Archive for ‘Coluna do Padre Élcio’

26 maio, 2018

Coluna do Padre Élcio: Um só Deus em três Pessoas.

O Mistério da Santíssima Trindade – Um só Deus em três Pessoas.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 26 de maio de 2018

Evangelho de S. Mateus  XXVIII, 18-20
“Disse Jesus a seus discípulos: Todo poder me foi dado no céu e na terra. Ide, pois, ensinai a todos os povos, e batizai-os em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinai-lhes a observar tudo o que vos mandei. E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

Dizendo Jesus: “Batizai-os EM NOME (e não no plural, NOS NOMES) está a indicar 1 SÓ DEUS; ao dizer: DO PAI E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO, estar afirmando claramente que são 3 Pessoas distintas. Mas estas três Pessoas divinas são iguais, ou seja, têm a mesma natureza, o mesmo poder, a mesma sabedoria. O “e” entre elas indica a distinção. São distintas (isto é, uma não é a outra);  o Pai é a primeira Pessoa, o Filho é a segunda Pessoa; o Espírito Santo é a Terceira Pessoa. Pois, o Pai tem a Paternidade, o Filho tem a Filiação; o Espírito Santo tem a Procedência do Pai e do Filho.  E estas três Pessoas são igualmente eternas: Desde toda a eternidade o Pai gera o Filho por via de inteligência, e, deste toda eternidade o Pai e o Filho se amam e deste amor procede o Espírito Santo. Deus é o único Ser que existe por si mesmo e É eterno, isto é, não teve princípio e nem terá fim; é o único ser que deve ser adorado (culto de LATRIA).

trindadeesanta-768x480-1200x762_c
“A festa de hoje leva-nos a louvar e a engrandecer a Santíssima Trindade, não só pelas imensas misericórdias que tem concedido aos homens, mas também e sobretudo em Si mesma e por Si mesma. Pelo Seu Ser supremo que jamais teve princípio e jamais terá fim; pelas Suas perfeições infinitas, pela Sua majestade, beleza e bondade essenciais; pela sublime fecundidade de vida, pela qual o Pai incessantemente gera o Filho e do Pai e do Filho procede o Espírito Santo (todavia o Pai não é anterior nem superior ao Verbo, nem o Pai e o Verbo são anteriores ou superiores ao Espírito Santo, mas as três Pessoas divinas  são coeternas e iguais entre Si); pela Divindade e por todas as perfeições e atributos divinos que são únicos e idênticos no Pai, no Filho e no Espírito Santo. O que pode dizer e compreender o homem em face de um tão sublime mistério? Nada! No entanto, aquilo que sabemos é certo, porque o mesmo Filho de Deus ‘o Unigênito que está no seio do Pai, Ele mesmo é que o deu a conhecer’ (Jo. 1, 18); mas o mistério é tão sublime e superior à nossa compreensão que não podemos senão inclinar a cabeça e adorar em silêncio’. ‘Ó profundidade das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus; quão incompreensíveis são os Seus juízos e imperscrutáveis os Seus caminhos!’, exclama São Paulo na Epístola do dia (Rom. 11, 33-36), ele que ‘tendo sido arrebatado ao terceiro céu’ não soube nem pôde dizer outra coisa senão que ouviu ‘palavras inefáveis que não é lícito a um homem proferir’ (II Cor. 12, 2-4). Em presença do altíssimo mistério da Trindade, sente-se realmente que o mais belo louvor é o silêncio da alma que adora, reconhecendo-se incapaz de exprimir um louvor adequado à Majestade divina” (P. Gabriel de Sta M. Madalena, L. INTIMIDADE DIVINA).

Há pagãos que pensam haver mais que um Deus. Adoram pedras, animais, ou os reis do país, como se fossem deuses. Assim, no tempo do profeta Daniel, o rei orgulhoso mandou que ninguém adorasse a outro Deus senão a ele mesmo. Daniel não quis adorar o rei, mas só o único e verdadeiro Deus, Criador do céu e da terra. O rei, então, mandou lançá-lo numa cova  profunda, onde havia leões. No outro dia o rei foi à cova e viu Daniel sossegado no meio dos leões. Imediatamente mandou que tirassem Daniel da cova e que todos adorassem o grande Deus, que tinha livrado Daniel das garras dos leões. O rei compreendeu o milagre e acreditou que HÁ UM SÓ DEUS. Pois Daniel quis adorar a um Deus só, e Deus o livrou dos leões para nos ensinar que há um só Deus.

Há também pagãos que dizem que não há Deus nenhum. Dizem isto ou porque são maus ou porque nunca foram ao catecismo, e seus pais não lhes ensinaram a Religião. Um destes infelizes foi uma vez à casa de um grande sábio, chamado Atanásio. Atanásio tinha mandado fazer um lindo globo, com o mapa do mundo, onde se viam desenhados os mares, as terras, os rios e as cidades. O pagão perguntou quem tinha feito aquele globo tão bonito. O sábio Atanásio respondeu, sorrindo: “Ninguém fez este globo; este globo fez-se a si mesmo.” O pagão não acreditou. Então o sábio disse: “O senhor tem razão em não acreditar. Pois, é impossível que este globo se tenha feito a si mesmo. Mas, como o senhor, então, pode pensar que este grande mundo veio assim por si mesmo, sem ser feito por um DEUS sábio e poderoso?” O pagão pensou algum tempo e começou a crer em DEUS.

Embora ímpio, eis o que disse com palavras semelhantes, Voltaire: “Como pode haver um relógio marcando exatamente as horas, os minutos e os segundos, e não haver alguém que o tenha feito?”. O UNIVERSO é um relógio maravilhoso e imenso!!! Olhemos só o Sol. Se você penetra numa mata  e lá vê uma vela acesa, logo, mesmo sem vê ninguém, você
conclui, alguém esteve aqui a acendeu esta vela. Quem acendeu e colocou nos espaços infindos o Sol diante do qual o Terra é um pontinho?! Quem terá criado estes milhões de estrelas que só agora depois de tantos séculos a ciência (NASA) está conseguindo ver?

“Ninguém jamais viu a Deus; o Unigênito que está no seio do Pai, ele mesmo é que o deu a conhecer” (S. João I, 18). Nada mais racional que sujeitarmos a nossa pequenina inteligência à fé, porque temos o testemunho do Filho Unigênito. Não podemos desejar mais para crer no maior mistério de nossa fé, no que há de mais inacessível ao entendimento humano. Devemos, sim, alegrarmo-nos de sacrificar a Deus a nossa razão, e de Lhe dizer: Creio, Senhor, tudo o que revelastes a respeito deste profundo mistério. Minha razão por si mesma se sente inteiramente impotente, mas sacrifico-a à Vossa glória. Sinto prazer em reconhecer a minha ignorância, para honrar a vossa suprema sabedoria, e digo com Jó: “Deus é grande e ultrapassa toda nossa ciência” (Jó XXXVI, 26).
“Perscrutar este mistério seria da minha parte uma temeridade; admiti-lo, confiando na vossa palavra, é um efeito da minha piedade; conhecê-lo plenamente, vê-lo às claras, será a minha eterna felicidade” (S. Bernardo). Caríssimos, devemos estar dispostos a dar a vida pela fé neste mistério. Assim como são três pessoas no Céu, o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, assim também, aqui na terra, devemos estar bem dispostos para dar à Santíssima Trindade os três testemunhos: da minha fé, das minhas obras e do meu sangue. Este mistério, que exige tanto sacrifício da parte do entendimento, na verdade, enche de consolações o coração. Encontramos nele as nossas delícias. Isto porque na Santíssima Trindade encontramos todos os benefícios divinos em seu princípio: a Criação, a Encarnação, a Igreja, os sacramentos, todos os favores pessoais que recebemos. Como não vibrar o coração de amor e de júbilo ao meditar nestas palavras divinas: “Eu amei-te [diz o Senhor] com amor eterno, por isso, compadecido de ti, te atraí a Mim” (Jeremias XXXI, 3). Não é pois sem razão, que a Igreja, na festa deste dia, primeiro domingo após o Pentecostes, nos conduz à fonte cujos arroios nos mostrou nas diferentes festas do ano; descobre-nos esse imenso mar, donde derivam todas as bênçãos que se derramam sobre nós. Quer que sejamos gratos a esta adorável Trindade, que achando em si toda a felicidade, cuida eternamente da nossa. Desde a criação do mundo que o Pai nos escolheu para seus filhos, o Filho para seus irmãos e o Espírito Santo para mostrar em nós as riquezas da sua graça: “A fim de mostrar aos séculos futuros as abundantes riquezas da sua graça, por meio da sua bondade para conosco em Jesus Cristo” (Efésios II, 7).

É por isso, caríssimos que a Santa Madre Igreja nos recorda continuamente a Santíssima Trindade. No começo, no decurso e no fim de seus ofícios, nas preces que faz,  nos sacramentos que administra, não cessa de exprimir a sua crença no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Não canta um Salmo, um hino sem os concluir glorificando a adorável Trindade. A Igreja quer que seus ministros repitam muitas vezes no dia: “Gloria Patri et Filio et Spiritui Sancto”. Caríssimos, duas coisas adoramos neste mistério: a unidade de natureza, e a trindade de pessoas. Quem é espiritual esforça-se por imitar uma e outra: a unidade pela união, amando sinceramente todos os homens, a trindade pela comunicação, fazendo-lhes todo o bem que puder. S. Paulo desejava ver esta união em todos os cristãos: “Com toda humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos uns aos outros por caridade, solícitos em conservar a unidade do espírito pelo vínculo da paz” (Efésios IV, 2 e 3).

Assim como em Deus a Trindade só subsiste por inefáveis comunicações, derramando o Pai todos os tesouros da sua essência no seio de seu Filho, dando o Pai e o Filho ao Espírito Santo toda a sua divindade; assim também devemos tornar perfeita a nossa união, fecundando-a com as obras de caridade. Ouçamos o Salvador: “Sede misericordiosos, com o vosso Pai é misericordioso” (S. Lucas VI, 36).

Deus é o Ser infinitamente amável, infinitamente amante, infinitamente amado. Deus é o Ser infinitamente feliz: “Ó meu Deus, Pai sem princípio, Filho unigênito do Pai, Espírito Consolador, Trindade santa e uma, com todo o fervor de nosso coração, com toda a força de nossa voz, nós vos confessamos, nós vos louvamos, nós vos bendizemos: glória a Vós em todos os séculos”. Amém! (Ofício da SS. Trindade).

Tags:
19 maio, 2018

Coluna do Padre Élcio: Não expulsar, não contristar o Espírito Santo e não Lhe resistir.

Explicação do Evangelho do Domingo de Pentecostes: S. João XIV, 23-31.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 19 de maio de 2018

“Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará e viremos a ele e nele faremos morada. Quem não me ama, não guarda as minhas palavras. A palavra que ouvis não é doutrina minha, mas de meu Pai, que me enviou. Estas coisas vos tenho dito, permanecendo convosco. Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai há de enviar em meu nome, vos ensinará tudo, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito. A paz vos deixo; a minha paz vos dou. Não vo-la dou, como o mundo vo-la dá. Não se turbe o vosso coração, nem se assuste. Ouvistes o que eu vos disse: Vou e volto a vós. Se me amásseis, certamente vos alegraríeis de eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que eu. Eu vo-lo disse agora, antes que isso suceda, para que, quando acontecer, tenhais fé. Já não falarei muito convosco, porque vem o príncipe deste mundo. Em mim não terá parte alguma. Mas é para que o mundo conheça que amo o Pai, e que faço assim como meu Pai me ordenou”.

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Antes de morrer, Jesus tinha feito esta promessa aos Apóstolos: “O Pai, em meu nome, vos enviará o Espírito Santo, o Consolador. Ele vos ensinará tudo, vos sugerirá tudo”.

pentecostes2Eram passados apenas dez dias desde que Jesus subira ao Paraíso, e eis que um ímpeto veemente de vento desce do céu e abala toda a casa onde os discípulos estavam reunidos em oração com a Mãe, a Santíssima Sempre Virgem Maria. E foram vistas umas línguas de fogo pousar sobre a cabeça de cada um. Todos se sentiram habitados pelo Espírito Santo, e começaram a falar em várias línguas, de modo que os estrangeiros que estavam em Jerusalém naqueles dias os ouviram pregar na sua própria língua, e ficaram maravilhados com isso.

Caríssimos e amados irmãos, também nós cristãos havemos recebido o Espírito Santo no Batismo, e mais copiosamente na Crisma, quando o Bispo impôs as mãos sobre a nossa cabeça.

Na vida de Santa Ângela de Foligno lê-se que a santa foi, um dia, em peregrinação ao túmulo de São Francisco de Assis. E eis que uma voz lhe ressoa ao ouvido: “Tu recorreste ao meu servo Francisco, mas agora far-te-ei conhecer um outro apoio. Eu sou o Espírito Santo, que vim a ti e quero dar-te uma alegria que ainda não experimentaste.

Acompanhar-te-ei, estarei presente em ti… falar-te-ei sempre… e, se me amares, nunca te abandonarei”. Comparando os seus pecados com este favor infinito, Santa Ângela hesitava em crer. E, aquela voz continuou: “Eu sou o Espírito Santo, que vive interiormente em ti”. Então a santa foi invadida por uma alegria celestial.

Isso que o Espírito Santo, por uma graça especial revelava a essa alma, a Igreja ensina-o a todos os cristãos. “Então – diz-nos São Paulo – não sabeis que o Espírito Santo habita em vós? Que os vossos membros são o seu templo e que a nossa alma é selada com o seu selo?

O Espírito Santo, a terceira Pessoa da Santíssima Trindade, igual ao Pai e ao Filho, Deus com o Pai e com o Filho, habita em nós. É o Doce Hóspede de nossa alma. Imaginai que grande graça e que profundo mistério!

Nós temos deveres preciosos para com Espírito Santo, doce Hóspede de nossa alma.

1.      Não expulsar o Divino Espírito Santo (1 Tessalonicenses, V, 19).
2.      Não contristar o Espírito Santo (Efésios, IV, 30).
3.      Não queirais resistir ao Espírito Santo (Atos, VII, 51).

1. Não extingais o Espírito Santo.

Toda vez que se comete um pecado mortal, o pecador expulsa da sua alma o Divino Espírito Santo. Onde há o espírito do mundo e do demônio, não pode estar o Espírito de consolação e de verdade. Sobretudo onde há o pecado imundo da sensualidade, aí não pode habitar o Espírito de Deus.

2. Não contristeis o Espírito Santo.

Mas, sem chegarmos ao excesso de extinguir em nós o Espírito Santo pelo pecado mortal, podemos amargurar-Lhe de muitos modos a sua permanência no nosso coração. Em geral, os atos que contristam o Espírito Santo são todos aqueles a que, com demasiada desenvoltura, nós chamamos pecados veniais. Certas palavras de murmuração, levianas, certas imprecações de impaciência, certas mentiras, desobediências em coisas não graves etc.. Por exemplo este jovem que desperdiça tantas horas na ociosidade, que dá inteira liberdade aos seus olhos, que na igreja mantém uma atitude aborrecida e distraída, não sabe que contrista o Espírito Santo? Não o sabe aquela mãe que só cuida de adornar os cabelos ou o vestido sem seriedade, que não vela sobre a alma de seus filhos para que cresçam inocentes, bastando-lhe somente que sejam sadios no corpo? Não o sabem todos estes cristãos que vivem uma vida tíbia, sem entusiasmo pelo bem, sem fervor pela oração, sem amor à Eucaristia? Não sabem que o Espírito Santo que está neles se contrista?

3. Não resistais ao Espírito Santo.

O Espírito Santo está sempre agindo em nós. E faz-se sentir de dois modos: impelindo-nos ao bem ou repelindo-nos do mal. Quantas vezes o Doce Hóspede de nossas almas nos  convida docemente a fazermos o bem, e os seus esforços ficam vãos porque nós Lhe resistimos! Quantas vezes Ele nos tem dito, como a Filipe na estrada de Gaza: “Aproxima-te daquela família, ajuda-a no que puderes, dize-lhe uma boa palavra de religião e de esperança”; e nós, ao invés, sacudimos os ombros. Há uma pessoa que te ofendeu e a quem tens ódio. Aproxima-te dela, concede-lhe o perdão, esquece o passado. Há talvez uma pessoa afastada do Senhor ou que vive escandalosamente: vós a conheceis, podeis, com a vossa amizade, dizer-lhe uma advertência carinhosa, arrancá-la da trilha infernal.
Não resistais ao Espírito Santo. Não resistais, tão pouco, quando Ele vos sugere rezardes mais, mortificar-vos mais, vos tornardes santos, fazendo uma santa confissão.

Vou contar-vos um fato, do qual, embora indigno, fui ministro do Espírito Santo. Há 39 anos, eu era Capelão dos Hospitais de Campos, RJ.  Atendia todos os dias três hospitais: Santa Casa da Misericórdia, Beneficência Portuguesa e Plantadores de Cana. Como a Santa Casa era maior, eu atendia das 8 h até 12 h.  E à tarde a partir das 14 h atendia os outros dois. Um dia terminei de percorrer toda a Santa Casa e estava saindo e olhando o relógio vi que faltavam 15 minutos para às 12 h. O Divino Espírito Santo assim me inspirou: aproveita estes 15 minutos e dá uma passada no hospital da Beneficência Portuguesa. Pela graça de Deus, obedeci a esta inspiração interior. Fui. Logo na entrada, há duas alas. Sem titubear tomei a da direita. Logo no início vi um quarto com a porta semi-aberta e percebi que havia ali uma doente muito mal. Entrei. A doente, com voz fraca e comovida, assim me falou chorando: senhor padre, eu estava nestes momentos dizendo a Jesus: Meu Jesus, fiz as nove primeiras sextas-feiras, e tenho certeza que ireis cumprir a vossa grande promessa: terei um padre na hora da morte, que vejo está se aproximando. E eis que o senhor, padre, chega. Como Jesus é bom!!! – Dei-lhe todos os sacramentos, e a moribunda entregou sua alma a Deus. Que alegria para o coração do sacerdote!!!

O Espírito Santo também nos repele do mal. Na parede da sela de uma prisão, um condenado deixou escrito: “Eu sou aquele que não está contente”. Caríssimos e amados irmãos, muitos cristãos, se quisessem ser sinceros, no término do seu dia poderiam repetir essas desconsoladas palavras: “Eu sou aquele(a) que não está contente”. Mas quem é que lhes difunde no coração este terrível tédio e implacável remorso? É o Espírito Santo. E por que? para repelir o pecador do mal em que vive e levá-lo a fazer uma boa confissão.

Oh! se alguém, hoje que é Pentecostes, considerando a sua alma percebesse já não ser mais templo de Deus, não ser mais filho de Deus, por haver o pecado mortal entrado em si, reacenda no seu coração o fogo do amor de Deus, aproxime-se da Sagrada Confissão, purifique-se. Depois diga com a Santa Igreja: Vinde, ó Espírito Santo, e tornai a consagrar-me templo de Deus. Vinde, ó Espírito Santo, e tornai a fazer-me filho de Deus. Amém!

Tags:
13 maio, 2018

13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, dia das mães.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 13 de maio de 2018

“Há um nome na pobre linguagem humana que traduz todos os arroubos da alma e toda a sensibilidade do nosso coração.

Esse nome põe bálsamo nas feridas mais pungentes da nossa pobre vida. Ele se transforma em constelação de luzes para as noites mais apocalípticas e mais sombrias. Ele acaricia as frontes mais cansadas e decepcionadas do mundo.

1fatima

Esse nome significa o tabernáculo da amizade mais profunda e sincera. O sacrário do amor que não se cansa, da capacidade de sacrifício que não se limita, da renúncia que não se mede, do perdão que não se pode calcular.

Esse nome que está na alegria de todos os poemas, na sensibilidade de todas as músicas, no sonho de todas as artes, na ternura de todos os corações, é o nome de MÃE. (D. Antônio de Almeida Morais Júnior).

Na verdade, uma boa mãe não é mais uma mera mulher, é sempre uma santa. “Um coração de mãe”, dizia Santa Terezinha, “vale mais que a ciência dos mais peritos doutores”.

“Como o sol”, diz Alves Mendes, “ela é luz, calor, fecundidade. Como o sol alumia, aquece, alegra, move, alenta, expande, acaricia, fascina, atrai: O que é o sol perante os astros é-o a mãe perante os povos – o ponto cêntrico da vida, a fonte da família, a chave da sociedade. Cooperadora da Providência e complemento do homem, a mãe gera, nutre, educa, dá forma, brilho e esmalte à existência. É autora maravilhosa e destra escultora dos seres. Não houve ainda, e não haverá jamais, criatura mais adorável do ela é”.

Dom Ramón Jara, Bispo de la Serena no Chile, deixou-nos uma página belíssima: RETRATO DE MÃE.

“Uma simples mulher existe que pela IMENSIDÃO DE SEU AMOR, tem um pouco de DEUS; e pela constância de sua DEDICAÇÃO, tem muito de ANJO; que, sendo NOVA, pensa como uma anciã e, sendo VELHA, age com as forças todas da juventude; quando analfabeta, melhor que qualquer sábio desvenda os SEGREDOS DA VIDA; e, quando SÁBIA, assume a simplicidade das crianças; POBRE, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama, e, RICA, empobrecer-se para que seu coração não sangre ferido pelos ingratos; FORTE, entretanto estremece ao choro de uma criancinha, e, FRACA, entretanto se alteia com a bravura dos leões; VIVA, não lhe sabemos dar valor porque à sua sombra todas as dores se apagam, e, MORTA, tudo o que somos e tudo o que temos daríamos para
VÊ-LA DE NOVO, e dela receber um aperto de seus braços, uma palavra de seus lábios. Não exijam de mim que diga o NOME DESSA MULHER, se não quiserem que ensope de lágrimas este álbum: porque eu a vi passar no meu caminho. Quando crescerem seus filhos, leiam para eles ESTA PÁGINA: eles lhe cobrirão de BEIJOS A FRONTE, e, dirão que um pobre viandante, em troca da suntuosa hospedagem recebida, aqui deixou para todos o RETRATO DE SUA PRÓPRIA ‘MÃE'”.

“Se o homem pudesse na idade da razão lembrar o ardor de um só beijo materno, não poderia ter coragem de cometer a menor injustiça para quem o tem beijado tão ternamente… Ensinar aos próprios filhos a praticar o bem é deixar-lhes a mais preciosa herança. Desta maneira podemos asseverar ser-lhes úteis até depois da morte” (Mantegazza).

Para terminar não posso deixar de contar um fato do qual fui humilde ministro de Nosso Senhor Jesus Cristo. Há 35 anos, era padre novo e Capelão dos Hospitais de Campos, RJ. Encontrei, um dia, hospitalizado um senhor de certa idade, que estava bem mal, mas que
ainda falava. Conversei com ele procurando incutir-lhe coragem e que tivesse confiança em Nosso Senhor Jesus Cristo que morreu na cruz por nós. Depois perguntei se não queria uma bênção e eu estava disposto a ajudá-lo a confessar-se para depois dar-lhe a unção dos enfermos e o viático. Respondeu-me que não queria confessar-se porque achava que para ele não havia perdão já que passara toda a vida só praticando o mal. Procurei incutir-lhe confiança na misericórdia divina. A nossa maldade, nossos pecados nunca chegam a ser infinitos; mas a misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo é infinita. Por mais graves e numerosos que sejam nossos pecados o sangue de Jesus Cristo tem o poder de lavá-los inteiramente. Deus é Nosso Bom Pai que espera pecador com paciência, vai a sua procura com toda solicitude e o recebe com toda a alegria quando ele se arrepende. Mas o enfermo continuou naquela tentação de desespero da salvação. Para não cansá-lo nem aborrecê-lo, mudei um pouco o rumo da conversa. Perguntei-lhe se seus pais eram católicos. Ele respondeu: sim, sobretudo minha mãe. Rezou muito por mim, deu-me muitos bons conselhos. Nunca os segui, mas também não os esqueci, embora ela já tenha morrido há muitos anos. Por isso, padre, continuou ele, é que eu digo: para mim não há salvação. Apesar dos conselhos de minha mãe, só pratiquei o mal em toda minha vida. E eu lhe disse: Meu filho, tendo sido sua mãe como o sr. explicou, tendo ela cumprido o seu dever de estado como uma mãe verdadeiramente cristã, o sr. pode ter certeza que ela está no céu. E ainda lhe digo mais: o sr. pode ter certeza que se o sr. está tendo a graça de ter ao seu lado um padre na hora da morte, é porque sua santa mãe está lá no céu pedindo a Nosso Senhor Jesus Cristo esta graça tão grande. E o sr. pode ter certeza que ela o aguarda no paraíso. E o doente, então, começou a chorar! Deixei. Depois, dei-lhe o Crucifixo para beijar. Beijou-o e disse-me: Senhor padre, sinto neste momento que agora quero receber o perdão dos meus pecados, mas nunca me confessei. Eu disse-lhe: Meu filho, esta é minha missão. Todo o meu tempo é dedicado para salvar almas. Posso ficar aqui horas e horas se for necessário, para prepará-lo. De fato fiquei por mais de duas horas talvez. Ele não sabia nada de religião. Depois que  percebi que já sabia o mínimo indispensável para receber os sacramentos, atendi sua confissão que foi a primeira e a última. Dei-lhe a extrema-unção, o Santo Viático e a Indulgência plenária com a Bênção papal. Depois de tudo, chorando ele disse-me: sr. padre, antes de morrer quero fazer-lhe um pedido: em todos os lugares em que o sr. trabalhar conte este fato: um grande pecador se converteu na hora da morte, por causa das orações e conselhos de sua mãe santa.

Obedecendo o seu pedido, determinei que todo ano na festa das Mães, contaria este fato, como acabei de fazê-lo. Tenho certeza que esta alma ou já está junto de sua mãezinha no céu, ou está segura de um dia ter esta felicidade eternamente.

“DEEM-ME MÃES VERDADEIRAMENTE CRISTÃS, E EU SALVAREI ESTE MUNDO DECADENTE” (São Pio X).

Tags:
12 maio, 2018

Coluna do Padre Élcio: “Sede o exemplo dos fiéis nas palavras, na caridade, na fé, na castidade”.

Santo Evangelho da Missa do Domingo depois da Ascensão – São João, XV, 26-27; XVI, 1-4.

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 12 de maio de 2018

“Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Quando vier o Consolador que eu vos enviarei do Pai, o Espírito de verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim. E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio. Estas coisas vos digo, para que não vos escandalizeis. Lançar-vos-ão fora das sinagogas; e virá a hora em que qualquer que vos matar, julgará prestar serviço a Deus. E eles vos farão isto, porque não conhecem nem ao Pai, nem a Mim. Mas estas coisas vos digo, para que, ao chegar a hora, vos lembreis que eu vo-las disse”.

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Nosso Senhor Jesus Cristo diz que o Espírito Santo, espírito de verdade, dará testemunho d’Ele. E diz também que nós devemos dar testemunho.

pentecostes-1160x665

O primeiro testemunho que Jesus espera de cada um de nós é o do bom exemplo. São Paulo diz que devemos dar testemunho nas palavras, na caridade, na fé e na castidade. “Sede o exemplo dos fiéis nas palavras, na caridade, na fé, na castidade”.

Examinemos a nossa consciência sobre estes pontos:

Nas palavras: O Evangelho diz, por exemplo, que é preciso fazer penitência, e talvez nas vossas conversas não se fala de outra coisa senão de gozo e de prazeres.

O Evangelho lança a maldição ao mundo e aos seus escândalos: ao contrário, quem sabe? vós, sem tantas considerações dizeis que o mundo vos agrada, e sobejas vezes discorreis sobre escândalos com palavras menos pudicas, dando, às vezes, a impressão de os aprovar. Exemplo triste mas tão comum hoje, são os atentados contra as leis de Deus atinentes ao Santo Sacramento do Matrimônio.

O Evangelho diz que não se julgue a ninguém, e, no entanto, não se passa um dia sem murmurações e sem maledicências e até calúnias.

Na caridade: O Evangelho, em todo pobre que sofre, em toda boa obra mostra-nos Jesus que sofre e que pede: porém nós, ao contrário, apegamo-nos tanto ao dinheiro, que a esmola nos mete medo.

Na fé: Vós todos credes que na Hóstia Santa está Deus, credes que Ele é Pão e Força da vossa alma: e então como sucede que não o recebeis? que não o visitais?

Na castidade: Acreditais que o pecado é a lepra da alma, e o trazeis convosco tranquilamente por semanas e meses. Credes que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, e no entanto não o respeitais.

Caríssimos, Jesus diz que: “No meio desta geração adúltera e pecadora, quem se envergonhar d’Ele (e portanto não der testemunho da verdade de Suas palavras) Ele também se envergonhará dele no dia do Juízo”.

Devemos combater sempre o respeito humano e pedir a graça de um amor ardente a Nosso Senhor Jesus Cristo, amor este capaz nos fortificar para darmos o maior testemunho que é o martírio.

Rezemos a oração desta santa Missa: “Onipotente e eterno Deus, fazei-nos cumprir sempre a Vossa santa vontade e com sincero coração servir à vossa majestade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que sendo Deus, convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém!

Tags:
5 maio, 2018

Coluna do Padre Élcio: “Pedi e recebereis”.

Evangelho do 5º Domingo depois da Páscoa, S. João XVI, 23-30

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 5 de maio de 2018

“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Em verdade, em verdade, vos digo: Se pedirdes a meu Pai alguma coisa em meu Nome, Ele vo-la dará. Até agora nada pedistes em meu Nome.  Pedi e recebereis para que a vossa alegria seja completa. Estas coisas vos disse em parábolas. Vem a hora em que já não vos falarei em parábolas, mas  abertamente vos falarei do Pai. Naquele dia pedireis em meu Nome; então vos digo que hei de rogar por vós ao Pai, pois, o próprio Pai vos ama, porque vós me amastes e crestes que eu saí de Deus. Saí do Pai e vim ao mundo, deixo outra vez o mundo e vou ao Pai. Disseram-Lhe os discípulos: eis que agora nos falais claramente e não usais nenhuma parábola. Agora conhecemos que sabeis tudo, e que não tendes necessidade de que alguém Vos interrogue. Por isso cremos que saístes de Deus.”

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Nosso Senhor Jesus Cristo, na véspera de sua Morte, anuncia a sua Ascensão ao Céu: “Saí do Pai e vim ao mundo, outra vez deixo o mundo e vou para o Pai”.

Anuncia também a vinda do Divino Espírito Santo, o Pentecostes: “Mas vem o tempo em que não vos falarei já em parábolas, mas abertamente vos falarei do Pai.” Nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do Espírito Santo, iluminará os seus apóstolos fazendo-lhes entender mais profundamente os mistérios divinos. Na verdade, caríssimos irmãos, tudo o que nós podemos estudar e conhecer das coisas de Deus é letra morta enquanto o Espírito Santo não nos abrir a inteligência. Devemos ter uma devoção especial ao Divino Espírito Santo. É Deus e o doce Hóspede de nossa alma, é o nosso Santificador.

Jesus Cristo, Nosso Senhor, no evangelho deste domingo ensina-nos também o segredo da oração eficaz: “Se pedirdes a meu Pai alguma coisa em meu nome, Ele vo-la dará”. Aí está o meio seguro para encontrarmos acesso junto do Pai: apresentar-se em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se imolou para glória do Pai e para nossa salvação. Jesus está assentado à direita do Pai para interceder sempre por nós e Ele merece ser sempre atendido “pro sua reverentia”, isto é, em razão da sua piedade (Hebreus V, 7). Diz São Paulo na epístola ao Hebreus VII, 25: “Por isso pode salvar perpetuamente os que por Ele mesmo se aproximam de Deus, vivendo sempre para interceder por nós”.

Pedir “em nome de Jesus” significa, estarmos convencidos de que as nossas ações e boas obras não valem nada se não se apoiam nos méritos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por mais que façamos e rezemos, somos sempre servos inúteis, que não temos em nós nenhuma capacidade para o bem, mas toda a nossa suficiência vem de Jesus Crucificado. Portanto, a primeira condição para que a nossa oração seja feita em nome de Jesus e assim seja eficaz, é a virtude da humildade.  Isto significa uma convicção profunda e realista do nosso nada.

A segunda condição para que a nossa oração seja feita em nome de Jesus e portanto eficaz, é a confiança. Uma confiança ilimitada nos méritos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na verdade Seus merecimentos ultrapassam todas as nossas indigências, misérias, necessidades. E assim nunca seremos demasiado ousados em pedir a plenitude da graça divina sobre as nossas almas, em aspirar à santidade; santidade esta escondida, mas autêntica. Nossa miséria, por maior que seja, será sempre finita, mas os merecimentos e a misericórdia de Jesus serão sempre infinitos. Não existem infidelidades e culpas, tendências más e misérias SINCERAMENTE DETESTADAS que o Sangue de Jesus não possa sarar, fortificar e transformar.

Mas, caríssimos e amados fiéis, há ainda uma outra condição para que a nossa oração seja eficaz: que a nossa vida corresponda à nossa oração, isto é, que a nossa fé se traduza em boas obras. É vã a oração, é vã a nossa confiança em Deus, se não as acompanhamos com os nossos esforços generosos para cumprirmos todos os nossos deveres, para vivermos à altura da nossa vocação.

Terminemos com palavras de Santo Agostinho: “Ó Criador da luz, perdoai as minhas culpas pelos imensos trabalhos do Vosso Amado Filho! Fazei, Senhor, que a Sua piedade vença a minha impiedade, que a Sua modéstia satisfaça pela minha perversidade, que a Sua mansidão dome a minha irascibilidade. A Sua humildade repare a minha soberba; a Sua paciência, a minha impaciência; a sua benignidade, a minha dureza; a Sua obediência, a minha desobediência; a Sua tranquilidade transforme a minha inquietação; a Sua doçura, a minha amargura; a Sua caridade apague a minha crueldade”.

Ó Jesus! ensinai-me a rezar, aumentai a minha fé! Amém!

Tags:
28 abril, 2018

Coluna do Padre Élcio: Vinde, ó Espírito Santo, santificai-me!

Explicação do Evangelho do 4º Domingo depois da Páscoa: Preparação para a festa de Pentecostes.

S. João XVI, 5-14

“Naquele tempo , disse Jesus a seus discípulos: Eu vou Àquele que me enviou e nenhum de vós me pergunta: Para onde ides? Mas porque vos disse estas coisas, o vosso coração se encheu de tristeza. Digo-vos, porém, a verdade: é bom para vós que eu vá; porque se eu não for, não virá a vós o Consolador; mas, se for, eu vo-lo enviarei. E, quando Ele vier, convencerá o mundo que existe o pecado, a justiça e o juízo. Quanto ao pecado, porque não creram em mim. Quanto à justiça, porque  u vou ao Pai, e já não me vereis. E também quanto ao juízo, porque o príncipe deste mundo já foi julgado. Ainda tenho muitas coisas a dizer-vos, mas agora não as podeis compreender. Quando vier, porém, aquele Espírito de verdade ensinar-vos-á toda a verdade. De si mesmo não há de falar, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará”.

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

A Santa Madre Igreja já nos vai preparando para a grande festa de Pentecostes, ou a Vinda do Divino Espírito Santo.

pentecostes-1160x665

“Vou para Àquele que me enviou,” disse Jesus, ” e nenhum de vós me pergunta: para onde vais?” “A vós convém que eu vá, porque se eu não for, não virá a vós o Consolador; mas se eu for, eu vo-Lo enviarei”. Jesus disse estas palavras na véspera de Sua morte. Na verdade, só a morte de Jesus nos pôde merecer esta vinda do Enviado do Pai e do Filho, o Divino Espírito Santo. Podemos dizer que a descida do Espírito Santo à Igreja e às nossas almas é o maior fruto da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Jesus trabalhou no meio dos seus Discípulos de um modo visível; depois de sua Morte, Ressurreição e Ascensão ao Céus, enviará o Divino Espírito Santo que continuará a Sua obra, mas agora de maneira invisível, porém, não menos real e eficaz. O próprio Jesus diz que a ação do Divino Paráclito completará a Sua: “Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas vós não as podeis compreender agora. Quando vier, porém, aquele Espírito de Verdade, Ele vos ensinará toda a verdade. O coração dos Apóstolos, ainda endurecido pelo pecado, não pode entender as verdades mais profundas; será necessário que Jesus, morrendo na cruz, destrua o pecado que é, na verdade, o grande obstáculo à ação do Espírito Santo.

Caríssimos e amados fiéis, devemos dispor-nos com todo ardor para o Pentecostes a fim de que se renove em nós, em toda a sua plenitude, a descida do Espírito Santo. Esta preparação consiste, sobretudo, numa particular pureza de consciência. Combatamos os pecados até nas suas raízes mais profundas. Procuremos praticar sobretudo as virtudes da pureza, da caridade, doçura e mansidão, humildade e simplicidade.

Invoquemos, outrossim, a ação do Espírito Santo sobre a Igreja e sobre todo o mundo. Sobre a Igreja, para que a governe e dirija no cumprimento da sua missão; sobre o mundo, para que o convença da verdade por ele rejeitada. “E Ele, quando vier – disse Jesus – convencerá o mundo quanto ao pecado, à justiça e ao juízo”, ou seja, mostrar-lhe-á que é escravo do pecado por não ter acreditado em Cristo, far-lhe-á compreender como só n’Ele, o Redentor, está a justiça e a santidade e mostrar-lhe-á que o demônio, “o príncipe deste mundo”, foi finalmente vencido e condenado.

“Vinde, ó Espírito Santo, santificai-me! Vinde, Espírito de verdade, enchei-me!” A vossa Sabedoria divina me estabelecerá na verdade. Tenho sede dela e quereria que a verdade reinasse na minha mente, nas minhas palavras, nos meus afetos, nas minhas ações, evitando tudo o que lhe é contrário, não só o orgulho, não só a mentira, mas também a dissimulação, a duplicidade, a falta de sinceridade comigo mesmo. Vinde, ó Espírito Santo, abrasai-nos no Vosso amor, e nele inflamados, que sobretudo os sacerdotes transbordem este amor sobre as almas! Amém!

Tags:
21 abril, 2018

Coluna do Padre Élcio: “Agora estais tristes, mas outra vez vos verei; então alegrar-se-á o vosso coração; e ninguém vos há de tirar a vossa alegria”.

Comentário ao Evangelho do 3º Domingo depois da Páscoa – Preparação para a Ascensão – S. João XVI, 16-22

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 21 de abril de 2018

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Ainda um pouco, e já não me vereis; mais um pouco de tempo e me tornareis a ver, porque vou ao Pai’. Disserem, então, alguns dos seus discípulos entre si: ‘Que é isto, que Ele nos diz?: Ainda um pouco de tempo e não me vereis; mais um pouco de tempo e me tornareis a ver, porque vou para o Pai?’ Diziam, pois: ‘Que quer dizer com isso: ‘Um pouco de tempo’? Não sabemos o que Ele quer dizer’. Conheceu, porém, Jesus que eles O queriam interrogar, e disse-lhes: ‘Sobre isso discutis entre vós, porque eu disse: Ainda um pouco de tempo e não me vereis; mais um pouco de tempo e me tornareis a ver. Em verdade, em verdade eu vos digo: Haveis de chorar e vos lamentar, enquanto o mundo há de alegrar; vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em gozo. Uma mulher, quando dá à luz, tem tristeza, porque veio a sua hora, mas logo que a criança nasce, já não se lembra da aflição, pela alegria por haver nascido ao mundo um homem. Assim vós outros, agora estais tristes, mas outra vez vos verei; então alegrar-se-á o vosso coração; e ninguém vos há de tirar a vossa alegria’.

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Com o Santo Evangelho de hoje a Santa Madre Igreja já vai nos preparando para a festa da Ascensão de Jesus ao Céu. Este Evangelho é tirado do sermão que Jesus fez aos Apóstolos na tarde de última Ceia, com o fim de os preparar para a Sua volta para o Céu, tendo que passar antes pela Sua Paixão, Morte e Sepultura, Ressurreição e depois então de ainda  40 dias aqui na terra, realizar Sua Ascensão aos Céus.

ascensão do senhorAssim, no sentido literal, “aquele pouco de tempo” significava que Jesus no outro dia iria morrer, e seria sepultado, e assim seus discípulos ficariam três dias incompletos sem poder vê-Lo. Depois deste pouco de tempo novamente o veriam ressuscitado e se alegrariam. Ainda ficaria com eles mais um pouco de tempo, isto é, 40 dias e não o veriam mais porque subiria para o Céu, voltando para o Seu Pai.

Ainda no sentido literal podemos dizer que “aquele pouco de tempo” também significava o tempo do resto da vida deles, e morrendo iriam também para o Céu, onde voltariam a ver a Jesus, e agora, não mais o deixariam de ver, e ninguém poderia tirar-lhes este gozo. É a felicidade eterna.

Estiveram tristes e acabrunhados na Paixão, Morte e Sepultura do Divino Mestre, mas se alegraram grandemente em vê-lo ressuscitado. Ficaram novamente tristes em ver Jesus se separando deles e subindo para o Céu. O mundo os perseguiu. E eles tudo sofreram por amor a Jesus. E estes mesmos sofrimentos, estas mesmas tristezas se transformaram em merecimentos que lhes proporcionaram um maior gozo no céu na beatífica Visão de Deus. Agora ninguém lhes poderá tirar esta alegria perfeita, pois é eterna.

Num sentido moral,  o Santo Evangelho se aplica também a nós. Na verdade, a nossa vida, por mais longa que seja é “um pouquinho de tempo” em comparação da eternidade para a qual caminhamos. Se agora fizermos penitência, renunciarmos a nós mesmos, morrermos para à nossas paixões desregradas, todas as virtudes, enfim tudo isto de que o mundo zomba, se converterá em alegria, em maiores merecimentos que nos proporcionarão também uma glória maior no Céu, por toda a eternidade. Ninguém no-la poderá tirar. Por um pouquinho de sofrimento, um peso imenso de glória por toda a eternidade.

Ó Jesus, ajudai-nos a trabalhar e a sofrer de bom coração agora por amor a Vós, e, depois das fatigas e lágrimas deste exílio, depois deste pouquinho de tempo que vai do berço ao túmulo, concedei-nos o repouso e a alegria dos santos no Céu. Assim seja!

Tags:
14 abril, 2018

Coluna do Padre Élcio: O Bom Pastor.

Comentário ao Evangelho do 2º Domingo depois da Páscoa – Domingo do Bom Pastor – S. João X, 11-16

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 14 de abril de 2018

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Eu sou o bom Pastor.

Quem assim fala é Jesus – pastor por excelência, pastor que possui todas as qualidades, todas as perfeições para tornar feliz o seu rebanho, procurando-lhe todas as vantagens: : conhece suas ovelhas, guia-as, caminha à sua frente, defende-as, nutre-as e dá sua vida pelas suas ovelhas. Só Deus é bom em todo sentido da palavra.

Bom PastorAssim, propriamente falando, somente Jesus Cristo, Deus-Homem, é o Bom Pastor. Jesus é o Bom Pastor por antonomásia! Todos os outros pastores eclesiásticos, ou seja, bispos e padres, na expressão do Apóstolo (Hebr. V, 1), “estão cercados de fraquezas”. Mas, é claro, eles devem se esforçar por imitar o seu Mestre.

E como Jesus Cristo se mostra o bom Pastor? Dando sua vida por suas ovelhas; também os pastores eclesiásticos devem dar tudo o que têm e tudo o que são em prol das almas. Assim fazia S. Paulo e todos padres e bispos santos: “Empenhar-se e super se empenhar pela salvação das almas”. Um bom pastor, deve considerar que sua vida não lhe pertence, mas sim à ovelhas que lhe foram confiadas. Ele deve estar disposto a sacrificá-la nas perseguições, nas epidemias e no atendimento de pessoas com doenças contagiosas. É bem verdade que estas ocasiões não são lá tão comuns; não é mártir quem quer, mas há uma maneira de se imolar pelo seu rebanho, mais ordinariamente e no entanto, não menos heroicamente, isto é, não morrendo, mas vivendo pelas suas ovelhas. Deve consagrar suas orações (como os clérigos deveriam amar o seu Breviário!). São delegados por Deus a exercer este Ofício Divino! O bom pastor deve consagrar, outrossim, suas exortações, suas fatigas, os combates aos quais deve sustentar em defesa da fé e dos mandamentos de Deus. De bom ânimo deve estar preparado paras sofrer contradições.

Pois bem, estes sacrifícios de todos os dias, quase diríamos, de todos os momentos, este sacrifício de si mesmo, de todas as suas faculdades, de todas suas forças, é, na verdade, menos brilhante e talvez menos glorioso, e, no entanto, mais completo, mais penoso que o sacrifício rápido de sua vida, executado com um só golpe. Este dura só um instante, não exige mais que um esforço de coragem, enquanto que o outro dura anos inteiros, e exige uma sucessão ininterrupta de esforços e trabalhos.

“O mercenário, porém, e o que não é pastor, de quem não são próprias as ovelhas, vê vir o lobo, deixa as ovelhas, foge e o lobo arrebata e faz desgarrar as ovelhas, porque é mercenário, e porque não se importa com as ovelhas”. Ao lado do bom pastor, há, infelizmente, o pastor mercenário, que não leva em conta nas suas funções e na guarda de seu rebanho, senão  a recompensa e não  a salvaguarda das ovelhas que lhe são confiadas. Como antes de tudo a recompensa lhe é menos cara que a vida, ao primeiro perigo, ele abandona suas ovelhas, mesmo com o risco de perder o fruto de seus cuidados. Mas o bom pastor, aquele que olha não o salário de seus trabalhos, mas suas ovelhas, diante de algum perigo não abandona seu posto, e vindo o lobo ele se arma de seu cajado, se coloca à porta do aprisco, grita, bate, e se não é mais forte, sucumbe, mas mesmo sucumbindo, pelo grito que dá, pelos golpes de desfere, ele salva seu rebanho. Eis, caríssimos, a característica do bom pastor. Eis o que fez Jesus Cristo e o que fazem e devem fazer todos os pastores aos quais o Bom Pastor confiou o cuidado e a guarda de suas ovelhas. Não vos admireis que o bom pastor, tão doce com suas ovelhas, grite contra os lobos que se aproximam do rebanho, não vos admireis se ele resista, combata, faça guerra; porque ele deve fazê-lo e, de fato o faz mesmo às expensas de sua saúde, e até mesmo de sua vida. Ele segue o exemplo do Bom Pastor: “O Bom Pastor dá sua vida pelas suas ovelhas”.

O bom pastor quando vê vindo os lobos, isto é, os escândalos, as más doutrinas, os maus exemplos, os usos perniciosos, o comunismo, a Teologia da Libertação e seus corifeus; não guarda silêncio, não abre as portas ao mal, mas resiste ao escândalo e não dá lugar ao lobo rapace e não foge nunca da luta em defesa da verdade e da moral. Não é mercenário, não olha seus próprios interesses, não visa alcançar honrarias agradando à maioria. Só almeja salvar almas, nada mais. Caríssimos, como devemos lamentar a míngua de bons pastores!!! “Eu sou o Bom Pastor, eu conheço minhas ovelhas e minhas ovelhas me conhecem”. Eis o dever de um pastor de almas: de conhecer suas ovelhas, de
estender seus cuidados a todas, de as ver, de lhes falar, de as procurar, de as atrair pela sua doçura, pela sua caridade. Mas é também dever de as ovelhas conhecer o pastor, isto é, vir até ele, de escutar sua palavra, de obedecer às suas ordens, de seguir seus conselhos, de caminhar em seu seguimento, e é assim também que se estabelecem os bons relacionamentos entre o pastor e suas ovelhas, é assim que os laços que os devem unir se estreitam e que a paz, a piedade, a caridade reinem numa paróquia, e aí espalhem uma doce felicidade, antegozo daquela que nos aguarda no Paraíso. Por outro lado como é triste e lamentável ver como ovelhas desrespeitam e até perseguem seus pastores, pastores zelosos e fiéis à sua missão de salvar as almas!!! Onde isto acontece com frequência, este lugar ou fica amaldiçoado ou porque já o foi: “Seja anátema aquele que tocar nos meus ungidos e maltratar os meus profetas [aqueles que pregam a palavra de Deus] (Salmo 104, 15).

“Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; importa que eu as traga. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor”. Estas outras ovelhas eram as nações pagãs que deveriam entrar na Igreja e formar com os judeus o rebanho único de Jesus Cristo. Temos a felicidade de ser deste rebanho e isto deve ser para nós um motivo de grande reconhecimento. Quantos que estão fora do redil, que nunca aí entraram, ou que dele saíram pelo cisma ou pela heresia!

Caríssimos, permaneçamos portanto no rebanho onde Deus nos colocou, sob o cajado do bom Pastor, do Pastor supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ó Jesus, todo meu amor, dai-me, o Vosso ardentíssimo amor para que por ele, com a Vossa graça, Vos ame, Vos agrade, Vos sirva, cumpra os Vossos preceitos, não seja separado de Vós, nem no tempo presente nem no futuro, mas convosco permaneça unido no amor pelos séculos eternos. Amém!

Tags:
31 março, 2018

Coluna do Padre Élcio: Surrexit, alleluia! Ressuscitou, aleluia!

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Uma Feliz e Santa Páscoa a todos!

Pelas três horas da tarde, na sexta-feira Santa, estando tudo consumado, inclinando a cabeça Jesus rendeu o espírito. Suspenso entre o céu e a terra Jesus estava realmente morto. A obra ímpia dos filhos das trevas estava consumada. O Salvador do mundo tinha exalado o último suspiro. Seu corpo, descido da cruz, tinha sido colocado num sepulcro. Os fariseus triunfavam. Viram a seus pés o cadáver ensanguentado e inânime de Jesus a quem tanto odiavam. Nos arraiais dos escribas e fariseus a alegria era geral, embora mesclada de um certo temor. Pois Jesus tinha ressuscitado o jovem de Naim, a filha de Jairo e Lázaro. E isso agora pouco importaria se Jesus não tivesse também predito sua própria ressurreição: “Ao terceiro dia o Filho do Homem ressurgirá”. Sua desconfiança, portanto, não era de todo infundada. Impunha-se máxima cautela.

Antes prevenir que remediar. Cuidadosos, fariseus e escribas puseram guardas em redor do túmulo. Selaram a tampa com o selo da nação. Deixaram ordens severas ao pelotão dos soldados. Retiraram-se satisfeitos.

Vede homens cegos e insensatos, quereis ligar o Verbo Eterno. Credes selar para todo sempre nas entranhas da terra a Religião de Cristo!?

Três dias depois, era de madrugada. As estrelas iam desmaiando uma após outra na cúpula celeste. Meigos clarões de uma linda aurora purpurizavam as nuvens. Os passarinhos começavam a pipilar nos arbustos. O sol não tardaria a dourar os píncaros do Calvário.

E eis que a terra treme, a pedra sepulcral é retirada, os guardas caem por terra como mortos. Jesus Cristo sai glorioso do túmulo. Surrexit! Ressuscitou! Sua alma pelo poder da divindade unira-se de novo ao  corpo, o qual se levanta majestoso, saindo triunfante do sepulcro. Surrexit! Alleluia! Ressuscitou! Aleluia! Que palavra!!! meus irmãos!!! Vinte séculos são passados que ela se fez ouvir pela primeira vez sobre um túmulo vazio. Um anjo a disse a algumas mulheres, estas a alguns discípulos e estes a toda Jerusalém. De Jerusalém ela passou pelas nações e percorreu rapidamente a terra inteira. E sob a ação desta palavra tudo se muda: o velho mundo desmorona-se, os velhos costumes caem-se, um mundo novo se eleva, novos costumes florescem. A humanidade regenerada sente um sangue novo circular em suas veias.

 Surrexit! Ressuscitou! E depois, cada ano, num dia marcado a Igreja repete esta palavra. Ela a canta em seus cânticos. Ela a diz em suas orações. Ela a proclama em seus ensinamentos. Ela a lança com entusiasmo nas abóbodas de seus templos. E os ecos sagrados, a voz dos fiéis e os instrumentos religiosos a repetem: Surrexit! Ressuscitou! Alleluia, Alleluia! A esta palavra o gozo renasce em todos os corações, a felicidade se pinta em todos os olhares, o luto da Santa Quaresma desaparece. Os altares se cobrem de flores, os sacerdotes entoam novamente seus cânticos de alegria. Alleluia! Repicam os sinos nos céus de primavera em cada ângulo do mundo, sob todas as latitudes!!!

Mas, caríssimos e amados irmãos, por que este gozo universal? É porque a Ressurreição de Jesus Cristo é a pedra angular do Cristianismo. Jesus ressuscitou! Tudo está aí contido: Dogma, Culto, Moral. Se Jesus Cristo ressuscitou, nossa fé é certa, nossa esperança é segura, nossa Religião é divina.

Mas não é este o único motivo de nossa alegria e extraordinário júbilo neste santo dia: A Ressurreição de Jesus Cristo é também o penhor e ao mesmo tempo o modelo de nossa ressurreição futura. E este pensamento leva ao auge a nossa felicidade. Jesus Cristo ressuscitou, logo nós ressuscitaremos também e nas mesmas condições e com a mesma glória, é claro, segundo nossa medida limitada de  puras criaturas. Assim, que a nossa carne se desfaça no pó do qual veio, nós não nos inquietaremos. Um dia ela se elevará deste mesmo pó cheia de vida e gloriosa. O próprio Jesus garantiu que os justos brilharão como o sol.

Jesus Cristo pôde ressuscitar a Si mesmo, Ele poderá ressuscitar também a nós. Nenhuma voz mortal, nenhuma voz divina, nenhum profeta, anjo algum Lhe disse: Levantai-Vos. Nenhuma mão estranha desligou as faixas que prendiam seu sudário. Só, no silêncio da noite rompeu as portas da morte, sozinho a abateu e venceu. Ora, o que Ele pôde para Si, não poderá para nós? Nossa carne não é porventura da mesma natureza que a Sua? Nosso corpo não é semelhante ao seu Corpo? Não disse Ele: “Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim e Eu nele; e Eu o ressuscitarei no último dia?

Depois, Jesus mesmo prometeu: ” Eu sou a Ressurreição e a Vida. O que crê em mim, ainda mesmo que tenha morrido, viverá e todo homem que vive e crê em mim não morrerá para sempre”.

São Paulo exclama: “Si compatimur ut et conglorificemur”. Se sofremos com Cristo para que com Ele sejamos igualmente glorificados”. Jesus Cristo é a nossa Cabeça e nós somos seus membros. Nossas mãos como as de Jesus devem distribuir benefícios sobre os homens; nossos pés, a exemplo dos Seus, devem correr a procura de nossos irmãos que se extraviaram. Nosso corpo todo inteiro como nossa alma deve se entregar às obras de piedade e de misericórdia. Pois bem, este corpo assim oferecido em vítima para a glória de Deus e ao bem das almas, estas mãos que tantas vezes depositaram o bálsamo nas chagas dos feridos, estes pés que levaram a consolação e a esperança nos tugúrios dos pobres e dos infelizes; estes pés tão belos que levaram o Evangelho às nações bárbaras; estes pés e estas mãos, este corpo, serão então para sempre cinza e pó e, depois de ter participado dos trabalhos do Corpo Mistico de Jesus Cristo, eles também não participarão da Sua glória?

Tanto no pensamento do grande Apóstolo como no pensamento de todos os cristãos, o dogma de nossa ressurreição futura está estreitamente ligado ao dogma da Ressurreição de Jesus Cristo. Um é a consequência rigorosa, necessária do outro.

Mas a Ressurreição de Jesus Cristo não é somente o penhor de nossa ressurreição. Ela é também o modelo da nossa.

Jesus sai do túmulo, inteiramente outro. Sai com seu corpo revestido com todos os dotes de um corpo glorioso. Não mais sujeito à dor, à enfermidade, à morte. Seu corpo ressuscitado é ligeiro como o espírito, penetrável, entrará no Cenáculo estando as portas fechadas. Todo ele revestido de glória e resplendente de luz, deslumbrará seus discípulos por aparições inesperadas. Ora, caríssimos irmãos, todas estas qualidades constituirão os dotes dos nossos corpos ressuscitados. Não haverá mais lugar para a morte. Esta foi tragada na vitória de Cristo. Nossos corpos terão por abrigo as abóbodas celestes, por vestes a luz deslumbrante do paraíso; por alimento, a eterna vista e eterna posse de Deus.

Alleluia! Alleluia! Regozija-te, portanto, ó minha carne no dia da Ressurreição de Jesus! Este dia é o anúncio de tua regeneração e de teu triunfo. Este dia é verdadeiramente o dia que fez o Senhor. Nossa alma está na alegria, nosso corpo cheio de esperança!

Não! Não! a separação de minha alma e de meu corpo não será eterna. Estes dois seres, tão longo tempo e tão estreitamente unidos se reunirão um dia. Quando a alma se separar com tanta pena do corpo que ela anima, o adeus que ela lhe diz não é um adeus sem esperança. Eles se tornarão a ver, se reencontrarão um dia. Ao som de trombeta angélica a alma acorrerá sobre este túmulo onde repousa seu mortal invólucro. Ela chamará seu companheiro bem amado; e a esta voz conhecida, o corpo se levantará do pó e se unirá em fraternais amplexos a alma, sua cara companheira.

Eis, caríssimos irmãos, o que a solenidade deste dia nos anuncia. Jesus Cristo saindo radioso do túmulo nos diz: Vede-Me. O que Eu sou, vós sereis um dia. Aleluia! Aleluia!

Uma mãe, a quem havia pouco, tinham morrido dois filhos, ouviu falar do juízo final e da ressurreição da carne.  – “Portanto – dizia ela extasiada – meus dois filhos eu os verei ainda, ainda poderei acariciá-los. Ver-lhes-ei os seus rostos, beijá-los-ei ainda; porém, não mais chorando, como os beijei, frios, frios, antes de os recompor no caixão. Mas quando será? “Quando as trombetas dos anjos soarem a hora do juízo final!”

E quase impaciente por tornar a ver seus filhos, aquela mãe disse: “E por que não é amanhã este dia?”

Caríssimos irmãos! Quem é que não chora algum parente defunto! Talvez sua mãe, talvez um irmão, talvez o esposo? Quantas vezes não vos assaltou um desejo veemente de lhes rever as feições, de olhar nos olhos tristes, de tornar a ouvir-lhes a voz qual a ouvíamos em horas felizes?

Pois bem! O mistério da Páscoa dá-nos um grande consolo. Revê-lo-emos, tornaremos a ver não só os seus espíritos mas também os seus corpos gloriosos; revê-lo-emos como os havemos conhecido e amado na terra.

Os santos sorriam na hora da morte. E tinham razão. Para o cristão que procura imitar a Cristo, a morte não passa de uma breve separação entre a alma e o corpo. É a alma que saúda seu corpo: Até breve irmão, combatemos juntos, estás cansado, deixo-te repousar. Depois de teu breve sono, ao soar da trombeta angélica, voltarei para te retomar, mas para gozares sempre, sem mais te cansares.

Ressurgiremos! Este é o grito de Jó: “Sei que o meu Redentor vive. Mas também sei que no último dia eu também ressurgirei para O ver com estes meus olhos!”

Preparemo-nos, caríssimos irmãos, para a gloriosa ressurreição dos corpos, ressurgindo do pecado e da tibieza.

Se caímos em algum pecado, comecemos tudo de novo. Confessemo-lo arrependidos.

O rei Felipe II de Espanha velou uma noite inteira para escrever ao Papa uma carta de suma importância. Quando acabou, distraído pela fadiga e pelo sono, em vez de derramar nela a areia para enxugar; derramou a tinta. Felipe II empalideceu, mas depois recolhendo a sua coragem disse: “Comecemos de novo”.

Oh! Se na nossa vida tem havido momentos de sono e distração em que havemos derramado a tinta dos pecados na nossa alma, hoje que é Páscoa, é justamente o momento oportuno de dizermos: Comecemos de novo! Amém! Assim seja!

24 março, 2018

Coluna do Padre Élcio: “Solvite et adducite”.

Reflexão sobre o Evangelho do Domingo de Ramos (S. Mateus XXI, 1-10).

Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com, 24 de março de 2018

Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Durante três anos Nosso Senhor Jesus Cristo enchera toda Palestina com seus ensinamentos e milagres, esclarecendo as almas e curando os corpos, em uma palavra: passou, por toda parte, fazendo o bem.

Assisi-frescoes-entry-into-jerusalem-pietro_lorenzettiUm ano antes, quando a gente da Galileia O quisera fazer rei, Jesus havia-se escondido. Agora aceita a homenagem que O há de revelar como o Messias esperado. Para que os judeus não possam alegar que Ele não é o Messias esperado, tudo nesta festa vai ter um caráter expressamente messiânico. Assim Jesus escolhe a hora e adota a atitude descrita pelo Profeta. Na verdade, era o derradeiro chamamento ao coração de seus inimigos; era a demonstração irrefragável de que, se caminhava para a morte, não era nenhuma violência ou necessidade que a isso O levava.

Os povos arrebatados pela sua doutrina e tocados pelos seus benefícios, se apressam em multidão no intuito de conceder-Lhe o título mais augusto, o mais elevado segundo o juízo dos homens, isto é, rei. Se Jesus já havia recusado esta honra, foi porque o reinado que Lhe queriam dar não era o que Ele desejava e merecia. Verdadeiramente o Seu reino é mais alto, mais durável, mais vasto, um reino espiritual, sem limite no tempo como no espaço; e os Judeus pretendiam fazer dele um rei temporal, com um reinado limitado seja pela duração, seja pela expansão.

No entanto, para mostrar aos seus discípulos que Ele reconhecia somente aquele título de rei que os profetas tinham dado ao Messias, para lhes oferecer uma imagem deste reinado poderoso e respeitado que vai conquistar pela sua morte, Ele consente nestas homenagens de uma entrada triunfante na cidade santa, na Jerusalém. Estava próximo o dia em que seria colocada em sua cabeça uma coroa de espinhos, em sua mão uma cana como cetro, um manto de púrpura derrisório sobre os ombros, quando iria ser colocado no trono da cruz, para aí receber a investidura de seu reino eterno.

O triunfo de hoje é o prelúdio daquele que terá lugar dentro de cinco dias no Calvário. A entrada em Jerusalém neste domingo que inicia a semana na qual Jesus vai morrer está em perfeita harmonia com o retrato que os profetas traçaram d’Ele. É um rei pacífico, um príncipe boníssimo que não quebrará a cana trincada, nem apagará a mecha que ainda fumega: “Dizei à filha de Sião: eis que teu Rei vem a ti manso” (S. Mat. XXI, 5). O que faz a beleza do triunfo de Nosso Senhor Jesus Cristo, não é, portanto, nem o  brilho vão de uma pompa exterior, nem o aparato do poderio e da grandeza, nem os cativos que leva atrás de si; não! O que provoca o regozijo e o desvelo dos povos  é  a vivacidade de seu amor, o ardor do seu reconhecimento, é a sinceridade de suas homenagens, é a espontaneidade dessas aclamações por ninguém ordenadas, pois espontâneas  brotam  de seus corações. Eis o que enaltece o triunfo de Jesus Cristo e o coloca bem acima dos triunfos faustosos dos conquistadores, cuja glória consiste no derramamento de sangue dos inimigos, na ruína das cidades e na miséria dos povos vencidos. Jesus Cristo, não é um conquistador nestes moldes humanos. Não, absolutamente não! Se Ele faz conquistas, é por amor que as faz; se ganha vassalos, é através de benefícios e para os fazer felizes.

Aqueles que acompanham o seu triunfo são os doentes por Ele curados, os cegos aos quais deu a visão, os mortos que ressuscitou, é esta multidão faminta que Ele nutriu no deserto, é a multidão infinita de infelizes que Ele aliviou.

Caríssimos, vejamos agora o significado alegórico da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém: é a figura da entrada de Jesus na alma pela graça e pela comunhão. Embora brevemente, consideremos ambas. Primeiramente a entrada de Jesus na alma pela graça: É um santo mistério que deve penetrar de reconhecimento aqueles em que Jesus Cristo já entrou, e de piedosos desejos e até de amorosa impaciência naqueles que se preparam para a entrada de Jesus em suas almas. Refiro-me aos pecadores tocados pela graça e que se convertem. Desculpem-me a comparação: o que Jesus mandou que seus discípulos fizessem com a jumenta e o jumentinho, aplica-se num bom sentido e alegoricamente aos pecadores: “solvite et adducite”, “desprendei-mos e trazei-mos”. Desligar primeiramente estas almas dos liames do erro e do pecados a que estão amarradas; desprendê-las pelo poder que Jesus deu aos seus ministros, isto é, os sacerdotes, de os absolver de seus pecados, logo após sinceramente os confessarem com arrependimento verdadeiro. E, quando por efeito de piedosas instruções dos verdadeiros ministros de Jesus, as cadeias do erro que retinham estas almas, caírem; quando, com tocantes exortações fizerem-nos detestar o vício e amar a virtude,  então as conduzirão das trevas para a luz, das trevas da mentira e das paixões para a luz da verdade e da virtude; conduzi-las-ão do pecado ao arrependimento, da indiferença ao amor, da tibieza à devoção; é mister desprender os pecadores do mundo onde se perdem e conduzi-los à Santa Igreja onde eles encontram a salvação.

Mas os ministros zelosos de Jesus Cristo fazem ainda mais: cobrem-nos das vestimentas, ou melhor, dos méritos de Jesus Cristo, dos quais os padres são os depositários, cobre-os com a vestimenta radiosa da inocência recuperada. Pelo sacramento da penitência, que os padres lhes concederá, são-lhes dadas a graça e virtudes, e Jesus vindo então a eles pela Santíssima Eucaristia, encontram estes convertidos sua alegria e suas delícias ao entrar  em seus corações regenerados  o Seu Rei boníssimo e manso, Nosso Senhor Jesus Cristo.

E justamente a outra maneira pela qual Jesus entra numa alma é pela santa comunhão. Nisto está o extremo da bondade misericordiosa do Salvador. Há, na verdade favor altíssimo e o mais dignificante do que este prodigalizado à alma por Jesus? E assim terei necessidade de mostrar as disposições que esta alma deve apresentar para receber o seu Deus? A alma de fé, terá dificuldade em se despojar dos velhos hábitos, de seus hábitos de pecado para os lançar sob os pés do Salvador? Não arrancará ela de seu interior estes ramos luxuriantes, estes ramos vivais de suas paixões insuficientemente subjugadas? Não apresentará ela ao modesto triunfador as palmas de suas vitórias, nos combates repetidos que ela teve que travar em se preparando para receber um tal hóspede? Não fará ela sair do seu mais íntimo com todas as suas veras os mil gritos de sua admiração, de seu amor e de suas ações de graças: HOSANNA FILIO DAVID!?

Mas, caríssimos, por nada deste mundo façamos o que muitos dos judeus fizeram: no Domingo receberam  em triunfo o Salvador e na sexta-feira da mesma semana pediram a sua morte: “Tira-o, tira-o de nossas vistas, crucifica-o!!!… Não, pela graça de Deus, jamais faremos isto, e com S. Pedro, mas com um coração mais humilde e não presunçoso, devemos dizer: “Mesmo que seja necessário morrer convosco, ó Jesus, não vos
negarei”. Amém!

Tags: