo deste catecismo. Esta carta pastoral foi escrita em 06/01/1953 por D. Antônio de Castro Mayer, então bispo da Diocese de Campos, RJ, hoje de saudosa e santa memória. “Defunctus adhuc loquitur”. Embora escritas na metade do século passado, são inteiramente oportunas essas considerações, porque o comunismo e o socialismo, embora por vezes se procurem  mascarar, porém, são sempre os mesmos, pois intrinsecamente maus; enquanto, por outro lado, a doutrina autêntica da Santa Madre Igreja é perene e viva, porque é a VERDADE, isto é, a PALAVRA DE JESUS CRISTO que permanece para sempre.

Demos, pois, a palavra a D. Antônio de Castro Mayer:

79 (Proposição falsa): A democracia cristã consiste no governo do povo, isto é, da maioria.

(Proposição certa): “Democracia cristã” é expressão usada para indicar qualquer governo que promova o bem comum sob a lei de Deus, seja esse governo monárquico, aristocrático ou democrático. É o que ensina Leão XIII quando diz que a democracia cristã “não deve absolutamente ter em vista preferir e preparar uma forma de governo em substituição a outra” (Encíclica “Graves de Communi”). A forma democrática de governo é compatível com a doutrina da Igreja na medida em que significa a participação do povo nos negócios públicos. Mas, por “povo” a Igreja não entende a maioria numérica, anorgânica, isto é, a massa; porém toda a população, atendidas as legítimas diferenciações de classe, de região, etc. Assim, a democracia legítima não é o domínio das classes mais numerosas sobre as menos numerosas, da massa sobre o escol, mas a justa e proporcionada influência das classes, famílias, regiões e grupos sociais, nos negócios públicos.

EXPLANAÇÃO

A diferença entre a concepção católica e a concepção corrente de democracia procede de uma maneira diferente de entender a palavra “povo”. Para a Igreja, o povo é em certo sentido o contrário da massa. Pio XII diz: “Povo e multidão amorfa, ou como se costuma dizer, massa, são dois conceitos diversos. O povo vive e se move por vida própria; a massa é por si mesma inerte e não pode ser movida senão do exterior. O povo vive da plenitude da vida dos homens que o compõem, cada um dos quais  –  em sua própria posição e segundo seu modo próprio  –  é uma pessoa cônscia das respectivas responsabilidades e convicções. A massa, pelo contrário, espera o impulso do exterior, fácil joguete nas mãos de quem quer que lhe explore os instintos e as impressões, pronta a seguir, alternadamente, hoje esta bandeira e amanhã aquela. Da exuberância de vida de um verdadeiro povo a vida se difunde, abundante, rica, no Estado e em todos os seus organismos, comunicando-lhes com vigor incessantemente renovado a consciência de sua própria responsabilidade, o verdadeiro sentido de bem comum” (Alocução de Natal de 1944).
Ora, para o comum dos democratas o povo é precisamente o que Pio XII chama de massa. É o que se deduz das palavras do Papa gloriosamente
reinante: “Por toda a parte, atualmente, a vida das nações está desagregada pelo culto cego do valor numérico. O cidadão é eleitor. Mas, como tal, não é ele na realidade senão uma das unidades cujo total constitui uma maioria ou uma minoria, que o simples deslocamento de algumas vozes, quando não de uma só, basta par inverter. Do ponto de vista dos partidos, o leitor não conta senão por seu poder eleitoral, pelo concurso que seu voto dá; de sua situação, e de seu papel na família e na profissão não se cogita” (Alocução aos dirigentes do Movimento Universal pró-Confederação Mundial, em 1951).
Escrevendo sobre a democracia no sentido aceitável da palavra, convém acrescentar que ela jamais se identifica com o mito revolucionário da soberania popular. Todo poder vem de Deus. O povo  –  e por “povo” entenda-se o que acima foi definida em oposição à massa  –  apenas pode escolher os que governarão com autoridade que lhes vem de Deus.

80 (Proposição falsa): Os católicos devem preferir o socialismo ao liberalismo.

(Proposição certa): Os católicos não devem aceitar o liberalismo, nem o socialismo.

EXPLANAÇÃO

Segundo a doutrina da Igreja, tanto o regime liberal quanto o socialista são maus, e quando levados a suas últimas consequências produzem a completa subversão da vida social.
Os católicos devem, pois, promover a instauração de um regime que se ache em um terreno inteiramente diverso.  –  A sentença impugnada tem
o defeito de situar o liberalismo e o socialismo como se eles fossem um o contrário do outro. Na realidade, como o afirma Leão XIII, o liberalismo é causa do socialismo, e, na concepção leiga e anorgânica de nossos tempos, é impossível sair de um extremo sem cair no outro.
Considere-se uma sociedade entregue ao paganismo. Se a autoridade se mostra liberal e condescendente, se as leis concedem muita facilidade de movimentos aos particulares, o desencadear-se assustador das paixões produzirá por força a anarquia. A manutenção da ordem exige uma tal multiplicidade de leis, decretos, regulamentos, tantas intervenções públicas para assegurar a realização das incontáveis funções estatais, que o cidadão isolado, desarmado, aterrorizado, se tornará em pouco tempo um grão de poeira, um escravo inerme diante do Estado Moloch.
Os fundamentos da verdadeira solução, oposta ao liberalismo e ao socialismo, se encontram nas seguintes palavras do Soberano Pontífice [Pio XII]: “O Estado não contém em si e não reúne mecanicamente em um território dado, uma aglomeração amorfa de indivíduos; ele é, e deve ser na realidade, a unidade orgânica e organizadora de um verdadeiro povo” (Alocução de Natal de 1948).
18 maio, 2019

Coluna do Padre Élcio: Sobre Problemas do Apostolado Moderno – a terra e a propriedade individual.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 18 de maio de 2019

Caríssimos, transmitirei, se Deus quiser, em algumas postagens,  as 11 proposições (de 70-80) falsas ou ao menos perigosas acompanhadas de imediato das proposições certas respectivas e das explanações. São excertos da Carta Pastoral Sobre Problemas do Apostolado Moderno, que contém um catecismo de verdades oportunas que se opõem a erros contemporâneos.

200px-dom_mayer_em_cerimc3b4nia_de_coroac3a7c3a3o_da_virgem_mariaA proposição falsa ou ao menos errônea será escrita em itálico;  a proposição certa, em negrito.As 11 proposições fazem parte do VIII capítulo deste catecismo. Esta carta pastoral foi escrita em 06/01/ 953 por D. Antônio de Castro Mayer, então bispo da Diocese de Campos, RJ, hoje de saudosa e santa memória. “Defunctus adhuc loquitur”. Embora escritas na metade do século passado, são inteiramente oportunas essas considerações, porque o comunismo e o socialismo, embora por vezes se procurem  mascarar, porém, são sempre os mesmos, pois intrinsecamente maus; enquanto, por outro lado, a doutrina autêntica da Santa Madre Igreja é perene e viva, porque é a VERDADE, isto é, a PALAVRA DE JESUS CRISTO que permanece para sempre.

Demos, pois, a palavra a D. Antônio de Castro Mayer:

[Errado]: O único título de propriedade no sentido estrito é o trabalho, de maneira que o homem só é proprietário do que pessoalmente produz. As riquezas naturais que possui não lhe pertencem de modo absoluto; delas é apenas o administrador, e as possui na medida em que as administra.

[Certo]: Ensina Leão XIII que o título originário da propriedade não é o trabalho, mas a ocupação (=tomar posse de bens de raiz legitimamente adquiridos). De maneira que o homem é proprietário não só do fruto de seu trabalho, mas também das riquezas naturais, isto é, não só do fruto da terra, como também da própria terra. Esta última poderá ele explorá-la por si ou por outros.

EXPLANAÇÃO

A sentença impugnada confunde-se com o chamado “socialismo agrário”, que nega a propriedade sobre a terra, condenado pelos sociólogos católicos, estribados na argumentação com que Leão XIII, na “Rerum Novarum”, justifica a propriedade privada. E de fato, nessa Encíclica, mostra o Papa que o homem tem direito também aos bens de raiz, legitimamente adquiridos. Veja-se a doutrina da “Quadragesimo Anno”, que reproduzimos em explanação à proposição 71. Na mesma Encíclica, Pio XI diretamente rejeita a opinião daqueles que vêem no trabalho o único título de propriedade.

75· [Errado]: De si a terra é insuscetível de apropriação individual, pois pertence à coletividade. Assim, as pessoas que vivem da terra devem pagar à coletividade as vantagens que tiram da utilização exclusiva dela. Este pagamento, o Estado pode percebê-lo por meio de um sistema tributário que faça recair sobre a terra todos os impostos. E como a terra é a fonte natural de todos os bens, tal tributação deve bastar para atender a todas as necessidades do Estado. 

[Certo]: A terra, como quaisquer outros bens móveis ou imóveis, é susceptível de apropriação individual. Assim, o proprietário da terra não deve ao Estado qualquer pagamento pela utilização exclusiva dela. Os impostos devem recair sobre os proprietários tanto quanto sobre quaisquer outras pessoas, de acordo com a justiça distributiva. A terra não é a única fonte dos bens econômicos. Uma tributação que recaísse exclusivamente sobre a terra subverteria a economia privada e seria insuficiente para atender aos gastos normais do Estado.

EXPLANAÇÃO

A sentença impugnada é uma das teses clássicas da socialismo agrário de Henri George. A Igreja está longe de se associar a esta fobia da propriedade fundiária. Nesta propriedade vê, muito pelo contrário, um apoio precioso para a estabilidade das famílias, das classes sociais, das associações pias e de caridade, como também dos institutos eclesiásticos.

76. [Errado]: Os grandes latifúndios são intrinsecamente maus, porque contrários à doutrina cristã que só justifica a pequena propriedade, mais conforme com a igualdade que deve reinar entre os homens.

[Certo]: É desejável que a propriedade se difunda o mais possível entre os homens, como apanágio natural da personalidade. A prosperidade social, não obstante, comporta e por vezes exige que ao lado da pequena propriedade existam as médias e as grandes. A igualdade entre os homens deve entender-se não no sentido nivelador, mas no sentido proporcional: os direitos e as responsabilidades são correspondentes à situação que a pessoa tem na sociedade.

EXPLANAÇÃO

Como a propriedade tem também uma função social, há limites necessários para a grande propriedade: quando ela favorece a improdutividade das riquezas em detrimento do bem comum; quando ela concentra tanto as riquezas nas mãos de poucos, que reduza os outros à miséria, indigência, ou servidão, ou impossibilite notável parte dos homens de se tornarem proprietários (cf. explanação à proposição 71).

Sobre a legitimidade dos grandes latifúndios, pronunciou-s o Santo Padre (Pio XII) na alocução de 2 de julho de 1951, feita aos participantes do Congresso reunido em Roma para o melhoramento da condição de vida do operário agrícola (A.A.S. 43, p. 554). Disse o
Papa, depois de falar sobre a conveniência da pequena propriedade rural: “Disso não resulta que se negue a utilidade, muitas vezes a necessidade, de empresas agrárias mais vastas”.

 

11 maio, 2019

Coluna do Padre Élcio: Sobre Problemas do Apostolado Moderno – o empregado, seu salário e a propriedade.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 11 de maio de 2019

Caríssimos, transmitirei, se Deus quiser, em algumas postagens,  as 11 proposições (de 70-80) falsas ou ao menos perigosas acompanhadas de imediato das proposições certas respectivas e das explanações. São excertos da Carta Pastoral Sobre Problemas do Apostolado Moderno, que contém um catecismo de verdades oportunas que se opõem a erros contemporâneos.

Dom Antonio de Castro Mayer

Dom Antonio de Castro Mayer

As 11 proposições fazem parte do VIII capítulo deste catecismo. Esta carta pastoral foi escrita em 06/01/ 953 por D. Antônio de Castro Mayer, então bispo da Diocese de Campos, RJ, hoje de saudosa e santa memória. “Defunctus adhuc loquitur”. Embora escritas na metade do século passado, são inteiramente oportunas essas considerações, porque o comunismo e o socialismo, embora por vezes se procurem  mascarar, porém, são sempre os mesmos, pois intrinsecamente maus; enquanto, por outro lado, a doutrina autêntica da Santa Madre Igreja é perene e viva, porque é a VERDADE, isto é, a PALAVRA DE JESUS CRISTO que permanece para sempre.

A proposição falsa ou ao menos errônea será escrita em itálico;  a proposição certa, em negrito.

Demos, pois, a palavra a D. Antônio de Castro Mayer:

72 – [Errado]:  O regime do salariado é contrário à dignidade do homem, e intrinsecamente injusto. A condição de trabalhador traz naturalmente consigo um direito à participação na propriedade da empresa, na sua direção e nos seus lucros.

[Certo]:  O regime do salariado é inteiramente consentâneo com a dignidade do homem e do cristão. O contrato de trabalho não traz como consequência necessária a participação do trabalhador na propriedade, na direção ou nos lucros da empresa.

EXPLANAÇÃO

Leão XIII, o Beato [São] Pio X, Pio XI (cf. “Quadragesimo anno”, A.S.S. 23, p. 199) e Pio XII ensinam que o regime do salariado em si é justo, e conforme à dignidade humana. A economia malsã do século XIX e do século XX tirou ao regime da salariado o seu verdadeiro caráter. Segundo a doutrina da Igreja, as relações entre patrões e operários revestem-se de um caráter familiar. Os empregados eram, outrora, considerados membros integrantes da sociedade doméstica, que se compunha das sociedades conjugal, familiar e heril. A palavra “patrão”, proveniente de “pater”, pai, e a palavra “criado”, derivada da noção de que os fâmulos eram formados e educados na própria casa, lembram bem este caráter. É o bastante para mostrar que nada há de deprimente na condição de empregado assalariado. Mesmo na atmosfera industrial e comercial, o caráter familiar dessas relações deve persistir. A Igreja quer que os patrões e operários sejam entre si, na medida do possível, como membros de uma mesma família, pais e filhos que colaboram para o bem-estar comum.

Do ponto de vista da justiça, o salário é um sistema de remuneração satisfatória, desde que realize as condições estabelecidas por Pio XI: suficiente para manter honesta e dignamente o operário e sua família. Na honesta e condigna manutenção inclui-se a folga necessária para que o operário previdente possa formar pecúlio, e melhorar a situação própria e da família, de maneira que também participe do aumento de bem-estar que o progresso da técnica e da produção traz à sociedade (cf. “Quadragesimo anno”): “As riquezas que se ampliam com desenvolvimento econômico-social, devem ser distribuídas entre as pessoas e as classes de maneira que se salve o que Leão XIII chamava de utilidade comum a todos, ou, em outras palavras, de maneira que permaneça incólume o bem comum de toda a sociedade” (A.A.S. 23, p. 196).

A participação do operário nos lucros da empresa é apresentada por Pio XI e Pio XII como recomendável, nunca, porém, como obrigatória (cf. Alocução ao Katholikentag, acima citada). Em certos casos, pode produzir bons frutos. Mas não é uma panaceia a ser aplicada sempre. E sobretudo não pode ser imposta por lei a todo um país. O mesmo se deve dizer da participação do operário na propriedade da empresa, ou na direção desta. Quanto a este último ponto, o sentido em que a doutrina católica admite esta participação é tal, que retém nas mãos do proprietário de empresa o poder de decisão e a responsabilidade de todo o andamento da fábrica ou estabelecimento de comércio (cf. Pio XII, Alocução ao 9º Congresso da União Internacional das Associações Patronais Católicas, A.A.S. 41, p. 285).

A sentença impugnada, levada a suas últimas consequências normais, representaria abolição da desigualdade de classes, termo último sonhado por todos os revolucionários.

73 – [Errado]: Segundo Santo Agostinho, o único proprietário das riquezas é Deus. O homem não passa de gerente. As riquezas pertencem, pois, à coletividade e o proprietário não possa de mero administrador delas para o bem comum.

[Certo]:  Segundo Santo Agostinho, o supremo proprietário das riquezas é Deus. Daí decorre que o proprietário deve fazer uso de seus bens segundo a vontade soberana de Deus. Deus, porém, não se identifica com a coletividade. Se o domínio de Deus sobre todas as riquezas é absoluto, o domínio da coletividade não o é. Transferir os direitos de Deus para a coletividade equivale a divinizar o Estado e imolar o indivíduo.

EXPLANAÇÃO

A sentença impugnada é estatólatra. E por isso chega a conclusões que só numa concepção estatólatra seriam admissíveis. De fato, o regime de propriedade individual procede da ideia de que o Estado não é um deus, nem um fim em si, mas apenas um meio. Pelo que a posição de proprietário consiste no exercício de um direito pessoal e próprio, e não no exercício de um direito delegado pelo Estado. E por isso é que dizemos que o proprietário de nenhum modo pode ser confundido com um mero gerente.

O que caracteriza o gerente, com efeito, é o exercício de direitos que não lhe são próprios, mas que lhe foram delegados. E este é o motivo porque a distinção entre proprietário e gerente é corrente em todas as legislações de países não comunistas (cf “Quadragesimo Anno”, A.A.S. 23, p. 196).

4 maio, 2019

Coluna do Padre Élcio: Sobre Problemas do Apostolado Moderno.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 4 de maio de 2019

p_1Caríssimos, transmitirei, se Deus quiser, em algumas postagens, as 11 proposições (de 70-80) falsas ou ao menos perigosas acompanhadas de imediato das proposições certas respectivas e das explanações. São excertos da Carta Pastoral Sobre Problemas do Apostolado Moderno, que contém um catecismo de verdades oportunas que se opõem a erros contemporâneos. As 11 proposições fazem parte do VIII capítulo deste catecismo. Esta carta pastoral foi escrita em 06/01/ 953 por D. Antônio de Castro Mayer, então bispo da Diocese de Campos, RJ, hoje de saudosa e santa memória. “Defunctus adhuc loquitur”. Embora escritas na metade do século passado, são inteiramente oportunas essas considerações, porque o comunismo e o socialismo, embora por vezes se procurem  mascarar, porém, são sempre os mesmos, pois intrinsecamente maus; enquanto, por outro lado, a doutrina autêntica da Santa Madre Igreja é perene e viva, porque é a VERDADE, isto é, a PALAVRA DE JESUS CRISTO que permanece para sempre.

Demos, pois, a palavra a D. Antônio de Castro Mayer:

[Proposição falsa]: Jesus Cristo pregou a pobreza e a humildade, a preferência pelos fracos e pequenos. Uma sociedade imbuída deste espírito deve eliminar as desigualdades de fortuna e de condição social. As reformas políticas e sociais decorrentes da Revolução
Francesa foram conscientemente ou não, de inspiração evangélica, concorrendo para realizar uma sociedade verdadeiramente cristã.

[Proposição certa]: Jesus Cristo pregou o espírito de pobreza e humildade, a preferência pelos fracos e pequenos. Por pobreza, a Igreja entende o desapego dos bens da terra, ou seja, um tal emprego dos mesmos, que sirvam para a salvação da alma e não para sua perdição. Assim, nunca ensinou que ser rico é intrinsecamente mau; mas que tão somente é mau fazer uso desordenado da riqueza. Por humildade a Igreja entende o fato de o fiel reconhecer que nada tem de si e tudo recebeu de Deus, e de se situar no lugar que lhe compete. A existência das classes sociais é, pois, condição para a prática da virtude e da humildade. Quanto à preferência pelos fracos e pelos pequenos, seria impossível numa sociedade em que todos fossem iguais. A Revolução Francesa, na medida em que tendeu para a completa igualdade política, social e econômica, na sociedade ideal sonhada pelos seus fautores, foi um movimento satânico, inspirado pelo orgulho.

EXPLANAÇÃO

Por certo, as desigualdades quer no domínio político, quer no social ou econômico têm por vezes sido iníquas, e isto por dois motivos principais: ou porque essas desigualdades eram ilegítimas, e mero fruto da opressão; ou porque se acentuavam tanto que negavam a dignidade natural do homem, ou os meios para viver sadia e honestamente. Um exemplo frisante de desigualdade exagerada é a sorte duríssima e imerecida a que, no século XIX, foram lançados os operários em consequência da revolução industrial (Pio XI,
“Quadragesimo anno”, A.A.S. 23, p. 195, 197/8). Ao contrário do que se tem dito, a Igreja tem cumprido seu dever de lutar contra essa situação. Mas, em tal luta, seu objetivo é uma sociedade hierárquica dentro dos limites da ordem natural. Nunca a abolição de todas as desigualdades legítimas, sonhada pelos revolucionários e na qual se empenham a ação da Maçonaria e outros fatores (cf. Pio XII, Alocução do Natal de 1944, A.A.S. 37, p. 14).

[Proposição falsa]: A Igreja deve fazer causa comum com o operariado na luta contra o regime capitalista.

[Proposição certa]:   A Igreja intervém nas questões sociais para proteger a lei natural. Seu objetivo não é favorecer uma classe contra outra, mas fazer reinar nas relações entre as classes a doutrina de Jesus Cristo. Apóia as justas aspirações dos operários como os direitos autênticos dos patrões. O regime capitalista, enquanto toma como base a propriedade privada, em si é legítimo. A Igreja combate seus abusos, mas não apóia sua destruição.

EXPLANAÇÃO

Generaliza-se entre católicos a ideia de que a Igreja é como que um partido trabalhista, cuja finalidade fosse a defesa de uma só classe. Pelo contrário, ela paira acima das classes como acima dos partidos. Ainda quando defende as justas reivindicações dos operários, jamais desconhece a Igreja os direitos dos patrões. E no momento atual, em
sua alocução ao Katholikentag de Viena (14 de setembro de 1952, cf. “Catolicismo” nº 24, dezembro de 1952). deixou o Santo Padre bem claro que a questão operária, candente ainda na primeira metade deste século [XX], já está superada por outra mais grave, que é a luta de classes, insuflada pelo socialismo. É preciso, agora mais do que nunca, mostrar a Igreja como protetora da todos, operários e patrões, e não como advogada sistemática de uns contra outros.

Quanto ao capitalismo, cumpre dissipar a confusão que se estabeleceu a seu respeito na linguagem corrente. O regime capitalista em si mesmo, isto é, enquanto sistema baseado na propriedade privada e na livre iniciativa, e comportando lucros na medida em que os permita a moral, é legítimo e não pode ser confundido com os abusos a que concretamente foi sujeito em não poucos lugares.

Cumpre pois distinguir a legítima defesa de organizações operárias sadias contra os abusos do capitalismo, da luta das organizações revolucionárias que proclamariam a ilegitimidade do regime capitalista em si mesmo.  Quem se associe à ação destas últimas colabora com o comunismo e incorre na censura contida na Carta da Sagrada Congregação dos Seminários ao Episcopado Brasileiro: “Para alguns, nem são suficientes, no campo social, as diretivas tão humanas, tão sabiamente favoráveis às classes trabalhadoras que a Santa Sé, principalmente desde Leão XIII até Pio XII, tem promulgado, mas procurar-se-á avançar sempre mais para a esquerda, até nutrir uma verdadeira simpatia para com o comunismo bolchevista, destruidor da Religião e de todo o verdadeiro bem da pessoa humana” (A.A.S. 42, p. 841).

27 abril, 2019

Coluna do Padre Élcio: O Comunismo é intrinsecamente mau.

CARTA PASTORAL prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista. Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória (continuação).

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 27 de abril de 2019

O comunismo, inimigo de morte da Religião

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Dom Antonio de Castro Mayer.

Os comunistas exploram uma realidade social: as injustiças, as misérias, os sofrimentos que acompanham a humanidade e a dividem hoje em dia em dois campos opostos, o dos infelizes e desgraçados, e os dos ricos e gozadores. com isso o marxismo adquire visos de verdade aos olhos dos que consideram as coisas superficialmente.

O plano do Criador e a Redenção

Essa realidade, diz-nos a Revelação, é consequência do pecado original, triste herança de nossos primeiros pais. A existência, portanto, desses males não é intrínseca à natureza humana, e sim algo de acidental que lhe sobreveio devido ao abuso do livre arbítrio com
que o Criador a dotou. Não foi o homem criado assim. Deus no começo o fez reto, isto é, com domínio das paixões que, subordinadas, deveriam servir à ordem racional, e dar amenidade e doçura ao convívio social, pois “no plano do Criador, a sociedade seria o meio natural de que o homem deveria utilizar-se para alcançar os seus fins, e isso não no
sentido individualista do liberalismo, mas mediante a união orgânica de todos na sociedade, por mútua estima e colaboração, a fim de nela se aperfeiçoarem as qualidades individuais e sociais que pairam acima do interesse imediato, e na sociedade reproduzem a imagem da divina perfeição”. Teria assim o homem, na sociedade, “o reflexo da perfeição divina que o levaria ao louvor e adoração do Criador” (Enc. cit., ibid., p. 79).

Esta ordem admirável que estava nos desígnios divinos foi perturbada pelo orgulho humano, que sobrepôs o homem ao seu Senhor. Jesus Cristo, porém, na sua inefável misericórdia, reparou-a com sua obediência até à morte, destruindo na cruz o quirógrafo de nossa condenação (cf. 1 Cor. 2, 14). De sorte que, embora na peregrinação por este mundo carregue consigo as consequências do pecado original, tem o homem sempre a possibilidade de vencer as desordens oriundas da primeira culpa, pela graça de Jesus Cristo, que o leva a imitar a vida de amor e penitência de seu Divino Mestre.

O comunismo acena com outra redenção

A essa luminosa e apaziguadora doutrina, a seita marxista opõe um plano diametralmente contrário. Enquanto o cristão se esforça por destruir a obra do tentador, ela [=a seita comunista] propugna a concepção falsa proposta pelo demônio a nossos primeiros pais no Paraíso. O comunismo, além de negar a existência de Deus e do espírito, par só aceitar a matéria, afirma que a desarmonia é intrínseca à natureza do homem e do universo. A luta interna das coisas, e por conseguinte também da sociedade, é mesmo a causa de sua evolução e progresso.

De onde, em vez de buscar a solução para o conflito social na ordem moral, pelo mútuo amor que aplaina as discórdias e as resolve na harmonia das classes, o comunismo acena com outro redenção do gênero humano, que se obteria exacerbando as desarmonias, fomentando as discórdias entre as classes da sociedade, até a destruição destas e o nivelamento total. Enquanto, pois, a Igreja busca a conciliação, a organicidade de partes desiguais num todo harmônico que espelhe a perfeição divina, o comunismo estimula precisamente o contrário, a oposição e a desagregação, a subversão enfim do plano de Deus a respeito do homem e da sociedade. A Igreja, fiel a Jesus Cristo, tem como base de ação o amor, reflexo daquela caridade que levou o Divino Redentor a derramar seu sangue pelo mundo, a dar a vida pelos homens. O comunismo age em função do ódio que destrói e elimina as classes em que ordenadamente Deus dividiu a sociedade. à beleza do plano divino, de subordinação e coordenação dos diversos elementos no todo, opõe o comunismo a recusa terminante de reconhecer a ordenação da obra de Deus. É ele a renovação na terra do “non serviam” que precipitou do Céu os anjos maus e criou o inferno. Não é possível conceber-se oposição mais radical, carência mais absoluta de condições para qualquer coexistência. Por isso mesmo, os comunistas jamais cessarão a luta enquanto não tiverem escravizado a humanidade inteira. Planos de paz, propostas de coexistência pacífica com o mundo ocidental   –  no qual ainda palpita algo da antiga Cristandade  –  só visam a obter armistícios em que a seita cinicamente se prepare para novas e vitoriosas arrancadas.

Não há seita mais radicalmente anti-religiosa

Não há apenas uma divergência ideológica entre Cristianismo e comunismo. Há um antagonismo de morte. Proclamou-o Lenine: “O marxismo não é um materialismo que se limita ao ABC. O marxismo vai mais longe. Ele diz que é preciso saber lutar contra a religião […], que é preciso fazer desaparecer as raízes sociais da religião” (“De la Religion”, 1933, p. 15 – apud “Itinéraires”, de paris, nº 52, p. 99).

De fato, não é só no conceito que tem da natureza humana, na explicação que dá para os egoísmos antagônicos em conflito na sociedade, na falsa redenção do gênero humano que apresenta, que o comunismo contradiz fundamentalmente as verdades reveladas. O mundo ainda não viu, e talvez jamais veja, seita mais radicalmente anti-religiosa que o comunismo. Ele nega até os fundamentos da religião natural. “Pela primeira vez na História assistimos a uma luta friamente voluntária e cuidadosamente preparada pelo homem contra TUDO O QUE É DIVINO (2 Tes., II, 4)” (Enc. cit. ibid., p. 76).

Comunismo, a pior das barbáries

Por  esse motivo, o comunismo conduz a humanidade à pior das barbáries (cf. idem, ibid.). De fato, fora da Revelação puderam certos povos observar no convívio social os princípios que a luz natural lhesevidenciava, e assim lograram chegar a alguma grandeza, que ainda hoje deslumbra a certos estudiosos superficiais da história humana (cf. idem, ibid.). Mas, sem aceitar os princípios da lei natural, não há freio para as paixões, toda crueldade é admissível, é o reino da barbárie propriamente dita. Acreditamos, à vista desses fatos, que o comunismo, afastando o mundo do reconhecimento das normas jurídica da ordem natural, prepara a vinda do Anticristo de acordo com a profecia de São Paulo (cf. 2 Tes., II, 6).

13 abril, 2019

Coluna do Padre Élcio: Causas do alastramento do comunismo.

CARTA PASTORAL prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista. Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória (continuação).

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 13 de abril de 2019.

Uma objeção capaz de embaraçar

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Poderia, diletos filhos, embaraçar-vos uma dificuldade. Sendo o marxismo intrinsecamente mau, e a natureza humana feita para o bem, como explicar a rápida e prodigiosa expansão dele? Já em 1937 registrava Pio XI “as falácias do comunismo espalhadas em todos os países, grandes e pequenos, cultos ou menos desenvolvidos, a ponto de que nenhum canto da terra estivesse delas imune” (Enc. “Divini Redemptoris”, ibid., p. 74). Hoje, só um cego não vê as enormes conquistas da seita marxista, que alcançou o domínio político em várias nações da Europa bem como em grande parte da Ásia, e vai alimentando agitações crescentes nos demais países tanto do Velho como do Novo Continente. Como explicar tão rápida difusão de um movimento aceleradíssimo (cf. Enc. cit. ibid., p. 75)?

Promessas alucinantes

A Encíclica “Divini Redemptoris” aponta várias causas para o fato, que hoje ainda são atuantes. Declara o providencial documento que “muito poucos conseguiram perceber o que intentam os comunistas” (ibid., p. 72), ao passo que a grande maioria  –  menos afeita ao estudo apurado das questões  –  “cede à tentação, habilmente preparada, sob forma de
alucinantes promessas” (ibid.). E realmente, o comunismo, que no começo se mostrou qual era, desde que percebeu que assim afastaria de si os povos, “mudou de tática e procura ardilosamente seduzir as multidões com uma linguagem dúbia e alguns objetivos imediatos atraentes” (ibid., p. 95). Apresenta-se desde então como desejoso de “melhorar a sorte das classes trabalhadoras, de eliminar os abusos causados pelos assim chamados liberais, e de obter mais equitativa distribuição dos bens terrenos” (ibid., pp. 72-73).

Crises econômicos sociais

Além disso, a eclosão de crises econômico-sociais cada vez mais sérias propicia ao marxismo ocasião para ampliar sua influência. Assim é que ele penetrou em classes por princípio avessas a qualquer materialismo ou terrorismo (cf. Enc. cit., ibid., p. 73).

Liberalismo

A responsabilidade pela difusão dos erros comunistas recai largamente –  se bem que não de modo exclusivo, como querem os progressistas  – sobre o liberalismo laicista. Ele pretendeu construir a cidade sem Deus, e terminou preparando o terreno para os demolidores de qualquer sociedade digna deste nome. Mediante o abandono moral e religioso a que votou os operários, pelas dificuldades que lhes criou para a prática da piedade, pelos obstáculos surdamente levantados contra a ação dos ministros de Deus, os Sacerdotes, pelo fomento das instituições de assistência laicas  –  hoje disseminadas e aprovadas praticamente em todos os países do mundo livre  –   o  liberalismo concorreu poderosamente para contaminar o operariado com as concepções revolucionárias dos comunistas (cf. Enc. cit. ibid., p. 73).

Forças secretas

Cabe ainda considerar a obra das forças secretas, que de há muito procuram destruir a ordem social cristã (cf. Enc. cit., ibid., p. 74-75). Intimamente relacionada com a atividade delas, está a campanha do silêncio com relação às obras anticomunistas, e a “propaganda verdadeiramente diabólica, como talvez o mundo nunca viu” (Enc. cit., ibid., p. 74), de que se beneficia o comunismo. “Propaganda dirigida por um único centro, mas que muito habilmente se adapta às condições dos diversos povos; propaganda de grandes recursos financeiros, de gigantescas organizações, de congressos internacionais, de inúmeras forças bem adestradas; propaganda que se faz por meio de folhas avulsas e revistas, nos cinemas, nos teatros, pelo rádio, nas escolas e até nas universidades, penetrando pouco a pouco em todas as classes sociais, ainda as melhores, sem quase perceberem elas o veneno que sempre mais lhes corrompe a mente e o coração” (Enc. cit. ibid., p. 74).

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6 abril, 2019

Coluna do Padre Élcio – Distinção ardilosa: combater o comunismo, não, porém, os comunistas.

CARTA PASTORAL prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista. Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória (continuação).

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 6 de abril de 2019.

Passemos a considerar outros ardis que o inimigo semeia em nosso caminho.

Há uma distinção que não raro ilude a boa fé dos não comunistas. É a que se costuma fazer entre comunismo e comunistas. Todos os ódios se voltariam contra aquele, e para estes só haveria tolerância e compaixão. Distinção semelhante se faz com frequência entre o erro e os que erram, segundo a frase atribuída a Santo Agostinho: “Interficite errores, diligite errantes”. Sem nos determos no verdadeiro pensamento do Doutor da Graça  –  bastante inteligente para perceber que o erro não tem existência senão por alguém que o professa, e por isso mesmo só desaparece com a conversão ou com o desaparecimento desse alguém  –  sem nos determos, portanto, na consideração do verdadeiro sentido do axioma atribuído a Santo Agostinho, observamos que, aplicado ao comunismo, ele é sempre perigoso.

Pio XI

Com efeito, em outras heresias há a possibilidade de se encontrarem pessoas de boa fé, que, tendo se enganado na busca da verdade, aceitam todavia os primeiros princípios da razão, e cuja conversão, portanto, pode ser eficazmente auxiliada por uma elucidação ideológica. Não assim no comunismo. Este, negando o princípio da contradição, torna impossível uma discussão de ordem intelectual. Por isso mesmo, Pio XI, a “Divini Redemptoris”, praticamente não distingue entre o comunismo e os comunistas. Assim, menciona os princípios do comunismo como aparecem nas instituições e métodos dos bolchevistas (cf. A. A. S., vol. 29, p. 69); a doutrina dos comunistas (p. 75); os preceitos que
estes difundem (p. 69); os erros e meios violentos dos bolchevistas (p. 76); do mesmo modo, quando atribui aos comunistas o princípio da tirania da coletividade (p. 71); refere-se outrossim ao evangelho que os comunistas, bolchevistas e ateus anunciam (p. 72); ao poder político como meio de que os comunistas se apoderam para conseguir seu fim (p. 72); e em geral, onde normalmente se falaria de comunismo (como aliás se vê em várias traduções da “Divini Redemptoris”), o Papa não usa o termo abstrato para indicar a doutrina, mas o concreto que aponta as pessoas dos comunistas, aos quais ele diretamente acusa (p. 77).

De onde é lícito deduzir um especial cuidado do Santo Padre em prevenir os fiéis contra a pessoa dos sequazes de Marx, apontando-lhes o engodo que representa essa distinção entre comunismo e comunistas. Podemos, pois, concluir, e na conclusão fazer uma paterna advertência aos Nossos amados filhos em Jesus Cristo. Os verdadeiros comunistas rejeitam os primeiros princípios da lógica e os próprios fundamentos da ordem moral; são pessoas por cuja conversão se deve rezar, sem dúvida, e muito, mas em quem não se pode, de maneira nenhuma, confiar, e cuja ação se deve temer e combater.

Há comunistas e comunistas

Uma distinção melhor caberia entre comunistas e comunistas. Pois, de fato, nem todos os que se encontram sob o jugo soviético na Rússia e satélites podem ser considerados comunistas. Há, nessas infelizes nações, um número enorme de indivíduos, a maioria, que gemem debaixo do domínio cruel a que os comunistas os submeteram pela força. Esses tais só com uma grave injustiça se poderiam chamar de comunistas. Eles detestam o regime que sofrem em silêncio porque não lhes é facultado externar seu pensamento. Além desses, quer nos países de atrás da cortina de ferro, quer nos do chamado mundo livre, não são poucos os que aderiram ao partido comunista sem lhe conhecer toda a perversa doutrina e iludidos por enganosas esperanças. Deles, muitos o abandonaram já (na França, de um milhão de aderentes que contava o comunismo em 1945-1946, não restam hoje mais do que duzentos mil), outros ainda não se animaram a esse passo decisivo. De verdadeiros comunistas sobra uma pequena minoria (4 % da população na Rússia, porém ativa a audaz, que poderosamente coadjuvada pela boa fé de muitos não comunistas, e intencionalmente por não poucos dos chamados cristãos progressistas, cuja mentalidade só na aparência difere da  marxista, constitui o maior perigo atual para a civilização cristã (cf. Enc. “Divini Redemptoris”, ibid., pp. 66 e 76).

Tenhamos, pois, compaixão dos que sofrem sob o despotismo vermelho, bem como daqueles que a seita iludiu. Ao mesmo tempo, estejamos sempre em guarda contra os manejos e ardis dos comunistas. À vigilância juntemos a oração para que Deus nos proteja e os converta. Todos sejam abraçados pela caridade de nossa alma, traduzida em preces, sacrifícios e boas obras.

Dupla vantagem em expor a tática comunista

Quisemos, com a exposição da tática e dos ardis dos marxistas, proporcionar-vos, amados filhos, duas vantagens: de um lado, esclarecer-vos sobre o modo de combater o terrível inimigo; de outro, prevenir-vos a respeito do triste papel desempenhado a favor dele por aqueles que se dizem, muitas vezes, seus adversários. Cumpre ainda pôr em relevo a malícia do comunismo, considerado em si mesmo, e não mais em seus ardis e suas táticas.

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30 março, 2019

Coluna do Padre Élcio: O desvirtuamento dos documentos pontifícios aproveita aos comunistas.

CARTA PASTORAL prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista. Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória (continuação).

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 30 de março de 2019.

Leão XIII

Leão XIII, o Papa da Rerum Novarum.

Ainda neste assunto, queremos fazer uma última advertência aos Nossos amados filhos, pondo-os de sobreaviso com relação à maneira como, por vezes, se interpretam os ensinamentos pontifícios que tratam das questões sociais.

Como é sabido, os Papas, especialmente Leão XIII e Pio XI, se ocuparam dessas questões, em documentos solenes, entre os quais as famosas Encíclicas “Rerum Novarum” e “Quadragesimo Anno”. Neles, a par das obrigações registram-se e defendem-se também os direitos dos operários. Por este lado, podem os comunistas e comunizantes abusar dos próprios documentos eclesiásticos. É preciso, pois, ao fazer deles uso, cuidar que nossa atitude não venha a favorecer a consecução de objetivos socialistas e comunistas. Cautela tanto mais oportuna, quanto é requente em certos movimentos sociais salientar-se apenas a parte econômica desses ensinamentos pontifícios, deixando-se em segundo plano, ou inteiramente no esquecimento, a insistência dos Papas sobre o indispensável revigoramento da Fé, a imprescindível reforma dos costumes, e outros meios de ordem espiritual necessários para que se elimine a inquietação provocada pela economia laica moderna. Além disso, mesmo na parte econômica, é comum apegarem-se muitos ao que é acidental e até marginal nas Encíclicas, como se fora o núcleo central, o objetivo primeiro delas.

Exemplo: o alarido em torno da co-gestão e da participação nos lucros. É o que se dá, por exemplo, com a participação dos operários nos lucros das empresas, preconizada na “Quadragesimo Anno” (cf. A. A. S., vol. 23, p. 199). Fala o Papa de modo opinativo  –  “Julgamos que dentro do possível”  –  e incidentemente, pois que se pode tirar todo o trecho, sem que se mude em nada o sentido da Encíclica. E, não obstante, faz-se tanto alarido em torno desse ponto  –  erigido até em programa de partidos políticos que pretendem ser cristãos  –  como se constituísse a grande lição da “Quadragesimo Anno”. Não forçamos a expressão. Mais ou menos por toda parte, como que sob uma palavra de ordem, difundiu-se essa opinião. Tanto assim que Pio XII se sentiu na obrigação de dar ao trecho em questão o seu justo valor dentro da Encíclica e da doutrina de seu Predecessor. Fê-lo em várias oportunidades. Citemos uma: a alocução que dirigiu em 3 de janeiro de 192 ao Conselho Nacional da União Cristã dos Diretores de Empresa. Advertiu então o Pontífice: “Fala–se hoje muito de uma reforma de estrutura da empresa, e os que a promovem pensam em primeiro lugar em modificações jurídicas entre os que dela são membros, sejam os empresários, ou os dependentes incorporados na empresa em virtude do contrato de trabalho.

À Nossa consideração não podiam escapar as tendências que se infiltram em tais movimentos, as quais não aplicam  –  como se aduz  –  as incontestáveis normas do direito natural às condições mudadas do tempo, mas simplesmente as excluem. Por isso, em Nosso discurso de 7 de maio de 1949 à União Internacional das Associações Patronais Católicas, e no de 3 de junho de 1950 ao Congresso Internacional de Estudos Sociais, Nos opusemos a tais tendências, não tanto, na verdade, para favorecer os interesses materiais de um grupo antes que os de um outro, mas para assegurar a sinceridade e a tranquilidade de consciência de todos aqueles a quem se referem estes problemas. Nem Podíamos ignorar as alterações com as quais se deturpavam as palavras de alta sabedoria de Nosso glorioso Predecessor Pio XI, atribuindo o peso e a importância de um programa social da Igreja, em nosso tempo, a uma observação totalmente acessória sobre as eventuais modificações jurídicas nas relações entre os trabalhadores sujeitos ao
contrato de trabalho e a outra parte contratante” (“Discorsi e Radiomessaggi”, vol. 13, p. 465).

Mais tarde, em 14 de setembro do mesmo ano de 1952, na já citada radiomensagem aos católicos austríacos, torna o Papa a dizer que a Igreja se recusa terminantemente a deduzir do contrato de trabalho qualquer direito do empregado à co-direção ou à co-propriedade  da empresa (cf. “Discorsi e Radiomessaggi”, vol. 14,. p. 313). Pretender, pois, impor tais participações, como se constituíssem exigência da doutrina da Igreja, é um erro que favorece o ambiente de agitação e antagonismo de classes propício à consecução dos objetivos comunistas. É, ainda que inconscientemente, colaborar com o maior inimigo da civilização cristã.

Ao estudo e à difusão das Encíclicas aplica-se o axioma dos escolásticos: “Bonum ex integra causa, malum ex quocumque defectu”. Assim, a doutrina delas é doutrina de salvação quando tomada na sua integridade harmoniosa, e pode produzir péssimos frutos quando mutilada pela consideração de uma só parte isolada do todo. Nas relações com patrões e operários, não nos esqueçamos do exemplo do Filho de Deus. Jesus amou os pobres, deles Se compadeceu, aliviou-lhes as misérias. Nem por isso desprezou os ricos, que ele também veio salvar. Assim, dedicou profunda amizade à família rica e principesca de Lázaro, Marta e Maria, em cuja casa gostava de repousar das labutas do apostolado.

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23 março, 2019

Coluna do Padre Élcio: Amar os pobres não é odiar os ricos.

CARTA PASTORAL prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista. Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória (continuação).

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 23 de março de 2019.

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Dom Antonio de Castro Mayer

Amemos, pois, desveladamente os pobres, sejamos seus protetores, defendamos seus direitos,  –   salvando sempre, porém, os direitos das outras camadas da sociedade, porque a felicidade do corpo social está na harmonia de todas as classes, com seus direitos e deveres, e não na supremacia de uma sobre a outra, tripudiando sobre a lei moral.

A laicidade favorece a seita marxista

Nesta mesma ordem de ideias, convém fazer algumas reflexões a respeito do falseamento frequente dos movimentos destinados a ajudar e defender os operários, trabalhadores rurais, empregados domésticos, enfim, a classe dos que ganham dignamente seu pão com o trabalho assalariado.

Qualquer iniciativa no sentido de elevar essa classe espiritual, cultural e moralmente, é digna de todos os encômios. Assim também os movimentos que se propõem a defesa dos legítimos direitos dela nas relações com os empregadores. Há de aqui, porém, levar-se em conta, primeiro, que em tais movimentos, vistos em seu conjunto, jamais se deve recusar a primazia à parte espiritual e moral. Se eles cuidarem apenas da parte econômica, no fundo estarão auxiliando a difusão dos erros comunistas, uma vez que estes afirmam precisamente que são os fatores econômicos os únicos que realizam todo progresso, mesmo cultural e, enquanto não se pode acabar inteiramente com as crenças, até religioso. É isso falso, e uma campanha em prol das classes menos favorecidas da fortuna, que não sublinhasse essa falsidade, estaria indiretamente beneficiando o comunismo. Por semelhante razão, lamentamos profundamente o caráter laico dos nossos sindicatos, quer de empregados, quer de patrões. Posta de lado a influência direta da Religião, resulta impossível resolver os problemas sociais dentro dos quadros da civilização cristã, baseada em valores espirituais aos quais os econômicos devem estar subordinados, como meros auxiliares.

A tendência a igualar as condições de patrões e empregados serve o comunismo

É pelo esquecimento dos valores espirituais que frequentemente as reivindicações operárias descambam para a exigência de uma igualdade absoluta de direitos entre empregados e empregadores. Coisa em si absurda, uma vez que o próprio contrato de trabalho supõe duas situações distintas, cada qual com seus direitos legítimos, não porém os mesmos, pois que se fossem os mesmos nem sequer seria possível contrato. Quando duas pessoas contratam é porque não têm os mesmos direitos: a uma falta o que a outra tem, e o contrato é feito precisamente para que se completem, se auxiliem reciprocamente, ficando ambas satisfeitas, conservando, porém, cada qual, seus direitos. As campanhas a favor dos direitos dos operários, e empregados em geral, com tendência a igualar as situações, servem aos comunistas, cujo ideal é a supressão da diversidade de classes sociais. Eis, pois, um campo em que a defesa de direitos autênticos e até sagrados pode prestar-se, nas condições em que vivemos, à exploração da seita comunista.

Ao cuidar dos operários é preciso marcar bem a função que eles têm na sociedade, função digníssima e deles própria, que bem desempenhada os leva a dar seu contributo indispensável para o bem comum, e que no entanto será fundamentalmente viciada, se, corroídos de inveja porque lhes não coube outra posição mais elevada, vierem a sabotar a tarefa que executam, ou a colaborar em movimentos que provocam a desordem no campo econômico-social. Com semelhante procedimento, eles prejudicariam a sociedade toda, e a si mesmos, espiritual e materialmente.

Sem o concurso das virtudes cristãs nada se fará de útil para os pobres

Não é preciso insistir para que se veja como as reivindicações operárias  –  tão legítimas e simpáticas  –  quando feitas nesse espírito ajudam poderosamente a criar ambiente favorável ao comunismo e contrário à civilização cristã. Esta é feita das grandes virtudes sociais, a obediência, a humildade e o amor. Virtudes que falam em desapego e dedicação. Virtudes não só dos operários, mas também dos patrões. Virtudes cujo concurso impede que as reivindicações operárias, por mais categóricas e enérgicas que sejam, se transformem em fator de desordem social. Virtudes que, se vierem a falhar, nem se obterá a salvação eterna, razão por que fomos criados, nem a paz e a prosperidade social, motivo por que existe a sociedade civil. Sem elas domina a inveja, a desconfiança, o ódio, causas da desagregação social, sobre a qual lança o manto negro da tirania, o despotismo moscovita.

16 março, 2019

Coluna do Padre Élcio: Como se faz o jogo do adversário.

ARTA PASTORAL prevenindo os diocesanos contra os ardis da seita comunista. Escrita em 13 de maio de 1961 pelo então Bispo da Diocese de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, de saudosa memória (continuação).

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 16 de março de 2019.

Vêm a propósito algumas observações sobre a maneira como, inconscientemente embora, se chega a auxiliar em certos casos o movimento comunista.

Omissões e silêncios que favorecem os comunistas 

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O Papa Pio XI ao lado de seu sucessor, o Cardeal Eugenio Pacelli, futuro Pio XII.

O comunismo, como se sabe  –  e esta é sua característica mais visível   –  é contrário à propriedade privada. A anulação desse direito constitui para ele uma das metas a atingir para chegar ao ideal supremo da sociedade sem classes (cf. Enc. “Divini Redemptoris”, ibid., p. 70); e, como sempre, a campanha contra a propriedade privada é conduzida por seus asseclas sem a menor atenção à ordem moral, aos direitos legitimamente adquiridos, uma vez que para os comunistas  – convém tê-lo sempre presente  –  não há freio moral (cf. Enc. cit. bid.). Eles se movem unicamente pela consideração do que é útil à finalidade da seita.

Ora, é patente que, na atual ordem de coisas, aquele instituto, não rara vezes, tem sido utilizado de modo abusivo. Os Papas o reconhecem. É, pois, certo que tais abusos devem ser eliminados.

Um movimento destinado a abolir os abusos da propriedade privada, e a levar os proprietários a fazer uso honesto de seus bens, é em si benemérito. Acontece, não obstante, que facilmente pode ele favorecer o comunismo. Basta que não afirme de maneira enérgica e categórica que o instituto da propriedade privada é legítimo, para que a campanha auxilie a criação de um clima hostil aos proprietários enquanto tais, apresentados pelos comunistas como parasitas da sociedade. Não é só. Cumpre que um movimento assim saliente bem o interesse social que há na existência da classe dos proprietários, da qual se beneficiam todos, especialmente os menos galardoados pela fortuna. É a advertência de Pio XI. Assinala o Pontífice que “a própria natureza exige a repartição dos bens em domínios particulares PRECISAMENTE [grifo nosso] a fim de poderem as coisas criadas servir ao bem comum de modo ordenado e constante” (Enc. “Quadragesimo Anno”, A. A. S., vol. 23, pp. 191-192). Este princípio, acrescenta o Papa, deve tê-lo “continuamente diante dos olhos quem não quer desviar-se da reta senda da verdade”. É enfim preciso que a campanha de que tratamos não fique em reivindicações vagas, mas antes tome todo o cuidado em não exagerar de tal maneira as restrições ao direito de propriedade, que atinja também a própria existência dele. Assim, por exemplo, não se há de exigir por justiça o que pertence as outras virtudes, como sabiamente ensinava Pio XI (cf. Enc. cit. ibid., p. 192).

Em vários documentos de Pio XII nota-se a preocupação com os movimentos surgidos para combater os abusos da propriedade privada, ou do capitalismo (palavra de que ardilosamente se serve o comunismo para confundir o direito de propriedade com as injustiças da atual ordem econômica). A preocupação do saudoso Pontífice revela como houve excessos nessas campanhas. Citemos apenas o trecho da radiomensagem dirigida ao Congresso Católico de Viena em 14 de setembro de 1952, pelo qual se vê quanto interessa aos comunistas a falta de uma afirmação nítida do direito de propriedade. Eis as palavras de Pio XII: “É preciso impedir a pessoa e a família de se deixarem arrastar para o abismo, onde tende a lançá-las a socialização de todas as coisas, ao fim da qual a terrível imagem do LEVIATAN tornar-se-ia uma horrível realidade”, na qual soçobrariam “a dignidade humana e a salvação das almas”.  Como impedir este desastre? Mediante a afirmação categórica do direito de propriedade. Continua, realmente o Papa: “É assim que se explica a especial insistência da doutrina social católica sobre o direito de propriedade privada. É a razão profunda pela qual os Papas das Encíclicas sociais e Nós mesmo Nos recusamos a deduzir, seja direta, seja indiretamente, da natureza do contrato de trabalho, o direito de co-propriedade do trabalhador ao capital e, portanto, seu direito de co-direção” (Radiomensagem ao “Katholikentag” de Viena, de 14-9-1952, “Discorsi e Radiomenssaggi”, vol. 14, p. 313).

As expressões do Papa são para nós sábia advertência. A Igreja apresenta como ponto inalterável de sua doutrina o direito de propriedade privada, resultante da natureza e objeto de um dos Mandamentos do Decálogo. Faz portanto ele parte dos fundamentos da civilização cristã, cuja manutenção, pela observância dos vínculos jurídicos que a compõem, é um dever grave que obriga a todos os fiéis. Por isso, a Igreja mantém-se vigilante em face dos atentados que contra esse direito se sucedem na agitação da sociedade de hoje, trabalhada pelo espírito socialista. Ouvimos o pranteado Papa Pio XII a falar para o Congresso Católico de Viena. Firmemo-nos na doutrina pontifícia para não aceitarmos as limitações propugnadas por um não se sabe que novo cristianismo progressista, as quais vulneram o direito de possuir nascido da própria natureza. Deixar este último, com efeito, ao sabor de dispositivos legais imprecisos e indeterminados, de medidas como a desapropriação pelo chamado interesse social, quando feita sem causa justa e demonstrada, ou ainda sem indenização correspondente ao valor real e feita em tempo hábil, é mutilá-lo no que lhe é essencial. Os Papas, que tanto e tão energicamente salientaram o papel que a propriedade privada tem na sociedade, jamais a reduziram a mera função social.

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