Archive for ‘Cúria Romana’

22 junho, 2017

Procura-se Francisco.

Por FratresInUnum.com | Com informações de Edward Pentin, National Catholic Register, 21 de junho de 2017 – Pela segunda vez consecutiva, parece que o Papa Francisco não se reunirá com os cardeais antes do consistório da próxima quarta-feira para a criação de cinco novos cardeais.

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A sala de imprensa da Santa Sé não respondeu às perguntas sobre se o encontro aconteceria, porém, fontes afirmam que o Papa poderia encontrar alguns cardeais individualmente.

No último consistório, em novembro passado, acredita-se que o Papa preferiu evitar um confronto com os quatro cardeais do dubia, que supostamente planejavam reapresentar o dubia no encontro, ou ao menos abordar o assunto.

Ciente de que os cardeais escreveram novamente há alguns meses, pedindo por uma audiência, e não tendo respondido, o Papa pode ter decidido novamente evitar qualquer encontro, embora, assim como ocorreu com Bento XVI em 2012, possa ser devido ao pequeno número de novos cardeais.

* * *

FratresInUnum.com pôde confirmar que a carta datada de 25 de abril de 2017, escrita pelo Cardeal Carlo Caffarra em nome dos 4 cardeais signatários do dubia, foi entregue em mãos ao Papa Francisco no dia 6 de maio de 2017. Não havendo, mais uma vez, qualquer resposta, os cardeais se viram, novamente, obrigados a tornar público o completo desprezo de Francisco por seus questionamentos e pedidos.

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21 junho, 2017

Bonzinho ou durão? As duas faces do Papa Francisco.

IHU – Para a grande maioria, o Papa Francisco é o rosto da compaixão do catolicismo hoje.

Ele resgatou refugiados, abriu as portas do Vaticano aos sem-teto e disse aos católicos que não há pecado que Deus não perdoe.

Mas há algo mais que tem chamado a atenção para o pontífice argentino nos últimos dias: a disposição de mostrar a que veio e estabelecer as regras.

A reportagem é de Christopher Lamb, publicada por Religion News Service, 19-06-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Debaixo da face de compaixão do Papa, há um lado de aço, que ele lança mão principalmente em relação a sacerdotes, bispos ou cardeais que ele sente que estão prejudicando a missão da Igreja.

Isso ficou evidente no início deste mês, quando o Papa repreendeu duramente os sacerdotes da Diocese de Ahiara na Nigéria. Os sacerdotes se recusaram a aceitar a nomeação de 2012 de um bispo de outro clã.

Ao encontrar-se com o clero de Ahiara, ele ordenou que cada um dos sacerdotes se desculpasse por escrito, prometesse “total obediência” ao papado e aceitasse quem quer que fosse designado para a liderança a diocese.

Para completar, ele disse aos sacerdotes que se eles não enviarem a carta dentro de 30 dias, eles serão automaticamente suspensos. A disciplina papal não tem como ser muito mais rígida que isso.

O Papa ficou furioso porque as diferenças entre clãs estavam sendo colocadas antes da unidade e da missão da Igreja. Se há uma coisa que Francisco realmente não gosta, é que a Igreja seja usada para agendas políticas, sectárias ou tribais.

“Considerar Francisco ‘bonzinho’ é um ledo engano”, disse um dos seus assessores. O Papa, ele explicou, é uma pessoa “radical” que tem uma missão.

Um dia depois, em 9 de junho, Francisco foi duro novamente. O Vaticano anunciou que o Papa havia aceitado a saída do arcebispo Alfredo Zecca de Tucumán, na Argentina, por razões de saúde.

A carta afirmava que, aos 68 anos, ele não se aposentaria antes do previsto simplesmente, mas permaneceria como arcebispo “titular”, o que significa que, tecnicamente, ele ainda tem que servir.

Isso foi alguma punição? Zecca teria chateado o Papa por não ter defendido um de seus padres, Juan Viroche, uma voz forte contra traficantes locais.

Em outubro, Viroche foi encontrado enforcado, mas Zecca resistiu aos pedidos de que fosse colocada uma placa em sua homenagem na paróquia de Viroche. Pelo contrário, ele acreditou na versão oficial de que Viroche havia se suicidado. Muitos moradores locais suspeitam que o suicídio tenha sido encenado.

Em ambas as ocasiões percebe-se que Francisco tem uma verdadeira aversão à hipocrisia. O Papa já criticou os cristãos que levam uma “vida dupla” várias vezes, argumentando que é melhor ser ateu do que ser um “católico hipócrita”, que condena os outros, mas não pratica o que prega.

Ao contrário, o Papa quer uma Igreja inclusiva. Ele quer que os líderes católicos sejam pacifistas em suas sociedades e possam “atacar as feridas” da divisão. Ver um bispo fazendo o contrário ferveu seu sangue.

Há 18 meses, durante uma visita à África, Francisco fez um apelo no Quênia contra o “espírito do mal” que “nos leva à falta de unidade”. Em observações não escritas durante uma reunião com jovens em Nairobi, o Papa pediu que eles dessem as mãos como “sinal contra o mal do tribalismo”.

O Papa também demonstrou seu lado severo ao agir contra os Cavaleiros de Malta, uma antiga ordem cavalheirista católica, depois de seu então líder, Matthew Festing, ser acusado de despedir indevidamente um assistente idoso em um conflito sobre a distribuição de preservativos em projetos de saúde para os pobres.

Quando o Papa anunciou uma investigação sobre o assunto, a disputa fervilhou em um guerra fria entre Francisco e os que se opuseram à direção de seu papado, com o cardeal Raymond Burke – um dos críticos mais ferozes do Papa, que tinha sido considerado a ligação do Vaticano com a ordem -, com um papel fundamental na saga. O Papa venceu.

Em relação a repreensões, vale a pena lembrar que Francisco é um jesuíta, membro de uma ordem religiosa fundada pelo ex-soldado Santo Inácio de Loyola, que incorporou princípios militares em sua governança interna. Uma delas é a obediência.

Relativamente jovem, aos 36 anos, Jorge Bergoglio liderou os jesuítas na Argentina, período em que ele mais tarde confessou ter cometido erros devido a uma “maneira autoritária e rápida de tomar decisões”.

Embora muito tenha mudado desde então, parte dele ainda desempenha o papel de superior religioso.

Esta semana, vazou uma carta que revelava que o Papa quer que os cardeais que moram em Roma o informem quando saírem da cidade e para onde vão.

Escrita pelo cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio dos Cardeais, a carta pede que os prelados reavivem esta “nobre tradição” de informar o papado e o Vaticano sobre sua movimentação, principalmente por longos períodos.

Tal prática seria rotina para qualquer padre ou religioso morando em um mosteiro, convento ou seminário, mas mostra que o Papa quer responsabilidade de seus conselheiros mais próximos. Também é taticamente inteligente, pois garante que o Papa saiba se algum cardeal sair para alguma grande palestra ou fala que possa ser crítica para seu papado.

Durante todo o seu papado, Francisco procurou governar a Igreja colegialmente, criando um corpo consultivo de cardeais que se reuniu em Roma pela vigésima vez dessa semana.

Eles discutiram como delegar mais poder às igrejas locais, e o Vaticano também anunciou que queria ouvir a opinião dos jovens antes da grande reunião da Igreja para os jovens que acontecerá em 2018.

Seus defensores argumentam que o Papa precisa ser duro para implementar as reformas da Igreja, pois ele está enfrentando oposições internas.

A ironia, no entanto, é que para trazer o lado da Igreja mais misericordioso e centrado nas pessoas que ele tanto deseja, Francisco está tendo que exercer uma autoridade firme no processo.

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16 junho, 2017

Academia para a Vida: clientelismo no Vaticano.

Publicada ontem a lista dos 45 novos membros ordinários da Academia Pontifícia para a Vida, além de cinco membros honorários.

Por Lorenzo Bertocchi, La Nuova Bussola Quotidiana, 14 de junho de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Instituída por João Paulo II em 11 de Fevereiro de 1994, a Academia tem como objetivo a “promoção e defesa da vida, sobretudo na relação direta que tem com a moral cristã e as diretrizes do Magistério da Igreja.” Desde agosto de 2016, o presidente nomeado pelo Papa Francisco passou a ser Dom Vincenzo Paglia, ex-presidente do antigo Conselho Pontifício para a Família, que foi agora incorporado ao novo Dicastério para os leigos, família e vida pelo cardeal americano Kevin Farrel.

Dom Paglia, ao mesmo tempo, tornou-se também chanceler do Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família, uma outra criação do papa polonês, que visa a defesa e promoção da família segundo o plano de Deus. No documento que nomeia Paglia para o duplo papel, o Papa deu as diretrizes para o desenvolvimento dessas instituições importantes, “Desde o Concílio Vaticano II até hoje, o Magistério da Igreja sobre essas questões se desenvolveu de uma maneira ampla e aprofundada. E o recente Sínodo sobre a Família, com a Exortação Apostólica Amoris Laetitia, expandiu e aprofundou ainda mais o seu conteúdo. É minha intenção que o Institutos colocados agora sob sua orientação se empenhem de maneira renovada no aprofundamento e  na divulgação do Magistério, confrontando-os com os desafios da cultura contemporânea”.

Amoris Laetitia, novo paradigma

A Pontifícia para a Vida foi, sem dúvida, a instrução da Doutrina da Fé Donum Vitae, publicada pelo então cardeal Joseph Ratzinger, em 1987. Juntamente com a famosa encíclica Humane Vitae do Beato Paulo VI, a instrução coloca uma base muito sólida na defesa da vida e do autêntico amor humano. Hoje, o ponto de referência principal passou a ser Amoris Laetitia, com sua mudança de foco pastoral que muitos percebem como uma verdadeira mudança de paradigma na teologia moral, e por isso capaz de “reformar” muitas abordagens que derivam do magistério anterior. Não sabemos se a nomeação de novos membros ordinários levaram em conta essa interpretação de renovação, mas certamente nos oferecem diferentes perspectivas para reflexão.

Os demitidos

Luke Gormally (Inglaterra), Josef Maria Seifert (Áustria) e John Finnis (EUA), são três nomes que desapareceram da lista de membros da Pontifícia Academia e todos os três eram críticos abertos de algumas passagens da exortação Amoris Laetitia. A mesma sorte tiveram dois ativistas pró-vida conhecidos internacionalmente, Maria de Mercedes Arzu de Wilson e Christine De Marcellus Vollmer, que estão entre os primeiros membros da Academia diretamente nomeadas por João Paulo II e também críticas de certas posições de Francisco sobre a Vida e Família.

Chama a atenção também a  exclusão de Thomas William Hilgers (EUA), ginecologista conhecido especialmente por seus estudos sobre métodos naturais de contracepção. Sua exclusão, pelo que tudo indica, é um duro golpe para a encíclica Humanae Vitae e a Instrução Donum Vitae, visto que ele sempre foi fidelíssimo ao Magistério e um duro adversário contra a contracepção e fecundação assistida.

Outros excluídos são Philippe Schepens (Bélgica), figura bem conhecida entre os médicos católicos de seu país e da Europa por sua defesa apaixonada da ética médica hipocrática; Jaroslav Sturma (República Checa), psicólogo e psicoterapeuta, o único até agora, juntamente com o alemão Manfred Lütz (esse sim reconfirmado como membro ordinário), representante dessas disciplinas entre os Ordinários da Academia, excluído provavelmente porque se alinha o mais próximo possível de psicólogos e psicoterapeutas que consideram a homossexualidade um transtorno mental-emocional e são contrários às teorias de gênero e LGBT. Excluídos também foram os dois italianos, Domenico Di Virgilio e Gianluigi Gigli.

Os confirmados

Francesco D’Agostino (Presidente Honorário do Comitê de Bioética), Adriano Pessina (Diretor do Centro de Bioética da Universidade Católica), John Haas (presidente do Centro de Bioética da National Catholic US), ligado à poderosa Conferência Episcopal dos EUA e amigo do Cardeal Farrell, Mons. Angel Rodriguez Luno (Professor de teologia moral na Universidade Pontifícia da Santa Cruz e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, o qual é muito escutado pelo cardeal Mueller), Carl Albert Anderson (EUA, Presidente dos Cavaleiros de Colombo, que até agora têm generosamente financiado tanto a  Academia como o Pontifício Instituto João Paulo II), Jean-Marie Le Mene (Francês, presidente da Fundação Jérôme Lejeune, que cuida da difusão do pensamento e obras do primeiro presidente da Academia, cuja causa de beatificação foi aberta); Mons. Daniel Nlandu Mayi (Congo) bispo e presidente do Serviço de Educação Central para a Vida do Congo.

Trata-se, em quase todos estes casos, de personalidades que têm posições, por assim dizer, “clássicas” no campo da teologia moral, mas também são “figuras muito diplomáticas”, que dificilmente serão capazes de se posicionar abertamente contra a corrente.

Duas confirmações de outro perfil e sã doutrina são, certamente, os holandeses Cardeal Willem Jacobus Eijk e o Arcebispo Australiano de Sidney Dom Anthony Colin Fisher. Teremos que descobrir como eles vão se comportar neste novo contexto.

Novidades

A primeira inovação importante é a entrada de Angelo Vescovi, que tem um ótimo relacionamento com Dom Paglia. O biólogo e farmacologista italiano é o diretor científico da Casa Alívio do Sofrimento em San Giovanni Rotondo (cargo para o qual o próprio Paglia não economizou palavras). Ele se ocupa, em particular, da pesquisa com células-tronco adultas, mas, de acordo com os especialistas em publicações da área, ele jamais se expressou contra as pesquisas com células tronco embrionárias feitas por seus colegas. Alguns anos atrás, chegou mesmo a estar envolvido em um incidente macabro que ocorreu na Universidade Bicocca de Milão. No laboratório do qual ele era responsável, foi encontrado um feto humano morto com idade aparente de 4-5 meses. Ele falou de “sabotagem” e não houve consequências penais.

Nova nomeação é também a do filósofo americano Nigel Biggar, EUA. De acordo com relatórios do Catholic Herald, em um diálogo com Peter Singer, em 2011, sobre o aborto, ele disse que “não está claro se o feto humano é o mesmo tipo de coisa que um adulto. Torna-se então uma questão de onde vamos traçar a linha”.

Existe ainda a nomeação de não-católicos, como o japonês Shinya Yamanaka, Professor e Diretor do Centro de Pesquisa e Aplicação de células-tronco da Universidade de Kyoto, Prêmio Nobel de Medicina de 2012; o Professor Judeu Avraham Steinberg (Israel, Diretor de Ética da Medicina no Centro Médico Shaare Zedek, em Jerusalém, Diretor do Conselho Editorial da Enciclopédia talmúdica) e o Árabe Tunisiano Professor Mohamed Haddad, professor de Civilizações árabes e Religiões Comparadas junto ao Instituto Superior de Línguistica da Univerisade de Cartago, na Tunísia.

Em geral, o que saem das conversas dos salões sagrados é que os novos filósofos e teólogos moralistas recém-nomeados são mais relativistas sobre questões como a contracepção, a fertilização in vitro, orientação sexual, eutanásia passiva e outras questões delicadas. Por exemplo, o professor italiano, padre Maurizio Chiodi, Professor de Teologia Moral Fundamental no Instituto Superior de Ciências Religiosas, em Bergamo, e na Faculdade Teológica do norte da Itália, em Milão, em suas palestras e conferências nunca escondeu críticas a muitos aspectos do ensinamento da Humanae vitae e da Donum vitae, e também contra alguns parágrafos da Evangelium vitae.

Os membros honorários

Eles são Cardeal Carlo Caffara, o espanhol Monsenhor Carrasco de Paula e o Cardeal Elio Sgreccia, presidentes eméritos da Pontifícia Academia, a Senhora Birthe Lejuene, viúva do primeiro presidente da Academia Pontifícia para a Vida, o Servo de Deus Jérôme Lejeune, e Juan de Dios Vial Correa, Magnífico Reitor emérito da Pontifícia Universidade Católica de Santiago de Chile (Chile).

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8 junho, 2017

Cardeal Müller: O Papa não é o messias, mas o vigário de Cristo.

VATICANO, 07 Jun. 17 / 05:30 pm (ACI).- O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Müller, recordou aos fiéis que o Santo Padre não é o messias, mas o vigário de Cristo; portanto exortou a não cair em certo papismo.

Durante a apresentação do seu livro “Indagine sulla Speranza”, o Cardeal alemão expressou que ficou “impressionado que alguns grandes inimigos de João Paulo II e de Bento XVI, que minaram o fundamento da teologia em outros períodos, atualmente se converteram em uma forma de papismo que me causa um pouco de temor”.

“Voltamos às discussões do Concílio Vaticano I, com a ideia de que quase todas as palavras do Papa são infalíveis”, advertiu. “Mas o Papa não é o Messias, é o Vigário de Jesus Cristo, o servo de Jesus Cristo”, assinalou.

Segundo informou ACI Stampa – agência em italiano do Grupo ACI –, o Purpurado advertiu que “os meios de comunicação veem o Papa como um personagem, mas o Papa Francisco recorda sempre o dever de confirmar na fé”.

“Nos primeiros dias do seu pontificado o Papa Francisco, enquanto era aplaudido na praça disse: aplaudam Jesus, não me aplaudam. E esta é a perspectiva do papado”, afirmou.

O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé disse que “não é bom que a gente, lendo qualquer coisa sobre o Papa Francisco, chegue até o bispo ou o pároco dizendo: ‘o Papa disse…’; porque o pastor da paróquia é o pároco e o bispo na diocese, em comunhão visível com o Papa”.

“Não se deve concentrar tudo sobre o Papa, porque o bispo, o pároco são os pastores do rebanho. Não se deve cair em certo papismo. Os verdadeiros amigos do Papa não são aduladores, mas aqueles que colaboram com ele e com os bispos para sustentar a fé. É verdade que os meios de comunicação mudaram muito as coisas, mas o importante é viver concretamente a Igreja particular em união com o Papa”, assinalou.

2 junho, 2017

Será que o Papa Francisco estabeleceu uma comissão secreta para “reexaminar” contracepção? Esperemos que não.

Por Pete Baklinski, LifeSiteNews, 30 de maio de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com –   Há rumores de que o Papa Francisco tenha estabelecido uma comissão secreta para “reavaliar” o ensino da Igreja sobre o mal da contracepção. Esperemos que eles sejam falsos.

Tal comissão sob a liderança de Francisco eventualmente prejudicaria e até corromperia o belo ensinamento da Igreja sobre o significado e propósito das relações conjugais.

Vimos exatamente esse tipo de subversão acontecendo durante os dois Sínodos da Família. O documento final do papa, o ambíguo Amoris Laetitia, vem sendo usado para minar a indissolubilidade do casamento, aprovar relações adúlteras, dar comunhão aos adúlteros e fornicadores e colocar a consciência individual acima das leis de Deus, conforme esta é refletida nos ensinamentos perenes da Igreja.

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No começo deste mês, o veterano vaticanista italiano Marco Tosatti, postou em seu blog que “relatos não confirmados provenientes de boas fontes” revelam que Francisco “está prestes a nomear – ou até mesmo cogita-se que já tenha sido formada – uma comissão secreta para examinar e potencialmente estudar mudanças na posição da Igreja sobre o tópico da contracepção”.

“Até agora, não há confirmação oficial sobre a existência e composição desta entidade. Mas um pedido de confirmação ou de negação que foi apresentado às autoridades competentes até agora não foi respondido – o que poderia ser por si só um sinal – no sentido de que, se o que se cogita fosse completamente infundado, não custaria nada reponder “, escreveu Tosatti em 11 de maio.

Em suma, a alegação de Tosatti sobre a existência de uma comissão secreta, ainda não foi confirmada ou negada pelos oficiais do Vaticano.

Seis dias depois, em um artigo de 17 de maio, Maike Hickson, do blog OnePeterFive, informou que ele foi capaz de confirmar a afirmação de Tosatti sobre uma comissão secreta através de uma “fonte fidedigna em Roma” mas, que, no entanto, era incapaz de “dar os nomes específicos dos membros daquela comissão”.

O meu grande temor é que tal comissão com Francisco ao leme só poderá chegar à uma conclusão contrária à fé católica, ou seja, de que o “acompanhamento pastoral” das pessoas em “situações concretas” significa permitir-lhes “discernir” o uso de contraceptivos em “casos sérios” de acordo com uma “consciência bem formada”.

Espero que eu esteja completamente errado. Mas meu receio de que a tal comissão chegue a tal conclusão é baseado no que o próprio Papa Francisco já disse em várias ocasiões sobre a questão da contracepção. Aqui estão algumas amostras do que ele disse e que me deixam realmente preocupado:

1-Em uma entrevista ao Corriere della Sera em março de 2014, Francisco disse que a questão do controle de natalidade deve ser respondida não por uma “mudança na doutrina”, mas ao “fazer com que a pastoral (ministério) leve em consideração as situações que tornam possível às pessoas usá-la.”

2-Durante uma conferência de imprensa em seu vôo de regresso da África, em novembro de 2015, quando perguntado se era hora da Igreja permitir o uso de preservativos para prevenir o HIV, Francisco concordou que o uso de preservativos é “um dos métodos”, mas que isso provocaria um conflito com o quinto e sexto mandamentos.

3- Durante seu vôo de volta do México em fevereiro de 2016, Francisco disse que a contracepção pode ser o “menor de dois males” para os pais que desejam evitar conceber uma criança em áreas afetadas pelo vírus Zika. O então Porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi confirmou as palavras do papa no dia seguinte, afirmando: “O contraceptivo ou preservativo, em casos particulares de emergência ou gravidade, poderia ser objeto de “discernimento” em um caso grave de consciência. É o que o Papa disse.”

4- Em novembro último, Francisco elogiou o teólogo moral alemão dos anos 60, Bernard Häring, um dos dissidentes mais proeminentes da encíclica de 1968 do Papa Paulo VI, Humanae Vitae, por sua nova moralidade, que segundo o papa, ajudou a “a teologia moral a florescer”. Francisco elogiou Häring enquanto respondia a uma pergunta sobre uma moralidade que muitas vezes ele defendeu com base no “discernimento”.

A Igreja Católica condena o uso da contracepção como um ato intrinsicamente mal, o que significa que está gravemente errado em todos os casos. O uso da contracepção contradiz o propósito procriativo do ato conjugal, que deve sempre estar aberto à vida, e viola o caráter unitivo dos cônjuges quando um dos cônjuges nega abertamente o dom da fertilidade ao outro.

A fertilidade no casamento é um dom precioso de Deus. O ato conjugal caminha lado-a-lado com o respeito à beleza e a responsabilidade que acompanham esse grande dom. A contracepção essencialmente destrói o dom da fertilidade dentro do casamento. O resultado é que envenena o amor verdadeiro, transformando o ato conjugal em busca de prazer egoísta.

Por esta razão, a Igreja “ensina que todos e cada um dos atos matrimoniais devem permanecer abertos à transmissão da vida”, como afirma a Humanae Vitae, encíclica de 1968 do Papa Paulo VI, que reiterou o ensino definitivo da Igreja sobre o mal moral da contracepção.

“Usar este dom divino destruindo, mesmo que apenas parcialmente, seu significado e seu propósito é contrariar a natureza do homem e da mulher e do seu relacionamento mais íntimo e, portanto, é contrariar também o plano de Deus e Sua vontade “, declara a encíclica.

A Igreja aconselha aos casais que procuram adiar a gravidez por motivos graves, evitar relações conjugais durante o período fértil da mulher. Os métodos científicos aprovados pela Igreja Católica para determinar quando uma mulher é fértil,  incluem o Método da Temperatura e o Método de Ovulação conhecido como Billings. Estudos têm demonstrado que os métodos de conscientização sobre a fertilidade, quando utilizados corretamente, são tão eficazes ou ainda mais efetivos para adiar a gravidez quando comparados aos métodos contraceptivos hormonais e de barreira.

Será que Francisco mudará o ensino católico contra o mal da contracepção se tais rumores se revelarem verdadeiros? Ele não pode, mas, infelizmente, podemos esperar que sua conclusão sobre “os achados” dessa comissão seja suficientemente ambígua para que qualquer um que deseje fazer uso de anticoncepcionais em “boa consciência” se sinta justificado ao fazê-lo. Imagino que isso seria uma reavaliação da infame “Declaração de Winnipeg” dos bispos canadenses que dissentiu abertamente da Humanae Vitae.

Poderiam os Católicos que optarem pela contracepção com base em um ensinamento ambíguo do Papa serem culpados por suas ações pecaminosas? A sua culpa seria diminuída, mas os efeitos temporais do pecado da contracepção causariam outros males em seus casamentos, resultando potencialmente em ruptura matrimonial, divórcio, miséria e, possivelmente, separação eterna de Deus.

Cristo alertou contra aqueles que levam os outros a pecarem. Ele disse que seria melhor que uma pedra de moinho fosse atada em seus pescoços e  que fossem atirados ao mar do que fazer com que outros pecassem. Se o Papa Francisco criou uma comissão para reexaminar “a pílula”, espero e rezo para que qualquer ensinamento que possa surgir daí reafirme o ensino católico anterior em sua plenitude, enfatizando o mal da contracepção e ao mesmo tempo advertindo aos casais católicos para ficarem o mais longe possível desse veneno espiritual.

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30 maio, 2017

Coccopalmerio, o Cardeal formado na escola de Marco Pannella.

De que modo os radicais Marco Pannella e Emma Bonino, junto ao Partido Socialista Italiano (PSI), introduziram o divórcio na Itália?

Através da técnica do caso misericordioso: alguns casos de arrancar lágrimas que foram usados como alavanca.

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Cardeal Francesco Coccopalmerio.

E o aborto? Mesma estratégia do caso misericordioso. A mulher estuprada, a criança com uma doença terrível, o aborto clandestino. Fingindo lutar para resolver um problema, eles abriram as comportas do aborto livre, para todos, para sempre, e de qualquer maneira. Hoje se pode fazer um aborto simplesmente porque a criança não é desejada, porque é macho e não fêmea, porque tem lábio leporino, porque deveria nascer três meses mais tarde, e assim por diante.

Como é que pretendem introduzir a eutanásia?

Com o mesmo esquema do caso misericordioso: as situações-limite, no estilo Welby.

E a legalização das drogas? Através da luta pela maconha medicinal.

E o que faz o cardeal Francesco Coccopalmerio? A mesmíssima e idêntica estratégia (que lhe permite parecer como o bonzinho diante dos impiedosos, dos “doutores da lei”, da “intransigência” dos insensíveis…). O Evangelho não deixa margem à dúvidas; a indissolubilidade, para Cristo, é sem exceção. A Igreja, por 2000 anos, ensinou a mesma doutrina, mas, Coccopalmerio, com o apoio óbvio do Vaticano (as posições de Muller, Caffara, Burke, Ruini, Scola… foram silenciadas, enquanto as de Coccopalmiero amplificadas por todos os meios de comunicação do Vaticano), depois de ter dito, com evidente língua bifurcada, que “a doutrina não muda”, rebate tudo, baseando-se no caso misericordioso.

Ele cita o caso “de uma mulher que foi viver amasiada com um homem casado canonicamente, mas que foi abandonado por sua esposa com três crianças pequenas. Pois bem, essa mulher salvou o homem de um estado de profundo desespero, provavelmente até da tentação do suicídio; ela criou os três filhos dele às custas de muito sacrifício e a união deles, que gerou um novo filho, já dura dez anos. A mulher tem plena consciência de que eles vivem uma situação irregular. Ela gostaria sinceramente de mudar suas vidas. Mas, aparentemente, não pode. Se, de fato, ela resolvesse abandonar aquela união, o homem voltaria ao estado anterior, as crianças permaneceriam sem uma mãe. Deixar a união significaria, portanto, não cumprir importantes funções com relação às pessoas em si mesmas inocentes. Logo, é evidente que isso não poderia acontecer sem gerar uma nova culpa..”

Notamos imediatamente que o caso escolhido pelo Cardeal radical se presta bem ao objetivo que ele pretende alcançar. Ele não escolhe um homem que abandonou a mulher com três filhos (que é o que mais acontece!), mas o contrário! Acrescenta-se aí o fato de que a “antiga” mulher parece ter desaparecido no ar e, para complicar ainda mais o caso, conclui-se que ainda tem o filho caçula do casal tornando tudo emocionalmente difícil.

E agora? Vamos tentar analisar o caso misericordioso, questionando:

Por que o cardeal esquece de levar em consideração o que significa para os três filhos ter em casa a amante do pai?

Por que o mencionado cardeal “ Pannelliano” omite dizer que o nascimento de um novo filho, somado aos 3 da “antiga” esposa, quase sempre cria uma dolorosa situação de graduação entre os filhos (os da esposa “antiga” se tornam filhos de segunda classe, enquanto o último, com a amante, torna-se o de primeira classe)?;

Por que Coccopalmerio quer forçar os sacerdotes a julgar caso a caso, gerando uma confusão incrível (afinal, haverá sacerdotes que negarão o acesso à Comunhão, enquanto outros permitirão; sacerdotes que permitirão apenas se o homem foi abandonado, enquanto outros permitirão ainda que tenha sido o homem a abandonar sua esposa e três filhos)? Mas, por que essa casuística terrível, que Kasper e Bergoglio sempre negaram querer introduzir, que era típica da mentalidade dos fariseus e que hoje está se tornando regra com o beneplácito da Santa Sé?

Como o Cardeal pode se colocar em contraste com as palavras de Jesus, tão claras de modo que não precisam de seus argumentos monótonos e confusos?

Como não dar a entender que os casos misericordiosos sancionam o “divórcio Católico”? Por que ele se esquece de dizer que João Paulo II já havia ensinado que a única solução possível nesses casos é a de viverem juntos “more sororio” (como irmãos)?

Por que ele quer passar a idéia de que cabe à Igreja a tarefa de dar um juízo não sobre o pecado, mas sobre o pecador (na verdade, a lei eclesiástica e evangélica é igual para todos e de fato julga a quebra do vínculo matrimonial e o adultério em ato, não a pessoa, ao passo que a “escolha caso a caso” é, obviamente, arbitrária e pessoal)?

Por que ele quer que se acredite que você pode estar em plena comunhão com Cristo depois de ter rompido a comunhão com sua esposa e, possivelmente, os filhos? Por que ele finge que a Comunhão Eucarística é a única maneira de se participar na vida da Igreja?

Por que querem tirar do próprio Deus a prerrogativa, exclusiva Dele, de julgar casos individuais, pois só Deus tem o pleno conhecimento do coração humano, algo que nenhum padre pode ter?

A exclusão da Comunhão para os casais que vivem em estado de adultério não é, para a Igreja, um juízo definitivo sobre as pessoas, porque a Igreja não tem algum poder para condenar ao inferno ou prometer o paraíso: isso pertence exclusivamente a Deus. À Igreja pertence, ao invés, o dever de indicar com clareza qual é a lei de Deus.

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28 maio, 2017

Foto da semana.

Gricigliano, Itália, Sexta-feira Santa de 2017: No seminário do Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote, é costume que a refeição da Sexta-feira Santa seja servida pelos superiores. Neste ano, entre eles apresentou-se o Cardeal Raymond Leo Burke, que estava presente para as cerimônias da Semana Santa.

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Burke, na última semana, foi duramente atacado pelo Cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga — cujas aspirações nada católicas podem ser recordadas aqui — por conta dos dubia: “Aquele cardeal que sustenta isso é um homem desiludido, na medida em que desejava o poder e o perdeu”.

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Enquanto a corte bergogliana se afunda no ódio e na perseguição, não poupando nem Bento XVI, Burke, também na semana que se passou, fez um histórico pedido de que o Papa consagrasse a Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

19 maio, 2017

Bombástico: Bento XVI entra em campo para frear a deriva litúrgica e apoiar o Cardeal Sarah.

Em 2014, Bento XVI apoiou publicamente aqueles a quem chamou de “grandes cardeais”, em mensagem lida publicamente em Missa no Rito Tradicional celebrada na Basílica de São Pedro pelo Cardeal Burke, que, à época, perdia todos os postos que ocupava. Agora, sai novamente em defesa de outro Cardeal que perdeu completamente seu prestígio em Roma e viu sua Congregação ser sitiada por membros de orientação progressista, após algumas mínimas tentativas de restaurar certa dignidade na liturgia.

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Por Riccardo Cascioli, La Nuova Bussola Quotidiana, 18 de maio de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com – “Com o Cardeal Sarah a liturgia está em boas mãos.” Assinado: Bento XVI. O que à primeira vista pode parecer um simples gesto de respeito, é, na realidade, uma verdadeira bomba. Isso significa, de fato, que o Papa Emérito – apesar de seu estilo discreto – saiu diretamente em campo na defesa do Cardeal Robert Sarah, como prefeito da Congregação para o Culto Divino, que agora se encontra isolado e marginalizado pelos novos nomeados pelo Papa Francisco, e publicamente desautorizado em seu discurso pelo próprio Papa.

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O gesto dramático de Bento XVI chegou sob a forma de um prefácio de um livro do Cardeal Sarah, “La Force du silence” (O Poder do Silêncio), ainda não traduzido em italiano. O texto de Bento XVI deverá ser publicado nas próximas edições do livro, mas já foi divulgado ontem pelo site americano First Things.

Nele, Bento XVI elogiou muito o livro do Cardeal Sarah e o próprio Sarah, definindo-o como “mestre espiritual, que fala das profundezas do silêncio com o Senhor, expressão de sua união íntima com Ele, e que por isso tem algo a dizer para cada um de nós” .

E no final da mensagem ele se diz grato ao Papa Francisco  por “ter nomeado um tal mestre espiritual à frente da Congregação para a celebração da liturgia na Igreja”. É uma nota que seria mais uma armadura do que gratidão real. Não é segredo o fato de que ao longo do último ano, o Cardeal Sarah foi gradualmente deposto de fato, primeiramente com a nomeação dos membros da congregação que tiveram o êxito de cercar Sarah com elementos progressistas abertamente hostis à “reforma da reforma” pedida por Bento XVI e que o cardeal guineense tentava colocar em ação. Em seguida, a desautorização aberta da parte do papa a respeito da posição do altar; e depois, a nova tradução dos textos litúrgicos que seria resultado de estudos de uma comissão criada sem o conhecimento e contra o Cardeal Sarah. Finalmente, os movimentos para estudar a criação de uma missa “ecumênica” ignorando a própria Congregação.

Trata-se de uma deriva que atinge o coração do pontificado de Bento XVI, o qual colocava a liturgia no centro da vida da Igreja. E no documento agora publicado, o Papa Emérito relança um aviso sério: “Assim como para a interpretação da Sagrada Escritura,  também para a liturgia é verdade que se faz necessário um conhecimento específico. Mas também é verdade para a liturgia que na especialização pode faltar o essencial se esta não estiver enraizada em uma profunda união interior com o Igreja orante, que sempre está aprendendo novamente com o Senhor o que vem a ser a verdadeira adoração”.  Daí a declaração final que soa como um aviso: “Com o Cardeal Sarah, mestre do silêncio e da oração interior, a liturgia está em boas mãos.”

Esta intervenção de Bento XVI, que tenta blindar o Cardeal Sarah e legitimá-lo efetivamente como chefe da Congregação para a Liturgia, não tem precedentes. E embora a forma é a de um comentário “inofensivo” em um livro, ninguém pode fugir do significado eclesial deste movimento, que indica a preocupação do Papa Emérito pelo que está acontecendo no coração da Igreja.

Bento XVI intervém agora sobre algo que talvez melhor tenha caracterizado o seu pontificado: “A crise da Igreja é uma crise da liturgia”, ele foi capaz de falar, e tal julgamento foi relançado pelo Cardeal Sarah. Mas não devemos esquecer o que Monsenhor Georg Geinswein disse em uma entrevista recente, de modo aparentemente inocente, ao responder a uma pergunta sobre a confusão que existe na Igreja e as divisões que surgiram. Ele disse que Bento  XVI acompanha atentamente a tudo o que acontece na Igreja. E agora vemos que, no silêncio, começa a dar alguns passos.

25 abril, 2017

Papa está planejando se aposentar, dizem aliados — mas, somente quando tiver indicado um número suficiente de cardeais liberais.

Por Damian Thompson, The Spectator, 21 de abril de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com – Aliados do Papa Francisco estão dizendo que ele planeja seguir o exemplo de Bento XVI e se aposentar. Todavia, ele só o fará uma vez que tiver designado um número suficiente de cardeais liberais para garantir que o próximo conclave não eleja um conservador que interpretará a doutrina católica de maneira mais estrita do que ele.

cover_11032017_landscapeIsso, ao menos, é o que os aliados do Papa vêm contando a colegas — alegando terem ouvido do próprio pontífice (Francisco mesmo é um notório tagarela e igualmente o são alguns dos cardeais que lhe são próximos).

O Papa, agora com 80 anos, aparentemente quer realizar mais três consistórios nos quais concederá o chapéu vermelho a bispos que compartilham de sua visão de reforma (o que quer que isso seja: os detalhes ainda são incompletos, já há quatro anos),

Ele poderia partir em dois ou três anos, levantando a possibilidade surreal de que teremos três papas e ex-papas vivos (Bento XVI parecia bastante saudável quando comemorou seus 90 anos no último final de semana).

 

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24 abril, 2017

Interdito sobre o grão-mestre. O Papa o proíbe de pôr os pés em Roma.

Por Sandro Magister, 18 de abril de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com: Foi convocado para o dia 29 de abril, em Roma, o Conselho Pleno de Estado entre os Cavaleiros Professos, o órgão que segundo norma de estatuto elegerá o novo Grão-Mestre da Ordem de Malta.

Como é de conhecimento público, o Grão-Mestre anterior, o inglês Fra ‘Matthew Festing, renunciou no dia 24 de janeiro, entregando nas mãos do Papa Francisco a sua demissão, em obediência à sua ordem.

Desde então, o governo supremo da Ordem está sob suplência do Lugar-tenente temporário, o Grão-Comendador Fra ‘Ludwig Hoffmann von Rumerstein.

No entanto, desde o dia 4 de fevereiro, o Papa Francisco também sobrepôs à Ordem um delegado especial de sua própria escolha e “porta-voz exclusivo”, dotado, de fato, com plenos poderes, na pessoa do Arcebispo Angelo Becciu, vice-secretário de Estado.

A carta a seguir é uma prova clara do exercício desses plenos poderes.

Em nome do Papa, Becciu proíbe o ex-Grão-Mestre Festing de participar na eleição de seu sucessor, e não apenas isso! Também o proibiu de pôr os pés em Roma por ocasião da eleição.

Aqui está a tradução completa da carta enviada para Festing no Sábado de Páscoa.

* *  *

O Delegado Especial

Junto à Ordem Soberana Militar e Hospitalária de

São João de Jerusalém

de Rodes e de Malta

00120 CIDADE DO VATICANO

Cidade do Vaticano, 15 de abril 2017

Caro Venerado Irmão,

lettera3A partir do momento em que aceitei a tarefa que me foi confiada pelo Santo Padre como seu delegado junto à Ordem Soberana Militar e Hospitalária São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, uma das minhas prioridades é aprofundar-me no conhecimento da Ordem, seja através de reuniões pessoais com os seus membros, seja através de correspondência. Desta forma, eu tenho sido capaz de apreciar a vitalidade da Ordem, bem como a complexidade de seus problemas. O que também surgiu foi uma certa desorientação, acompanhada de profundo sofrimento devido à crise recente. No geral, no entanto, pode-se ver claramente o desejo de virar a página, trabalhando para reconciliar os diferentes elementos e realizar uma revisão das Constituições.

No entanto, tendo em vista o Conselho Pleno de Estado a ser realizado em 29 de abril, muitos expressaram o desejo de que o senhor não venha a Roma e não participe das sessões de votação. Sua presença reabriria as antigas feridas, só recentemente cicatrizadas, e impediria o evento de ocorrer em uma atmosfera de paz e harmonia recuperada.

Em face do exposto, e tendo partilhado a decisão com o Santo Padre, peço-lhe, na competência de Delegado Especial, que não esteja presente no Conselho Pleno de Estado e que não faça nenhuma viagem a Roma nesta ocasião. Peço-lhe isso como um ato de obediência, pelo qual o senhor reconhecerá, sem dúvida, o seu sacrifício como um gesto de doação para o bem da Ordem de Malta.

Estendo-lhe os meus melhores votos de Feliz Páscoa e asseguro-lhe uma recordação constante em minhas orações.

Sinceramente em Cristo,

Arcebispo Angelo Becciu

Delegado Especial

Fra ‘Matthew Festing

Burks, Tarsot

Hexham NE48 1LA

Northumberland

GRÃ-BRETANHA