Archive for ‘Editorial’

5 setembro, 2017

Editorial: “Igreja em saída” ou “Igreja de saída”?

Por FratresInUnum.com – 5 de setembro de 2017

Desde que foi eleito, Papa Francisco se propôs a dar uma guinada radical nas direções pastorais da Igreja, um “giro copernicano” que se poderia muito bem resumir naquele que tem sido o horizonte mesmo da missão jesuítica a partir do Pe. Pedro Arrupe: não mais salvar as almas, mas salvar o planeta, salvar o mundo, numa verdadeira inversão – da transcendência para a imanência.

Praca Sao Pedro

À esquerda, Jornada pela Vida na Praça de São Pedro, em 2007. À direita, a Jornada de 2017.

Essa nova dinâmica pastoral foi bem sintetizada por Francisco naquela expressão paradigmática que passou a ser reverberada por toda a hierarquia: agora nós somos uma “Igreja em saída”.

Mas, perguntamo-nos, saída para onde?

O Papa reinante quer levar a cabo as suas reformas, mas, para isso, conta com um clero apático. E esta apatia foi gerada – nada mais, nada menos que – pelas mesmas reformas que ele deseja implementar.

Não fossem essas ideologias progressistas, os padres católicos estariam, como há tempos, ocupados com a salvação das almas. Mas, se não há mundo a ser salvo e, ao contrário, há uma Igreja que precisa se adaptar à moral vigente no ocidente em franca decadência, não há mais sentido em consagrar a própria vida para fazer o mesmo que qualquer ONG pode fazer.

Olhando para a realidade do clero, o que vemos? Padres estressadíssimos por causa de uma agenda diocesana repleta de reuniões inúteis, nervosos por causa das pressões dos bispos sempre atentos às exorbitantes taxas econômicas com as quais enriquecem as suas cúrias e ciosos de sua própria autoridade episcopal, pressionados pelas elites de urubus que compõem o laicato apegado aos seus cargos em paróquias e pastorais, doentes, que acabam desenvolvendo problemas psiquiátricos como a depressão, obesos ou mesmo vítimas de outros vícios, motivados pela ansiedade não tratada, chegando, em números nunca divulgados, aos extremos do enlouquecimento e do suicídio…

De fato, estamos em saída para onde? Para o cemitério? Para as clínicas psiquiátricas?…

Quem serão os missionários que levarão adiante a caricatura de misericórdia às periferias do mundo? Esses professores dos institutos de teologia, que defendem a “opção preferencial pelos pobres”, mas cuja única opção preferencial é retirar seu ordenado no fim do mês para gastá-lo em restaurantes luxuosos, em férias no exterior ou em diversões, digamos, pouco ortodoxas? Esses padres modernistas não se sacrificam, não se imolam, não aguentam sequer ouvir confissões… Como suportarão saírem de seu conforto para irem aos últimos dos últimos?

Essa “igreja pobre e para os pobres” de Francisco é apenas um slogan e permanecerá assim para sempre. Os pioneiros da Teologia da Libertação, pelo menos, eram pastores formados segundo uma mentalidade antiga, tinham uma paternidade entranhada na alma. Eram incrédulos, mas atraíam os outros e se doavam. Eram incrédulos sinceros. Já os progressistas atuais são a pior vergonha do progressismo. Os que defendem Francisco são a expressão mais acabada do fracasso de um modelo de Igreja que não deu certo e não dará.

Querem dar os sacramentos para quem os despreza. A “Igreja em saída”, em seus discursos e em sua atuação, em sua autoaniquilação e esfacelamento, é o oposto de uma “Igreja em entrada”.

Acordem, senhores. Este delírio é perigoso! Alguém tem notícias de um surto de conversões na Europa ou em algum outro lugar do mundo? Suas Igrejas estão mais cheias e com fieis mais fervorosos desde que entronizaram este papa?

“Padre, o Sr. pode me atender?”. “Não, querido. Estou de saída”. Quem nunca ouviu essa desculpa?… E é assim que a Igreja de Francisco, de “Igreja em saída” se tornou e sempre será uma “Igreja de saída”.

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18 novembro, 2016

Editorial – Em defesa dos quatro cardeais.

Salomão teve um fim semelhante ao de seus pais. Deixou depois de si um filho que foi a loucura da nação, um homem desprovido de juízo, chamado Roboão, que transviou o povo por seu conselho. E Jeroboão, filho de Nabat, que fez Israel pecar, e abriu para Efraim o caminho da iniquidade. Houve entre eles uma profusão de pecados, que os expulsaram para longe de sua terra. Procuraram todos os meios de fazer o mal, até que veio a vingança, que pôs um termo às suas iniquidades”.
(Eclo. XLVII,26-31)

Por FratresInUnum.com

Há quanto tempo nossa alma jazia em angústia, esperando que alguma autoridade na Igreja se levantasse para remover o nosso opróbrio!

Nos últimos dias, quão grande júbilo nos dominou ao sabermos que o Eminentíssimo Cardeal Raymond Burke e outros três purpurados tomaram a resolução de publicamente solicitarem de Francisco um esclarecimento acerca da doutrina, desatando “alguns nós por resolver em Amoris Laetitia“.

Não era mais possível suportar a funesta desorientação! E tudo com o silêncio complacente do clero dito católico ou com a clamorosa efervescência dos cúmplices do erro, os sucessores de Judas, bispos que não esmorecem quando o assunto é demolir o patrimônio católico.

Cardeal Burke reza diante do Santíssimo Sacramento.

Cardeal Burke reza diante do Santíssimo Sacramento.

Graças a Deus, quatro cardeais honram sua púrpura, e não podemos deixar de apoiá-los! Sim, é nosso dever de cristãos, é nosso dever de católicos! Temos de cerrar fileiras em torno desses valentes prelados, e manifestar-lhes nossa mais decidida concordância.

Em sua entrevista ao National Catholic Register, o Cardeal Burke mostrou quais serão os próximos passos: caso não responda aos dubia, farão uma correção formal ao Romano Pontífice.

Este fato não é novo na tradição. Com efeito, o Papa João XXII caiu em heresia, e quis que sua doutrina de que os justos ressuscitam na hora da morte fosse ensinada na Universidade de Paris. Felipe IV, rei de França, proibiu-o e ameaçou-o com a fogueira. Relatos autorizados dizem que esses ensinos heterodoxos conturbaram todo o orbe cristão. Por fim, o Papa foi forçado a se retratar, sendo corrigido por seu sucessor.

Conforme a tradição da Igreja, os fieis devem tolerar todos os vícios de seus pastores, mas jamais devem tolerar que prevariquem contra a verdade da fé.

“Se o reitor exorbitar da fé, deverá ser repreendido pelos súditos, mas pelos costumes réprobos mais deverá ser tolerado pela plebe do que desprezado” (Hugo de São Vitor, Sermão 57).

E, como ensina o próprio Santo Tomás de Aquino, “devemos, porém, saber que, correndo iminente perigo a fé, os súditos devem advertir os prelados, mesmo publicamente. Por isso, São Paulo, súdito de São Pedro, repreendeu-o em público, por causa de perigo iminente de escândalo para a fé. E, assim, diz a Glosa de Santo Agostinho: ‘O próprio Pedro deu aos maiores o exemplo de se porventura desviarem do caminho reto, não se dedignem ser repreendidos mesmo pelos inferiores’” (Suma Teológica, II-II,  q. 33, ad 2).

É chegada a hora da clareza. Apoiemos esses confessores da fé! Resistamos a essa apostasia que, de discreta, não tem mais nada.

Não há mais retorno! Agora, resta-nos apoiar a iniciativa desses heróis e irmos com eles até o fim.

Deus fortaleça a sua Igreja!

* * *

O site Life Site News divulgou uma petição online de apoio aos Cardeais. Não deixe de assinar.

5 abril, 2011

Tornielli: Instrução deve ser publicada “nos primeiros dias de maio”.

Com informações de Secretum Meum Mihi – O conhecido vaticanista Andrea Tornielli revelou em seu blog que a Instrução para aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum deverá vir à luz “nos primeiros dez dias de maio”; o documento seria datado de 30 de abril, memória de São Pio V no novo calendário. O motivo para a demora: atraso nas traduções. Tornielli diz ainda ser incerta a informação de que o documento já estaria nas mãos dos bispos. Também nega que tenha ocorrido uma “correção” no documento após uma série de manifestações de fiéis através da internet.

4 outubro, 2010

Editorial: dois amores, duas cidades.

O resultado das eleições de ontem é um retrato fiel da ínfima consideração dada à doutrina da Igreja por aqueles que se dizem católicos. De fato, é um sinal claro de um povo sem pastor, que se acostumou a ver seus bispos e padres mais preocupados com a cidade dos homens que com a cidade de Deus.

Não é a toa que um clero largamente infectado pela Teologia da Libertação, segundo a qual só de pão vive o homem e que despreza totalmente os bens que não são desta terra, leve seus fiéis a considerar apenas um suposto desenvolvimento econômico no momento de escolher seus representantes. Os valores eternos, dos quais a Igreja é guardiã, são simplesmente relegados a segundo plano.

Civitas Dei - "dois amores fundaram duas cidades, a saber: O amor próprio, levado ao desprezo a Deus, a terrena, o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a celestial". Santo Agostinho.

Civitas Dei - "dois amores fundaram duas cidades, a saber: O amor próprio, levado ao desprezo a Deus, a terrena, o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a celestial". Santo Agostinho.

No estado de São Paulo, nenhum dos candidatos a deputados aceitáveis aos católicos sequer chegou perto de ser eleito. Um candidato a Deputado Federal, conhecido defensor da moral católica e líder pró-vida em sua diocese, não teve mais de três mil votos. No entanto, um  Padre da mesma diocese, candidato a deputado estadual por um partido notadamente abortista, contou mais de oitenta mil votos! Por sua vez, Gabriel Chalita, o diplomático apresentador de TV da Canção Nova, cabo eleitoral de Dilma Rousseff, recebeu mais de quinhentos mil. Eis a absurda inversão de papéis e de valores.

Todavia, não se deve deixar de reconhecer e apontar as raízes dos problemas pelos quais passamos: o pensamento moderno, cujos métodos irromperam na Igreja através do Concílio Vaticano II, quando este desejou expressar a verdade da fé “de forma a responder às exigências do nosso tempo“.

Para o pensamento moderno, cabe ao homem criar sua lei, e não a Deus impô-la. Romano Amerio sintetiza esta perspectiva moderna: “A natureza das coisas, eis o inimigo. O homem que cumpre seu ofício de homem é aquele que rejeita se submeter a ela”.

Esta tendência antropocêntrica, que considera o homem como “finalidade do mundo”, encontra respaldo na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, em seus números 12 e 24: “crentes e não crentes estão geralmente de acordo neste ponto: todos os bens da terra devem se ordenar em função do homem, como seu centro e seu termo” […]; o homem, “única criatura sobre a terra a ser querida por Deus por si mesma“. (conf. Romano Amerio, Iota Inum, cap. XXX, 205).

O próprio Amerio refuta magistralmente semelhante pensamento: “Ao se estudar a razão da grandeza infinita do mundo e do restante do Universo sobre nossa breve entidade, é possível dizer certamente que essa imensidão do universo foi dada ao homem para que refletisse sobre ela e reconhecesse sua relativa infinitude”. É preciso “ter claro que essa grandiosidade do universo com relação ao homem tem lugar precisamente para manifestar a infinitude de Deus, e não a insubsistente infinitude do homem“, pois «Universa propter semet ipsum operatus est Dominus» (Provérbios, 16, 4: “Tudo fez o Senhor para seu fim”).

Para o neomodernismo, condenado por Pio XII em sua encíclica Humani Generis, a Lei Natural, promulgada por Deus e reconhecível a todos os homens, teria sofrido “uma sã evolução que desbloqueou certos tabus” (Cardeal L. J. Suenens, L’Osservatore Romano, 21 de julho de 1976, apud Iota Unum, Romano Amerio, cap. XXI, 175). Evolução que hoje permite a certo clero trabalhar em prol de políticas absolutamente contrárias aos mandamentos divinos.

Desta forma, o aborto, o divórcio, as uniões homossexuais, são todos sintomas claros da decomposição da civilização cristã. Quando outrora havia marchas pelos valores católicos, hoje, nossos hierarcas, com raras exceções, assistem a este definhamento passivamente.

Aos católicos brasileiros resta apenas rezar como ensinou Dom Antonio de Castro Mayer: Coração de Jesus, o Brasil vos é consagrado, não o deixeis cair nas mãos de vossos inimigos! Virgem Aparecida, nossa Rainha e nossa Mãe, defendei o Brasil! São José, que salvastes Jesus e Maria do furor de Herodes, Salvai o Brasil do comunismo!

9 fevereiro, 2009

Editorial: «Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 10)

Tiara Papal

«Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 10)

Temos a alegria de ultrapassar cem mil visitas num momento marcante da história. Na Santa Igreja já se nota novos ventos, “novo clima”, nos dizeres de Dom Fellay, que ameaçam dissipar a densa fumaça de Satanás que penetrou o templo de Deus há quatro décadas.

Embora se esteja longe de reparar os danos causados pelo rigoroso inverno conciliar, as janelas do Vaticano foram abertas para que os ventos da história — e sobretudo o sopro do Espírito Santo — levem a poeira do modernismo ainda imperante; e para tanto, quiseram os desígnios da Providência Divina atribuir a Bento XVI tal tarefa que lhe rende hoje tantas ignomínias! Tantas ofensas! Tanto escárnio!

«Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 10). Feliz sois vós, Papa Bento XVI, por ser perseguido por causa da justiça. Justiça que recobrastes à Santa Missa Latino-Gregoriana, nunca ab-rogada. Justiça feita a quatro bispos plenamente católicos, perseguidos eles também por causa da justiça, que desejam única e exclusivamente manter a Fé de nossos Pais, manter a si e a seu rebanho no redil do Único Pastor, o Cristo Bom Pastor, e desta forma submetem-se e prostetam fidelidade à cabeça visível do Corpo Místico, o Vigário de Cristo. Justiça parcialmente feita a Dom Marcel Lefebvre e a Dom Antônio de Castro Mayer, ao reabilitar seus diletos filhos bispos; sim, pois a comunhão na Fé Católica existe ou não existe, ela não pode ser mais ou menos plena.

Com efeito, as portas foram abertas à Tradição. Os inimigos atacam por todos os lados. Cavemos trincheiras e mantenhamos a guarda sob a bandeira do Sumo Pontífice. Se o Espírito Santo não o desampara, não sejamos nós infelizes de abandoná-lo à perversidade de seus inimigos. Que o auxílio da Divina Graça e a fidelidade e gratidão de seus filhos possam levá-lo não só a abrir as portas para a Tradição, mas a colocá-la em seu lugar de honra em todo o orbe católico.

Nossos mais sinceros agradecimentos aos que nos ajudam a manter esse blog. Que nosso despretensioso trabalho possa cada vez mais servir a Deus e Sua Santa Igreja dentro de nossas enormes limitações e misérias.

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29 janeiro, 2009

Nota sobre a polêmica acerca dos comentários de Mons. Williamson.

Caríssimos leitores do blog Fratres in Unum,

Chegam-nos diariamente inúmeros comentários acerca da polêmica insuflada pela imprensa em torno das declarações feitas por Mons. Richard Williamson. Já tratamos pormenorizadamente do abuso das palavras de Dom Williamson utilizadas numa campanha orquestrada que objetivava demover o Santo Padre de publicar o decreto que levanta as excomunhões dos bispos sagrados por Mons. Lefebvre. Todavia, com a grande quantidade de comentários de leitores que buscam fazer apologia de tais idéias, se faz necessário esclarecer que este blog as repudia decididamente, enquanto pedimos de maneira encarecida a nossos leitores que concentrem seus sempre bem-vindos comentários em pontos que realmente concernem a vida católica.

Abaixo, publicamos trecho do artigo Triumph and Tribulation – Pope Under Fire for Lifting Excommunication of SSPX Bishops de Christopher A. Ferrara, publicado em The Remnant:

(…) De qualquer modo, existe uma montanha de provas de que os judeus foram asfixiados por gás em Auschwitz, Treblinka e outros locais. Por exemplo, qualquer um que conduziu uma pesquisa ainda que superficial sobre o assunto, encontrará o testemunho do julgamento de Nuremberg e as memórias do próprio Comandante de Auschwitz, o carniceiro Rudolf Franz Ferdinand Hoess (não confundir com Rudolf Walter Richard Hess, substituto de Hitler), que projetou e supervisionou a operação das câmaras de gás no infame local. Conforme admitido por ele no testemunho da declaração juramentada durante seu julgamento em Nuremberg:

Outra melhoria que fizemos em Treblinka foi que construímos nossas câmaras de gás para acomodar 2.000 pessoas de uma vez, ao passo que em Treblinka as 10 câmaras de gás só acomodavam 200 pessoas cada. A maneira que selecionamos as nossas vítimas era a seguinte: tínhamos dois médicos da SS de serviço em Auschwitz para examinar os transportes de prisioneiros que chegavam. Os prisioneiros tinham que marchar passando por um dos médicos que tomaria decisões rápidas à medida que caminhavam. Aqueles que estavam aptos para trabalhar eram enviados para o Campo. Outros eram enviados imediatamente para os locais de extermínio. Crianças de tenra idade eram invariavelmente exterminadas, uma vez que em razão de sua juventude eram incapazes de trabalhar.

Ainda uma outra melhoria que fizemos em Treblinka foi que em Treblinka as vítimas quase sempre sabiam que deveriam ser exterminadas e em Auschwitz nos esforçamos para induzir as vítimas a pensar que elas iriam passar por um processo de desinfecção. Naturalmente, elas percebiam com freqüência as nossas intenções verdadeiras e às vezes criavam tumultos e dificuldades devido a esse fato. Muito frequentemente as mulheres escondiam seus filhos sob as roupas, mas é claro que quando descobríamos, lavávamos as crianças para serem exterminadas. Éramos obrigados a realizar esses extermínios em sigilo, porém, é claro que o cheiro forte e nauseante da incineração contínua que emanava dos corpos impregnava toda a área, e todas as pessoas que moravam nas comunidades vizinhas sabiam que os extermínios estavam acontecendo em Auschwitz. [Rudolf Franz Ferdinand Hoess, Affidavit, 5 de abril de 1946; Julgamento dos Principais Crimes de Guerra Perante o Tribunal Internacional, Nuremberg, 14 de novembro de 1945­1;  outubro de 1946 (Nuremberg: Secretariado do Tribunal Militar Internacional, 1949), Doc. 3868­PS, vol. 33, 275­79, citado em “Rudolf Hoess, Comandante de Auschwitz:
Testimunho em Nuremburg, 1946, in Modern History Sourcebook,” http://www.fordham.edu/halsall/mod/1946Hoess.html, acessado em  23 de janeiro de 2009.]

Mais tarde Hoess lembrou que tinha asfixiado a gás judeus utilizando filtros de lã embebidos em ácido sulfúrico e jogados nas câmaras de gás, ou enchendo as câmaras com monóxido de carbono; porém, ele era capaz de aumentar a “eficiência” imediatamente utilizando gás cianeto Zyklon B. Ele alegou que em seu pico de eficiência as câmaras de morte em Auschwitz podiam comportar 10.000 homens, mulheres e crianças judias, em apenas 24 horas.

Antes que ele fosse julgado na Polônia e executado em 1947 fora de um crematório que ele tinha construído em Auschwitz, Hoess foi chamado como testemunha de defesa nos Julgamentos de Nuremberg por Ernst Kaltenbrunner, chefe da SS Austríaca. No curso de seu testemunho ele afirmou os seguintes conteúdos de sua declaração juramentada, em que estimou (com base nas cifras fornecidas ao mesmo por Adolf Eichmann) que sua operação de assassinato em massa havia exterminado cerca de 2,5 milhões de judeus somente em Auschwitz, mais meio milhão por doenças e fome no campo:

Tenho sido constantemente associado à administração de campos de concentração desde 1934, atuando em Dachau até 1938; então, como Ajudante em Sachsenhausen de 1938 até 1 de maio de 1940, quando fui nomeado Comandante de Auschwitz. Comandei Auschwitz até 1 de dezembro de 1943, e estimo que, pelo menos, 2.500.000 vítimas foram executadas e exterminadas lá vítimas de gás e incineração, e, pelo menos, meio milhão sucumbiu de fome e doença, perfazendo um número total de óbitos de aproximadamente 3.000.000. Esta cifra representa cerca de 70 ou 80 por cento de todas as pessoas enviadas a Auschwitz como prisioneiros, o restante foi selecionado e usado para trabalho escravo nas indústrias dos campos de concentração…[Testemunho na Sessão Matinal, abril 15, 1946; excerto do testemunho arquivado na Universidade de Missouri-Kansas City, sítio da Faculdade de Direito: http://www.law.umkc.edu/faculty/projects/ftrials/nuremberg/hoesstest.html, acessado em 24 de janeiro de 2009.]

Em suas memórias, escritas durante o tempo em que ficou encarcerado em Cravóvia, Hoess reduziu sua estimativa do número de judeus que ele tinha decretado à morte por gás e queimado em Auschwitz em cerca de 1,1 milhão, citando uma falta de registros precisos. Na verdade, uma pesquisa demográfica recente fixa a cifra em cerca de 1,1 milhão, com base no total de 1,3 milhão de deportados judeus para Auschwitz menos os 200.000 sobreviventes documentados. [ Piper, “Estimating the Number of Victims”, pp. 53, 54, 58, 59. Texto de USSR-008 em alemão aparece no Tribunal Militar Internacional, Trials of Major War Criminals (Washington D.C., 1947), Vol. 39, pp. 241-261.]


7 janeiro, 2009

O erro se repete.

Você, nosso caro leitor, deve se lembrar do nosso editorial de 6 de setembro de 2008. Vendo a mesma prática se repetir, resta-nos a pergunta feita outrora: Se nosso blog não é digno de ser citado em tão augusto portal, por que se utilizar de nossas miseráveis traduções?

Atualização – 09/01/09, às 13:26O site Montfort retirou a tradução do ar. Abaixo, uma lembrança a nossos leitores:

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8 setembro, 2008

Na festa da Natividade de Nossa Senhora: Ad multos annos!

Padres fundadores do Instituto do Bom Pastor no dia da ereção do Instituto, 8 de setembro de 2006, em Roma: De Tanouarn, Laguérie, Aulagnier, Hery. O primeiro à esquerda, Pe. Fernando Guimarães, então secretário do Cardeal e hoje bispo de Garanhuns; ao centro, Sua Eminência Cardeal Dario Castrillon Hoyos. Ao fundo, O Bom Pastor.

6 setembro, 2008

Editorial: Por favor, corrijam.

O site da Associação Cultural Montfort, pela segunda vez, publicou textos deste blog e não citou a fonte. A primeira, uma tradução nossa de uma notícia de Catholic World News:

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Agora, publica o esclarecimento do Reverendíssimo Padre Rafael Navas Ortiz, Superior do Distrito da América Latina do IBP, acerca da recente manifestação do Reverendíssimo Pe. Renato Leite a respeito do fechamento da casa do instituto no Brasil.

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Esclarecimento que foi encaminhado diretamente pelo Pe. Navas a este blog pedindo sua publicação, no que foi atendido prontamente, dado a estima que nutrimos por este sacerdote e pelo IBP, e a importância deste pronunciamento.

Nossa reivindicação não parte, desta forma, de nenhuma pretensão autoral sobre o escrito do Padre Navas, que desejamos se difunda amplamente (bastaria que a Montfort mostrasse alguma autorização, que esperamos exista, do Padre Navas para publicação do esclarecimento em seu site – anterior, evidentemente, ao horário visível em todas as imagens que agora publicamos – para que nosso pedido seja desconsiderado e possamos considerar tudo isso um enorme mal entendido, com nossos sinceros pedidos de desculpas). Entretanto, é dever de justiça citar a fonte de onde se tira qualquer informação: este mesmo blog já citou  algumas vezes o site Montfort, cujo link também é disponibilizado aos nossos leitores no canto direito de nosso site.

Incoerência maior se nota quando um conhecido membro de tal Associação, em outro site que não o seu, ao difundir o referido esclarecimento, cita nosso blog como referência:

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Há de se requerer, portanto, aos responsáveis pelo site Montfort, que por dever de justiça, citem as fontes de textos por ele publicados. Se nosso blog não é digno de ser citado em tão augusto portal, por que se utilizar dele? É o mínimo que se pode depreender ao ver o mesmo erro cometido duas vezes em pouquíssimo espaço de tempo.

De: Pater Pater
Para: Fratres In Unum <fratresinunum@gmail.com>
Data: 6 de setembro de 2008 01:51
Assunto: RE: O testemunho do Pe. Renato Leite

AMP!

Estimados amigos de Fratres un Unum:

Les agradesco mucho la publicación de la aclaración a algunos aspectos de la carta del P. Renato. Que Nuestra Señora les pague y ayude en su labor apostólica y de divulgación.

Ya remarqué lo sucedido con la ausencia de la fuente; procuraré avisar a Montfort para que corrijan.

Mi inteción de oración -y en cuanto de mi dependa hacerlo- es procurar limar, en la verdad, las asperezas que humanamente puedan dificultar la creación de un Frente común ante la herejía neo-modernista para sostener al Papa en su proyecto Pastoral Litúrgico y doctrinario.

En unión de oraciones, reciban mi bendición sacerdotal.

P- Rafael Navas Ortiz

Aí está o nosso caridoso pedido de correção. Unimo-nos ao senhor, Pe. Navas, na nobre intenção de, no que nos for possível, acabar com as ninharias humanas que dificultam a criação de uma frente comum que se oponha à heresia neo-modernista; entretanto, nos parece mais provável a resolução de toda a crise da Igreja pelo Papa isoladamente, que alguma coesão entre os próprios ‘tradicionalistas’.

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ATENÇÃO (domingo, 7 de setembro de 2008, às 22:43): Devido a inúmeros comentários desrespeitosos, tivemos que fechar este post para manifestação de nossos leitores.

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5 agosto, 2008

Editorial: A Tradição sofre uma derrota no Brasil

O Instituto do Bom Pastor encerrou, no domingo passado (3 de agosto de 2008), suas atividades no Brasil. A Tradição sofre um duro golpe ao perder um de seus ramos em nossa Terra de Santa Cruz, desta vez não por manobras maquiavélicas dos modernistas, mas por intrigas e querelas camufladas sob aparência de zelo.

Quem perde é a Igreja, quem perde é a causa da Restauração, quem perde são os pobres fiéis que colocaram suas esperanças no apostolado do IBP em nosso país. Quantas almas, ao tomarem conhecimento do estabelecimento do IBP em nossa Pátria, viram-se tomadas de esperança e imaginaram ter dias contados seu longíqüo (e aparentemente infindável) exílio no vale de lágrimas que são nossas paróquias infestadas pelo modernismo.

Porém, o inimigo do gênero humano, como o qualifica São Pio X, não poderia sequer imaginar um mínimo êxito pela causa da Tradição nessa nossa terra assolada pelas pestes carismáticas e marxistas. Assim, quando até mesmo os inimigos da Igreja davam sinais de resignação pelo estabelecimento definitivo do IBP no país, quando até os bispos abriam portas ao IBP, o Demônio precisava encontrar um último suspiro, sua última cartada.

E encontrou nos católicos que mais precisam do IBP: vaidade das vaidades, tudo é vaidade!

Pois o IBP não se resume a um sacerdote apenas, mas é um Instituto de Direito Pontifício que tem uma missão, dada pelo próprio Soberano Pontífice, infinitamente maior que qualquer prestígio particular. Os sacerdotes, bons ou maus, vão e vêm; a missão dada ao IBP permanece: propagar a missa tradicional e colaborar com o Santo Padre através de uma crítica construtiva aos textos do Concílio Vaticano II. Assim sendo, a simples existência do IBP em nosso país era um enorme avanço em nosso combate.

Ainda que existissem as mais árduas dificuldades e até mesmo atritos — e mesmo que não se tenha dado causa a eles — é absolutamente certo que a restauração da Igreja deve se dar através da hierarquia; fato que não exclui a colaboração dos leigos, mas os coloca num lugar de subordinação e não de comando. Daí o trabalho do IBP — e não apenas dele, mas de qualquer instituto que lute pela restauração da liturgia e da doutrina tradicional da Igreja — se tornar ainda mais necessário e indispensável. Por sinal, algo que qualquer um que tenha o mínimo de senso católico deveria reconhecer com facilidade.

E se os problemas persistissem — algo incomum quando se busca uma solução baseada nos princípios da caridade — por que não recorrer à autoridade competente? Afinal, por que não solucionar esses problemas de maneira caridosa e conforme os ditames da doutrina católica? E por que não ceder em algum ponto que não seja doutrinário, mesmo que para isso seja necessário alguma humilhação?

Non nobis, Domine, non nobis. Sed nomine tuo da gloriam!…

Hoje é dia de júbilo nas profundezas do inferno e nas casas de todos os inimigos da Igreja. Hoje é dia de luto para todo combatente que deseja, abrigado sob o Sumo Pontífice e nunca sem ele, instaurare omnia in Christo.

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Publicamos a última homilia do Abbé Roch Perrel no Brasil, veiculada na lista de e-mails do IBP-Brasil.

 

 

De: ibp-brasil@yahoogrupos.com.br
Enviada em: domingo, 3 de agosto de 2008 17:49
Assunto: [ibp-brasil] Ultimo sermao

12º Domingo depois de Pentecostes

Meus caros irmãos,

Este domingo é muito particular porque é hoje que celebro a última
Missa pública do Instituto Bom Pastor no Brasil. A meu pedido, o
Reverendo Padre Laguérie tomou a decisão de fechar a casa de formação
do IBP. O diácono Vincent e eu partiremos esta semana para a França.
Muitas razões motivaram nossa partida definitiva, mas para evitar toda
polêmica e para não ferir ninguém em particular, darei uma só razão
que concerne a muitos. Não se trata de um acerto de contas, pois aqui
não é nem o lugar nem o momento. Até porque também devo agradecer pela
ajuda financeira . A generosidade dos senhores não faltou jamais. A
questão que coloco e deixo para a meditação dos senhores é: que lugar
deve ser dado ao sacerdote numa vida cristã.

Durante esses seis meses no Brasil, tive o sentimento de que para
muitos o sacerdote é somente um distribuidor de sacramentos. Sem
dúvida, o sacerdote é o homem da Missa e da liturgia e foi para isso
que ele foi chamado por Jesus Cristo Sumo Sacerdote. E apesar de suas
fraquezas, o padre continua a obra salvífica de Jesus Cristo. Ele
infunde a vida da graça nas almas pelo sacramento do Batismo; ele
perdoa os pecados em nome de Cristo no sacramento da penitência e ele
renova, de maneira não sangrenta, o sacrifício do calvário a cada
Missa. Tantas coisas maravilhosas que somente a sabedoria de Deus
podia instituir. Somente Deus podia arriscar-se a confiar um tal
tesouro a vasos de argila. E a salvação das almas que Nosso Senhor
confiou aos seus sacerdotes é um fardo terrível e uma missão
exaltante. Mas o sacerdote não é somente isso.

Será que alguns já se perguntaram porque o sacerdote é chamado
“Padre”? Porque é preciso admitir que as palavras que empregamos têm
uma significação, correspondendo à realidade que designam. É de se
admirar, todavia, que o termo “Padre” não evoca diretamente a dimensão
sacrificial de sua obra. Ele evoca, porém, a paternidade espiritual do
sacerdote. O sacerdote é um pai porque pelos sacramentos, começando
pelo batismo, mas não somente por eles, ele infunde a vida divina nas
almas. E esta é uma das razões do celibato eclesiástico na Igreja
Romana. O Padre renuncia à paternidade natural em vista de uma mais
perfeita: a paternidade espiritual. “Ninguém há que tenha deixado
casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por
causa de mim ou por causa do Evangelho, que não receba, já neste
mundo, cem vezes mais casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, com
perseguições, e no mundo vindouro a vida eterna.” (Mc X, 29-30) Esta
promessa de Jesus Cristo se realiza eminentemente no sacerdócio e na
vida religiosa, mas é preciso que seus filhos aceitem essa
paternidade, consintam a ver no Padre um verdadeiro pai para a sua
alma e, sobretudo, que tal paternidade não se exerce unicamente na
capela. É neste ponto que a atitude de alguns está errada pois
limitaram o Padre à capela, impedindo-o de ir mais além na sua
paternidade espiritual. Não quero dizer que o Padre deva dirigir tudo
nas famílias, mas muitos praticamente nunca me permitiram entrar no
seio das famílias. É para mim uma tristeza sacerdotal enorme de ver
que praticamente não os conheço. Minha alma está triste nesse dia.
Essa decisão de cessar o apostolado brasileiro não foi tomado com
alegria no coração. Não se trata nem de rancor nem de ódio, mas da
tristeza de ter batido em portas que permaneceram fechadas.
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Padre Roch Perrel
Instituto do Bom Pastor
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Ipiranga
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Brasil