Archive for ‘FSSPX’

16 março, 2016

Superior da FSSPX visita túmulo de Dom Antonio de Castro Mayer.

 

1 março, 2016

Ecône e o Vaticano. Legalizar o desacordo.

Por Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa

Tendo em vista os rumores e alguns comentários de autoridades eclesiásticas a propósito de um iminente reconhecimento canônico da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, desejaria expressar minha opinião sobre um assunto de interesse geral.

Em primeiro lugar, repito o que tenho dito em vários ocasiões. Visto que a Fraternidade São Pio X teve seu estatuto canônico supresso de uma forma arbitrária, ao arrepio do devido processo legal, nos idos de 1976, sem que se desse aos interessados nenhum direito de defesa  contra a medida atrabiliária, cabe, hoje, na verdade, uma perfeita restauração do direito violado. Se, por exemplo, eu fosse injustamente privado da minha cidadania e de todos os direitos dela decorrentes, não aceitaria nenhum ato de “misericórdia”, de reconciliação, de anistia ou coisa que o valha, mas a pura e simples reparação da injustiça cometida contra mim e o restabelecimento do meu direito acrescido de devida indenização. Se é procedente falar de misericórdia no caso, esta vem da parte do ofendido que perdoa ao agressor. É o caso da Fraternidade São Pio X.

Quanto às declarações de um conhecido prelado da cúria romana sobre o estado atual das relações entre a Fraternidade e o Vaticano, parece-me oportuno assinalar que hoje soam absurdas, sobretudo após a declaração conjunta (ou acordo?) do bispo de Roma e do patriarca de Moscou, assinada recentemente, sob as bênçãos dos irmãos Castro e do presidente Putin, as exigências de ordem doutrinária à Fraternidade São Pio X, quando o papa declarou que a Igreja Greco-Ucrâniana não deve expandir-se trazendo para o seio da Igreja Católica os cristãos nascidos ou caídos no cisma ortodoxo.

O referido prelado da Comissão Ecclesia Adficta deveria seguir o exemplo do Santo Padre e dizer que as comunidades dependentes da dita comissão não podem fazer proselitismo tentando atrair os fiéis da Fraternidade. Deveria também obedecer ao papa que já várias vezes declarou que discussões teológicas não chegam a lugar nenhum e que o importante é ter prazer na convivência fraterna. O Vaticano vai festejar o 5º centenário da falsa reforma do heresiarca Martinho Lutero e agora vem um prelado falar em exigências doutrinárias para o reconhecimento da Fraternidade. Em que mundo estamos? Em que Igreja estamos?

Com efeito, os debates doutrinários entre os teólogos da Fraternidade parece que se tornaram discussões bizantinas. Não por culpa da Fraternidade que segue o método escolástico tradicional, mas por culpa da outra parte que, influenciada pelo pensamento moderno, especialmente o modernismo de matriz hegeliana, que tenta conciliar o inconciliável, encontrando uma mediação entre os opostos. Aqui vale a pena citar, ainda que correndo o risco de parecer pedante, o aut aut de Kierkegaard contra o et et. Ou se obedece a Satis cognitum de Leão XIII, a Mystici corporis de Pio XII, que estabelecem a eclesiologia tradicional ou se aceita o subsistit do Vaticano II. Não há aqui et et.

Concluo, pois, estas breves considerações dizendo que, salvo o caso de um debate desenvolvido conforme o método escolástico em que a verdade, quando não convence vence, as assembleias que reúnem facções opostas não são feitas para conciliar mas simplesmente para legalizar o desacordo. Isto será possível se a prática pastoral de Francisco I se aplicar às relações entre Ecône e o Vaticano.

Deus une, o diabo reúne.

Anápolis, 29 de fevereiro de 2016.

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28 fevereiro, 2016

Roma-FSSPX: Secretário da Ecclesia Dei fala do estado atual das relações.

Enquanto crescem os rumores de uma regularização canônica da FSSPX, que, dizem, seria reconhecida como católica de modo unilateral pelo Papa Francisco, o secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, Dom Guido Pozzo, concedeu, na última quinta-feira (25), uma entrevista à sessão italiana da agência Zenit. Traduzimos, a seguir, os trechos mais relevantes.

Por FratresInUnum.com

Católicos

Mons. Guido Pozzo - JP Sonnen, Orbis Catholicus.

Mons. Guido Pozzo – Foto: JP Sonnen, Orbis Catholicus.

“Segundo formulou o então Cardeal Bergoglio, de Buenos Aires, e confirmado pelo Papa Francisco à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, os membros da FSSPX são católicos a caminho da plena comunhão com a Santa Sé. Esta comunhão plena existirá quando houver um reconhecimento canônico da Fraternidade”.

Onde estamos. Ano da misericórdia.

“Estamos agora numa fase, creio eu, construtiva e capaz de alcançar a desejada reconciliação. O gesto do Papa de dar aos fiéis católicos a oportunidade de receber válida e licitamente o sacramento da Reconciliação e da Unção dos Enfermos dos bispos e padres da FSSPX durante o Ano Santo da Misericórdia é um sinal claro da vontade do Santo Padre de favorecer o caminho para o reconhecimento canônico completo e estável”.

“Neste contexto, o gesto apaziguador e magnânimo do Papa Francisco por ocasião do Ano da Misericórdia, sem dúvida, ajudou a esclarecer um pouco mais o estado das relações com a Fraternidade, mostrando que a Santa Sé deseja uma reaproximação e reconciliação que que devem também incluir um ordenamento canônico. Espero e desejo que o mesmo sentimento e a mesma determinação também seja compartilhada pela FSSPX”.

No essencial, unidade.

“O que parece essencial é encontrar uma convergência total do que é necessário para estar em plena comunhão com a Sé Apostólica, ou seja, a integridade do Credo Católico, o vínculo dos sacramentos e a aceitação do magistério supremo da Igreja. O Magistério, que não está acima da Palavra de Deus escrita e transmitida, mas a serve, é o interprete autêntico também dos textos precedentes, e compreende os [textos] do Concílio Vaticano II, à luz da Tradição viva, que se desenvolve na Igreja com o auxílio do Espírito Santo, não como uma novidade contrária (o que seria negar o dogma católico), mas com uma melhor compreensão do depósito da fé, sempre na “unidade o dogma, de sentido e compreensão” (in eodem scilicet dogmate, eodem sensu et eademque sententia, cf. Concile Vatican, Const. dogm. Dei Filius, 4). Eu creio que, sobre esses pontos, uma convergência com a FSSPX não é apenas possível, mas necessária”.

No não essencial, liberdade.

“Isso não tem qualquer efeito sobre a capacidade e a legitimidade de se debater e explorar outras questões específicas que já mencionei, que não dizem respeito às questões de fé, mas sim orientações pastorais e juízos prudenciais, não dogmáticos, em que também é possível ter diferentes pontos de vista. Portanto, não se trata de ignorar ou menosprezar as diferenças sobre certos aspectos da vida pastoral da Igreja, mas de se ter em mente que no Vaticano II há documentos doutrinais cuja intenção é reformular a verdade da fé já definida ou a verdade da doutrina católica (por exemplo, a Constituição Dogmática Dei Verbum, a Constituição Dogmática Lumen Gentium), e há documentos que têm a intenção de fornecer orientações ou diretrizes para a ação prática que são para a vida pastoral como uma aplicação da doutrina (a declaração Nostra Aetate, do Decreto Unitatis Redintegratio, a declaração Dignitatis Humanae).

A adesão aos ensinamentos do Magistério varia de acordo com o grau de autoridade e a categoria da própria verdade do Magistério. Não me parece que a FSSPX tenha negado as doutrinas da fé ou a verdade da doutrina católica ensinada pelo Magistério. As críticas emitidas concernem sobretudo as declarações ou as indicações relativas à renovação da pastoral nas relações ecumênicas com outras religiões, e certas questões prudenciais na relação da Igreja e da sociedade, da Igreja e do Estado.

Sobre a reforma litúrgica, limito-me a citar uma declaração que Dom Lefebvre escreveu ao Papa João Paulo II em uma carta datada de 8 de março de 1980: “Quanto à Missa do Novus Ordo, apesar de todas as reservas que devem ser feitas a este respeito, eu nunca disse que seria inválida ou herética”. Portanto, as reservas quanto ao rito do Novus Ordo, o que não devem, obviamente, ser subestimadas, não se referem nem à validade da celebração do sacramento, nem à retidão da fé católica. É preciso, então, continuar a discussão e o esclarecimento dessas reservas”.

21 dezembro, 2014

Foto da semana.

Por Chiesa et Post Concilio | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Não nasceu do nada, mas foi uma iniciativa, com a colaboração do eurodeputado Mario Borghezio, que, em comemoração ao centenário de morte de São Pio X, em 2014, propôs que um bispo da Fraternidade Sacerdotal São Pio X abençoasse o Presépio junto ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, que já vem sendo exibido há vários anos. Convite ao qual respondeu imediatamente Dom Fellay. Este particular eu soube através do Medias- Press [ver]. A bênção foi assistida por vários deputados do Parlamento Europeu: Franceses, Gregos, Ingleses, Portugueses e Italianos. O texto que se segue foi retirado do website do Distrito da FSSPX Italiana [aqui]:

No dia 09 de dezembro de 2014, por iniciativa do Civitas, um presépio foi montado no Parlamento Europeu, em Bruxelas; Dom Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, quis ir pessoalmente lá para abençoá-lo na presença de alguns deputados, assistentes e funcionários parlamentares, bem como alguns convidados do exterior presente para a ocasião.

Alain Escada, presidente do Civitas, brevemente tomou a palavra para recordar que o Menino Jesus, o centro do presépio, é chamado a governar as nações e que todo poder vem de Deus. Citando São Pio X, recordou que: “A civilização não é algo a ser inventado: foi e é a civilização cristã, é “a cidade católica. Não se trata de outra coisa senão instaurá-la e re-instaurá-la sobre seus fundamentos naturais e divinos”.

Por sua vez, o Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X se dirigiu ao público presente dizendo: “É aí que tudo começou, no presépio. Assim, é natural que os líderes europeus rendam homenagem ao Deus que vem entre os homens para salvá-los, Ele que é o Rei dos Reis. Recordemos o que disse o Cardeal Pie (a Napoleão III): ‘Se não é chegado o tempo para Jesus Cristo reinar, então não é chegado o momento para os governos durarem'”.

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1. Civitas, movimento político francês, inspirado no Direito natural e na Doutrina Social da Igreja, que inclui leigos católicos comprometidos com o estabelecimento do Reinado Social de Cristo sobre as nações e os povos em geral, sobre a França e os franceses em particular.
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23 setembro, 2014

Comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé sobre encontro entre Cardeal Muller e Dom Fellay.

Por Vatican Information Service | Tradução: Fratres in Unum.com – Na manhã de terça-feira, 23 de setembro, das 11 às 13 horas, ocorreu um encontro cordial nos escritórios da Congregação para a Doutrina da Fé entre o Cardeal Gerhard Ludwig Muller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e Sua Excelência Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade São Pio X. Participaram também suas Excelências: Dom Luis Francisco Ladaria Ferrer, SJ, secretário da mesma congregação, Joseph Augustine Di Noia, OP, secretário adjunto, e Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, juntamente com dois assistentes da Fraternidade, Revmo. Niklaus Pfluger e Rev. Alain-Marc Nély.

Durante o encontro, vários problemas de natureza doutrinal e canônica foram examinados, e decidiu-se proceder gradualmente e dentro de um período de tempo razável, a fim de superar as dificuldades com vistas a uma esperada plena reconciliação.

2 setembro, 2014

Padre da FSSPX celebra Missa na Basílica de São Pedro.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Por gentil permissão de uma autoridade superior da Basílica Papal de São Pedro no Vaticano, os fiéis da igreja de Saint-Martin-des-Gaules, Noisy-le-Grand (próxima à Paris) – que estavam em Roma em peregrinação de férias de verão dirigida pelo Padre Michel de Sivry, da Fraternidade São Pio X (SSPX) – puderam assistir à Missa no Altar de São Pio X, onde repousa o corpo do santo Papa.

A Missa na Basílica Vaticana foi celebrada pelo Pe. de Sivry, em 9 de agosto de 2014, durante o centenário especial do dies natalis de São Pio X. 

Vídeo abaixo:

Imagem e vídeo do site do Distrito da França da FSSPX.

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16 junho, 2014

Pe. Michel Simoulin, FSSPX: “Evitemos um falso espírito de resistência”.

Por FSSPX-EUA | Tradução: Fratres in Unum.com – Certamente existe uma crise na Igreja, mas de que maneira devemos opor-lhe resistência? Qual é o espírito católico para tais circunstâncias e como ele tem sido praticado constantemente pela FSSPX nos últimos anos?

Na imagem acima, o Arcebispo Lefebvre sobe os degraus da Basílica de São Pedro durante a Peregrinação do Credo de 1975.

Temos a satisfação de apresentar outro editorial do Pe. Michel Simoulin da edição de abril do Le Seignadou (O Sinal de Deus), boletim informativo do priorado da FSSPX em Montreal de l’Aude, França.

* * *

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8 junho, 2014

Foto da semana.

“Meu irmão, toca a bola!”

Por Fabrice Coffrini – AFP | Tradução: Fratres in Unum.com – Riddes, Suíça, 3 de junho de 2014 – A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é uma sociedade católica tradicionalista fundada por Dom Marcel Lefebvre. Ela se tornou conhecida mais por suas posições ultraconservadores e seus atritos com o Vaticano, e menos por seus talentos futebolísticos.

Seminaristas da fraternidade tradicionalista São Pio X jogam futebol no domingo, 25 de maio de 2014, em um campo em Riddes, próximo a Écône, Suíca (AFP - Fabrice Coffrini)

Seminaristas da fraternidade tradicionalista São Pio X jogam futebol no domingo, 25 de maio de 2014, em um campo em Riddes, próximo a Écône, Suíca (AFP – Fabrice Coffrini)

Todos os domingos, padres e futuros padres do seminário da Fraternidade em Ecône, na Suíça, relaxam ao fim de uma intensa semana de estudo e oração. Alguns fazem caminhada, outros jogam basquete, outros ainda futebol. Eles praticam sempre essas atividades esportivas de batina pois, para os tradicionalistas, um sacerdote deve manter seu hábito distintivo em todas as circunstâncias da vida em sociedade, a fim de mostrar que ele “vive no mundo sem ser do mundo”… Mas as chuteiras são toleradas.

(AFP / Fabrice Coffrini)

(AFP / Fabrice Coffrini)

Fazia vários anos que eu queria fotografá-los. Com a aproximação da Copa do Mundo, foi o momento perfeito. Após ter facilmente obtido a autorização do seminário, eu então me dirigi ao Valais para assistir à partida de domingo em Riddes, vilarejo vizinho a Écône.

O campo está localizado abaixo de uma ponte rodoviária. Muitos motoristas que passavam por lá buzinavam ao ver espetáculo incomum desses padres de batina disputando uma bola. Mas, além deles, não há público. Também não há árbitro (exceto Deus, é claro).

(AFP / Fabrice Coffrini)

(AFP / Fabrice Coffrini)

O jogo é muito físico, os jogadores dão carrinho e se colidem como em qualquer jogo de futebol. A única diferença, além da roupa, é a linguagem. Não há insultos, palavrões, não há controvérsia em impedimentos ou faltas. Os jogadores se tratam por vós [vous, 2ª pessoa do plural, isto é, se tratam respeitosamente] e permanecem muito polidos entre si: “Meu irmão, toca a bola!”

No intervalo, eu queria tirar uma foto de todos os seminaristas levantando os braços com entusiasmo, como um time comum. Mas eles se recusaram. Mesmo em um campo de futebol, a batina requer uma postura…

(AFP / Fabrice Coffrini)

(AFP / Fabrice Coffrini)

Fabrice Coffrini é repórter fotográfico da AFP em Genebra.

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6 junho, 2014

Dom Fellay (FSSPX) fala sobre o Papa Francisco: “Ele leu duas vezes a biografia do Arcebispo Lefebvre – e gostou.” E outras importantes revelações.

Por Rorate-Caeli| Tradução: Fratres in Unum.com* – Em visita à cidade francesa de Fabregues no dia 11 de maio (dia seguinte a esta postagem), o Superior Geral da Sociedade de São Pio X, Bispo Bernard Fellay, falou detalhadamente sobre diversos assuntos de relevância para a Fraternidade. A parte mais importante foi a relacionada à pessoa do Papa Francisco:

Marcel Lefebvre, the biography - Mons. Bernard T. de Mallerais

Marcel Lefebvre, the biography – Mons. Bernard T. de Mallerais

O papa atual, por ser um homem prático, olha as pessoas. O que uma pessoa pensa, em que acredita, é, no fim das contas, indiferente para ele. O que importa é que esta pessoa seja compreensiva de acordo com sua visão, ou, pode-se dizer, que pareça correto para ele.

Por essa razão, ele leu duas vezes o livro do Bispo Tissier de Mallerais sobre o Arcebispo Lefebvre, cujo conteúdo o agradou; ele é contrário a tudo o que representamos, mas sua vida, isso o agradou. Quando, enquanto Cardeal, ele estava na América do Sul, o Superior do Distrito [Pe. Christian Bouchacourt] veio solicitá-lo por causa de um favor de ordem administrativa, sem relação com a Igreja; um problema de visto, de residência permanente. O governo argentino, que é muito esquerdista, se vale do acordo estabelecido para proteger a Igreja, com a finalidade de contrariar-nos de maneira bastante séria, e nos diz, “vocês dizem ser católicos. Desse modo, vocês necessitam da assinatura do bispo, a fim de que possam residir no país.” O Superior do Distrito, então, veio apresentar-lhe o problema: havia uma solução simples, que seria declararmo-nos uma igreja independente [perante a lei civil], mas nós não queríamos, porque somos católicos. E o Cardeal disse-nos, “não, não, vocês são católicos, isto é evidente; eu os ajudarei;” ele escreveu uma carta ao governo em nosso favor, governo este tão esquerdista que fez a manobra de buscar uma carta de oposição por meio do núncio. Assim, empate de zero a zero. Agora ele é o papa, e nosso advogado teve a oportunidade de ter um encontro com o Papa. Ele lhe disse que o problema com a Fraternidade persistia, e pediu-lhe que benevolamente designasse um bispo na Argentina junto de quem poderíamos resolver o problema. O Papa disse-lhe, “Sim, o bispo sou eu, eu prometo ajudar, e eu o farei.”

Ainda estou esperando por isso, mas de qualquer modo ele o disse, da mesma forma que afirmou, “aquelas pessoas, elas acham que vou excomungá-las, mas estão enganadas;” ele disse outra coisa interessante: “Eu não vou condená-los, e eu não impedirei ninguém de visitá-los” [literalmente, “d’aller chez eux”.] Mais uma vez, quero esperar para ver.

* Nosso agradecimento a um gentil leitor pela tradução fornecida. A íntegra da conferência de Dom Fellay pode ser lida aqui.

12 maio, 2014

Papa Francisco e Dom Fellay, o encontro. Mais detalhes.

Andrea Tornielli traz mais detalhes sobre o encontro entre o Papa Francisco e Dom Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

“O encontro teria ocorrido nas primeiras semanas de 2014. Dom Fellay fora convidado para jantar em Santa Marta pelo bispo Guido Pozzo, secretário da Pontíficia Comissão “Ecclesia Dei” e pelo arcebispo Augustin Di Noia, vice-presidente da mesma comissão. Junto ao prelado tradicionalista estiveram presentes o padre Niklaus Pfluger e o padre Marc Nely (primeiro e segundo assistente do superior geral, que naquele dia assistiram à Missa celebrada pelo Papa em Santa Marta [mas não concelebraram], de acordo com o que noticiou a agência IMedia).

O Papa estava à mesa de costume no refeitório da Casa Santa Marta; Fellay, com seus dois assistentes, Pozzo e Di Noia, estavam numa outra mesa. Quando Francisco se levantou ao fim do jantar, o superior da Fraternidade São Pio X fez o mesmo e caminhou em direção ao Papa, ajoelhando-se para pedir uma benção. O encontro foi, portanto, breve, não se tratou de nenhum audiência, nem de um longo colóquio face a face. Viver em Santa Marta permite e facilita ao Papa Bergoglio esse tipo de contato, mais ou menos casul.

Com o retorno, no último mês de agosto, de Dom Pozzo à “Ecclesia Dei, depois de um parêntese de alguns meses na Esmolaria Apostólica, era esperado que se pudesse reatar o diálogo entre a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X. Na Congregação para a Doutrina da Fé há, todavia, aqueles que reivindicam– depois de anos de diálogo e depois da não aceitação do preâmbulo doutrinal — um novo ato formal contra os lefebvrianos. No momento, parece, porém, prevalecer a linha de espera.

O jantar com Di Noia e Pozzo, e a benção papal, é um episódio certamente emblemático de acolhimento por Francisco. Seria, no entanto, um erro lhe atribuir excessiva importância em relação a eventuais desenvolvimentos sobre a posição dos lefebvrianos.

[Atualização – 12 de maio de 2014, às 12:35] A página oficial do Distrito da França da FSSPX faz o seguinte esclarecimento – tradução de Fratres in Unum.com:

Os Padres Pfluger e Nély nunca assistiram à missa privada do Papa e os jornalistas que o afirmam teriam muita dificuldade em indicar o dia dessa suposta assistência. Eis os fatos:

Em 13 de dezembro de 2013, Dom Fellay e seus assistentes foram a Roma, a pedido da Comissão Ecclesia Dei, para um encontro informal. Ao fim dessa reunião, Dom Guido Pozzo, Secretário da Comissão, convidou seus interlocutores para almoçar no refeitório da Casa Santa Marta, onde a eles se juntou Dom Augustin Di Noia, secretário adjunto da Congregação para a Doutrina da Fé. É nesse amplo refeitório que o Papa faz suas refeições diárias, afastado de outros comensais.

Dom Pozzo apresentou Dom Fellay ao Papa no momento em que ele deixava o refeitório. Houve uma breve conversa onde Francisco disse a Dom Fellay, de acordo com a fórmula usual de polidez, “Estou muito feliz em conhecê-lo”; ao que Dom Fellay disse que rezava muito, e o papa lhe pediu para rezar por ele. Este foi o “encontro” que durou alguns segundos.

Na entrevista que concedeu a Rocher (abril-maio de 2014), Dom Fellay havia respondido à seguinte questão: Houve alguma aproximação oficial de Roma para retomar contato desde a eleição do Papa Francisco?  – “Houve uma aproximação ‘não-oficial’ de Roma para retomar contato conosco, mas nada mais e eu não solicitei uma audiência como eu pude fazer após a eleição de Bento XVI. Para mim, atualmente, as coisas são muito simples: nós permanecemos onde estamos. Alguns concluíram dos contatos realizados em 2012, que eu coloquei como princípio supremo a necessidade de um reconhecimento canônico. A preservação da fé e a nossa identidade católica tradicional é primordial e continua sendo nosso primeiro princípio”.