Archive for ‘FSSPX’

26 setembro, 2011

“Um presente do Papa para você”.

Por Distrito Alemão da FSSPX | Tradução: Fratres in Unum.com

Jovens da KJB (Organização Jovem da Fraternidade São Pio X) distribuíram 43.500 folhetos por ocasião da visita do Papa em Friburgo.

Jovens da KJB (Organização Jovem da Fraternidade São Pio X) distribuíram 43.500 folhetos por ocasião da visita do Papa em Friburgo.

50 jovens de toda a Alemanha viajaram para distribuir os folhetos em dois dias.

Os folhetos abordavam dois temas: Um deles era sobre a Missa Tradicional, a qual o Papa Bento XVI fez valer novamente em 7.7.2007. Este folheto se intitulava “Um presente do Papa para você”. Este presente significava O Santo Sacrifício da Missa Tradicional em Latim.

O segundo folheto mostrava na folha de título a figura do Papa com assinatura: “Obrigado, Papa Bento”. Assim agradecia a Fraternidade São Pio X pela Retirada das Excomunhões pelo Papa Bento em 2009. Esses gestos trouxeram um novo reconhecimento à comunidade religiosa fundada pelo Arcebispo Lefebvre.

“Os jovens trabalharam a todo vapor”, disse contentíssimo o Padre Andreas Steiner, que formulou os folhetos. Thaddäus Hanselmann, membro da direção do KJB para a Alemanha, organizou a grandiosa ação-folheto minuciosamente na história do movimento de juventude tradicional. Ele também se mostra satisfeito: “A distribuição de mais de 40.000 folhetos só pode ser feita através do trabalho corajoso de todos os nossos jovens. Agradeço mais uma vez a todos os jovens que colaboraram.”

Que a ação traga ricos frutos!

"Presente do Papa para você"

"Um presente do Papa para você".

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26 setembro, 2011

Dom Fellay endurece o tom em Ruffec.

Por Austremoine – Fecit Forum | Tradução: Fratres in Unum.com

Ontem, em Ruffec (36), Dom Fellay recebia os primeiros votos de uma religiosa da Fraternidade. No fim de seu sermão, ele abordou as discussões em andamento com Roma.

Para não trair substância do que o Superior Geral da FSSPX declarou, eis um breve resumo que retoma de memória os termos empregados.

Se nada ou nada muito grande foi dito, é porque as coisas são mais complexas do que podem parecer.

Roma apresentou duas propostas à Fraternidade São Pio X: uma doutrinal, outra canônica. Nem uma nem outra são claras. Esses dois textos são modificáveis, podem ser reescritos, sendo salva a substância. O problema é saber qual é a substância. Há muitas questões e poucas respostas.

Roma dá um passo em direção à Fraternidade. Ela deve examiná-lo seriamente. Os textos serão objeto de um estudo muito atento. A Fraternidade não assinará um texto que não seja claro. Ela não fará nada que possa diminuir a sua Fé ou o seu espírito de Fé. Assim como não dará o passo se não estiver certa das boas intenções a seu respeito. E conforme se questiona um ou outro prelado da cúria, obtém-se uma ou outra resposta.

Trata-se de uma fase decisiva, que qualquer que seja o seu desenlace, não será sem conseqüências.

23 setembro, 2011

Itália: reunião dos superiores da Fraternidade São Pio X em Albano.

DICI | Tradução: Fratres in Unum.com – Como havia anunciado na entrevista concedida a DICI em 14 de setembro de 2011, após seu encontro com o Cardeal William Levada, Dom Bernard Fellay consultará os responsáveis da Fraternidade São Pio X sobre o Preâmbulo doutrinal que lhe entregou o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Os superiores da Fraternidade se reunirão à portas fechadas na sede do distrito da Itália, em Albano, no dias 7 e 8 de outubro de 2011. (DICI 23/09/11)

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21 setembro, 2011

Para a Fraternidade São Pio X, a margem de interpretação do concílio é “a” questão.

Por Samuel Pruvot – Famille Chretienne | Tradução: Fratres in Unum.com

Padre Alain Lorans, porta-voz da FSSPX.

Padre Alain Lorans, porta-voz da FSSPX.

Caminhamos nós em direção ao fim de um cisma, a reconciliação entre os herdeiros de Mons. Lefebvre e Roma? Hoje, parece que a bola está no campo da Fraternidade São Pio X. O seu superior, Mons. Fellay, aceitará o preâmbulo doutrinal entregue pelo Cardeal Levada em 14 de setembro? E, se o fizer, a Fraternidade o seguirá? As respostas de seu porta-voz, o Padre Lorans, que o acompanhava em Roma.

O momento é histórico ou trata-se de um simples sobressalto?

É, antes, uma etapa. Após os pedidos preliminares de Mons. Fellay ao Santo Padre sobre a missa tradicional, as sanções canônicas contra os bispos da fraternidade e os colóquios doutrinais sobre o Concílio Vaticano II, era normal considerar as perspectivas de futuro, o que foi feito em 14 de setembro.

Pode-se notar a grande franqueza dos teólogos da fraternidade durante essas conversações, em que comunicaram sem rodeios as dificuldades doutrinais colocadas por certos textos do concílio. Esta franqueza não impediu uma nova etapa. Claramente, Roma sabe muito bem as nossas posições, e é com este conhecimento preciso que o Cardeal Levada apresentou à Mons. Fellay esse preâmbulo doutrinal.

A Fraternidade seguirá Mons. Fellay se ele der seu aval a esse preâmbulo?

Um acordo com Roma regularia a situação canônica da Fraternidade São Pio X. Mas o importante não é tanto isso, mas sim devolver à tradição — freqüentemente desprezada, ou mesmo perseguida, há mais de quarenta anos — o seu direito de cidadania na Igreja. O que começou com o motu próprio Summorum Pontificum, ao declarar que a missa tradicional nunca havia sido ab-rogada. Se, após o estudo atento que Roma lhe solicita, Mons. Fellay puder dar a sua adesão, a fraternidade lhe será certamente favorável.

Qual é a margem legítima de debate em torno dos textos do Vaticano II?

Esta é a questão! O preâmbulo doutrinal permanece confidencial, não posso acrescentar nada ao comunicado oficial: “deixando abertos a uma legítima discussão o estudo e a explicação teológica de expressões ou de formulações específicas presentes nos textos do Concílio Vaticano II e do Magistério que o seguiu”.

Alguns sugerem que os pontos que geram dificuldade no concílio poderiam ser discutidos sem que isso colocasse em questão a pertença à Igreja. O que corresponderia a reconhecer que esses textos litigiosos não requerem a adesão exigida pelos dogmas.

Outros insistem no fato de que esse preâmbulo doutrinal — que não é público, recordemos — exigiria o respeito ao concílio como um todo, de sua autenticidade e da legitimidade do seu ensinamento. Para eles, se retomo os termos de sua pergunta, a simples possibilidade de uma discussão sobre o Vaticano II deve parecer “um pouco demais”, — sem vírgula entre os dois…

O que se pode constatar é uma diferença entre o comunicado de 14 de setembro de 2011 e a nota redigida pela Secretaria de Estado, em 4 de fevereiro de 2009, que dizia: “Para um futuro reconhecimento da Fraternidade São Pio X é condição indispensável o pleno reconhecimento do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e do próprio Bento XVI”. Entre essas declarações, há dois anos de discussão teológica que permitiram “aprofundar e esclarecer os problemas doutrinais”, segundo Mons. Fellay. Houve evolução em Roma entre 2009 e 2011? A exposição dos teólogos da fraternidade contribuiu? Deixo aos senhores a resposta.

20 setembro, 2011

Liga Anti-Difamação: Salvem o Vaticano II!

Abraham H. Foxman, diretor da Liga Anti-Difamação.

Abraham H. Foxman, diretor da Liga Anti-Difamação.

A Liga Anti-Difamação [Anti-Defamation League], uma organização não governamental sediada nos Estados Unidos, cujo objetivo principal é combater o anti-semitismo, decidiu se pronunciar novamente sobre assuntos internos da Igreja Católica.

Depois de imiscuir-se na política eclesial por ocasião da promulgação do motu proprio Summorum Pontificum e polemizar sobre a nova oração pelos judeus na liturgia católica da Sexta-Feira Santa, agora ela vem defender a integridade do Concílio Vaticano II diante dos propósitos dos tradicionalistas — aparentemente acolhidos, ao menos em parte, pela Santa Sé — que visam relativizar o teor de seus documentos.

Após o encontro de 14 de setembro entre o Cardeal William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e o Superior Geral da Fraternidade São Pio X, Dom Bernard Fellay, a Liga Anti-Difamação publicou em seu sítio um artigo em que

“encoraja o Vaticano a assegurar que a seita católica separada que ensina o anti-judaísmo seja obrigada a aceitar os ensinamentos positivos oficiais da Igreja sobre os judeus e o judaísmo, antes de ser plenamente aceita de volta na Igreja Católica Romana”.

Declarou Abraham H. Foxman, diretor da Liga Anti-Difamação:

Estamos confiantes de que o Papa Bento XVI continuará a exigir da Fraternidade São Pio X, que sustenta opiniões anti-semitas e anti-judaicas, a aceitar publicamente os ensinamentos positivos da Igreja sobre os judeus e o judaísmo desde o Concílio Vaticano II, de 1965, antes de aceitá-los de volta na Igreja Católica Romana.

Por sua vez, o Rabino David Rosen, presidente do Comitê Judeu Americano para Assuntos Inter-religiosos e velho expoente do diálogo católico-judaico, disse estar preocupado pelo gesto de acolhimento por parte do Vaticano e espera esclarecimentos:

“Se ‘Nostra Aetate’ e ‘Lumen Gentium’ não são considerados doutrinas fundamentais da Igreja, e for possível questioná-las sem desafiar a autoridade da Igreja, então nós (e não só as relações judaico-católicas) estamos indo por um caminho muito difícil”.

Diversos grupos judeus tiveram papel importantíssimo na redação da declaração Nostra Aetate. Clérigos influentes, sob a proteção especial do Cardeal Augustin Bea, SJ, então responsável pela unidade dos cristãos e pelo diálogo com os judeus, beneficiando-se de suas posições, reuniam informações de dentro do Concílio e as divulgavam para a imprensa secular e grupos de pressão judeus, que, por sua vez, usavam-nas para influenciar e constranger os padres conciliares — particularmente os progressistas, preocupados com o diálogo inter-religioso. Comissões foram formadas, e a própria Liga Anti-Difamação, fundada pela B’nai B’rith, organização para-maçônica exclusiva para judeus, foi consultada.

A influência judaica se estendeu a encontros de lideranças com João XXIII, para as quais as maiores fontes de discriminação contra os judeus seriam os ensinamentos da Igreja Católica. Foram realizados também encontros “discretos” entre o Cardeal Bea e organizações judaicas em Nova Iorque; chegaram à desfaçatez de elaborar uma oração, atribuindo-a falsamente João XXIII, em que se fazia um mea culpa pelos erros passados da Igreja contra os judeus.

Enfim, apesar da intromissão, a preocupação judaica com a integridade do Vaticano II não pode ser considerada surpreendente por quem conhece as obscuras histórias dos corredores conciliares.

20 setembro, 2011

Messa in Latino: O conteúdo do “Preâmbulo Doutrinal” apresentado à FSSPX.

Por Enrico – Messa in Latino | Tradução: Giulia d’Amore.

No último dia 14 de setembro, foi apresentado a Mons. Fellay, convocado a Roma para buscar uma plena reconciliação, um “Preâmbulo Doutrinal” como base para o acordo. O texto, porém, não foi publicado, por pelo menos três razões: para permitir aos responsáveis pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X um exame mais sereno, sem a pressão de quem viria nele, de alguma forma, armadilhas e cavalos de Tróia até no número de vírgulas; para preparar uma meditada ilustração ao Capítulo Geral da Fraternidade; e finalmente… para permitir, quem sabe, algumas emendas limitadas, lá onde uma passagem ou um adjetivo parecesse de fato pouco atraente à FSSPX.

Adquiridas as devidas informações e mesmo querendo respeitar, pelas mesmas razões já expostas, o vínculo de confidencialidade que protege o conteúdo do “Preâmbulo Doutrinal”, não queremos privar os nossos fiéis leitores de algum elemento de juízo suplementar.

Posso lhes dizer que, pessoalmente, eu não teria problemas em assinar o Preâmbulo. Mas eu não sou o Superior da FSSPX; ainda bem, diriam muitos… No entanto, constato múltiplas razões pelas quais aquele texto é uma surpresa positiva (digo surpresa porque Mons. Fellay, indo ao encontro, esperava uma proposta exclusivamente jurídico-canônica, ao invés de um texto doutrinal). Ousaria dizer que a relativização do Concílio, que este Preâmbulo permite, representa uma verdadeira vitória para a Fraternidade, um ponto extremamente significativo, como (se não mais) a solene afirmação do Motu Proprio segundo o qual a antiga liturgia nunca havia sido revogada. Mas a vitória para Mons. Fellay não significa a derrota de Roma; como eu já tinha escrito, um acordo – como também a demolição do “superdogma” conciliar – representa uma solução win-win[1], onde ambos os lados têm muito a ganhar.

O conteúdo do Preâmbulo, que, em última análise, é um documento muito sintético, pode ser resumido essencialmente em dois pontos. Começamos pelo segundo, porque é coisa simples: em poucas palavras, a FSSPX deve mudar os tons e expressar o que tem a dizer de um modo respeitoso e filial, além de colaborar lealmente com todos os outros grupos do Corpo Místico. Em linguagem clérigo-teológica, isto é chamado de “sentire cum ecclesia” [2].

O primeiro ponto do Preâmbulo – por outro lado, o mais importante – é a reproposição do conteúdo do cânon 750 do CIC [3], ou seja, da necessidade para um católico de aceitar o ensinamento do magistério segundo os graus de adesão previstos por aquele artigo e pela Carta Apostólica Ad tuendam fidem [4] de João Paulo II. Em resumo, há diferentes níveis de vinculabilidade ao ensinamento do Magistério: como esclarecia uma Nota Explicativa do, então, Cardeal Ratzinger, quando, em função de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé: há verdades que a Igreja proclama divinamente reveladas e são, portanto, irreformáveis e devem ser acolhidas com “fé teologal”. Quem não crê não é católico. Tais são os dogmas de fé, sobre os quais, no entanto, a FSSPX não tem problema algum (Mons. Fellay fazia o exemplo do Dogma Trinitário). Idêntico assentimento de fé firme (e idêntica ausência de problemas para a FSSPX) concerne aquelas doutrinas sobre a fé ou a moral não fundadas diretamente nas Escrituras, mas infalivelmente ensinadas pela Igreja, porque assim proclamadas ou porque sempre repetidas pelo Magistério. Exemplos deste último tipo (que se leem justamente na Nota Explicativa) são a impossibilidade das ordenações de mulheres, a proibição da eutanásia, a canonização dos santos.

Exigem, no entanto, um mero “religioso assentimento da mente e do intelecto” aqueles ensinamentos do Magistério do Pontífice ou do Colégio dos Bispos que não se apresentam definitivos (talvez porque contradizem ensinamentos precedentes: por exemplo – o exemplo é nosso – a proibição de empréstimos a juros). A Nota da Congregação para a Doutrina da Fé se abstém prudentemente de fazer exemplos deste tipo, talvez porque seria como desclassificar os ensinamentos que viessem a ser elencados nesta categoria. O fato é que os ensinamentos mais controversos do Concílio, bem como o Magistério sucessivo que repetiu aqueles ensinamentos, não poderiam ascender (admitindo-se – e, como veremos, não aconteceu – que o alcançasse) a um nível de vinculatividade superior a este, uma vez que o Concílio declarou não querer definir nenhuma nova “verdade”, e que o próprio fato de serem proposições – se não em “ruptura”, pelo menos em “reforma” respeito ao Magistério anterior – as priva, inevitavelmente, de todo carácter de definitividade.

Na prática, pede-se à Fraternidade de assinar a profissão de fé à qual é obrigado todo católico; a coisa parece muito viável. Mas alguém poderia temer que aquela obrigação de “religioso assentimento da mente e do intelecto”, se aplicada a certos ensinamentos do Concílio, possa ferir, mesmo que não anule (em certas condições, pode-se discordar – mas não descaradamente – dos ensinamentos não definitivos), o direito de crítica ao Concílio. E aqui está a magnífica novidade.

Conforme reporta o comunicado oficial da Santa Sé, o Preâmbulo deixa, “à legítima discussão, o estudo e a explicação teológica de expressões singulares ou formulações presentes nos documentos do Concílio Vaticano II e do Magistério sucessivo”. Note-se que o objeto desta discussão, que é expressamente reconhecida “legítima”, não é apenas as interpretações dos documentos, mas o próprio texto destes: as “expressões ou formulações” usadas nos documentos conciliares. Estamos, portanto, muito além da mera hermenêutica: torna-se lícito criticar as próprias palavras (e não apenas o significado ou a interpretação dessas palavras) que os Padres conciliares escolheram para compor os documentos. Se as palavras usadas no Preâmbulo e, portanto, no comunicado oficial têm um sentido, estamos diante de uma revolução copernicana na abordagem do Concílio: ou seja, a mudança de um mero plano exegético para um substancial (este é um ponto que parece ausente na, não obstante, boa análise de Dom Morselli postada neste blog). No discurso de 15 de agosto, Mons. Fellay dizia que, para Roma, o Concílio é um tabu e que, portanto, ela se limita a criticar o invólucro externo, ou seja, a interpretação. Agora, porém, será lícito enfrentar também o núcleo. O que implica também que, aquelas passagens textuais controversas,  enquanto livremente discutíveis, não requerem sequer aquele grau menor de adesão que consiste no “religioso obséquio”.

No mesmo sentido se exprime também o Abbé Barthe [5], especialista conhecedor das coisas eclesiásticas, neste iluminante artigo que vos exorto a ler, como também o vaticanista do Le Figaro.

Lembrar-se-ão como, nos últimos meses, os graves ensaios de um Gherardini [6] ou de um de Mattei [7] tenham recebido apressadas condenações (em vez de aprofundadas e meditadas críticas), com base na apriorística acusação de colocar-se contra o Papa, que do Concílio criticou apenas a hermenêutica da ruptura e não os textos em si, que alguém (penso em P. Cavalcoli [8]ou em Introvigne [9]) gostaria de “dogmatizar” até o ponto de considerar definitivos. Bem, como muitas vezes acontece quando se é mais papistas do que o Papa: Gherardini-de Mattei 1 – Equipe dos neocon [10] 0.

E um grande sucesso para Mons. Fellay, para a Igreja e para o Papa Bento, que se preocupa profundamente com duas coisas: a reversão de uma dolorosa ruptura eclesial e o redimensionamento do totem Concilio [11], a respeito do qual, em tempos insuspeitos, disse (Alocuções aos Bispos do Chile, de 13 de julho de 1988):

“A verdade é que esse Concílio particular não definiu nenhum dogma sequer, e deliberadamente escolheu permanecer num nível modesto, como um concílio meramente pastoral; e no entanto muitos o tratam como se ele se fizesse uma espécie de superdogma que retira a importância de todo o resto. […] Não se suporta que se critiquem as decisão que foram tomadas pelo Concílio; por outro lado, se alguém coloca em dúvida as regras antigas, ou até as verdades principais da fé – por exemplo, a virgindade corporal de Maria, a Ressurreição corpórea de Jesus, a imortalidade da alma etc. – ninguém protesta, ou apenas o faz com a maior moderação”.

Enrico


[1] N.Trª.:  Wikipédia.

[2] N.Trª.: “Sentire cum Ecclesia” é um termo que foi cunhado por Santo Inácio de Loyola – o fundador dos jesuítas. Significa “Pensar com a Igreja”. Participação plena da vida eclesial em todas as suas dimensões e na pronta obediência aos Pastores, especialmente ao Romano Pontífice.

[3] N.Trª.: “Crer que a Igreja é “santa” e “católica” e que ela é “una” e “apostólica” (como acrescenta o Símbolo niceno-constantinopolitano) é inseparável da fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo No Símbolo dos Apóstolos, fazemos profissão de crer em uma Igreja Santa (“Credo… Ecclesiam”), e não na Igreja, para não confundir Deus com suas obras e para atribuir claramente à bondade de Deus todos os dons que ele pôs em sua Igreja”.

[4] N.Trª.: Ad tuendam fidem.

[5] N.Trª.: Abbé Claude Barthe – Wikipédia (em Francês).

[6] N.Trª.: Mons. Brunero Gherardini, autor do livro “Il Concilio Vaticano II. Un discorso da fare” (2009).

[7] N.Trª.: Roberto de Mattei, autor e historiados católico italiano, escreveu o “Il Concilio Vaticano II. Una storia mai scritta” (2010).

[8] N.Trª.: Refere-se a Padre Giovanni Cavalcoli.

[9] N.Trª.: Refere-se a Massimo Introvigne, escritor, filósofo e sociólogo italiano.

[10] N.Trª.: Neoconservadorismo (ou neocon) é uma corrente da filosofia política que surgiu nos Estados Unidos a partir da rejeição do liberalismo social, relativismo moral e da contracultura da Nova Esquerda dos anos sessenta. vide

[11] N.Trª.: Do latim: “Concílio

18 setembro, 2011

14 de Setembro: cai um tabu, questões permanecem.

Por Ennemond – Fecit Forum | Tradução: Fratres in Unum.com

O texto da congregação para a Doutrina da Fé, publicado neste 14 de setembro é rico em ensinamentos. Contudo, vários elementos permanecem incertos.

1.     O que o texto nos ensina:  

 – Ontem, caiu o tabu do Concílio. O seu caráter de super-dogma não existe mais. E, na medida em que nenhum Papa poderia eximir um católico das decisões dos concílios dogmáticos, Bento XVI emancipa as almas das decisões de um concílio pastoral. Doravante, é possível estar na Igreja sem sustentar os pontos litigiosos do Vaticano II. Em 2007, o chefe da Igreja já havia cortado o monopólio que detinha o Novus Ordo. Quatro anos depois, retira da doutrina conciliar o seu caráter não negociável e a sua exclusividade. É isso que terá permitido a exigência — frequentemente vilipendiada — da Fraternidade São Pio X de não se ater à única questão litúrgica, mas de abordar igualmente a doutrina. Quando se considera os desconcertantes frutos do aggiornamento, o dom ocasionado por esses esforços da Fraternidade é inestimável.

– A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada como uma importante protagonista potencial na vida da Igreja. Com efeito, o texto não a mostra mais como uma sociedade que nutriria uma concepção errônea da Tradição ou que estaria vinculada a uma lembrança nostálgica da Cristandade. Não, a obra de Dom Lefebvre é descrita neste texto como aquela que quer fazer “respeitar a integridade da fé católica”. São estes termos muito fortes que são utilizados. Numa carta dirigida aos bispos em março de 2009, o Papa Bento XVI já havia feito a pergunta: Por que este grupo focaliza sobre si, sem desejá-lo, o opróbrio geral? O fato de que o Soberano Pontífice tenha ele mesmo sofrido várias vezes este opróbrio o levou, talvez, a se interessar mais por esta obra abominada pelo mundo, este mundo que odeia a Deus… Seja como for, ele deu, neste 14 de setembro, um passo a mais.

2. O que o texto não nos ensina:

– Os termos mesmos do preâmbulo doutrinal são desconhecidos do grande público. Eles serão submetidos aos quarenta membros do capítulo geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X em algum tempo. Pode-se imaginar que, se as suas linhas forem animadas pelo espírito do decreto da congregação, na medida em que deixariam nas sombras os pontos que não foram objetos de um acordo durante as discussões doutrinais, elas poderiam ser aceitáveis. Esta solução alcançaria a hipótese descrita pelo Padre Grégoire Celier, em seu livro Benoît XVI et les traditionalistes [Bento XVI e os tradicionalistas]. Deixa-se o Concílio de lado para se ater à fé. Notemos que, deste modo, coloca-se um termo sobre todos os jogos de acrobacia semântica que esboçariam as críticas construtivas ou que deviam fazer ler os decretos conciliares à luz de diversas lâmpadas. Doravante, não há mais necessidade de iluminar. Cuidadosamente se deixou nas sombras o que era um super-dogma para centrar novamente a Igreja sobre o seu objeto: a fé.

– Sabemos muito poucas coisas sobre estrutura canônica considerada. O diretor da sala de imprensa da Santa Sé falava de prelazia pessoal… Para além das considerações técnicas, rezemos para que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X não perca um centímetro quadrado da extensão de seu apostolado, porque o estado de necessidade perdura, quer esta obra seja regularizada ou não. O estado de necessidade é independente da Fraternidade, não varia de acordo com a natureza das propostas romanas. É o estado de heresia ambiente e generalizado na qual se encontram hoje o maior número de almas que tem uma necessidade urgente de serem salvas. Estas não se incomodam muito em saber se o bombeiro que vem socorrê-las foi nomeado ou não. Ora, a dominação por episcopados hostis seria uma causa anuladora à sobrevivência regularizada desta obra de primeiros socorros. Pode-se, no entanto, imaginar que Roma já o tenha compreendido.

– A Fraternidade criou desde a sua fundação um chamado em prol da Tradição Católica. Este chamado foi a ocasião para um certo número de bispos constituir iscas — sem que se deva considerer esta realidade de maneira pejorativa — para integrar ao espaço diocesano as forças vivas do catolicismo tradicional, pelas suas vocações, sua juventude e renovação das suas gerações. Se amanhã, esses bispos considerassem que não têm mais que seduzir estas forças que já teriam ganho a sua regularização fora de suas jurisdições, podem ser tentados a não mais continuar as experiências necessárias até então. Padres diocesanos se veriam, então, obrigados vagarosamente a não mais se esforçar em celebrar com os antigos livros. Os acordos com sociedades religiosas dificilmente seriam renovados. Lentamente, certos episcopados poderiam cavar um fosso entre eles mesmos e a obra doravante reconhecida, da qual dirão, no mínimo, não estaro em comunhão com eles. Em 15 de agosto passado, Dom Fellay preveniu que uma regularização da Fraternidade provocaria sem dúvida uma maior hostilidade dos que estão decididos a não nos aceitar.

– Rezemos, portanto, a fim de que a Fraternidade, independentemente da escolha feita por seus responsáveis, possa prosseguir, nas pegadas de fundador, a defesa pública da integridade da fé católica e continuar a exercer este chamado que permitiu a tantos padres através do mundo reconsiderar o missal católico e que vai doravante lhes abrir a um reencontro com a doutrina católica. Continuando a ajudar esses irmãos padres, a pedir o melhor para eles, ela realizará assim o desejo mais caro a Monsenhor Lefebvre, que queria criar uma obra em prol do sacerdócio, por amor aos padres.

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15 setembro, 2011

A proposta da Santa Sé.

Informações de Andrea Tornielli:

“Um ‘preâmbulo doutrinal’ de duas páginas, com o convite a se pronuciar, aceitando-o, em um mês ou pouco mais. Transformar a Fraternidade São Pio X em uma ‘prelazia pessoal’, como o Opus Dei. Estas são as propostas que o bispo Bernard Fellay, superior dos lefebvrianos, recebeu em nome do Papa…

[…]

No passado, mais de uma vez se disse que a condição para a plena comunhão era a aceitação do último Concílio por parte dos lefebvrianos. Na realidade, o ‘preâmbulo’ entregue ontem a Fellay é mais amplo, e representa uma espécie de plataforma imprescindível, com ‘alguns princípios doutrinais e critérios de interpretação da doutrina católica’.

Um texto breve e ponderado, que enfatiza a ‘Professio Fidei’ publicada em 1989 pelo antigo Santo Ofício e que indica três graus distintos de assentimento a que o fiel está obrigado. Em suma, o católico se compromete a crer ‘com fé firme’ no que está ‘contido na Palavra de Deus’ e no que a Igreja propõe ‘como revelação divina’. Em segundo lugar, se compromete a acolher todos os dogmas declarados como tais até o dia de hoje. Por fim, e este é o ponto problemático para os lefebvrianos, se pede que adiram ‘com obséquio religioso de vontade e de intelecto’ aos ensinamentos que o Papa e o Colégio dos Bispos ‘propõem quando exercem seu magistério autêntico’, embora não sejam proclamados de modo dogmático, isto é, definitivo. É esta a parte mais consistente do magistério, da qual fazem parte, por exemplo, as encíclicas. E na qual se encontram também muitos documentos do Vaticano II, que, como todo o magistério, explica a Santa Sé, devem ser lidos sob a ótica da tradição, como desenvolvimento e não como ruptura com a doutrina precedente, segundo a hermenêutica proposta por Bento XVI.

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15 setembro, 2011

Pensamentos de Dom Lefebvre no “Day after”.

Pensamentos de Dom Lefebvre publicados e escolhidos a dedo para o dia de hoje:

1) Pelo sítio oficial do distrito francês da FSSPX: “Se, como pedi muitas vezes, Roma aceitar nos deixar fazer a experiência da Tradição, não haverá mais problema. Seremos livres para continuar o trabalho que fazemos agora, sob a autoridade do Soberano Pontífice“.

2) Pelo sítio oficial do distrito norte-americano da FSSPX: “O que devemos fazer em relação às autoridades em suas posições? Fecharmo-nos em nossa resistência como que numa torre de marfim? Ou antes tentar convencer as autoridades romanas? Eu não tomei o caminho de cortar comunicação com Roma“.

Ontem, o pensamento selecionado pelo distrito norte-americano foi: “Pedimos à Santíssima Virgem Maria que venha em nosso auxílio e nos traga um milagre extraordinário: que Roma possa nos conceder a possibilidade de continuar difundindo e defendendo a Fé Católica e tornar mais numerosos os nossos seminários, conventos, mosteiros e famílias Católicas”.

Assim seja!

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14 setembro, 2011

Entrevista de Dom Fellay após o encontro com a Santa Sé: “Nossa decisão será tomada para o bem da Igreja e das almas”.

Por DICI n°240 de 14/09/11 – Tradução: Fratres in Unum.com

Ao fim da audiência que Dom Bernard Fellay e seus dois Assistentes Gerais tiveram, no Vaticano, com o Cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em 14 de setembro de 2011, às 10:00, o Superior Geral de Fraternidade São Pio X respondeu às nossas perguntas.

Como se desenvolveu este encontro?

A audiência foi de uma grande cortesia e também de grande franqueza, porque por lealdade a Fraternidade São Pio X se recusa a se esquivar dos problemas que permanecem. É, aliás, neste espírito que se desenvolveram as conversações teológicas que ocorreram nestes dois últimos anos.

Quando declarei, em 15 de agosto passado, que estávamos de acordo sobre o fato de não estarmos de acordo a propósito do Concílio Vaticano II, tive igualmente que precisar que no que diz respeito aos dogmas, como a Trindade, nós estamos obviamente de acordo quando os encontramos recordados no Vaticano II. Uma frase não deve ser isolada de seu contexto. As nossas conversações teológicas tiveram o grande mérito de aprofundar seriamente e de esclarecer todos esses problemas doutrinais.

O comunicado oficial comum do Vaticano e da Fraternidade anuncia que um documento doutrinal lhe foi entregue e que uma solução canônica foi proposta. O senhor pode nos dar alguns detalhes?

Este documento se intitula Preâmbulo doutrinal, nos foi entregue para um estudo aprofundado. Conseqüentemente, ele é confidencial, e o senhor compreenderá que eu não fale mais. Contudo, o termo preâmbulo indica justamente que a sua aceitação constitui uma condição prévia a qualquer reconhecimento canônico da Fraternidade São Pio X por parte da Santa Sé.

A propósito deste preâmbulo doutrinal, na medida em que não toque a sua confidencialidade, o senhor pode nos confirmar se há, como anunciado na imprensa, uma distinção entre o que é de fé – ao que a Fraternidade adere plenamente –, e o que diz respeito a um concílio pastoral, como o próprio Vaticano II quis ser, e que então poderia estar sujeito a uma crítica, sem colocar a fé em questão?

Esta distinção nova não foi anunciada apenas pela imprensa, mas a ouvi pessoalmente de fontes diversas. Já em 2005, o Cardeal Castrillon Hoyos me declarava após eu ter exposto durante cinco horas todas as objeções que Fraternidade São Pio X formulava contra o Vaticano II: “Não posso dizer que estou de acordo com tudo o que disse, mas o que o senhor disse não faz com que estejam fora da Igreja. Escrevam, portanto, ao Papa, a fim de que retire a excomunhão”.

Hoje, para ser honesto, devo reconhecer que não há, no preâmbulo doutrinal, uma distinção nítida entre a esfera dogmática intocável e a esfera pastoral sujeita à discussão. A única coisa que posso declarar, pois está no comunicado de imprensa, é que este preâmbulo contém “princípios doutrinais e os critérios de interpretação da doutrina católica necessários para garantir a fidelidade ao Magistério da Igreja e o sentire cum Ecclesia, deixando, ao mesmo tempo, abertos a uma legítima discussão o estudo e a explicação teológica de expressões ou de formulações específicas presentes nos textos do Concílio Vaticano II e do Magistério que o seguiu”.  Aí está, nem mais, nem menos.

A respeito do estatuto canônico que seria proposto à Fraternidade São Pio X, sob a condição de adesão ao preâmbulo doutrinal? Falou-se de prelazia em vez de ordinariato, correto?

Como o senhor nota justamente, este estatuto canônico é condicionado; a sua modalidade exata não pode ser vista senão ulteriormente e permanece ainda objeto de discussão.

Quando o senhor pensa em dar a sua resposta à proposta do preâmbulo doutrinal?

Assim que tenha tomado o tempo necessário para estudar este documento e consultar os principais responsáveis da Fraternidade São Pio X, pois, sobre um assunto tão importante, eu me comprometi com meus confrades a não tomar decisão sem tê-los consultado anteriormente.

Mas posso assegurar que a nossa decisão será tomada para o bem da Igreja e das almas. Nossa cruzada de rosários, que continua ainda por vários meses, deve se intensificar para nos permitir obter, pela intercessão de Maria, Mãe da Igreja, as graças de luz e de força das quais temos necessidade mais que nunca.

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Como nossos leitores puderam perceber, esta tradução foi realizada “a jato”. Portanto, toda sugestão ou correção é mais do que bem-vinda!