Archive for ‘Cúria Romana’

12 julho, 2019

O princípio de legalidade se extingue na Igreja?

Por Roberto de Mattei, Corrispondenza Romana, 10 de julho de 2019 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.com  Se o Papa Francisco fosse acusado de um crime por algum juiz, em qualquer parte do mundo, ele deveria despojar-se de seu cargo de Sumo Pontífice da Igreja Católica e submeter-se ao julgamento de um tribunal. Esta é a consequência lógica e necessária da decisão clamorosa com a qual a Santa Sé privou da imunidade diplomática o Núncio Apostólico na França, Mons. Luigi Ventura, acusado de assédio sexual.

A Santa Sé poderia ter dispensado o núncio de seu cargo e, enquanto esperava a justiça francesa seguir seu curso, ter dado início a uma investigação canônica contra ele, mesmo como uma garantia de imparcialidade para com o acusado. Mas a decisão de entregar o representante pontifício a um tribunal secular derruba a instituição da imunidade diplomática – expressão por excelência da soberania da Igreja e de sua liberdade e independência –, essa mesma imunidade diplomática, aliás, invocada para proteger os crimes cometidos na Itália pelo esmoleiro do Papa, o cardeal Konrad Krajewski [aquele que reconectou ilegalmente a eletricidade de um imóvel romano ocupado por grupos esquerdistas alternativos que não pagavam as contas].

O sucedido se insere no quadro de uma preocupante extinção de todo princípio de legalidade dentro da Igreja. O direito é coessencial à Igreja, que tem uma dimensão carismática e uma dimensão jurídica, ligadas inseparavelmente entre si, como o são a alma e o corpo. No entanto, a dimensão jurídica da Igreja é ordenada ao seu fim sobrenatural e está a serviço da verdade. Se a Igreja perde de vista seu fim sobrenatural, torna-se uma mera estrutura de poder, na qual a força da função eclesiástica prevalece sobre o que é verdadeiro e justo.

Este conceito “funcionalista” da Igreja foi denunciado pelo cardeal Gerhard Ludwig Müller, em recente entrevista a Edward Pentin no National Catholic Reporter. O cardeal Müller afirmou que a chamada reforma da Cúria, que está sendo discutida nos últimos meses, corre o risco de transformar a Cúria em uma instituição na qual todo o poder fica concentrado na Secretaria do Estado, desacreditando o colégio cardinalício e as congregações competentes: “Eles estão convertendo a instituição da Cúria em uma simples burocracia, em simples funcionalismo e não em uma instituição eclesiástica”.

Uma manifestação desse funcionalismo é o uso instrumental do direito canônico para sancionar institutos religiosos e simples sacerdotes que não estão dispostos a se alinhar com o novo paradigma do Papa Francisco. No caso das comunidades religiosas, a intervenção repressiva geralmente ocorre através do comissariado, seguida de um decreto de supressão ou reforma completa da instituição, sem dar motivação adequada e muitas vezes expressa na chamada “forma específica”, ou seja, com aprovação pontifícia, sem possibilidade de recurso.

Este procedimento, cada vez mais difundido, certamente não ajuda a acalmar os espíritos numa situação eclesial sujeita a fortes tensões. Mesmo se admitirmos a existência de deficiências humanas em algumas comunidades religiosas, não seria melhor corrigi-las do que destruí-las? O que acontecerá aos jovens sacerdotes e seminaristas que decidiram dedicar suas vidas à Igreja e são privados de seu carisma de referência? Que misericórdia é exercida em relação a eles? O caso dos Franciscanos da Imaculada é emblemático neste sentido.

No caso dos simples sacerdotes, o equivalente à supressão é a sua exclusão do status jurídico clerical, isto é, a chamada redução ao estado laico. Cumpre não confundir o estado clerical – que se refere a uma condição jurídica – com a ordem sagrada, que indica uma condição sacramental e imprime um caráter indelével na alma do sacerdote. A perda do estado clerical é uma medida problemática, especialmente no que diz respeito aos bispos, sucessores dos apóstolos. Muitos bispos, ao longo da História, caíram em pecados graves, cismas e heresias. A Igreja muitas vezes os excomungou, mas quase nunca os reduziu ao estado laical, precisamente por causa da indelebilidade de sua consagração episcopal.

Hoje, pelo contrário, se procede com muita facilidade à redução ao estado laical, e frequentemente não através de um processo judicial, mas usando o processo penal administrativo introduzido pelo novo código de 1983. No processo administrativo há apenas uma instância de julgamento, os poderes discricionários dos juízes são muito amplos, e o réu, a quem às vezes nem sequer se concede advogado de defesa, é privado dos direitos que lhe são atribuídos pelo processo judicial ordinário. O prefeito da congregação competente também tem a possibilidade, como no caso da dissolução de um instituto, de solicitar uma aprovação papal na forma específica, o que torna impossível qualquer recurso.

A consequência é uma praxe justicialista da parte da instituição que, ao longo da história, mais dava garantias aos processados, esquecendo as palavras que Pio XII dirigiu aos juristas: “A função do direito, sua dignidade e o sentimento de equidade, natural ao homem, exigem que a ação punitiva, do começo ao fim, não se baseie na arbitrariedade e na paixão, mas em regras jurídicas claras e fixas […]. Se é impossível estabelecer a culpa com certeza moral, o princípio deve ser aplicado: ‘in dubio standum est pro reo’” (Discurso de 3 de outubro de 1953 aos participantes do Congresso Internacional de Direito Penal, em AAS 45 (1953), pp. 735-737).

Ao contrário da excomunhão, que sugere a ideia de verdade absoluta defendida pela Igreja, a redução ao estado laico é um castigo mais facilmente compreendido por pessoas mundanas, que concebem a Igreja como uma vulgar empresa que pode “demitir” seus empregados, mesmo sem justa causa. Essa concepção funcionalista da autoridade anula a dimensão penitencial dos castigos na Igreja. Ao impor a oração e a penitência aos culpados, a Igreja demonstrava ter em vista acima de tudo suas almas. Hoje, para agradar o mundo, que exige punições exemplares, não há interesse pelas almas dos réus, que são mandados para casa, sem que a Igreja cuide mais deles.

Em artigo publicado pelo Corriere della Sera em 11 de abril de 2019, Bento XVI acusou o “garantismo” como uma das causas do colapso moral da Igreja. Nos anos seguintes à Revolução da Sorbonne, em Maio de 1968, dizia ele, mesmo na Igreja, “os direitos do acusado deviam ser garantidos, a ponto de excluir uma condenação”. O problema, na realidade, não era o de uma garantia excessiva para o acusado, mas de excesso de tolerância para seus crimes, alguns dos quais, como a homossexualidade, deixaram de ser considerados como tais desde os anos do Concílio Vaticano II, que antecedeu aquela Revolução. Foi nos anos do Concílio e do pós-Concílio que uma cultura relativista – na qual a homossexualidade foi considerada moralmente irrelevante e pacificamente tolerada – entrou nos seminários, faculdades e universidades católicas. Bento XVI, que pediu “tolerância zero” contra a pedofilia, nunca invocou a “tolerância zero” contra a homossexualidade, curvando-se, como seu sucessor, às leis do mundo.

Nas últimas semanas foram feitas novas revelações do arcebispo Dom Carlo Maria Viganò a respeito de crimes graves contra a moralidade, cometidos pelo arcebispo Dom Edgar Peña Parra, escolhido pelo Papa Francisco como Substituto na Secretaria de Estado. Por que as autoridades eclesiásticas, que há anos estavam inteiradas dessas acusações, nunca iniciaram investigações, como não as iniciaram pelos crimes cometidos no pré-seminário Pio X, que forma os coroinhas para as cerimônias papais na Basílica de São Pedro? As autoridades têm o dever de iniciar uma investigação: um dever inalienável, depois que as palavras do corajoso arcebispo ressoaram em todo o mundo.

Outra pergunta aguarda resposta. O cardeal George Pell está, desde março passado, em confinamento solitário na penitenciária de segurança máxima de Melbourne, aguardando um novo julgamento, após ter sido condenado em primeira instância. Por que as autoridades eclesiásticas o privam de um processo canônico que estabeleça sua culpa ou inocência não diante do mundo, mas da Igreja? É escandaloso que o Cardeal Pell esteja na prisão e a Igreja esteja em silêncio, aguardando o julgamento do mundo e recusando-se a emitir seu próprio julgamento, possivelmente em contraste com o do mundo.

Do quê a Igreja tem medo? Jesus não veio para vencer o mundo? O direito, que deveria ser um instrumento da verdade, tornou-se um instrumento de poder por parte daqueles que hoje governam a Igreja. Mas uma Igreja na qual o princípio da legalidade se extingue é uma Igreja sem Verdade e uma Igreja sem Verdade deixa de ser Igreja.

6 julho, 2019

Foto da semana.

Vaticano, 1º de julho de 2019: Consistório público de Francisco com os Cardeais para o anúncio de canonizações, dentre as quais a de Irmã Dulce Lopes Pontes e do Cardeal John Henry Newman. Nas imagens, os Cardeais Burke e Müller cumprimentam o pontífice.

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5 julho, 2019

Bomba: Viganò expõe ainda mais Francisco e sua corte. Denúncias de acobertamento de abusos e assassinato, parece que nunca se chega ao fundo do poço.

Novo testemunho de Viganò: o Vaticano encobriu alegações de abuso sexual de coroinhas do papa

Por LifeSiteNews, 3 de julho de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com –  Nota do Editor de LifeSiteNews: A entrevista do arcebispo Carlo Maria Viganò ao Washington Post, publicada em 10 de junho, continha uma resposta que o Washington Post decidiu expurgar da entrevista. Esta resposta continha informações importantes sobre as denúncias não tratadas de abuso sexual contra um alto funcionário da Santa Sé, bem como o acobertamento de um ex-seminarista, agora padre, acusado de abuso sexual contra adolescentes pré-seminaristas que serviam como coroinhas do Papa. O texto completo com as respostas inéditas que Viganò deu ao Washington Post, e que foi suprimido, segue abaixo. O texto foi ligeiramente modificado para incluir expressões normalmente usadas em inglês. O nome de um indivíduo foi removido pelo LifeSite porque não foi possível encontrar suporte suficiente para a acusação feita contra ele neste momento.

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O senhor vê algum sinal de que o Vaticano, sob o pontificado do Papa Francisco, está tomando as medidas adequadas para enfrentar as graves questões de abuso? Se não, o que está faltando?

Os sinais que vejo são verdadeiramente sinistros.  O papa não apenas não está fazendo quase nada para punir aqueles que cometeram abusos, mas também não está fazendo absolutamente nada para expor e levar à justiça aqueles que por durante décadas, facilitaram e acobertaram os abusadores. Só pra citar um exemplo, o Cardeal Wuerl, que acobertou os abusos de McCarrick e de outros por décadas seguidas e cujas repetidas e flagrantes mentiras foram manifestadas a todos que têm prestado atenção (para aqueles que não têm prestado atenção, ver http://washingtonpost.com / opiniões / cardeal-wuerl-sabia-sobre-theodore-mccarrick-e-ele-lied-sobre-it), teve que renunciar em desgraça devido à infâmia popular. No entanto, ao aceitar sua renúncia, o Papa Francisco o elogiou por sua “nobreza”. Que credibilidade o papa ainda tem depois desse tipo de declaração?

Mas tal comportamento não é de modo algum o pior. Voltando ao Encontro [ocorrido no Vaticano] e seu foco no abuso de menores, quero agora chamar a sua atenção para dois casos recentes e verdadeiramente aterrorizantes envolvendo alegações de abusos contra menores durante o mandato do papa Francisco. O papa e muitos prelados da cúria estão bem cientes dessas alegações, mas em nenhum dos casos foi permitida uma investigação aberta e minuciosa. Um observador objetivo não pode deixar de suspeitar que atos horríveis estão sendo encobertos.

1. O primeiro alega-se ter ocorrido dentro dos próprios muros do Vaticano, no Pré-Seminário Pio X, que fica a poucos passos da Domus Sanctae Marthae, onde o papa Francisco vive. Esse seminário forma os menores que servem como coroinhas na Basílica de São Pedro e em cerimônias papais.

Um dos seminaristas, Kamil Jarzembowski, colega de quarto de uma das vítimas, afirma ter testemunhado dezenas de incidentes de agressão sexual. Juntamente com outros dois seminaristas, ele denunciou o agressor, primeiramente e pessoalmente aos seus superiores no Pré-Seminário, depois por escrito aos cardeais e finalmente em 2014, novamente por escrito ao próprio papa Francisco. Uma das vítimas era um adolescente, supostamente abusado por cinco anos consecutivos, desde seus 13 anos de idade. O suposto agressor era um seminarista de 21 anos chamado Gabriele Martinelli.

Esse Pré-Seminário está sob a responsabilidade da diocese de Como e é dirigido pela Associação Don Folci. Uma investigação preliminar foi confiada ao vigário judicial de Como, Dom Andrea Stabellini, que encontrou evidências que justificaram investigações posteriores. Eu recebi as informações em primeira mão indicando que seus superiores proibiram que ele continuasse a investigação. Ele pode testemunhar por si mesmo e peço-lhe que vá entrevistá-lo. Eu rezo para que ele encontre a coragem para compartilhar com você o que ele tão corajosamente compartilhou comigo.

Juntamente com o anterior, fiquei sabendo como as autoridades da Santa Sé lidaram com este caso. Após a coleta de evidências feita por Dom Stabellini, o caso foi imediatamente encoberto pelo então bispo de Como, Diego Coletti, juntamente com o cardeal Angelo Comastri, vigário geral do papa Francisco para a Cidade do Vaticano. Além disso, o cardeal Coccopalmerio, então presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, quando foi consultado por Dom Stabellini, exortou-o fortemente a parar com a investigação.

Você pode se perguntar como esse caso horrível foi encerrado. O bispo de Como afastou Dom Stabellini do cargo de vigário judicial; o denunciante, ou seja, o seminarista Kamil Jarzembowski, foi expulso do seminário; seus dois companheiros seminaristas que se juntaram a ele na denúncia deixaram o seminário; e o suposto agressor, Gabriele Martinelli, foi ordenado sacerdote em julho de 2017. Tudo isso aconteceu dentro dos muros do Vaticano e nenhuma palavra sobre o caso saiu durante o Encontro sobre abuso sexual.

O Encontro foi, portanto, terrivelmente decepcionante, pois é hipocrisia condenar os abusos contra menores e alegar simpatizar com as vítimas, recusando-se a encarar os fatos honestamente. Uma revitalização espiritual do clero é mais que urgente, mas acabará sendo ineficaz se não houver disposição para abordar o problema real.

2. O segundo caso envolve o arcebispo Edgar Peña Parra, a quem o papa Francisco escolheu para ser o novo substituto na Secretaria de Estado, fazendo dele a terceira pessoa mais poderosa da cúria. Ao fazê-lo, o papa essencialmente ignorou um terrível dossiê enviado a ele por um grupo de fiéis de Maracaibo, intitulado “Quién es verdaderamente Monseñor Edgar Robinson Peña Parra, Nuevo Sustituto de la Secretaria de Estado do Vaticano?” (“Quem realmente é Monsenhor Edgar Robinson Peña Parra, o novo Substituto da Secretaria de Estado do Vaticano ”- LifeSite) O dossiê é assinado pelo Dr. Enrique W. Lagunillas Machado, em nome do “Grupo de Laicos de la Arquidiócesis de Maracaibo por una Iglesia e um Clero según o Corazón de Cristo” (“Grupo de Leigos da Arquidiocese de Maracaibo para uma Igreja e um Clero de acordo com o Coração de Cristo ”- LifeSite). Esses fiéis acusaram Peña Parra de terrível imoralidade, descrevendo em detalhes seus supostos crimes. Isso pode até ser um escândalo que supera o caso McCarrick, e não se deve permitir que ele seja coberto pelo silêncio.

Alguns fatos já foram publicados nos meios de comunicação, nomeadamente no semanário italiano L’Espresso (ver espresso.repubblica.it/inchieste/2018/10/18/news/buio-in-vaticano-ecco-l-ultimo-scandalo- 1,327923). Agora vou acrescentar fatos conhecidos pela Secretaria de Estado no Vaticano desde 2002, que fiquei sabendo quando servi como Delegado para Representações Pontifícias.

  • Em janeiro de 2000, o jornalista Gastón Guisandes López, de Maracaibo, fez sérias acusações contra alguns padres da diocese de Maracaibo, incluindo Mons. Peña Parra, envolvendo abuso sexual de menores e outras atividades possivelmente criminosas.
  • Em 2001, Gastón Guisandes López pediu duas vezes para ser recebido pelo arcebispo André Dupuy, núncio apostólico (o embaixador do Papa) na Venezuela, para discutir esses assuntos, mas o arcebispo inexplicavelmente se recusou a recebê-lo. No entanto, ele relatou à Secretaria de Estado que o jornalista havia acusado Mons. Peña Parra de dois crimes muito graves, descrevendo as circunstâncias.

Primeiro, Edgar Peña Parra foi acusado de ter seduzido, em 24 de setembro de 1990, dois seminaristas menores da paróquia de San Pablo, e que deveriam entrar no Seminário Maior de Maracaibo no mesmo ano. O evento teria ocorrido na igreja de Nossa Senhora do Rosário, onde o reverendo José Severeyn era pároco. Rev. Severeyn foi posteriormente removido da paróquia pelo então arcebispo Mons. Roa Pérez. O caso foi denunciado à polícia pelos pais dos dois jovens e foi tratado pelo então reitor do seminário maior, Rev. Enrique Pérez, e pelo então diretor espiritual, Rev. Emilio Melchor. O Rev. Pérez, quando questionado pela Secretaria de Estado, confirmou por escrito o episódio de 24 de setembro de 1990. Vi esses documentos com meus próprios olhos.

Em segundo lugar, Edgar Peña Parra estaria envolvido, juntamente com [Nome removido], na morte de duas pessoas, um médico e um certo Jairo Pérez, que ocorreu em agosto de 1992, na ilha de San Carlos, no Lago Maracaibo. Eles foram mortos por uma descarga elétrica, e não está claro se as mortes foram acidentais ou não. Essa mesma acusação também está contida no referido dossiê enviado por um grupo de leigos de Maracaibo, com o detalhe adicional de que os dois cadáveres foram encontrados nus, com indícios de encontros lascivos e homossexuais macabros. Essas acusações são, para dizer no mínimo, extremamente graves. No entanto, Peña Parra não só não foi obrigado a encará-los, mas também foi autorizado a continuar no serviço diplomático da Santa Sé.

  • Essas duas acusações foram denunciadas à Secretaria de Estado em 2002 pelo então núncio apostólico na Venezuela, o arcebispo André Dupuy. A documentação pertinente, se não tiver sido destruída, pode ser encontrada tanto nos arquivos do pessoal diplomático da Secretaria de Estado onde ocupei o cargo de Delegado para as Representações Pontifícias, como também nos arquivos da nunciatura apostólica na Venezuela, onde os seguintes arcebispos serviram como núncios, desde Giacinto Berloco, de 2005 a 2009; Pietro Parolin, de 2009 a 2013; e Aldo Giordano, de 2013 até o presente. Todos tiveram acesso aos documentos que levantam estas acusações contra o futuro Substituto, assim como os cardeais Secretários de Estado Sodano, Bertone e Parolin e os Substitutos Sandri, Filoni e Becciu.
  • Particularmente notório é o comportamento do Cardeal Parolin que, como Secretário de Estado, não se opôs à recente nomeação de Peña Parra como Substituto, tornando-o seu colaborador mais próximo. E tem mais: anos antes, em janeiro de 2011, como núncio apostólico em Caracas, Parolin não se opôs à nomeação de Peña Parra como arcebispo e núncio apostólico no Paquistão. Antes de tais nomeações importantes, um rigoroso processo informativo é feito para verificar a idoneidade do candidato, de modo que essas acusações certamente foram trazidas à atenção do Cardeal Parolin.

Além disso, o cardeal Parolin conhece os nomes de vários padres da Cúria que são sexualmente ativos, violando as leis de Deus que eles solenemente se comprometeram a ensinar e praticar, e no entanto ele continua a fazer vistas grossas.

Se as responsabilidades do Cardeal Parolin são graves, mais ainda são as do papa Francisco por ter escolhido para uma posição extremamente importante na Igreja um homem acusado de crimes tão graves, sem antes insistir numa investigação aberta e minuciosa. Há mais um aspecto escandaloso nessa história horrível. Peña Parra está intimamente conectado a Honduras e, mais precisamente, ao cardeal Maradiaga e ao bispo Juan José Pineda. Entre 2003 e 2007, Peña Parra serviu na nunciatura em Tegucigalpa, e enquanto estava ali era muito próximo de Juan José Pineda, que em 2005 foi ordenado bispo auxiliar de Tegucigalpa, tornando-se o braço direito do cardeal Maradiaga. Juan José Pineda renunciou ao cargo de bispo auxiliar em julho de 2018, sem qualquer razão dada aos fiéis de Tegucicalpa. O Papa Francisco não divulgou os resultados do relatório que o Visitador Apostólico, o bispo argentino Alcides Casaretto, entregou diretamente e somente a ele há mais de um ano. Como poderíamos interpretar a firme decisão do Papa Francisco de não falar ou responder a qualquer pergunta sobre esse assunto, exceto como um acobertamento dos fatos e proteção de uma rede homossexual? Tais decisões revelam uma verdade terrível: em vez de permitir investigações abertas e sérias daqueles acusados ​​de graves ofensas contra a Igreja, o papa está permitindo que a própria Igreja sofra.

Voltando à sua pergunta. Você me pergunta se vejo sinais de que o Vaticano sob o Papa Francisco está tomando as medidas adequadas para enfrentar as graves questões de abuso. Minha resposta é simples: o próprio papa Francisco é que está acobertando os abusos agora, como fez com McCarrick. Eu digo isso com grande tristeza. Quando o rei David denunciou o homem rico ganancioso descrito na parábola de Natan, como sendo digno da morte, o profeta disse-lhe sem rodeios: “Tu és esse homem” (2 Sm 12: 1-7). Eu esperava que meu testemunho fosse recebido como o de Natan, mas ao invés disso foi recebido como o de Micaías (1Rs 22: 15-27). Eu oro para que isso mude.

17 junho, 2019

Dom Viganò ao Washington Post: “O Papa Francisco está ocultando deliberadamente as evidências do caso McCarrick”.

Por OnePeterFive, 10 de junho de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com – O arcebispo Carlo Maria Viganò está novamente nos noticiários de hoje, após o lançamento de uma nova entrevista de 8.000 palavras para o Washington Post. De acordo com o Post, a entrevista foi conduzida via e-mail durante um período de dois meses, com o ex-núncio papal nos EUA fornecendo respostas para cerca de 40 perguntas.

Dom Carlo Maria Viganò.

Dom Carlo Maria Viganò.

Aqueles que leram os testemunhos anteriores de Viganò perceberão muitas similaridades na entrevista, mas com maior profundidade. O arcebispo Viganò se recusou a responder perguntas sobre seu status pessoal, que, segundo ele, considera “irrelevante para os sérios problemas que a Igreja enfrenta”.

Ele começa com uma avaliação do Encontro sobre Abuso Sexual realizado em Roma, em fevereiro de 2019, o qual faz eco às preocupações que ele compartilhou com o National Catholic Register antes da abertura do Encontro. 

“Infelizmente”, diz Viganò ao Post, sobre o Encontro, “essa iniciativa acabou se tornando pura ostentação, pois não vimos nenhum sinal de uma disposição genuína de endereçar as causas reais da crise atual”. Ele destacou a falta de credibilidade do cardeal Cupich, que foi escolhido para ser um líder no Encontro, depois dele ter se referido às acusações de Viganò sobre o acobertamento dos abusos sexuais, como uma espécie de  “buraco de coelho”. Ele também lamentou a falta de transparência para com os jornalistas que procuravam informações sobre casos específicos.

Só pra citar um exemplo, o arcebispo [Charles] Scicluna, pego de surpresa com uma pergunta sobre o fato do papa ter acobertado o caso escandaloso do bispo Argentino Gustavo Zanchetta – “Como podemos acreditar que esta é de fato a última vez que vamos ouvir “não mais acobertamentos” quando, no final das contas, o próprio papa Francisco acobertou alguém na Argentina que tinha pornografia gay envolvendo menores? “-  acabou dando esta resposta embaraçosas:” Sobre esse caso, eu não, eu não, você sabe, eu não estou autorizado … ”. A resposta inepta de Scicluna deu a impressão de que ele precisava ser autorizado – o que levanta outra interrogação: autorizado por quem pra dizer a verdade? Alessandro Gisotti, o diretor do escritório interino de imprensa do Vaticano,  interveio rapidamente para assegurar aos repórteres que uma investigação havia sido iniciada e que, uma vez concluída, eles seriam informados dos resultados. É de se questionar se os resultados de uma investigação honesta e minuciosa serão realmente divulgados, e em tempo hábil”.

Viganò observa que um dos problemas-chave do Encontro foi a maneira pela qual “se concentrou exclusivamente no abuso de menores”.

“Esses crimes são de fato os mais horríveis”, acrescenta ele, “mas as recentes crises nos Estados Unidos, no Chile, na Argentina, em Honduras e em outros lugares têm muito mais a ver com abusos cometidos contra jovens adultos, inclusive seminaristas, não apenas nem principalmente contra menores. De fato, se o problema da homossexualidade no sacerdócio fosse honestamente reconhecido e devidamente tratado, o problema do abuso sexual seria muito menos severo ”.

Viganò ataca o papa Francisco, que segundo ele , “não apenas não está fazendo quase nada para punir aqueles que cometeram abusos”, mas também “não está fazendo absolutamente nada para expor e levar à justiça aqueles que, durante décadas, facilitaram e acobertaram os abusadores”.  Ele cita o exemplo do Cardeal Wuerl, que, não obstante as mentiras e acobertamentos dos abusos de “McCarrick e de outros por décadas”, sobre os quais ele só ofereceu “mentiras repetidas e descaradas”  e foi forçado a renunciar em desgraça,  ainda assim foi elogiado pelo papa por sua “nobreza”.

“Que credibilidade o papa ainda tem depois desse tipo de declaração?”, pergunta Viganó.

Sobre a questão da laicização de McCarrick, Viganò questiona por que isso só veio acontecer cinco anos depois que ele passou a informação ao Papa Francisco sobre McCarrick e por que isso só foi feito, “depois de mais de sete meses de silêncio total”, através de um procedimento administrativo e não judicial.

Viganò observa que, devido à natureza do procedimento, McCarrick foi “privado de qualquer oportunidade de recorrer da sentença” e foi privado do devido processo legal. “Ao tornar a sentença definitiva”, acrescenta Viganò, “o papa tornou impossível conduzir qualquer investigação adicional, o que poderia revelar quem na Cúria e em outros lugares sabia dos abusos de McCarrick, quando eles ficaram sabendo e quem o ajudou a ser nomeado arcebispo de Washington e, eventualmente, cardeal. A propósito, notem que os documentos deste caso, cuja publicação foi prometida, nunca foram produzidos ”.

“A linha de fundo”, diz Viganò, “é esta: o papa Francisco está deliberadamente ocultando as evidência do caso McCarrick”.

Sobre a questão da incomum intervenção da Santa Sé no encontro da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA em novembro passado, na qual o papa ordenou que os bispos reunidos não votassem em duas medidas contra o abuso sexual que haviam sido preparadas, Viganò diz que a Santa Sé estava tentando impedir um exame dos “problemas da corrupção episcopal, acobertamentos episcopais e falsidade, crimes sexuais do episcopado, tanto relacionados com menores como com adultos – qualquer um dos quais implicaria e embaraçaria intoleravelmente a Santa Sé”.

Questionado sobre a “notável falta de desmentidos” sobre o seu testemunho original – a pergunta foi feita antes de Francisco finalmente vir a público negando que ele sabia de alguma coisa, e que Vigano já havia declarado anteriormente ser “uma mentira” – o arcebispo argumenta que as acusações não podem ser desmentidas porque elas são verdadeiras. “Os cardeais e arcebispos que eu citei os nomes não querem ser pegos na mentira, e eles aparentemente acham que são tão poderosos e permanecerão intocáveis ​​se ficarem quietos e não levantarem polêmica”, disse ele.

Em um adendo à entrevista, depois que a longa e tardia negação feita pelo papa no mês passado foi divulgada, Viganò diz que as declarações do papa não podem ser reconciliadas entre si. “Ele primeiro diz que já respondeu várias vezes; segundo, que ele não sabia nada, absolutamente nada sobre McCarrick, e terceiro, que ele se esqueceu da minha conversa com ele. Como essas afirmações podem ser afirmadas e sustentadas juntas ao mesmo tempo? Todas essas três são mentiras descaradas ”, diz ele.

Sobre a mais óbvia alegação falsa feita pelo papa – de que ele havia respondido ao testemunho “várias vezes” – Viganò pergunta: “Durante nove longos meses ele não disse uma só palavra sobre meu testemunho, e até mesmo se gabou e continua a fazê-lo sobre seu silêncio, comparando-se a Jesus. Então, ele falou ou ficou em silêncio? Qual das duas opções é verdadeira?”

“Estamos em um momento verdadeiramente sombrio para a Igreja universal”, lamenta Viganò. “O Sumo Pontífice agora está mentindo descaradamente para o mundo inteiro para encobrir seus feitos perversos! Mas a verdade acabará por vir à tona, sobre McCarrick e todos os outros acobertamentos, como já aconteceu no caso do cardeal Wuerl, que também “não sabia de nada” e tinha “um lapso de memória”. Aqui o arcebispo se refere à revelação de que Wuerl sabia sobre as atividades sexuais ilícitas de seu antecessor, McCarrick, mesmo depois de muitas negações.

Além de sua tristeza pela desonestidade do papa, Viganò parece mais preocupado com o fato dos jornalistas falharem em investigar a fundo a história que ele colocou diante deles. “Não consigo imaginar que eles [os meios de comunicação] teriam sido tão tímidos se o papa em questão fosse João Paulo II ou Bento XVI”, diz ele, acrescentando: “É difícil não concluir que esses meios de comunicação relutam em fazê-lo porque eles apreciam a abordagem mais liberal do Papa Francisco em relação às questões de doutrina e disciplina da Igreja, e não querem comprometer sua agenda”.

Sobre a questão da homossexualidade no sacerdócio, Viganò sinaliza sua descrença de que a conexão está sendo ignorada. “Homens heterossexuais, obviamente, não escolhem meninos e homens jovens como parceiros sexuais de sua preferência, e aproximadamente 80% das vítimas são do sexo masculino, a grande maioria dos quais são homens pós-puberes.”

“Não são pedófilos, mas padres gays predadores atacando garotos pós-púberes e levando várias dioceses à falência nos EUA”, acrescenta ele.

“Dada a esmagadora evidência, é incompreensível que a palavra ‘homossexualidade’ não tenha aparecido uma só vez, em nenhum dos recentes documentos oficiais da Santa Sé, incluindo os dois Sínodos sobre a Família, o da Juventude e o recente Encontro sobre abuso sexual em fevereiro passado.”

Viganò segue afirmando que a chamada “máfia gay” na Igreja está “unida não pela intimidade sexual compartilhada, mas por um interesse comum em proteger e promover um ao outro profissionalmente e sabotar todos os esforços de reforma”. Ele diz que embora o papa Bento XVI  tenha iniciado uma investigação sobre os seminários, nada de novo foi descoberto, “aparentemente porque vários poderes juntaram forças para ocultar a verdadeira situação”.

“Será que existe um único bispo nos EUA que admita ser ativamente homossexual? Claro que não. O trabalho deles é constitucionalmente clandestino”.

Sobre a questão, se ele poderia vir a se reconciliar com o Papa Francisco, Viganò responde:

A premissa da sua pergunta está incorreta. Não estou lutando contra o Papa Francisco, nem o ofendi. Eu simplesmente falei a verdade. O Papa Francisco precisa se reconciliar com Deus e toda a Igreja, já que ele acobertou McCarrick, se recusa a admitir e agora está acobertando várias outras pessoas. Sou grato ao Senhor porque Ele me protegeu de ter quaisquer sentimentos de raiva ou ressentimento contra o Papa Francisco, ou qualquer desejo de vingança. Eu rezo por sua conversão todos os dias. Nada me faria mais feliz do que o Papa Francisco reconhecer e acabar com os acobertamentos e confirmar seus irmãos na fé.

Há muito mais na entrevista com o arcebispo Viganò que eu não toquei aqui. Leia na íntegra no The Washington Post.

9 maio, 2019

Projeto de reforma da Cúria é ”profundamente falho”, diz cardeal Müller.

IHU – O esboço para a reforma da Cúria Romana, recentemente distribuído às Conferências Episcopais, carece de um conceito coerente de Igreja, disse o ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em uma entrevista ao jornal alemão Passauer Neue Presse, no dia 6 de maio.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada em The Tablet, 08-05-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“No atual esboço de ‘A Cúria Romana e seu serviço ao mundo de hoje’, não se pode reconhecer um conceito coerente da origem, da natureza e da missão da Igreja”, defendeu o cardeal Gerhard Müller.

Müller disse que a seção sobre a Congregação para a Doutrina da Fé, em particular, mostra uma “flagrante falta de competência teológica”. A linha seguida pelo rascunho oscila entre uma “espiritualização” do ethos que todos os membros da Cúria têm que abraçar e um “conceito mundano de Igreja, que deve ser administrada como uma corporação internacional”. Como resultado, a Cúria estava em uma espécie de limbo, em um estado flutuante, de incerteza, disse.

O esboço é um conglomerado de ideias individuais subjetivas, de desejos piedosos e de apelos morais com citações isoladas de textos do Concílio e dos escritos ou discursos do papa. Acima de tudo, não consegue distinguir claramente entre a instituição mundana do Vaticano como Estado soberano, a Santa Sé como sujeito de direito internacional e os fundamentos puramente eclesiásticos do primado do papa.

“Como bispo de Roma e sucessor do apóstolo Pedro, o papa é o princípio e a base visíveis da unidade de todas as Igrejas locais na fé revelada”, assinalou Müller. As tarefas mundanas da Igreja são secundárias e não vinculadas essencialmente ao papado. Dar prioridade às tarefas mundanas sobre a missão espiritual da Igreja, como acontece hoje, é um erro que deve ser evitado a todo custo, enfatizou.

A seção sobre a Congregação para a Doutrina da Fé mostra uma surpreendente “falta de noção teológica” por parte dos autores. “Conceitos básicos de teologia católica como Revelação, Evangelho, Sagrada Escritura, Tradição Apostólica ou Magistério são usados de forma imprecisa ou errada”, afirmou Müller, e só se pode esperar que toda a seção sobre a Congregação para a Doutrina da Fé seja “reescrita do zero” por um teólogo qualificado e canonista.

Müller detestou o fato de não haver mais uma congregação “suprema”. “O esboço é um plano desorganizado que reúne 16 dicastérios. O serviço de caridade do papa (Esmolaria), por exemplo, precede a Liturgia e os Sacramentos. A evangelização ocupa o primeiro lugar, embora, na verdade, seja uma tarefa para toda a Igreja e não especificamente para o papa”, disse Müller. Infelizmente, nesse esboço, a promulgação da Doutrina da Fé é uma “tarefa arbitrária do papa entre muitas outras tarefas e vem depois de suas outras tarefas”, disse Müller.

2 abril, 2019

A Igreja está “cega pelo mistério da iniquidade”, afirma Cardeal Sarah em novo livro.

Por LifeSiteNews, 19 de março de 2019 | Tradução: FratresInUnum.comEm seu último livro,  Le soir approche et déjà le soir baisse (“Já é tarde e a noite vem chegando”, citação do episódio dos peregrinos de Emaus, no Evangelho de São Lucas), o Cardeal Robert Sarah decidiu “se manifestar” para os “católicos desorientados” atingidos pela profunda crise pela qual passa a Igreja.

Sarah

“Não consigo mais ficar em silêncio. Eu não posso mais ficar em silêncio”, escreveu o Cardeal Sarah em seu parágrafo inicial. Ele fez uma análise ampla da “noite escura” da Igreja e de que ela “está envolvida e cega pelo mistério da iniquidade”.

Diante antes da publicação do livro na França, em 20 de março, uma introdução foi publicada online, dando o aperitivo de um texto verdadeiramente arrebatador que aborda os problemas atuais de frente: abusos sexuais, mas também relativismo doutrinal, ativismo social e falta de oração, falsas acusações de homossexualidade e hipocrisia generalizadas, e as dúvidas dos fiéis que vêem os inimigos da Igreja em seu próprio meio.

O Cardeal Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, não oferece estratégias, diz ele. Pelo contrário, ele anuncia as respostas atemporais sem as quais todos os esforços são inúteis — uma vida profundamente arraigada de oração, fidelidade ao ensinamento transmitido pela Igreja, ao invés de subestimar a doutrina católica como “muitos pastores” estão fazendo, caridade fraterna e amor a Pedro.

Mas as suas palavras não são, de forma alguma, do suplício pelo qual a Igreja está passando.

O Cardeal Sarah não hesita em falar — nas palavras de Paulo VI — da “fumaça de Satanás” que invadiu a Igreja, apontando abertamente os “traidores” que, como Judas Iscariotes, tornaram-se “agentes do Mal”. “Eles buscaram profanar as puras almas dos pequeninos. Humilharam a imagem de Cristo presente em cada criança”, ao mesmo tempo em que humilharam e traíram a tantos padres fiéis, escreveu.

“A Igreja está passando pelo mistério da flagelação” pelas mãos daqueles que “deveriam amá-la e protege-lá”, advertiu o Cardeal.

Mas a causa do escândalo dos abusos sexuais, ele acrescentou, só pode ser encontrada em traições anteriores: “A crise pela qual o clero, a Igreja e o mundo estão passando é radicalmente uma crise espiritual, uma crise de fé”.

O cardeal africano recorda que o “mistério de Judas” — palavras tomadas do Papa Francisco — reside em se distanciar do ensinamento de Jesus, e pode, portanto, ser comparado ao mistério do mal em nosso tempo.

“Jesus o chamou tal como os outros apóstolos. Jesus o amava! Ele o enviou para anunciar a Boa Nova. Mas, pouco a pouco, o coração de Judas foi sendo tomado pelas dúvidas. Sem perceber, ele começou a julgar o ensinamento de Jesus. Ele disse a si mesmo: esse Jesus é muito exigente, e não eficiente o bastante. Judas queria fazer o reino de Deus vir à terra imediatamente, por meios humanos e de acordo com seus planos pessoais”. Ele deixou de rezar com Jesus e “buscou refúgio nas coisas do mundo, provavelmente murmurando em seu coração ‘não servirei’ quando Jesus lavou seus pés na última ceia”, escreveu o Cardeal Sarah.

“Ele recebeu a comunhão quando seus planos já estavam completos. Foi a primeira comunhão sacrílega da história. E ele traiu”.

Segundo o Cardeal Sarah, as mesmas faltas, as mesmas traições, são cometidas hoje: “Nós abandonamos a oração. O mal do ativismo eficiente se infiltrou em todo lugar. Nós buscamos imitar a organização das grandes empresas. Esquecemo-nos que só a oração é o sangue que irriga o coração da Igreja… Aquele que não reza já traiu. Já está preparado para toda concessão ao mundo. Ele segue os passos de Judas”.

O cardeal tem palavras duras quanto ao abandono da doutrina católica. Eis onde ele vê a causa dos atuais escândalos de abusos sexuais:

“Nós toleramos qualquer questionamento. A doutrina católica é desafiada e, em nome de posturas pretensamente intelectuais, teólogos sentem prazer em desconstruir o dogma e em esvaziar a moral de seu conteúdo profundo. O relativismo é a máscara de Judas disfarçada de intelectual. Como podemos nos surpreender de que tantos padres rompem os seus compromissos? Nós depreciamos o significado do celibato, nós exigimos o direito a uma vida privada, o que é oposto à missão sacerdotal. Alguns vão tão longe, a ponto de reivindicar o direito ao ato homossexual. Um escândalo segue o outro, envolvendo padres e bispos”.

O Cardeal Sarah prossegue, advertindo seus irmãos padres de que todos serão prejudicados por acusações que são verdadeiras apenas para uma minoria. Mas “não se inquiete os seus corações”, acrescentou, recordando que o próprio Cristo foi atingido pelas palavras “Crucifica-O!” e pede-lhes que não se inquietem por “investigações tendenciosas” que apresenta os pastores no topo da Igreja como “clérigos irresponsáveis com uma vida interior anêmica”.

“Padres, bispos e cardeais sem moral não vão, de maneira alguma, manchar o testemunho luminoso de mais de 400 mil padres no mundo que, todos os dias, leal, alegre e santamente servem ao Senhor. Apesar da violência dos ataques que ela suporta, a Igreja não morrerá. Esta é a promessa do Senhor, e Sua palavra é infalível”.

Dirigindo-se especificamente aos católicos que são levados à duvidas, ele falou do “sutil veneno de Judas” da traição. O demônio “quer nos ver (a Igreja) como uma organização humana em crise” quando ela é “Cristo perpetuando-Se”. Satanás leva os fiéis à divisão e ao cisma “ao nos fazer crer que a Igreja traiu”. “Mas a Igreja não trai. A Igreja, cheia de pecadores, é, ela mesma, sem pecado. Sempre haverá luz suficiente nela para aqueles que buscam a Deus”.

O Cardeal Sarah advertiu os fiéis católicos contra a tentação de “resolver as coisas com nossas próprias mãos” — uma tentação que levaria à divisão através da crítica e divisão. “Não hesitemos (…) em denunciar o pecado, a começar pelos nossos próprios”.

“Eu tremo com a ideia de que a túnica inconsútil de Cristo possa uma vez mais ser despedaçada. Jesus sofreu a agonia ao ver antecipadamente as divisões dos cristãos. Não O crucifiquemos novamente”, implorou o cardeal.

Sarah não está procurando popularidade ou sucesso, ele insistiu. “Este livro é um pranto de minha alma! Um pranto de amor a Deus e a meus irmãos. Eu devo a vós, cristãos, a única verdade que salva. A Igreja está morrendo porque os pastores têm medo de falar com toda a verdade e clareza. Estamos com medo da mídia, da opinião pública, de nossos próprios irmãos. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas”.

Aos católicos confusos a quem se dirige, o Cardeal Sarah exorta, especialmente aos padres, à oração: “Quem não reza se condena”, escreveu, citando Santo Afonso. “Não é uma questão de acumular devoções. É uma questão de guardar silêncio e adorar, de estar de joelhos, de entrar com temor e respeito na liturgia. É a obra de Deus, não um teatro”.

E ele prossegue sua meditação: “Caros amigos, querem colocar a Igreja em seu devido lugar? Caiam de joelhos! É o único caminho! Se fizer diferente, o que fizer não será de Deus (…) Se não encostarmos nossas cabeças, como São João, no Coração de Cristo, não teremos forças para segui-lO até a Cruz. Se não tivermos tempo de ouvir as batidas do Coração de nosso Deus, nós O abandonaremos, nós O trairemos como os apóstolos fizeram”.

Junto com as orações, na atual crise, é necessária a fidelidade à doutrina. O Cardeal Sarah está claramente consciente das razões da confusão dos dias de hoje. “Como podemos aceitar que conferências episcopais contradigam uma a outra? Onde reina a confusão, Deus não está!, escreveu.

“A unidade de fé supõe a unidade do magistério no espaço e no tempo. Quando um novo ensinamento nos é dado, deve ser sempre interpretado em coerência com o ensinamento que o precedeu. Se nós introduzimos rupturas e revoluções, rompemos a unidade que governa a Santa Igreja pelos séculos”, insistiu. “Aqueles que bradam em voz alta a mudança e ruptura são falsos profetas. Eles não procuram o bem do rebanho”.

Fidelidade à verdade significa aceitar a Cruz, escreveu o Cardeal Sarah, acrescentando que Cristo exige aquela fidelidade mais uma vez.

“Ele nos olha diretamente nos olhos e pergunta a cada um de nós: você me abandonará? Você renunciará o ensinamento da fé em toda sua plenitude? Terá coragem de pregar minha presença real na Eucaristia? Terá coragem de convidar os jovens à vida consagrada? Quando você terá força para dizer que sem a confissão frequente, a comunhão sacramental corre o risco de perder seu sentido? Você terá a audácia de recordar a verdade sobre a indissolubilidade do matrimônio? Terá a caridade de fazer o mesmo àqueles que ameaçam culpá-lo por isso? Você prefere o sucesso ou me seguirá? Queira Deus que respondamos com São Pedro, cheios de amor a humildade, ‘Senhor, a quem iremos? Só vós tendes palavras de vida eterna’. (João 6:68).”

Tudo isso exige “amor a Pedro”, escreveu o Cardeal Sarah. “O mistério de Pedro é um mistério de fé. Jesus escolheu confiar sua Igreja a um homem. Não nos esqueçamos, Ele permitiu a este homem trair três vezes à frente de todos, antes de lhe entregar as chaves de Sua Igreja. Nós sabemos que a barca da Igreja não foi confiada a um homem por causa de suas habilidades extraordinárias. Mas sabemos que este homem seria sempre assistido pelo Divino Pastor, a fim de guardar a regra da fé”.

Essa é a razão pela qual não devemos ter medo, acrescentou, falando do “fio de ouro das definições infalíveis dos pontífices, sucessores de Pedro” em oposição ao “fio negro dos atos humanos e imperfeitos dos Papas, sucessores de Simão”, nos quais ainda “sentimos a pequena agulha guiada pela mão invisível de Deus”.

Na mesma direção de sua introdução, Sarah deixou claro que não se espera que os católicos sejam cegos:

“Queridos amigos, os seus pastores estão cobertos de faltas e imperfeições. Mas não é desprezando esse fato que se construirá a unidade da Igreja. Não tenham medo de pedir a eles a fé católica, os sacramentos da vida divina. Lembrem-se das palavras de Santo Agostinho: ‘Quando Pedro batiza, é Jesus que batiza. Quando Judas batiza, ainda é Jesus que batiza!”.

E prosseguiu: “Se você pensa que seus padres e bispos não são santos, seja santo por eles. Faça penitência, jejum para reparar as faltas e covardia. É a única maneira de carregar o fardo do outro”.

A quarta exortação do cardeal é sobre a “caridade fraterna”, refletindo sobre a Igreja como mãe que abre seus braços a nós: “Em seu seio, nada pode nos ameaçar. Cristo abriu Seus braços de uma vez por todas na Cruz para que a Igreja pudesse abrir os seus a fim de nos reconciliar com ela, com Deus e conosco mesmo”, um chamado contra a divisão que “persegue a Jesus”.

Em resumo, o Cardeal Sarah está chamando os fiéis a reconhecer “a grandeza e a transcendência de Deus”, a quem devemos amar até a morte — a única condição que pode nos permitir ouvir as palavras ditas por São Francisco de Assis: “Vai e reconstrói a minha Igreja”. Ainda afirmou o Cardeal: “Vai, reconstrói pela sua fé, esperança e caridade. Vai e reconstrói pela sua o oração e fidelidade. Graças a você, minha Igreja novamente se tornará minha casa”.

Essas palavras foram assinadas em 22 de fevereiro, durante o encontro sobre abusos sexuais no Vaticano, no momento em que acusações horríveis começaram a se acumular contra a Igreja, especialmente contra aqueles membros mais fiéis a seu ensinamento perene.

7 março, 2019

O livro que quer transformar a Igreja em Sodoma.

Por FratresInUnum.com, 7 de março de 2019: Sodoma é o nome da cidade bíblica cujo fim está ligado ao castigo divino pela difusão do pecado sexual contra a natureza com pessoas do mesmo sexo (cf. Gen. XIX,1-26). Por isso, Frédéric Martel escolheu “Sodoma” como nome de seu livro acerca da homossexualidade no Vaticano, pois, segundo ele, a Igreja se tornou como que um refúgio para homossexuais.

Em recente entrevista, porém, Martel deixou bastante claros alguns de seus pressupostos, sem os quais seria impossível chegar a essa conclusão. Apresentaremos, primeiro, os pontos principais da entrevista e, em seguida, faremos uma análise crítica. Pedimos ao leitor a paciência de ler calmamente o nosso texto.

Análise dos principais pressupostos do livro

Em primeiro lugar, ele afirma que “a castidade é profundamente contranatura”. Este é o pressuposto central e principal para todas as conclusões a que chega o autor.

Além disso, Martel afirma que a Igreja é “um ambiente homoerótico e as pessoas heterossexuais não querem ir para lá, querem se casar” e que, portanto, “as figuras na Igreja mais fervorosamente a favor da castidade e do celibato são muitas vezes os padres homossexuais”.

Aqui, o autor mostra muito bem que a finalidade do seu escrito é, primeiramente, lançar sob suspeita todos os padres que preguem a castidade, que defendam o celibato e que, portanto, tenham atitudes mais espirituais, místicas e doutrinais.

Ademais, ele afirma claramente que “para mim um cardeal ou um bispo ser gay não é problema. Há um problema, sim, com a vida dupla, com a hipocrisia”. Em outras palavras, o autor, que é um homossexual confesso, declara que a homossexualidade em si não é um problema, mas, como todos os que a atacam, segundo ele, são homossexuais enrustidos, isto é uma hipocrisia da qual a Igreja tem que libertar os seus clérigos, pois, “a homossexualidade, quando é reprimida, quando a pessoa se odeia a si própria e se flagela, acaba por tornar-se um problema que vem à superfície”.

Deste modo, Martel afirma que a homossexualidade no clero é um fenômeno cuja abrangência é enorme, mas não é um problema em si — o problema é combatê-la.

Um último detalhe digno de nota é que ele se apresenta como grande defensor de Francisco, diz que, para escrever o seu livro, ficou hospedado no Vaticano (na residência Santa Marta, que é a única hospedagem intra muros, lugar onde, por mera coincidência, reside o pontífice argentino), mas se defende, negando que “foi o Papa que encomendou este livro e que foi por isso que a sua entourage me deu acesso ao Vaticano”. Teriam razão os antigos, quando afirmavam que “quem muito se defende, muito se acusa”?…

Passemos à análise crítica dos pressupostos declarados pelo autor em sua entrevista.

A castidade contranatura?

O pilar principal de todo o livro é que a “castidade é contranatura” e, portanto, que toda pregação acerca da castidade só pode ser sinal de hipocrisia ou de repressão, a qual depois explodiria sob a forma de abusos sexuais.

É óbvio que só uma pessoa que não pratica a castidade pode pensar que é impossível que alguém a pratique por pura virtude e também por graça de Deus, através de uma profunda vida de oração. Hoje, em um mundo tão erotizado e tiranizado pela luxúria, talvez seja mais raro encontrarmos pessoas espontaneamente castas, mas isso não era muito raro até alguns anos atrás. Fica fácil, portanto, enganar o leitor: toma-se uma espécie de clichê mental compartilhado socialmente como se fosse um absoluto inquestionável, ao qual o próprio autor se nega a comprovar, aliás, porque é totalmente falso.

A verdade é o contrário do que diz o autor, pois o ser humano é essencialmente dotado de razão e, portanto, capaz de dominar o seu instinto sexual pela razão, e é nisso que consiste a virtude da castidade. Nada mais conveniente à natureza humana…

A castidade é uma virtude extremamente humanizante, equilibradora da psique, tranquilizadora, elevada. O celibato é a verdadeira marca da consagração completa do sacerdote católico, totalmente absorvido na sua missão apostólica e desinteressado por qualquer outro bem que não o seu crescimento espiritual para a salvação das almas. É plenamente acessível a qualquer pessoa o testemunho de tantos cristãos que são felizes por praticar a castidade ainda hoje e o número imenso de celibatários que sempre foram a coroa da Igreja Católica.

No entanto, desde o início da modernidade, as sociedades ocidentais se tornaram vítimas de um violento processo de implosão da razão e hiper-estimulação das paixões, especialmente da libido, da pulsão sexual. São séculos de esforços para corromper a consciência das pessoas e tornar cada dia mais impossível o acesso à luz da razão e, portanto, totalmente inacessível a luz da fé, que é muito superior e mais sutil.

Chegamos ao ponto de que, como bem ilustra Martel, tornou-se quase impossível para muitos imaginar que existe um mundo para além dos limites tão estreitos da libido. O prazer venéreo tornou-se o único viés pelo qual estas pessoas enxergam o universo e, portanto, qualquer coisa que exista fora disso se lhes apresenta como hipócrita, ilógica, inexistente. Martel chega ao ponto de distorcer de tal modo a realidade que, para ele, se um padre se apresentar como celibatário e casto, espiritual e conservador, deve-se por força concluir que é um homossexual perigoso!

O mais incrível, porém, é como se conseguiu que os próprios sacerdotes da Igreja sucumbissem a esta desgraça e se tornassem materialistas práticos. Não é raro que encontremos padres que pensem exatamente como Martel, partindo do princípio de que a castidade é desumana e que a prática do sexo é como que um cume da vida do homem.

O Pe. Luís Correa Lima, jesuíta, por exemplo, escreveu há um ano um artigo intitulado “A fraternidade e a superação da violência contra LGBT”, no qual a única opção que lhe parecia razoável na pastoral da Igreja com pessoas homossexuais é a aceitação irrestrita das suas práticas sexuais. Ele raciocina como se a castidade não existisse, como se não fosse humanamente integradora, chegando a dizer que tem razão quem busca “almejar construir um mundo em que as pessoas possam viver e respirar dentro da sua própria sexualidade”. O Pe. James Martin, também jesuíta e predileto da corte de Papa Francisco, fez considerações muito similares durante o Encontro Mundial das Famílias. Estes são apenas dois exemplares de um cenário desolador.

A Igreja, um ambiente homoerótico?

Martel afirma que a Igreja é um ambiente homoerótico e que os heterossexuais não querem saber de castidade, mas querem se casar e ter filhos, e que, por fim, o clero superpopulou-se de gays que se escondem por trás de suas batinas.

A afirmação de Martel é tão evidentemente verdadeira do ponto de vista estatístico que chega a confundir o leitor, visto que o número de padres homossexuais é gritantemente enorme.

Contudo, Martel toma como pertencente à essência do sacerdócio celibatário aquilo que é apenas uma anormalidade das últimas décadas. Qualquer pessoa um pouco mais velha sabe que, embora hoje haja um número tão assustador de homossexuais no clero, há cinquenta anos a Igreja simplesmente não era assim. É verdade que sempre existiram casos de padres que praticaram a homossexualidade, mas eram a exceção e não a regra.

Os padres antigos eram desbravadores, conhecidos por sua virilidade e coragem de sua pregação, tiravam do nada Igrejas pujantes, eram homens de reputação ilibada, venerados pela população, influentes desde o ponto de vista político e respeitados moral e intelectualmente. Quanto mais os bispos e cardeais!…

Foi nas últimas décadas que a prática da homossexualidade tornou-se tão generalizada no clero católico. Mas, antes, não era assim. Como chegamos a este ponto?

A homossexualização do clero católico: um projeto de corrupção

É preciso dizer os fatos com clareza: os seminários católicos sofreram a infiltração sistemática de agentes externos que disseminaram homossexuais por toda a estrutura da Igreja com o fim de destruí-la, e isso em todos os graus da hierarquia.

Neste sentido, o estudo de Michael Rose, “Adeus Homens de Deus” (Editora Ecclesiae, Campinas: 2015) apresenta uma vasta documentação que não deixa margem para dúvidas. Temos o testemunho confesso da principal agente desta trama. O livro precisa ser lido para que todos entendamos a monstruosa operação realizada para corromper a Igreja.

No Brasil, tivemos um caso bastante similar, cujos bastidores foram revelados por um infiltrado de uma sociedade secreta na Igreja Católica muito conhecido nas décadas de 70 e 80, chamado Neymar de Barros. Os seus dois livretes, A verdade sobre Neymar de Barros, volumes I e II (Editora Exodus, São Paulo: 1987), contam como ele forjou sua conversão para recolher dados do clero a fim de que a sociedade secreta que lhe contratara difundisse a homossexualidade entre os padres. Ele chega mesmo a apresentar uma pesquisa que realizaram acerca da porcentagem de homossexuais no clero brasileiro por volta do ano de 1978 (vol. II, p. 70).

Em todo caso, os elementos principais para a difusão do homossexualismo no clero foram a perseguição sistemática dos seminaristas heterossexuais, católicos devotos, com princípios morais claros e com doutrina segura; e a promoção de homossexuais declarados, a destruição da dogmática, da moral e, sobretudo, da espiritualidade, com a completa propagação do liberalismo total nos costumes, que serviu como uma espécie de oxigênio moral para os homossexuais no clero, e da construção de uma apologia teológica da homossexualidade que chegou a constituir aquilo que hoje em muitos grupos se chama de homo-heresia, uma reinterpretação completa da doutrina católica em termos homossexuais, que se tornou o oxigênio intelectual para esse disparate.

Aos poucos, construiu-se aquilo que Michael Vorris chama de “A rede” (The Network), uma verdadeira organização comunista e homo-herética que ocupou a Igreja Católica em todos os níveis. O próprio Martel deixa muito claro em sua entrevista que não há problema nenhum em ser padre gay, nem muito menos em ter um amante – ele diz que acha isso lindo! –, mas que o problema é ser um padre gay de direita, embora ele mesmo faça a distinção de um sub-grupo, ao qual ele chama de homófilos, que são os homossexuais não praticantes no clero católico – com essa distinção, Martel apenas está mencionando os eventuais homossexuais não militantes, ou seja, aqueles que não são membros de “A Rede”.

“A Rede” é constituída por clérigos homossexuais ostensivos, que se protegem e se “reproduzem”, atraindo para os seminários gays de todas as proveniências possíveis, e que se auto-promovem para os cargos de maior expressão na Igreja, tentando manipular a sua doutrina e teologia em seu próprio favor.

Em outras palavras, o livro de Martel, na tentativa de colocar um sinalizador sobre os padres conservadores, o que faz é colocar um sinalizador sobre os membros de “A Rede”. Agora, ficou muito fácil identificá-los. Ele mesmo protegeu a identidade de todos os seus entrevistados, que não são outros que os próprios entrevistados de “A Rede”, de Vorris. Nunca “A Rede” foi tão longe, nunca se exprimiu tão claramente e nunca os seus objetivos ficaram tão claros. Martel disse que suas gravações explodiriam com o Vaticano. Não! Explodiriam apenas com “A Rede”.

Entretanto, não deixa de ser curioso como “A Rede” conseguiu atingir tão alta influência.

Papa Francisco, o Papa de “A Rede”

Martel apresenta o pontífice argentino como uma espécie de Gorbatchev, que tenta salvar o sistema e, para isso, mudá-lo. Ele defende Francisco contra todo o “complô” que ele diz ter se instado para persegui-lo. No final, defende-se contra a acusação de ser um marionete de Bergoglio e chega a falar demais, reclamando de que alguns digam que o livro foi encomendado pelo papa.

De fato, não temos como saber se o livro foi pessoalmente encomendado por Francisco. Contudo, é evidente que ele protege de modo muito claro os membros de “A Rede” e toda a sua linha de ação é muito coerente com a intenção de “Sodoma”. O próprio Martel o reconhece, mostrando a conexão de tudo isso com o sínodo sobre as famílias, que criptograficamente abriu a comunhão aos divorciados recasados e também não mencionou com letras claras nenhuma condenação às práticas homossexuais e às uniões gays. É evidente que as observações de Martel vão na mesma linha das ações de Papa Francisco: de um lado, visam a plena cidadania gay na Igreja Católica e, de outro, a ordenação de homens casados, que garantiria o coeficiente heterossexual no clero, segundo os princípios homossexualistas do autor.

Em todo caso, Papa Francisco é o papa sob medida para “A Rede” e os seus planos manipuladores. Assim como as Fundações internacionais usam o aborto para corromper as mulheres e destruir, assim, as sociedades; “A Rede” está usando o homossexualismo para corromper o clero e, assim, destruir a Igreja. Isso não é propriamente uma novidade.

No início do século XIX, as forças secretas na Itália publicaram um conhecido documento chamado “Instrução permanente para a Alta Venda”. Ali, eles afirmam:

– “O Papa, quem quer que seja, jamais virá às Sociedades secretas; cabe às Sociedades secretas dar o primeiro passo em direção à Igreja, com o objetivo de vencer os dois”.

– “Não pretendemos ganhar os Papas para a nossa causa, fazê-los neófitos dos nossos princípios, propagadores das nossas ideias… O que devemos pedir, o que devemos procurar e alcançar, assim como os judeus esperam do Messias, é um papa segundo as nossas necessidades. Alexandre VI, com todos os seus crimes privados, não nos conviria, porque jamais errou nas matérias religiosas”.

– “Esmagai o inimigo, qualquer que ele seja, esmagai o poderoso à força de maledicências ou de calúnias: mas, sobretudo esmagai-o no ovo. É preciso ir à juventude; é ela que precisamos seduzir, é ela que devemos arrastar, sem que o perceba, sob a bandeira das Sociedades Secretas”.

– “Ora, pois, para garantir-nos um Papa nas proporções exigidas, trata-se inicialmente de moldar para ele uma geração digna do reino com o qual sonhamos. Deixai de lado a velhice e a idade madura; ide à juventude e, se for possível, até à infância… Uma vez estabelecida vossa reputação nos colégios, nos ginásios, nas universidades e nos seminários, uma vez que tiverdes captado a confiança dos professores e dos estudantes, fazei com que principalmente aqueles que se comprometem com a milícia clerical gostem de procurar vossas conversas”.

– “Essa reputação permitirá o acesso das nossas doutrinas ao seio do clero jovem, assim como ao fundo dos conventos. Em alguns anos, esse clero jovem terá, pela força das coisas, invadido todas as funções; ele governará, administrará, julgará, formará o conselho do soberano, será chamado a escolher o Pontífice que deverá reinar, e esse Pontífice, como a maioria dos nossos contemporâneos, estará necessariamente mais ou menos imbuído dos princípios humanitários que iremos começar a pôr em circulação; é um pequeno grão de mostarda que confiamos à terra; mas o sol das justiças desenvolvê-lo-á até ao mais alto poder, e vereis um dia que rica colheita esse pequeno grão produzirá”.

Alguém ignorará que Francisco é este papa não apenas esperado, mas preparado por décadas de infiltração? Fingiremos que a publicação do livro de Martel no primeiro dia do encontro sobre o abuso sexual de menores no Vaticano é uma mera coincidência? Não se trata de um diagnóstico sobre “Sodoma”, mas de sua apologia, implantação e apogeu na Igreja.

Já é hora de acordar. A Igreja está quase completamente tomada pelos seus inimigos. Corromperam a maior parte do clero e, agora, querem expelir a pequena porção ainda saudável que mantém a Igreja em pé…

Ficaremos parados? Cruzaremos os braços? Não! A Promessa da Santíssima Virgem é clara! Como leigos, resistiremos a esse massacre e o enfrentaremos nem que seja à custa de morte. A esta “Rede” maligna opomos outra rede, a rede dos consagrados à Santíssima Virgem! É hora de reagir!

Assim como da primeira vez, sobre “Sodoma” cairá o fogo do céu! A Igreja, como a família do justo Lot, não toma parte nesta iniquidade e não recuará nenhum milímetro. São duas cidades em luta: de um lado, Sodoma; doutro lado, a Jerusalém Celeste! Reconheceremos estes prevaricadores onde estiverem e os denunciaremos. Se eles não temem mais a Igreja, temerão o povo!

Continuaremos fieis à virtude, conservaremos a fé, manteremos íntegra a observância do celibato e teremos inteiramente inabalável o fogo da nossa entrega, pois sabemos que, como disse Nossa Senhora em Fátima: “no fim o meu Imaculado Coração triunfará”!

21 fevereiro, 2019

Clamoroso: o livro Sodoma, de Frederic Martel, afirma que o Papa sabia de McCarrick. A corte confirma.

Por Marco Tosatti, 17 de fevereiro de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com – Sodoma, o livro de Frederic Martel sobre o qual tratamos recentemente, traz informações clamorosas. Segundo o autor, na versão inglesa do texto, que aqui apresentamos traduzida, Papa Bergoglio foi realmente informado pelo Arcebispo Carlo Maria Viganò do passado predatório [do ex-cardeal McCarrick, reduzido ao estado laical na semana passada] contra seminaristas e jovens padres, mas não considerou o fato tão relevante.

McCarrickE, consequentemente, não só ele levantou as restrições que Bento XVI impôs (cuja existência foi confirmada, para além de Viganò, pelo Cardeal Marc Ouellet), mas o utilizou como conselheiro em nomeações nos Estados Unidos (a promoção de Kevin Farrell a Camerlengo e a delegação a Blase Cupich da organização do encontro sobre abuso de crianças são as mais recentes confirmações, se é que eram necessárias), bem como fez de McCarrick seu representante pessoal tanto nos Estados Unidos (com Obama), como fora, na China, Armênia, Irã e Cuba.

Em nossa opinião, trata-se de um caso extraordinariamente interessante de “fogo amigo”; pois, se há alguém de quem Frederic Martel fala bem, quando não entusiasticamente, em seu longo trabalho, este alguém é realmente o Papa Bergogio. Martel, como sabemos, foi ajudado e hospedado por prelados no Vaticano, a fim de desenvolver seu trabalho. Em uma entrevista na televisão, ele mencionou ao menos quatro altos prelados próximos ao Papa, que ajudaram e o encorajaram. Ele afirmou ter se encontrado com o diretor da Civiltà Cattolica, Antonio Spadaro, SJ, diversas vezes; no livro, há uma entrevista com Spadaro, e uma entrevista com o Cardeal Lorenzo Baldisseri, o grande diretor dos Sínodos (mais ou menos pré-arranjados) sobre a família e os jovens. Ele é um “famiglio” do Pontífice, homem de sua confiança. Então, devemos crer em Martel, particuparlmente porque ele coloca a frase central entre aspas. Eis aqui o pequeno trecho que traduzimos:

… Cardeais e bispos da Cúria Romana e do episcopado americano que, segundo ele, participaram desse enorme acobertamento: é uma lista interminável de nomes de prelados, entre os mais importantes no Vaticano, que foram “relevados”, independentemente de correta ou erroneamente (quando o Papa rejeitou as acusações, seu entorno me confirmou que Francisco ‘foi inicialmente informado por Viganò que o Cardeal McCarrick havia tido relações homossexuais com seminaristas maiores de idade, o que não era o bastante para, a seus olhos, condená-lo’).

Se Martel escreve a verdade — e não há razão para crer o contrário, uma vez que ele, certamente, não é um conservador homofóbico fariseu moralista e hipócrita — algumas considerações são necessárias.

A primeira: embora os seminaristas não eram menores, se uma pessoa hierarquicamente em posição superior, e que pode decidir o futuro de seus subordinados, abusa sexualmente deles, não se trata de uma questão de sexo entre adultos com consentimento: há uma forma de violência. Agora, sabemos que isso não parece importante ao Pontífice. Ou, ao menos, não tão importante, pelo menos para não favorecer ou usar o abusador até esse vínculo se tornar muito embaraçoso, para daí sacrificá-lo à opinião pública.

Depois: são meses e meses que os católicos estão esperando por uma resposta: Viganò mentiu ou não? Parece que, segundo Martel, e de acordo com a corte do Pontífice, ele falou a verdade.

Então, por que não admiti-lo? Por que não dizer, como homem e como cristão, “é verdade, eu fui advertido, mas, pensei que não era tão grave. Equivoquei-me no meu juízo, perdão”?

Tal comportamento teria um efeito muito diferente do que as reações ferozes com que os homens do pontífice, apoiados pela mídia complacente, partiram para a agressão à pessoa de Viganò, tentando atribuir a ascensão e a glória de McCarrick a papas anteriores, tentando negar que Bento XVI lhe tenha imposto restrições possíveis ao estado das coisas de então, e que essas restrições foram, de fato, canceladas pelo Papa Bergoglio. Não nos esqueçamos que o Núncio Viganò escreveu ao Cardeal Parolin, Secretário de Estado, perguntando se as sanções contra McCarrick deveriam ser consideradas abolidas. Sem nunca receber uma resposta…

Uma considerações final a respeito do cinismo implícito à reação do Pontífice.

Para esclarecer um tema dramático, os de minha idade se lembram das manifestações políticas da década de 70. Parafraseando um slogan muito usado naquela época, podemos dizer: “É o Papa — que ensinou — um padre que tenha assediado — não está errado” (ou em pecado, se você é um rígido fariseu).

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20 fevereiro, 2019

Também o encontro sobre abusos cria sérios “dubia”. A carta aberta de dois cardeais.

Por Sandro Magister, 19 de fevereiro de 2019 | Tradução: FratresInUnum.com

Até um mês atrás, a dupla finalidade da reunião que, de 21 a 24 de fevereiro, congregará em torno do Papa os chefes da hierarquia católica mundial, era a “proteção de menores e adultos vulneráveis”, como escreveu Francisco, na “carta ao povo de Deus” publicada em 20 de agosto.

CupichProva disso era a edição de “L’Osservatore Romano” de 11 de janeiro, que, ao fim da primeira página de Andrea Tornielli, diretor editorial de todos os meios de comunicação vaticanos e porta-voz do Papa, deixava clara a dupla finalidade, inclusive no título:

> Incontro tra Pastori…

No entanto, mais tarde os “adultos vulneráveis” desapareceram da agenda oficial do encontro. E, com eles, a questão dos abusos homossexuais contra jovens, muitos jovens, apesar de eles constituírem, estatisticamente, a maior parte dos abusos cometidos pelo clero.

Na concorrida coletiva de imprensa de 18 de fevereiro, na qual se apresentava a reunião (foto), o Cardeal Blase Cupich, número um da comissão organizadora, insistiu, pelo contrário, em negar que a prática homossexual seja a causa dos abusos, apesar de ter dito que a diminuição dos delitos nos últimos anos, nos Estados Unidos, se deu também por conta da investigação detalhada de aspirantes ao sacerdócio, excluindo os que eram de “risco”.

É fato que se proibiu não só a questão da homossexualidade no clero, mas também a própria palavra “homossexualidade”, que não aparece no relatório de informação sobre o encontro colocado à disposição de todos os meios de comunicação do mundo:

> Incontro: La protezione dei minori nella Chiesa. Vaticano, 21-24 febbraio 2019

A eliminação da questão da homossexualidade da agenda do encontro é claramente fruto de uma decisão do Papa Francisco, na qual não escondeu estar mais convencido que não se trata de abusos sexuais, mas de abuso de poder; não de pessoas individuais, mas de uma casta, a casta clerical.

Mas, muitos na Igreja duvidam que tudo deva se reduzir ao “clericalismo”.

Não é a primeira vez que Francisco cria “dubia” na doutrina, na moral e na praxis. Continuam sendo memoráveis o que denunciaram quatro cardeais depois da publicação de “Amoris Laetitia”, ao que o Papa nunca deu resposta.

E agora, novamente, dois desses cardeais, o alemão Walter Brandmüller e o americano Raymond Leo Burke, acreditaram ser seu dever vir à luz pública com a carta aberta que publicamos a seguir, dirigida aos bispos que participarão do encontro sobre a “proteção dos menores”.

Eles fazem um chamamento urgente a não permanecer calados diante de outra “chaga [que é] a agenda homossexual”, que invadiu a Igreja e que, na sua opinião, é um abandono da “verdade do Evangelho” e, consequentemente, também está na original da crise de fé atual.

Na reunião dos próximos dias, comprovar-se-á em que medida será escutado este apelo.

* * *

CARTA ABERTA AOS PRESIDENTES DAS CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS

Tradução: Dubia

Caros irmãos, Presidentes das Conferências Episcopais,

É com profunda aflição que nos dirigimos a todos vós!

O mundo católico está desorientado e levanta uma pergunta angustiante: para onde está a ir a Igreja?

Diante desta deriva, hoje em curso, pode parecer que o problema se reduz ao problema dos abusos de menores, um crime horrível, especialmente se perpetrado por um sacerdote, que, todavia, não é senão uma parte de uma crise bem mais ampla. A chaga da agenda homossexual difunde-se no seio da Igreja, promovida por redes organizadas e protegida por um clima de cumplicidade e de conspiração de silêncio (“omertà”). Como é evidente, as raízes deste fenómeno encontram-se nessa atmosfera de materialismo, relativismo e hedonismo, em que se põe abertamente em discussão a existência de uma lei moral absoluta, ou seja, sem excepções.

Acusa-se o clericalismo de ser responsável pelos abusos sexuais, mas a primeira e a principal responsabilidade do clero não recai sobre o abuso de poder, mas em se ter afastado da verdade do Evangelho. A negação, até mesmo em público, por palavras e nos factos, da lei divina e natural, está na raiz do mal que corrompe certos ambientes da Igreja.

Diante de tal situação, cardeais e bispos calam. Também vós vos calareis aquando da reunião convocada para o próximo dia 21 de Fevereiro, no Vaticano?

Em 2016, estivemos entre os que interpelaram o Santo Padre acerca dos “dubia” que dividiam a Igreja após a conclusão do Sínodo sobre a família. Hoje, esses “dubia” não só continuam sem receber qualquer resposta, mas são apenas parte de uma crise da fé mais geral. Por isso, vimos encorajar-vos a que levanteis a vossa voz para salvaguardar e proclamar a integridade da doutrina da Igreja.

Rezamos e pedimos ao Espírito Santo para que assista a Igreja e ilumine os pastores que a guiam. Neste momento, é urgente e necessário um acto resolutório. Confiamos no Senhor que nos prometeu: “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20).

Walter Card. Brandmüller

Raymond Leo Card. Burke

 

 

3 dezembro, 2018

“Francisco está errado”, afirma Mons. Nicola Bux.

Por Gloria.tv, 16 de novembro de 2018 – Papa Francisco está gerando “heresias, cismas e  controvérsias”, disse o prelado italiano Nicola Bux, amigo de Bento XVI e conselheiro da Congregação para as Causas dos Santos, ao jornalista italiano Aldo Maria Valli em 13 de outubro.

D. Nicola Bux.Bux mencionou as “declarações heréticas” de Francisco sobre o casamento, a vida moral e a recepção dos sacramentos, e que ele vê a Igreja como uma federação de comunidades eclesiais” – “um pouco como as comunidades protestantes”.

Segundo Bux, a origem da confusão doutrinária causada por Francisco é Amoris Laetitia(2016), mas desde então a situação tornou-se “consideravelmente pior” e “mais complicada”.

Bux refere-se à tentativa de Francisco de mudar a doutrina sobre a pena de morte. Se Francisco está certo sobre isso – ressalta Bux – então devemos concluir que a Igreja contradiz o Evangelho há dois mil anos ou tem que admitir que o Papa Bergoglio está se equivocando.

* * *

A matéria original a respeito das declarações de Mons. Nicola Bux ainda afirma::

Para abordar a atual crise, ele sugeriu que é necessário examinar a “validez jurídica” da renúncia do Papa Bento XVI para “superar problemas que hoje nos parecem insolúveis”. O teólogo, consultor da Congregação para a Causa dos Santos, implicou que o futuro estudo dessa situação poderia revelar que Francisco não foi eleito como um papa válido, mas seria, de fato, um anti-papa que poderia ser deposto do papado, anulando, assim, seus erros “insolúveis”.

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